O arenito silicificado da Formação Botucatu como rocha ornamental – município de Ribeirão Claro/PR



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Encontro16.12.2017
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CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-MECÂNICA DE ARENITOS DA FORMAÇÃO BOTUCATU NO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO CLARO (PR) UTILIZADOS COMO ROCHAS DE REVESTIMENTO
Filipe Montanheiro1; Francisco de Assis Negri2; Tarcísio J. Montanheiro2; Antonio C. Artur1

1UNESP - Rio Claro (flpmontanheiro@gmail.com); 2Instituto Geológico/SMA - São Paulo
A classificação de rochas como materiais para revestimentos e fins ornamentais depende de suas qualidades, sejam elas em relação ao efeito estético, durabilidade, resistência mecânica ou mesmo em relação à flexibilidade de uso.

Na região de Ribeirão Claro-Carlópolis, NE do Estado do Paraná e na divisa com São Paulo, prolifera uma dezena de pequenas lavras de arenito que é destinado à comercialização como materiais de revestimento. Considerando que essas rochas possuem consumidores buscou-se, em dois blocos de rocha cedidos pela Mineração Pedras Lustres Ltda, determinar suas propriedades físico-mecânicas de modo que as pudessem aferir e classificar como rocha ornamental. Assim, com o apoio do Laboratório de Rochas Ornamentais do DPM/UNESP de Rio Claro, desenvolveu-se uma bateria de ensaios balizados por normas da NBR/ABNT que buscam qualificar rochas de revestimento.

A jazida de arenito Botucatu - parcialmente sobreposto e silicificado por derrames de dacito da Fm. Serra Geral - ocupa uma área de cerca de 200 x 100m ao longo de uma das cuestas da Serra da Caatinga. Nesse local desenvolve-se, por método manual, uma mina a céu aberto onde se coletou as amostras para o presente estudo.

Os blocos de arenito variam do vermelho ao amarelo em vista do maior ou menor teor de óxidos de ferro, estratificados, com laminação plano-paralela realçada por microleitos descontínuos (>2,0mm) relativamente enriquecidos em feldspatos, biotita, óxidos/hidróxidos de ferro, com espaçamentos subcentimétricos. Apresentam matriz argilosa e granulação muito fina a densa, caracterizados por sutil isorientação de grãos de quartzo (74%) associados a feldspatos (18,5%) inequidimensionais (predominam os arredondados); micas (biotita + muscovita  5%); óxidos/hidróxidos de ferro (1,5%) e opacos (ilmenita e/ou magnetita <1,0%). A composição mineralógica, granulação e imbricamento dos grãos sugerem uma sedimentação imatura, boa seleção granulométrica e baixa compactação. O microfissuramento é muito baixo (tipo intragranular) e com raros planos intercomunicantes.

As principais variáveis tecnológicas revelaram os seguintes valores médios: massa específica aparentes seca 1.969 e 2.048kg/m3 e saturada 2.143 e 2.198kg/m3; porosidade 17,4 e 15,0%; absorção d’água 8,8 e 7,9%; desgaste abrasivo Amsler 9,2 e 10,0mm; flexão 3 pontos 4,4 e 1,8MPa; propagação de ondas longitudinais 2.910 e 2.671m/s; resistência à compressão uniaxial simples 30,5 e 22,2MPa; e, dilatação térmica linear 13,6 e 12,0x10-3 mm/(m °C).

Os resultados obtidos demonstram que, no geral, os arenitos estudados oferecem qualificações tecnológicas inferiores aos estipulados pelas normas ASTM para arenitos com teores ≥60% de sílica livre para utilização como rochas para revestimento de edificações, sobretudo, quanto aos itens relacionados à massa específica, absorção d’água, compressão uniaxial e flexão 3 pontos. As análises petrográficas também revelam que se tratam de arenitos com cimento enriquecido em argilominerais, mais ou menos ferruginosos, e bastante friáveis.



Neste contexto, o desempenho tecnológico exibido pelos arenitos estudados induz a severas limitações na utilização como materiais de revestimento, principalmente em ambientes sujeitos a elevada umidade (de exteriores; entorno de piscinas; etc.); como pisos em locais de alto tráfico de pessoas; em revestimentos verticais através de dispositivos de ancoragem (devido a efeitos de desagregação e desplacamentos); dentre outros ambientes mais severos.

Agradecimentos à FAPESP pelo Projeto de Auxílio à Pesquisa (Processo 03/06259-4)

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