O cuidado de si



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O CUIDADO DE SI

THE CARE OF THEMSELVES
Bruno da Costa

Diogo Nonaka Mares

Diogo de Castro Aguiar

João Tarcisio Borges Filho

Paulo Vitor Soares Miranda

Rogério Tomé Rodrigues Junqueira

Vitor Soares Marinho 1
RESUMO

Este trabalho em regra busca mostrar o Cuidado de Si, citando Sócrates e o Cuidado de Si nos dias atuas, demonstra o cuidado não só das mulheres, mas dos homens consigo mesmos nas diversas relações interpessoais, sejam elas amorosas, afetivas, profissionais dentre outras. Mostra-se também o ocupar-se de si mesmo, em que as pessoas se cuidam ocupando-se de diversas atividades, sejam elas esportivas, como o futebol, seja ela mais tranqüila como é o caso da ioga, no qual mediante determinados exercícios corporais, ocorre a redenção corporal.


Palavras-chave: Cuidado de si. Ocupar-se de si. Cuidando de si mesmo
ABSTRACT

This work generally seeks to reveal the care of himself, quoting Socrates and self-care on days atuas show care not only of women but the men themselves in different relationships, whether romantic, emotional, professional, among others. We also show the mind itself, where people take care of themselves by engaging in various activities, whether sports such as football, is it more relaxed as in the case of yoga, in which through certain physical exercises , is the body to achieve redemption.

Key – words: Care of themselves. Mind you. Taking care of yourself.

1 INTRODUÇÃO
Pensar na natureza da compreensão do cuidado de si é uma prática recente, no qual foi possível através dos esforços da hermenêutica visto que tal ciência é dada como um ramo da filosofia que se debate com a compreensão humana e a interpretação dos textos escritos, conferindo assim discussões no que tange a evolução doa aspectos abordados no cuidado de si ao longo dos anos.

O cuidado de si pode ser definido como um conjunto de estratégias envolvendo elas o aspectos ético, psíquico, moral dentre outros, ou seja, pode ser dado como alternativas que visem o resgate da individualidade com seus direitos e deveres. Deve-se mencionar uma característica de grande importância abordado pelo cuidado de si que é a liberdade que por sua vez não pode ser confundida com liberação. A liberdade refere-se a uma ordem de ensaios, de inventos, tentados por si próprios que, tomando-os como prova, intentarão seus próprios destinos.

A demonstração do cuidado de si, pode ser constatada a partir de diversas fontes como nas relações em sociedade, em família, como também no esporte, aspectos estes que serão trabalhados no presente estudo. Na sociedade observa-se a relevância das relações sócias, estas afetivas ou não, responsáveis pelo grau de auto-estima nos cidadãos. Quanto a família nota-se a possibilidade de conhecer a origem e as causas determinantes do próprio caráter. Por fim, o esporte, onde se observa que o êxito na modalidade extrapola os fatores relacionados apenas ao talento, atingindo inúmeros fatores externos.

2 DESENVOLVIMENTO
2.1 O cuidado de Si e as relações em sociedade.
Ao analisar o desenvolvimento do ser humano, nota-se que desde os anos da Grécia antiga, até os dias atuais, o ser humano tem buscado Cuidar de Si, seja para atrair o próximo nas relações sociais, sejam elas afetivas ou não, e ou mesmo para elevar a sua auto-estima.
Foucault vai falar do cuidado de si. Hepimeleia heautou, cura sui. Ocupar-se de si, de se preocupar consigo mesmo. É curioso, diz Foucault, estudar a relação entre a verdade e o sujeito através do cuidado de si e não através da prescrição délfica gnôthi seauton, conhece-te a ti mesmo2.

“Primeiramente, o tema de uma atitude geral, um certo modo de encarar as coisas, de estar no mundo, de praticar ações, de ter relações. A epimeleia heautou (cuidado) é uma atitude para consigo, para com os outros, para com o mundo”3. Partindo dessa premissa, nota-se também que o ser humano busca estar em sintonia com o seu eu, e o seu eu deve estar em sintonia co a coletividade em que está inserido.

O “ocupar-se consigo tornou-se um principio geral e incondicional, um imperativo que se impõe a todos, durante o tempo e condições de status”4, ou seja, sendo rico, sendo pobre, branco, negro, pardo, ocidental, o ser humano está sujeito a imperatividade do ocupar-se consigo, esse ocupar-se consigo faz com que o ser humano busque uma maior preocupação consigo mesmo.

2.2 A Interação entre os seres humanos ao Cuidar de Si.

O ser humano na busca da perfeição, mesmo sabendo que ninguém pode ser perfeito, cuida de si das mais diversas maneiras; seja ao praticar um esporte com o intuito de ficar com o físico atlético, seja praticando Ioga para relaxar, seja estudando e/ou mesmo lendo para aguçar o seu desenvolvimento intelectual; Através dessas atividades, o ser cuida de si mesmo. A busca desse cuidado é contínua.

Através desse cuidado de si, o ser humano está em contato direto com seus iguais, visto que “o cuidado de si não tem por finalidade cortar o eu do mundo, mas prepará-lo, em vista dos acontecimentos do mundo, enquanto racional de ação”5. Com isso o ser interage com o mundo, o ser fica preparado para lidar com os diversos acontecimentos da vida, como o ficar, o namorar, o casar e uma possível futura separação e ainda com as abstinências relacionadas a certas atividades funcionais.

A vida é passageira, é cercada de vários acontecimentos, não só os da vida íntima, mas os externos a vontade de cada um. Cita-se como exemplo as guerras, as catástrofes, que apesar de serem previsíveis em alguns casos, estão fora do alcance de cada um, porém suas conseqüências atingem os seres humanos, e para saber lidar com esses acontecimentos, o ser pode preparar-se, e o cuidado de si, é esse preparo seja emocional, físico, que se da ao longo da vida.



2.2.1 O cuidado de Si na vida familiar.
A busca ela boa relação entre os membros do grupo familiar é contínua.

Para que o ser esteja em harmonia total, é necessário não só uma boa relação com os entes queridos, mas também com os entes externos ao seu círculo íntimo. “ De fato, pode-se dizer esquematicamente que o Eu Total de uma pessoa é composto por várias partes que se diferenciam a partir dos diversos momentos da vida e que todas devem ser levadas em consideração e desenvolvidas”6.

Nota-se então que o eu de cada ser, em cada fase da vida deve ser cuidado, devendo ser desenvolvido de forma aguçada.

O ser busca preparar-se para as adversidades que influenciam a sua própria vida, assim ele busca moldar o seu próprio comportamento.

“É muito útil aprender a conhecer a origem e as causas determinantes do próprio caráter e do próprio comportamento, e desta forma compreender porque muitas vezes reagimos de um modo e não de outro”7.

No que tange as relações afetivas e emocionais, a mulher no intuito de cuidar de si, muitas vezes deixa de fazer algo que quer. “Suzana é uma pedagoga de 26 anos, há três mora com Fábio, mas faz questão de manter o apartamento que divide com 2 amigas, onde morava antes. De vez em quando, ao menos uma vez por semana, dorme lá. No momento se vê pressionada a tomar uma decisão”8. Trata-se de uma clara demonstração de que ela está cuidado de si, pois mantendo o apartamento com as amigas, elas esta resguardando-se de um insucesso na relação, nota-se também que ela tem que tomar uma decisão, de ficar com o namorado completamente ou manter o apartamento com as amigas, o excesso de cuidado de si, esta impedindo essa tomada de decisão.

Um outro exemplo claro é “quando uma mulher se recusa a ir para a cama um homem, apesar de sentir muito desejo por ele. Nesse caso, ela esta condicionando o sexo a estabilidade amorosa. Enquanto não estiver certeza do namoro, nada feito.” 9 Nota-se então claramente que a mulher está preservando a si mesmo, pois assim evita que sofra por um eventual insucesso após o sexo.

A relação a dois é eminente, e buscando a preservação e o prazer os seres se associam na relação conjugal.

Tanto o homem, quanto a mulher, em alguma fase da vida, deslumbra-se diante do casamento, pelo fato que “nenhum sistema de associação elaboradamente hostil a felicidade humana sobrepujara o casamento”10.

O casal ao relacionar-se busca a formação do vinculo familiar, que na maioria das vezes geram filhos, estabilidade, laços que fortificam-se ao longo dos tempo, isso nada mais é do que o cuidado de si nas relações afetivas e/ou familiares.



2.2.2 Cuidando de si no Esporte
O esporte nos dias é, e deve ser tratado com bastante profissionalismo.

O sucesso muitas vezes não depende apenas do talento, mas depende também de alguns fatores externos, que são: por exemplo, boas noites de sono, boa alimentação no dia-a-dia, o mínimo de stress possível, abstinência sexual pré evento e outros fatores.


Os chineses há mais de três mil anos perceberam que o homem pode ter vários orgasmos seguidos sem ejacular, e desse modo, aumentar a longevidade por não sentir a fadiga que segue a ejaculação. Não é a toa que os franceses usam a expressão La petite mort11 – pequena morte para a ejaculação, numa referencia ao perigo para a vitalidade masculina. E de alguma forma essa sabedoria oriental é utilizada no nosso futebol. Os jogadores são obrigados a ficar concentrados uns dias antes de uma partida importante, sem qualquer contato com mulheres.12

3 CONCLUSÃO
As idéias e interpretações apresentadas neste trabalho buscaram realizar uma introdução ao Cuidado de si, bem como uma abordagem a aspectos do cotidiano relacionados a este e a maneira como tais interações afetam nossa rotina.

O Cuidado de si é então aquilo que de certa forma se correlaciona as interações sociais e consigo mesmo, auto-estima, bem-estar, prática de ações... Tornando-se até mesmo um princípio geral e incondicional.

De tal forma, o Cuidar de si abrange toda uma sociedade, independente de classes, sexo, etnia, levando o sujeito a uma busca da perfeição (mesmo que essa seja inalcançável) de todas as formas imagináveis, imperativo e difundido.

Vale frisar que o Cuidado de Si é uma espécie de iniciação para que o “ser” possa interagir com o mundo de maneira aceitável, preparando-o para os diversos acontecimentos, não só o de foro intimo, mas também aqueles externos as vontades e anseios pessoais.



ANEXO A

O que é ioga e quais são os seus benefícios


Mais do que uma prática saudável, a ioga pode modelar a mente e afinar o espírito. Na era do culto ao corpo, suas posturas e exercícios vão muito além da vaidade - estimulam equilíbrio, força, bons hábitos e pensamentos do bem.

Do outro lado do mundo, há mais ou menos 2.500 anos, um certo sábio chamado Patañjali escreveu o ''Yoga Sutra'', uma compilação dos princípios da ioga. Nas bandas de cá, alguns bons séculos depois, a prática indiana virou mania. Gente famosa, do quilate da cantora Madonna e da atriz Demi Moore, faz questão de gritar aos quatro cantos que é adepta incondicional. Entre as celebridades nacionais, a lista de fãs aumenta a cada dia: Fernanda Torres, Cássia Kiss, Christiane Torloni, Adriane Galisteu, Eliana, Vera Fischer, Glória Maria e agora até a durona Marlene Mattos. Em números, a ioga é sucesso incontestável. Nos Estados Unidos, onde o boom começou no início da década de 90, já são 15 milhões de praticantes. No Brasil, estima-se que 5 milhões de pessoas já estejam se alongando e se contorcendo nas academias e escolas especializadas. Mas o que é que a ioga tem? Mera ginástica, misticismo, filosofia de vida ou um santo remédio?



Em meio ao modismo, fica difícil saber do que realmente se trata o conjunto de posturas exóticas. Mais difícil ainda é entender as diferenças entre as várias linhas, da bhakti-ioga, um dos ramos mais antigos, à power-ioga, versão ocidentalizada. Para começar, é preciso compreender o que é a tal da ioga, sem levar em conta as ramificações. Traduzindo do sânscrito para o português, ioga significa união. É que na Índia, onde tudo começou, o homem é visto como um todo - corpo, mente e espírito - e o sistema de Patañjali seria o instrumento para estabelecer a junção das partes. ''O objetivo principal é livrar o homem de qualquer sofrimento, seja corporal, emocional ou mental'', diz o médico César Deveza, especialista em medicina ayurvédica e autor de uma dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo sobre ioga. ''O propósito não é malhar, mas aquietar a mente para despertar a consciência do corpo como uma unidade. Então, é uma prática psicofísica. Indo mais fundo, os antigos iogues, que viviam em cavernas e florestas, tinham como meta transcender a existência humana'', completa Deveza.

  • Ioga, segundo o dicionário Aurélio, é um
    substantivo feminino, escrito assim, com 'i', e falado
    com 'o' aberto. Mas os iniciados fazem questão de
    respeitar as raízes. A palavra, como informa o próprio
    Aurélio, vem do sânscrito. Aí, é um substantivo
    masculino, escrito com 'y'. E pronunciado com 'o'
    fechado, como se tivesse acento circunflexo.

Como a ioga proporciona bem-estar e equilíbrio: Segundo o ''Yoga-Sutra'', os asanas, posições físicas da ioga, desviam a atenção dos pensamentos para o corpo, aquietando a mente. Com a mente calma, livre do turbilhão que costuma nos tomar de assalto, a respiração sob controle (exercícios respiratórios, os pranayamas, são a parte principal da prática), a tendência é a auto-observação, a concentração, o autoconhecimento e, no fim das contas, a transcendência. ''Os asanas trabalham o equilíbrio interno. Existem, por exemplo, asanas para desenvolver determinação, tolerância, disciplina... Cada vez que o praticante permanece em uma posição, seu estado de consciência se eleva, E, à medida que a pessoa se aperfeiçoa, reforça a qualidade relacionada àquela postura'', diz Regina Shakti, mestre das mais badaladas do país, com 37 anos de prática.

Como a prática milenar pode melhorar a saúde: O equilíbrio do sistema nervoso está no cerne dessa capacidade. ''Há asanas, o chamados bandha-asanas, que atuam diretamente no sistema nervoso autônomo, propiciando a calma'', assegura Deveza. ''Já outros, como a posição invertida (em que o praticante fica de cabeça para baixo), preparam o corpo para situações adversas, como tensão e estresse'', comenta. Segundo o médico, a fisiologia humana está adaptada ao estado normal do corpo - ou seja, em pé, sem torções, contorções ou estripulias. Quando a pessoa altera essa lógica (o que acontece nas posições da ioga), o organismo tem que se readaptar - o que acaba fazendo bem. A lista de benefícios atribuídos à ioga é enorme. Para início de conversa, estimula o funcionamento de todas as glândulas, da tireóide à hipófise e ao pâncreas, e dá força à coluna vertebral. ''É sabido pela medicina que a coluna mantém a saúde do ser humano. Dela, partem nervos que dão suporte para os sistemas neurovegetativo e nervoso. Com a coluna forte, você também vai ter emoções equilibradas'', salienta a professora de ioga Márcia De Luca, presidente do Ciyma (Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayurveda). ''A maioria começa a praticar ioga para ficar com o corpo sarado. Mas, se a pessoa tiver um bom professor, vai despertar para um caminho maior. '' Por ''caminho maior'', entenda-se meditação, uma das oito partes do método indiano.

Fonte: Revistas Criativa (jan/2004 - Expresso do Oriente) e Marie Claire

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT833529-1655,00.html


REFERÊNCIAS:
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. 2.ed. : Trad. Mário Alves da Fonseca & Salma Tannus Muchail . São Paulo. Ed. Editora Martins Fontes, 2006. 704 p.
GIUSTI, Edoardo. A arte de separar-se. 19ª impressão. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 1987. 240 p.
NACUCO, Joaquim. Minha formação. Rio de Janeiro: Top Books, 2004. 198 p.
LINS, Regina Navarro. A cama na varanda. 8ª edição. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. 434 p.
LINS, Regina Navarro. Conversas na varanda: Um debate leve e provocante. 1ª edição. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. 274 p.
NOTICIA, Ioga. - Revistas Criativa (jan/2004 - Expresso do Oriente) e Marie Claire

Disponível em: < http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993, EPT833529-1655,00.html>. Acesso em : 28/10/2009. 18:00 hs.




1 Graduandos – Faculdade de Direito Milton Campos – 1º Período 2º/2009 - Sala 202 - Noite

2 RESUMO, aula 01 e 02. Prof. Fábio Belo. <http://www.conpdl.com.br/iiconpdl/HS06011982Fabio.pdf> Acesso em 20/10/2009 . 14:30 hs

3 Michel Foucault, A hermenêutica do sujeito. CIDADE, Martins Fontes, 2006. p.14

4 Foucault, op. Cit. p.103

5 Foucault, op. Cit. p.651

6 Edoardo Giusti, A arte de separar-se. Rio.Ed. Nova Fronteira.1987, p.117-118

7 Giusti, op. Cit. p.124

8 Regina Navarro Lins, A cama na varanda , Rio. Rocco, 1999. p.11

9 Regina Navarro Lins, Conversas na varanda, Rio. Rocco, 200. p.32

10 Lins, A cama na varanda , cit. p.141

11 Expressão Francesa que equivale a Pequena morte no vernáculo do Brasil.

12 Lins, Conversas na varanda, cit. p.87






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