O despertar da ciência que estuda o homem, a alteridade com foco nas diferenças e similaridades culturais



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niversidade Federal da Paraíba

Departamento de Ciências Sociais


O despertar da ciência que estuda o homem, a alteridade com foco nas diferenças e similaridades culturais
Autora: Valquíria Henrique Targino Villar

Projeto Monitoria (Bolsista)

Professora Coordenadora Dra. Alicia Ferreira Gonçalves

Resumo

O presente artigo abordara os pontos principais relacionados ao construto da disciplina Antropologia, da pré-história passando pelo período da história do século XIX até autores contemporâneos. Para tanto a metodologia foi desenvolvida a partir de aulas expositivas do professor, Seminários dos alunos, Seminários dos monitores, estudo dirigido em sala de aula, material audiovisual, como vídeos e filmes, participação no evento CCHLA em Debate, como também método para aferir o aprendizado dos alunos provas escritas, desenvolvimento em expandir a teoria oralmente através de seminários e discursões em sala de aula, fichamentos de alguns textos antes da exposição das aulas com intuito de afixar as teorias necessárias ao conhecimento dos Fundamentos do Pensamento Antropológico I.



Introdução

A Pré História da antropologia tem sua gênese nas indagações dos homens sobre si mesmo, sobre o outro e sobre a natureza através das variadas formas de apresentação das sociedades existentes, indagações essas que ocupavam o campo mitológico e filosófico. Na Grécia antiga segundo Montaigne todos aqueles que não eram gregos eram tidos como bárbaros, não civilizados. Nas observações feitas pelos jesuítas Las Casas descreve os índios como “Bons Selvagens”, portadores de almas e humanos, já Sepúlveda defendia a ideia de que os índios não eram portadores de almas, eram animais selvagens, não humanos, “Maus Selvagens”.

A Antropologia nasce no final do século XIX, no contexto histórico da Industrialização e capitalismo mercantilista, cuja visão do mundo passava de um mundo teocêntrico para uma visão em que o homem se colocava no centro do universo na figura de um homem racional, iluminista, que outrora vivia nas trevas.

As grandes nações imperiais: Inglaterra, França, Alemanha e depois os Estados Unidos sai em busca de desbravar e colonizar novas terras além mar. A necessidade de compreender os povos colonizados em suas diferentes culturas para melhor administrá-las, ou seja, impor com mais veemência o domínio político, econômico, cultural, territorial, fez surgi à ciência da alteridade, categoria antropológica que diz respeito à cultura do “outro”. Essa definição de alteridade faria contraste com a categoria do etnocentrismo, diz respeito à centralização da sua própria cultura, desprezando a cultura do “outro”, pois o “outro” seria o bárbaro, isto é, todo aquele que não era europeu era tido como bárbaro. Os civilizados eram os europeus os “outros” eram bárbaros, atrasados, primitivos.

Para neutralizar a ideia de etnocentrismo era preciso relativizar as culturas, introduzir os ideais da existência de culturas diferentes da minha própria, era imprescindível ver o outro com os olhos do outro e não com os meus, baseado na minha visão de mundo, dos meus costumes e cultura. O mundo visto pelos franceses e ingleses dentro de uma visão universal, os alemães trazia uma visão das particularidades de cada nação (relativismo) sinais da existência diferenças entre culturas. O papel do Antropólogo consistia em compreender as novas culturas para melhor entender. Hoje o antropólogo exercita a compreensão das culturas com intuito de estabelecer uma sociedade melhor através da compreensão e do entendimento da diversidade cultural, em que não existe uma cultura melhor do que a outra, mas diferenças culturais.

Lewis Henry Morgan (1818-1881) é considerado o pai da Antropologia, juntamente com Edward Burnett Taylor (1832-1917) e James George Frazer, sua teoria baseada no Evolucionismo Cultural, cuja origem foi tirada da evolução social do Darwin, em que afirmou a história da raça humana como uma única história na fonte, na experiência e no progresso, porém essa evolução apresentava-se em estágios diferentes; selvageria, barbaria e civilização, cujo desenvolvimento viria das invenções e descobertas que segundo o autor teria reações progressistas entre si. Para tanto ele usou os período étnicos na tentativa de evidenciar a condição primitiva da humanidade, da evolução gradual dos seus poderes mentais e morais através da experiência. O governo, família, propriedade eram classes de fatos indicados, se estendem em linhas paralelas ao longo dos caminhos percorridos pelo progresso humano. Frazer acreditava na evolução da humanidade partindo do princípio de três etapas: um estágio “mágico seguido por um estágio “religioso” que direciona a um estágio científico”.

Em contra partida ao evolucionismo surgi o Difusionismo cultural em que Rivers defendia a ideia do desenvolvimento cultural em vários locais diferentes, postulava que culturas eram mosaicos de traços com várias origens e histórias, deixando de lado a ideia da evolução contida na linearidade dos acontecimentos.

No transcorrer da história da Antropologia a Escola Funcionalista tem Emile Durkheim (1858-1917) como fundador de uma nova forma de ver a sociedade. Ele não se interessava em particular pela origem da vida como os evolucionistas e difusionistas, sua preocupação era mais sincrônica do que diacrônica. Para ele as sociedades eram organismos sociais, integrados em sistemas lógicos em que todas as partes eram dependentes umas das outras e trabalhavam juntas para manter o todo. Sua preocupação não era com a cultura, símbolos ou mitos como os evolucionistas e difusionista, mas com a sociedade, organizações e instituições.

A disciplina antropologia como conhecemos hoje deu seus primeiros passos nos anos da II Guerra Mundial. Como Thomas Eriksen determinou em seu livro “A história da Antropologia” Os quatro pais fundadores: Franz Boas (1858-1942), Bronislaw Malinowski (1884-1942), A.R. Radcliffe-Brown (1881-1955) e Marcel Mauss (1872-1950), todos eles concordavam com o fracasso do evolucionismo. Todavia a transição para um ciência moderna aconteceu de forma diferente nos países os quais eles representavam. Boas era alemão e judeu, mas fora nos Estados Unidos que desenvolveu a teoria das “Culturas”, para ele a matriz cultural não estava em uma só cultura, mas existiam várias culturas e se fazia necessário relativizar as diferentes culturas, a disciplina ficou conhecida como Antropologia Cultural. Boas propôs o princípio do particularismo histórico afirmando que cada cultura continha sua própria cultura. Na Inglaterra Radcliffe Brown e Malinowski remodelou a Antropologia Social. Malinowski denominou ao trabalho de campo feito nas ilhas trombiandesas a observação participante que consistia em viver com as pessoas que estavam sendo estudadas. Teoricamente seguia programa de funcionalismo, em relação a todas as práticas e instituições sociais se acordavam num todo operante, auxiliando-o a mantê-lo, sendo o objetivo ultimo do sistema o indivíduo. Diferentemente de Radcliffe Brawn cujo estruturalismo- funcional a dotado de Durkheim, cuja ideologia se centrava na imposição da sociedade sobre o indivíduo limitando as suas opções. Para Brown o importante não era a cultura, mas sim como sua sociedade era integrada, as forças que a mantinham coesa como um todo.

Na França Macel Mauss (1872-1950) contribui para a nova ciência principalmente com a pesquisa de fenômenos sociais totais. O ensaio sobre a dádiva ele estuda várias sociedades e declara que não pode haver prestação sem uma contraprestação, e por isso a troca de presentes é um meio de estabelecer relação de normas. Ela ao mesmo tempo em que é desinteressada é interessada. As prestações totais interessam para Mauss, pois, é representações simbólicas de todo um conjunto de relações, que expressão a sociedade, nos sistemas politico, religiosos, econômico, etc.

Esses quatro autores contribuíram para a instituição da nova ciência, a saber, a Antropologia, que continuou caminhando com novas teorias até a contemporaneidade, porém fazendo uso em um sistema hibrido juntamente com a ciência do início da sua historia. Esses autores colaboraram para a construção da Antropologia e nos ajuda a compreender a cultura do “outro” até os dias atuais.

Referências

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ERICKSEN, Thomas; NIELSEN, Finn. História da Antropologia. Petrópolis: Editora Vozes, 2007. Inícios.

Todorov, T. A conquista da América. São Paulo, Martins Fontes. 1983. Cortez e os signos e parte III

FREITAS NETO, José Alves de. Bartolomé de Las Casas. A narrativa trágica, o amor cristão e a memória americana. São Paulo: Annablume, 2003. Capítulo VI.

COPANS, J. et alli Antropologia ciência das sociedades primitivas? Lisboa: Ed.70, 1971.

LAPLANTINE, François. A especificidade da prática antropológica. IN: LAPLANTINE, François. Aprender antropologia. São Paulo: Brasiliense, 1988. p.149-159.

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OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. Sobre o pensamento antropológico. Brasília: CNPq, 1988. Parte I, A formação da disciplina.

CASTRO, Celso (org). Evolucionismo cultural. Textos de Morgan, Tylor e Frazer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.



BOAS, FRANZ. Antropologia Cultural. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2004.

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