O diário de Anne Frank De 2 de Junho de 1942 a de Agosto de 1944



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aborrecido, mas o que custa é aproveitar as cascas das

vagens. Sei que a maioria das pessoas não faz ideia de

como são saborosas as cascas das ervilhas depois de a gente

lhes ter tirado a película interior. A grande vantagem está

em se poder comer muito mais do que se nos limitássemos

apenas às ervilhas. Tirar as pelezinhas é um trabalho

preciso e minucioso, que, talvez, seja mais próprio para

dentistas ultrameticulosos e burocratas mesquinhos; para

uma rapariga impaciente como eu, torna se horrível. às

nove e meia começámos; às dez e meia resolvi fazer um

intervalo de uma hora. Os ouvidos zumbem me: cortar

a ponta, tirar a pelezinha, depois os fios, deitar as ervilhas

no alguidar, etc. Foge me a vista: verde, verde, bichos, fios,

cascas podres, verde, verde, verde.

Fiquei estúpida e para fazer alguma coisa passei a falar

durante todo o tempo. A dizer asneiras faço rir toda a gente,

mas eu é que fico com a sensação de morrer de aborrecimento.

A cada fiozinho que tiro, mais me convenço de que

nunca quererei ser apenas dona de casa!

Ao meio dia comemos, finalmente. Mas ao meio dia

e meia hora começamos de novo a tirar peliculazinhas até

à uma hora e um quarto. Quando chegámos ao fim eu

estava enjoada e os outros também um pouco; dormi

até às quatro horas, mas ainda me sinto toda moída de

tanta ervilha.

Tua Anne

Sábado, 15 de Julho de 1944


Querida Kitty:
Lemos um livro da biblioteca com o título maravilhosamente

provocante : O que pensa você da rapariga moderna?.

Quero falar te hoje sobre este tema. A autora critica,

dos pés à cabeça, a "juventude de hoje" sem, no

entanto, acusar tudo quanto é jovem de "não servir para

nada". Pelo contrário, ela pensa que a juventude, se quisesse,

podia construir um mundo maior, mais belo e melhor.

Diz que a juventude tem os meios para isso mas que se

preocupa com assuntos superficiais, sem reparar no que

há de essencialmente belo nas coisas. Ao ler certos parágrafos

tive a impressão de ser visada e, por issso, quero desabafar

aqui com alguns pensamentos e defender me contra aqueles

ataques.

Tenho um traço marcante no meu carácter todos os

que me conhecemjá deram por ele: a autocrítica. Vejo me

em todos os meus actos como se se tratasse de uma pessoa

estranha. Enfrento esta Anne com absoluta imparcialidade,

sem pretender desculpá la e observo o que ela faz de mal

e de bem. Esta autocontemplação nunca me larga, e não

posso pronunciar uma palavra sem pensar logo em seguida:

"devia ter dito isto de outra maneira", ou: "foi bem

dito".


Condeno muitas vezes os meus actos e reconheço cada

vez mais a verdade das palavras de meu pai: "Cada

criança deve educar se a si própria". Os outros só nos

podem dar conselhos ou indicar nos o caminho a seguir,

mas a formação definitiva do carácter está nas próprias

mãos de cada indivíduo. A isso devo acrescentar que

tenho uma coragem extraordinária de viver, sinto me sempre

forte e capaz de suportar seja o que for. Sinto me tão

livre, tão jovem! Quando me dei conta disto pela primeira

vez fiquei contente, pois não supunha que os golpes que

ninguém está livre de apanhar, me pudessem esmagar

ràpidamente. Mas sobre este assunto já falei muitas vezes.

Deixa me chegar ao ponto principal: "O pai e a mãe não

me entendem". Deram me muitos mimos, foram sempre

bons para comigo, defenderam me, em resumo: fizeram

tudo o que os pais podem fazer. E todavia tenho me sentido,

muitas vezes, terrivelmente só, posta de parte,

descurada, incompreendida. O pai tem feito tudo para

atenuar os meus protestos, mas em vão; fui eu mesma que me

curei, reconhecendo os erros dos meus actos. Mas como se

explica que o pai não me possa ter dado o necessário

apoio na minha luta? Como se explica que ele tenha

falhado quando me oferecia o seu auxílio? O pai falhou

porque não conseguiu encontrar a maneira de falar comigo,

tratava me como uma criancinha que só tem preocupações

infantis. Pode parecer tolice eu dizer isto, pois foijustamente o pai quem me inspirou sempre confiança e me

deu a certeza de que sou inteligente. Mas há uma coisa

em que se esqueceu de pensar: é que a minha luta para

me elevar era mais importante para mim do que tudo o

mais. Eu não queria ouvir: "sintomas típicos... outras

raparigas... isto passa", etc. Não queria ser tratada como

todas as raparigas, mas como um ser com personalidade

própria, como a ANNE. Foi isto o que o Pim não soube

comprender. De resto não me é possível abrir me com

alguém que não me fale também de si; como sei muito

pouco da vida do Pim, nunca poderá estabelecer se entre

nós uma intimidade completa. O Pim coloca se sempre no

ponto de vista do mais velho que também passou por coisas

semelhantes mas que já não pode sentir e viver o que

vive um jovem, embora tente fazê lo. Tudo isto me levou

a nunca comunicar a ninguém a minha concepção da vida

e as minhas teorias longamente meditadas, a não ser; de

longe em longe, à Margot.

Tudo o que me preocupava escondia o do pai, não o

deixei partilhar comigo os meus ideais e, conscientemente,

alheei me dele. Não me foi possível ser diferente, deixei me

conduzir pelos sentimentos, mas agi de modo a encontrar

sossego. E o meu sossego, e a confiança em mim mesma, que

fui construindo sobre bases oscilantes talvez não resistissem se eu tivesse de suportar críticas a esta minha obra ainda

não acabada. E nem ao Pim posso permitir que se meta

de permeio. Por mais duro que isto possa soar, afastei o de

mim, não o deixando partilhar da minha vida interior,

principalmente pela minha irritabilidade. É um ponto que

me preocupa constantemente. Porque é que o Pim me

irrita tanto a ponto de não poder estudar com ele, de me

parecerem artificiais os seus carinhos, de desejar só o meu

sossego e que ele me deixe em paz até eu possuir mais

segurança íntima? A verdade é que ainda me censuro

por causa daquela carta vil que ousei escrever lhe num

momento de excitação. Oh! Como é difícil ser se forte e

corajosa em todas as circunstâncias.

Mas esta ainda não é a minha decepção mais grave :

muito mais do que o pai preocupa me o Peter. Sei bem

que fui eu quem o conquistou a ele e não o contrário;

construí dele uma visão idealizada, vi nele um rapaz

simpático, calado, sensível, precisando de muito amor

e de amizade. Tive necessidade de abrir me com um

ser vivo, com um amigo que me mostrasse o caminho

a seguir. Consegui que ele, pouco a pouco, fosse atraído

por mim. Finalmente, depois de ter despertado nele sentimentos

amigáveis, passámos a intimidades que me

parecem, agora, inconcebíveis. Falámos sobre muitas coisas

íntimas mas sobre aquelas que me enchem o coração ainda

não dissemos palavra. Não me foi possível, até agora,

fazer uma ideia exacta do Peter; é ele um rapaz superficial,

ou não consegue vir francamente ao meu encontro

por ser tímido? Mas eu cometi um erro grave: eliminei,

logo de entrada, todas as possibilidades de uma grande

amizade entre nós, tentando aproximar me dele por uma

intimidade exagerada. Ele está ávido de amor e de dia

para dia cada vez gosta mais de mim, bem o sinto. O nosso

convívio satisfá lo plenamente, mas em mim produz apenas

o efeito de tentativas renovadas para recomeçar e tocar

nos assuntos que tanto gostaria de abordar e de esclarecer.

Atraí o Peter à força, e ele nem se deu conta disso. Agora

agarra se a mim e, por enquanto, não vejo como o hei de

sacudir de mim e repô lo sobre os seus próprios pés. Depois

de me ter apercebido de que ele não pode ser para mim

o amigo que ansiava, esforcei me para o elevar acima dos

seus pontos de vista limitados e para que não desperdice

a sua juventude. "Pois, no fundo, a juventude é mais

solitária do que a velhice". Encontrei esta frase num livro

e fixei a, porque encontrei nela a verdade.

É a nossa vida aqui mais difícil de suportar para os

adultos de que para nós? Não, decerto não! As pessoas

com mais idade já têm opiniões formadas sobre todas as

coisas e já não vacilam, não hesitam perante as dificuldades

da sua vida. A nós, os jovens, custa nos manter nos firmes

nos nossos pareceres por vivermos numa época em que

mostra pelo seu lado mais horroroso, em que se duvida

da verdade, do direito, de Deus!

Aquele que pretende afirmar que os mais velhos sofrem

mais aqui no anexo do que nós, os jovens, não sabe ver

até que ponto os problemas desabam sobre nós, problemas

para os quais talvez ainda não tenhamos bastante idade,

mas que se nos impõem de um modo violento. Em determinada altura julgamos ter encontrado uma solução mas

esta solução, de uma maneira geral, não resiste aos factos

que são sempre tão diferentes. Eis a dificuldade do nosso

tempo : mal começam a germinar em nós ideais, sonhos,

belas esperanças, logo a realidade cruel se apodera de tudo

isso para o destruir totalmente.

É por milagre que eu ainda não renunciei a todas as

minhas esperanças, na verdade tão absurdas e irrealizáveis.

Mas eu agarro me a elas, apesar de todos e de tudo, porque

tenho fé no que há de bom no homem. Não me é possível

construir a vida tomando como base a morte, a miséria

e a confusão. Vejo o Mundo transformar se, pouco a pouco,

num deserto; ouço, cada vez mais forte, a trovoada que se

aproxima, essa trovoada que nos há de matar; sinto o

sofrimento de milhões de seres e, mesmo assim, quando

ergo os olhos para o Céu, penso que, um dia, tudo isto

voltará a ser bom, que a crueldade chegará ao seu fim e

que o Mundo virá a conhecer de novo a ordem, a paz, a

tranquilidade.

Até lá tenho que manter firme os meus ideais talvez

ainda os possa realizar nos tempos que hão de vir.

Tua Anne

Sexta feira, 21 de Julho de 1944


Querida Kitty:
Estou cheia de esperanças, tudo vai bem! Sim, vai

mesmo muito bem! Notícias sensacionais. Houve um atentado

contra Hitler mas, imagina, os autores não foram

comunistas, judeus ou capitalistas ingleses, mas sim um

general alemão da nobre raça germânica, e, ainda por

cima, um general ainda jovem! A "providência divina"

salvou a vida do Führer e ele escapou infelizmente,

infelizmente! com algumas arranhadelas e queimaduras.

Alguns oficiais e generais que andavam com ele morreram

ou ficaram feridos. O autor principal foi fuzilado. Este

atentado é a melhor prova de que muitos oficiais e generais

estão fartos desta guerra e que veriam com prazer o Hitler

afundar se nos mais profundos precipícios. Querem, depois

da morte de Hitler, instalar uma ditadura militar, fazer

as pazes com os aliados, rearmar se, para desencadear

uma nova guerra daqui a vinte anos. Talvez a Providência

tenha hesitado, de propósito, em afastar Hitler desde já,

pois aos aliados faz muito mais jeito, e é muito mais vantajoso, que os alemães arianos puros se matem uns aos

outros; assim haverá depois menos canseira para os russos

e para os ingleses que poderão mais depressa começar a

reconstruir as suas cidades. Mas ainda não chegámos a

este ponto e eu não quero antecipar me aos factos gloriosos.

Tu decerto estás a notar que tudo o que te estou a dizer

é a realidade nua e crua, uma realidade com os dois pés

fincados no chão, e que eu, excepcionalmente, não estou

a delirar com ideias superiores.

Hitler teve a amabilidade de comunicar ao seu povo

dedicado que os militares, de hoje em diante, terão de

obedecer à Gestapo e que qualquer soldado, se souber que um seu superior esteve implicado neste atentado tão cobarde e tão baixo, poderá meter lhe, sem cerimónias, uma bala na cabeça.

Vai ser bonito. Imagina: ao Hans Dampf doem lhe

os pés de tanto marchar; o seu superior, o chefe, dá lhe

um raspanete. O Hans pega na espingarda e grita:

 Tu quiseste matar o nosso Führer, toma a recompensa.

Pum! O orgulhoso chefe que se atreveu a censurar o

pequeno soldado, foi despachado para a vida eterna (ou

será para a morte eterna?). O resultado vai ser este: os

senhores oficiais vão andar sempre com as cuecas sujas

de tanto medo e não se atreverão mais a dizer seja o que

for a um simples soldado.

Compreendes tudo? Ou gaguejei eu ao escrever? Se

assim for não há nada a fazer, pois estou contente de mais

para observar a lógica, contente por ter esperanças de que

em Outubro estarei, de novo, sentada nos bancos da

escola. Olá, não disse eu há pouco que não me devo

antecipar? Não te zangues. Não é por acaso que me chamam "um feixe de contradições".

Tua Anne


Terça feira, 1 de Agosto de 1944
Querida Kitty:
"Um feixe de contradições". Foi esta a última frase

da minha carta anterior e é a primeira da de hoje. "Um

feixe de contradições", poderás tu explicar me, com exactidão,

o que isto quer dizer? O que é contradição? Como

todas as palavras, tem dois sentidos : contradição exterior

e contradição interior.

O primeiro sentido é este : não nos conformarmos com

a opinião dos outros, querer saber tudo melhor, querer

ter a última palavra, enfim: qualidades desagradáveis

que já conheces suficientemente. O segundo: qualidades

que também tenho mas que ninguém conhece e que são

o meu segredo.

Já te contei em tempos que não tenho só uma alma mas

sim duas. Uma dá me a minha alegria exuberante, as

minhas zombarias a propósito de tudo, a minha vontade

de viver e a minha tendência para deixar correr, isto é,

para não me escandalizar com "flirts", abraços ou uma

piada inconveniente. Esta primeira alma está sempre à

espreita e faz tudo para suplantar a outra que é mais

bela, mais pura, mais profunda. Essa alma boa da Anne

ninguém a conhece, não é verdade? E é por isso que tão

pouca gente gosta de mim.

Bem o sei: vêem em mim um palhaço divertido para uma

tarde depois toda a gente fica cheia de mim para um

mês sou, no fim de contas, o mesmo que um filme amoroso

para gente sisuda, uma simples distracção, um divertimento,

alguma coisa que se esquece depressa, não precisamente

má mas também nada de especial. Não me é agradável

contar te isto, mas, por outro lado, porque não o havia

de contar se é a pura verdade? Este meu lado superficial

tentará sempre afastar o outro, o mais profundo, e alcançará,

por isso, a vitória. Não podes fazer ideia de quantas

vezes tenho tentado repelir, espancar ou esconder esta

Anne, que não passa da metade daquilo que se chama

Anne; mas não serve de nada, e bem sei porquê. Tenho

medo de que todos os que me conhecem, tal como costumo

ser, possam descobrir o meu outro lado, o mais belo, o

melhor. Tenho medo de que trocem de mim, me achem

ridícula e sentimental, e não me tomem a sério. Estou

habituada a não ser tomada a sério, mas é justamente a

Anne mais "fácil" que suporta isso; a "mais profunda"

não tem forças para tanto. Empurro por vezes a boa Anne

para a luz da ribalta, mesmo que seja por um escasso

quarto de hora, mas logo que ela tem de falar, contrai se

e fecha se de novo na sua concha, passando a palavra à

Anne número 1. E antes que eu me dê conta, já a boa

desapareceu.

É por isso que a Anne terna e simpática nunca vem à

superfície na presença das outras pessoas mas é a sua voz

que domina na solidão. Sei exactamente como gostava de

ser, sei como sou... no íntimo, mas, infelizmente, só sou

assim quando estou sòzinha comigo. E isto é, talvez, não

seguramente, a razão por que chamo à minha natureza

íntima uma natureza feliz e porque os outros chamam

feliz à minha natureza exterior. No meu interior, a Anne

pura é que me indica o caminho; exteriormente, não passo

de um cabritinho que pula de alegria e de animação.

Como eu já disse, vejo e sinto as coisas de um modo

e exteriorizo as de outro e tenho, por isso, a fama de ser

uma rapariga doida por rapazes, sempre a "flirtar", sempre

impertinente e sempre a ler romances. A Anne alegre

ri se, dá respostas atrevidas, encolhe os ombros com indiferença

como se isso nada tivesse que ver com ela, mas,

ai de mim!, a Anne calada reage ao contrário. Como sou

sempre franca contigo, vou confessar te que tenho pena,

que me esforço terrivelmente por me modificar, mas que luto

sempre contra forças superiores às minhas. Dentro de mim uma

voz sussurra:  Vês o resultado? Más opiniões a teu respeito,

caras trocistas e consternadas, gente que te acha antipática, e tudo isto porque não queres ouvir os conselhos do teu próprio lado bom. Ai! Bem os queria eu ouvir, mas não pode ser; quando estou calada e séria, todos pensam que estou a representar uma nova comédia. Para me salvar só me resta dizer uma piadinha. Pior ainda quando se trata da minha família

que imagina logo que estou doente e me impinge pastilhas

contra as dores de cabeça e o nervosismo, que me toma

o pulso a ver se tenho febre, que pergunta como funciona

o aparelho digestivo para, em seguida, censurar o meu

mau génio. Não suporto semelhante coisa. Quando me

tratam desta maneira, torno me ainda mais impertinente,

fico triste e, por fim, viro o meu coração do avesso o

lado mau para fora, o bom para dentro e continuo a

procurar um meio para vir a ser aquela que gostava de

ser, que era capaz de ser, se... sim, se não houvesse mais

ninguém no Mundo.

Tua Anne M. Frank
AQUI TERMINA O DIÁRIO DE ANNE

EPÍLOGO
No dia 5 de Agosto a "Grüne Polizei" assaltou o anexo,

prendeu todos os seus habitantes e também o sr. Kraler

e o sr. Koophuis, levando os primeiros para um campo

de concentração na Alemanha e os segundos para outro

na Holanda.

A Gestapo pilhou o anexo. Mais tarde, a Miep e a

Elli encontraram, entre velhos livros, revistas e jornais a

que os agentes não ligaram importância, o Diário da Anne.

Com excepção de algumas passagens apenas que não

teriam interesse para o leitor, o texto original é publicado

na íntegra.

Dos oito "mergulhados" só o pai sobreviveu. O sr. Kraler

e o sr. Koophuis resistiram às privações nos campos

holandeses e voltaram para junto de suas famílias.

Anne morreu em Março de 1945 no campo de concentração

de Bergen Belsen, dois meses antes da libertação

da Holanda.


Fim do Livro

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