O enfoque psicanalítico sobre a descoberta da sexualidade infantil



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O enfoque psicanalítico sobre a descoberta da sexualidade infantil
Katiane Santos do Nascimento(ICV/Unioeste/PRPPG), João Jorge Correa(Orientador), e-mail: joaojorgecorrea@gmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Educação, Letras e Saúde/Foz do Iguaçu-PR
Grande área e área: Ciências Humanas - Educação.
Palavras-chave: Psicanálise, Infância e Sexualidade, Educação e Sexualidade.
Resumo
O presente trabalho representa uma reduzida parte de uma pesquisa originada no Programa de Iniciação Científica, no âmbito dos estudos realizados no Grupo de Pesquisa Psicanálise e Educação. Conduzimos um estudo bibliográfico de caráter qualitativo, com o objetivo de compreender a luz das teorias da Psicanálise a constituição da sexualidade infantil, tendo como referência básica o pensamento freudiano. Os objetivos do estudo foram os seguintes: a) Compreender a luz das teorias da Psicanálise a constituição da sexualidade infantil; b) Desenvolver uma leitura e discussão dos principais conceitos psicanalíticos acerca da sexualidade infantil a partir dos textos de Sigmund Freud; c) Identificar e discutir autores posteriores a Freud que contribuíram para a ampliação do entendimento da sexualidade infantil e, d) Destacar as contribuições da Psicanálise acerca da sexualidade infantil no contexto dos primeiros anos da criança no espaço escolar.
Introdução
A sexualidade humana, e especificamente a sexualidade infantil, pode ser considerada temas vistos como tabus sob o olhar da sociedade. Todavia, sob a escuta e interpretação da Psicanálise é percebida a partir de uma relação causal, ou seja, a sexualidade infantil e a neurose.

Freud introduz a questão da sexualidade em seu arcabouço teórico explicativo das neuroses quando em carta datada de 21 de setembro de 1897 ao amigo Fliess confessa: “Não acredito mais na minha neurótica”. Naquela oportunidade Freud dava inicia à revisão da teoria da sedução (QUINODOZ, 2007).

Em poucas palavras pode-se dizer que o movimento da teoria da sedução freudiana passa da perspectiva de uma “sedução sexual da criança pelo adulto” para uma nova compreensão baseada na “expressão de desejos incestuosos das crianças em relação aos pais” (QUINODOZ, 2007, p. 44).

Na sequência da construção teórica de Freud, em 1905, é publicada a obra “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”. Trata-se de uma das suas mais importantes e polêmicas elaborações, pois rompe com as perspectivas vigentes sobre o tema e, desafia os padrões da época afirmando que o início da sexualidade reporta-se à época da primeira infância. Cumpre destacar que até então se vinculava os primórdios da sexualidade ao período púbere.

Em complemento a essa nova tese Freud agrega à sua concepção de uma sexualidade mais precoce, as fases que se seguem nesse processo: oral, anal, fálica, genital. O ápice seria a sexualidade na condição adulta do sujeito.
Revisão de literatura
Segundo Freud, a sexualidade por se desenvolver nas fases supra elencadas, tem na fase é a oral (de zero a um ano aproximadamente) uma grande intensidade, pois nesta fase a região do corpo que proporciona maior prazer é a boca. Aqui o principal objeto de desejo é o seio da mãe, que além de alimentar proporciona satisfação ao bebê.

Zornig (2008, p. 74) nos chama atenção, fazendo referência a Freud em seus “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”, que “(...) quando vemos um bebê saciado deixar o seio e cair para trás adormecido, com um sorriso de satisfação nas faces rosadas, não podemos deixar de dizer que esta imagem é o protótipo da expressão da satisfação sexual na existência posterior”.

Assim, no momento da amamentação o bebê, procura também satisfazer suas necessidades emocionais, ao entrar em contato com a pele da mãe, com suas carícias, seus carinhos, ouvir sua voz etc. Os dois entram em uma intensa troca afetiva e sexual.

Zornig em seu artigo “As teorias sexuais infantis na atualidade: algumas reflexões” nos diz que:


Na primeira infância, o olhar e a voz são elementos privilegiados na organização do psiquismo infantil. O olhar por ter esta dimensão de unificar o corpo do bebê, humanizando-o; a voz, por ser um referencial simbólico que dá a criança um lugar e inicia uma narrativa que mais tarde a criança vai resgatar e modificar [...]. Por ser um momento muito precoce da vida do bebê, a forma de relação estabelecida com a mãe é uma forma de incorporação, já que o bebê se nutre dela. (2008, p. 76)
Posteriormente a sexualidade da criança vai “libertando” da mãe como objeto externo, e a tendência é a busca do prazer em si mesmo. O bebê começa a chupar os lábios, os dedos, a chupeta com fricção. São atividades que se associam ao prazer e que na acepção freudiana não deixa de ser uma espécie de orgasmo, no qual leva a criança ao adormecimento.

A fase posterior é a anal (dois a três anos de idade, aproximadamente). Nesse período a criança passa a adquirir o controle de suas necessidades fisiológicas. A zona de maior satisfação é a região do ânus. A criança descobre que pode controlar as fezes que sai de seu interior retendo ou expulsando. Na retenção a criança está providenciando para que não lhe escape a sensação de prazer que vem junto com a defecação. É nesta fase que se iniciam as noções de higiene (FREUD, 1996, vol. VII).

A terceira fase é a fálica (de três a cinco anos aproximadamente). Nesta etapa a atenção das crianças volta-se a região genital. Inicialmente elas imaginam que tanto as meninas quanto os meninos possuem um pênis. Ao serem defrontadas com as diferenças anatômicas entre os sexos elas criam as chamadas teorias sexuais infantis, imaginando que a menina não tem pênis, por que este órgão lhe foi arrancado (complexo de castração). Nesse período, também ocorre o complexo de Édipo, no qual o menino passa apresentar uma atração pela mãe e se rivalizar com o pai. Na menina ocorre o inverso, apresenta uma atração pelo pai e se rivaliza com a mãe. Freud utiliza o mito de Édipo para ajudar na formulação da teoria psicanalítica (FREUD, 1996, vol. VII; NASIO, 2007).

No artigo “Winnicott: uma psicanálise não-edipiana”, Zeljko (1996), afirma que “o Édipo é o fenômeno principal da vida sexual, por isso elemento essencial da explicação da vida sexual”.

Na fase seguinte chamado fase de latência (dos seis aos doze anos aproximadamente), é um período que tem por característica principal o deslocamento da energia sexual (a libido), para atividades sociais e escolares. E há, ainda, a fase genital (dos treze aos dezoito anos aproximadamente), marcada pela puberdade, onde a energia sexual, agora se volta para o outro. Não é mais auto-erótica. O adolescente busca um objeto de amor fora do seu circo familiar. O ápice seria a sexualidade na condição adulta do sujeito (FREUD, 1996, vol. VII).
Resultados e Discussão
Em síntese, nos ensaios sobre a sexualidade, Freud nos apresenta no primeiro ensaio “As aberrações sexuais”, onde trata da origem infantil das perversões, do papel da bissexualidade, das pulsões parciais, da perversão, neurose e normalidade. No ensaio seguinte “A sexualidade infantil” temos a amnésia infantil, as manifestações da sexualidade infantil, a predisposição perversa polimorfa, as teorias sexuais infantis e as fases de desenvolvimento e da organização da sexualidade.

Por fim, o ensaio derradeiro “As metamorfoses da puberdade”, onde nos é apresentado o auto-erotismo infantil e o papel dos afetos nas relações de objeto (FREUD, 1996).

O que temos que elaborar e aprimorar são as discussões sobre a sexualidade infantil, porque ela acompanha o indivíduo durante toda a sua vida. O que há é uma transformação da sexualidade originária, no qual vai percorrendo etapas. A sexualidade infantil se apresenta em uma forma multifacetada e variada. Não tem por finalidade o relacionamento de coito e procriação. Seus fins ficam apenas na fantasia e referidas ao próprio sujeito, sendo assim auto-eróticas.

Sigmund Freud ao elaborar a teoria da sexualidade infantil, causou muito alvoroço, na sociedade conservadora de sua época, contrariando o pensamento popular de que a pulsão sexual estaria presente apenas na puberdade. Em seus escritos na publicação dos três ensaios sobre a teoria da sexualidade diz que é um erro, um equívoco de grandes consequências pensarem desta forma, de fato que esta seria o principal culpado de nossa ignorância de hoje sobre as condições básicas da vida sexual.


Conclusões
Dentre as contribuições esperadas com essas reflexões esperamos contribuir com um conjunto de conceitos e ideias que possam auxiliar, principalmente, educadores com atuação na educação infantil e no ensino fundamental, bem como pais e mães, no sentido de esclarecer sobre um tema de difícil abordagem tanto nos espaços escolares quanto familiares. Em suma, buscamos aproximar as discussões e as interfaces da Psicanálise com a Educação e a Pedagogia, e as possibilidades que se abrem para o educador e para a escola de agregar novas formas de olhar e compreender a infância em sua relação com o mundo que a cerca no âmbito da formação da sexualidade.
Agradecimentos
Programa de Iniciação Científica da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
Referências
FREUD, S. (1996). Um caso de histeria; Três ensaios sobre a sexualidade e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago. Vol. VII.
QUINODOZ, J-M. (2007). Ler Freud: guia de leitura da obra de Sigmund Freud. Porto Alegre: Artmed.
ZORNIG, S. M. A. J. (2008). As teorias sexuais infantis na atualidade: algumas reflexões. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, nº 1, p. 73-77, jan./mar.
NASIO, J. D. (2007). Édipo, o complexo do qual nenhuma criança escapa. Rio de Janeiro: Zahar.
ZELJKO, L. (1996). Winnicott: Uma psicanálise não-edipiana. Revista Percurso, Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo, nº 17, vol. 2.






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