O ensaio jornalístico na revista veja: uma análise multidimensional de um texto multifuncional



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Encontro17.03.2018
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O ENSAIO JORNALÍSTICO NA REVISTA VEJA: uma análise multidimensional de um texto multifuncional

Maria Assunção Silva Medeiros

RESUMO: Quando falamos no ensaio jornalístico veiculado na mídia escrita, com suas múltiplas representações simbólicas e múltiplos temas que versam desde um pequeno episódio do cotidiano a fatos de grande relevância social da atualidade, de natureza histórica e cultural ou de âmbito nacional ou internacional, reportamo-nos a um texto que também é multifuncional. O termo ensaio é definido por Houaiss (2001, p. 1148) como um “texto, geralmente em prosa, livre, que versa sobre um determinado assunto sem esgotá-lo, reunindo pequenas dissertações menos definitivas que um tratado”. Historicamente, o vocábulo aparece pela primeira vez nas publicações de Montaigne (1580). O termo foi escolhido pelo autor, no dizer de Burke (2006), por modéstia, melhor dizendo, por uma afetação de modéstia, ao afirmar que seus ensaios eram simples tentativas literárias. Para esse estudo escolhemos três ensaios de Montaigne e três ensaios retirados da revista Veja com a finalidade de mostrar, através de uma análise multidimensional, traços que caracterizam esses escritos como multifuncionais. Utilizamos os pressupostos teóricos de Kress (2004), Dondis (1991), (1997) sobre os recursos imagéticos no texto escrito, como também Jonhs (2006) que trata da multimodalidade e da estância de onde o escritor se posiciona para anunciar o seu discurso através do ethos, do pathos e do logos. Concluímos que o ensaio jornalístico escrito na revista Veja, apresenta características daqueles escritos em 1580, segundo o próprio Montaigne, equivaliam a um esboço de um artista porque eram informais ou informes mesmos, próximos da língua falada. Estavam mais para exemplos de conversa do que para produtos literários acabados. Assim, tanto os ensaios de Montaigne quanto os de Pompeu de Toledo são escritos ligeiros, com temas passageiros, que podem não ser lembrados uma semana depois. Essa característica de tratar sobre temas recorrentes faz do ensaio jornalístico escrito por Pompeu de Toledo, assim como dos ensaios escritos por Montaigne um gênero multifuncional. Isso porque o autor pode tecer críticas, emitir opiniões, relembrar fatos ou acontecimentos do cotidiano, os quais aparecem, dão ibope ou somem da mídia rapidamente.


PALAVRAS-CHAVE: ENSAIO JORNALÍSTICO, MULTIMODALIDADE, MULTIFUNCIONALIDADE

 Professora de Linguística e Língua Portuguesa da UFRN-CERES-DCSH-CAMPUS DE CURRAIS NOVOS; doutorado em Estudos da Linguagem.


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