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O ESTADO DE S. PAULO




(Andima / Anbid) Butique financeira cresce na crise


Depois de perder dinheiro, milionários buscam

aconselhamento de gestores independentes para investir


Mariana Barbosa

Um dos efeitos do crescimento do número de milionários no Brasil nos últimos anos - existem hoje 131 mil pessoas com mais de US$ 1 milhão no banco, quase o dobro do início da década, segundo o ranking de riqueza mundial da Merrill Lynch - foi a proliferação das butiques de investimento, ou multifamily offices.

Oferecendo serviço personalizado, essas consultorias de gestão de patrimônio ainda são pequenas se comparados os recursos sob sua administração ao volume administrado pelos serviços de private banking dos bancos. Mas os volumes estão crescendo, assim como o número de novas consultorias.

Estatísticas oficiais não existem, mas o mercado estima que os gestores independentes depatrimônio sejam responsáveis pela intermediação financeira de algo como de R$ 50 bilhões a R$ 70 bilhões, volume que corresponde a menos de 10% do mercado. Nos Estados Unidos, os independentes já são maiores do que a área de private banking dos bancos: cerca de 70% dos recursos privados da alta renda estão sob sua gestão.

"A proliferação dessas consultorias reflete o fato de que o capitalismo brasileiro está funcionando", avalia José Guimarães Monforte, presidente da Pragma Patrimônio, gestora criada há dois anos a partir da experiência da Janos, family office que nasceu para gerir o patrimônio dos fundadores da Natura. A Pragma é um single family office (escritório de uma única família) que virou multi. "Mas somos mais do que um multifamily office, pois fazemos gestão de patrimônio e não só alocação de investimento."

Hoje, a gestora comandada por Monforte administra a fortuna de seis famílias, entre as quais as dos donos da própria Natura e também do Grupo Martins. A empresa não estabelece um limite rígido para admitir um cliente, mas mira quem tem acima de R$ 30 milhões em ativos, líquidos ou não.

A Pragma está entre as maiores do mercado. No mesmo patamar para cima, está a área de gestão de patrimônio da Gávea Investimentos - que no início de setembro se associou à mesma área da Arsenal, criando a Gávea Arsenal Gestão de Patrimônio. Dentre as grandes, há ainda a GPS e a Reliance, que trabalham com um volume maior de clientes. "Esse mercado está crescendo e devemos ver mais consolidação pela frente", acredita Monforte.

A gestão independente de fortunas é considerada menos "sexy" (leia-se de menor remuneração) do que a de fundos ou bancos de investimentos. No caso da Arsenal, por exemplo, a atividade estava muito ligada ao prestígio do investidor Roger Wright, que faleceu em acidente de avião no início do ano. Os sócios remanescentes venderam a gestão de patrimônio e ficaram com a área mais lucrativa, de reestruturação e fusão e aquisição.

Mas essa atividade está mudando e ganhando porte para atrair profissionais qualificados que perderam o emprego em Wall Street em razão da crise financeira internacional. Esses profissionais carregam suas redes de contatos e o conhecimento sobre produtos financeiros sofisticados.

As perdas de muitos investidores na crise financeira também fizeram aumentar a demanda pelos independentes. "Muita gente que teve problema com investimentos foi buscar um aconselhamento mais adequado ao seu perfil de risco", avalia Maurício Leite, sócio da Tag Investimentos e ex-executivo do private banking do Citi em Nova York.

Clientes com uma fortuna acima de R$ 5 milhões são o principal alvo de multifamily offices, como Bawm, Tag, FinPlan. Mas é justamente no nicho de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões que se encontram os clientes mais mal atendidos pelos bancos. Um único gerente de private banking de um grande banco costuma ser responsável por de 150 a 200 clientes nessa faixa de renda. Nos multifamily offices, um profissional não cuida de mais de 10 clientes.

"O cliente que procura um multifamily office tem renda suficiente para querer um tratamento diferenciado, mas não está disposto a bancar sozinho um escritório para administrar seu patrimônio", afirma o sócio da Bawm Investments, George Wachsmann. O single é privilégio de famílias com fortuna na casa das centenas de milhões, como os Diniz, do Pão de Açúcar, ou os Amaro, da TAM.

As consultorias independentes trabalham com margens pequenas, mas também possuem uma estrutura de custos inferior a da área de private banking dos bancos. Como são remuneradas, na maior parte das vezes, pelas comissões dos fundos, elas precisam de escala para se tornar viáveis.

"O cliente com de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões nunca foi assediado ativamente", afirma Rogério Bastos, sócio da FinPlan, instituição criada no ano passado. "Mas há uma demanda cada vez maior desse investidor por um consultor independente, sem conflito de interesse, que vai dar uma orientação que seja do melhor interesse do cliente."

Apesar do discurso de independência e de foco no cliente, o fato de a maioria dos consultores financeiros serem remunerados pelas comissões dos fundos cria um conflito de interesses. "Esse conflito de interesses só se resolve com transparência e para isso precisamos criar um código de ética e estabelecer padrões de conduta", avalia Paulo Veiga, sócio e diretor da gestora Mercatto e presidente do Comitê de Gestão de Recursos da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima). Na Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), foi formada uma comissão para discutir a autorregulação do setor.
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Bradesco compra parte da carteira do BMG


Acordo permite que o banco mineiro repasse os créditos à

medida que necessitar de reforço de caixa, sem data ou valor definidos


Ana Paula Ribeir, AGÊNCIA ESTADO

O Bradesco vai comprar parte da carteira de crédito do BMG em operações que ocorrerão de acordo com a necessidade do banco mineiro. Não há prazo nem volume estipulado para cada transferência de recursos para a carteira do Bradesco, segundo explicou o diretor executivo Sergio Clemente. "Vai depender do fluxo de caixa do BMG. É mais uma fonte de recursos para eles e, para nós, foi uma oportunidade de negócio", disse ontem à Agência Estado.

O acordo já está em vigor. As cessões de carteira podem ocorrer tanto nas operações de crédito consignado, especialidade do BMG, como de outros financiamentos. O banco mineiro já teve acordos semelhantes com outras instituições, como Itaú, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Ao final de junho, o banco contabilizava em seu balanço R$ 3,697 bilhões em créditos cedidos.

De acordo com Clemente, os valores que serão pagos ao BMG não estão acertados. "Cada operação de transferência de carteira vai ter uma negociação de taxa." Em uma cessão de carteira, os créditos realizados por uma instituição financeira são transferidos para outra, que passa a contabilizar esses empréstimos e a receber o fluxo financeiro dos pagamentos de cada financiamento. Quem vendeu recebe pela venda desses ativos. No caso do BMG, as operações de cessões geraram um resultado de R$ 917,758 milhões no primeiro semestre.

As vendas de carteira de crédito sempre foram uma alternativa de captação de recursos dos bancos de pequeno e médio portes. No entanto, com o acirramento da crise financeira a partir de setembro, essas negociações ficaram mais difíceis e, por isso, o governo federal passou a dar incentivo aos bancos que comprassem esses ativos de instituições menores (patrimônio de referência de até R$ 7 bilhões e que no final de setembro foi reduzido para até R$ 2,5 bilhões). No caso, o benefício é abater do compulsório sobre depósitos a prazo o valor da carteira comprada. O executivo do Bradesco não soube informar se o acordo com o BMG vai gerar esse benefício.

Clemente afirmou ainda que o acordo está restrito à compra de parcela da carteira de crédito do BMG e não se estende à própria instituição mineira. O executivo lembra ainda que o Bradesco já fez acordos semelhantes a esse com outros bancos de menor porte, como o Panamericano e o Bonsucesso.


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