O fogo secreto



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Sal, Saturno, Êxtase Sexual e Bem-aventurança Espiritual
Meu Nome é o coração envolto numa serpente!” Oráculos caldeus.
O Sal é um símbolo da sabedoria e do aprendizado. Saturno, está associado com Ouroboros, a Grande Serpente mordendo sua cauda, simbólica da limitação. Como tal ela está intimamente associada com a terra, mas também com toda a criação material e as coisas que bordam o ‘não-ser’, ou Eternidade. Num manuscrito do século XV, a serpente aparece em duas cores, vermelho e verde. Vermelho por fora e verde no interior. Verde, a cor da Natureza e de Vênus, é o começo do Trabalho. Vermelho, a cor da Pedra e de Marte, é o fim do Trabalho.
Sapiens dominabitur astris.” Os sábios exercerão domínio sobre as estrelas. Ao corrigirmos os desequilíbrios astrológicos (i.e., os centros psíquicos ou chakras) dentro de nós mesmos, as condições astrológicas exteriores têm menos efeito negativo em nós. Ganhamos o domínio sobre as forças “estrelares” e podemos “fazer o sol brilhar em nosso oratório quando quisermos.”
Gichtel, discípulo do século dezessete de Jakob Boehme, colocou a espiral cósmica, ou a “Roda da Natureza” dentro do corpo humano. (J.G. Gichtel, Theosophica Practica, 1898). Saturno é a coroa, Júpiter as sobrancelhas, Marte a garganta, o Sol com a serpente ao seu redor o coração,Vênus o fígado, Mercúrio o baço e a Lua os órgãos sexuais, ou seja, uma descida teosófica direta ao longo da Árvore. É o Coração com a serpente que atrai nossa atenção. Ele coloca ali o Elemento do Fogo.
Os Iniciados egípcios eram chamados de escaravelhos porque eles empurravam o ovo de sua regeneração.
Mysteria Mágica, vol. 3: A Filosofia Mágica: O ponto entre as sobrancelhas, incluído na Coluna Central (chamado: Clavis Rei [1ª Fórmula] O Incitador das Cidadelas) e a escala de cores varia com o centro. Um uso adicional das serpentes gêmeas levantando-se do Caduceu foi incluído no final (do artigo). O ponto entre as sobrancelhas é atribuído a Saturno, e diz-se que equilibra o centro Yesod, bem como acrescenta poder aos centros remanescentes na Coluna Central, como Golden Dawn e Aurem Solis o apresentam.
No sentido alquímico, o Sal é derivado da união da Terra Elemental e da Água Elemental (ou Assiah e Yetzirah), o Fogo Secreto está ‘escondido’ no Sal (corpo material) e representa o inconsciente, as forças instintivas que procuram se libertar. Ele é, às vezes, chamado de “Fogo Infernal”, no sentido de que, se fora do controle, ou insuficientemente liberado, pode criar um pandemônio no corpo e na psique do estudante, por via de seus efeitos purificadores. Isto é ilustrado pelo 31º Caminho, ou Caminho do Fogo, às vezes confundido com “Purgatório” ou “Inferno” pelos não regenerados que passam por este Caminho depois da morte. Este Caminho também está sob a direção de Mercúrio e Shin, os símbolos da orientação e evolução espirituais. Para aqueles interessados em Notarikon, Shin tem o mesmo valor numérico, 300, que a frase em hebraico, “O Espírito do Deus Vivo.”
Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”( Mt 3:11)
A letra Shin é usada com freqüência na meditação como símbolo da luz, vida, amor ou presença Divina. Ela é imaginada sobre a cabeça, mal tocando a coroa, então dentro da própria cabeça (pois está associada com a inteligência e a energia do sistema nervoso em Sepher Yetzirah), descendo então ao coração e, finalmente, expandindo-se dali para engolfar o meditador num mar de fogo. Por consistir de três Yods, ou línguas, flamejantes ela é, às vezes, associada com as línguas flamejantes de Pentecostes, e uma variedade de conceitos Trinitários.
Existem diversas interpretações possíveis para usar com relação a esta citação {bíblica}. Uma sugere que João, o Batista, estava iniciando o arrependimento bem como a entrada no mundo aquático de Yetzirah, mas que Jesus, estava oferecendo um caminho de iniciação para o fogo da Alma, ou o pleno adeptado. Uma segunda interpretação é de que João estava oferecendo iniciação até o Caminho 29º, ou o Caminho da Água, enquanto Jesus estava oferecendo o Caminho do Fogo, mais árduo e rigoroso, ou o 31º Caminho a seus discípulos. Nenhuma destas é uma resposta definitiva, mas somente uma tentativa cabalista moderna para compreender a Escritura no contexto de práticas iniciáticas. A menção do Espírito Santo é mais informativa porém, porque esta frase foi adotada pelos judeus durante o período do cativeiro na Babilônia e representa a origem das influências persas e caldaicas nas crenças místicas judaicas.
O termo Espírito Santo (Ruach Elohim) deriva-se do Zend Avesta, da frase, Spenta Mainyu, ou “Espírito (Criativo) Santo”. O poder criativo está implícito e não declarado no original, e parece ter sido perdido nas traduções subseqüentes nas línguas modernas, via tradições judaicas e cristãs. Spenta Mainyu são energias e inteligências purificadoras e regeneradoras com uma hoste cósmica de seis ou sete inteligências sob seu comando.
“Ela (Spenta Mainyu) é uma qualidade ou atividade auto-realizadora de Ahura Mazda (a Boa Mente); ela é a energia auto-geradora que leva à criação e evolução do universo. Spenta Mainyu é o dinamismo e a criação num processo constante. Para Zoroastro, santidade também significava abundância, crescimento e saúde. Spenta Mainyu representa o princípio de aumento e desenvolvimento no universo.” (F. Mehr, pg. 29).
Este poder e seus seres abrangem o Mathrem, ou Mathra, literalmente, ‘a palavra sagrada de poder’, que é a base para o desenvolvimento da prática de mantra na Índia e “Palavras de Poder” no Oriente Médio e no Egito. Mathrem ou Mathra é considerado por si mesmo como o mantra supremo do qual todos os outros foram derivados, da mesma forma como YHVH é a origem de todos os Nomes Divinos hebraicos. Isto é mencionado porque na Pérsia e na Babilônia, é completa a convergência do que iria se desenvolver em práticas esotéricas orientais e ocidentais semi-independentes. Num sentido, poderia ser considerada como a fonte original da yoga, cabala, alquimia e mágica, como as conhecemos. A arte e a arquitetura do período mostra criaturas aladas, familiares às tradições judaicas e egípcias, com diagramas planetários, e uma versão antiga da Árvore da Vida e diversas variações do motivo da serpente entrelaçada.

O Triângulo de Fogo Cósmico
“O adepto bem sucedido deve ter recebido o conhecimento do material da Grande Obra; assim como possuir a fé, o silêncio, a pureza de coração e a tendência para a oração. Depois de passar pelo portal com o hieróglifo do mercúrio filosofal, ele atravessa os sete ângulos da cidadela, representando as principais operações da Grande Obra – calcinação, dissolução, purificação, introdução no Vaso fechado de Hermes, transferência do Vaso para o Athanor (forno), coagulação, putrefação, cobertura com cera, multiplicação e projeção. E mesmo quando chega à Petra Philosophalis, ele descobre que está sendo retido por um dragão formidável.”
Amphitheatrum sapientiae aeternae, Heinrich Khunrath
Saturno está relacionado a Mercúrio no texto alquímico, e ele recebe a mesma sexualidade ambígua, ou androgenia, sendo chamado ‘Mercurius senex’.
Em Tiphareth, o símbolo geométrico é formado pelos triângulos entrelaçados de água e fogo, ou a Estrela de David. Quando expandido para conectar-se com os Sepheroth planetários da Árvore (com Saturno sendo atribuído a Daath), o Triângulo da Água conecta-se com as esferas de Marte, Júpiter e Lua. O Triângulo de Fogo conecta-se com Saturno, Vênus e Mercúrio.
Assim como Ourobouros é a energia cósmica (a serpente) limitando-se (Saturno), Vênus é a força criativa cósmica multiplicando-se em vida (sua natureza vegetativa), da mesma forma como um prisma fraciona a luz do sol. Mercúrio, como Saturno em certos aspectos, é andrógino, e controla o fogo da criação, direcionando-o para a criação da Pedra Filosofal. Mercúrio detém o Caduceu, ou cajado alado com duas serpentes entrelaçadas em seu redor. As asas representam sublimação, as serpentes as forças básicas da criação. Nos seus cruzamentos estão os centros psíquicos, muitas vezes apresentados como em número de sete, representando aqui as cores do espectro, mais o branco (Vênus). No centro do diagrama está o Sol, que é a força criativa cósmica que unifica, dá vida e harmoniza a criação, o qual podemos aspirar contatar. Ele tem uma posição central e dirige e controla todos os outros planetas, centros psíquicos, ou aspectos da energia cósmica.
Ao contatar o fogo do Sol, podemos abrir o fogo de outros centros psíquicos (via Vênus), e direcionar mais facilmente a energia restritiva e iluminadora de Saturno, por meio dos poderes da Mente, ou de Mercúrio.
Para compreender estes aspectos multifacetados dos planetas, principalmente de Vênus e Mercúrio, é importante ter efetuado o Trabalho dos Caminhos (Pathworkings) até Tiphareth. Apesar disto não ser exigido para realizar as técnicas a serem apresentadas nesta monografia, é de grande ajuda para uma compreensão da parte teórica.
No entanto, podemos começar a entender o relacionamento das Esferas umas com as outras realizando uma série de meditações baseadas nas seguintes idéias:
Vênus é a força viva, ativa, sensual e regeneradora em sua forma vegetativa e inconsciente. Ela responde ao calor, à luz e à emoção. No Caminho da Descida, Vênus divide os raios singulares do Sol em muitas facetas do espectro das cores e, como tal, pode nos levar a uma compreensão melhor do relacionamento entre a multiplicidade e a unidade, os centros psíquicos e os planetas, e suas naturezas singulares. No Caminho da Subida, Vênus reúne as energias divergentes, planetárias e pessoais (centros psíquicos) e as harmoniza numa força singular, apesar de ainda ser multicolorida, até seu retorno ao Sol como luz pura.
“Esta Pedra surge como coisas crescentes esverdeadas.” Portanto, quando o Verde é reduzido à sua natureza original, onde as coisas brotam e surgem no seu devido tempo, ele deve ser cozido e putrefeito na forma de nossa arte secreta.” Splendor solis, Trismosin.
A Pedra é feita por meio do verde da natureza (Netzach) e ela retorna a sua fonte (Tiphareth) pela putrefação (a carta da Morte do caminho que as une).
O Mercúrio dá forma e significado a diversas energias oriundas das ações divisórias de Vênus, e as reúne como forças fundamentais, simbolizadas pelo Caduceu. Mercúrio é o Psicopompo, ou guia da Alma, e dirige as energias que Vênus representa. Como Vênus e Mercúrio estão situados na base das Colunas da cabala, eles acessam os reinos material, astral e mental, e podem influenciar todos os três de alguma forma. Na Descida, Mercúrio cria forma e estrutura para o corpo, a mente ou a alma, e na Subida, Mercúrio ajuda a nos libertarmos das limitações da forma, sem esquecer suas lições.
A serpente é a força ou energia primordial, sendo o fogo e a água os dois princípios da criação, com o ar e a terra seguindo-os. Pelo fato da serpente se livrar de sua pele, ela é vista como um símbolo da regeneração e da renovação. Ela é também perigosa, mortífera e pode ser encontrada com freqüência com o papel de ‘guardião’ perto de fontes ou de cursos dágua, bem como no deserto. Quando controlada ou domada, é vista como dominando uma força poderosa e mortífera, porém regeneradora, básica para a criação, ou possivelmente da qual a criação se originou.
O Fogo Secreto está diretamente ligado ao sexual (i.e., à principal e mais básica força criativa) na humanidade. Aqui, o relacionamento entre ‘bem-aventurança’, ‘êxtase’ e o impulso erótico pode ser claramente visto e experimentado. O desenvolvimento de uma multidão de práticas de ‘yoga sexual’ e ‘mágica sexual’ confirmam isto em certa medida. No entanto, é o desejo sexual na humanidade que age como seu impulso básico e força evolutiva. Isto sugere, também, que a habilidade e a necessidade por experiências místicas são biologicamente determinadas. Somente ao ignorar-se o mais básico dos prazeres, o sexo, podemos ignorar o impulso para a união extática em algum nível. A ‘pequena morte’, ou petite morte, é uma precursora da ‘grande morte’ quando nos desapegamos e experimentamos o oblívio divino.
O poder sexual, ligado ao nosso impulso inato para experiências místicas, também está ligado à evolução humana e a algum ponto ou estado predeterminado para o qual estamos sendo dirigidos.
Este é um ponto importante, pois quase todas as doenças das sociedades modernas ocidentais estão focalizadas em torno da repressão e da obsessão sexual.
Quando o Fogo Secreto flui livremente, ou com mais força do que anteriormente, sem a purificação apropriada da Energia Vital do corpo físico, é possível que o resultado seja o aparecimento de sérias doenças físicas ou, o que é mais comum, de doenças psíquicas na forma de esquizofrenia ou psicose, em vez de dons psíquicos, gênio, estados transpessoais ou simplesmente estados alterados de consciência.
Wilhelm Reich, o pai da Terapia Oregon declara que a base de todas as perturbações mentais e/ou emocionais está ancorada no corpo físico, e que estas âncoras podem ser soltas por técnicas de respiração, algo semelhante ao pranayama. Como o corpo é o “Sal” da alquimia, sendo parcialmente composto de elementos inconscientes acessíveis por meio de seu “Elemento Aquoso”, todas nossas experiências emocionais e físicas tornam-se indelevelmente marcadas, associadas ou armazenadas em nosso corpo físico. Se estes blocos, ou concentrações de energia de traumas emocionais ou físicos (compostos de Energia Vital), não são removidos antes do Fogo Secreto começar a fluir com mais intensidade, os assim chamados efeitos colaterais negativos do fenômeno da ‘Kundalini’ vão aparecer.
O abuso de drogas, álcool e excessos sexuais simplesmente vão piorar a condição, pelo fato de liberarem inadvertidamente o Fogo Secreto ao enfraquecer o corpo físico e seu elo com o corpo astral, causando assim dano à subestrutura etérica e criando bloqueios energéticos em vez de diminui-los, quando a mente e o corpo tentarem reparar os danos.
Um sistema nervoso prejudicado pelo abuso de substâncias torna-se um veículo traiçoeiro para a expressão clara, limpa e poderosa do Fogo Secreto. É por meio de nosso sistema nervoso (sob o domínio de Yesod-Lua) que engajamos o mundo físico e nosso mundo interior. Ele liga o corpo (Malkuth) com a Mente-Intelecto (Hod), bem como os impulsos instintivos, criativos e sensuais (Netzach). Se ele estiver prejudicado, nossa habilidade para nos relacionarmos de forma plena, criativa e produtiva com estas partes psico-físico-espirituais de nosso eu fica ameaçada. Se ele sofrer danos, então nosso elo mais direto e importante com nosso Anjo da Guarda Sagrado e os meios para liberar o Fogo Secreto com segurança (via Tiphereth) estarão comprometidos nesta encarnação.
“Ouçam, então enquanto torno conhecido o Grande Arcano desta Pedra que produz maravilhas, que ao mesmo tempo não é uma pedra, que existe em todo homem, e pode ser encontrada em seu próprio lugar em qualquer momento... Ela é chamada de pedra, não por ser como uma pedra, mas somente por causa de sua natureza fixa. Ela resiste à ação do fogo tão bem como qualquer pedra ... Se dissermos que sua natureza é espiritual, isto não seria mais do que a verdade; se a descrevermos como corpórea, a expressão seria igualmente correta; pois, ele é ouro espiritual, sutil, penetrante, glorificado. É a mais nobre de todas as coisas criadas ... ela é um espírito ou quinta-essência.”
Um Guia Resumido ao Rubi Celestial, Philethes.

Libertando o Dragão
Não é claro quanto tempo leva para desbloquear nossa anatomia psíquica para o funcionamento mais completo e harmonioso do Fogo Secreto. Foi dito que mesmo os mais avançados yogues precisam de um mínimo de três anos de prática especial para que isto ocorra. Como este tipo de treinamento é efetuado sob condições especiais e supervisionadas, podemos assumir que a vida ocidental moderna precisa de mais tempo, bem como considerável auto-reflexão e referências, pois o ocultista ocidental típico, seja ele cabalista, alquimista, ou ambos, vai passar a maior parte de seu tempo trabalhando sozinho, ou na melhor das hipóteses, em pequenos grupos ocasionais.
Certas escolas de yoga, bem como as práticas de cabala e sufismo, consideram o coração como o centro do universo individual, e o mais importante de todos os centros psíquicos. Ao abrirmos o coração, ganhamos acesso ao nosso Mestre Interior, ou Anjo da Guarda Sagrado (mensageiro), o que é caracterizado por uma forte manifestação da intuição. Este é o lugar final de descanso para a Língua da Serpente, depois de sua subida sobre o crânio e, como as imagens de Boehme e do hermetismo demonstraram, o “Coração envolto por uma serpente” é o ideal a que os místicos aspiram.
Como um yogue disse, aproximamo-nos do “Grande Rei” primeiro, e deixamos que ele dirija as atividades da serpente – uma linguagem familiar dos hermetistas.
Adão Kadmon: Fogo Secreto e YHVH
Pois o nosso Deus é um fogo abrasador!” (Hb 12:29).
Enquanto a alquimia, a cabala e a astrologia foram homogeneizadas nas práticas esotéricas modernas criando uma síntese quase uniforme, isto não ocorreu nos períodos anteriores. Tradicionalmente, a alquimia e a astrologia não tinham nenhum papel na cabala judaica [5], e ainda que tenha sido sugerido que muitos judeus eram alquimistas e alguns grandes alquimistas eram judeus [6], nenhum manuscrito de práticas alquímicas judaicas parece ter existido. Mesmo o muito afamado Esch M’saref, ou “O Refinador de Fogo”, é uma compilação de material, enfocando principalmente em gematria, e não um trabalho ‘químico’ per se.
Os antigos cabalistas imaginavam a criação ocorrendo em vários estágios, dos quais foi gerada a imagem antropomórfica do ‘homem primordial’, ou Adão Kadmon. Este ‘primeiro homem’ era imaginado como tendo sido criado das quatro letras do Nome Divino colocadas na vertical. Yod era a cabeça, Heh, os braços e ombros, Vau, a espinha e os órgãos sexuais, e o Hev final, a bacia e as pernas. Uma multidão de atributos e qualidades foram associados a cada letra e, como um todo, isto formou sua própria escola de meditação cabalista. Acrescentando outras letras, alterando combinações e substituindo letras com base em equivalentes numerológicos, foram gerados Nomes Divinos adicionais, bem como nomes de arcanjos, anjos e outros seres espirituais.
A tradição oral de Adão Kadmon é semelhante à do Deus egípcio Osíris, no sentido que Osíris foi desmembrado e reconstruído, enquanto Adão ‘caiu’ aos pedaços, e é o trabalho do cabalista reconstruir o Adão Original. Cada um de nós é considerado como uma peça desta alma original e é nosso propósito encontrar nosso lugar na Criação, via métodos cabalistas.

Saint-Germain e a Sabedoria Sagrada Tríplice
A idéia do Fogo Secreto em textos iniciáticos psico-alquímicos tais como A Sagrada Trinosofia (Sabedoria Tríplice) [7] ilustra o ponto do fogo escondido, associado com o poder vulcânico, e sob a influência de Vênus. Trabalhos como esse apresentam uma forte semelhança aos textos alquímicos-cabalistas, e usam o simbolismo místico destas escolas esotéricas, ou tais símbolos são usados para interpretar o significado dos textos.
É dito que no texto, Saint-Germain descreve os detalhes de sua iniciação pelos doze graus da Consciência Cósmica. O uso de fogo terreno na forma de erupções vulcânicas, lava e mares de chamas, simbolizam a presença de uma matriz subjacente de energia viva que permeia a criação material e não-material, unindo e constantemente renovando-a por meio do que pode ser visto como uma atividade violenta.
La Três Saint Trinosophie é composta de doze seções, cada qual com sua própria ilustração. O mais óbvio alinhamento que pode ser observado, é entre as doze seções, o zodíaco e os estágios da alquimia. Também podem ser sugeridos, para nossa consideração, os sete principais centros psíquicos e os cinco centros secundários.
A estória começa com Saint-Germain nos leitos de lava do Vesúvio, mais tarde ele passa por um altar em que se encontra um cálice, com uma serpente enroscada ao seu redor doze vezes. Saint-Germain entra então num vasto ambiente de fogo, no meio do qual se encontra uma serpente de ouro esverdeada com olhos de rubi que ele deve dominar com uma espada, o símbolo de uma vontade iluminada. Com este ato, a raiva, o ódio e o orgulho são descartados de sua consciência e os sentidos colocados sob seu comando.
Numa das cenas retratadas, Saint-Germain está em frente a um altar triangular com um candelabro elaborado. Sua base é formada de duas serpentes enroscadas e termina num lótus, com a vela colocada no centro. Dois painéis com inscrições acompanham a ilustração. O primeiro diz: “Ao forte é dada a carga” e o segundo: “Acenda um fogo sobre o lugar elevado para que o sacrifício possa ser levado ao alto para o Desejado”. A ilustração final mostra os céus fulgurantes com luz e um triângulo rodeado por um quadrado e um círculo. O iniciado, aqui Saint-Germain, é acompanhado por Isis Revelada, a deusa da vida e da Natureza.
As gravuras descritas ilustram que mesmo ao final da era Iluminista, o simbolismo clássico alquímico e cabalista eram de uso corrente por esoteristas. No entanto, sua direção foi mudada da clássica, ou alquimia de laboratório, para ‘filosófica’ ou alquimia ‘espiritual’. Assim como a cabala passou por uma transformação radical nas mãos dos alquimistas e dos místicos cristãos, a própria alquimia também havia mudado. Ainda que tais manuscritos possam ter um valor dúbio para o trabalho prático de laboratório, felizmente, eles ainda são de valor para a iniciação espiritual interior – uma iniciação que somente o Fogo Secreto pode realizar.

EXERCÍCIOS

A Coluna Central
A Coluna Central é um exercício bem conhecido de quase todos os estudantes de mágica. Os detalhes do exercício foram claramente descritos no livro de Israel Regardie, com o mesmo nome, e não será apresentado aqui. Em vez disto, será feita uma exposição dos pontos relevantes ao Fogo Secreto. Estes pontos são:


  1. O estabelecimento de Malkuth

  2. Circulação da Luz

  3. A Fonte de Luz

  4. Malkuth como Kether

  5. Relacionamento de Tiphereth com Malkuth e Kether.

Serão feitas, também, considerações em segundo plano a:




  • O Ritual do Pentagrama

  • O Ritual do Exagrama



Estabelecendo Malkuth
Malkuth ou ‘Reino’ é uma esfera complexa, pois ela representa simultaneamente vários conceitos gerais. Ela é ao mesmo tempo, nossos pés quando a Árvore da Vida está projetada na estrutura humana (e os joelhos e a base da espinha, quando estamos sentados ou ajoelhando); toda a matéria sólida, terra, e toda a criação material. Nossos ossos e a medula que eles contêm são aspectos pessoais do Fogo Secreto. É importante que tenhamos um forte senso de fundação quando falamos sobre a Terra e Malkuth, para que na meditação possamos permanecer bem fundamentados e seguros. Quanto mais forte for nosso senso de conexão com a terra e nossos corpos, mais energia poderemos gerar e mais fácil será direciona-la. Isto é semelhante à construção de um arranha céu sobre uma base de concreto moldado, em comparação a um subsolo de quatro andares. Quanto melhor a fundação, mais forte a estrutura.
Como o Fogo Secreto está escondido na Terra, faz bem investirmos algum tempo, mesmo vários anos, trabalhando nos detalhes dos rituais do Pentagrama. {Isto deveria ser feito} purificando, projetando e retirando a energia ali representada para si e a área circundante. O Norte é uma área especialmente importante para a concentração, pois ele é a Terra da Terra, e é nosso portal escondido para o Fogo Secreto. Enterrada na natureza sólida da matéria, existe uma energia vibrante subjacente que está continuamente pulsando, dando nascimento à forma e à vida, e transformando energia em matéria e matéria em energia. Esta natureza subjacente é ilustrada no Signo de Touro, o selo zodiacal dado ao Norte. Nele vemos a Lua coroando um círculo com um ponto no centro, ou o Sol. Este signo combinado lunar-solar para a natureza terrena é indicativo da teoria de que toda a matéria é simplesmente luz do sol condensada, ou fogo escondido.
Ao associarmos o peso da Terra e o calor subjacente que ela contém (o centro vulcânico incandescente) com nossos pés, joelhos e a base da espinha (e finalmente com todo nosso sistema ósseo), podemos começar a experimentar como a teia da criação é formada. Esta imagem é reforçada pela declaração de que Malkuth e Kether são um. {Isto pode ser percebido} imaginando que uma corrente ilimitada de energia está pulsando para dentro e para fora da criação de Ain Soph
Aur
em Kether, e imaginando em seguida o mesmo para a criação material como a concebemos, em Malkuth. Com muita freqüência, as esferas são imaginadas como sendo seres ou estados estáticos, quando isto está longe da verdade. Elas são vivas, dinâmicas e constantemente interagindo umas com as outras e a matriz energia-matéria. Esta interação é vista claramente na Coluna Central e nas esferas dessa coluna.

A Tríada Kether-Tiphereth-Malkuth
Nas práticas ocidentais e em algumas orientais, todos os exercícios começam com a energia sendo retirada da Coroa, ou Kether. Isto é feito porque Kether, que está no limiar da “não-existência”, retira energia para dentro e para fora do ser. Esta energia é então regulada, até tornar-se controlável por nossa consciência humana, que é dito ocorrer em torno de Chesed, na escala cósmica das coisas.
No nível pessoal, Kether, nossa Coroa pessoal, regula o fluxo de energia para dentro e para fora de nossos corpos. Dirigimos, então, esta energia por meio de nosso cérebro e sistema nervoso, até que ela torne-se controlável por nossa consciência. Assim como Kether é a ponte entre o Ser e o Não-Ser na Escala Cósmica, nosso Kether pessoal é a ponte entre a energia e a matéria. Em nosso ser pessoal, isto corresponde à glândula pineal.
Malkuth é a condensação final destas forças Cósmicas e, na Escala Cósmica, é toda a criação material. Em nosso nível pessoal, é nosso corpo físico e, como um intermediário, o ambiente em que vivemos e nos movemos com os outros. Como Malkuth é um Mundo, o de Assiah, bem como uma Esfera, ele tem seu próprio “aspecto Kether” ou habilidade para criar matéria que vai do mais denso ao mais sutil. Estas formas sutis da matéria estão no seu próprio limiar de “Não-Ser”, ou aquilo que passa do puramente material para o psíquico. Em nossos corpos isto poderia ser a próstata e as glândulas sexuais, o períneo e a base da espinha.
O lugar de encontro para estes dois aspectos polares de nosso ser e criação, é o Centro do Coração, ou Tiphereth. Neste ponto, toda a criação é harmonizada e levada a um estado de tensão dinâmica e vitalidade em torno de um centro inteligente. Essa inteligência dirige os outros aspectos da criação para que eles funcionem em harmonia mútua para o bem de todos. Ela corresponde ao nosso coração bombeando sangue para todos nossos órgãos, nossa glândula pituitária, ou “Glândula Mestra” dando ordens para todo nosso sistema endócrino, nosso Plexo Solar, regulando a energia nervosa em geral; e o núcleo de cada átomo, célula ou o Sol em nosso sistema solar.
Em sua função como principal mediador das forças, Tiphereth está constantemente enviando energia vital a todas as áreas da criação, e transmitindo energia da Coroa, ou dos níveis abstratos mais elevados, a Malkuth, ou aos níveis mais densos da matéria. De muitas formas, ele regula a energia a tal ponto, que poderia ser dito que a própria matéria é na verdade feita por Tiphereth. Em termos físicos isto quer dizer que toda matéria nada mais é do que a energia da luz condensada. Em termos pessoais, isto significa que nossos corpos e ambiente são a criação de nossos pensamentos mais recônditos.
Para ajudar a desenvolver um relacionamento mais consciente e funcional entre estes três centros de troca de energia-matéria-consciência, o seguinte exercício é sugerido:
Imagine uma esfera brilhante de Luz com um centro de união {parecendo} quase um ponto preto, logo acima ou tocando o topo de sua cabeça. Inale, sugando para baixo um raio desta esfera ao seu Coração. Exale, enviando este raio de luz por todo seu corpo e pernas, saindo pelas solas de seus pés, indo em direção ao centro incandescente da Terra. Inale outra vez, visualizando a energia ígnea deste Centro da Terra movendo-se para cima numa corrente dourada avermelhada para o seu Coração. Mantenha-a ali, energizando o coração numa luz brilhante. Exale, vendo a luz se expandir em calor, luz, energia da vida e poder.
É importante, neste particular, que a energia seja coordenada não só com a inalação, mas que seja ‘soprada para cima’ da terra e não forçada. Isto pode ser feito imaginando um tubo ou canal oco, forte e flexível vindo desde o centro da terra, passando pelos pés e indo ao coração. A energia também pode ser imaginada fluindo pelos pés, como uma pulsação, entrando pela coluna espinhal e focalizando a energia na área do coração.
Imagine, depois de algum tempo, que é no coração do universo e do adepto, que a matéria e a energia se encontram e são criadas.
Assim como nossos sentimentos “de coração” dirigem a energia ilimitada de Kether para a manifestação, da mesma forma eles dirigem a manifestação de volta para Kether, ou outro lugar, se assim o desejarmos.
É muito importante que o coração não seja demasiadamente aquecido, e que a energia, uma vez acumulada, seja circulada ou descarregada de alguma forma. Isto pode ser feito sobre um talismã, num tratamento de cura, ou num copo de água fria, que então é consumido. A energia também pode ser descarregada para fora do plexo solar sendo colocada em circulação geral para o resto da aura.
Além disso, os sons de vogais associados com o ritual da Rosa+Cruz, ou A.I.O., podem ser entoados depois de se adquirir competência nas técnicas básicas. Primeiro, pratique entoar os sons numa única respiração, ressonando do centro do seu coração. Depois de algum tempo, comece a dividir os sons para que o “A” ressoe com a cabeça; o “I” com o coração; e o “O” com o plexo solar. Depois de um período de tempo, transfira o som do “O” para o períneo, onde ele terá um efeito mais forte na esfera de Malkuth. [8].
Uma substancial ressonância dos sons no períneo vai abrir 12 diferentes canais que ligam a espinha com as pernas, joelhos e pés, unindo estes diferentes Malkuths ‘funcionais’. Isso também afeta a glândula prostática nos homens.

Yesod – Elo entre os Eus.
Yesod está situada bem no meio do portal para o invisível, e é a repositória para tudo o que sobe e desce na manifestação. A sefira Yesod representa diversos elementos chaves do nosso ser, incluindo nosso sistema nervoso e cérebro, centros psíquicos, anseios e desejos inconscientes, e o local da memória. Por meio de suas águas, às vezes escuras e preocupantes, mas sempre poderosas, podemos entrar em contato direto como nosso Anjo da Guarda Sagrado em Tiphereth. Ao imaginarmos Yesod como um portal que reflete tanto para cima como para baixo, podemos aprender a direcionar nossas energias psíquicas em ambas as direções. Dessa forma, Yesod é mais do que um mero portal no qual devemos bater e esperar que alguma coisa nos seja dada. Em vez disso, é um portal pelo qual podemos passar e existir conscientemente. Apesar de boa parte desta expansão inicial ocorrer em estados de sonhos, tais como sonhos lúcidos e projeções astrais espontâneas, chegará o momento em que um maior grau de controle vai emergir, em que a consciência será projetada á vontade retornando com plena memória de suas experiências.
Este estado pode ser acelerado, reforçando o elo de Yesod com Malkuth (para a memória) e com Tipheret (projeção da consciência). Os seguintes exercícios foram desenvolvidos com esses dois objetivos em mente.
Depois de realizar a Coluna Central, focalize sua atenção em Yesod. Imagine-a como uma grande esfera estendendo-se até às margens de sua aura expandida. Encolha-a de volta a seu tamanho normal e então imagine que toda sua energia física, em Malkuth e por todo seu corpo, está se movendo para cima em direção de Yesod. Esta é a sua habilidade para se mover, manifestar e criar no mundo material. Imagine as esferas fundindo-se e tornando-se harmônicas. Agora, eleve a energia física mais além, até Tiphereth, e banhe a energia material e psico-sexual combinada de Yesod na luz dourada de Tiphereth, e sinta as três fundirem-se numa só. Depois de alguns minutos projete-as de volta a suas posições de origem.
Imagine a luz de Yesod como sendo simultaneamente dual em natureza, refletindo para cima em direção a Tiphereth e para baixo para Malkuth.
Coloque-se em Tiphereth, agora, e faça a mesma coisa, imaginando sua luz refletindo-se para baixo para Yesod e para cima para Kether, a fonte de toda energia.
Imagine os Elementos como idéias puras e perfeitas, emanando de Tiphereth através de um campo claro em Yesod, e condensando-se em matéria. Imagine seus pensamentos como idéias puras e perfeitas, sendo projetadas de seu coração, com a energia sexual-criativa combinada de Yesod, para se manifestarem em Malkuth.
Imagine a luz e energia pura de Kether acima de sua cabeça, tornando-se acessível em Tiphereth, seu coração, e manifestando-se como criações puras em Malkuth, debaixo de seus pés. Sinta a energia revertendo este processo, passando da matéria dura, fria, densa, para formas de energia abstratas e, finalmente, para a energia pura indiferenciada. Além disto, a Fórmula “Clavis Rea” pode ser uma ilustração efetiva deste ponto.

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