O fogo secreto



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Circulação da Luz. Deve ser efetuada a circulação da luz depois que o estabelecimento das esferas for vívido, claro e profundo no corpo bem como estendidas, a partir dele. Isto pode ser feito em fases, com as primeiras fases atuando gentilmente por fora, formando amplas bandas de luz e aumentando em densidade e poder até começar a alcançar mais profundamente debaixo da superfície dos tecidos, até os ossos. Isto ajuda a ancorar o poder no corpo, enquanto expande e purifica a aura. Durante todo o tempo a energia deveria ser palpável.
A fonte de Luz deveria se mover pela coluna espinhal lentamente, a princípio, e com maior intensidade e velocidade com o progresso da experiência. As eclosões deveriam ser vívidas e brilhantes, com um fluido claro como chama correndo ao longo das margens da aura expandida, num raio de 90 a 120 cm em todas as direções. Deixe-se ir com o fluxo de energia, na medida em que ele passa por seu corpo, saindo pela cabeça e entrando pelos pés, subindo pelas pernas, purificando e energizando por onde passa.
Ao término do exercício, você deveria recolher a energia para a camada sub-epidérmica de seu corpo, sentido a energia fortalecer e vitalizar os tecidos, mergulhando até os ossos, purificando a medula, um elemento essencial para uma vida longa e para ossos fortes. Isto também deve ser feito ao longo da coluna espinhal, imaginando que o tecido mole entre as vértebras é compactado com energia e as conexões nervosas são fortes e vitais.
Ritual do Pentagrama e do Hexagrama
Os rituais do Pentagrama são usados para direcionar os principais Elementos do mundo material (Assiah), a matriz matéria-energia mais próxima de nossa consciência, e para a personalidade exterior desta encarnação direcionada materialmente. É pelo direcionamento e purificação destes Elementos em certa medida, que podemos começar a dirigir nossa atenção para dentro e ter a Visão de nosso Eu Superior, ou o Anjo da Guarda Sagrado, que existe em Kether, com o qual se pode comunicar em Tiphereth e que se reflete para nós no subconsciente de Yesod.
O ego, ou a imagem auto-criada do eu em relação ao mundo material é completamente dominada por esses rituais e, por meio deles, podemos ajustar nosso senso do eu, para que possamos direcionar nossas energias para o Eu. Quando isso é feito, podemos não só conversar com nosso Anjo da Guarda Sagrado, mas podemos entender que nós e ele somos um e o mesmo ser.
Os rituais do Pentagrama também podem ser usados neste particular para criar as condições materiais que nos são favoráveis, bem como o progresso espiritual. Eles podem ser usados para criar um ambiente material ao nosso redor para manter também as forças planetárias. Neste caso, os diferentes rituais são seguidamente combinados.
Os rituais planetários do Hexagrama representam a manipulação das forças planetárias externas e internas por meio de nossos próprios centros psíquicos. Eles podem resultar em manifestações físicas diretas de corpo ou ambiente, ou em experiências interiores de uma natureza iniciática. Essas iniciações significam uma expansão de consciência e maior ativação dos centros psíquicos envolvidos, com a possível generalização dos efeitos para outros centros. Por exemplo: um ritual solar causará maior atividade no centro psíquico do ‘coração’, mas também afetará a glândula pineal no cérebro pois ela tem uma natureza solar. Um ritual lunar proporcionará maior memória e clareza mental, mas ele também vai estimular o sistema nervoso e os centros psíquicos em geral, bem como impulsos sexuais cíclicos. Um ritual a Vênus vai estimular os rins, os impulsos sexuais e aumentar nosso senso de beleza, harmonia e expressão artística. Se for bem direcionado, também vai acrescentar poder a todos os centros psíquicos em virtude do ‘efeito prismático’ de Vênus na energia psíquica e aumentar o fluxo de amor ao coração.

Assim, cada planeta tem seus efeitos gerais e específicos, bem como manifestações nos planos mental, emocional e material. Ao expandirmos nossa consciência e começarmos a contatar mais conscientemente as várias esferas planetárias dentro de nós, elas aparentarão assumir uma existência quase objetiva. Nestes estados semi-objetivos, podemos contatar outras pessoas com uma vibração semelhante, ou nos comunicarmos com os vários ‘seres’ do mundo invisível. Esses mundos também têm graus de densidade, daí o uso dos atributos dos Elementares no modo vertical de expressão. O mundo mais denso é Mulkuth/Assiah, com cada um dos planetas tendo uma ‘casa’ nos Quartos. Yetzirah é mais sutil, tendo o atributo de Água, e com seu relacionamento próprio com os Planetas. A seguir, vem Briah, com sua natureza expansiva Aérea, e relacionamentos peculiares com os Planetas. Finalmente, a natureza ígnea de Atziluth, da qual os mundos anteriores são simples expressões mais densas e estáveis. Assim como nossa consciência muda em sua relação com as coisas quando ela passa do material para o astral, ela também muda quando passa do astral lunar para o astral solar, ou mundos mentais; a mudança ocorre mais uma vez quando ela passa do Mental para o Espiritual.


Estas mudanças podem ser melhor explicadas como passando de relacionamentos objetivos (materiais), para relacionamentos subjetivos (eu-você), para relacionamentos diretos e, finalmente, para relacionamentos de identidade. Na terra vemos as coisas como objetos separados de nós. No astral lunar temos uma experiência deles como objetos, mas com um relacionamento com eles. No astral Solar (mental), experimentamos uma coisa diretamente, isto é, nós a conhecemos. No mundo Espiritual, nós somos esta coisa.
Isto ajuda a explicar algumas afirmações feitas sobre as experiências da kundalini na yoga, bem como as experiências místicas de outros esoteristas. Na kundalini, ou experiências do Fogo Secreto, o aspirante com freqüência fala de ser “um com a criação”, ou tendo a habilidade para olhar dentro da natureza das coisas. Isto indica que os impulsos energéticos que estão sendo liberados estão expandindo a percepção ao nível de Briah. Quando o nível final é alcançado, Atziluth, tornamo-nos como o Enoch bíblico “que caminhou com Deus e não foi mais visto.”
Esta estrutura também ajuda a explicar porque muitos magos são bem sucedidos ou fracassam na magia. A identidade de “outro” realizando o trabalho para nós, é um enfoque muito materialista para a magia. Mais tarde, depois de experimentarmos a realidade e as ilusões dos mundos astrais, o relacionamento direto ou pessoal é estabelecido, em que o mago vê os poderes sendo dirigidos como aspectos de seu ser, e não como estando em seu exterior. Esta forma de expressão é mais parecida com o nível do adepto, mas também o místico, e o praticante de yoga que visualiza os chakras no interior de seu corpo e não como mundos exteriores, como no Trabalho dos Caminhos (Pathworking) ocidental. Chega um determinado momento, no entanto, em que todos os diferentes pontos de vista se fundem, e os sistemas combinam-se nas experiências e na psique em evolução do discípulo. A diferença é mais de um ponto de origem, não do destino final.
Atenção!!! É muito importante que todos os exercícios a seguir sejam precedidos por um período de prece e devoção ao Cosmo e que seus frutos sejam oferecidos como dádivas ao Criador. Os exercícios também devem ser começados com a invocação da energia do Alto, de alguma forma, seja ela a Cruz Cabalista, a Coluna Central, a Clavis Rei, ou simplesmente como um raio de luz vindo do alto, entrando pelo Coronário e terminando na base da espinha ou nos pés, dependendo da postura. Isto é de suma importância para que sejam evitados ou minimizados os efeitos colaterais negativos, pois somente a energia radiando de Kether pode ser contatada sem criar um desequilíbrio em nosso sistema. Aqui, procuramos usar esta energia para consertar os desequilíbrios, não para esquece-los e, inadvertidamente, criar novos desequilíbrios. Também, ao final de cada meditação, retorne a energia para o Cosmo, ou usando a imaginação, ou oferecendo os frutos de seu trabalho espiritual a Deus.
Triângulo de Fogo
O Triângulo de Fogo representa um aspecto específico de Tiphereth e deveria ser considerado como relacionando-se com a Coluna Central, apesar de poder ser efetuado independente deste ou, como veremos, como um exercício auxiliar para intensificar os efeitos de ambos os exercícios.
Depois de estabelecer seu espaço de trabalho, focalize a atenção em seu coração. Imagine a grande Estrela ou Escudo de David entrelaçada, associada com esta esfera. Sinta o triângulo superior irradiando um calor pulsante, e o inferior, um frescor corrente. Imagine que eles se tornam um triângulo ígneo de Fogo e um triângulo reluzente de Água. No centro existe um ponto brilhante, Yod ou Shi, como você preferir.
O triângulo de Água inferior é nosso relacionamento de consciência com os mundos psíquicos e materiais. O triângulo superior de Fogo é nosso relacionamento com as esferas do adeptado, da iluminação espiritual e da revelação interior.
Imagine-se no ponto central, entre estes dois triângulos vivos. Volte a sua atenção para o Triângulo de Fogo. Deixe o Triângulo de Água desaparecer de sua consciência. Sinta-se no centro de uma pequena pirâmide de Fogo. Se você se levantasse poderia tocar seu topo. Sentado ou ajoelhado, você sente o grande fogo ao seu redor. Ao redor da base da pirâmide se encontra uma serpente gigantesca com seu rabo na boca. Feche seus olhos e sinta com cada respiração e batida do coração, o pulsar uníssono do fogo crescendo cada vez mais intenso. O fogo irradia tanto para fora da pirâmide, bem como em direção ao centro, onde você se encontra. Entregue-se às chamas pulsantes e vivas. Entoe o Nome Divino IAO, ressonando para fora do centro de seu coração para os confins do universo. Sinta o fogo crescer mais brilhante e a serpente estremecer com cada vibração.
Num determinado momento você pode sentir, ou imaginar, a serpente se levantando e se estendendo. Siga este movimento e procure ver tudo como se através dos olhos dela. Retorne depois disto, imaginando que a serpente volta e se enroscar, colocando seu rabo de volta na boca, com o fogo se regulando e o triângulo de fogo fundindo-se com o triângulo de água, ambos tornando-se ouro e existindo para a consciência.
Saturno e o Fogo Secreto
Esta é uma série de exercícios especiais sobre Saturno, seu relacionamento com outros planetas e seu papel como manifestador da Criação. Este exercício está diretamente relacionado com o anterior, o do Triângulo de Fogo. Quando colocado na Árvore da Vida, o Hexagrama conecta as esferas de Yetzirah e de Briah, oferecendo uma saída para Atziluth, com Saturno na posição de Daath.
O Triângulo de Fogo é composto de Saturno no topo, e Mercúrio e Vênus nos cantos da base, com o Sol no centro. Pela meditação nas qualidades destes planetas, e seus relacionamentos mútuos por meio deste diagrama, podemos ver que Saturno é a esfera secreta, que nos oferece acesso ao contínuo da energia-matéria-consciência. Imagine-se outra vez no centro do Triângulo de Fogo, colocando os signos Astrológicos, ou formas divinas de Saturno acima, ou acima e diante de você, Mercúrio à sua direita e Vênus à sua esquerda. Observe-os como sendo vivos e vitalizados, com um fino fio de fogo, luz e amor unindo-os.
Lembre-se, Saturno é geralmente apresentado como o signo para a matéria e Vênus invertida como o signo para Antimônio, ou a Terra. Continue essa meditação por várias semanas, ou uma vez por semana por vários meses. Quinze a vinte minutos é tudo o que é preciso.
YHVH
O seguinte método de meditação é baseado nas associações fundamentais conhecidas de todos os estudantes de cabala. Ele pode ser realizado tanto por estudantes avançados como por noviços, ainda que os noviços deveriam dedicar mais tempo aos fundamentos, para garantirem o sucesso mais tarde, sem ter que voltar atrás para repetir os passos básicos.
Essa série de exercícios está relacionada aos estágios e Elementos da Criação e à natureza das expressões primordiais ou arquetípicas de consciência. Aqueles que têm experiência em trabalhar com o hebraico e/ou os Elementos, como indicado nas práticas mágicas básicas, serão capazes de progredir mais rapidamente neste exercício. Aqueles que têm pouca ou nenhuma experiência em magia vão descobrir neste exercício uma introdução apropriada e poderosa para esses conceitos num nível bem pessoal.
A doutrina hebraica da Criação estabelece a idéia de que o Homem Primordial, ou Adão, era composto das quatro letras do nome de Deus colocadas na forma vertical parecendo um ser em forma de bastão. Além do mais, toda a criação pode ser vista como tendo sua origem neste nome sagrado. Por isso, sua pronúncia era cuidadosamente guardada, a tal ponto, que ela foi perdida. É dito que a descoberta de sua entonação apropriada traz poder sobre todas as coisas, a ponto de existirem escolas de cabala que trabalham exclusivamente com as diferentes manipulações deste Nome como sua forma de meditação.
Para nós, o Tetragramaton será usado como um guia visual ou mnemônico para nossas meditações e exercícios voltados para a liberação do Fogo Secreto na Criação.
A aplicação Elemental padrão será usada: Yod (cabeça, sistema endócrino) é associado com o Fogo; Heh (ombros/tórax, e sistema cardio-pulmonar) com o Ar; Vau (espinha/sistema nervoso, incluindo os órgãos dos sentidos) com a Água; e o Heh final com o ponto (as cadeiras, pernas e pés, e o sistema ósseo) com a Terra.
O ponto no Heh final simboliza o ponto secreto de luz, vida e amor em toda a criação, escondido na matéria. É esta força secreta que, quando liberada, nos leva às alturas da bem-aventurança e consciência divinas no Fogo original de Yod.
Como em todos os exercícios, comece retirando energia, de alguma forma, de Kether para baixo, para a Terra. Isto pode ser feito por meio da Cruz Cabalista, do Pilar Central, ou da Bomba Psíquica como descrito anteriormente. Quando um centro calmo for estabelecido, e um espaço sagrado para conter a energia, ou por meio do Ritual do Pentagrama, ou imaginando um domo esferoidal vasto e vazio ao seu redor (de cerca de 2 a 3 metros de diâmetro), você pode prosseguir.
Imagine o Homem Primordial à sua frente, vasto e imponente. Funda-se com essa imagem, crescendo à medida em que consegue faze-lo. Veja o Yod flamejante como sendo sua cabeça, e imagine que ele, ou um raio dele, projeta-se para baixo para o mundo Aéreo, formando o primeiro Heh, e continuando até o mundo Aquoso, ganhando densidade e peso, formando o Vau e, finalmente, até o mundo da matéria sólida, formando-o juntamente com o Heh final. Neste ponto, a chama diminui, brilhando como uma pequena centelha, comparado com seu vasto e brilhante lugar de origem, e com o mundo escuro, frio e sólido de matéria em que ela agora aparece aprisionada.
Identifique-se com a terra sólida. Sinta seus pés enraizados nela. Imagine que eles, suas pernas, joelhos e quadris, são todos pesados, sólidos, firmes, imóveis e densos. Sinta e imagine a grande força e estabilidade que isto lhe oferece e sinta reconhecimento por isto, por ser esta a fundação de seu ser. Continue com estas imagens, e sinta um ponto denso e brilhante de luz e calor no centro desta matéria escura e sólida. Veja-o crescer cada vez mais forte e brilhante, como se ele fosse o próprio centro da Terra. Continue concentrado neste calor e luz, e deixe um raio dele mover-se do centro da terra, através das camadas de matéria sólida e rochas até seus pés, formando uma esfera de grande luz e calor.
Depois de alguns dias, eleve a energia até seus joelhos. Depois de mais alguns dias, eleve-a até seus quadris. Depois de cerca de um mês de prática, eleve-a e focalize-a na base de sua espinha.
Estenda as imagens da terra sólida até abarcar sua estrutura óssea. Respire o fogo do centro da terra, sinta-o focalizado ao redor de sua espinha, e eleve-o até o topo de sua cabeça. Imagine sua cabeça como uma esfera vazia, esperando receber a energia de baixo. Sinta a energia fluindo pelo seu corpo, focalizando-a nos ossos. Respire-a para dentro deles, purificando-os de qualquer fraqueza ou doença. Veja a medula crescer em seu interior, preenchendo-os com seu poder brilhante. Estenda o processo até o crânio, mandíbulas e dentes. Como anteriormente, quando você tiver terminado a meditação, absorva o máximo de energia que puder, e envie o resto para o centro da terra, terminando o contato.
Depois de um mês ou dois deste exercício, prossiga até a Vau. Veja a energia mover-se através de seus pés, para a espinha, subindo por seu canal central estreito até o cérebro. Imagine que ao entrar na coluna espinhal, com cada respiração, o fluido ali contido, flui para cima e atravessa seu cérebro, nutrindo os tecidos, e descendo de volta. Imagine seus sentidos tornando-se mais fortes e mais agudos. Visualize a vasta energia ígnea vindo do centro da terra e aumentando sua sensibilidade psíquica e ativando seus centros psíquicos. Isto pode ser imaginado simplesmente como o sistema nervoso tornando-se brilhante e saudável.
Passe, então, para a etapa seguinte, ou o Primeiro Heh. Sinta aqui a energia como se elevando de seus pés, passando para a espinha. Quando ela alcança o tórax e a parte de trás da cabeça, também preenche os pulmões com mais poder e capacidade de expansão. Sinta-se como se tivesse sido elevado e expandido, com sua visão tornando-se mais clara e com um senso de propósito e de destino mais definidos. Imagine os pulmões sendo carregados com energia curadora aquecida, vitalizando a respiração e o sangue.
Depois de alguns dias imagine o poder vital movendo-se do meio dos ombros, para os braços e as mãos.
Durante este período experimente com a projeção, circulação e recepção de energia com suas mãos. Em geral, a mão direita deveria projetar a energia elétrica positiva e expansiva, e a esquerda deveria projetar a energia magnética receptiva e passiva. Ao manter as mãos juntas, na posição clássica da oração, em frente do peito, com a parte posterior de seus polegares tocando o externo, o centro do coração pode ser energizado. Além disto, a energia circulada cria um “cinturão” ou “domo” psíquico ao redor da parte superior da cabeça e dos ombros. Pratique retirar a energia do sol, da lua, dos planetas e do cosmo com a mão esquerda enviando-a para a terra ou um talismã com a direita.
Use o Sinal Clássico dos Filósofos, ou as mãos erguidas acima da cabeça com os polegares e indicadores tocando-se para formar um triângulo, para atrair a energia para as palmas das mãos deixando-a sair depois pela planta dos pés. Procure armazena-la em seu plexo solar (você pode querer usar o Sinal de Praticus para isto) projetando-a como descrito anteriormente. [9]
Prossiga, a seguir, para o Yod. Agora, depois que a energia tiver ido para o cérebro, visualize a cabeça crescendo brilhante e luminosa. Sinta-a absorvendo o fogo vindo de baixo e exultando com seu retorno. Sinta o centro de sua cabeça crescendo de forma poderosa, quente e brilhante. Focalize neste único ponto de luminosidade, e então envie-o de volta para a terra, ao mesmo tempo que alcança todo o universo com ele. Sinta-se em meio a um mundo ígneo de poder, sabedoria e amor primordial. Sinta-se como se você tivesse uma estatura enorme, estendendo-se por todo o sistema solar. Sinta como se os planetas fossem seus centros psíquicos, e o sol seu coração, a Terra seu escabelo e o ponto original da criação sua coroa. Quando tiver terminado, encolha-se para seu tamanho normal e encerre a meditação.
Esta energia, quando é experimentada, tem um tremendo potencial de cura. Ao liberarmos nossos pensamentos negativos e destrutivos no centro da terra para sua purificação e renovação, nos abrimos para uma consciência mais ampla e energética, por meio da remoção dos bloqueios psicológicos. Ao retirarmos a energia ígnea curativa da terra, acumulando-a de forma lenta, suave e metódica profundamente em nossas células, a partir dos ossos e de sua medula para cima e para fora, podemos aumentar nossa sensibilidade psíquica às correntes telúricas, aos padrões do tempo e às condições magnéticas. Além disto, aumentamos a força, a energia e a vitalidade de nossos corpos físicos. [10]
A Espada Flamejante e a Subida da Serpente
Yesod, Hod e Netzach no Fogo Secreto
Esta seção examina o relacionamento entre os Sephiroth da Árvore da Vida e o Fogo Secreto, e o impacto de duas esferas em particular que governam o sistema nervoso, o despertar psíquico prematuro e o poder sexual.
A elevação do poder psíquico de Malkuth afeta não só os pés e o períneo, mas também deslancha uma resposta das supra-renais acima dos rins. Essa resposta é acompanhada, freqüentemente, de um impulso de energia, pois estas glândulas são a sede de nossa resposta: “lutar ou fugir”. Elas são também órgãos sexuais secundários e, com a energia descendo para entrar na base da espinha (também um centro de Malkuth) antes de se elevar pela coluna espinhal e energizar todo o corpo, ela estimula também os nervos e agregados psíquicos associados a Yesod e Netzach. É a partir deste estímulo que são experimentadas imagens, fantasias, poder e agressividade sexuais, e consciência psíquica, às vezes chegando à esquizofrenia e à psicose. Um calor intenso e um senso de purgação, também podem ser experimentados em conseqüência.
Quando a energia alcança a área de Hod, ou Mercúrio, geralmente antes de Netzach, mas nem sempre, diz-se que ela está seguindo o Caminho da Serpente. Esse Caminho é ilustrado por uma Serpente subindo a Árvore da Vida, revertendo a direção da descida do Flash do Relâmpago. Quando isto ocorre, o Fogo Secreto desperta a mente para as possibilidades e estruturas mágicas, mas sem o poder. O Fogo pode estimular o cérebro e acelerar os padrões de pensamento, percepção e associação, mas com freqüência este estado é expresso por meio de um excesso de conversa e verbalização, ou é direcionado para o centro da garganta.
Se a energia não for utilizada, mas for direcionada para seu Caminho de Volta para cima, surge então um verdadeiro problema: como dirigir a vontade e a consciência de uma forma específica para criar um caminho para que a energia possa fluir. Estes caminhos são construções mentais e astrais, ou símbolos, usados nos ritos mágicos, religiosos e esotéricos.
O principal caminho, ou mapa usado, para direcionar o Fogo Secreto é o caduceu de Mercúrio. Nele, as serpentes gêmeas se entrelaçam ao redor da coluna central, enquanto elas próprias formam dois lados ou colunas de apoio, culminando num topo alado, ou coroa, com o formato de cone, ou a glândula pineal.
Quando a energia alcança este ponto da Coroa, ela confere a iluminação, a Consciência Cósmica e pode ser direcionada para uma atividade espiritual ainda maior, ou para a manifestação material ou psíquica. Esta energia, ou luz, é como os raios do sol (Tiphereth) sendo divididos em inúmeros raios do espectro (Netzach) com o uso de filtros óticos (Hod).
Em Hod não só criamos, mas também limpamos qualquer filtro mental existente, para que a energia elevando-se de volta para sua fonte possa ser apropriadamente identificada e experimentada como ela é, antes de ser harmonizada num único raio de luz em Netzach. Porém, mesmo depois da harmonização, a energia pode não ser necessariamente mandada de volta para Tiphereth. Se for deixada por sua própria conta, ela provavelmente irá para lá, pois esta é sua inclinação natural. Um súbito afluxo de poder e energia pode gerar um fortalecimento dos mundos astrais recentemente vivificados, dos quais Netzach é o cume simbólico.
A carta da Morte, que governa o Caminho entre Netzach e Tiphereth significa a tarefa do iniciado neste estágio da jornada, e do sacrifício que lhe aguarda. Somente perdendo sua individualidade, ou por meio da ‘morte’, as forças separadas sob a direção de Netzach podem se combinar para levar o iniciado para o adeptado. O reverso também é verdade, em certo sentido, pois é deixando o coletivo para trás, que o indivíduo nasce, o verdadeiro indivíduo de Tiphereth. Isto sugere que a genuína iniciação só pode ocorrer quando não formos mais dependentes do poder coletivo de uma egregora para nosso senso de proteção, propósito e iluminação. O útero astral aquoso de Yetzirah deve ser abandonado, em favor do mundo seco da vida material de Malkuth ou da renovação espiritual de Tiphereth.
Junto com as serpentes entrelaçadas do caduceu, encontramos implícito no simbolismo os chakras, ou centros psíquicos, sobre os quais o Fogo Secreto atua em sua jornada. Estes centros expressam modos de consciência, locais de poder físico e psíquico, e estão relacionados de várias formas com os sistemas nervoso e endócrino, como já vimos.
No esoterismo ocidental, existem vários métodos de expressar estes centros psíquicos. Um deles é o uso dos nomes dos planetas, ou chakras mundanos, como são chamados, em associação com os Sephiroth. Nesse caso, os planetas seguem a descida de mezla, ou Energia Divina, ao longo da Árvore da Vida, sendo colocados em lugares correspondentes no corpo humano. Kether, Hockmah e Binah estão na cabeça; Chesed, Geburah e Tiphereth estão na parte superior do tórax e nos ombros; Netzach, Hod e Yesod nos quadris e nos órgãos sexuais, com Malkuth localizado nos pés. Isto funciona bem como uma ajuda mnemônica e para os exercícios conhecidos como a Espada Flamejante e a Elevação da Serpente, mas não é muito útil quando estamos atribuindo poderes planetários a órgãos específicos, como na alquimia.
Outro conjunto de atributos é simplesmente tomar a Coluna Central e aplicar suas correspondências Elementais, como apresentadas por Regardie em A Verdadeira Arte de Curar, ou as correspondências planetárias mais conhecidas, como ele apresenta em seu livro A Coluna Central. Dentro desta mesma linha, não é raro a aplicação do conjunto ascendente dos tattwas hindus, ou signos Elementais de uma forma ascendente em cada uma das encruzilhadas e esferas na coluna central da Árvore da Vida.
Apesar de nenhum dos sistemas acima ser perfeito para designar os centros de força psíquica, cada qual funciona em sua própria área particular e, como tal, seria melhor simplesmente aceitar os símbolos dados para cada exercício sem tentar criar uma ‘grande síntese’ que vai parecer ótima, mas que será incômoda ou inútil para propósitos práticos.
Examinando a subida da energia de um ponto de vista mais ocidental, é possível visualizar os centros psíquicos não como órgãos singulares e específicos, mas em vários casos como um conjunto de órgãos atuando de forma harmônica. Os estudantes de práticas esotéricas orientais reconhecerão que o sistema da Nova Era de sete chakras ordenados com esmero numa escala cromática ascendente, não é facilmente encontrado na yoga ou no tantra.
Em vez disto, o que é encontrado, é justamente a mesma contradição e confusão existente na síntese moderna dos sistemas esotéricos ocidentais. O uso de um sistema de cinco, seis ou sete centros psíquicos depende do sistema que está sendo praticado. A adição ou subtração de um centro particular só tem importância em relação aos detalhes daquela prática particular e de seus objetivos. Portanto, quando examinamos os centros psíquicos como realidades objetivas, entramos num mundo perigoso. Em vez disto, precisamos olhar os centros em termos de função e relacionamento mútuo. Se num exercício notamos que as atividades de um centro não são limitadas aos pés, tórax, órgãos sexuais, ou cabeça, então nós realmente entramos numa compreensão mais profunda daqueles locais de energia. Se descobrirmos que outros órgãos estão sendo estimulados também, então vamos perceber que começamos a passar de um relacionamento estritamente simbólico e mental com os centros psíquicos para um relacionamento pessoal e experimental. Essa transição para a experiência pessoal é o verdadeiro significado de desenvolvimento, e não simplesmente os pacotes arrumados e confortáveis de fatos e informações ocultas oferecidos em intermináveis tabelas de correspondências.
Numa publicação recente da Golden Dawn [11] apresenta-se um grupo de correspondências para quatro dos principais centros psíquicos usando atribuições kerubicas. O centro raiz foi atribuído ao Bezerro das Revelações; o centro sexual ao Anjo; o Plexo Solar ao Leão; e a Águia ao coração. Nenhuma correspondência foi dada para os outros centros. Usando este exemplo como uma base para discussão e experimentações, gostaria de sugerir em vez dela a seguinte lista como uma alternativa mais eficiente.
1º Touro ou Saturno [12] ou Lua [13] com Fogo no Coração.

2º Águia ou Júpiter ou Mercúrio com Água no fígado.

3º Leão ou Marte ou Vênus com Terra nos pulmões.

4º Anjo ou Vênus ou Sol com Ar na bexiga.

5º Espírito ou Mercúrio ou Marte.

6º Lua ou Júpiter.

7º Sol ou Saturno.
Isto sugere que a ordem dos planetas nas esferas é muito relativa aos estados de consciência do estudante, e que as correspondências no momento de nossa descida à consciência material pode ser diferente da ordem durante nossa re-ascensão à Eternidade.
Se levarmos em consideração o que os alquimistas dizem a respeito de Saturno, que ele é o começo e o fim do Trabalho, então este rearranjo dos centros pode ser verdadeiro.
Num artigo intitulado, “Do Novo Testamento Restaurado” [14], a idéia básica dos quatro centros (genitália, umbigo, coração e cabeça) é usada com títulos obtidos do Livro do Apocalipse de St. João.
Genitália 1º e 2º centros – O Falso Vidente

Umbigo 3º centro – O Dragão Vermelho

Coração 4º centro – A Besta

Cabeça 5º, 6º e 7º centros – A Cruz, O Cordeiro, O Espiritualmente Sábio, e Iluminação do Conquistador.


Num gráfico anexo, a ordem dos planetas é dada com Saturno na base, Lua na Coroa, da forma cabalista direta, com uma escala de cores com pequenas diferenças da usual: amarelo e pedaços de branco (Saturno), azul claro (Júpiter), vermelho (Marte), verde (Sol), azul escuro/índigo (Vênus), laranja-amarelo (Mercúrio), violeta, opalescente prateado (Lua). Cada centro também está associado com um signo do zodíaco, um selo no grande pergaminho, e um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Os outros cinco signos do zodíaco são atribuídos aos Elementos e ao Espírito.
O problema apresentado pelo Livro do Apocalipse, é que se ele representa um padrão de iniciações interiores progressivas ligadas à experiência última do Fogo Secreto, ele está escrito numa forma altamente simbólica. Muitas das chaves para estes símbolos podem ter uma origem muito local e num período específico, demandando considerável pesquisa voltada ao 1º século da era gnóstica, relacionada com as práticas cristãs, grego-romanas e da Merkavah.
Não queremos dizer com isto que este problema seja insolúvel, mas que em sua solução devemos pesar custos e benefícios. Foi para ajudar aqueles que julgam que isto é possível, que as chaves acima foram apresentadas. Para este ensaio, porém, o problema apresenta mais perguntas do que chifres na cabeça da “Besta”, para as quais não temos respostas imediatas. As respostas podem estar em algumas das escolas mais antigas e menos acessíveis da cabala cristã encontradas na ortodoxia oriental, mais do que nos cabalistas cristãos de Roma, porque eles estão mais focalizados no Evangelho de João, e não perderam completamente sua tendência mística, nem o uso de símbolos para a Iluminação.


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