O interrogatório



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Casa de Laura Alvim será palco de vigília cênica com “O Interrogatório” de Peter Weiss

14/09/2009 - 16h16

A casa de Cultura Laura Alvim, da Secretaria de Estado de Cultura, será palco de um grande julgamento, nos dias 25 e 26 de setembro, com a encenação do espetáculo O Interrogatório, do dramaturgo Peter Weiss. A montagem, uma vigília cênica com 24 horas de duração, começa com o toque do shofar no anoitecer de sexta-feira e segue, em moto contínuo, até soar o toque do shofar no anoitecer de sábado. Um Shabat pelas vítimas da humanidade. Uma noite de resistência, de amor ao teatro, à arte, à ética, à vida. Tudo isso abrigado em uma Casa de Cultura, sob o olhar atento da Laura Alvim. Durante as 24 horas o público pode entrar, assistir, sair, e voltar quando quiser. A entrada é franca.

O texto de Peter Weiss conta a história do processo instaurado na cidade de Frankfurt, na Alemanha, para julgar os culpados pelo massacre de Auschwitz. Foi escrito em 1965, após o autor ter acompanhado, como observador anônimo, todo o julgamento dos criminosos de guerra. No mesmo ano, O Interrogatório estreou concomitantemente nas duas Alemanhas e, logo em seguida, em diversos outros países.

Nesta montagem os 40 atores vão relatar o julgamento, interpretando os papéis de acusados, testemunhas, juiz, promotor e advogado. Em cena, testemunhas e acusados são interrogados em um tribunal e relatam suas experiências como sobreviventes ou trabalhadores civis nos campos de Auschwitz. Segundo o diretor e criador do evento Eduardo Wotzik, Peter Weiss nos oferece a oportunidade de entrar em contato com uma das maiores demonstrações de como a ignorância pode levar à bestialidade.

- Seria belo, se não fosse verdade. Quisera estivéssemos fazendo uma ficção. Assim como a escravidão, o holocausto é uma mancha na história do Homem, diz Eduardo.



O AUTOR

Peter Ulrich Weiss foi pintor, escritor e dramaturgo. Nasceu em Neubabelsberg, na Alemanha, em 8 de Novembro de 1916. Filho de um pequeno industrial judeu e de uma atriz cristã, iniciou sua carreira literária em 1960, com o romance “A sombra do Corpo do cocheiro” (Der Schaltten des Körpers des Kutschers). Dentre as 11 peças que escreveu, destacam-se "Marat/Sade", e “O interrogatório, Oratório em 11 cantos”. Como um seguidor intelectual de Bertold Brecht, Weiss buscou em seus trabalhos mostrar os diversos lados de um ideal e dos personagens. Procurou narrar os fatos tal como eles ocorreram. Daí, a necessidade da presença do autor nos locais onde os eventos ocorreram e da maior ligação íntima possível com os atores reais da história.

Além da fama internacional, o reconhecimento à obra de Peter Weiss veio, também, através de prêmios. Foram eles o Charles-Veillon Prize, em 1963; o Lessing Prize, em 1965; o Heinrich Mann Prize, em 1966; o Carl Albert Anderson Prize, em 1967; o Thomas Dehler Prize, em 1978; o Cologne Literature Prize, em 1981; e o Büchner Prize, o Bremen Literature Prize, o De Nios Prize e o Swedish Theatre Critics Prize, todos em 1982. Morreu em Estocolmo, em maio de 1982.

O Diretor

Eduardo Wotzik nasceu no Rio de Janeiro em 1959. Fez sua carreira como integrante de um dos grupos mais importantes do teatro brasileiro, o Grupo TAPA, onde durante dez anos (1979-1989) atuou como ator, produtor, coordenador e depois diretor. Em 1982, criou o PROJETO ESCOLA, depois o Festival de Teatro Brasileiro - projeto de pesquisa e montagens de autores nacionais, que durante cinco anos traçou a trajetória do teatro brasileiro de Martins Pena a Nelson Rodrigues. O Projeto ganhou o Premio de Maior Contribuição Para o Teatro Brasileiro do Ano.

Ainda no TAPA, realizou sua primeira experiência como diretor no bem sucedido O Homem que Sabia Javanês. Logo em seguida, dirige o aclamado A Geração Trianon, espetáculo de enorme sucesso junto a público e crítica, tendo sido indicado para mais de vinte prêmios.

Em 1990, criou o Centro de Investigação Teatral, núcleo de atividades artísticas sediado na Casa de Cultura Laura Alvim, onde produziu espetáculos e manteve oficinas de pesquisa e formação de atores, buscando uma identidade artística e o constante aprofundamento das investigações de técnicas teatrais.

Um dos mais destacados encenadores de sua geração, dirigiu os extraordinários espetáculos Tróia, Bonitinha, mas ordinária, Yerma, Sonata Kreutzer, Escola de Mulheres, entre outros, recebendo por esses inúmeros prêmios e excelente acolhimento por parte da crítica e do público.

Em 1999, com um elenco formado por Ítala Nandi, Camilla Amado, Luís de Lima, Tônia Carrero, Walmor Chagas e Clarice Niskier, encena "Um Equilíbrio Delicado", imprimindo uma essencialidade cênica ao espetáculo de Edward Albee, trabalhando sobre o equilíbrio das diversidades dos atores para criar a tensão emocional do texto.

Com Aracy de Almeida ou No país de Araca, 2001, Eduardo Wotzik, estreou como autor no Centro Cultural Banco do Brasil e em 2002 escreveu seu segundo texto, “Um Ensaio Aberto”, notabilizando-se por uma constante preocupação com a investigação, originalidade e consistência.

Em 2004, criou o Centro de Investigação Teatral - Movimento e realiza os balés Missa Para Clarice, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro e Éticas com roteiro em parceria com Marcos Caruso estreado no Centro Cultural Banco do Brasil.



Tendo trabalhado atores e autores da mais alta respeitabilidade, Em 2006, estreou Millôr Impossível reunindo pérolas do humorista Millôr Fernandes num “tributo ao riso inteligente” e, em 2008, o premiado diretor Eduardo Wotzik, inicia junto ao ator Gustavo Gasparani o projeto Investigando Édipo que resulta numa bem sucedida leitura dramatizada do texto que tem no elenco Renata Sorrah, Amir Hadad, Pedro Paulo Rangel, Nelson Xavier, entre outros, seu próximo espetáculo.


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