O livro do deus vivo



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O LIVRO DO DEUS VIVO

Há mais de vinte anos apareceu a primeira edição do "LIVRO DO DEUS VIVO", já há muito tempo esgotado.


A presente edição traz para os leitores da língua francesa um texto cuidadosamente revisado, uma nova apresentação e mais um capítulo, inexistente na edição de 1929, inclusive algumas passagens que foram anexas a este proêmio.
"O LIVRO DO DEUS VIVO" como, aliás, todos os escritos do BÔ YIN RA não é obra literária, nenhum tratado filosófico, nem compêndio religioso. É um testemunho impressionante, desenvolvido em obras posteriores, de uma doutrina da Realidade intrínseca, objetiva e integral em sua essência e um dinamismo categórico, cuja origem remonta à aurora dos tempos e que visa reconduzir os Homens, através da vida insípida de cada dia, à Luz Primordial de que outrora se apartaram.
Entre os numerosos trabalhos já publicados sobre a obra do BÔ YIN RA, há um* cuja introdução contém, a nosso ver, indicações que todo leitor deve ter em mente se quiser que a obra do Mestre exerça sobre sua evolução espiritual toda a influência fe- cunda de que é capaz. A seguir, reproduzimos alguns trechos:
“Se quiser obter da leitura deste livro todo o proveito que encerra, ter-se-á que lê-lo sem idéias preconcebidas; importa aplicar-se a essa leitura um dos preceitos mais rigorosos de Francisco de Assis, quando recomendava aos Irmãos da sua Ordem, que lessem o Antigo e o Novo Testamento sem preocupação da "beleza", porque esses escritos transcendem toda beleza e toda a fealdade..."
“ Ler BO Y I N RA com prevenção literária a nada conduz. .."
" Quando um verdadeiro Sábio, um verdadeiro Mestre se expressa, não é como habitualmente se lê poesia: belo conjunto de formas isoladas, criando sentimentos profundos, de harmoniosamente entrelaçadas idéias e imagens, com alternâncias de sons e flutuações de palavras; mas o que se produz é de muito maior importância e mais decisivo; pois a relação e interpenetração de palavras provocam a ressonância interior, cuja forma espiritualmente vibrátil ultrapassa todo o conteúdo de obras literárias comuns. E essa forma de cadência peculiar, estando em relação íntima com as palavras que a compõem, cada uma delas deve ser sentida no intimo da pessoa".
" Dizem que a verdadeira poesia, antes de tudo, deve fascinar à maneira de um encanto. Ora, não se pode infelizmente deixar de constatar quão raros são os casos, onde a literatura tem conseguido este clímax de fascinação. Assim e antes de mais nada, deve- se exigir de toda Enunciação, quando tem caráter de Vidência e é ligada ao Centro Esotérico dos Mundos e deles oriunda, que apareça em todo seu potencial de força de encantamento e, principalmente, que seja impregnada da magia fonética da palavra. O poeta, pois, mesmo quando tem intuição daquilo, o Vidente o sabe pela experiência. Julgo, assim, necessário concitar o leitor a que preste maior cuidado a sentir as palavras antes de lhes sondar o significado. Então poderá assimilar as forças, por assim fizer, litúrgicas das palavras do Bô Yin Ra. E essas forças isoladas criarão, gradativamente, no leitor a sensação insuspeita do conjunto: como ao escutar correr as águas cuja torrente impetuosa ressoa em jaculatórias jâmbicas. .."
“Os escritos de Bô Yin Ra devem ser classificados dentro da categoria das exceções em que habitualmente se classificam os livros ditos sagrados. Estão no mesmo nível que, por exemplo, o Taoteking, a Bhagavat-Gita, o Upanichade, a Dammapada, o Livro dos Mortos, os Pentateucos, os Evangelhos, o Corão etc. Contudo, eles têm uma vantagem sobre aqueles, por não terem ainda sofrido nenhuma alteração histórica em transposições, omissões, adjunções e traduções, conservando assim sua forma genuína, sem exercer uma influência dissolvente. Pois esses escritos, impossíveis dizeres de outra forma são a única expressão autêntica que se tem o deleite de chamar Revelação, hoje humanamente possível... "
"Sem embargo existe grande quantidade de livros chamados “proféticos" que, reivindicando este caráter, procuram, a maioria deles, parecer científicos, aberta ou sub-repticiamente. Sem querer tomar qualquer posição a respeito de semelhante literatura, contudo, é evidente que, s6 a tendência de pertencer à ciência, suficiente- mente indica a via em que circulam estes escritos. Não é minha intenção atacar a ciência que, aliás, se sente bastante incômoda, com toda razão, dessa vizinhança pretensiosa, imprópria à sua reserva; contudo, a qualidade excepcional do que é oriundo da Revelação, ai é desconhecido “a priori". Não há um documento ~ Verdadeira Sabedoria Divina, que não seja definitivamente afastado de tudo que for apenas tentativa de conhecimento, investigação, especulação ou filosofia..."
“... A "Doutrina" que Bô Yin Ra nos traz, como antes dele trouxeram Lao Tseu ou Jesus, é tão profunda e tão visceralmente inefável, que para cada criatura vem revelando algo inédito, de diferentes modos sentida. E se a língua dos homens está aqui utilizada, como o foi em todos os tempos por Grandes Iniciadores, não pode senão limitar, contornar, deixando, todavia, pressentir que se trata de algo vital e que deve ser pessoalmente experimentado. É como rebordo que circunda uma cratera, um abismo, um vácuo, mas dentro dela está a essência, a força do vulcão, o imaterial. .."
"Nestes escritos achar-se-á o que importa ser achado. Não se encontrará o que eternamente convém não saber...”
Completando essas citações, de nossa parte não podemos fazer melhor do que transmitir as palavras do Mestre:
"O tu, que anseias e neste livro queres encontrar, Luz e sabedoria, saibas, que ninguém as atingiu pela leitura e raciocínio! "
"O ensinamento que te trago é Vida, Caminho e Verdade, mas não o pode guardar em ti se não deixares que se tornem entro de ti Vida, Caminho e Verdade ! ”
'BREVIARIO" de Bô Yin Ra, compilado por Rudolf Schott. Compilação de aforismos essenciais extraídos das obras do Mestre, formando um conjunto de conceitos fundamentais: Espírito, Alma, Corpo, Eu, Eu e Tu, a Obra e o Mundo, o Alvo. Edições Richard Himmel, Leipzig, 1928.

INTRODUÇÃO


Não leia este livro quem for piedoso e crente!
Não o leia quem nunca duvidou de Deus!
Este livro foi escrito para aqueles que, em duros combates íntimos, procuram conquistar seu Deus e não O encontram...
Foi escrito para todos que se debatem nos espinhos da dúvida...
A estes, sim, servirá de auxílio.
Indicar-lhes-á o caminho.
É a Sabedoria da aurora dos Tempos que proclamo.
Sabedoria que, às vezes, foi percebida por alguns, mas sempre guardada secreta.
Em tempos idos, em raros intervalos, foi permitido falar a respeito, à surdina e por símbolos velados.
Chegou a hora de falar mais clara e abertamente, porque os não autorizados espalharam, e ainda espalham, pelo mundo, imagens desfiguradas desta Sabedoria.
O "Íntimo Oriente" decidiu, a partir de agora, abrir aos Homens do Ocidente o cofre secreto, há tanto tempo zelosamente guardado de olhares profanos.
Aquele que agora o está abrindo recebeu o poder de fazê-lo. Por isso, de início, mostrar-se-á apenas de longe aquilo que será compreendido por quem lhe for digno.
Dir-vos-ei o que é possível dizer a respeito dos segredos do Templo.
Mas, se quiserdes sondar as profundezas, devereis estar dispostos a senti-los no mais íntimo de vós mesmos.
Pois os segredos não são revelados a não ser àqueles que envidam todos seus esforços e deles se apossam em luta sem tréguas.
Pela simples leitura" das minhas palavras pouco tereis lucrado...
O que aqui aparece como palavra, haverá de encontrar coração acolhedor, coração que dela saberá impregnar-se e a guardará; de outra forma não passará de palavra vã.
Ninguém poderá estabelecer critério exato sobre o valor positivo ou negativo do que lê, sem passar por uma prova prévia, que dele se exige imperiosamente, se é que quer penetrar no Templo.
Somente os de dentro poderão julgar com acerto. Mostrar-vos-ei o exterior daquilo que, um dia, se revelará no íntimo de quem tiver passado a prova.
Mas, para que isso se revele, requer-se grande vontade, constante e ininterrupta, e, quem souber constrangê-la, verá que minhas palavras se confirmarão.
Achará o caminho que o levará a seu Deus Vivo.
Em si mesmo encontrará o Reino do Espírito e Suas Altas Potências.
Seu Deus nele nascerá".
Não tem interesse em fornecer provas".
Se minhas palavras são anunciadoras da Verdade, cabe a vós averiguá-lo!
É em vós mesmos que reside o juiz silencioso, e só ele pode sancionar o que minha palavra suscita em vós...
Minhas palavras não às podeis compreender, pois não palmilhastes o caminho que eu, outrora, penosamente, percorri!
Aliás, aqui não há provas de valor universal".
Cada um deve encontrar em si e para si a prova concludente!
Ademais, não é uma “ciência" que vos dou, nem uma “fé" que vos prego.
Apenas exponho o que é possível mostrar a respeito da Sabedoria do “Íntimo Oriente" e do grande Segredo do Templo da Eternidade.
Oxalá minhas palavras consigam despertar-vos, finalmente,
pois ainda não sabeis quem sois!
Abençoados e fortes sejam todos os que de boa vontade sabem querer decididamente!

A MORADA DO DEUS ENTRE OS HOMENS


Da alvorada dos tempos veio do Sol Levante um discreto enunciado aludir aos Homens do Ocidente, em devotas imagens conforme a fé cristã, a respeito da prodigiosa Comunidade espiritual dos Iniciados em ação; mas os Homens do Ocidente não souberam como interpretar.
Um véu de lenda urdiu-se em torno do “Santo Graal" e sua augusta "Cavalaria". . .
O saber, cheio de esperança, soçobrou em mitos nebulosos passou para o plano secundário da fábula e da poesia devota.
Entretanto, em nossos dias sucedeu que os mistagogos venturosos espalhassem, em seus relatos, fantasticamente embelezados, terem os Iniciados aos Mistérios vividos em alguma parte longínquos do Oriente, ocultos dos olhares profanos. Mas, em verdade, esses boatos demonstravam também, apesar dos seus propagadores, que, embora ouvissem falar a respeito desses Seres ocultos, nunca viram nenhum deles; sem isso poder-se-ia supor que qualquer faquir exibindo suas bruxarias ou algum santo homem, casualmente encontrado, fosse mesmo os membros desse cenáculo espiritual. . .
Contudo, por subsistir, no subconsciente de muitas almas, o último vestígio da intuição do vínculo espiritual de possível ligação com o Santuário impregnado do Espírito divino e situado em algum recanto da Terra, embora invisível, logo surgiram crentes benévolos que esperavam restabelecer esse vínculo.
Pobres deles! Procuraram por caminhos falsos e, ainda hoje, continuam a errar pelos mesmos caminhos, procurando sempre em vão.
Com os fragmentos de saber, apanhados ao longo do caminho, fizeram a mais estranha e quimérica compilação, que denominaram "a ciência do Espírito"; mal sabiam que se tornavam vítimas da própria ilusão, imaginando que o verdadeiro saber pudesse ser adquirido à guisa de ciência intelectiva.
Levam uma vida afim à dos ascetas, pretendendo "espiritualizar-se"; chafurdam nos pântanos tenebrosos e pestíferos de um misticismo doentio oriundo da atmosfera febril das selvas tropicais do Oriente; morbidamente procuram em volta um traço dos preceitos antigos ou modernos que lhes permita se apossarem de "forças ocultas".
Como se enganam, ao pensarem achegar-se dessa maneira aos Céus que, em troca de todos os seus afãs, só podem apiedar-se e sorrir com indulgência.
Nenhum consegue galgar as escarpas rochosas que levam aos cumes ensolarados da "Grande Montanha" e, todos eles, ao caminharem pelas largas estradas poeirentas, se apressam em peregrinações profanas de longa data, no fundo dos vales sufocantes. . .
Alguns julgavam já estar no caminho aos Dirigentes sobejamente iluminados do Reino da alma e, ei-los batendo as matas, na esperança de aí descobrir "um santo". . .
Outros, não acreditam que as doutrinas religiosas dos povos do Oriente sejam idênticas à sabedoria desses Condutores silenciosos e ocultos.
Com razão eles observam:
"Ora, em nossa terra, em tempos idos, também houve Profetas e Sábios; também temos nossos livros sacros que nos vieram de remota antiguidade! “
"0 Divino é em toda parte igual!"
"Por que devemos, nós, filhos do Ocidente, buscar nossa salvação no lon-
ginquo Oriente!"
E eles têm razão. Pois, se se tratasse somente de algo que as almas devotas pudessem em qualquer lugar aprender a sentir, se houvesse apenas questão de doutrinas antigas que ainda contribuem para determinar concepções religiosas no Oriente, então, todo pesquisador acharia seu consolo em si mesmo e em sábios ensinamentos que lhe haviam legado os Videntes e Arautos de sua raça.
Mas, há pouca relação entre a ação dos Guias silenciosos da alma e as doutrinas dos povos orientais, e os Auxiliares espirituais ocultos levam-nos muito além desses céus que, em todas as épocas, têm sido forjados por alguns, como expressão de suas aspirações religiosas
Os Guardiães da herança primitiva da Humanidade são os protetores mais poderosos de toda espiritual idade no Homem, para quem, além de serem amigos sinceros e compreensivos, são os conselheiros mais esclarecidos.
Desde os primórdios eles enviam "Irmãos" para todos os recantos do mundo, a fim de estabelecer focos espirituais de irradiação onde quer que julguem necessários.
Através de todos os tempos, do seio de todos os povos, escolhem eles “Filhos" e "Irmãos" espirituais, conforme a lei do Espírito lhes manda eleger.
Ora, para todos esses eleitos foi estabelecida uma morada na Ásia Central, morada que se lhes tornou pátria espiritual, da qual ninguém, se quisesse aí penetrar sem ser convidado, poderia descobrir o acesso.
Alguns deles, que, desde a aurora dos tempos, lá vivem congregados, nunca aparecem no mundo exterior agitado.
Para esse fim enviam os "Filhos" e "Irmãos" espirituais, que a lei do Espírito designa como "atuantes".
Eles mesmos permanecem simplesmente fiéis guardiões do tesouro espiritual que, outrora, antes da queda no mundo da matéria, o Homem terrestre possuia.
Eles criam a energia por meio da qual os Atuantes agem em prol da Humanidade terrestre.
É insensato e o cúmulo da tolice enquadrar esses Dirigentes espirituais aos
“ Budistas" ou “brâ manes", "Lamas", "Panditas" ou "faquires"!?!
Mas também não se deve supor que se trata de alguma espécie de "cientistas" de qualquer pretensa "ciência" oculta, com os quais teríamos de nos defrontar!
Tudo que se pudesse imaginar a respeito e lhes atribuir um desses nomes seria um erro funesto!
Os Irradiantes da luz Inicial * são, antes de tudo, "criadores",
Os "Primogênitos" ou "Pais" nunca tiveram "sede de saber" e, por isso, não adquiriram conhecimento. . .
Quanto aos "Filhos" e "Irmãos" em Espírito, há muito desaprenderam ter qualquer "vontade" de saber. ..
Nenhum deles cogita converter o mundo às doutrinas da filosofia oriental.
Para eles é indiferente se "crês" na Bíblia ou no Corão, se tens "fé" nos Vedas ou nas doutrinas de Buda.
Mas, no seio de todas essas crenças, desde milênios, encontram Homens dos quais lhes tem sido possível aproximar-se como Auxiliares e Guias espirituais, mesmo quando os protegidos e guiados, às vezes, não sintam a transformação consciente, a qual seria indispensável, dos acontecimentos neles sucedidos. . .
Não é intuito dos Irradiantes da Luz Primordial apresentar doutrinas religiosas, mas, sim, construir "pontes", a fim de ligar o Homem desta Terra, prisioneiro do corpo da Besta, ao Reino substancial do Espírito.
São alheios a todas as doutrinas que tendem a estimular o Homem ao êxtase, que depois de ter perdido todo o controle dos sentidos, poderá então ufanar-se de haver adquirido o poder de rebaixar o Divino até ele!?
Deveras sabem que pelo pensamento jamais se terá o conhecimento daquilo que é a condição primordial de todo pensamento e o que vive além do pensamento.
Sorriem apenas quando ouvem falar a respeito dos que se consideram deuses disfarçados.
Todavia, estarão sempre, em forma invisível, ao lado de cada um que, no imo do coração, anseia por receber seu Deus.
São verdadeiros Grandes Sacerdotes, que oferecem o cálice da Graça a todo peregrino que, nas profundezas fervescentes do seu ser, aspira a que Deus nele esteja.
Agora talvez comeces a perceber que se trata de outra coisa, e não do que falam esses estranhos e pretensos sábios da "ciência oculta", de cujas doutrinas, de um misticismo duvidoso, recolhidas de todos os povos, prepararam um excitante saboroso, batizando de "sabedoria divina".
Por semelhante "sabedoria divina" dos pobres iludidos e desvirtuados voluntariamente, por todos os "exercícios", meditações e jejuns, por toda a pureza dos atos e pensamentos, por todo o conhecimento das coisas que não é preciso saber não te aproximarás, nem que seja pela finura de um cabelo, desse alvo do qual o sentimento íntimo te dá a intuição de ser o alvo supremo de todas as tuas aspirações!
Pode ser que enlouqueças; talvez te consideres um "santo" e os outros também, mas, dessa forma, nunca chegarás a teu Deus!
Se queres encontrar, apenas, o que sempre e sem a ajuda espiritual podes achar no teu íntimo, neste caso não é preciso que dirijas teus olhares ao "Supremo Oriente"!
Estes que de lá te conduzem, mesmo que vivam contigo, no teu país, sob teu próprio teto, têm outra coisa para te dar!
Criarão algo em ti que tu não podes criar. . .
Algo que se arraigará em ti e do qual serás o alimento. . .
Algo que não tens ainda e nunca poderás tirar de ti próprio. . .
E nem os Irradiantes da Luz Inicial tampouco de si mesmos o extraem.
Apenas restituem o que outrora era tua propriedade, antes da impulsão para o mundo da matéria em que foste compelido a perdê-lo.
Os "Primogênitos" dos "Irmãos" nunca o perderam, porque nunca participaram da queda profunda do Homem à Besta humana da Terra.
Eles não conhecem a morte e, desde milênios, continuam vivendo na Terra sob uma forma indestrutível, oriunda das forças da substância mais pura do Espírito.
Jamais, como tu e eu, foram unidos a um corpo semelhante ao do animal.
Contudo, entre os Homens outrora decaídos que deviam, no tempo assinalado, unir-se à besta, na Terra, os "Primogênitos" formaram, no plano espiritual, os "Irmãos" que, ao nascerem no mundo da matéria, agissem no que não pode ser feito senão quando se vive em corpo animal. . .
De modo que, ainda em nossos dias, eles "preparam" os "Ir mãos" para os tempos vindouros.
Ora, desde os primórdios, as primeiras bestas humanas tornaram-se veículos do Homem-Espírito. O lugar de ação dos "Primogênitos" é lá onde se erguem as mais altas montanhas da Terra. Esse lugar, contudo, é inacessível a quem não seja espiritualmente conduzido por eles até eles.
Esta é a verdade sobre a "Morada do Deus entre os Homens" na Terra.
De lá, o Reino do Espírito penetra, pela força da substância mais pura, o mundo da matéria em contínuo movimento de transformação.
É de lá que partem as radiações da substância espiritual, erigidas a todas as criaturas viventes na Terra.
Ora, vejo, contudo, tamanha massa de homens baldadamente à procura do
Espírito, buscando-o por vias ilusórias e falsas.
Não posso senão exortar a todos a darem _uma reviravolta enquanto é tempo, porque a Luz atuante do "Intimo Oriente" dificilmente os fecundará, se seus olhares ainda estiverem deslumbrados por luzeiros diversos de todos os tempos tochas e archotes os quais o Homem, caído na animalidade, criou para iluminar seu caminho.
Em verdade, só quem, não obstante o fulgor cintilante da Terra souber fixar seu olhar no "Oriente", encontrará nas alturas augustas a Viva Luz!
E quando a tiver achado, vê-la-á brilhar pelo caminho até ter atingido seu alvo, até ter conquistado seu alvo supremo!
."PROTOFOTOFORES", quer dizer, Portadores da "PROTOLUZ" ou "AROUI LUZ" no sentido da Luz Arquetípica, eterna-inicial, perpetuamente Original e Primordial - a "LUZ PERPETUA" da liturgia católica.

A LOJA BRANCA


Por ser um hábito geral chamar de “Loja Branca" o Cenáculo de Auxiliares espirituais, vamos também manter esse nome, se bem que, embora eles não façam objeção, assim não se dominam.
Seu total isolamento do mundo exterior talvez justificasse a idéia de “Loja", vulgarizada pela maçonaria livre, cujo caráter parecia corresponder às normas dessa Comunidade puramente espiritual.
Trata-se da mais singular união existente neste planeta e, não se acha entre os Homens nenhuma forma similar de comparação, qual seja sua natureza, oferecendo, mesmo em sentido figurado, a possibilidade de qualquer associação.
No mundo exterior, os membros dessa União não se aproximam corporalmente, a não ser em casos extremamente raros e da maior importância, e quase nunca se correspondem verbalmente.
No entanto, seu contato espiritual é constante, ininterrupta é sua troca de idéias e absoluta sua comunhão de almas.
Esta União não possui leis exteriores.
Cada um dos membros é igual aos outros; não obstante: cada um conhece o lugar que lhe cabe, determinado pela natureza espiritual, próprio a cada individualidade.
Todos, entretanto, se subordinam voluntariamente a um “Chefe Supremo" em Espírito.
Esse “Chefe" não é eleito nem nomeado; contudo, jamais um membro da União poderia ter dúvidas quanto a esse “Chefe" e quem seja.
A "admissão" a esta Comunidade não é obtida nem de pleno direito nem adquirida por astúcia ou constrangimento.
As leis espirituais ocultas e certas disposições específicas que, na natureza humana produzem essas mesmas leis determinam a aptidão de todo Homem para eventual "admissão" e, uma vez admitido nenhum poder humano poderá levantar obstáculos a essa "admissão” .
Os admitidos, no entanto, não são ligados por nenhum voto, nenhum compromisso. . .
Eles mesmos são Norma e lei!
Nenhum sinal particular, nenhuma singularidade no seu modo de viver, deixa transparecer, entre as pessoas comuns, os membros dessa Comunidade espiritual.
Contudo, bem que sejam entre si estranhos, se reconhecem, e isso sem a ajuda dos "sinais", das "palavras de passe" ou "toques", caso lhes seja necessário se conhecerem também na vida exterior.
Em razão da sua natureza mesma, esta União, como tal, deve permanecer oculta, embora não impeça que muita gente e às vezes povos inteiros, estejam sob sua influência espiritual.
Nenhum caminho que leva às altas metas supramateriais foi palmilhado sem que um dos membros dessa União ou a União em seu conjunto tenha assumido direção invisível.
Na maioria dos casos, aqueles que estão espiritualmente guiados não sabem, nem sequer supõem, da influência invisível, à qual devem tudo o que possuem de melhor.
Todavia, quando surge algum indício de certo despertar, a ascendência dessa ajuda espiritual então se torna assaz perceptível, mas, por falta de conhecimento ou por superstições, ela é quase sempre atribuída às forças sobrenaturais.
A imaginação poética de todos os povos e em todos os tempos, deve, sem dúvida, a tal erro de interpretação, grande número desses casos.
A superstição sempre foi amiga dos poetas, pois a Verdade desnuda, sendo por demais ríspida e simples, dá margem à fantasia poética, deixando-se drapear em suntuoso ouropel.
A interpretação errônea da intuição que se tem tido a respeito de auxílio espiritual, vindo do Cenáculo silencioso dos "Irmãos Primogênitos" à Terra, também tem contribuído grandemente para o enriquecimento de lendas religiosas.
Entretanto, de tempos em tempos, os isolados tiveram a consciência da existência e da ação dessa Comunidade que, embora invisível, está ligada aos Homens terrenos. Contudo, outros vieram em seguida e sob toda a espécie de suspeitas soterraram os traços já descobertos. Tanto assim, que só um murmúrio da lenda ainda ficou aqui ou acolá, para testemunhar o maior conhecimento que, nos tempos idos, se teve, com absoluta certeza, e a respeito do qual alguns Homens devem ter recebido revelações muito significativas. . ,


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