O lobo deve ter um companheiro para sobreviver



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Série Draicon: 01 - A EMPÁTICA

Bonnie Vanak

Tradução: Safire

Revisão Inicial: Safire

Revisão Final: Graco

Formatação: Graco



Informação da série:



Toda a série em revisão com o grupo Pégasus Lançamentos



O LOBO DEVE TER UM COMPANHEIRO PARA SOBREVIVER...

Nicolas era o mais forte e feroz dos Draicon, até que foi banido por cometer um crime. Agora o licantropo só tem um caminho para a redenção: encontrar a longamente perdida companheira, a mulher que salvará, incluindo Nicolas, do terrível perigo.

Maggie Sinclair é uma veterinária dedicada a curar. Ela não tem nem idéia de sua verdadeira natureza, a magia que espera em sua alma...ou o homem que vem a reclamá-la. A sobrevivência de sua união depende de que eles se encontrem um ao outro, de que suas habilidades se convertam em uma. Mas os inimigos também encontraram Maggie, e a matarão para evitar que ela desperte uma paixão totalmente absorvente...

CAPÍTULO 1

A morte, com presas e largas garras o espreitou.

O inimigo o caçou. Nicolas, o guerreiro poderoso. O melhor lutador da manada. O condenado ao ostracismo. Nicolas Keenan levantou o focinho, cheirou o vento. Captou a essência de seu líder marcando um carvalho próximo. Sua forma de lobo ficou rígida com o desejo. Manada. Lar.

Família.


Mas ele já não tinha uma família. Inclusive embora seguisse patrulhando silenciosamente seu território, protegendo a sua gente e embora sua lealdade nunca morrera, tinha sido banido da manada.

Era um Draicon, licantropos que uma vez usaram sua magia para aprender da terra e suas maravilhas. Agora, caçado pelos mais poderosos Morphs, os quais, usavam seus poderes em um intento desesperado por sobreviver. Morphs. A simples palavra arrepiava o cabelo. Tinham sido Draicon igual a ele. Draicon que tinha abraçado o mal de boa vontade, entrando nas filas dos Morphs ao assassinar a um dos seus. Nicolas tinha passado quase toda sua vida destruindo Morphs. Quando alguém de sua manada se convertia, tinha sido obrigado a matá-los também.

Sempre seria Draicon, prometeu Nicolas silenciosamente, recordando o diminuto sinal sobre seu pescoço. Nunca se renderia ao poder de atração dos Morphs.

Sentiu uma gelada brisa que se movia, crepitando as folhas e esfriando o ar. Nesta parte do norte do novo México, as árvores estavam repletas de vivas cores. Trinta minutos antes, depois de que tivesse abandonado seu rancho para dar um passeio pelos bosques, havia sentido o perigo. O familiar instinto guerreiro emergiu. Tinha trocado para atrair o inimigo afastando-o das casas e lares da manada.

Novos aromas encheram as ventas de seu nariz. Este, decididamente, cheirava a demônio ainda.

Nicolas captou um débil fedor de algas podres mesclada com águas residuais. Inimigo.

Perigo.

Ah, Maggie, no que te estou arrastando? E se eles também lhe encontram? Alargou-se, escorregando silenciosamente em seus pensamentos. Mitose. Células cancerígenas. Ela estava estudando uma amostra ao microscópio. Ele se retirou não querendo distrair sua concentração. Margaret Sinclair, é a Empática há muito tempo perdida da manada. A Draicon destinada a destruir à líder dos Morphs, ela era a última esperança da manada e a companheira destinada de Nicolas. Estava a salvo. Por agora.



Nos ramos de um curvado carvalho, um cervo marrom permanecia camuflado à vista. Um raio de luz da lua salpicava o moribundo carvalho e cobria ao cervo de prata. O odor de natureza morta penetrava no rocio da tarde. Na distância, uma cerva pisou através dos arbustos. Suas orelhas se inclinaram para diante.

Eles estavam se aproximando. Uma vez solitário, o inimigo tinha combinado seus números.

Nicolas não se atrevia a trocar. Não agora. Sua mudança deixava rastros elementares de magia, deixando apagados rastros de patas a seus inimigos.

Ainda quieto, inalou o ar. O aroma se fez mais débil. Um novo aroma encheu seus sentidos.

Aroma de corpo. Falsa essência a cervo. Cerveja antiga. Humanos. Ruidosas e desagradáveis vozes rasgaram através dos bosques.

—Ali! Vêem aquele lobo? Vão por ele!

Quão humanos o tinham descoberto antes ainda o perseguiam. Saíram para caçar algo essa noite. Algo como o lobo de Nicolas.

Agora não tinha escolha. Tinha que se arriscar. Nicolas trocou, os músculos se encheram, se estiraram, os ossos se alargaram. A pele se derreteu. A pelagem de lobo desapareceu, substituído por bronzeada pele humana.

O homem nu se encontrou com impaciente caçadores carregados com rifles. Nada bom.

Convocar a roupa mediante magia revelaria sua presença ao inimigo como a luz de um farol. Não tinha que ter usado seus poderes esta vez. Em troca, agachou-se junto ao tronco podre da árvore e procurou a roupa armazenada sob as raízes estendidas da folhagem. Damian tinha posto esconderijos parecidos por toda parte do território da manada para casos de urgência como esta. Vestiu-se, agarrou a garrafa de uísque, e salpicou com ela seu brilhante traje alaranjado.

Nicolas se afundou contra a árvore e esperou. Riu em silêncio, extraviando os olhos ante a garrafa âmbar cheia pela metade.

—Nunca bebo nenhum uísque de menos de doze anos, Damian, miserável.

Gritando vitoriosos, os caçadores atravessaram o bosque como torpes bois. Ele cheirou a crueldade que subia e baixava com cada excitado fôlego. Entraram no claro. A pálida luz da lua cheia impactou em seus equipamentos de camuflagem. Nicolas soluçou de forma audível. Levantou a garrafa em uma saudação bêbada.

—Aqui está meu disparo do dia que vale por uma gargalhada de 12 pontas!

A incredulidade passou por seus rostos. Os homens trocaram os rifles e entrecerraram o olhar.

—Saia daqui, —afirmou o mais desço em plano fanfarrão. —Pagamos muito dinheiro para caçar nesta terra.

Ignorando-os, Nicolas fingiu tomar uns goles.

O gordo soprou, trocou seu rifle. A barriga lhe sobressaía por cima a calça cáqui igualmente às suas queixadas.

—Escute senhor, está em uma zona privada. Saia antes de que nós o tiremos.

Estamos na pista de um lobo solitário.

Sorrindo abertamente ante eles, deixou cair o uísque e fez que partia. E então o aroma o atravessou igual a uma locomotiva.

Eles vinham diretamente em sua direção.

Estava totalmente imóvel. Lhe arrepiou o pêlo da parte posterior do pescoço. Dobrou os músculos e ficou de pé.

—Permissão, —grunhiu ele—Já vêm.

Mas os caçadores simplesmente o olhavam embevecidos.

—O que acontece com sua voz? —Perguntou um deles.

—Corre, —advertiu Nicolas. Muito tarde. Entraram na diminuta garganta, sem incomodar-se em cobrir seu número.

Deslizando-se, avançaram, disfarçados como seres humanos. O inimigo se parecia com jovens mulheres, mal-humoradas adolescentes, anciões e homens de negócios em traje. Mas por seu aroma, pareciam absolutamente normais. O aroma de algas podres e águas residuais o sacudiu.

Maldição. Era uma horda. Muitos para lutar sozinho. Sua mente pensou em uma estratégia. A surpresa era sua melhor defesa. A magia o entregaria de todas maneiras. Amaldiçoou silenciosamente, desejando ter suas adagas.

Se permanecesse misturado com os caçadores, possivelmente o inimigo não o veria.

Os caçadores humanos se voltaram, viu-os. Alguém se apartou a boina, arranhando-a frente.

—Que diabos é isto, uma festa?

Assinalou a um curvado homem de cabelo grisalho que levava óculos redondos, inclinando-se em uma fortificação de madeira.

—Está perdido vovô? O asilo é nessa direção. Já passa de sua hora de te deitar.

O ancião levantou a cabeça. Sorriu. Brilhantes dentes brancos, agudos, bicudos.

—Jesus, —sussurrou ao caçador gordo—O que é isto?

—Uma prematura festa do Halloween, —brincou seu amigo, com voz rasgada—Ou dentadura trocada?

Nicolas cheirou o medo dos homens. Sabia que seu inimigo também o cheirava.

Cheirava como a suor ácido.

—Já chega —disse o mais velho com suavidade. Fez um sinal.

Avançaram como uma só unidade, igual a uma coluna de formigas soldado. Um por um todos mudaram trocando de forma, as roupas se desvaneceram de suas formas humanas, a pele brotou sobre seus corpos. Sua magia, escura e poderosa, transformou-os muito mais fácil que os poderes do Nicolas.

Silenciosos como a névoa, olhos que brilham como carvões ardentes, avançaram rodando sobre quatro patas. Uma lenta piscada. A visão noturna captava os olhos voltando-se negros como buracos vazios.

Os olhos, sempre os olhos, contavam sua verdadeira natureza, sem importar sua forma.

O lobo nele se elogiou, sedento de sangue, de ação. Apanhado entre revelar-se a forasteiros e a necessidade do lobo para atacar, vacilou. O instinto o urgia a correr, esperar melhores probabilidades. Os humanos tinham causado este mal. De todos os modos sentiu uma fugaz compaixão pelos caçadores. Escaneou a aproximação do inimigo do elo mais fraco.

O temor dos humanos virou terror.

—Santa mãe de Deus —gritou um dos altos—Lobos!

Dispararam. O acre aroma da urina reprimida alagou o ar.

Naquele instante, os Morphs atacaram.

Agora. As adagas se materializaram em suas mãos quando saltou adiantando-se para encontrá-los. Seis Morphs saltaram sobre ele. Afiados dentes como navalhas se afundaram em seu pescoço, as garras golpearam suas pernas e torso. A roupa se despedaçou igual a fino papel. Ele grunhiu e se equilibrou com as facas, apunhalando seus corações. Morreram gritando. Deslizou-se, apunhalando outra vez, estremecendo-se quando o sangue ácido o salpicou. Outra vez. Era inútil. Cada vez que abatia um, outro se materializava. Clonando a si mesmos.

Um maldito exército animal.

O calor gotejou descendo por sua garganta. Nicolas ignorou a ardente dor, lutou com suas roupas para mudar. Ao diabo os mortais. Já estavam mortos.

Quando arrancou a roupa, caíram sobre ele, mudando uma vez mais. A pele estalou sobre seus corpos, as garras cresceram, trocando inclusive outra vez. Amaldiçoou sua capacidade de mudar em qualquer forma de animal. Enormes ursos pardos rugiram. Quatro o cercaram de repente contra o tronco de árvore. Apanhado, seus braços e pernas inúteis, Nicolas não podia convocar sua magia.

—Bom Deus todo capitalista —gritou um caçador.

Lutando no abraço do Morphs, Nicolas sentiu o correr do sangue, dor nos ossos.

Os outros se voltaram para a presa humana. Nicolas lutou com mais força, esperando salvar os desprezíveis rabos dos caçadores. Sabendo que era muito tarde.

Com as mandíbulas totalmente abertas, a saliva gotejando de suas afiadas presas, a manada caiu sobre os desgraçados homens. Gritos mesclados com o som de carne rasgada. Sangue salpicando sobre os carvalhos, gotejando negra viscosidade. Os caçadores estavam todos mortos.

Os Morphs mudaram em suas verdadeiras formas. Agachados, a pele pega ao osso, mais animal que humano. Mechas de cabelo se aderiram a seus couros cabeludos. Bicudos e afiados dentes em um aberto sorriso. Seu fétido aroma encheu o ar. Choramingaram, deixando escapar profundos suspiros.

Absorvendo o terror de suas vítimas e seu fôlego ao morrer, os Morph se alimentavam de sua energia. O Morph que o retinha afrouxou a presa sobre seus braços. Aproveitando sua distração, se liberou e mudou. O lobo os saudou, impaciente por lutar, desesperado por cravar suas garras neles.

Surpreendidos, seus captores retrocederam. Repartiu golpes a torto e a direita com suas afiadas presas, grunhindo. Derrubou um enquanto os de trás vinham silenciosamente atrás dele.

Havia muitos. Tinha perdido muito sangue.

—Alto —ordenou uma autoritária voz— parem agora.

O sangue gotejou descendo por seus flancos, cálido no frio ar. Nicolas ignorou a picante dor e o ardor no flanco. Recordou constantemente a arma secreta dos Morphs. Confiada. Arrogante. Jamie era uma ameaça maior que os próprios Morphs.

Grunhiu. Instantaneamente os Morphs fecharam filas ao redor de Jamie. Eles morreriam protegendo a humana que os tinha convertido em um exército.

A mortal cujo sangue fabricou a enfermidade e a morte.

Não morreria como lobo. Nicolas mudou de novo a sua forma humana para dirigir-se à mortal.

Por culpa de Jamie, Damian estava morrendo.

Nu, vulnerável, negou-se a intimidar-se.

—Jamie —pronunciou ele — Chegará sua hora.

Um baixo e divertido sorriso atravessou o ar. Jamie empurrou aos carrancudos guarda-costas para adiantar-se.

—Mal pode te manter em pé. Destruiremos a sua líder, Nicolas. Já a temos, obrigado por sua ajuda.

Nicolas permaneceu calado. Desobedecendo as regras da manada, tinha ensinado magia a Jamie e ela a utilizou para unir-se aos Morphs e incrementar seus poderes. A partir de seu sangue, tinham fabricado uma enfermidade que estava matando a sua líder.

Outro Morph mudou de volta à forma humana. Gordurento cabelo castanho, olhos vazios e uma cruel boca torcida. Kane. O líder. A saliva gotejava dos lábios partidos de Kane. As garras cresceram de suas unhas.

Nicolas se esticou quando Kane se aproximou.

—Nicolas —falou o líder arrastando as palavras— una-se a nós. Sabe que quer fazê-lo.

—Morreria primeiro —grunhiu ele.

—Tenho poderes que você nunca terá como um Draicon, Nicolas. Una-se a nós e observe. —O Morph estendeu seus compridos e magros braços—Posso usar o ar como uma águia, sulcar os mares como um tubarão, correr pela selva como um jaguar. você pode fazer o mesmo?

Nicolas endireitou as costas.

—E você cheira igual a um monte de lixo. Não obrigado. Prefiro ser um cadáver. Não, um pouco menos agradável. — Merda. Acrescentou a verborréia vistosa que comparava Kane a uma função natural corporal.

Mas Kane só riu.

As palavras não podem me ferir. Mas você sim. Atreverá-te?

Nicolas permaneceu em silêncio, as mãos apertadas em punhos.

—Matemo-lo—sugeriu um Morph.

Não—respondeu Kane—Não o toquem. Necessitamos dele vivo para a Margaret, se ela for a verdadeira empática ele despertará de novo seus poderes quando a buscar para emparelhar-se.

O temor atendeu o peito do Nicolas. Não tinha medo deles, inclusive se tinha enfrentado com a morte. Temia agora pela Maggie.

—Nunca a encontrará. Morrerei brigando antes de que consiga pôr as garras sobre ela.

Kane lhe dirigiu um obsceno sorriso.

— Já a encontramos, Nicolas. Infectamos seu cão com nossa nova enfermidade. E você não pode permanecer afastado. O impulso do emparelhamento te reclama inclusive agora. Não pode lutar contra sua natureza.

Um zombador bufo saiu do líder dos Morphs. Nicolas se conteve antes de estirar-se para estrangular Kane. O líder dos Morph lhe dedicou um fino e zombador sorriso.

—Deixem os corpos. A lei culpará o Draicon. Outra vez. —riu Kane.

Uma aparência inteligente. Mais munição para caçar lobos, destruindo sua diminuída manada.

A dor o atormentou. Caindo contra o familiar carvalho com sua essência e a do Damian, observou como os Morphs se desvaneciam entrando no bosque. Seguiriam crescendo em poder e força, continuando seus assaltos. Não podia detê-los. Necessitava de Maggie. Margaret, a empática profetizada para converter-se na força capaz de eliminar à líder dos Morphs. Sua companheira predestinada, que não se dava conta que era uma Draicon.

Folhas mortas rangeram sob seus pés. Esperou até que seu fedor já não sujasse suas fossas nasais. Sobre o vento, a silenciosa risada seguiu seu lento avanço através da garganta.

Uma hora mais tarde, suas feridas sararam, Nicolas se ocultou sob os recessos de uma rocha que sobressaía-se. Descansou, olhando fixamente sua querida lua, escutando o rangido dos ramos com o vento e o movimento das folhas mortas. A fome raspou seus intestinos. O poder que havia perdido precisava recuperar ingerindo alimento ou compartilhando seu corpo com uma mulher e absorvendo a rica energia emitida durante o sexo.

Tinha que caçar. Muito fraco para mudar, ignorou os protestos de seu estômago vazio.

Devia pensar em outros assuntos. Concentração. Brandamente, começou a cantar com a desesperada esperança de aliviar a fome atormentadora. Tampouco funcionou. Mudou seus pensamentos para Maggie.

Doce, encantadora Maggie. Sua Draicara, sua companheira predestinada. Nua na ducha quando se tinha fundido ontem em sua mente.

Uma onda de desejo o percorreu enquanto recordava. Figura esbelta, cheios e arredondados peitos e essa boca…ah, feita para beijar. Nicolas sentiu seu corpo esticar-se, pensando nas deliciosas coisas que poderia fazer sua boca. Essas pernas ligeiramente torneadas com músculo, curvadas, suaves como a seda. Sentia o enérgico e impessoal acariciar de sua mão quando se tinha ensaboado uma coxa, borbolhas que se formavam e exploravam. Em seus indiferentes olhos tinha visto o ninho de cachos avermelhados que escondia seu sexo e se tornou selvagem.

Nicolas tinha rugido com luxúria, conduzido pela feroz necessidade de reclamá-la. Passando suas mãos sobre sua sedosa pele, cobrindo seus peitos, vendo os mamilos endurecer-se e erguer-se.

Apartando amavelmente sua pele feminina, provando sua disposição, sentindo essa umidade quando deslizava um dedo no interior de sua apertada vagem. Então separar essas sedosas coxas abrindo-as de par em par, montando-a, seu corpo rendido pressionado sob sua dureza, afundando-se profundamente em sua molhada e ofegante carne…

A fome diminuiu, substituída pela luxúria quando se concentrou em Margaret. Gotejava em sua mente como a água que se filtrava na terra. Uma nova agonia o assaltou. Elevou o nariz. O lobo em seu interior choramingou em silêncio. A luxúria se desvaneceu. A milhares de milhas sentia sua dor que o apunhalava como se este se houvesse fundindo em seu próprio peito.

Ela estava chorando outra vez pelo cão.

A última semana, depois de anos de investigação, tinha encontrado Maggie por puro acidente. Tinha estado embalando feno em seu rancho quando uma onda de dor se chocou de repente contra ele, fazendo-o chiar os dentes. Nicolas tinha caído de joelhos e gemendo.

Quando se recuperou de seu choque inicial, tinha conseguido ordenar os pensamentos em sua mente. E se deu conta que tinha encontrado a sua companheira. Sob uma extrema compulsão, uma fêmea draicara algumas vezes projetava inconscientemente emoções em seu companheiro destinado, como se o convocasse por fim a seu lado. Quando tinha explorado o rastro mental que lhe tinha enviado, deu-se conta de quem era.

Margaret, a empática desaparecida da manada.

Nicolas soltou o ar com força, lutando por manter sua identidade inclusive quando afundava-se completamente nela. Absorvendo-a, afundando-se em cada célula. Sua respiração era a dele. Seu coração pulsava rapidamente, incrementando o próprio ritmo do dele.

Suas emoções eram as dele.

O suor perolava a sua fronte. Seu lobo interior choramingou, ansioso por acalmar a extensa agonia, as emoções humanas se entrelaçavam com a crua dor animal. Assim somente, como se o mundo fosse inconsciente.

Não gostava de sentir-se dessa maneira, aberto, vulnerável e exposto. Nicolas lembrou-se que esta era Maggie, não ele. Ao contrário de sua companheira draicara, poderia guardar suas emoções.

Ela se encarapitou sobre a pia, agarrando-se a ela com nódulos esbranquiçados. A tensão de seu rosto em forma de coração se refletia no espelho. Seu boca fazia uma careta de dor.

Nicolas sentiu como se o veneno se filtrasse em seus próprios ossos.

As lágrimas corriam por suas bochechas. Tentava as reter, OH, tentava-o, para não incomodar ao animal que tão cuidadosamente atendia. Mas a pena a banhava como ondas continuas. Afundou a cabeça sobre a pia e soluçou.

Nicolas lutou para reter suas próprias lágrimas.

Finalmente jogou água fria na cara, e a secou. Forçou um cambaleante sorriso em seu rosto e foi atender a seu paciente. O pequeno cão marrom levantou a cabeça.

Cruzando o branco chão de ladrilhos da cozinha, corria uma pequena barata marrom, então se desvaneceu. Ele se esticou, já que a barata possivelmente fosse um Morph disfarçado para assassiná-la. Mas não mostrou nenhum símbolo de transformação. Depois de um minuto relaxou.

Só era um inseto comum.

Nicolas sentiu o natural asco de Maggie. Imaginou que teria gritado, lançando a vassoura.

Em vez disso sentiu sua pernada sobre o asqueroso inseto. Ela deixou cair um frasco como resposta, apanhando-a e girando o frasco. Com a mesma rapidez, liberou a barata fora. Através dos olhos do Maggie, Nicolas a viu arrastar-se sobre as brancas areias da praia.

Ficou boquiaberto.

Desde este esponjoso travesseiro, ouviu o cão ao que ela chamava Misha ladrar fracamente em protesto. Igual ao condenadamente fodido cão, Nicolas também esteve de acordo. Eu também a tinha matado.

—Conhece as regras, Misha. Todos vivem —disse Maggie brandamente—, inclusive as baratas. Juro que nunca machucarei a qualquer coisa viva. Jamais.

Diabos. Aquilo ia ser um pouco mais difícil do que ele se imaginou. Como poderia transformar essa mulher em uma máquina pronta para matar Morphs quando estava resgatando insetos?

Nicolas deixou escapar um profundo suspiro, cortou a conexão tão limpamente que quase pôde ouvir o fechamento. Deixou cair a cabeça na grossa almofada de folhas secas e musgo.

Não queria romper a conexão de nenhum modo. Parte dele queria ficar. Consolá-la. Envolvê-la em seu forte abraço e não deixá-la ir nunca. Essas emoções eram delas, pensou ele cruelmente. Perigosas emoções mas naturais. Cada macho Draicon nascia com o instinto de proteger a seu casal. Inclusive embora sua companheira em particular não tinha nem idéia de sua existência ou de sua gente. A gente de ambos.

*******


Passaram minutos. Ou foram horas? Um aroma familiar se aproximou silenciosamente. A luz da lua dourou um par de brilhantes sombrancelhas marrons. Nu e vulnerável, incorporou-se para encarar seu líder.

—Vê-te como a merda. — Observou Damian. O suave acento de Nova Orleans que havia adquirido na infância acentuou suas palavras—Vieram outra vez por você por que nos estava protegendo. Por que insiste em ficar quando sabe que está banido?

Nicolas não replicou. Sabia que Damian tinha cheirado a morte, ouvido os gritos. Havia pressentido o que aconteceu.

—Nicolas…um dia alguém te matará. Se fica —disse Damian com amabilidade.

—Não te abandonarei, Dai. Precisa de mim. A manada também precisa —Cuspiu as palavras, apanhando seu olhar no do ancião.

Como beta de Damian, Nicolas era responsável por levar a cabo as ordens de seu líder. Era o melhor caçador da manada. Quando a manada tinha estado em perigo de ser eliminada pelos Morphs, Nicolas tinha se adiantado e lhes tinha ensinado a melhor maneira de acabar com o inimigo. Tinha estudado as debilidades dos Morphs e conseguiu destruir a centenas.

Nicolas, a máquina de matar. Não sabia fazer outra coisa.

Uns pálidos olhos verdes o observaram em silêncio. Damian moveu as mãos. Um prato coberto por uma tampa de alumínio se materializou no chão ante o Nicolas. Nicolas se precipitou para diante quando Damian fez uma careta de dor.

—Maldição, não deveria estar fazendo isto. Não em sua condição. Não esbanje sua energia.

Seu líder lhe ofereceu um compungido sorriso, lhe custando respirar. O suor brilhava em sua fronte. Com o dom de um chefe de cozinha, Damian apartou a coberta do prato.

—Voila. Sabia que necessitava comida. Ou sexo —O líder da manada sopesou Nicolas com um calculador olhar—Mas já conhece as regras.

Nada de sexo com as fêmeas da manada. Não para o Nicolas, o banido. Que ironia.

Damian freqüentemente brincava sobre o “haren” de Nicolas, o não emparelhado, as sexualmente experimentadas fêmeas da manada desejosas de copular com ele. Depois de uma luta Morph, tinha tido em conta aquelas que se teriam apresentado a si mesmas ante ele. Olhos obscurecidos, seu fibroso corpo tenso e agressivo, tinha selecionado uma para a noite. Logo a haveria reclamado, usando seu calor sexual para restaurar sua energia perdida.

Agora nenhuma fêmea da manada podia lhe tocar.

Fazendo-o encher a boca d’água, Nicolas olhou a sangrenta e crua carne. Dirigiu um preocupado olhar à pálida cara do Damian, ao relâmpago de dor em seus olhos verdes.

—Traga-lhe isso lobo, —advertiu-lhe Damian, um meio sorriso acariciava sua boca diante da velha brincadeira.

Morto de fome, retorcendo-se de necessidade, Nicolas vacilou. Tentando disfarçar sua debilidade diante de seu líder, não podia conter sua esmagante necessidade de energia. Damian lhe voltou delicadamente as costas. Agradecido, Nicolas abandonou toda farsa. Agarrando o filé de veado com as mãos, rasgou a carne. Enxaguando a boca com o dorso de sua mão, então substituiu a coberta. Esta soou contra o prato de metal.

—Obrigado —disse Nicolas.

Forte agora, usou sua magia para cobrir sua nudez com jeans, uma camiseta negra e botas.

Damian se voltou. Sentou-se sobre seu traseiro, em silêncio.

—Dai, está-te pondo pior —a prática declaração encobriu sua preocupação.

—Tenho tempo. —O coquete sorriso do Damian era forçado—Dois meses, possivelmente, de todos modos meu corpo se está deteriorando… —Se encolheu de ombros, apartando o olhar.

Dois meses e Damian estaria morto? Depois da agonia, a enfermidade parecida com o câncer atormentaria seu corpo abrindo-se caminho consumindo seus órgãos internos. Nicolas apertou os punhos. Maldição. Tinha que encontrar Maggie. Rápido.

—Dai… —Sua garganta se fechou com a emoção. Nicolas passou uma coberta em seus sentimentos e tentou pôr uma máscara inexpressiva em sua cara.

Damian parecia entendê-lo, por que ondeou uma mão, lhe subtraindo importância ao assunto. Nem uma só queixa e mais preocupação pela manada.

—Me fale da Margaret. — O nome saiu pronunciado brandamente. Mah-gah-rhett — De novo tem contato com ela. Posso dizê-lo por suas lágrimas. Suas emoções são as tuas, Nicolas. Ela estava chorando.

—Seus agudos olhos verdes se centraram no seco rastro de lágrimas nas bochechas do Nicolas.

Nicolas esfregou a cara com o punho.

—O cão dela está morrendo. —Sempre o cão, quando Maggie procurava uma solução lógica ao problema causado por algo que não era lógico no mundo humano. Então, em privado, as lágrimas tinham fluido, porque não era capaz de curar o animal que adorava.

—Ah, seu mascote. É difícil.

—Um amigo. Não um mascote. Está tentando encontrar a mutação nas células. Os Morphs infectaram ao cão.

Damian esfregou a parte de atrás do pescoço distraído.

—Uma prova para fazer sair os poderes da Margaret. Encontraram-na.

Nicolas tomou outra baforada de ar, sentindo seus pulmões expandir-se com ar limpo, puro. O cão tinha sido a constante companhia do Maggie durante cinco anos. Atuando como enfermeira canina, ela também ajudava acalmando os animais que tratava.

Agora Misha estava morrendo, sucumbindo a uma nova enfermidade que desconcertava Maggie.

A mesma enfermidade que estava devorando Damian por dentro.

Sentiu uma ressonante dor descendo por sua alma, seu espírito chorava por reunir-se com o dela.

Jogou a cabeça para trás, sentindo à besta emergir, o lobo uivava por ser liberado, e lhe permitir correr. Para evitar a dor. Encontrar um lugar escuro e procurar consolo.

Não podia, tanto como não podia evitar os laços entre ele mesmo e Maggie.

—Estava ignorando sua verdadeira identidade. —Nicolas mantinha isso como um fato— Descobri muito sobre isto enlaçando minha mente com a sua. Algo aconteceu quando morreram seus pais, e bloqueou todas as suas lembranças anteriores. Pensa que é mortal, Damian, não Draicon.

Convencê-la será difícil.

—Conhece seu dever, Nicolas. Deve te emparelhar logo com ela e trazê-la a casa, antes que os Morphs a destruam.

Damian se levantou, inclinando seu metro e oitenta e dois contra uma árvore. Sob a casual brisa ficava enrolado um tenso poder. Preparado para entrar em ação, se fosse necessário. Seu líder nunca baixava a guarda, ou confiava facilmente, fora de sua manada.

—Conheço os riscos. — Para ele e para o Maggie — Mas se isso significa te salvar…

—Me esqueça — Damian o cortou com um gesto — É muito tarde. Mas se pode curar a nossa gente quando os Morphs os infectarem, isso é tudo o que importa.

—Trarei-a a tempo, —disse Nicolas com ferocidade—Não duvide. Confie em mim.

As emoções flamejaram nos olhos de Damian.

—Não é bom que encare isto sozinho. Necessita de nossa gente.

Nicolas levantou a cabeça permanecendo calmo.

—Sabe que isso é impossível. Culparam-me pelo que aconteceu a Jamie. Como deviam.

Quando trouxer Maggie, então retornarei. Até então…

O casual encolhimento de ombros ocultou sua dor. Pelo bem da manada, Damian tinha que lhe desterrar. Maggie era seu caminho de volta à aceitação, retorno ao calor e consolo de sua família.

Maggie era muito mais que isso. Maggie era a arma destinada a desbancar Kane. Seu toque curador poderia curar a enfermidade de Damian.

— Faça — disse Damian brandamente — Faça-a tua. — Viu como Nicolas se levantava e foi abraça-lo na usual camaradagem, depois se apartou.

—Não posso te tocar — disse ele com voz espessa.

—Sei — assentiu Nicolas. Sua essência marcaria Damian, cuja palavra era lei, mas a manada o questionaria. Sussurros. Preocupação.

—Que o espírito da lua te guie e proteja em seu caminho —disse seu líder na formal bênção — Mantenha-te a salvo, mantenha-se forte.

Lhe fez um espesso nó na garganta.

—Conte com isso — disse Nicolas alegremente, ocultando suas emoções.

Damian lhe dedicou outro meio sorriso. Mais dor passou através do Nicolas como uma faca quando observou seu amigo deslizar-se dentro do bosque, dirigindo-se a casa.

Para ele já não era o lar.

Tomou outra baforada de ar, começando a cantar brandamente para si mesmo e trotou na direção oposta. Maggie, Maggie. Precisava ir para Florida.

Cada dia o perigo de que Maggie fosse exposta se intensificava. Visitar sua clínica veterinária se traduzia em animais acalmados. Maggie tinha uma habilidade especial, igual a um sussurrador de cavalos. Só que não era sua voz.

Eram suas mãos, seu toque calmante.

Maggie era uma empática, nasciam uma vez cada 100 anos. Era sua última esperança. Pertencia à manada. Emparelharia-se com ela, sua dura carne masculina se afundaria na suavidade feminina, sua forte determinação de caçador se afundaria em sua gentileza. Homem e mulher, trocando poderes, convertendo-se em um. Cumpriria seu dever, então a moldaria na caçadora que necessitavam para lutar com seu inimigo. E a traria para casa, inclusive se ela lutasse, esperneasse e gritasse durante todo o caminho. Ela não tinha escolha. Igual a ele.



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