O lugar do leitor no Imperial colégio de Pedro II



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Profa. Dra. Glória Vianna (Colégio Pedro II)

LEITORES E LIVROS NO IMPERIAL COLÉGIO DE PEDRO II

I

Quem visita o Salão de Leitura do Colégio Pedro II – Unidade Centro, à rua Marechal Floriano, no Rio de Janeiro, não supõe caminhar sobre a secular biblioteca do Imperial Colégio de Pedro II. Encantado com as dimensões do salão, absorto na extensão do retrato do Imperador que do alto parece observar qualquer movimentação na sala, ou, enlevado com os lustres de cristal, o observador dificilmente há de perceber que um dos encaixes de madeira que recobrem à meia cintura as paredes da sala, abre num elevador, cuja função fora trazer ao piso superior os volumes solicitados pelos leitores da biblioteca.

A Sala do Retrato, a Sala dos Exames Finais, o Salão de Leitura, ou, como sugere o manuscrito Penas e penalidades, a Sala do Silêncio abria-se até a Proclamação da República, para a rua Larga de São Joaquim, atual Marechal Floriano. Uma escada lateral, à esquerda de quem chegava à Instituição, dava acesso direto à Sala, bem como permitia que leitores saíssem do Colégio sem passar pela portaria principal.

Mas, se a planta arquitetônica parece sugerir que o acesso à sala estava desvinculado da freqüência às aulas, o que tornaria pública a biblioteca do Imperial Colégio de Pedro II, o estudo dos documentos relativos à Instituição não confirma essa hipótese. Todavia, a biblioteca não devia ser freqüentada só por alunos regularmente matriculados na Casa, pois ao longo do período sobre o qual nos debruçamos – da fundação do Colégio até a proclamação da República – foi possível verificar o ingresso sistemático de alunos ouvintes. Ademais em 1878, com a ascensão do 1º Gabinete Liberal, o Ministro do Império, Dr. Carlos Leôncio de Carvalho, declara extinta a presença obrigatória às aulas para os alunos regularmente matriculados e, ao mesmo tempo, libera a freqüência ao Colégio para cidadãos de qualquer idade nas denominadas aulas avulsas. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937. p.119-136) Não se sabe se os ouvintes e os freqüentadores das aulas avulsas estavam sujeitos às mesmas normas de conduta dos alunos matriculados, que podiam retirar volumes da biblioteca por um período de até oito dias, com direito à renovação, conforme os artigos 149 e 150 do Regulamento nº 8 de 31/1/1838 esclarecem:

Art. 149. Os livros da biblioteca poderão ser emprestados aos empregados, debaixo de sua responsabilidade, e aos alunos por licença escrita do Vice-Reitor”.(LIMA, Araújo & VASCONCELLOS, Bernardo Pereira de. Estatutos para o Colégio de Pedro II.. 1938. p.121-122).

Art.150. Nenhum livro poderá ser emprestado por mais de oito dias, a não ser renovado o pedido. Quem tomar emprestado um volume fica responsável pela obra inteira” (LIMA, Araújo & VASCONCELLOS, Bernardo Pereira de. Estatutos para o Colégio de Pedro II.. 1938. p.121-122 )

Entretanto, ainda que não pudessem tomar emprestados os livros é preciso considerar que a presença de um público não oficial, seja nas aulas regulares ou nas aulas avulsas ou, quiçá, na sala de leitura da biblioteca, movimentava a vida acadêmica ao trazer para a cena da leitura uma rede complexa de leitores, diversa dos alunos pagantes, denominados retribuintes, que ao contribuírem com suas retribuições tinham assegurado a consignação para livros.

Como não seria possível traçar um perfil desses leitores anônimos a partir de suas identidades, recorremos a diferentes estudos e levantamentos sobre a memória histórica da Instituição, aos documentos do NUDOM (núcleo de documentação e memória do Colégio), bem como aos textos memorialísticos de ex-alunos da casa, a fim de esboçarmos, ao menos, um ângulo da complexidade da questão que se colocava. A imagem do Colégio, enquanto um palco entreaberto para a rua, ficava cada vez mais nítida na medida em que avançávamos na pesquisa. Durante o levantamento documental verificava-se o contraste entre a presença dos alunos pobres negros e mestiços e a dos filhos da aristocracia, titulada com nomes indígenas. Todos, alunos / leitores em formação, orientados por intelectuais, poetas, prosadores, religiosos e cientistas, muitos dos quais gozando de considerável prestígio em seu tempo. Tornou-se, portanto, inevitável o levantamento de episódios da história do Colégio que pudessem oferecer elementos para nos ajudar a problematizar esse espaço de tensões. Trouxemos para frente da cena o leitor, apesar de termos iniciado a pesquisa pelos livros, e não pudemos lateralizar o espaço. Poucas respostas, muitas questões. Esboço, ensaio, traços, retraços: leitores e livros no Imperial Colégio de Pedro II.


II

Noticiado pelo Jornal do Comércio, por ocasião de sua inauguração em 1838, como o estabelecimento de ensino que objetivava preparar a nova geração que “regeria os futuros destinos do país”. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II; 1937.p.17) O Imperial Colégio de Pedro II, como sugerimos, não parece ter repousado às margens do Brasil das tensões, separações, exclusões, conflitos e insatisfações. Ao lado dos jovens ricos, retribuintes, os pobres não pagantes, ainda que em minoria, tiveram um certo lugar no Colégio desde sua fundação. No primeiro ano letivo da Instituição dentre os 30 internos estavam sete alunos pobres, segundo relatório do 1º reitor do Colégio – Bispo de Anemúria, que fora, além de preceptor dos príncipes D. Pedro e D. Miguel, o 1º Bibliotecário da Biblioteca Pública do Rio de Janeiro (. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.22) –. E, ao que consta, foi a presença desses sete alunos um dos argumentos utilizados pelo Império para serenar os ânimos acirrados do Senado, quando em fins de 1839 solicitava o fechamento do Colégio e a restituição do Seminário de S. Joaquim, em emenda proposta pelo Senador Ferreira de Mello.

Dentre os debatedores, Feijó criticava a criação do Colégio, feita por decreto, e taxava de “escândalo o fato de um ministro ter desviado arbitrariamente o Seminário de S. Joaquim do destino a ele dado por particulares apoiados na lei, criando, além disso, empregos e ordenados para depois vir ao senado pedir dinheiro”. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.40). Solicitava, ainda, ao Ministro do Império que “por honra do Senado e dever seu, não consentisse no progresso do ilegalmente criado, restituindo ao Seminário seu verdadeiro destino”. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.40-42). O padre senador Ferreira de Mello entendia ter o governo violado a constituição ao transformar o Seminário em Colégio de Pedro II, “desviando aquele do fim almejado por seus instituidores, fins justos e filantrópicos”. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II; 1937.p.40-42) O Marquês de Paranaguá (Villela Barbosa) questionava os estatutos do Colégio, em especial os artigos 234 e 235. O primeiro conferia o título de Bacharel em Letras a quem fosse aprovado nos exames finais do curso e o segundo concedia o livre ingresso nas academias do Império aos que se bacharelavam. O Marquês de Barbacena declarava ter visitado a Instituição que “não lhe parecia estar dentro das condições de moralidade requeridas”. . (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.41) Referia-se ao fato de terem sido expulsos recentemente dois alunos que haviam brigado em frente à Escola.

Instado a dar explicações, Bernardo de Vasconcellos apontou para a necessidade histórica da Instituição, primeiro estabelecimento secundário sob administração direta do Estado. Informou aos senadores que os questionados estatutos haviam sido redigidos a partir de modelos estatutários dos colégios da Prússia, da Alemanha e da Holanda. E acrescentou, ainda, que também tomara por base o sistema educacional de Napoleão I, “sendo que de todos aproveitara o que lhe parecera mais adaptável às circunstâncias nacionais”. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.42) Ademais, ponderou sobre os casos de indisciplina, observando que podiam ser verificados em outros estabelecimentos de ensino, e não deixou de admitir a existência de problemas, principalmente no que dizia respeito a alguns compêndios, conforme expusera o marquês de Paranaguá ao verificar erros nos livros de Geometria e de Geografia. Argumentava: “Não há nada de tão grave na Instituição que não possa ser corrigido”.(DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.42) Ainda assim, seus contendores continuavam e Ferreira de Mello insistia em saber o número de estudantes pobres matriculados no Colégio, chegando a exigir uma listagem com nomes, datas de ingresso, idade e filiação de cada um desses alunos.

No início de 1840, é a pasta do Império ocupada por Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, deputado representante do movimento liberal da maioridade, que vai ao Senado e declara “ter o Imperador, em particular, consideração ao adiantamento da mocidade educado no Colégio”. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.46).E para acalmar os ânimos da última sessão do Senado, ocorrida ao final do ano anterior, Antônio Carlos expõe as resoluções do ministério em relação ao Imperial Colégio de Pedro II:

Cumpria a cada professor da Casa expor inconvenientes e defeitos demonstrados pela experiência na parte do ensino a seu cargo. Alvitraria o expositor providência para removê-los. Acrescentada à exposição de cada professor as reflexões do reitor sobre o assunto, remeter-se-ia tudo à secretaria do Império a fim de ser possível providenciar com clareza e perfeito conhecimento sobre tão importante objeto.” . (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.46)

Enfatiza que já encontrara o regime de matrículas gratuitas estabelecido e lista as medidas tomadas para corrigir alguns problemas críticos, anteriormente mencionados: amplia o número de lições semanais, fixo carga horária das aulas, cria a cadeira de alemão, amplia a duração do curso de cinco para sete anos, autoriza a adoção do Resumo de História do Brasil de Niemeyer Bellegarde, nomeia o Dr. Marcelino José Ribeiro da Silva Bueno para prof. de História Geral, Pátria Geografia e Cronologia, adota o volume do Senador José Saturnino da Costa Pereira, Elementos de Cronologia, etc.

Diante do exposto o Senado não retoma mais a discussão da emenda de Ferreira de Mello, que sugeria a extinção do Colégio e a restituição do Seminário. E, com a maioridade do Imperador (18-7-1841) as questões relativas ao Colégio, ainda que muito debatidas, vão sendo cada vez mais resolvidas no âmbito do Ministério do Império. Observam-se primeiramente os ministros deliberando sobre as questões remetidas pelo reitores do Colégio, posteriormente vêem-se as deliberações do Imperador encaminhadas para os reitores por intermédio dos ministros e por fim verifica-se a presença do Monarca no dia a dia da Instituição, argüindo alunos, nomeando professores, decidindo sobre contratações e demissões de funcionários, etc.

Segundo Lílian Shwarcz, D. Pedro II também freqüentava os concursos das escolas de Medicina, Politécnica, Militar e Naval, mas a relação mantida com o Colégio era mais cotidiana. Em carta a José de Bonifácio, o Moço, dizia: “Eu só governo duas coisas no Brasil: a minha casa e Colégio de Pedro II”.(SCHWARCZ, Lilia. As barbas do Imperador. 1998. p.151)

Se a frase é claramente de efeito, na boca de quem jamais abdicou do Poder Moderador revela, no mínimo, a relação estreita que uniu D. Pedro II a esse colégio, o único que, de certa forma, escapava ao ensino excessivamente livresco, anticientífico e pouco abrangente da época” (SCHWARCZ, Lilia. As barbas do Imperador. 1998. p.151)


Dentre as inúmeras decisões do Imperador no que diz respeito ao ingresso dos alunos ao Colégio, destacamos a petição do índio Joaquim Peixoto, da aldeia de São Pedro (atual São Pedro da Aldeia) que solicita, em 1844, a admissão de seu filho Joaquim como aluno interno gratuito e vê sua petição atendida. Outros pais, mães e avós também fazem pedidos de gratuidade. E se em seu primeiro ano letivo no Colégio havia apenas sete alunos gratuitos, em 1867, 159 alunos estavam matriculados no externato, 79 contribuintes e 80 gratuitos. No internato havia 95 contribuintes e 20 alunos gratuitos.

Dois anos antes desse censo, veio ao Brasil, a convite do Imperador, Luiz Agassiz, renomado paleontólogo Suíço que ainda estudante fora encarregado de classificar os peixes recolhidos em nossas águas por Spix e Martius. Residente à época nos Estados Unidos, Agassiz fundara o Museu Natural de Cambridge, transformando-se num dos cientistas mais considerados em seu campo de atuação. Durante sua estada no Rio, o paleontólogo faz uma série de conferências no Colégio e deixa registradas em livro suas impressões sobre a Casa.

O colégio fora outrora um seminário, uma espécie de estabelecimento de caridade em que se preparavam crianças pobres para serem padres. A regra era severa: não havia serventes, sendo os alunos obrigados a fazer tudo com as próprias mãos, a cozinhar e tudo o mais, e mesmo ir pelas ruas pedir esmolas à moda dos monges mendicantes. Uma única condição se exigia para a sua admissão, era que fossem de raça pura; não se recebiam negros nem mulatos (...) Não sei porque a instituição foi abolida pelo governo e o seminário se transformou em colégio. (...)Era hora de aula quando fizemos a nossa visita (...) Os alunos eram de todas as raças, viam-se entre eles negros e de todas nuanças intermediárias até o branco; e mesmo o professor de uma das classes superiores de língua latina era de puro sangue africano. É uma prova de que não existe o preconceito de cor. Esse professor havia feito as melhores provas num recente concurso para a cadeira, e, por unanimidade, fora escolhido de preferência a vários brasileiros de ascendência européia, que se haviam escrito com ele para ao cargo.”( AGASSIZ, Luiz & AGASSIZ, Elizabeth. Viagem ao Brasil 1938. p.170)

Segundo o tradutor de Agassiz, Edgar Sussekind de Mendonça, o professor negro era provavelmente Lucindo Santos, a quem a exposição sobe a presença dos negros na Instituição, organizada pelo NUDOM (Núcleo de documentação e Memória do CPII) não fez referência, mencionando apenas um professor de origem africana durante o século XIX na Casa: Dr. Justiniano José da Rocha. Filho do capitão-mor José Joaquim da Rocha, Membro da Constituinte de 1823 e de uma escrava, da qual não se menciona o nome. Justiniano integrou o primeiro grupo de professores da Escola, ao lado de Gonçalves de Magalhães e de Araújo Porto Alegre. Ex-aluno do Liceu Henrique IV em Paris, Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1833, Dr. Justiniano foi, ainda, um deputado combativo. É dele o relatório de cinco de abril de 1851, que põe a nu os graves problemas da educação na Corte. Publicado como anexo ao relatório do ministro do Império, denuncia a multiplicação de colégios sem as necessárias garantias, a improvisação de educadores, o açodamento dos pais em formar filhos, os diretores pouco escrupulosos submetidos pelo desejo de não perder clientela etc. Propõe a criação de uma inspetoria de aulas particulares, a instituição de colégios externos com um reitor e um censor de estudos, a nomeação de professores por concurso, a fixação de percentual de professores brasileiros (sugere 50%, quando os diretores fossem estrangeiros, e um terço, quando os diretores fossem brasileiros), a aplicação de uma avaliação única para as instituições particulares (inclusive para o Colégio de Pedro II),a restrição do direto nas academias superiores etc. . (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.55-77)

Foram muitos os professores de expressão pública ou de reconhecimento acadêmico que, como Justiniano, atuaram no Colégio durante o Segundo Reinado, mas ao lado desses mestres, outros, menos famosos, trabalharam arduamente, com módicos salários, na formação dos jovens leitores. Da mesma forma, dentre os alunos que freqüentaram a Escola durante o Segundo Reinado, inúmeros ocuparam posteriormente cargos do primeiro escalão nas esferas administrativa, jurídica, política, científica, educacional, artística etc. Outros, entretanto, não obtiveram reconhecimento público, mas certamente fizeram a Instituição ultrapassar os objetivos em que a circunscreveram seus fundadores.

Dentre os primeiros professores do Colégio, um dos mais renomados era Gonçalves de Magalhães, que entra para a Escola em 1838, ocasião na qual leva à cena seu Antonio José ou o Poeta e a Inquisição, montado pela primeira vez no Teatro da Constituição Fluminense, depois S. Pedro de Alcântara, hoje João Caetano. Nomeado para dar aulas de Desenho, Gonçalves de Magalhães solicita uma transferência para a cadeira de Filosofia ou para a de História, pois não se julga competente para o ensino de Desenho. Substituído, então, por Araújo Porto Alegre, é designado para a cadeira de Filosofia, mas permanece pouco tempo na sala de aula, pois de 1838 a 1841 foi secretário de Caxias no Maranhão e de 1842 a 1846 serviu com o militar no Rio Grande do Sul, em 1847 entra para a diplomacia, na qual permanece até 1874, ocasião do seu falecimento. (CÂNDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira.1981 p.373)

Três anos depois da viagem de Gonçalves de Magalhães para o Sul, ingressa no Internato o aluno Álvares de Azevedo, aos 13 anos, aprovado com brilhantismo para o 5º ano ao ser examinado na prova de ingresso pelo Barão de Planitz, professor de alemão. Nos três anos letivos em que esteve no Colégio, Álvares foi aluno, dentre outros professores, de Joaquim Caetano, o Reitor que além da função administrativa ensinava Grego e cobrava no exame final a tradução do primeiro canto da Ilíada; de Piquet, o professor de francês que exigia dos bacharelandos traduções de Racine e de Molière; de Medeiros Gomes, professor de Latim que esperava dos alunos traduções sem silabadas das Odes e Sátiras de Horácio e do poeta e professor de Retórica Santiago Nunes Ribeiro, fundador e último redator da revista literária A Minerva Brasileira.

Álvares forma-se ao final de 1847 e cerca de um ano depois, no início de 1849, entram para o Colégio os professores Gonçalves Dias e Joaquim Manuel de Macedo. Gonçalves Dias é nomeado para ensinar Latim e Macedo História. Mas, em decreto do Ministro Monte Alegre, de 25/3/49 é feito o seguinte comunicado à reitoria:

Sua majestade o Imperador informa ter havido bem da 1ª. Cadeira de História e Geografia desligar o ensino de História do Brasil, devendo ficar provisoriamente o ensino desta disciplina a cargo do professor da segunda cadeira de Latim, Dr. Antonio Gonçalves Dias, que em vez de dez lições, passa dar doze lições – as duas últimas destinadas ao ensino de História Pátria”. . (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937. p.69-70)

Toma ainda o Imperador uma providência para auxiliar Gonçalves Dias na elaboração de suas aulas de História do Brasil, conforme aviso do Ministro do Império à reitoria do Colégio:

Rio de Janeiro – Ministério dos Negócios do Império em 27 de abril de 1849

Participando o ajudante de Bibliotecário da Biblioteca pública d’esta Corte que existe em poder do professor da 1ª. Cadeira de História e Geografia desse Colégio, João Batista Clógeras, a História de Southey que o professor da 2ª. Cadeira de Latim do mesmo Colégio, o bacharel Antonio Gonçalves dias, deseja consultar para o desempenho de trabalhos que tem a seu cargo: Há sua Majestade o Imperador por bem que a referida História de Southey seja entregue ao dito bacharel Gonçalves Dias, debaixo de sua responsabilidade. O que comunica a V. Mce. Para seu reconhecimento e execução. Deus Guarde V. Mce. Visconde de Mont’Alegre. . (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p. 70-71)

O apoio do Imperador ao trabalho de Gonçalves Dias vai além dessa medida. Em março de 1851 o poeta é licenciado, com vencimentos, a fim de verificar o estado da instrução pública no Norte do País e de recolher documentos para enriquecimento do Arquivo Público do Império e em 1853 fica três meses licenciado para que redija o relatório decorrente de suas pesquisas.

Observamos que essa disponibilidade do Imperador para com Gonçalves Dias não era extensiva, de forma geral, aos demais professores. Não havia no Pedro II, de então, uma equidade no tratamento dado aos mestres, pois em 1844 o professor de inglês Diogo de Maze, que não teve o reconhecimento público de um Gonçalves Dias, nem parece ter recebido qualquer apoio para estudos ou pesquisas, declarara à administração do Colégio não convir lecionar por 500 mil réis anuais, quando os alunos internos pagavam 100 mil réis trimestrais e o Colégio dava lucro. A administração, que não se manifestou por escrito a respeito, acata o pedido do professor. Mas, quatro anos depois a condição salarial dos mestres continuava a mesma e um outro professor reagia pedindo demissão devido ao baixo salário. Era José Falleti, de Latim que, como Diogo de Maze, tem também sua demissão acatada. Se não tiveram adeptos em suas atitudes, de alguma forma essas demissões geraram uma movimentação na Administração do Colégio, pois o novo Ministro do Império, Mont’Alegre, assume a pasta no ano seguinte, com o compromisso de desfazer desigualdades no salário dos docentes e, ainda em 1849, fixa o vencimento anual dos professores em um conto de réis. . (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937. p.69)

Em 1848, quando o professor de Latim pede demissão, os alunos publicam pela primeira vez um jornal de circulação interna, copiado a mão, cujo título era Escudo da Minerva. Desse jornal, porta voz da primeira associação discente do Colégio, não restou exemplar no NUDOM, mas, segundo Dória afirmava em 1937, havia no Arquivo Nacional um número do periódico, que fora a ele oferecido quando exercia o cargo de Presidente daquela Casa, entretanto, até o presente momento não foi possível localizá-lo.

No correr de 1855, devido às dificuldades enfrentadas pela administração do Colégio em manter a disciplina dos alunos, aluga-se uma propriedade no Engenho Velho (Tijuca) e para lá são transferidos os internos. E se no Internato forma-se, ao final de 1865, Rodrigues Alves, em 1873 Raimundo Teixeira Mendes, que não entrou para a história oficial do país, abre mão do título de bacharel na solenidade de formatura, recusando-se ao juramento de manter a religião do Estado, obedecer e respeitar ao Imperador e às instituições vigentes etc. Raimundo, que fora aluno gratuito, desde o 2º ano era um dos três bacharelandos daquele ano no Internato. . (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II; 1937.p.115)

Dois anos depois desse incidente, D. Pedro II manda seu neto, o príncipe D. Pedro Augusto estudar no Colégio. Mas, ainda segundo Doria, o príncipe não gozava de qualquer privilégio, tendo, inclusive, ficado de castigo por indisciplina. Infelizmente, não encontramos o nome de D. Pedro Augusto no livro Das penas e penalidade. Mas é preciso ressaltar que o Manuscrito não abrange todo o período em que o príncipe esteve na Escola.

Discordantes ou não dos valores que recebiam, os jovens leitores conviveram com alguns dos mais instigantes homens de letras do Segundo Reinado, dentre eles, além dos anteriormente mencionados, podemos citar Francisco de Sales Torres Homem, professor de Desenho; Antonio Francisco Dutra e Melo, professor de inglês; Rozendo Muniz Barreto; professor de Filosofia; Silvio Vasconcellos da Silveira Ramos Romero, professor de Filosofia; Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro, professor de Literatura etc.

A convivência dos adolescentes com intelectuais e cientistas das mais variadas áreas de atuação e de diferentes posições políticas, bem como com colegas de diferentes segmentos da sociedade carioca e de outras províncias, criou na comunidade leitora do Colégio Imperial de Pedro II um ambiente de grande efervescência intelectual, que estimulava a investigação e a produção do conhecimento, bem como impulsionava à reflexão crítica. Além da prática acadêmica prevista, o relacionamento entre professores e alunos era mais próximo do que se pode supor a priori, pois até mesmo durante as férias estavam na Instituição. Nesse período, em vez das práticas regulares, faziam expedições científicas e ministravam duas horas de aulas extras aos adolescentes, os quais posteriormente dedicavam quatro horas do dia a estudos e leituras individuais.

No que concerne à influência dos professores sobre a vida dos alunos é exemplar o relato do ex-aluno Joaquim Nabuco em Minha formação, onde dedica poucas linhas ao Colégio de Pedro II, mas constrói um capítulo para homenagear seu velho professor de alemão, o Barão de Tautphoes.

Não preciso remontar ao colégio, ainda que ali, provavelmente, tenha sido lançada no subsolo da minha razão a camada que lhe serviu de alicerce: o fundo hereditário do meu liberalismo” (...) (NABUCO, Joaquim. Minha formação.1998. p.31)

Nenhuma influência singular atuou sobre mim mais do que a de meu mestre, o velho barão Tautphoeus.(...) Sempre com um grosso volume alemão debaixo do braço, caminhava horas inteiras no mesmo andar, alheio ao mundo exterior. Era um homem que sabia tudo.(...)Com ele aprendi que a dificuldade de assimilar, de sentir o que não tem afinidades com a nossa própria produção é antes uma virtude do que um defeito, a permeabilidade prejudica a solidez e conservação das qualidades próprias, isto é, a própria natureza” (NABUCO, Joaquim. Minha formação.1998. p. 230)

Afonso Arinos de Melo Franco que foi aluno do Internato de 1917 a 1921, portanto em um momento ao qual não nos dedicamos nesse breve levantamento, registra em A alma do tempo as suas memórias sobre sua vida no Colégio e faz, como Nabuco, referências aos seus professores. Aqui o citamos, na falta de outros relatores, a título de ilustração, sem deixar de considerar as transformações que a República traz para o Colégio, mas convictos de que o tratamento dado aos alunos pelos professores transcendia as reformas republicanas operadas na Instituição.

A João Ribeiro devo o primeiro contato direto com a moderna poesia brasileira, através de Ribeiro Couto. (...) Vínhamos no bonde, numa segunda feira de manhã, em direção ao internato. João Ribeiro, que sempre andava com livros na mão, passou-me um pequeno volume cuja leitura me recomendou. Era o recém saído Jardim das confidências. O impacto que a descoberta destes versos, tão diferentes do meu Bilac, do meu Raimundo, fez sobre mim é indescritível...” (MELO FRANCO, Afonso Arinos. A alma do tempo. p.60 )

A personalidade mais forte, do grupo de professores, era Floriano de Brito, professor de francês. Ensinou-nos a amar os clássicos, entre os quais estavam Racine e La fontaine. Com Floriano aprendi a ler Chateaubriand...” (MELO FRANCO, Afonso Arinos. A alma do tempo. p.61 )

Além dos professores, funcionários também participavam diretamente da comunidade leitora. Tinham direito de retirar livros da biblioteca, sob sua própria responsabilidade, segundo as disposições estatutárias, e eram todos escolhidos com muito rigor, conforme pode ser observado no ofício de três de novembro de 1838, remetido pelo vice-Reitor do Colégio ao Ministro do Império.

Tenho a informar a V. Ex. que eu nomeei o dito Dourado interinamente(...) Parece-me um moço de juízo bem instruído em Gramática Latina. Teve estudos completos no Colégio de Jacuecanga na Ilha Grande, por isso Aritmética, a Álgebra e a Geometria, a Língua Francesa e a Filosofia não lhe são desconhecidas...” (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.31 )

Contrastando com esses funcionários que podiam, inclusive, mudar de função para a carreira do magistério, como aconteceu, por exemplo, em 1844 quando o secretário Fernando Francisco Lessa passa a exercer o cargo de professor de francês, havia na Casa, além dos serventes, quatro escravos encarregados dos serviços designados como grosseiros. Tais serviços, como não havia rede de esgotos na época da inauguração do Colégio, relacionavam-se, dentre outros afazeres, à higiene dos sanitários. Mas, estava a Reitoria autorizada, conforme expediente do Ministro do Império, a humanitariamente melhorar a condição desses africanos.(DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.29-30) Contudo, poderiam esses senhores ter acesso aos livros? Recentemente, recebemos a informação, de uma das bibliotecárias do NUDOM, de que existe na Casa um relatório inventariando o que restara dos objetos pessoais de um desses escravos, quando de seu falecimento. Infelizmente não pudemos investigar ainda esse material, quiçá exista entre seus pertences um livro...

Não há dúvida de que a comunidade de leitores da qual tratamos era diversificada. Conforme atestam os documentos circulavam pelo prédio da Rua Larga de S. Joaquim nobres, plebeus, escravos, intelectuais, cientistas, poetas, pintores, romancistas, padres, brancos, negros, índios, morenos, mulatos, pardos etc. Entretanto, havia uma unidade nessa diversidade: eram todos homens. Até a série de conferências feitas pelo paleontólogo suíço Luiz Agassiz no Colégio, em 1865, nenhuma mulher participara de qualquer atividade intelectual na Escola e, até mesmo a Imperatriz só aparecera na Instituição durante as festividades de Colação de Grau. Mas, da equipe do paleontólogo participava sua esposa, a pesquisadora Elizabeth Cary Agassiz que acompanhava o marido na apresentação das conferências. Essa participação, a princípio, teria gerado, segundo relato de Doria, um constrangimento, mas o Imperador, surpreende o corpo docente, ao comparecer acompanhado da Imperatriz e de suas filhas para assistir à apresentação dos trabalhos, o que fez com que na segunda conferência outras senhoras comparecessem ao evento.

Apesar dessa presença feminina em 1865, só em 1883, quase 20 anos depois das conferências dos Agassiz, é que um pai, o Doutor Cândido Barata Ribeiro, professor de Medicina, solicita oficialmente o ingresso de suas filhas no Colégio. O então Ministro do Império, Senador Leão Veloso, do gabinete de Paranaguá, ouvido o Imperador, acolhe o requerimento de Barata Ribeiro e aproveitam a concessão, além de Cândida e Leonor Borges Ribeiro mais três outras jovens: Maria Júlia Picanço da Costa, Maria Olympia e Zulmira de Moraes Kohn. Dois anos depois, o novo Ministro, Meira de Vasconcellos, recebia ofício do reitor comunicando-lhe a existência de 20 alunas no estabelecimento, 15 matriculadas e 5 ouvintes. Porém, solicitava o Reitor ao Ministro nomeação de inspetora, ponderando sobre a conveniência de serem as alunas encaminhadas para a Escola Normal ou para o Liceu de Artes e Ofícios, pois uma delas tinha 22 anos e outra 16, estando as demais entre 14 e 10 anos e todas matriculadas no 1º. e 2º. anos, a exceção de uma que freqüentava o 3º ano. Nessa ocasião, o Ministro caracteriza o Colégio oficialmente como masculino e encaminha as alunas para a Escola Normal, para o Liceu de Artes e Ofícios e para o curso secundário noturno da Fundação José Manuel Garcia. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.155)

Portanto, até o final do Segundo Reinado o Colégio de Pedro II foi escola mista apenas por dois anos, durante o conturbado período da década de 1880, em que as aparições do Imperador na vida pública reduziam-se consideravelmente, conforme informa Lília Scwarcz.

Já falando corretamente francês, inglês, espanhol, alemão e italiano, o imperador investe ainda mais no estudo de idiomas clássicos e nacionais, como grego, latim, hebraico, tupi-guarani e provençal. (...) A situação interna se tornava cada vez mais tensa em razão das agitações em prol da abolição da escravidão e do fim da monarquia.(...) Alguns alegavam que o Imperador fugia das questões políticas do país.(...) Outros afirmavam que o Imperador sofria de inequívoca decadência física motivada por sua idade avançada.” (SCHWARCZ, Lilia. As barbas do Imperador.1998. p..428-429)

Aos 62 anos as imagens oficiais do Imperador retratam um velho de barba completamente branca e aspecto doentio. As caricaturas ridicularizam-no: aparece dormindo em reuniões, em entregas de prêmios, em sessões do IHGB... Todavia, a caricatura mais recorrente dentre as que observamos é a que retrata o Imperador com um livro ou um jornal na mão, alheio, em um mundo diferente do que o cerca. Um imperador leitor ou um imperador poeta é motivo de pilhéria, como sintetiza a caricatura em que ao centro das armas imperiais aparece uma lira, com a seguinte vinheta:

É indispensável acrescentar às armas imperiais uma lira. Um rei poeta é coisa rara!” “Em Revista Ilustrada” (SCHWARCZ, Lilia. As barbas do Imperador.1998. p. 419)

A despeito das críticas que lhe eram exaustivamente feitas, em 1876 o Imperador, em viagem à Europa, decide visitar Victor Hugo:

Mesmo diante da negativa do intelectual francês a recebê-lo, abre mão do protocolo e vai ele mesmo à morada de Victor Hugo. Ao ser introduzido pela filha do escritor, Jeanne, como a “Majestade do Brasil”, teria afirmado: aqui existe apenas uma majestade: Victor Hugo.” (SCHWARCZ, Lilia. As barbas do Imperador.1998. p. 379)

Ainda, Segundo Lília Schwarcz:

Esse terá sido, sem dúvida, um duro golpe para os republicanos brasileiros, que viam em Victor Hugo um modelo alentado” (SCHWARCZ, Lilia. As barbas do Imperador. 1998. p. 379).

Às cinco horas da tarde do dia 14 de novembro de 1889 saía da Escola, às cinco horas da tarde, depois de assistir a um concurso da cadeira de inglês, o Imperador, em sua última atuação naquela comunidade de leitores. Era o último dia da Monarquia e o último dia em que o Colégio Imperial de Pedro II podia exibir seu nome de batismo. Em novembro de 1890, Benjamim Constant, Ministro da Instrução da República e antigo professor da Casa, muda o nome do Colégio para Ginásio Nacional.

III

A biblioteca do Imperial Colégio de Pedro II, referida desde a fundação da Instituição em capítulo do Regulamento nº 8 de 31/1/1838 que contém os estatutos para o Colégio, é uma página viva da memória de leitura da Casa. Mas, infelizmente, são raríssimas as informações que tratam das especificidades desse acervo. No Regulamento de 1838, assinado por Bernardo de Vasconcellos e Pedro de Araújo Lima, deparamo-nos os seguintes artigos:



Art. 146. Haverá no Colégio uma biblioteca composta de livros escolhidos pelo reitor, com a aprovação do Ministro do Império.

Art. 147. O catálogo da Biblioteca será feito em duplicata, ficando um dos exemplares em mãos do Reitor para ser anualmente verificado pelo vice-Reitor, e o outro será entregue ao Ministro do Império.

Art. 148. Um empregado debaixo da direção imediata do vice-Reitor será incumbido pelo reitor do cuidado da biblioteca,

Art. 149. Os livros da biblioteca poderão ser emprestados aos empregados, debaixo de sua responsabilidade e aos alunos por licença escrita do Vice-reitor.

Art.150. Nenhum livro poderá ser emprestado por mais de oito dias, a não ser renovado o pedido. Quem tomar emprestado um volume fica responsável pela obra inteira. “. (LIMA, Araújo &VASCONCELLOS, Bernardo Pereira de. Estatutos para o Colégio de Pedro II.. p.121-122).

Apesar do artigo 147 mencionar uma sistemática de trabalho para a atualização do catálogo do acervo, que resultaria numa peça valiosa para os estudos sobre leitura, ainda não encontramos no Colégio, nem no Arquivo Nacional o suposto catálogo.

Há muito poucas informações na Memória histórica do Colégio Pedro II, publicação oficial do centenário da Instituição de autoria de Escragnolle Doria, sobre a biblioteca. A primeira referência é feita para registrar a doação de 30 volumes de Walter Scott, quando o memorialista refere-se à habitual prática de doações de livros ao Colégio. Entretanto, nem o nome dos doadores, nem o título dos volumes foram encontrados nos registros do acervo.

Não eram raras então as doações para o Colégio. O Dr. Joaquim Vicente Torres Homem, pai do grande clínico de igual nome, enriquecia a biblioteca do Colégio com a oferta de 34 volumes de Walter Scott(...) traduzidas em alemão. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.63 )


A segunda menção à biblioteca é feita quando o memorialista trata de uma reunião do Conselho Colegial de seis de junho de 1881:

Desejou consultá-los a reitoria para saber se os compêndios e manuais de ensino consultados no Colégio satisfaziam as necessidades da instituição e dado que não satisfizessem quais os suscetíveis de revisão, correção ou organização.(...) Desejava mais a reitoria dissesse o Conselho que obras literárias, científicas e pedagógicas conviria adquirir para engrandecimento da biblioteca do Externato, conforme ordenava o plano de estudos do Colégio.( DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.157)

Nenhum professor manifesta-se em relação à biblioteca, exceto Rodrigues Macedo, que comenta:

As obras pedagógicas eram úteis, embora já passasse o tempo em que cada erro, cada bolo. Ao professor que não soubesse tocar a corda sensível do estudante pouco poderiam aproveitar tais obras.” (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.157)

Mesmo investigando textos e documentos do século XX sobre o Colégio, foram poucos os registros encontrados sobre a biblioteca da Instituição. E, ainda que nosso recorte temporal se restringisse ao período que vai da Fundação do Colégio (decreto de 1837 / ano letivo de 1838) à Proclamação da República, não pudemos nos furtar a sumariar tais registros, pois uma questão se colocava: estávamos diante de um acervo nomeado como Acervo antigo da biblioteca histórica do Colégio Pedro II, cujo inventário das obras fora feito entre 1988 e 1991 e ao qual haviam sido anexadas publicações durante o século XX.

Ademais, ainda hoje, a Biblioteca continua a sofrer acréscimos, segundo informações da bibliotecária responsável pelo Acervo Antigo, Maria de Fátima Proa de Melo, a quem agradecemos a disponibilidade com que cooperou com nosso trabalho, fornecendo-nos o arquivo manuscrito para que trabalhássemos com ele na sala do NUDOM fora do horário de funcionamento da biblioteca, acompanhando-nos ao tentar decifrar os manuscritos que restaram dos livros de registro, em hora de almoço, e concedendo-nos entrevista a respeito do último processo de catalogação da biblioteca, feito entre 1988 e 1991.

Segundo a política da Instituição, visando acrescer o acervo em qualidade, foi feita a opção de se incorporar a esta coleção doações de obras de reconhecido valor e importância, mesmo correndo o risco de descaracterizar o seu fundo documental, que deveria refletir uma coleção formada num período determinado” (DEGRAVAÇÃO: Fátima Proa de Melo.Março, 2006)

Em 1917, ao assumir a direção interina da Escola, Carlos de Laet dedica-se a reformar algumas seções da Instituição que precisavam de obras. Dentre tais seções estava a biblioteca do Externato que, segundo Doria, contava mais de 9000 livros, mais de 2000 brochuras e coleções de jornais, sem que nada tivesse sido catalogado. Em contrapartida, a biblioteca do Internato, ainda segundo o memorialista, encontrava-se em melhores condições. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II.1937.p.235)

De 1917 a 1921 Afonso Arinos estudou no Internato, que neste período já funcionava em S. Cristóvão. Em sua Alma do tempo, descreve a biblioteca, que foi quase totalmente destruída por um incêndio em 1961.



(...) A biblioteca era ampla, alta, acolhedora. Milhares de livros se acumulavam em coleções desatualizadas, do ponto de vista pedagógico, mas valiosas pelo que continham de clássicos e obras raras, em belas encadernações. O velho Trindade, mulato seco e breve, era, havia muitos anos, o bibliotecário. Os alunos o chamavam de boca-de-bagre. Ele se dava bastante com meu pai, e assim, eu podia, sem receio, contar com seu bom acolhimento na sondagem das coleções. (MELO FRANCO, Afonso Arinos. A alma do tempo.p.56 )

Inúmeros documentos e incontáveis volumes foram destruídos durante incêndio acontecido em 1961 no prédio de S. Cristóvão e é memorável a fotografia publicada nos jornais da época, quando alunos da Casa tentam desesperados salvar os livros da biblioteca das chamas. Contudo, segundo informação da bibliotecária do NUDOM, Elizabeth Monteiro da Silva, o prejuízo foi incalculável, e o que restou da antiga biblioteca do Internato foi anexado à antiga biblioteca do Externato.


Em 1918 a catalogação do acervo do Externato, promovida por Carlos de Laet em 1917, continuava a ser feita, tendo sido concluída em 1920, a cargo do bibliotecário Cecílio de Carvalho, bacharel em Letras, que providenciara a arrumação da biblioteca em estantes de ferro vindas da Alemanha, após as obras de reforma coordenadas pelo engenheiro Rebechi, igualmente responsável pela restauração do Salão Nobre. DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II; 1937.p.237) As duplicatas do Externato foram remetidas para o Internato, que tinha a biblioteca mantida em bom estado. Para lá teriam ido obras de Darwin, Comte, Souza Caldas, Camões, Thomaz Gonzaga, Santa Rita Durão, Tasso, Spencer etc. (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II.1937.p240)

A biblioteca do Colégio em 1920 apresentou progresso. Ficou com seus volumes catalogados após dois anos de trabalho. Bilhetes bibliográficos permitiam ao bibliotecário atender com presteza aos consulentes, restando apenas mandar imprimir catálogo...” (DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II. 1937.p.250)

Se feita a publicação mencionada por Dória, dela não restou exemplar. O mais antigo registro de livros do acervo do externato data da década de 1950 (1950 a 1956).São dois volumes manuscritos, em péssimo estado de conservação, nos quais foram registrados os livros divididos em assuntos, sem quaisquer critérios de datação da publicação ou de entrada do exemplar no acervo. Nesse mesmo livro, em 1977(sic), foram feitos 138 lançamentos de livros de filosofia. A primeira folha do catálogo está parcialmente destruída, pode-se ler a data da edição dos livros, mas não se podem saber os títulos das obras.

Uma outra informação que não podemos deixar de registrar, diz respeito ao Instituto de Bacharéis em Letras, fundado em 1863. Era uma agremiação que reunia ex-alunos do Colégio em sessões nas quais apresentavam trabalhos acadêmicos dos mais variados temas. Em 1865 o Ministro do Império teria cedido uma sala no Externato para as sessões do Instituto e para a formação de uma biblioteca, que contava à época com muitos volumes, doados, em geral, por ex-alunos ou por seus familiares. Essa agremiação em 1867 publicou o único número da revista intitulada Biblioteca do Instituto dos Bacharéis em Letras que reunia em suas 298 páginas, segundo Doria, trabalhos literários, além do discurso de Sá e Benevides proferido durante a instalação do Instituto. Desfeita a associação, os volumes dessa biblioteca, dispersos, segundo Dória, teriam sido incorporados à coleção hoje denominada Acervo antigo da biblioteca histórica do Colégio Pedro II ?

O último inventário do atualmente denominado Acervo Antigo foi feito, como mencionamos anteriormente, entre 1988 e 1991. Participaram da equipe de trabalho: as bibliotecárias Carolina Lane Cortes Brasílico e Maria de Fátima Proa de Melo, o redator Ângelo Gil Pereira Coelho, a Técnica administrativa Ana Maria Lentini, o administrador Carlos Alberto Esmeraldo de Melo, os assistentes em administração Edno Dagne, Alberto de Mattos Júnior e Hélio José de Oliveira Fonseca, à época estudante de Letras. A opção metodológica do grupo de trabalho, conforme informação de Maria de Fátima Proa de Melo, foi a separação das obras por grandes assuntos, segundo a classificação decimal de Dewey (CDD). Feita a identificação das obras na forma de referência bibliográfica, segundo as normas da ABNT vigentes na época, os livros foram ordenados em estantes em ordem seqüencial e crescente, dentro dos respectivos assuntos. Tanto os exemplares quanto as obras em volumes receberam um único número, para que as coleções não ficassem separadas. Uma notação alfa-numérica – sigla do assunto e número do livro na estante – foi colocada no canto superior esquerdo da ficha do catálogo e em marcador – tira de cartolina – sobressaindo do interior do livro na estante. A reunião das obras foi feita segundo ordenação alfabética da fichas do catálogo pelo seu sobrenome, dentro dos respectivos assuntos.

Devido à falta de pessoal para deslocamento dos livros, segundo Fátima Proa, não foi seguida a ordem dos assuntos segundo a CDD. Os livros foram mantidos na ordem em que já se encontravam: no térreo: Filosofia, Religião, Política, Economia, Economia Política, Psicologia, Direito, História (Gera, Universal, Antiga, de Roma, da Grécia, Medieval, Moderna, da Inglaterra, da França, de Portugal, da Espanha, de outros países da Europa, da América do Norte, da América do Sul, do Brasil, dos países asiáticos, de outros países), Dicionários, Discursos, Sociologia, Periódicos, Matemática, Geometria. No mezanino: Coleções (Documentos Brasileiros, Brasiliana, Labor), Literatura e Língua Alemãs, Literatura e Língua Portuguesas, Literatura Brasileira, Literatura e Língua Italianas, Línguas Exóticas, Literatura Grega, Literatura Latina, Literatura e Língua Inglesas, Literatura Americana, Língua Espanhola, Literatura e Língua Espanholas, Literatura e Língua Francesas, Literatura de outras línguas, Física, Química, Mineralogia, Geologia, Biologia, Botânica, Zoologia, Ciências, Astronomia, Tecnologia, Medicina, Artes, Geografia, Biografia, Diversos, Atlas.

Após esse trabalho foi feita a estatística do Acervo Antigo, mas as Coleções de Leis do Brasil e as obras de professores da Casa foram retiradas da biblioteca e encaminhadas ao NUDOM (Núcleo de Documentação e Memória). Ao final desse processo computavam-se 11.806 títulos num total de 19.953 volumes.

De autoria da bibliotecária Elizabeth Monteiro da Silva, funcionária da Casa, encontra-se disponível no NUDOM o catálogo dos livros raros do Acervo Antigo. Observa a pesquisadora, apoiando-se em Waldomiro Vergueiro em seu artigo Desenvolvimento de coleções: uma nova visão para o planejamento de recursos informacionais, de 1993 que:

A teoria do caos documentário reza que o crescimento da produção literária, ao longo dos anos, não foi acompanhado por um efetivo controle bibliográfico; isto é, a todo instante novos documentos estão sendo produzidos sem que aconteça o registro bibliográfico dos mesmos. A Biblioteca do Colégio Pedro II Unidade Centro confirmou esse fenômeno.”(...) O catálogo da biblioteca de livros raros e especiais compõe-se de um total de 104 obras(...) abrange os séculos XVII a XIX (...) inclui obras de diversos países.”(SILVA,Elizabeth Monteiro. Catálogo dos livros raros e especiais do acervo antigo da biblioteca do Colégio Pedro II – Unidade Centro. p.14-19)

Os critérios utilizados por Elizabeth Monteiro para classificar como raras e especiais algumas obras do acervo foram limites históricos; aspectos bibliológicos, como artes gráficas, natureza e características dos materiais usados na composição do livro, ilustrações etc. Considerou, ainda, o que denomina como valor cultural: obras que “resgatariam a memória da Instituição.” .(SILVA,Elizabeth Monteiro. Catálogo dos livros raros e especiais do acervo antigo da biblioteca do Colégio Pedro II – Unidade Centro. p.20) E, por fim, obras publicadas no Brasil no início do século XIX.

Dentre os livros selecionados pela bibliotecária, destacam-se o dicionário de CALEPINO de 1663; Os Sermões de Vieira em edição de 1679; os denominados Sermões Ascéticos, também de Vieira, reunidos em volume intitulado Maria Rosa Mystica, de 1686; o Vocabulário portuguez, e latino, áulico, anatômico de Bluteau, editado pelo Colégio das Artes da Companhia de Jesus no século XVIII; a Biblioteca lusitana histórica, crítica e cronológica na qual se compreende a noticia dos autores portuguezes e das obras que compuserão desde o tempo da promulgação da Ley da Graça até o tempo prezente offerecida à augusta magestade de D. João V. Nosso Senhor , também do século XVII; a Chronica do sereníssimo senhor rei D. Manoel, de Damião de Góis, datada de 1744; a FENIX renascida ou obras poéticas dos melhores engenhos portugueses, de 1746; a Complete history of England, deduced from the descent of Julius César to the traty of Aix la Chapelle, de 1748; as Obras de Francisco Sá de Miranda, de 1784; as Obras de Ovídio em edição de 1792; o Prosas selectas ou escolha dos melhores lugares dos autores portugueses antigos e modernos, de José da Fonseca, publicado em Lisboa em 1838; o volume de autoria de Pero Lopes de Souza, de 1839, Diário de da navegação da armada que foi à terra do Brasil em 1530(...), o qual pertencera a Varnhagen etc.

Diante de toda a problemática anteriormente exposta sobre o Acervo Antigo do Colégio Pedro II, o catálogo das obras classificadas como literárias e que supostamente teriam circulado entre os leitores da Biblioteca do Colégio até a Proclamação da República, precisa ser relativizado. Ao decidir publicá-lo, optamos por citar, a partir das fichas manuscritas a lápis, os livros datados até 1888, acrescidos daqueles que mesmo sem datação pertencem a edições publicadas no período. Feitas as ressalvas, esperamos contribuir de alguma forma para as pesquisas na área. Ademais, acrescentamos que esse é um trabalho em construção e como tal deve ser lido, sem que dele se espere respostas conclusivas.

...

Agradecimentos:



Apesar de sucinto, este trabalho não teria sido feito sem o auxílio inestimável das bibliotecárias Fátima Proa e Elizabeth Monteiro; de Raphael Yuri, aluno da Casa, que copiou parte das fichas de literatura portuguesa e do professor Gilson de Oliveira, de Biologia, que me ajudou a montar o livro de registros da biblioteca, bem como me auxiliou na leitura das anotações manuscritas nele contidas. Agradeço também à equipe do NUDOM que me acolheu em dias de recesso e horários de almoço, sempre de livros abertos.

Rio, abril de 2006

Gloria Vianna

Dra. Em Literatura Comparada pela UFF

Professora do Departamento de Língua e Literaturas da Língua Portuguesa do Colégio Pedro II – Unidade Humaitá II

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:



  1. ABREU, Márcia & SCHAPOCHINIK, Nelson. Cultura letrada no Brasil: objetos e práticas. Campinas: Mercado de Letra / Associação de Leitura do Brasil, 2005.

  2. AGASSIZ, Luiz & AGASSIZ, Elizabeth. Viagem ao Brasil.São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938.

  3. ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Metamorfoses indígenas: identidade e cultura nas aldeias coloniais do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003

  4. BESSONE, Palácios de destinos cruzados: bibliotecas, homens e livros no Rio de Janeiro de 1870 a 1920. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1999.

  5. CÂNDIDO, Antônio. A formação da literatura brasileira. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981

  6. CARPEAUX, Otto Maria. Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Tecnoprint, [s/d].

  7. CAVALLO, Guglielmo & CHARTIER, Roger. História da leitura no mundo ocidental.São Paulo: Ática, 1998. Volumes 1e 2

  8. DORIA, Escragnolle. Memória histórica do Colégio de Pedro II.Rio de Janeiro: Colégio Pedro II/MEC, 1937.

  9. FRANCO, Afonso Arinos Melo. A alma do tempo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979

  10. LAJOLO, Marisa & ZILBERMAN, Regina. A formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 1998.

  11. LIMA, Ivana Stolze. Cores, marcas e falas: sentidos da mestiçagem no Império do Brasil. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003.

  12. LOPEZ, Luiz Roberto. Cultura brasileira: de 1808 ao pré-modernismo.Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1995.

  13. NABUCO, Joaquim. Minha formação. Brasília: Senado Federal, 1998.

  14. REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. Rio de Janeiro: FGV, 2002.

  15. SCHWARCZ, Lilia. As barbas do Imperador.São Paulo: Companhia das Letras 1998.

  16. SOUZA, Roberto Acízelo. O império da eloqüência: retórica e poética no Brasil oitocentista. Rio de Janeiro, EDUERJ/EDUFF, 1999.

  17. VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Desenvolvimento de coleções: uma nova visão para o planejamento de recursos informacionais. Brasília: Ciência da informação, v. 22, n.1, jan/abr. 1993.

MONOGRAFIAS E TESES:

1- ANDRADE, Vera Lúcia Cabana de Queiroz. Colégio Pedro II, um lugar de memória. Rio de Janeiro: UFRJ/IFCS, 1999.

2-AUGUSTI, Valéria. Trajetórias de consagração: discursos da crítica sobre o Romance no Brasil oitocentista. Campinas: UNICAMP, 2006.

3-RAZZINI, Maria de Paula Gregório. O espelho da nação: a antologia nacional e o ensino de português e de literatura (1838-1971). Campinas: UNICAMP, 2000.

4- SILVA, Elizabeth Monteiro da. Catálogo dos livros raros e especiais do acervo antigo da biblioteca do Colégio Pedro II. Rio de Janeiro: UNIRIO, [s/d].


CATÁLOGOS E MANUSCRITOS:

1- ARQUIVO MANUSCRITO DO ACERVO ANTIGO da Biblioteca Histórica do Colégio Pedro II.(Arquivo da biblioteca)

2-CATÁLOGO DAS TESES E DISSERTAÇÕES DO NUDOM.Rio de Janeiro: Colégio Pedro II, 2000.

3- LIVRO DE REGISTROS dos livros da Biblioteca do Pedro II na década de 1950

4-MANUSCRITO DAS PENAS E PENALIDADES: em que foi anotado o comportamento dos alunos durante o silêncio. Colégio Pedro II, Década de 1870. 2 volumes.

5- REGULAMENTO N.8 DE 31/1/1838. Contém os estatutos para o Colégio de Pedro II. Rio de Janeiro: Colégio de Pedro II, 1838.


ANEXO



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