O magnetismo Pessoal é a qualidade pela qual um homem atrai o interesse, a confiança, a amizade e o amor dos demais



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INTRODUÇÃO

O Magnetismo Pessoal é a qualidade pela qual um homem atrai o interesse, a confiança, a amizade e o amor dos demais.
Ao escrever este livro teve o autor a intenção de levar ao conhecimento dos leitores, de forma bem simples e acessível, o segredo do poder pessoal.
Esforçou-se para demonstrar ao leitor como aproveitar ime­diatamente o fruto de seu estudo e não quando suas esperanças estiverem desvanecidas e sua capacidade de prazer diminuída.
Então o saber já não lhe seria de utilidade.
É agora o momento em que êsse saber poderá ser uma van­tagem pessoal para o leitor.
Os que estudaram este Curso dizem que o autor conseguiu o seu fim. Dizem que o estrito afastamento das discussões teó­ricas nesta instrução lhes permitiu entenderem e aplicarem o princípio do Êxito. Eis a razão por que este Curso satisfaz, ao passo que outras dissertações pretensiosas, obscuras e palavrosas não conseguiram nem agradar, nem instruir.

PREFÁCIO DO AUTOR
Suponho que o desejo mais comum dos homens e das mu­lheres é o de atraírem os outros, porque para o homem essa atração significa poder, influência, riqueza, êxito; para a mulher significa prestígio social, popularidade, satisfação e amor.
Esse desejo é bom; esclareçamos bem este ponto antes de começar. Não é deprimente aspirar a ter influência. Não é baixa ambição desejar a riqueza; porque a riqueza, em si, é apenas um meio de nos tornarmos mais úteis.
Invocando as vossas recordações de há vinte anos ou mais, certamente vos lembrareis de que vos apontavam como exemplos dignos de imitação os homens e as mulheres de importância e de influência na época. Eram como luzes refulgentes aos olhos das pessoas mais velhas do que vós. Vossos pais e mestres fala­vam deles com respeito e faziam votos para que pudésseis se­guir as suas pegadas e chegar às culminâncias que eles tinham alcançado.
Porventura estavam eles em erro, quando dessa maneira exaltavam o caráter humano? Creio bem que não. Os grandes espíritos do mundo devem ser os nossos faróis na jornada desta vida, e é pela análise dos grandes homens vivos ou já mortos que nós podemos obter o segredo da sabedoria, que tornou as suas vidas sublimes e cheias de poder. Pois eu pretendo des­vendar-vos o segredo do seu êxito.
Nas três primeiras lições deste Curso, procurei esclarecer--vos sobre algumas das características gerais do estudo do Mag­netismo Pessoal e, deste modo, conduzir-vos e preparar-vos para a instrução específica que vem em seguida.

Primeira Parte

O MAGNETISMO PESSOAL

LIÇÃO I
Reconhecimento de uma força — A bateria de acumulação — A pre­sença de correntes mentais.

Reconhecimento de uma força. — Devo falar-vos de coração aberto e se, porventura, as minhas comparações triviais ofende­rem os ultracientíficos, peço-lhes que suspendam o seu juízo até que tenham assimilado estas instruções e possam observar o efeito da aplicação dos seus preceitos na vida diária de cada um. Falo para a maioria, em linguagem fácil de entender; falo para a média dos homens e mulheres, que desejam simplesmente que se lhes apresentem fatos; falo para o grande público, em geral, que deseja a chave para o aperfeiçoamento da sua condição.
A bateria de acumulação. — Talvez nunca tivésseis pensado que sois uma espécie de bateria de acumuladores elétricos; que constantemente recebeis e descarregais forças; que continuamen­te emitis correntes de repulsão e de atração, umas vezes cons­cientemente, como quando desejais impressionar os vossos ami­gos; outras vezes inconscientemente, como quando causais uma impressão agradável ou desagradável a uma pessoa conhecida apenas de vista. Desta maneira, estais atuando constante e con-

tinuamente sobre os outros, e sois atuado pelos outros, quer por vossa vontade, quer a despeito dela. Tal é o primeiro fato.


A presença de correntes mentais. — Portanto é evidente que há uma força em ação.

Será a força do Pensamento?

Não, porque ela se manifesta sem pensamento da vossa par­te. Essa força pode ser, e realmente é, acrescentada ao pen­samento.

Será eletricidade?

Eletricidade é apenas o nome de uma força desconhecida.

Que é ela, então?

Chamamo-la Magnetismo, porque não sabemos que ou­tro nome havemos de dar-lhe. Pode muito bem chamar-se cor­rente mental, assaz semelhante, em diversos pontos, à corrente elétrica. É uma força que nós podemos aprender a empregar, a conhecer, assim como aprendemos a governar a eletricidade, sem entendermos o que ela é.

A sua origem é um mistério; aceitamo-lo, pois, simples­mente, assim como aceitamos o mistério da própria Vida, e passemos ao emprego dessa Força.


LIÇÃO II
Característicos do indivíduo magnético Sentimento magnético de sossego Olhar peculiar Sempre polido Os fracos tornam-se mais fracos, e os fortes tornam-se mais fortes O homem mag­nético conserva o conhecimento, sem precipitação — Não é vivaz — Trabalha segundo leis fixas — Vós gostais dele Êle emprega a vossa força.
Característicos do indivíduo magnético. — Indicaremos nes­ta lição os efeitos da força magnética.

Todos nós conhecemos o tipo do homem magnético ou da mulher magnética. As mulheres são tão magnéticas quanto os homens; se falo apenas nestes é unicamente em benefício da exposição. Bastará, portanto, que o aluno saiba que tudo quanto, nesse caso se aplica ao homem, aplica-se igualmente à mulher.


Sentimento magnético de sossego. — Quando estais na pre­sença de um homem conscientemente magnético, o primeiro efeito que êle exerce sobre vós é o do sossego; esse homem não se mostra nervoso; não é inquieto. Em seguida ao sentimento de sossego, reconheceis que êle possui algures uma força de retenção; não é nas palavras, não é nos gestos, mas existe e parece ser como que uma parte dele. Ora, é isto exatamente: é uma parte dele, e poucos minutos antes, por mais extraordi­nário que vos pareça, era, em pequenos graus, uma parte de vós mesmos! Um pouco dessa força de atração, que êle desenvolve, e que vós reconheceis, foi de vós para êle, sem que vós percebêsseis. Mas não o podieis imaginar ainda há pouco.
Olhar peculiar. — Examinemos esse homem um pouco mais intimamente para ver se é possível apanhar o segredo da fascinação que ele exerceu sobre vós. Primeiramente observai o seu olhar. Os seus olhos dirigem-se para vós, mas não vos fixa, não vos fita nos olhos; êle olha diretamente para os dois olhos, para a raiz do vosso nariz. É um olhar aplicado e penetrante, sem ser ofensivo. Vós sentis que esse olhar não é, não pode ser, impertinente. Observai também que êle não vos olha dessa maneira, quando vós lhe estais falando; então êle espera como que para receber a vossa mensagem, e depois manda-vos a dele. Quando fala, olha para vós com aquele modo aplicado e dominador, mas amável. Êle não é homem de asserções pessoais; não é homem de argumentos.
Sempre polido. — Escuta-vos com polidez; é sempre polido, mas vós tendes a impressão de que, por detrás daquele sossego exterior, existe uma vontade inflexível; vós sentis nele o poder. É um homem para ser obedecido; numa palavra, a impressão que êle vos deixa é a de uma pessoa que sabe perfeitamente aquilo de que precisa e que não tem pressa, porque tem a convicção de o alcançar. Isto é bem verdadeiro e explica o seu sossego, a sua segurança. Saber é poder, e êle sabe que fundamenta a sua situação nas leis de causa e efeito.
Os fracos tornam-se mais fracos, e os fortes tornam-se mais fortes. — Há uma Lei pela qual o Positivo pode atuar sobre o Negativo. É por ,fôrça dessa lei que aquele que é inconsciente de seu poder magnético e, por isso, é o fraco, entrega algo do seu magnetismo natural àquele que é o forte, porque é consciente do seu poder.
"Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado"

S. Mateus, XXV — 29


O homem magnético conserva o conhecimento, sem precipitação. — Analisemos agora a sua conversação. Fornece-voseêle algumas informações? Muito pouco, e coisa alguma que se possa interpretar como afirmativa de opiniões próprias; o queeêle diz, ordinariamente, não tem grande importância, posto que vos pareça que tenha enquanto ele está falando.
Não é vivaz. — Êle não é vivaz. No entanto, age de maneira que vos leva a imaginar que tem em si muita vida e a usaria, se assim o desejasse.
Por isso, êle excita um tanto vossa curiosidade. Mas êle não vos impressiona como se propositalmente pretendesse mistificar-vos. De modo nenhum. O seu olhar é bem franco e, por isso, não podeis julgar tal coisa, e se vós conviverdes longamente com êle, haveis de observar que nunca vos arma ciladas na conversa para vos provocar admiração. De fato, o seu plano de pensamento está acima da admiração. Nos seus primeiros tempos, quando êle aprendia, como aprendeis agora, o modo de adquirir o magnetismo pessoal, talvez apreciasse ver provocado o seu poder pela franca admiração que os seus conhecidos lhe manifestassem; mas tornou-se superior a isso. Sim, tornou-se superior a isso. Homem nenhum permanece estacio-nário; há sempre alturas mais além que procuramos alcançar; nunca atingimos o vértice.
Trabalha segundo leis fixas. — Quando este homem alcançou popularidade, influência, riueza ou êxito, aceitou-os, tomou-os como sendo o seu direito, como uma sequência lógica da Lei de Causa e Efeito, e seguiu avante. Não ficou parado. Conseguiu a riqueza para si, exatamente pela mesma forma como conseguiu a popularidade: governando. Carecia de riqueza; atraiu a riqueza, porque precisava dela.
Vós gostais dele. — Mas estamos caminhando muito depressa, além do ponto de nossa lição. Que impressão vos deixou este homem magnético? Justamente esta: — desejais ver mais alguma coisa a respeito dele, porque sentis que êle está em acordo simpático convosco, por algum modo misterioso que vós não podeis definir. Estais fascinado por êle, e não ficareis livre da sua influência mesmo depois de vos terdes afastado.
Êle emprega a vossa força. — E agora, recordando a conversação que tivestes, haveis de descobrir, posto que na ocasião não reparásseis em tal, que fôstes vós que dissestes o que sabíeis; fôstes vós que procurastes agradar; fôstes vós que destes. Sim, é isto exatamente: vós destes; êle recebeu. Se êle, que possui a força do conhecimento consciente, tivesse desejado que as coisas se passassem de modo diverso, vós, na vossa fraqueza c ingenuidade, certamente serieis compelido a receber tudo o que êle resolvesse dar-vos — impulso, determinação, opinião. Se êle desejasse fazê-lo, poderia ter-vos influenciado, como o vento produz as ondas na lagoa. Por que? Porque é a hei, êle conhece a Lei e vós não a conheceis. Mas êle não desejou isso naquela ocasião; quis apenas produzir boa impressão em vós; fê-lo, porque conhecia o seu poder, e tomando de vós um pouco de magnetismo, foi-se embora, como a abelha segue o seu caminho, após haver tirado o mel da flor.
LIÇÃO III
Característicos do indivíduo não-magnético —"É um rabugento — Êle deprime — Razão disso — É propenso a errar.
Característicos do indivíduo não-magnético. — Conheceis o homem não-magnético? Eis uma boa ocasião para descrevê-lo em contraste com a personalidade forte da qual até agora falamos. Êle irrita-vos; se estais aborrecido, êle aumenta a vossa irritação; se tendes uma disposição mórbida, êle torna mais profunda a vossa tristeza, se estais contente, êle atua como um trovão. Êle é um peso que vós sois solicitados a erguer. Êle pede a vossa simpatia; diz que é um incompreendido; queixa-se do destino, queixa-se do tempo, queixa-se de alguma pessoa.
É um rabugento. — Está sempre descontente; é falador; diz os segredos; tem necessidade de partilhar os seus desgostos convosco; é uma criatura impulsiva, sem tranqüilidade, sem bom senso, sem ponderação, sem condições de atrair. Oh! li-sonjeia-o e deixa-o ir. Livrai-vos dele. Vós, muito facilmente, o podereis conquistar pelo seu amor próprio; fartá-lo e desembaraçar-vos dele — tal é o vosso pensamento; ponde logo essa idéia em prática e afugentai-o do vosso espírito.
Êle deprime. — Ficais satisfeito quando êle se vai embora. Êle retirou algo de vós de maneira terrível porque vós não sabeis como livrar-vos da sua influência. Se o soubésseis, não só teríeis poupado uma perda de magnetismo, como poderíeis mesmo ter retirado alguma coisa da sua fraqueza, se o desej asseis.
Razão disso. — Qual é, pois, a razão dessa falta de atração ? É simples como o A.B.C. Ele é um dependente. Um negativo; ele não tem senão lamentos, e mais lamentos! Porventura podereis imaginar o homem magnético, de que há pouco vos falei, como um homem cheio de lamentações? Podereis concebê-lo assim? Não; seria um absurdo! O vosso homem magnético é um poder, porque subjugou as circunstâncias, porque manteve uma atitude de espírito que governa as circunstâncias, que domina as coisas que o rodeiam.
É propenso a errar. — Olhai, agora, o outro lado do retrato. Aqui tendes o vosso homem não-magnético que é um insucesso, por sua confissão própria, ainda que êle talvez não o saiba; fraco, queixoso, provocando o insucesso pela atitude do seu espírito; dissipador do pensamento, gastador de energia; um tal caráter está pela Lei destinado a falir. Aqui estão os vossos dois tipos. Estudai-os bem e cuidadosamente. O primeiro é o vosso modelo; o segundo, a vossa advertência.
Pode-se repetir aos vossos ouvidos, como uma regra áurea que deve ser acatada. Não deis a conhecer vossos lamentos. Não procureis a simpatia nem a lisonja. Reconhecei a força em cada desejo, e jazei que essa força seja vossa.
L I Ç Ã O IV
Começa a instrução específica — Natureza das correntes mentais — Extrair poder do desejo — Plenitude da força em tudo — Método de operar — O segredo consiste no vosso isolamento — A reserva não significa imbecilidade — Prova do vigor no desejo-fôrça — Mistério — Uso efetivo do mistério pelos grandes homens — Empresai a força captada de outro homem — Precaução — Procurai evitar a lisonja.
Começa a instrução específica. — Como foi que o vosso modelo se tornou magnético? Que fêz êle consigo mesmo, e como se reproduziu esse efeito?
São bem naturais estas perguntas. Vou respondê-las tão simplesmente quanto posso. Mas façamos recair o exemplo e aplicar a instrução diretamente em vós como um indivíduo, para que êle possa causar-vos uma impressão mais profunda.
Natureza das correntes mentais. — "O desejo, em qualquer pessoa, é uma corrente mental sobrecarregada de poder" — justamente essa espécie de poder que o homem magnético tem sobre seus companheiros. Quando digo "corrente mental", falo literalmente. Não se trata apenas de um modo de falar. Todos os desejos atuam de maneira análoga à das correntes elétricas e são governados por leis análogas, se não as mesmas da atração e repulsão.
Extrair poder do desejo. — Quando tiverdes entendido que podeis extrair poder e magnetismo de qualquer desejo, vós tereis, por assim dizer, descoberto uma mina de ouro no vosso jardim. Porque o desejo está sempre à mão e a sua origem manifesta-se de muitos modos. Quando dais saída ao desejo, gastais a Força e assim enfraqueceis o vosso poder de atração. Descarregais magnetismo que poderíeis armazenar com o fim de atrair as coisas boas da vida.
Plenitude da força em tudo. — Quando aprenderdes a con­siderar o desejo, não como uma pedra de escândalo, mas como um degrau, o vosso êxito na vida estará assegurado. A força do desejo é manifestada por muitas qualidades de correntes men­tais, como a importância, a cólera, a distração, a incúria ou a vaidade. Esta última é de todas, talvez, a que mais enfra­quece. Ela toma formas tão insidiosas que, muitas vezes, um homem não percebe que está agindo para satisfazer a própria vaidade e por ela está sendo escravizado.

Método de operar. — Ora,- pois, o plano de procedimento é este: — ao sentirdes uma corrente de desejo, procurai retê-la convosco, recusai satisfazê-la. Por esse esforço consciente da vossa vontade vos defendeis contra uma descarga de força, que vos enfraqueceria. Ao mesmo tempo criais uma condição de atração, que permanecerá tanto tempo quanto durar esse de­sejo. A satisfação do desejo viria neutralizar a força inerente a ele.


A força acumulada atrai sempre; a força abandonada gasta-se e neutraliza-se.
Tomemos primeiramente uma forma de corrente de vaidade, muito vulgar, mas que enfraquece muitíssimo — o desejo de surpreender.
O segredo consiste no vosso isolamento. — Primeiramente, compreendei o valor do segredo. Quanto tiverdes obtido uma informação qualquer, por mais trivial que seja, que vos seria agradável comunicar a um conhecido, conservai-vos calado, por­que desta maneira fareis a primeira tentativa para praticar a evolução de magnetismo resultante do desejo reprimido. Este segredo que assim guardais é uma unidade do magnetismo men­tal, armazenada na bateria do vosso cérebro, e esse segredo guar­dado gera uma força que lhe obtém mais força de fora, exa­tamente como o vosso dinheiro num banco vence juros. Quanto mais segredos armazenardes no vosso espírito, mais reserva ou isolamento estais exercendo; e, assim, maior será o vosso pre­domínio sobre os vossos impulsos, maior será a quantidade de fôrça-reserva não dissipada, não gasta, que estará pronta a en­trar ao vosso serviço em importantes empresas.
A reserva não significa imbecilidade. — Mas nem por um momento imagineis que esse hábito de reprimir o impulso virá produzir uma condição de imbecilidade em que o desejo pode ser obliterado. O efeito é inverso; os desejos tornam-se de vigor e força decuplicados, como um rio atravessado por uma com­porta aumenta a sua pressão sobre as margens — e, então, quan­do estiverdes pronto a usar do poder, ele realizará alguma coisa. Tornou-se, na verdade, uma Força.
Prova do vigor no desejo-fórça. — Talvez nunca tivésseis analisado a força de um desejo. Pensai um minuto. O desejo de levar uma certa notícia a um amigo pode forçar-vos a to­mar um veículo e ir a toda a pressa à procura dele. Deve, pois, haver em operação uma força vigorosa que vos impele para essa atividade. Pois bem, o caso é que careceis dessa força para vós mesmos. Guardai-a. Careceis dela, se tendes de atrair para vós mesmos a satisfação do êxito que solicitais.
Mistério. — O ponto a considerar em seguida é que o mun­do respeita aqueles que não entende. O rio profundo é silencioso. Quem penetrará as profundezas do pensamento do homem magnético? Êle é um mistério; vós não podeis medi-lo, porque êle não o consente. É insondável. Pois também vós deveis ser um mistério: não deveis ser vulgar nem pôr-vos em evidência por qualquer modo. Ser de qualquer modo notado é fatal ao verdadeiro poder. Não é a excentricidade do gênio que nos atrai. Nós respeitamos o gênio, não obstante a excentricidade. Tende muito cuidado, meu caro discípulo, em não confundir o interesse da curiosidade vã, que gosta de se divertir, com o verdadeiro respeito, que nós sentimos por aquilo que excede a nossa compreensão. Por conseguinte, deixai as pessoas vossas conhecidas no desconhecimento a respeito das vossas qualidades e opiniões, tanto quanto fôr possível. Excitai-lhes o interesse deste modo, por exemplo: — O vosso amigo vem tra-zer-vos uma notícia importante. Em outros tempos, manifes-taríeis a maior surpresa. Haveis de modificar isso. Recebereis a notícia atenciosamente, mas com calma, quase sem comentários. O efeito sobre vosso amigo será o espanto de que uma coisa que a êle impressionou tanto, em vós cause tão pequena impressão. Deveis mostrar-lhe, no entanto, que não há falta de interesse vosso pelo assunto; mas êle, pelo modo que rece-bestes a notícia, ficará entendendo que vós sois muito menos suscetível de se abalar no vosso equilíbrio mental do que êle. Talvez não o tivésseis até então observado. E que resulta daí? Resulta que êle conhece em vós uma ponderação de caráter que ainda não vos tinha atribuído, e isso o torna curioso. Oh! co-meçais a obter o respeito dele; sois um mistério para êle.
Uso efetivo do mistério pelos grandes homens. — Os grandes condutores de homens na História, em contingências difíceis e em perigo de perder os seus auxiliares, muitas vezes mantiveram unidos os seus subordinados e obtiveram uma ação de conjunto e um apoio leal, pelo encanto do mistério pessoal. Sem dúvida, muitos de vós conheceis a história de Charles Stuart Parnell, o líder irlandês na Câmara dos Comuns, na Inglaterra, o "rei sem coroa", como o chamavam em segredo. Ocorre-me o seu exemplo como o mais expressivo do que seja a força penetrante do magnetismo pessoal, mais ainda do que Napoleão, Wellington ou Gladstone. Na América, James G. Blaine foi quem mais se aproximou dele, em poder pessoal sôbrc os corações e as inteligências daqueles que o seguiam. Para os seus mais íntimos, Parnell foi sempre um mistério. O próprio Gladstone, seu contendor tantas vezes, confessava o encanto dele, a sua força, o modo simples como assumia o comando. Parnell falava pouco, sempre no momento exato. A sua voz nunca era áspera, nem elevada. Se jamais algum homem governou pela influência do segredo e do silêncio, foi esse homem, sustentando na mão as rédeas com que guiava a facção mais rebelde e descontente que se tem reunido num parlamento. Não vamos considerar neste livro os motivos e as circunstâncias de sua queda. O fato é que êle subiu por umà inteligente confiança em si mesmo, pelo exercício da influência repressiva, pela força do Magnetismo Potencial.
Empregai a força captada de outro homem. — O terceiro ponto de que vos deveis recordar é que o silêncio não significa insociabilidade, de modo algum; é apenas o hábito de se conter; o hábito do pensamento firme. Puxai pelo outro homem. Lembrai-vos de que, enquanto fordes um mistério para as pessoas das vossas relações, sois um poder. E se, porventura, sa-tisfazeis a curiosidade dele (voltando outra vez à comparação com a descarga elétrica), vós permitis, então, uma troca de corrente, uma satisfação que significa, em termos de eletricidade, uma neutralização. Um e outro deram e receberam, e a condição de atração cessou no momento. Mas se conservardes sempre o mistério, vós mesmos sereis a atração. — Sois vós o magne-te, êle o aço.
Precaução. — É preciso neste ponto acautelar o aluno demasiado entusiasta ou leviano. Não esqueçais que especialmente no princípio, deveis empregar grande discrição, prudência e tato em todas as vossas experiências. Seria quase fatal para o vosso êxito, se se viesse a descobrir o fim por que mudais o vosso modo de proceder. Não deis a perceber que desejais obter e guardar a informação que satisfaria à curiosidade ativa ou latente do vosso interlocutor. Nunca procureis abertamente despertar a curiosidade. Julgo desnecessário dizer a qualquer estudante que nunca deve falar a respeito de seus estudos, propósitos e desejos neste assunto, porque, deste modo, poria em guarda quem o ouvisse. Se falásseis a este respeito, violaríeis a primeira regra do estudo do Magnetismo Pessoal — a de conservar a informação pessoal e não satisfazer a vaidade.
Procurai evitar a lisonja. — O homem atrativo e magnético nunca fala de si. O resultado é que falam mais dele, admiram--no e aprovam-no mais do que se êle dedicasse toda a sua habilidade em arranjar artifícios de conversação, destinados a li-sonjear a sua vaidade.
O estudante que dissesse: "Isto não se aplica a mim. Eu nunca procuro a lisonja", seria o único em mil. Toda gente procura o elogio dos outros, em maior ou menor grau. Os que procuram a lisonja com mais afinco são os que menos a alcançam, porque não retêm nem conservam a força que atrai essa forma de corrente mental.

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