O mercado de automóveis, Ônibus e Caminhões no brasil, 1996-2008



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O mercado de automóveis, Ônibus e Caminhões no brasil, 1996-2008
Kátia Milena Fauth1

Igor Alexandre C. de Morais2

Rômulo Viana Clezar3

RESUMO

O presente artigo estima as equações de demanda no mercado interno de automóveis, ônibus e caminhões com dados mensais para o período compreendido entre 1996 e 2008, a partir do mecanismo de correção de erro. No modelo, a demanda por automóveis é relacionada às variáveis preços de veículos novos e usados, crédito, renda, nível da produção industrial e taxa de juros. Este trabalho avaliou a elasticidade-renda e a elasticidade-crédito da demanda de automóveis no Brasil, sendo que os resultados indicaram a elasticidade-renda de 1,19; a elasticidade-crédito de 0,35 de acordo como o modelo de longo prazo. De outro modo, as estimativas do modelo de correção do erro indicam que a elasticidade-renda é igual a 0,95, defasada dois meses, e a elasticidade crédito é 0,45. Para a venda de ônibus o impacto do crédito no longo prazo é de 0,78 e no MCE não foi significativo. Para caminhões o crédito apresentou um impacto significativo de 0,08 no modelo de longo prazo e 0,23 no MCE.

Palavras-chave: Automóveis, Ciclo dos negócios, Mecanismo de Correção de Erros.

Classificação JEL: L62.
Abstract

This article estimates the demand equations of the domestic cars market, buses and trucks with monthly data for the period between 1996 and 2008, from the mechanism of error correction. In the model the demand for cars is related to the variable price of new vehicles and used, credit, income, level of industrial production and interest rate. This study evaluated the elasticity-income and credit-elasticity of demand for automobiles in Brazil, and the results indicate the income-elasticity of 1.19, the credit-elasticity of 0.35 in accordance with the model of long-term. Otherwise, estimates of the error correction model indicate that the income-elasticity is equal to 0.95, lagged two months, and credit elasticity is 0.45. For the sale of bus impacts of credit in the long term is 0.78 and the MCE was not significant. In trucks market the credit had a significant impact of 0.08 in the model of long-term and 0.23 in MCE.

Key-Words: Automobiles, Business Cycles, Error Correction Models.JEL classification: L62,

1Introdução


Um dos aspectos mais importantes do processo de industrialização da economia brasileira, em especial no Plano de Metas, foi o impulso dado à indústria de bens de consumo duráveis e de capital. Nesse caso, destaque para o segmento automotivo, seja com a produção de automóveis, caminhões, ônibus ou tratores, ver xxx( ) e xx ( ). Em pouco mais de cinqüenta anos, a indústria automotiva no Brasil adquiriu importância singular na geração de empregos, renda e impostos, tanto do ponto de vista nacional quanto para as regiões onde as fábricas se instalaram4, para uma discussão sobre os efeitos multiplicadores do setor na economia, ver xxx( ).

Nesse período, diversos choques internos e externos, de natureza macroeconômica, atingiram o setor. Alguns, tiveram a característica de restringir a expansão do mercado, como é o caso das taxas de juros elevadas, as restrições de crédito, a elevada carga tributária, a baixa expansão da renda e oscilações na taxa de câmbio. A abertura comercial pode ser citada como fator de impacto tanto positivo quanto negativo. Se por um lado, as importações podem representar uma substituição ao produto nacional, por outro, permite tanto a troca de tecnologia com outros países bem como a abertura a outros mercados5, gerando escala. Nesse caso, destaque para os acordos no âmbito do Mercosul e os firmados de maneira bi-lateral entre o Brasil e a Argentina, Uruguai e México.

A estabilidade monetária propiciada com o Plano Real pode ser citada como um elemento importante na atração de novos investimentos e no impulso das vendas no mercado interno6. Destaca-se que esse ganhou importância a partir do forte crescimento das vendas de automóveis, caminhões e ônibus, realizadas no período de 2004 e 2008, em um ambiente de expansão da renda, juntamente com níveis menores de taxa de juros, alongamento dos prazos de financiamento, renovação da frota urbana nas cidades e o aumento do volume de concessão de crédito.

Apesar dos números positivos nos últimos anos, o mercado brasileiro de autoveículos está longe de saturação. No caso dos automóveis, o acesso da população ainda pode ser considerado restrito, se comparado a outros países, sinalizando um potencial de mercado para as empresas. As estimativas são de que o total de automóveis em circulação no Brasil seja de 25 milhões, uma relação de apenas 8 automóveis/ habitante, distante da verificada na Argentina e no Uruguai, por exemplo, onde essa relação é de 5,7 por habitante. No mercado de caminhões, a elevada idade média da frota em circulação, cerca de 16,7 anos, sinaliza a necessidade de reposição no médio prazo.

O cenário econômico estável até o primeiro semestre de 2008 indicava para o setor automobilístico mais um ano de superação de vendas no mercado interno, porém a demanda sofreu forte retração no último trimestre do ano com a crise mundial, que afetou sensivelmente a economia brasileira a partir desse período. A retração na indústria brasileira como um todo foi a maior desde 1991, início da série histórica do IBGE. Destaca-se nesse período justamente o desempenho do setor de automóveis. A dependência da demanda no mercado interno à oferta de crédito teve reflexo imediato na queda das vendas e o setor foi responsável por uma queda de 3,4% da queda geral da indústria, levando a férias coletivas, demissões e corte de turnos nas empresas desse segmento.

Mesmo assim, dados da ANFAVEA indicam que a produção de veículos em 2008 foi de 3,21 milhões, expansão de 8,0% em relação a 2007 (2,98 milhões). Embora a redução das vendas registrada nos meses de outubro e novembro, dezembro novamente mostrou sinais de recuperação, devido a estímulos governamentais como redução do IPI e incentivo ao crédito, que mais uma vez foi determinante para o desempenho do setor. Assim, o ano de 2008 acabou sendo recorde de todo o histórico, superando 2007, segundo melhor resultado.

Esse artigo tem três principais motivações. A primeira é a importância da cadeia produtiva do segmento automotivo para a economia. Além disso, destaca-se o pequeno número de estudos que avaliem as características desse segmento, em especial as elasticidades da demanda e a característica cíclica da produção. Por fim, a mudança no cenário econômico recente, que resultou em forte impacto sobre a produção e vendas no mercado doméstico.

São quatro os principais objetivos perseguidos neste trabalho. Primeiro, avaliar se os “turning points” da produção industrial do setor coincidem com a estimativa para o Brasil. Segundo e terceiro, respectivamente, determinar as elasticidades da demanda a partir de um modelo de longo prazo e compará-los com o resultado do mecanismo de correção de erros. Por fim, verificar as mudanças de regimes de crescimento e recessões nos mercados de automóveis, caminhões e ônibus durante o período analisado.



Além desta introdução, na seção 2 se discute a literatura sobre o mercado de automóveis; na seção posterior apresentam-se alguns dados sobre cada um dos setores analisados, bem como o modelo econométrico padrão a ser estimado. Na seção 4 e 5 são mostrados os resultados para o modelo de longo prazo e para o MCE. Na seção 6 um modelo não linear é utilizado para analisar o ciclo econômico e, na seção seguinte, são feitas algumas considerações finais.



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