O ocultar mostrando do telejornalismo na era digital: retrospectiva da communication research audiovisual



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A teoria da informação

Na parte que trata dos conceitos e definições já deixamos claros os marcos do processo de comunicação e informação nos meios de comunicação de massas, que são bem definidas por suas quatros características básicas: a) a de comunicação dirigida a um grande público, heterogêneo; b) organização ampla e complexa, com capital e tecnologias especializadas como a multimídia e a telemática, caracterização importante para delimitar as fronteiras que separam a comunicação de massas da comunicação que não é de massas; c) esta audiência, além de indefinida e dispersa geograficamente, é anônima; e d) são veículos de comunicação em um só sentido (mesmo que disponham de vários feedbacks, como índices de consumo ou de audiência, cartas, telefonemas, etc.), segundo revelaram Pfromm Netto e Pasquali (1987).


Como já havíamos explicitado anteriormente na parte correspondente às definições e conceitos, o modelo comunicativo da teoria da informação pode ser observado historicamente como, no nível semântico, os termos comunicação e comunicar mudam de forma sensível, como também destacou Wolf (1995, pág. 100).
A origem do modelo está nos trabalhos de engenharia das telecomunicações. Escarpit (1976) distingue três momentos fundamentais: um estudo de Niquist (1924) sobre a velocidade de transmissão das mensagens telegráficas; um trabalho de Hartley (1928) sobre a medida da quantidade de informação e, finalmente, o esboço publicado em 1948 por Shannon no Bell System Technical Journal, da teoria da informação. Escarpit (1976, pág. 19) afirma que “é, antes de tudo, uma teoria do rendimento informacional”. Para Umberto Eco (1972, págs.14 e 15), “esta é entendida como uma propriedade estatística da fonte das mensagens (...), como medida de uma situação de eqüiprobabilidade, de distribuição estatística uniforme, que existe na fonte (...) como um valor de eqüiprobabilidade entre muitos elementos combináveis, valor que é tanto maior quanto mais opções são possíveis”(Ver Wolf, 1995, págs. 100 e 101 e 199).

MODELO DE SHANNON-WEAVER, 1949

fonte de informação destinatário


mensagem mensagem
sinal sinal captado

transmissor receptor


fonte de ruído

Fonte: Mauro Wolf, 1985, pág. 101


Teoria Matemática
A teoria matemática é, essencialmente, uma teoria sobre a transmissão ideal das mensagens e o esquema do sistema geral de informação proposto por Shannon. A transferência de informação se efetua da fonte ao destinatário, ao passo que a transferência da energia se efetua do transmissor ao receptor”, Wolf (1995, pág. 101)
Neste sentido, sobre cada processo comunicativo, Eco (1972, pág. 10) afirma que o modelo de Shannon ilustra que “existe sempre uma fonte ou origem da informação, a partir da qual é emitido um sinal através de um aparelho transmissor; esse sinal viaja através de um canal ao longo do qual pode ser perturbado por um ruído, Quando sai do canal, o sinal é captado por um receptor que o converte em mensagem, que, como tal, é compreendida pelo destinatário” (Ver Wolf, 1995, pág. 101).
Para Escarpit (1976, pág. 33), um dos méritos de Shannon, maior ainda que a avaliação da entropia, é o fato de ter formulado aquilo que se chamou teorema do canal do ruído”. Este canal, segundo destacou esse autor, “baseia-se em uma melhor utilização da codificação: os efeitos da cadeia energética são arranjados através de melhoramentos no rendimento da cadeia informacional” (Escarpit em Wolf, 1995, pág. 102).
Eco (1972, pág. 11) evidencia a existência do código no esquema comunicativo. Segundo ele, “para que a destinatário possa compreender corretamente o sinal, é necessário que, seja no momento da transmissão, seja no momento da recepção, seja feita referência a um mesmo código. O código é um sistema de regras que confere a determinados sinais um dado valor. Dizemos valor e não significado porque, neste caso de um aparelho homeostático (relação entre duas máquinas) não se pode falar que a máquina destinatária compreende o significado do sinal (a não ser no sentido metafórico); essa máquina foi preparada para responder de uma determinada maneira a uma determinada solicitação”. (Eco em Wolf, 1995, pág. 103).
Assim, o problema da teoria da informação é a sintaxe interna do sistema binário, não o fato de que as seqüências expressadas pelo sistema binário podem se expressar, como conteúdo, em letras alfabéticas ou qualquer outra seqüência de valor (...). A teoria da informação constitui um método de cálculo das unidades do sinal transmissíveis e transmitidas e não um método de cálculo das unidades de significado, Eco (1972, pág 8).
Esse autor afirma também que “se para a teoria da informação são relevantes os aspectos ligados ao significante, a suas características – a saber, a resistência à distorção provocada pelo ruído, a facilidade de codificação e decodificação, a rapidez de transmissão -, para tudo que se refere ao aspecto comunicacional não se pode prescindir da observação de que para o destinatário humano a mensagem adquire um significado e pode ter muitos sentidos possíveis (...) O destinatário extrai o sentido a ser atribuído à mensagem do código e não da própria mensagem”. (Eco, 1972, pág. 21 em Wolf, 1995, pág. 104).
É certo que para a teoria da informação o significado que é comunicado não conta, e o que conta é o número de alternativas necessárias para definir o acontecimento sem ambigüidade, também é certo que para o estudo das comunicações de massas tem uma certa importância o fato de que o destinador e o destinatário não fazem distinções e avaliações apenas em termos de probabilidade do sinal, mas também, e sobretudo, em termos de sentido daquilo que se comunica e do próprio ato de comunicar (Eco, 1972, pág. 14 em Wolf, 1995, pág. 106).
A teoria da informação foi muito importante na communication research; não obstante, foi ganhando perfis diferentes com alguns aperfeiçoamentos. Segundo Wolf, “os aspectos mais técnicos da teoria da matemática da comunicação (o conceito de entropia, o próprio conceito de informação) desaparecerão ou serão postos de lado; o que permanecerá será a forma geral e o esquema que – graças à sua essencialidade e sua simplicidade – transformou-se em um sistema comunicativo geral”, (Eco, 1972 e Wolf, 1995).
A lingüística Jakobsiana
A lingüística jakobsiana e a aproximação ao modelo informacional desempenharam um papel significativo na ampliação do uso do modelo comunicacional de Shannon. Houve um alinhamento da terminologia lingüística jakobsiana à teoria matemática da comunicação. Segundo escreveu Wolf (1995, págs. 106 e 107), Jakobson (1963, pág. 8) afirma que “é necessário reconhecer que, em certos aspectos, os problemas da troca de informações receberão, por parte dos engenheiros, uma formulação mais exata e menos ambígua, um controle mais eficaz das técnicas utilizadas no conjunto com possibilidades de quantificações significativas”. Ou também que “o princípio dicotômico que está subjacente em todo o sistema dos sinais distintivos na linguagem foi revelado gradualmente pela lingüística e encontrou sua confirmação no emprego, por parte dos técnicos da comunicação, do sistema de numeração binária. Quando definem informação seletiva de uma mensagem como o número mínimo de decisões binárias que permitem que o receptor reconstrua aquilo que deve extrair da mensagem a partir dos dados que têm a sua disposição, enunciam uma forma realista perfeitamente aplicável ao papel dos sinais distintivos na comunicação lingüística” (Eco, 1961, pág. 66).
Segundo os estudos de Jakobson (1963), Jacques (1982) e Wolf (1995), pode-se constatar que “a teoria psicológica-experimental sobre os fatores seletivos da audiência e sobre a estrutura ideal das mensagens persuasivas pode ser interpretada como homóloga da variável do ruído que estorva o processo de transmissão”.
Wolf (1995, pág. 107) destaca que “só quando o modelo semiótico explicita a significação inerente ao processo comunicativo é que o problema dos efeitos é formulado de um modo diferente, através da variável da decodificação e dos sistemas de conhecimentos e competências que orientam”. Segundo este autor, “isto provoca – juntamente com outros desvios¸tais como a influência das problemáticas ligadas à sociologia do conhecimento – a modificação do clima de opinião. Para Sari (1980, pág. 443), “o modelo emissor/ receptor se presta muito bem para as análises experimentais, para as quantificações, mais análogas às das ciências físicas”.
O poder transmissivo próprio da teoria informacional centrava a atenção mais na eficiência do processo comunicacional que em sua dinâmica. A questão dos efeitos, entendida como modalidade de decodificação e de interpretação das mensagens nos mass media é recente. Eco e Fabri (1978) definem como modelo semiótico-informacional o problema da significação. Com relação ao esquema anterior, a diferença mais importante é que agora a linearidade da transmissão encontra-se vinculada ao funcionamento dos fatos semânticos, introduzidos mediante o conteúdo do código. Isso é, passa-se da acepção de comunicação como transferência de informação à de transformação de um sistema por outro (Wolf, 1995, págs. 109 a 119).



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