O projeto aqui elaborado é fruto do trabalho coletivo da comunidade escolar, que envolve: Pais, Alunos, Professores, Funcionários, Direção e Equipe Técnico Pedagógica comprometidos com a Educação Pública



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1. IDENTIFICAÇÃO DO ESTABELECIMENTO

CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL AGRÍCOLA “FERNANDO COSTA”
Código do Estabelecimento= 00044

Ato de Autorização = 1432/2008 DOE 10/06/2008

Ato de Reconhecimento

Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio - Res 090/2007

Curso Técnico em Agropecuária Subseqüente ao Ensino Médio – Res 089/2007

Curso Técnico em Agroindústria Subseqüente ao Ensino Médio – Autorização de funcionamento Res 2902/2011

Ato administrativo do Regimento Escolar Adendo – nº 02/2005

ENDEREÇO

BR 369 - KM 68 - BAIRRO LARANJINHA

CEP 86350-000 SANTA MARIANA - PARANÁ

LOCALIZAÇÃO: ZONA RURAL

Fone (43) 3531- 1326

www.colegiofernandocosta.com.br

colegioagricolafcosta@hotmail.com
Distância Escola/ Núcleo 16 Km
NÚCLEO REGIONAL DE CORNÉLIO PROCÓPIO

Cód do NRE 08
ENTIDADE MANTENEDORA: GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ

PPP 2012


2. INTRODUÇÃO
O Projeto aqui elaborado é fruto do trabalho coletivo da comunidade escolar, que envolve: Pais, Alunos, Professores, Funcionários, Direção e Equipe Técnico Pedagógica comprometidos com a Educação Pública. Educação esta, que abrange todos os processos de formação do indivíduo. Esses processos formativos podem se desenvolver nos mais diferentes ambientes sociais, como o ambiente familiar, na convivência humana, nos locais de trabalho, nas instituições de ensino e de pesquisa, nos movimentos sociais, nas organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais, daí a importância desse coletivo.

Ao se propor uma nova concepção de escola, fez-se necessária uma adequação pedagógica que tornasse viável a passagem do empírico ao concreto.

O reconhecimento da importância da educação traduz uma posição incompatível com a postura elitista. Preocupar-se com a educação significa preocupar-se com a elevação do nível cultural das massas; significa, em conseqüência, admitir que a defesa de privilégios é uma atitude insustentável. Isto porque a educação é uma atividade que supõe a heterogeneidade no ponto de partida e a homogeneidade no ponto de chegada.

Diz Demo (2.000, p.9) que a aprendizagem é marcada profundamente pela virtude de trabalhar “os limites em nome dos desafios e os desafios dentro dos limites.” A aprendizagem é, no seu âmago, expressão política e ética. Tem como objetivo a formação do sujeito capaz de saber o que fazer da vida, de construir sua própria história(expressão política), mas sempre com sentido solidário, pois a ética dessa história se origina no mundo dos valores no qual a educação deve se fundar

“Não pode haver seguro contra erros. Só os que escolhem nada

fazer pela transformação do mundo não cometem erros.

Cometem um crime.”

(Gilberto Grenn)

De acordo com o apóstolo [Paulo], vivemos num mundo que foi engravidado pela atividade do Espírito Santo. No seu seio uma nova realidade está tomando forma ante os nossos olhos extasiados. Não se trata de um mundo estéril, seco, acabado, abandonado por Deus à sua própria sorte. Ao contrário: ele é morada do Espírito que nele penetra para gerá-lo de novo. Como se, a cada momento, o milagre da criação se repetisse, e as forças do caos e da morte fossem conquistadas pela determinação divina: Haja vida.( ARENDT)

Em nossa tradição educacional, o termo educação tem um referente de formação geral que tem como objetivo fundamental o desenvolvimento humano integral informado por valores éticos, sociais, políticos, de modo a preservar a dignidade intrínseca do ser humano e a desenvolver ações junto à sociedade com base nos mesmos valores. O que requer uma leitura atualizada do mundo nas suas implicações econômicas, culturais e científico-tecnológicas.

A escola é um mundo social que tem suas características de vida própria, seus ritmos e seus ritos, sua linguagem, seu imaginário, seus modos próprios de regulação e de transgressão, seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos.

Daí a importância desse Projeto Político Pedagógico, ser fruto de uma construção coletiva, que espelhe a realidade das pessoas que aqui convivem e compartilham de um mesmo ideal, que é ofertar à sua comunidade um ensino de qualidade, baseado nos interesses regionais, mas levando em conta os preceitos morais, políticos e tecnológicos que regem a sociedade.

A escola tende progressivamente a se transformar propiciando a aquisição de: princípios científicos gerais que impactam sobre o processo produtivo; habilidades instrumentais básicas que incluem formas diferenciadas de linguagens próprias envolvendo diversas atividades sociais e produtivas; categorias de análise que facilitam a compreensão histórico-crítica da sociedade e das formas de atuação do ser humano, como cidadão e trabalhador; capacidade instrumental de exercitar o pensar, o estudar, o criar e o dirigir estabelecendo os devidos controles.

O trabalho e a cidadania são previstos como os principais contextos nos quais a capacidade de continuar aprendendo deve se aplicar, a fim de que o educando possa adaptar-se às condições em mudança na sociedade, especificamente no mundo do trabalho.

O conceito de mundo de trabalho inclui atividades materiais, produtivas, assim como todos os processos de criação cultural que se geram em torno da reprodução da vida.

Nesse contexto, a educação aliada a outros setores, torna-se agente importante no processo de transformação social, capaz de promover o desenvolvimento social e econômico. Para tanto, não deve limitar-se apenas na transmissão de conhecimentos, mas também preparar o sujeito para que possa participar ativamente da vida, oferecendo-lhe elementos para compreensão do processo de produção e uso dos bens criados com ajuda de tecnologia própria e do mundo em que vive.


3. OBJETIVOS GERAIS


  • estimular todos os procedimentos e atividades que permitam ao aluno reconstruir os conhecimentos didaticamente transpostos para a sala de aula principalmente no que tange à elaboração de projetos;




  • organizar os conteúdos de forma que forneçam uma visão do conhecimento a ser apropriado nas diferentes disciplinas, priorizando conhecimentos científicos e tecnológicos que atuam sobre o processo produtivo;




  • propiciar a aquisição de categorias de facilitam a compreensão histórico-crítica da sociedade e das formas de atuação do ser humano, como cidadão e trabalhador.


4. MARCO SITUACIONAL
HISTÓRICO DO ESTABELECIMENTO
Durante o período de intervenção em nosso Estado, o Sr. MANOEL RIBAS criou a idéia e colocou-a em prática, construindo Escolas de Correção em diversas regiões do Estado, inclusive em Santa Mariana, Estado do Paraná.O objetivo dessas escolas era abrigar meninos de rua, educando-os a nível primário e com noções de atividades de campo. O Estado era mantenedor dessa escola com ajuda total ao educando.

A denominação “Fernando Costa” foi instituída, em homenagem ao Engenheiro Agrônomo Fernando Costa, um precursor do ensino agrícola no Brasil.

A Escola de Trabalhadores Rurais “Fernando Costa” de nossa cidade foi criada pelo Decreto Nº 9553 de 12/06/1953 , publicado no Diário Oficial nº 83 de 16/06/1953, seguindo as normas ditadas pelo Regulamento das Escolas de Trabalhadores Rurais, anteriormente criadas e aprovadas pelo Decreto Nº 10.858 de 12/10/1953.

Pelo Decreto Nº 31.657/60, publicado no Diário Oficial Nº 144 de 29/08/60, foi transformada em Escola Agrícola de Grau Médio.

Pelas Portarias Nº 1.049/62 de 06/11/62, publicada no Diário Oficial Nº 224 de 05/12/62 e 1.204/62, publicada no Diário Oficial 265 de 26/01/63 a Escola de Trabalhadores Rurais, já então com a denominação de Escola Agrícola de Grau Médio foi transformada em Escola Agrícola de Preparação Pré-Ginasial.

Pela Portaria Nº 151/64 publicada no Diário Oficial Nº 291 de 27/02/64 foi transformada a Escola Agrícola de Preparação Pré Ginasial “Fernando Costa” iniciando neste mesmo ano o Curso Ginasial.

Pela Portaria 744/67 de 29/09/67, passou a denominação de Ginásio Estadual “Fernando Costa”.

Durante esses anos, este estabelecimento esteve subordinado à Secretaria de Agricultura. Com a criação dos Ginásios Agrícolas em nosso Estado, a Secretaria de Agricultura criou um Departamento de Ensino Agrícola.

A partir de 1975, o Ginásio Agrícola transformou-se em Colégio Agrícola “Fernando Costa”, Ensino de Grau Médio com Habilitação Técnico Agropecuária, passando também a pertencer à Secretaria de Estado da Educação.

Em 1981, através da Resolução Nº 3.103/81 de 17/12/81, foi reconhecido o curso de 2º Grau Regular, com habilitação plena em Agropecuária.

Pela Resolução Nº 2.456 de 14/09/82, foi reconhecido o curso de Técnico em Agricultura.

Pela Resolução Nº 3.551/99, publicada em Diário Oficial de 30/09/99 o Colégio Agrícola Estadual “Fernando Costa” – Ensino de 2º Grau, passou a denominar-se Colégio Agrícola Estadual “Fernando Costa” – Ensino Médio e Profissional.

Pela Resolução Nº 107/02, datada de 27/02/02, ficou reconhecido os Cursos de Ensino Pós Médio Técnico em Agricultura e Técnico em Pecuária – Parecer Nº 0443/2001 do CEE.

A partir do ano de 2002 o Colégio Agrícola Estadual “Fernando Costa” – Ensino Médio e Profissional, passou a denominar-se Centro Estadual de Educação Profissional “Fernando Costa”, conforme Resolução Nº 2.418/2001, datada de 09/10/01.

A partir de 2002, também passou a ofertar cursos pelo SEBRAE, SENAR, SINDICATO RURAL PATRONAL, para alunos, funcionários e comunidade em geral. Nessa ocasião ofertou também Curso de Especialização em Manejo de Pragas, Doenças e Ervas Daninhas, somente para Técnicos Agrícolas, da FUNTAPAR – Fundação dos Técnicos Agrícolas do Estado do Paraná – Curitiba.

A partir do ano letivo de 2004, passou novamente a denominar-se Colégio Agrícola Estadual “Fernando Costa”, ofertando: Ensino Fundamental, Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio período diurno integral; Curso Técnico em Agropecuária Subseqüente ao Ensino Médio, período diurno integral e Curso Técnico em Turismo Subseqüente ao Ensino Médio período noturno.

A partir de 23 de novembro de 2011 o Colégio Agrícola Estadual Fernando Costa- Ensino Fundamental e Profissional passou a denomiar-se Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola “Fernando Costa”. – Conforme Resolução nº 3.833/2011. DOE 23/11/2011.

Até a presente data, passaram pela Direção deste Colégio, os insignes professores:


- Silvio Haluche

2º - Dr. Antonio Pereira Lima

3º - José Soares

4º - Diocles Azor Zattar

5º - Dr. Ermari Zanini

6º - Professor João Dynczuki

7º - Afonso Luiz Lacerda

8º - Vilson Rios

9º - Engº Agrº Antonio Carlos Bassi

10º - Humberto Marson

11º - Engº Agrº Irene Batista de Oliveira Pedroso

12º - Médico Veterinário James Jung

13º - Professora Elza Depintor

14º - Engº Agrº Paulo Sorace

15º - Professor João Dynczuki

16º - EngºAgrº Kazuio Hosoya Name

17º - Engº Agrº - Marcio José Polido

18º - Engº Agrº Rita de Cássia de Castro Polido

19º - Professor Aparecido Manoel dos Santos

20º - Professor Mauro Donizeti Fabian

21º- Professor Aparecido Manoel dos Santos

ORGANIZAÇÃO DA ENTIDADE ESCOLAR
O Estabelecimento de Ensino funciona em regime de internato e externato, nos períodos matutino, vespertino e noturno e manterá de acordo com a especificidade de cada modalidade de Ensino, o Curso de Técnico em Agropecuária com Currículo Integrado ao Ensino Médio e o Curso Técnico em Agropecuária Subseqüente ao Ensino Médio em período integral e o Curso Técnico em Agroindústria Subseqüente ao Ensino Médio no período noturno.

O período Integral funciona com o Curso Técnico em Agropecuária com Currículo Integrado ao Ensino Médio sendo: 2 turmas da 1ª série; 2 turmas da 2ª série e 1 turma da 3ª série e 03 (três) turmas do Curso Técnico em Agropecuária Subseqüente ao Ensino Médio. O horário de entrada no período matutino é às 7:30 horas e de saída às 11:40 horas, com intervalo de 10 (dez) minutos entre a segunda e terceira aula, no período vespertino, a entrada às 13:30 horas e saída às 17:40 horas com intervalo de 10 (dez) minutos entre a segunda e terceira aula.

No período noturno funcionam 02 (duas) turmas do Curso Técnico em Agroindústria Subseqüente ao Ensino Médio, com entrada às 19:00 horas e saída às 22:30 horas com intervalo de 10 (dez) minutos entre a segunda e terceira aulas.Funciona ainda a sala do CELEM e Atividade Complementar

Além das salas de aulas, dependências específicas disponíveis no Colégio são utilizadas para desenvolvimento de atividades curriculares como Biblioteca, Salão Nobre, Laboratório de Ciências, Física Química e Biologia, Oficina, Horta, Viveiro de Mudas Nativas e os Setores: Avicultura; Cunicultura; Cotonicultura; Bovinocultura e Suinocultura.

A fim de aprimorar a qualidade de ensino e a formação profissional dos alunos matriculados nos cursos mantidos pelo Colégio, são firmados convênios e/ou Termos de Cooperação com empresas ou entidades ligadas à área.

A carga horária é preenchida com aulas teóricas e práticas. Para a realização das aulas práticas nas disciplinas de Formação Específica do Curso Técnico em Agropecuária, as turmas são subdivididas em grupos, afim de que possa haver um efetivo aproveitamento.

As atividades práticas podem ser: práticas complementares e/ou projetos especializados, que visem aumentar a funcionalidade da propriedade, valorização do imóvel, principalmente das instalações agropecuárias; projetos de produção que são empreendimentos agropecuários desenvolvidos pelos alunos, relacionados com as disciplinas da Formação Específica em com programação do Colégio.

O Estágio Supervisionado é obrigatório e tem por objetivo complementar os conhecimentos adquiridos, o Estabelecimento de Ensino poderá oferecer, principalmente nos meses de férias, vagas para estagiários em agropecuária na Unidade Didático Produtiva. São responsáveis pela condução do Plano de Estágio Supervisionado, o Coordenador de Estágio, a Equipe Pedagógica e o Corpo Técnico, tanto no aspecto de encaminhamento quanto na Banca de Avaliação.

O horário de aulas é organizado pela Equipe Pedagógica, buscando atender aos interesses dos alunos, professores e do Colégio.

A equipe responsável pelo Colégio é distribuída nos três períodos de funcionamento, de forma a coordenar os trabalhos e atender professores, alunos e pais. Como o Colégio situa-se na zona rural, normalmente os alunos encontram-se no local ao dar o sinal para entrada, com tolerância de 05 (cinco) minutos após o professor entrar na sala de aula.

O Colégio adota como uniforme composto de camiseta, calça jeans e botina para o Curso Técnico em Agropecuária para as aulas ministradas dentro de sala de aula, para as aulas práticas de Agroindústria é obrigatório o uso de jaleco branco . Para o Curso noturno de Técnico em Agroindústria é obrigatório o uso de jaleco de cor Branca para aulas de prática .

Os alunos são atendidos em suas necessidades, pelo serviço de Equipe pedagógica, Administração de Internato, Diretor e Diretores Auxiliares, Professores, Coordenadores de Curso, Coordenador de Estágio, Pessoal Administrativo e Funcionários, conforme a natureza da solicitação feita.

Os pais recebem orientações gerais quanto ao Regimento Escolar,e Regimento de Internato no ato da matrícula e em reuniões previstas para cada bimestre, são convidados a conversar com a Equipe Pedagógica e Professores sobre possíveis problemas de aprendizagem, desenvolvimento das atividades escolares ou quaisquer outros assuntos para os quais desejem esclarecimentos. Além desses momentos, todos os setores do Colégio encontram-se à disposição da comunidade escolar para o necessário atendimento, tendo em vista que a clientela é oriunda de diversos municípios paranaenses e de outros Estados da Federação. Chegando ao Colégio, os pais são atendidos por funcionários da secretaria que os encaminha ao setor competente. Havendo necessidade do Professor é solicitada sua presença para atendimento aos pais.
5-MARCO CONCEITUAL
Segundo Angel Pérez Gómez (2001, p.17) a escola, e o sistema educativo em seu conjunto, podem ser considerados como uma instância de mediação cultural entre os significados, sentimentos e as condutas da comunidade social e o desenvolvimento humano das novas gerações.

A cultura da escola refere-se àqueles significados, modos de pensar e agir, valores, comportamentos, modos de funcionamento que, de certa forma, mostram a identidade, os traços característicos, da escola e das pessoas que nela trabalham.

A escola tende progressivamente a se transformar propiciando a aquisição de: princípios gerais que impactam sobre o processo produtivo; habilidades instrumentais básicas que incluem formas diferenciadas de linguagens próprias envolvendo diversas atividades sociais e produtivas; categorias de análise que facilitam a compreensão histórico-crítica da sociedade e das formas de atuação do ser humano, como cidadão e trabalhador; capacidade instrumental de exercitar o pensar, o estudar, o criar e o dirigir estabelecendo os devidos controles.

Um exercício profissional competente implica em um efetivo preparo para enfrentar situações esperadas e inesperadas, previsíveis e imprevisíveis, rotineiras e inusitadas, em condições de responder aos novos desafios profissionais, propostas diariamente ao cidadão trabalhador, de modo original e criativo, de forma inovadora, imaginativa, empreendedora, eficiente no processo e eficaz nos resultados que demonstre senso de responsabilidade, espírito crítico, auto-estima compatível, autoconfiança, sociabilidade, firmeza e segurança nas decisões e ações, capacidade de autogerenciamento com autonomia e disposição empreendedora, honestidade e integridade ética.

Vivemos numa época marcada por fenômenos de globalização e por uma desenraizada circulação de idéias, conceitos e, ao mesmo tempo, por um exacerbar de identidades locais, étnicas, culturais ou religiosas, através das quais se definem memórias e tradições, pertenças e filiações, crenças e solidariedades. Pouco importando se as comunidades são reais ou imaginárias, pois não há memória sem imaginação (e vice-versa).

Á história cumpre elucidar este processo e, por via, ajudar as pessoas e as comunidades a darem um sentido ao seu trabalho educativo. Cabe neste momento recordar as palavras de Manuel de Oliveira (cineasta) “O presente não existe sem o passado, e estamos a fabricar o passado todos os dias. Ele é um elemento da nossa memória, é graças a ele que sabemos quem fomos e como somos”. Nunca como hoje tivemos uma consciência tão nítida de que somos criadores, e não apenas criaturas, da história.

A reflexão histórica, mormente no campo educativo, não serve para descrever o passado, mas sim nos colocar perante um patrimônio de idéias, de projetos e de experiências.

As instituições escolares são espaços culturais, em que diferentes agentes e proposições disputam o sentido de sua atuação: nem todos têm forças ou condições para influir na proporção de seus desejos nos rumos escolares, mas as nossas escolas são produtos de escolhas realizadas em diferentes situações. Os modelos que temos são produtos de longas disputas e resultados de configurações que foram se moldando ao longo de extensos períodos de tempo.

As mudanças educacionais são produzidas por conflitos e convergências. Os tempos pedagógicos, no entanto, precisam ser respeitados e não sobrepostos pelos tempos da política, da gestão ou dos regimentos formalistas. As mudanças educacionais não são tarefas restritas apenas aos governantes, aos gestores das instituições escolares, mas de todos envolvidos nos processos cotidianos da escolarização.

As relações de poder e de classe que foram sendo construídas no Brasil permitiram apenas parcial e precariamente a vigência do modo de regulação fordista tanto no plano tecnológico quanto no plano social.

A síntese do processo histórico construído no Brasil se define, por um tipo de desenvolvimento que se ergueu pela desigualdade e se alimenta dela. O desafio do salto implica num enorme esforço de investimento em educação, ciência e tecnologia e em infra-estrutura. E isso demanda, além das reformas sociais de base (agrária, tributária, jurídica e política), um volume de recursos que, em face do pagamento exorbitante de juros da dívida interna e externa, além da tradição regressiva dos impostos, não permitem o salto. Trata-se de um impasse que não é conjuntural, mas estrutural em nossa história. (Frigotto e outros, 2005: 11).

Pautada nos princípios gerais de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, a Educação Brasileira tem por objetivo o pleno desenvolvimento do educando, sua qualificação para o trabalho e seu preparo para o exercício da cidadania.

Os princípios mais específicos que norteiam a Educação brasileira são: igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas; respeito à liberdade e apreço à tolerância; coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; valorização do profissional da Educação escolar; gestão democrática do ensino público; garantia de padrão de qualidade; valorização da experiência extra-escolar e a vinculação entre a Educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

A Educação Brasileira está organizada em diversos sistemas de ensino, ou seja, existe o sistema federal de ensino representado pela União, os sistemas estaduais de ensino representados pelos Estados e os sistemas municipais de ensino representados pelos Municípios. Essas esferas administrativas devem organizar os seus respectivos sistemas de ensino, sempre que possível em regime de colaboração.

Cabe à União coordenar a política nacional de Educação, articular os diferentes níveis e sistemas e exercer funções normativas, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais, respeitada a liberdade de organização de cada sistema de ensino.

A esfera estadual possui diversas funções, dentre elas a de organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. Também é de responsabilidade da esfera estadual a função de definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do Ensino Fundamental.

Á esfera municipal cabe dentre outras, a função de organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. Os sistemas municipais devem integrar suas políticas e planos educacionais às políticas e planos educacionais da esfera federal e da sua esfera estadual.

Se verificarmos o decorrer de nossa história, verificamos que caminhamos no sentido de eliminar as desigualdades e instituir a escola única para todos. Para tanto se sucederam várias etapas:


- até 1.930 – organização em dois sistemas bem diferentes de ensino: o sistema federal, abrangendo o ensino secundário e o superior, destinado às elites; os sistemas estaduais, compreendendo o ensino primário e o ensino profissional, orientados para as camadas populares. Assim, quem freqüentasse o ensino profissional, se quisesse ingressar em qualquer curso superior deveria cursar o secundário. O profissional não dava acesso ao curso superior.
- de 1.931 a 1.961 – constituiu-se um único sistema de ensino, regido por legislação federal. Quanto ao ensino médio, tal sistema abrangia o ensino secundário e os quatro ramos do ensino profissional: agrícola, industrial, comercial e normal. Entretanto, o dualismo continuava: não se podia passar do profissional para o secundário; quem fazia o ginásio profissional, não podia passar para o colegial secundário (nos últimos anos do período isso era possível mediante exames de adaptação); somente a partir de 1.953 o aluno que houvesse freqüentado algum curso técnico poderia candidatar-se ao ensino superior, desde que se submetesse a exame de adaptação nas disciplinas do curso secundário.
- de 1.961 a 1.971 – a Lei 4.024/61 estabeleceu a equivalência entre o secundário e os diversos ramos do ensino: quem fizesse o ginasial técnico poderia ingressar sem problema no colegial secundário; quem fizesse um colegial técnico, poderia candidatar-se sem problema a qualquer curso superior.

- de 1.971 a 1.982 – a Lei 5.692/71 acabou com a separação em diversos ramos. Instituiu o ensino de primeiro grau de oito anos, igual para todos, englobando os antigos primário e ginasial. Além disso, estabeleceu a escola única de segundo grau: a partir de uma base comum, todos os alunos deveriam optar por uma habilitação parcial (auxiliar técnico), concluída ao fim de três anos, ou por uma habilitação plena (técnico), cujo curso teria quatro anos de duração. Com a Lei de 1.971. instituiu-se a profissionalização compulsória, isto é, todos deveriam concluir o ensino de segundo grau com uma habilitação profissional.


- 1.982 a 1.995 – a Lei 7.044/82 acabou com a profissionalização compulsória. A partir de então cabe a cada estabelecimento escolher os cursos que oferece: apenas dar uma formação geral, preparando para o ingresso no ensino superior; ou à formação geral acrescentar uma formação específica, oferecendo habilitações profissionais; ou ainda as duas possibilidades.

- a partir de 1.996 – a Lei 9.394/96 determina que a educação escolar será composta de: Educação Básica, formada pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio que tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores; e Educação Superior que tem como finalidade maior, estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo.

A promulgação do Decreto 2.208/97 mudou o panorama da Educação Profissional no país. Por sua vez, o Conselho Nacional de Educação definiu através do Parecer 16/99 as novas Diretrizes Curriculares dos Cursos Profissionalizantes de nível técnico. A questão crucial posta pela reforma foi a separação do antigo segundo grau, agora chamado Ensino Médio, da Educação Profissional, que passou a ser um ensino pós-secundário agudizando a tradicional dualidade desse nível de escolaridade. A partir de 1.997, quem pretenda formação profissional de nível técnico deve concluir o Ensino Médio primeiro, para depois cursar o ensino profissional técnico. Essa mudança legal e política provocou grande impacto na forma de funcionamento das escolas, principalmente das escolas agrícolas de nível médio ofertadas.

No caso do Paraná, o efeito do Decreto 2208/97, pela possibilidade criada de organizar a Educação Profissional em níveis básico, técnico e tecnológico ocasionou a cessação, em 1997, das matrículas no ensino técnico, ofertado no contexto da profissionalização prevista pela Lei 5.692/71 sendo criada, em razão da política educacional do Estado para a Educação Profissional, Agência Paranaense de Desenvolvimento do Ensino Técnico PARANATEC para coordenar a educação profissional na rede estadual.

Os Colégios Agrícolas, foram transformados em Centros Estaduais de Educação Profissional e os cursos de Técnico em Agropecuária foram cessados, passando os estabelecimentos a ofertar cursos de Técnico em Agricultura e Técnico em Pecuária separadamente, além de outros definidos pala PARANATEC.

Com a mudança de governo e as novas políticas ocorreu a desativação da PARANATEC e a responsabilidade de gerenciamento da Educação Profissional voltou para o Estado. A Secretaria de Estado da Educação instituiu o Departamento de Educação Profissional, o qual assume a execução das políticas educacionais inerentes à Rede Estadual de Educação Profissional.

Com o advento do Decreto 5.154/04 de 23/07/04 – a Educação Profissional técnica de nível médio passa a ser desenvolvida de forma articulada com o ensino médio, observados: os objetivos contidos nas diretrizes curriculares nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação; as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu projeto pedagógico.

A articulação entre a Educação Profissional técnica de nível médio e o Ensino Médio dar-se-á de forma: integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, contando com matrícula única para cada aluno; concomitante, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental ou esteja cursando o ensino médio, na qual a complementaridade entre a educação profissional técnica de nível médio e o ensino médio pressupõe a existência de matrículas distintas para cada curso; subseqüente, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino médio.

O termo Educação Profissional foi introduzido pela LDB 9.394/96, Art. 39 – “A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva”.

Em nossa tradição educacional, o termo educação tem um referente de formação geral que tem como objetivo fundamental o desenvolvimento humano integral informado por valores éticos, sociais, políticos, de modo a preservar a dignidade intrínseca do ser humano e a desenvolver ações junto à sociedade com base nos mesmos valores. O que requer uma leitura atualizada do mundo nas suas implicações econômicas, culturais e científico-tecnológicas.

Essa compreensão ampla da educação difere da tradição da formação profissional, que, desde suas origens, é conduzida a se vincular demasiadamente aos fins e valores do mercado, ao domínio de métodos e técnicas, aos critérios de produtividade, eficácia e eficiência dos processos. É exigido do trabalhador certo número de qualificações e, mais recentemente, a aquisição de competências laborais.

O termo educação profissional introduziu uma ambigüidade no que tange ao entendimento básico da educação, conduzindo ao reducionismo de compreender a educação no seu sentido mais amplo e interpretar suas atividades como formação profissional.

É oportuno, no entanto, recuperar o papel fundamental do ensino médio, qual seja, o de estabelecer a relação entre o conhecimento e a prática de trabalho. Trata-se de explicitar como o conhecimento isto é, como a ciência se converte em potência material no processo de redução. Tal explicitação deve envolver o domínio não apenas teórico, mas também prático sobre o modo como o saber se articula com o processo produtivo.

O horizonte que deve nortear a organização da educação profissional vinculada ao ensino médio, é o de propiciar aos alunos o domínio dos fundamentos científicos das técnicas diversificadas e utilizadas na produção, e que retomada em sua compreensão básica e práticas pedagógicas, se renovará, não modular nem fragmentada, mas profundamente vinculada à educação básica.

A educação profissional deverá ser concebida como um processo de construção social que ao mesmo tempo qualifique o cidadão e o eduque em bases científicas, para compreender a tecnologia como produção do ser social, que estabelece relações sócio-históricas e culturais de poder, porém somente a formação profissional e tecnológica não é suficiente, os trabalhadores necessitam ter acesso também à cultura sob todas as formas e, portanto à educação básica.

Nesse contexto, a educação aliada a outros setores, torna-se agente importante no processo de transformação social, capaz de promover o desenvolvimento social e econômico. Para tanto, não deve limitar-se apenas na transmissão de conhecimentos, mas também preparar o sujeito para que possa participar ativamente da vida, oferecendo-lhe elementos para compreensão do processo de produção e uso dos bens criados com ajuda de tecnologia própria e do mundo em que vive.

Toda estrutura dos cursos de Educação Profissional aqui ofertados tem a finalidade de tornar este Estabelecimento de ensino em verdadeiro centro de difusão tecnológica, integrado à região onde se localiza, atendendo a inúmeros municípios do Estado do Paraná e outros estados da Federação, visando atender às reivindicações das comunidades locais, que sendo essencialmente agrícola depositam neste Estabelecimento esperanças para um desenvolvimento capaz de competir no mercado, favorecendo assim a permanência familiar nas pequenas propriedades rurais atuando como agentes efetivos de mudanças no meio em que vivem e participando do desenvolvimento regional.

Nesse contexto, o aprimoramento do educando como pessoa humana, destaca a autonomia intelectual e o pensamento crítico para a constituição de uma identidade autônoma.

O trabalho e a cidadania são previstos como os principais elementos nos quais a capacidade de continuar aprendendo deve-se aplicar, a fim de que o aluno se adapte às condições de mudança na sociedade, mais precisamente, no mercado de trabalho.

Dessa forma a escola promove a socialização do saber por meio da apropriação do conhecimento produzindo histórica e socialmente, ou seja, pelo trabalho educativo produz-se intencionalmente nos alunos o que a sociedade produziu coletivamente no decorrer do tempo, a sua herança cultural: a ciência, as artes, a religião, a filosofia, as técnicas etc.

Existem diferentes formas de se organizar o processo de construção do conhecimento em sala de aula. Essas diferentes formas, implícita ou explicitamente, justificam-se a partir de diferentes concepções sobre o processo de conhecer, que, por sua vez, são decorrentes de determinada visão de homem e de mundo.

A finalidade da educação escolar é transmissão sistemática dos conteúdos de ensino, os conhecimentos produzidos e acumulados no movimento histórico pela humanidade de modo a assegurar que os alunos deles se apropriem ativamente e possam reelaborar novos conhecimentos, processando uma crítica não abstrata, mas embasada na compreensão científica do real.

Os conhecimentos são produzidos e reinterpretados no movimento histórico. Na sociedade capitalista, os conhecimentos são produzidos à custa do trabalho da maioria, que permanece aleijada dos benefícios da ciência, da técnica e da arte. Na civilização moderna todas as atividades práticas adquiriram tal complexidade e as ciências se mesclaram tanto com a vida, que toda atividade prática é uma atividade intelectual.

É essa trama de ciência e de trabalho que cria a necessidade de uma escola que possibilite o acesso aos conteúdos do ensino às massas trabalhadoras.

Os problemas mais agudos da educação escolar situam-se nos aspectos didático-metodológicos, na reinterpretação do processo ensino-aprendizagem, nos aspectos de formação dos professores, nos aspectos da organização da escola.

O encaminhamento destas questões tem partido dos pressupostos: a escola deve transmitir a todos os alunos os saberes que são investidos na vida cotidiana, não só os saberes fundamentais, mas também os saberes tecnológicos, econômicos e jurídicos (fundamentos do mundo social adulto). Esse ensino deve ser diretamente articulado com a experiência social do educando; a escola deve esforçar-se por dar a todos uma formação científica e tecnológica ligada à luta contra as fontes da desigualdade social; a escola deve proceder à transmissão sistemática do saber não como um corpo de conhecimentos voltado para si mesmo, mas utilizará o saber como necessário para melhor compreensão dos problemas sociais; a escola deve conceber cultura humana como formação da personalidade social e não como assimilação pelos indivíduos de conteúdos culturais que têm um valor em si.

Pelo trabalho docente é que se dá o encontro formativo entre o aluno e a matéria de ensino. O professor desempenha a função de mediação entre o indivíduo e o mundo social, adulto, possibilitando a ele o confronto entre ambos, fazendo com que ele vá adquirindo a capacidade de compreender e transformar os saberes. O núcleo do trabalho docente é o ensinar, e ensinar de modo que os alunos aprendam.

A organização do trabalho escolar é por sua vez, mediação entre o trabalho docente e a prática social global. Afirmar este caráter de mediação da organização escolar significa afirmar que ela não se justifica por si mesma, mas tem sua razão de ser nos efeitos que se prolongam para além dela e que persistem mesmo após sua cessação.

A participação dos professores na organização da escola, nos conteúdos a serem ensinados nas suas formas de administração será tão mais efetivamente democrática na medida em que eles dominarem os conteúdos e as metodologias dos seus campos específicos, bem como o significado social dos mesmos, pois só quem domina as suas especificidades numa perspectiva de totalidade (significado social da prática de cada um) é capaz de exercer a autonomia na reorganização da escola que melhor propicia a sua finalidade: democratização da sociedade pela democratização do saber.

A deteriorização das condições dos trabalhadores de ensino, no bojo da deteriorização geral dos trabalhadores no avanço de modo de produção capitalista, reflete-se diretamente no “descompromisso” para repensar a escola. A necessidade de dar aulas em várias escolas para manter as condições mínimas de salário, reafirmando um regime de trabalho hora/aula, deixa os professores sem condições materiais para planejarem as aulas e para refletirem, discutirem e decidirem sobre a organização do trabalho na escola.

A organização escolar que possibilitará a consecução do objetivo de emancipação das camadas populares será engendrada a partir das condições existentes, por que, entre outras razões, é na escola que aí está que encontramos elementos válidos que mostram possibilidades para o que deve ser a nova organização escolar. Não se trata de conceber previamente um tipo de organização escolar ideal, mas de garimpar no existente os elementos que fortalecidos, apontam para novas práticas.

A revisão do currículo se dá, pois, a partir do que é historicamente necessário (transformação da situação de desigualdades sociais) articulado com o que é historicamente possível (a situação de desigualdades sociais). A modificação da escola não deve, pois, deixar ao largo a necessidade de uma modificação profunda na prática pedagógica dos seus sujeitos.

O saber necessário sobretudo para a classe trabalhadora, é o saber consistente e clareador a respeito do mundo físico e social. Para tanto é importante que a educação dada não seja superficial e aligeirada, mas que propicie a transmissão dos conteúdos necessários para se atingir a consciência crítica a respeito das práticas sociais, por meio das quais o mundo é construído. Nesse caso, todos teriam iguais oportunidades de acesso ao saber acumulado pela tradição.

Se conseguirmos integrar o trabalho à escola, à prática de sala de aula, será possível superar a dicotomia entre cultura erudita e cultura popular. Daí a extrema importância da formação do professor e de sua conscientização a respeito da educação como prática social transformadora. Que o professor tenha aliado à sua prática, um compromisso não só quanto ao conteúdo transmitido, mas também, quanto à maneira de ensinar, tendo em vista objetivos que não se separam da realidade concreta vivida.

Se a ação dos professores é importante dentro de sala de aula, também é necessário que eles se aglutinem para que a discussão dos problemas não se dilua em casuísmos, perdendo-se a visão do todo. A evolução cognitiva não caminha para o estabelecimento de conhecimentos cada vez mais abstratos, mas, ao contrário, para sua contextualização, que é condição essencial da eficácia.

Por isso, é necessário aprender a estar aqui, isso significa aprender a viver, a dividir, a comunicar, a comungar; é o que se aprende somente nas culturas singulares. Devemos nos dedicar não somente a dominar quer seja o conteúdo e/ou o indivíduo, mas devemos nos dedicar a condicionar, melhorar, compreender, inscrever em nós: a consciência antropológica, que reconhece a unidade na diversidade; a consciência ecológica, isto é, a consciência de habitar, com todos os seres mortais, a mesma esfera viva; a consciência cívica terrena, isto é, da responsabilidade e da solidariedade para com os filhos da Terra; a consciência espiritual da condição humana que decorre do exercício complexo do pensamento e que nos permite, ao mesmo tempo, criticar-nos mutuamente e autocriticar-nos e compreender-nos mutuamente.

A busca do futuro melhor deve ser complementar, não mais antagônica, ao reencontro com o passado. Todo ser humano, toda coletividade, deve irrigar sua vida pela circulação incessante entre o passado, no qual reafirma a identidade ao restabelecer o elo com ascendentes, o presente, quando afirma suas necessidades, e o futuro no qual projeta suas aspirações e esforços.

As grandes transformações são morfogêneses, criadoras de formas novas que podem constituir verdadeiras metamorfoses. De qualquer maneira, não há evolução que não seja desorganizadora e reorganizadora em seu processo de transformação.

A realidade social contemporânea constitui algo de extremamente novo se a compararmos ao passado da humanidade. Os fenômenos coletivos produzem-se hoje numa nova escala ou num novo plano, todos os fatos importantes de nossas sociedades são internacionais. Qualquer acontecimento que se produza em qualquer ponto do planeta repercute imediatamente no mundo inteiro. Essa interdependência foi se impondo pouco a pouco em todos os domínios, não existem mais economias isoladas, políticas internas, relações intelectuais e morais limitadas a um único grupo.

Os acontecimentos superaram os homens e sucederam-se rápido demais para nossas mentes individuais ou coletivas. Nesse processo podemos dizer, que estamos apenas adaptados à nossa vida local, à vida de nossa cidade, à vida de nosso país, mas não compreendemos com exatidão o estado atual do mundo, esse universo de relações complexas e solidárias.

O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual do homem, não é a consciência que determina o seu ser, mas pelo contrário, o ser social é que determina sua consciência. A transformação das coisas só é possível porque no seu próprio interior coexistem forças opostas tendendo simultaneamente à unidade e à oposição. É o que se chama de contradição, que é universal, inerente a todas as coisas materiais e espirituais e é a essência ou a lei fundamental da dialética e podem ser aplicados tanto à matéria, como à sociedade humana e aos nossos próprios conhecimentos.

É possível dizer então que a condição humana não resulta da realização hipotética de instintos, mas da assimilação de modelos sociais, o ser do homem se faz mediado pela cultura e não apresenta características universais e eternas, pois variam as maneiras pelas quais os homens respondem socialmente aos desafios.

A natureza modificada pelo trabalho humano não é apenas a do mundo exterior, mas também a da individualidade humana, pois nesse processo o homem se autoproduz, isto é, faz a si mesmo homem.

O autoproduzir-se humano se completa em dois movimentos contraditórios e inseparáveis: por um lado, a sociedade exerce sobre o indivíduo um efeito plasmador, a partir do qual é construída uma determinada visão de mundo; por outro lado, cada um elabora e interpreta a herança recebida na sua perspectiva pessoal.

Cabe então aqui, a pergunta: O que é o homem? – Trata-se de um problema de antropologia, ou seja, do questionamento filosófico a respeito do conceito que o homem faz de si mesmo.

A questão antropológica é a primeira que se coloca em qualquer situação vivida pelo homem, mesmo que ele próprio não tome consciência disso, porque todas as nossas concepções de mundo e todas as nossas formas de agir partem de uma idéia de homem que a elas se encontra subjacente. Por isso é importante na práxis educativa que se tenha claramente tematizada a questão antropológica, para que a atuação do educador seja intencional e não se faça apenas de forma empírica.

As relações que os homens estabelecem entre si para produzir a cultura, se dão em diversos níveis que não se excluem, mas se complementam e se interpenetram. São elas:

- relações de trabalho – são materiais, produtivos e caracterizadas pelo desenvolvimento das técnicas e atividades econômicas;

- relações políticas – as relações de poder, que possibilitam a organização social e a criação das instituições sociais;

- relações culturais ou comunicativas – resultam da produção e difusão do saber e deveriam pertencer ao âmbito das relações intencionais, reduto da subjetividade.

A práxis humana, supõe um trabalho cujo resultado é a produção dos bens materiais. Para tanto, o homem antecipa a ação por meio do pensamento, criando idéias, teorias, que seriam na verdade o resultado de um trabalho não material, ou seja, um trabalho intelectual.

O homem faz cultura por meio do seu trabalho, com o qual transforma a natureza e a si mesmo, porém o aperfeiçoamento de suas atividades só é possível mediante a educação, fator importantíssimo para a humanização e a socialização.

Para o Professor J. Carlos Libâneo, “educar é conduzir de um estado a outro, é modificar numa certa direção o que é suscetível de educação. O ato pedagógico pode, então ser definido como uma atividade sistemática de interação entre seres sociais, tanto no nível do intrapessoal como no nível da influência do meio, interação essa que se configura numa ação exercida sobre sujeitos ou grupos de sujeitos visando provocar neles mudanças tão eficazes que os tornem elementos ativos desta própria ação exercida. Presume-se aí, a interligação no ato pedagógico de três componentes: um agente (alguém, um grupo, um meio social etc); uma mensagem transmitida (conteúdos, métodos, automatismo, habilidades etc) e um educando (aluno, grupos de alunos, uma geração etc)”.

Libâneo diz ainda, que o especificamente pedagógico está na imbricação entre a mensagem e o educando, propiciada pelo agente. Como instância mediadora, a ação pedagógica torna possível a relação de reciprocidade entre indivíduos e sociedade. Conclui-se, então, que a educação não pode ser compreendida fora de um contexto histórico-social concreto, sendo a prática social o ponto de partida e o ponto de chegada da ação pedagógica.

Saviani define educação como “um processo que se caracteriza por uma atividade mediadora no seio da prática social global”.

Podemos definir então, Educação como um conceito genérico, mais amplo, que supõe o processo de desenvolvimento integral do homem, isto é, de sua capacidade física, intelectual e moral, visando não só a formação de habilidades, mas também do caráter e da personalidade social.

Porém, a educação não pode ser compreendida à margem da história, mas apenas no contexto em que os homens estabelecem entre si relações de produção da sua própria existência. Dessa forma, é impossível separar a educação da questão do poder: a educação não é um processo neutro, mas se acha comprometida com a economia e a política de seu tempo.

Por isso, a educação não pode ser considerada apenas um simples veículo transmissor, mas também um instrumento de crítica dos valores herdados e dos novos valores que estão sendo propostos. A educação abre espaço para que seja possível a reflexão crítica da cultura.

Neste contexto, torna-se claro a importância da formação do educador, para que a superação das contradições seja possível com maior grau de intencionalidade e compreensão dos fins da educação. Nos dias de hoje, algumas tarefas fazem-se urgentes, a principal é que tenhamos força suficiente para tornar nossa sociedade mais justa e menos seletiva.

A educação deve instrumentalizar o homem como um ser capaz de agir sobre o mundo e, ao mesmo tempo, compreender a ação exercida. A escola não é a transmissora de um saber acabado e definitivo, não devendo separar teoria e prática, educação e vida.

A escola ideal não separa cultura, trabalho e educação. As críticas que vêm sendo feitas à escola revelam a dificuldade da mesma em atender as necessidades de um mundo em constante mutação, no qual a ciência e a tecnologia tornam cada vez mais complexa a função do educador. O campo de reflexão que instiga o educador contemporâneo é extenso e intrincado. Como superar essa crise permanece ainda um desafio, mas, se a escola não é uma ilha, ela reflete, neste momento, a crise mesma porque passa a nossa civilização.

Nesse sentido, nenhuma reforma educacional é apenas técnica e neutra: por trás das decisões existem posições políticas. Ao privilegiar determinado tipo de conteúdo a ser ensinado ou um método para facilitar esse processo, a escola não transmite apenas conhecimentos intelectuais por meio de uma prática neutra, mas repassa valores morais, normas de conduta, maneiras de pensar.

Dessa forma, a escola promove a socialização do saber por meio da apropriação do conhecimento produzido histórica e socialmente.

Ao buscarmos os fundamentos epistemológicos dessa apropriação, remetemo-nos à teoria do conhecimento, que é a relação entre sujeito e objeto; o problema básico que se coloca é: como alguém conhece algo? A relação de conhecimento pode ser entendida como sendo a relação de um sujeito cognoscente com um objeto cognoscível.

Existem umas séries de demandas sociais com relação à escola, uma delas é propiciar às novas gerações uma compreensão científica, filosófica, estética da realidade em que vivem. Trata-se da construção do conhecimento. O professor almeja que seus alunos possam aprender aquilo que está ensinando, que realmente elaborem o conhecimento.

O trabalho em sala de aula depende da concepção que se tenha da tarefa social da escola, a finalidade do conhecimento é que possa colaborar na formação do educando na sua globalidade. Na dialética da educação, o conhecimento em sala de aula não tem sentido em si mesmo. O conhecimento tem sentido quando possibilita o compreender, o usufruir ou o transformar a realidade.

O que se deseja em relação aos conhecimentos? A resposta é histórica, se pauta na realidade presente (a ser superada) e no horizonte do histórico viável que conseguimos vislumbrar. Deseja-se um conhecimento baseado nos seguintes critérios:

- crítico: que não conforme com o que está dado na aparência, com aquilo que é dito de imediato, busca do que é relevante, significativo;

- criativo: que possa ser aplicado, transferido para outras situações que possa fazer avançar o conhecimento; que seja ferramenta de transformação;

- duradouro: porque significativo e bem aprendido, no momento certo, da forma adequada que, em qualquer situação de sua vida, o sujeito esteja apto a interferir na realidade.

Uma vez que a ação pedagógica a ser desenvolvida depende fundamentalmente da forma como o aluno aprende. Saber como o aluno aprende é um conhecimento específico à função do magistério; cabe ao professor pesquisar em duas frentes: como se dá o conhecimento em geral (contribuição da Didática), e o conhecimento do objeto específico de sua área de ensino (metodologia de ensino específica).

Os estudos de Piaget e Vygotsky apontam para a essencialidade da mediação e da interação na construção do conhecimento. Reig e Gradolí dizem que, na sala de aula, a mediação é um processo de “transvase” de informação a partir de um sistema de representação (o professor, com um conteúdo, uma estrutura informativa e um código) a outro sistema de representação (o aluno, que processa ativamente tal informação). A mediação se produz, em primeiro lugar, fora do aluno, por meio dos agentes culturais que atuam como mediadores externos ao resumir, valorizar e interpretar a informação a transmitir. O aluno capta e interioriza a informação relacionando-a e interpretando-a mediante a utilização de estratégias de processamento que atuam como mediadores internos.

Para Vygotski termo reconstrução é importante, quanto ao processo de internalização, pois o aluno atribui sentidos próprios às informações, a partir de experiências e aprendizagens anteriores, gerando, para si, novos conhecimentos. Ressalta-se, em sua teoria, a interação social no desenvolvimento do indivíduo, pois, através dela, se dará a aprendizagem da linguagem, instrumento de caráter simbólico essencial ao processo de internalização.

Para Piaget, o sujeito constrói a si mesmo em um processo de interação dialética com o meio sociocultural. A construção do conhecimento se dá pelo processo de internalização da realidade captada pelo sujeito, que cria representações próprias, atribuindo sentido único ao que experiência, num espiral sem começo nem fim absolutos em termos de evolução do pensamento. Na visão dialética, a mediação se dá pela antítese, pelo confronto, que ocorre na relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Ao interagir com o objeto, o sujeito o recria no seu pensamento. Esse objeto, agora, é um novo objeto, uma nova representação para esse sujeito. O “objeto” da interação do aluno pode ser o professor, a noção estudada, o colega, um texto lido.

O processo avaliativo acompanha o caráter dinâmico e espiralado da construção do conhecimento, assumindo diferentes dimensões e significados a cada etapa dessa construção. A relação professor/aluno, via avaliação é complexa e multidimensional à medida que representa permanentemente, enviar e traduzir mensagens por ambas as partes. Cada um deles estará sempre interpretando o que ouve e o que observa do outro, tanto em relação ao processo de aprender, quanto ao próprio conteúdo de aprendizagem.

Schön (2000, p.86) diz que muitas orientações que parecem claras e estimulantes ao professor podem ser recebidas pelos educando, com seus sistemas de compreensão muito diferentes, como confusas e misteriosas. Muitas vezes não é fácil essa comunicação.

O compromisso de qualquer estudo avaliativo, na concepção ético-política, é o de sugerir e abrir caminhos à reconstrução de uma escola onde todos os alunos tenham seus direitos respeitados.

Estudos avaliativos sempre provocam alguma diferença. As pessoas envolvidas em situações de avaliação são levadas a refletir sobre o que fazem e por que fazem. A apresentação dos resultados serve também para alertar, para uma análise crítica da situação de um ponto de vista alheio, o que contribui para as mudanças. Esses são reflexos positivos desses estudos. Entretanto, o enfrentamento dos limites é a sua finalidade, bem como trabalhar para superá-los, com a modéstia de quem se percebe permanentemente aprendendo.

Resguardar o sentido ético da avaliação significa percebê-la como questionamento permanente do professor sobre sua ação, sobre o que observa do aluno, sobre o que seria mais justo e correto em termos de sua dignidade humana. É comum os professores introduzirem suas questões como expressões do tipo: sempre devemos...; nunca, então, poderemos... Os sempres e os nuncas revelam que a tendência é buscar-se regras gerais, uniformidade de procedimentos, tratar todos os alunos da mesma forma. Essa justiça da uniformização acarreta inúmeras injustiças”. Hoffmann

(2004, p: 31).

Morin (2000,p: 86) diz que “o conhecimento é uma aventura incerta que comporta em si mesma, permanentemente, o risco de ilusão e de erro. Entretanto, é nas incertezas doutrinárias, dogmáticas e intolerantes que se encontram as piores ilusões”.

Por tratar-se de uma atividade ética, nenhuma outra prática escolar é tão dogmática e conservadora quanto a avaliação. Mas estamos em tempo de fazer apostas e criar estratégias para enfrentar o desafio ético de igualdade de oportunidades de aprendizagem. Estratégias, como aponta Morin, que levem em conta “a complexidade inerente a tal finalidade”, principalmente em termos da educação brasileira e que precisam ser constantemente revistas em função dos imprevistos e alterações de contexto. A plena consciência das finalidades em avaliação favorecerá a escolha consciente de estratégias de ação pelos educadores e não a imposição de metodologias.

Entendemos que uma metodologia de trabalho na perspectiva dialética deve:

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