O sr. Inocêncio oliveira



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Encontro11.03.2018
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O SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA (PR/PE pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados: Tenho notícias da extraordinária repercussão, em São Paulo, no “Museu da Língua Portuguesa” da exposição sobre a vida e a obra do escritor e sociólogo Gilberto Freyre, conterrâneo de Pernambuco, e que faleceu em 1987.

A exposição, que foi aberta ao público até o dia 4 de maio de 2008, intitula-se “Gilberto Freyre – Intérprete do Brasil” e praticamente coincide com o lançamento no mercado editorial do volumoso ensaio dos escritores uruguaios Enrique Laretta e Guillermo Giucci que tem como titulo “Gilberto Freyre – uma biografia intelectual.”

Esse livro abrange o período da vida de Gilberto Freyre que se estende de 15 de março de 1900 a 1936, percorrendo assim mais de três décadas da vida do grande sociólogo, que trouxe uma visão nova à compreensão das relações internacionais no país e das contribuições do negro, do índio e do português na formação étnica e cultural do brasileiro. Graças à sua interpretação lúcida, não nos envergonhamos de nenhum dos possíveis defeitos dessas três etnias. Muito ao contrário: a elas devemos a marca do “homem cordial” que caracteriza o brasileiro e que Sérgio Buarque de Hollanda tão bem analisa em “Raízes do Brasil”.

A trilogia Gilbertiana de interpretação cultural e racial do Brasil é formada pelos clássicos “Casa Grande & Senzala” (1933), “Sobrados & Mucambos” (1936) e “Ordem e Progresso” (1959), completada pelo ensaio “Interpretação do Brasil” (1947).

Montada como uma casa, a exposição-homenagem a Gilberto Freyre no “Museu da Língua Portuguesa”, em São Paulo, reúne, pela primeira vez, um conjunto de 27 pinturas, entre aquarelas e telas a óleo, executadas pelo próprio Gilberto Freyre que, na adolescência, estudou desenho e pintura e era um excelente caricaturista, assinando essas obras como “Gil”.

Todo o material exibido pertence ao acervo da Fundação Gilberto Freyre, que funciona na sua antiga residência, no bairro de Apipucos, subúrbio do Recife.

Para a curadora da exposição, Júlia Peregrino, foram colocados recantos, dentro da exposição, que lembram os engenhos, os sobrados, as raízes da obra de Freyre. A idéia foi de que o visitante-espectador viajesse na cenografia, conhecendo sua obra ao abrir gavetas e armários dispostos na amostra”.

Livros de sua biblioteca, fotografias de Gilberto Freyre com visitantes ilustres, flagrantes de suas viagens aos Estados Unidos e a países europeus e cartas trocadas entre Gilberto Freyre e escritores e personalidades do Brasil e do exterior, como Oliveira Lima, Portinari, Anísio Teixeira e Florestan Fernandes. A correspondência de Gilberto Freyre com o historiador e diplomata Manoel de Oliveira Lima – pernambucano, autor, entre outras obras, do livro D. João VI no Brasil – é vastíssima; e boa parte dela encontra-se na “Biblioteca Oliveira Lima”, da Universidade Católica da América, nos Estados Unidos, pois Oliveira Lima fez-lhe a doação em vida – um conjunto de quase 40.000 volumes, muitos deles formando uma das mais completas “Brasilianas” existentes no mundo, só comparável à “Brasiliana” do bibliófilo José Mindlin.

Minha expectativa, Sr. Presidente, é de que essa exposição sobre a vida e a obra de Gilberto Freyre possa ser deslocada para o Recife e aí montada, sob o patrocínio do governo do Estado e da Prefeitura Municipal, com a curadoria da Sra. Júlia Peregrino e da professora Elide Rugai Bastos, titular do Departamento de Sociologia da Universidade de Campinas, ao longo de 2008. E deixo, aqui, esta sugestão ao governador Eduardo Campos e ao Prefeito João Paulo.

Muito obrigado!



Sala das Sessões, em 15 de maio de 2008.
Deputado INOCÊNCIO OLIVEIRA

Segundo-Vice-Presidente

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