O sr. Sandro mabel



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Encontro14.02.2018
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O SR. SANDRO MABEL (PL-GO) pronuncia o seguinte discurso: Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje dia 07 de abril é o Dia do Jornalista.

O que seria do mundo, e do Brasil, sem os jornalistas? São os jornalistas que levam e trazem as perguntas da opinião pública, depois analisadas por editores e comentaristas.

Nesse trabalho, muitas vezes o jornalistas tem de ser até importuno, com perguntas inconvenientes aos que estão expostos à luz dos refletores e aos olhos do País. Contudo, nós, pessoas públicas, não podemos reclamar; nosso ofício assim o exige, assim como o ofício do jornalista exige esperas intermináveis nos corredores de Brasília, numa busca nem sempre recompensada pela informação relevante.

Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi concebido como um ensaio sócio-histórico, e chega ao século XXI como um monumento literário; mas foi, antes de tudo, o resultado de uma reportagem jornalística.

O século passado foi pródigo em jornalistas cercados de charme, como o estadunidense John Reed, que, cobrindo a Revolução Russa, escreveu o célebre Dez dias que Mudaram o Mundo. Ou como Ernest Hemingway, o jornalista da Guerra Civil Espanhola, cuja experiência resultou no ainda mais célebre Por Quem os Sinos Dobram. A propósito da Guerra Civil Espanhola e de várias outras guerras do século XX, não devemos nos esquecer de jornalistas fotográficos, como Frank Cappa.

A matéria fotográfica dos jardins da Casa da Dinda valeu por milhares de palavras, fazendo desabar a máscara do “caçador de Marajás”. É fácil também nos lembrarmos de Peter Arnett, enviado da CNN a Bagdá durante a primeira guerra do Golfo, ou de Tim Lopes, enviado à eterna guerra do tráfico. Suas matérias tornaram-se antológicas, e, infelizmente, no caso de Tim Lopes, trouxe-lhe a morte.

O charme que os jornalistas tiveram no século passado rendeu à profissão a fantasia de ser a identidade secreta de personagens como o Super-Homem e o Homem Aranha. Também repórter era Tin-Tin, herói dos quadrinhos infantis. Mesmo hoje, com a globalização e as agências de notícias, os jornalistas ainda representam um papel essencial: são eles os primeiros a dar forma pública às informações que, depois, se transformarão em história. Como se transformou em história, livro e filme, a investigação feita por dois jornalistas sobre o escândalo de Watergate.

Senhoras e Senhores, o jornalista continua indispensável em sua tarefa de separar a notícia das informações irrelevantes. Evidentemente, todo jornalista, por ser simultaneamente filtro e amplificador das informações originais, é forçado a distorcer, em maior ou menor medida, para nosso prazer ou desgosto, essas informações originais.

Desse fato, porém, não há escapatória, a não ser mais reportagens.

Da mesma forma que a homeopatia cura usando o princípio das semelhanças, a cura para as reportagens imprecisas ou francamente venenosas é uma só: mais reportagens. Essa regra só vale, evidentemente, na medida em que não haja monopólios na mídia.

Eis, portanto, uma forma de, com nosso trabalho, homenagearmos o trabalho dos jornalistas: impedir, a todo custo, a formação de monopólios ou oligopólios nos meios de comunicação de massa.

Ao garantirmos a pluralidade da mídia, ao estimularmos as rádios comunitárias, os jornais de bairro e a desconcentração das redes de televisão, estaremos criando o ambiente propício ao surgimento de grandes jornalistas e grandes reportagens, e mantendo azeitada a máquina da democracia brasileira.

Obrigado.





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