O texto acadêmico



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GÊNEROS

GÊNEROS TEXTUAIS são tipos específicos de textos de qualquer natureza, literários ou não. Tanto na forma oral como na escrita, os gêneros textuais são caracterizados por funções específicas e organização retórica mais ou menos típica. São reconhecidos por suas características funcionais e organizacionais e pelos contextos onde são utilizados. Portanto são formas de interação, reprodução e possível alteração sociais. Os gêneros textuais são, portanto, ao mesmo tempo, processos e ações sociais que envolvem questões de acesso (quem usa tais textos) e poder. Exemplos: anúncios, convites, bulas, cartas, contos de fada, crônicas, ensaios, discursos políticos, histórias, letras de música, novelas, orações, piadas, ensaios, resenhas etc.


MODALIDADES RETÓRICAS são as formas como se organiza a linguagem, constituem as estruturas e as funções textuais tradicionalmente reconhecidas como narrativa, descritiva, argumentativa, exortativa e procedimental.


Com freqüência um único texto contém mais do que uma modalidade retórica.

RESENHA CRÍTICA

Bibliografia


MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: a prática de fichamentos, resumos,

resenhas. 3.ed.São Paulo:Atlas, 1997. 231 p.



CONCEITO

RESENHA CRÍTICA / RECENSÃO CRÍTICA => resumo + julgamento de valor


Objetivo: oferecer informações para que o leitor possa decidir quanto à consulta ou não do original.
Características: deve resumir as idéias da obra, avaliar as informações nela contida e a forma como foram expostas e justificar a avaliação realizada.

ESTRUTURA FORMAL DA RESENHA CRÍTICA




  1. Referência bibliográfica

  2. Credenciais do autor (nacionalidade, formação universitária, títulos publicados)

  3. Resumo da obra (digesto)

  4. Conclusões da autoria

  5. Metodologia da autoria (Dedutivo? Indutivo? Histórico? Comparativo? Estatístico?)

  6. Quadro de referência do autor (Qual o modelo teórico utilizado?)

  7. Crítica do resenhista (apreciação)

  8. Indicações do resenhista (A quem é dirigida a obra? A que disciplina? Pode ser adotada em algum curso?)


ENSAIO CURTO

Bibliografia


SOUZA, Clinio Jorge de. Redação ao alcance de todos. São Paulo: Contexto,1991.

MORENO, Cláudio, GUEDES, Paulo Coimbra. Curso Básico de Redação. São Paulo:

Ática, 1997.

CONCEITO

ENSAIO CURTO = Exposição ou discussão de idéias sobre um determinado tema num texto entre quatro e dez parágrafos.


Objetivo: convencer aquele que lê, através de argumentação e exemplificação consistente, da validade e relevância das idéias contidas no ensaio curto.
Características: conta apenas com aqueles dados que você, usando simplesmente a memória, pode mobilizar no momento da escritura; trata-se de um estudo não aprofundado, não acabado.


ESTRUTURA DO ENSAIO CURTO




  1. Introdução: estabelece o objetivo e a idéia central do ensaio; indica como esta idéia será desenvolvida; ocupa o primeiro parágrafo do texto.

  2. Desenvolvimento: explana a idéia central exposta na introdução; fazem parte do desenvolvimento os parágrafos restantes, exceto o último.

  3. Conclusão: retoma a idéia central expressa na introdução, resume a explanação feita sobre ela no desenvolvimento; é obrigatória no ensaio, devido à maior distância que há entre o enunciado da idéia central (feita na introdução) e o fim de sua última explanação.

ESQUEMA DE ENSAIO CURTO



INTRODUÇÃO  1 PARÁGRAFO, 5, 6, 7 LINHAS

DESENVOLVIMENTO 1  1 PARÁGRAFO, 5, 6, 7 LINHAS

DESENVOLVIMENTO 2  1 PARÁGRAFO, 5, 6, 7 LINHAS

DESENVOLVIMENTO 3  1 PARÁGRAFO, 5, 6, 7 LINHAS

CONCLUSÃO1 PARÁGRAFO, 5, 6, 7 LINHA
LEMBRETE: O esquema acima é apenas uma sugestão! A partir do domínio desse esquema básico é possível redigir textos ampliados, segundo seu objetivo.

O ENSAIO CURTO DEVE:


A) Convencer

B) Argumentar

C) Exemplificar

O ENSAIO CURTO APRESENTA:


1. Três momentos:


  1. Introdução



  1. Desenvolvimento




  1. Conclusão



  1. Três qualidades:




  1. Clareza




  1. Lógica




  1. Coerência


Um exemplo de ensaio
O analfabeto do futuro
1. Competitividade, globalização e empregabilidade são expressões repetidas 2.como palavras de ordem. Porém, o seu real significado está distorcido pele banalização do 3.uso. A base de todo o movimento de mudanças que essas palavras representam é a 4.competência, que precisa ser vista como a habilidade de realizar.

5.Estamos, em pleno século 21, travando uma luta contra o analfabetismo, a 6.exclusão social e a desigualdade. Contudo, é preciso notar que a própria evolução 7.competitiva dá uma nova proporção a essas dificuldades. No início do século passado, a 8.alfabetização era a condição de o indivíduo escrever seu próprio nome. Hoje, ela exige uma 9.competência mais complexa. É preciso, em uma folha de papel, saber exprimir idéias com 10.coerência e fluidez.

11.Por esse critério, podemos perceber que o problema do analfabetismo 12.brasileiro é mais grave do que supúnhamos. Temos recém-formados que não passariam 13.sequer num teste de redação. Quer dizer, temos analfabetos acadêmicos com nível 14.universitário. Afinal, qual o valor de se desenvolver uma boa redação? Não é pela tarefa 15.em si, mas pelo que representa em termos de raciocínio e capacidade de argumentação. 16.Quando acompanhamos na mídia o embate entre países pela regulamentação do comércio 17.internacional, não estamos vendo uma disputa baseada em números contábeis ou em 18.classificações matemáticas. Estamos, sim, assistindo a um verdadeiro duelo de idéias, que 19.precisam de mentes treinadas para elaborar argumentos e expressá-los com eloqüência.

20.Enquanto embaixadores, negociadores e empresários se engalfinham em 21.retóricas comerciais, nós também temos de desenvolver raciocínios comerciais mais bem 22.elaborados e dar para nossas idéias uma argumentação que lhes permita aceitação e 23.implementação. Em síntese, dominar a mesma técnica necessária para elaborar uma boa 24.redação.

25.Parece estranho que nosso sucesso comercial como nação dependa da 26.habilidade dos cidadãos em desenvolver uma boa redação, mas não se trata apenas da 27.formação de literatos. Trata-se do domínio da tecnologia do pensar, do expressar, do 28.compartilhar. A era das guerras físicas chega ao fim, mesmo com conflitos sangrentos. Os 29.confrontos deste século serão cada vez mais intelectuais. O predomínio da mente sobre a 30.força bruta.

31.Nessa nova arena, a quantidade perde terreno para a qualidade. Não se 32.contarão vitórias pelo número de alfabetizados, mas pela habilidade dessas pessoas em 33.dominar as técnicas para compor e expressar idéias. Já superamos a Era do 34.Conhecimento, na qual o acúmulo do saber era o diferencial competitivo. Estamos 35.vivendo a Era da Cultura, na qual fará diferença a habilidade para selecionar o 36.conhecimento de maior valia para determinado episódio.

37.Nessa esfera, a educação, que sempre foi apregoada como o meio para mudar 38.o destino do país, passa a ser insumo de primeira necessidade. Deveríamos colocá-la entre os 39.artigos da cesta básica do trabalhador brasileiro. Deveríamos fazer mutirões de educação e 40.espalhar o conhecimento como quem distribui o pão a quem tem fome. E, para eliminar a 41.fome, teríamos de alimentar o saber.

42.Entre a necessidade de assinar o nome e a urgência em dominar a redação, 43.passaram-se 100 anos. Para darmos o salto em direção à elaboração de teses científicas 44.para a competitividade do país, não teremos sequer uma década. Estamos vivendo muitos 45.mundos simultâneos, nos quais as eras agrícola, industrial e comercial se sobrepõem. O 46.desafio é fazer desse caldeirão um ambiente de aprendizagem, um laboratório de 47.experiências, uma tribuna de diálogo e um campo de atuação da vanguarda.



48.Para isso, precisamos investir no desenvolvimento intelectual de nossos 49.jovens. Precisamos de gente preparada para observar, conceber, desenvolver e exprimir 50.idéias com desenvoltura e conhecimento. Precisamos de gente que, em uma simples 51.redação, seja capaz de fazer a narrativa que irá contar a história do futuro.
(MAGALHÃES, Dulce. O analfabeto do futuro. In: Revista Amanhã, p.74)






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