Objeto, importância e divisão da Lógica



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Aula 2

Texto 1


Lógica

Objeto, importância e divisão da Lógica

Manual de Filosofia: Resumido e Adaptado do Cours de Philosophie de Lahrs. Lahr, Charles, 1958, 7ª ed.

1.Definição:Ciência das leis ideais do pensamento e a arte de as aplicar corretamente para buscar e demonstrar a verdade. Ciência filosófica, acima das outras ciências porque é usada pelas outras para estudo dos seus objetos.

2.Psicologia x Lógica





Psicologia

Lógica

Estuda

alma

idéia, juízo, raciocínio

Analisa

condições de existência do pensamento

legitimidade do pensamento

Lei

Real (relação entre 2 fenômenos)

Ideal (operação do espírito x regra)

Ciência

Concreta- como pensamos

Método indutivo



Abstrata-como devemos pensar Método dedutivo

Sobreposição

Consulta a lógica sobre o método que lhe convém

Precisa conhecer as leis que presidem o fundamento

Importância da Lógica

Bom senso (aptidão inata) = lógica natural (por isso chegamos a verdade sem auxílio da lógica). Sem se dar conta do porque nem do como. Impotente sem a lógica. Perde-se nos raciocínios longos. Desenvolve-se em quem tem.

A lógica legitima nossas certezas. Instrumento de verificação.

Regras da lógica: Para chegar a verdade é preciso partir de dados exatos e raciocinar com precisão. Assegurar conformidade do pensamento consigo (universais, aplicáveis a toda matéria). Conformidade com os objetos (dependem da natureza dos objetos).

Divisão da lógica:

a)Lógica formal ou geral: leis do pensamento, da sua própria forma.

b)Lógica especial ou aplicada = metodologia: leis particulares e métodos especiais.

c)Lógica crítica: verdade dos caracteres, critério, erro (suas causas e remédios).


Texto 2

Lógica Aplicada ou Metodologia

Manual de Filosofia: Resumido e Adaptado do Cours de Philosophie de Lahrs. Lahr, Charles, 1958, 7ª ed.
Lógica formal importante para chegar a verdade científica

Lógica aplicada para harmonizar o pensamento com os objetos, ajustar afirmações e realidade. Ciência é o conhecimento pelas causas (verdadeiro e completo). Certo, geral e metódico. Saber por demonstração ciência reduz-se a demonstração

Conhecimento Científico e Conhecimento Vulgar

Conhecimento Científico: Logicamente certo, geral e metódico

Pode explicar os motivos e sua certeza.

Conhecimento vulgar: Ignora o porque. É incapaz de demonstrar o que afirma. Não sabe dar explicação.

Conhecimento das causas dá a ciência caráter de generalidade.

A ciência é metodicamente concatenada.

Um sistema de proposições rigorosamente demonstradas, constantes, gerais, ligadas entre si pelas relações de subordinação.
Dupla função da ciência: Saber por saber, para curar um mal não basta saber a causa,, valor próprio, independente da utilidade que dela se aufere. Não é só luz para inteligência, é também força de vontade. Além da função teórica, tem ainda função prática. O princípio e a medida do nosso poder sobre a natureza é a ciência que das suas leis possuímos.

Não há ciência do particular

O indivíduo não pode ser objeto da ciência, pi esta é múltipla, complexa e tem grande mobilidade.

Classificações na história da ciência:

Classificação de Aristóteles

Três operações fundamentais do homem: pensar, agir, produzir, em teóricas, práticas e poéticas. As ciências teóricas, práticas e poéticas.

Classificação de Bacon: Segundo as diversas faculdades que estas mesmas ciências põem em ação. As ciências de memória, imaginação e de razão.

Classificação de Ampère: Matéria x espírito. Possui caráter verdadeiramente científico.

Cosmológicas/Cosmológicas e Fisiológicas/ Noológicas/ Noológicas propriamente ditas e sociais. Ordens e sub-ordens

Classificação de Augusto Comte; Complexidade crescerá na razão inversa da generalidade

matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia.

Classificação de Herbert Spencer

Ciências abstratas, abstrato-concretas e concretas ou dos seres.

Classificação geralmente admitida

Classificação de Augusto Comte

Ciências matemáticas

Ciências físico-químicas

Ciências naturais ou biológicas

Ciências morais e sociais

Espírito Científico-

Qualidades: Curiosidade, calma, paciência, imaginação, prudência, confiança, desconfiança.

Espírito Filosófico: especialista x generalista.

A união dos dois é essencial.

O espírito geométrico é a aptidão exclusiva para a dedução.


Texto 3

Método em Geral

Manual de Filosofia: Resumido e Adaptado do Cours de Philosophie de Lahrs. Lahr, Charles, 1958, 7ª ed.

Definição:

Conjunto de processos que deve empregar o espírito humano na investigação e demonstração da verdade. Prática precedeu a teoria - o estudo do empirismo levou à racionalização do método.

Utilidade e importância do método. Conduzir a um fim com segurança, presteza e facilidade

Precauções: Conformar o espírito ao método/Talento tem necessidade do método...”

Espírito medíocre c/ bom método, progride

“...a arte de descobrir a verdade (método) é mais preciosa que a maioria das verdades descobertas...”

Método não supre o talento. Método- otimizar a inteligência, deixá-la exprimir-se mais eficazmente. Não ensina a encontrar as grandes hipóteses; não ensina a criar obras primas da arte nem nos conduz às grandes invenções científicas. Não substitui o talento mas este não progride sem um bom método.

O método geral: Análise e Síntese

Cada ciência utiliza seus métodos particulares na busca do como e do porquê das coisas.

Mas acima desses métodos particulares existe um processo geral aplicável a qualquer ciência

Descartes-Discours de la Méthode part II

Regras gerais indispensáveis para a inquirição científica:

Evidência, análise (dividir o problema), síntese (pensar ordenadamente), nada omitir (revisões e enumerações).

Análise e Síntese é o mesmo que natureza e necessidade.

“Decomposição de um todo em suas partes”, síntese,“Reconstituição do todo decomposto”

Os problemas e os objetos sob estudo são complexos

Sem a análise o conhecimento é confuso e superficial/Se a síntese, é incompleto (situação no quadro geral).

2 tipos de análise-síntese

Experimentais (seres concretos e fatos).

Racionais (idéias e verdades abstratas ou gerais.

Análise e síntese experimentais.

Separação real e recomposição (substancias. materiais)

Ciências físicas/Ciências naturais..

Impossibilidade de reconstrução real pela reconstrução mental (inserções de ossos, etc...).

Observação das inter-relações dos órgãos e aparelhos.

Separação e reconstrução mental (metafísica-psicologia).

Idéias abstratas (matemática).

Análise por resolução

Redução do problema complexo a outro mais simples e já resolvido.

Síntese por dedução: conseqüência. Resolver um problema é estabelecer relação entre a questão proposta e algum princípio geral evidente.

Caminhos: Da solução e remontar ao princípio aplicado (análise=>complexo-simples)

Do princípio e descer de consequência a consequência até a solução (síntese=>simples-complexo).

Análise matemática- marcha regressiva (consequência-princípio)

Solução de problemas

Síntese matemática- marcha progressiva (princípio-consequência)-teoremas

Regras da análise e da síntese

Analisar até o elemento mais simples e redutível e sintetizar até se obter o composto total

Na análise nada omitir a fim de que nada tenhamos de supor na síntese

A análise deve sempre preceder a síntese nas ciências da natureza

Espírito analítico e sintético:

a)Analítico:Pormenorizador, exato e minucioso, atenção sobre as diferenças, abuso, estreito

b)Sintético:Abraça o conjunto, vasto e compreensivo; atenção sobre as afinidades, analogias

abuso. Vago, muitas suposições.


Texto 4

As ciências da Natureza

Manual de Filosofia: Resumido e Adaptado do Cours de Philosophie de Lahrs. Lahr, Charles, 1958, 7ª ed.

Ciências Físico-Químicas

A Física estuda as leis e propriedades gerais da matéria como gravidade, som e calor. A química: estuda as leis e as propriedades de cada tipo de matéria. Ex: oxigênio, cloro, enxofre. Objeto de estudo são as causas e as leis que regem os fatos.

O método é a experimentação, por meio de 4 processos: observar, supor, verificar e generalizar.Outros processos do método dependem da observação para chegar ao conhecimento científico.

Condições físicas: Além dos órgãos dos sentidos, faz-se necessário a utilização de bons instrumentos para aumentar o alcance e a precisão, ou até suprir os próprios sentidos.

Condições intelectuais: Espírito de observação: é preciso ter curiosidade para notar o vulgo passa despercebido e sagacidade para diferenciar os fatos significativos.

Condições morais: a paciência, a coragem e a imparcialidade são fundamentais para se chegar a resultados verdadeiros.

Observação deve ser atenta, exata, completa, precisa, sucessiva e metódica para se chegar a um fato devidamente verificado.
Hipótese: “Suposição duma causa ou lei destinada a explicar provisoriamente um fenômeno, até que os fatos a venham contradizer ou confirmar.”

Suas utilidades são: Prática: orientar e dirigir para a causa ou lei provável.

Teórica: coordenar os resultados obtidos para facilitar a interpretação.

Hipóteses: dedutivas, formulada por meio de uma lei já conhecida e as indutivas que são sugeridas pelas experiências, são analógicas, fazem analogias entre os fenômenos.

A hipótese científica é necessária pois verifica a realidade do fato e se nenhuma lei o explica, possível pois não deve haver contradição com leis ou fatos considerados certos,

Suficiente já que é apropriada ao fato que se quer explicar, verificável se seu valor provém da possibilidade de verificação, simples já que o desperdiço e as complicações são inaceitáveis.

As hipóteses são um meio e não o fim da ciência. Faz-se necessário distinguir entre a suposição e a certeza de que uma idéia é verdadeira. A hipótese não tem a pretensão de demonstrar o que se sabe, mas de descobrir o que se ignora.

Experimentação: Estudo de um fenômeno, provocando-o artificialmente, sob determinadas condições, com o intuito de verificar uma hipótese.

O observador é passivo e limita-se a descrever a natureza.

O experimentador deve ser ativo, interrogando a natureza, por meio de uma hipótese previamente concebida. Porém na área de saúde, nem sempre é possível uma intervenção ativa, sendo necessário estudar casos patológicos ou realizar o estudo em animais.

Regras: além de ser atento, metódico, paciente e imparcial, é necessário:

a- Alargar a experiência, b- Variar a experiência, c- Inverter a experiência (contra prova), d- Recorrer aos casos da experiência

Bacon e Stuart Mill descrevem métodos para realizar a experimentação e observá-la com raciocínio lógico, capaz de descobrir a causa de um fenômeno.

Fatos cruciais que facilitam a investigação, já outros não podem ser explicados pela utilização desses métodos. Desta forma recorre-se à dedução para se verificar a hipótese ou à indução para se formular uma lei geral e constante

Indução: Por meio da análise de um fato individual conclui-se a natureza de uma lei. Existe a indução socrática, a aristotélica e a baconiana, sendo a última “o processo que generaliza a relação de causalidade entre dois fenômenos, e da relação causal conclui a lei”.

Existem leis e regras para levar o raciocínio indutivo à uma verdade científica:1- Assegurar – se que a relação a ser generalizada é verdadeiramente essencial.

Fatos – relação causal / Seres: coexistência necessária de duas formas. 2- Os fatos interligados devem ser verdadeiramente idênticos entre si e causa total e completa

Valor lógico da indução: a indução verdadeiramente científica procedente da experimentação regular, torna-se inatacável, pois ao provar que a relação verificada é relação essencial, invariavelmente esta é constante.

Processo Indutivo x Processo Dedutivo: o raciocínio se estrutura por meio desses dois processos, deve ser dedutivo para se chegar a uma conseqüência sólida e indutivo para enriquecer o conhecimento.

A matemática nas ciências: fornece a linguagem abstrata, possibilitando às ciências a utilização dos números, os quais diferenciam os fenômenos uns dos outros.

Estudos estatísticos / Método dedutivo

Apesar de conferir maior precisão, os números quantificam os fatos, porém não os qualificam.

Sistemas ou Teorias: Conjunto de leis particulares ligadas por uma explicação comum.

Importância: possuem um valor objetivo ao classificar e agrupar os fenômenos da natureza.

Teorias: Explicativas explicam a própria natureza do fenômeno e suas leis.

Representativas são provisórias ou reformáveis, explica uma hipótese até que outra teoria venha substituí-la.

Utilidade x Perigo dos Sistemas: são úteis à medida que satisfazem provisoriamente às necessidades da ciência, porém não passam de hipóteses, que podem ser substituídas à medida que a ciência avança.

Idéia e fatos nas ciências da natureza:

O método experimental:É baseado na observação, sugestão e verificação que permeiam os fatos e as idéias. A utilização de rigorosa ou do método racionalista (esquecimento dos fatos e abuso das hipóteses) ou do método empírico ( exclusão das hipóteses e atenção aos fatos) retardaram o processo da ciência.

Admite a necessidade da idéia como ponto de partida de uma investigação e a necessidade da interpretação dos fatos para a elaboração do raciocínio experimental.

Faz-se necessário equilibrar a utilização dos métodos racionalista e empírico, dando devido valor às idéias e aos fatos para construir a ciência. União das idéias e dos fatos constituem o método experimental.

Método das Ciências Naturais ou Biológicas:


Caracteres e Processos das Ciências Naturais

Objetos e processos gerais das ciências biológicas: Objeto: é a matéria viva, a descrição do ser vivo, investigando os fenômenos vitais e suas leis. Processos gerais: utiliza os mesmos processos das ciências físicas, como a observação, hipótese, experimentação e indução, porém em maior profundidade, devido à complexidade de seu objeto.

As Divisões Gerais das Ciências Biológicas são:

Anatomia: descreve os diferentes órgãos e tecidos do ser vivo.

Fisiologia: estudam o funcionamento normal e anormal dos órgãos.

Sistemática ou Taxonomia: descreve e classifica as diversas espécies de animais e vegetais.

Ciência dos fatos (fisiologia, patologia): observa os fenômenos e sintomas das doenças, as funções de um órgão e as desordens que sua ausência provoca. Utiliza-se dos métodos das ciências físicas, com algumas ressalvas.

Ciências dos seres (zoologia e botânica): por meio do método de indução conhecido como generalização, utiliza os processos de observação e comparação para estabelecer a coexistência constante e necessária das diferentes formas. Agrupa metodicamente os seres de acordo com suas semelhanças e diferenças, classificando-os.

Analogia/Natureza da analogia: Relação entre os objetos: consiste na semelhanças imperfeita entre objetos de ordem diferente

Processo de espírito: por meio de certas semelhanças observadas conclui-se outras semelhanças ainda não observadas.

Indução e analogia: enquanto a indução observa alguns casos e conclui todos os outros casos a analogia pela presença de um ou vários caracteres conclui a presença de outros caracteres (passa do semelhante ao semelhante).

Três Espécies de analogia: Semelhança dos meios às dos fins, como na semelhança dos órgãos e das funções, semelhança dos efeitos à das causas, semelhança de natureza à das leis ou dos atributos.

Regras relativas ao uso da analogia: Não tirar conclusões superficiais e não desprezar diferenças que as acompanham, Não confundir na mesma fórmula as conclusões prováveis da analogia com os resultados certos da indução.

Verificação da analogia: 1- Por demonstração 2- Por experiência 3- Pelas conseqüências

Função da analogia nas ciências da natureza: sugere a maioria das hipóteses, preparando o caminho para descoberta da causa e exercendo a função de relação causal.

Classificação:

Definição: “Classificar é colocar os seres, segundo suas semelhanças e diferenças, em determinado número de grupos metodicamente distribuídos”.

Classificação artificial: apoia-se em um ou mais caracteres, podendo ter um fim prático ou teórico e científico, facilitando o estudo pela comparação dos diferentes seres da natureza.

Classificação natural: seria a classificação ideal reproduzindo exatamente o plano da natureza. Distingue-se da artificial por apoiar-se na totalidade dos caracteres, e pela ordem que procura estabelecer entre os seres.

Teoria da Classificação Natural: baseia-se no princípio da afinidade natural, no princípio da subordinação dos caracteres e no princípio da série natural.

Aplicação: permite a separação dos indivíduos em espécie (podendo dividir-se em raças), família, ordem, classe e tipo.

Natureza: além de definir toda a natureza de um gênero ou espécie, pontua o seu lugar na classificação, as relações de união e diferenças entre grupos vizinhos.

Regras: são as definições em geral

Definição empírica: Caracteres e funções diversas da definição empírica e definição racional:

Enquanto a definição racional ocupa-se de noções abstratas, nas ciências

naturais o objeto realmente existente é descrito de acordo com suas

características definidas empiricamente por meio da observação. A definição

racional é imutável e irreformável, já a definição empírica é perfectível,

podendo ser contestada, discutida, sendo desta forma mas ou menos

imperfeita.

Funções diferentes da definição empírica e da definição racional:

A definição racional inicia o processo do estudo do objeto ideal e a definição

empírica acontece no processo final, resumindo as investigações e formulando

os resultados.

Uso do Princípio e da Finalidade nas Ciências da Natureza

“A inquirição dos fins assinala um progresso na ciência, e de fato a questão do porquê, isto é, da finalidade, tão interessante como é em si mesma, ajuda também poderosamente a inteligência do como, isto é, das causas eficientes”.

O princípio da finalidade é importante nas ciências da natureza em geral, visto que a causa atua deste ou daquele modo para se obter este ou aquele resultado, porém este princípio é de menor aplicabilidade e mais arriscado nas ciências físicas e química. Já nas ciências naturais ou biológicas o princípio da finalidade possui maior relevância, visto que o se vivente, não se limita, como o se inorgânico à uma simples justaposição de partes, mas sim cada orgão do ser vivente possui sua função, ou seja, finalidade.

O princípio da finalidade atua como diretriz para a ciência, necessário à formulação do pensamento e intimamente ao progresso das ciências da natureza.

Aula 3
HISTÓRIA DA EXPERIMENTAÇÃO EM MEDICINA
Campana, A. O; Padovani, C. R; Iaria, C. T; FrEitas, C. B. D; Paiva, S. A. R; Hossne, W. A. A Investigação científica na área médica. São Paulo: Saraiva, 2002

Cápitulo 1

O progresso na medicina foi inicialmente baseado na observação cuidadosa.

A experimentação sistematizada (animais e homem), trouxe precisão diagnóstica, adequação terapêutica, e aumento da expectativa de vida nas regiões mais civilizadas do mundo.

Os gregos ensinaram a humanidade a pensar com lógica. Investigação científica daquela época sofria grande oposição.

Patrulhamento ideológico : efeito frenador da investigação científica

Arístarcos (220–143 aC) e Erastotenes (276–194 aC ): a terra redonda e gira em torno do Sol .“conceito errado e pecaminoso” Copérnico (1473-1543): padre, médico e astrônomo, podado pela igreja e Kepler (1571-1630) que definiram a teoria heliocentrica (a movimentação dos planetas em torno do Sol) e Newton (1642-1727) que descreveu a gravitação.

Galileo ( 1564-1642 ): lei da queda dos corpos, telescópio astronomia. Escreveu:“ A Bíblia mostra a via que leva ao céu, mas não ensina como o céu funciona.”

Condenado ao silêncio acadêmico por apoio a Demôcritos (470 – 460 a.C ): hipótese atômica, e a Copernico.

Cavallieri (1598-1647): Geometria. Também perseguido.

Antiguidade:

A pesquisa médica nasceu antes mesmo que fossem realizadas as primeiras experiências em animais não-humanos com fins de experimentação e observação.

Demonstrações encontradas nos documentos da antiguidade.

Período Neolítico: Pinturas em paredes;e múmias incas e egípcias – demonstravam intervenções cirúrgicas:

Incas do Peru: craniotomias, embalsamamento e aplicação de próteses para as trepanações;

Egípicios: Papiro Ebers- intervenções com finalidade curativa

Papiro Smith- SN e relação com enfermidades.

Médicos egípcios: relação enfermidades ( epilepsia e D. psiquiátricas ) com o SNC. Espíritos- trepanações p/ que saíssem.

Alkmaeon (Sec V a.C ): n. óptico; encéfalo orgão das emoções; língua e sabores.

Parmenides: critica a observação/ experimentação; universo estático.

Empedoclés ( 490 – 430 a .C ): descoberta das cores e que o ar é uma substância.

Anaxagoras ( sec V a.C. ): descoberta de que no “pão” há substâncias primordiais que o organismo separa e utiliza para produzir seus próprios componentes.

Hipócrates ( 400 a C ): Criação da medicina objetiva; assim como Alkamenon - sede da mente no encéfalo. Icterícia, hemorróidas, parto.

Aristóteles ( sec IV a.C ) : criação da lógica, invenção da meteorologia, biologia e zoologia; sono em mamíferos, aves, peixes e insetos.

Período Alexandrino

Biblioteca de Alexandria- cientistas realizaram observações e experiências com seres vivos;

Herófilos ( 300 a C. ) : criação da anatomia;

Erasistrato : criação da fisiologia;

Euclides ( 300 a C ) : geometria e teoremas.

Dionísio ( sec I a C ) : linguística;

Heródotos (V a.c.): Livro Histórias- contos, um sobre ordenha na Scythia/Rússia.

Galeno ( sec. II ) : pesquisas anatômicas; especialista em pulso; descoberta dos princípios gerais da mecânica respiratória; descoberta do cristalino ocular.

Idade Média

Período de grande progresso da matemática.

Ibn-an-Nafis (1211-1288 ou 1296)- conexão vascular entre coração e pulmões.

Guillaume Machaut (1300 – 1377): médico mais conhecido da época. Grande interesse pela música, poesia, teatro, astronomia e medicina.

Astrologia muito valorizada: médicos conheciam influência dos astros na saúde.

Paracelsus (1490-1541): terapêutica medicamentosa experimental. Cânfora vo induzia convulsões, tto psiquiátrico.

Idade Moderna

O fim da idade média e o início da idade moderna foram fixados arbitrariamente em 1453, quando os romanos conquistaram Constantinopla (Istambul). Época de muitos cientistas importantes para toda a civilização.

Leonardo da Vinci (final séc XV): foi pintor, engenheiro, mecânico, arquiteto, construtor de máquinas e médico (destacando-se na anatomia e fisiologia ).

Criação de universidades (final da idade média): ensinavam apenas teologia, medicina, retórica e música. O principal objetivo não era o ensino, mas o caráter financeiro e político. As pioneiras foram:

Itália: Bologna

França: Montpéllie

Outras: Oxford, Cambrigde, Praga, Pisa etc.

Século XVI :

Michael Servetus (1509 – 1553): descreveu a circulação pulmonar em animais; foi queimado vivo.

Matteo Realdo Colombo (1510–1560): sangue dos corações para os pulmões e volta.

William Harvey (1578–1657) : descreveu de forma completa a circulação sanguínea ;

Versalius (1514–1564): publicou o primeiro tratado moderno de anatomia.

Século XVI

René Descartes (1576–1650): criador da embriologia; geometria analítica; conceito de reflexo; propôs a dicotomia filosofia / ciência e sancionou a dicotomia corpo / alma; princípio que só o homem pensa, sonha e toma decisões;

Santorio- primeira câmara metabólica.

Galileo: inventou o termômetro, pesquisas meteorológicas.

Século XVII

Giovanni Borelli (1608 – 1679): médico e matemático, estudou a locomoção e propôs a hipótese de que os nervos transferiam para os músculos alguma substância que promovia sua contração (neurotransmição sináptica química na placa motora – Boylan 1971)

Leibniz (1646-1716): cálculo diferencial e integral.

Antony Van Leeeunwenhoek (1632 – 1723):inventou o microscópio;

Robert Hooke (1635–1702): criação da histologia, publicou o livro micrographia (célula).

Jan Swanderson (1637-1680): microdissecções ao microscópio.

Século XVII

Torricelli (1608-1647): pressão atmosférica .

Marcello Malpighi (1628–1694): técnicas de cortar e corar tecidos, descobriu a circulação capilar (sangue das arteríolas para as vênulas), histologia embriões.

Marco Severino (1645) foi o criador da anatomia comparada.

John Hunter (1718–1783): inventou instrumentos e técnicas de abordagem cirúrgica originais.

Século XVIII :

Lavoisier (1743– 1794): princípios da constituição das moléculas, denominação binária dos compostos químicos e demonstrou a necessidade de oxigênio pelos animais.

Lagrange (1736-1813)-oxigenação não poderia ser só nos pulmões.

Stephen Hales (1790): pressão arterial.

Luigi Galvani (1737 – 1798) eletricidade nos tecidos animais, nervos conduzem corrente elétrica.

Alessandro Volta ( 1745 – 1827) : a pilha.

Jenner(1749–1823): Imunologia (vac. varíola)

Século XIX

Voit (1831 – 1908) fisiologista alemão-segunda câmara metabólica

Berdach ( 1800 ) : criou a biologia ( ciência que estuda os seres vivos ). Na verdade engloba medicina, psicologia e sociologia .

Liebig (1803-1873): Bioquímica.

Von Helmonholtz (1821-1894): medição da produção de calor pelo organismo.

Darwin : pesquisou geologia , zoologia, fisiologia, embriologia; criação da teoria da evolução ( antes já levantada por Wallace).

Claude Bernard (1813–1878): endocrinologia (metabolismo da glicose). Existência nervos.

Gregor Mendel (1822–1884): leis básicas da genética (experiências de cruzamento de ervilhas ) .

Hugo de Vries (1848 – 1935) : genética.

Morgan (1866–1945): mutações.

Rosalind Franklin : estrutura do DNA.

Descoberta do código genético.

Carl Ludwig (1826–1895): instituto de fisiologia.

Pasteur (1822–1895): microbiologia (bactérias ,vacinação e uso de soros )

Ferdinand Cohn (1828 – 1898): bacilos.

Semmelweis (1818–1865): lavagem de mãos. Inicialmente rejeitado.

Lister (1827–1912): antissepsia.

Rudolf Virchow (1821–1902): anatomia patológica, princípios que regem a lesãocelular.

Wells (1815–1848): ácido nitroso (gás hilariante) anestesia por inalação.

Ernest Halckel ( 1834 – 1919 ) : ecologia .

Roentgen ( 1845 – 1923 ) : descobriu os raios X e fundou a radiologia .

Século XX :

Tomografia, Ressonância Nuclear Magnética.

Cannon : princípio da homeostasia.

Peter Medawar ( 1915 ) : imunologia moderna.

Santiago de Ramón y Cajal ( 1852 – 1934 ) : grande histologista e neuroanatomista.

A experimentação animal foi muito importante para o progresso da medicina considerando que as abordagens funcionais e terapêuticas desenvolvidas com modelos animais, estudo da fisiopatologia , levaram a descobertas e compreensão de terapias e de numerosas enfermidades humanas.
CAMPANA, AO; PADOVANI, C.R;IARIA, C.T; FREITAS, C.B.D; PAIVA, S.AR; HOSSNE, W.A A investigação científica na área médica. São Paulo: Saraiva, 2002.
Capitulo 2
Tradição de Pesquisa
Necessário avaliar a situação da investigação científica em um país

Institute for Scientific Information (ISI)

Em 1978-388.000 artigos e 2600 periódicos.

Em 1993-1000000 artigos e 7421 periódicos.

Em 1978: 44% EUA, 9% RU, 1% A. Latina, 0,27% (1060 artigos),

Brasil:


Em 1997 :6.842 artigos publicados no Brasil

Apesar da produção científica brasileira ser relativamente pequena, apresentou um processo de melhoria reconhecível nos últimos 20 anos

Avaliação da CAPES : pós graduação stricto sensu → indicador sobre a ciência feita no Brasil.

Santiago Ramón y Cajal importante pequisador na Espanha.

Alan Cromer, citado por Sagan → sucesso da ciência dos gregos: hábito de resolver assuntos por meio de debate racional e suas conseqüências, curiosidade e espírito aventureiro, aperfeiçoamento pessoal e o progresso cultural,existência de uma religião que deixava margem para pensar, economia marítima poderosa e classe mercantil rica.

A ciência moderna surgiu na Europa a partir de condições propícias a partir do século XV.

Surgimento das Universidades: 1500-60 universidades/ 1700 - 169 universidades.

Academias de Ciência visando reunir cientistas de procedência e formação diferentes.

Associações e Sociedades para o Progresso da Ciência

Núcleos de tradição de pesquisa: produção científica em quantidade e qualidade

William Harvey – Pádua

Brasil : fatores predisponentes ao desenvolvimento da pesquisa no período colonial:

Vinda de D. João VI. Proclamação da República foi outro marco.

Ciência é cara e dispendiosa.

Pode ser subsidiada por governos ou ter financiamento privado.

Perspectivas para ciência no Brasil: Existem instituições de tradição e Agências de financiamento ( FINEP, FAPESP FAPERJ etc).

Os países que mais pesquisam na América latina são: Brasil, Argentina e México

1% da ciência publicada em periódicos internacionais.

Produção inferior à de alguns países da América Latina quando relacionada à dotação orçamentária para pesquisa e desenvolvimento.

Ênfase em atividades que resultem em “aplicações”.

Doações para grupos de pesquisa de alto nível relegando a comunidade científica em geral.

Entraves da pesquisa no Brasil: Falta de recursos e acesso moroso a materiais e equipamentos. .
Capitulo IlI

Conhecimento Científico: fatos e idéias, ciências formais e ciências factuais.

Fundamento Teórico da Investigação Científica

In: Álvaro Campana

Investigação Científica na Área Médica
A ciência é uma atividade inerente ao homem

Scientia (lat)= conhecimento

Indistinta da filosofia antes do séc. XIX

F. Bacon & Galileu:

Termo ciência usado para várias áreas do conhecimento: de teologia à matemática

Séc. XVII: aparece corpo de conhecimento e metodologia próprias à ciência dita moderna

Séc. XVIII: E. Kant: c. empíricas e racionais

A história do homem está repleta de ciência, pesquisa e metodologia

A roda, a domesticação do boi, o uso do ferro, canais de drenagem, etc.
Conhecimento Científico x Comum

Conhecimento da rotina diária provém do conhecimento comum, fruto do bom senso

Prático e utilitarista

Tradicional: oral, superficiais, assistemáticos e imprecisos

Gera decisões arbitrárias e embasadas em fragmentos de realidade
Características do Conhecimento Científico

Visa ao conhecimento de per se, interpretação dos dados independente, racional e verificável (lógica e experimentação), analítico e dissociado de elementos perturbadores, claro e preciso, sistemático e acumulativo, falível, explicativo, preditivo, comunicável, util (não é obrigatório).

Esta posição dualista entre conhecimento comum x científico tem seus oponentes

Paul Feyerabend (1924-1994)

Regras e metodologia não foram seguidas!

Lógica e intuição, propaganda!

A ciência não é a única explicação da realidade!

Necessidade de articulação da ciência (conhecimento vulgar)

Desenvolvimento da ciência na Pluralidade Metodológica

Fatos e Idéias

Objeto: tema do pensamento ou da ação

Diferentes classes

Concretos (Fatos) => ciências factuais

Inclui sistemas materiais e modificações (acontecimentos e processos)



  • Necessita: observação (descrição protocolar), teorização (abstração-idéias-generalização), idéias (procedimento intelectual para “traduzir” o fato e torná-lo inteligível), conceito (abstração, fórmula (encadeamento de conceitos),lei (generalização que explica fenômeno empírico), teoria (explica conjunto de leis e prediz conseqüência).

Fatos e Idéias

Para se entender a realidade cria-se um modelo teórico: apenas parcial, hipotético (pode ser rejeitado posteriormente), será adotado na medida em que produz conseqüências factuais e em acordo com a observação inicial.

Em contraponto:

Leis gerais da natureza (universais nomológicos)

Sempre aceitas, mesmo não tenhamos a oportunidade de testá-las

Ciências Formais e Ciências Factuais

Classificadas segundo a matéria estudada: Idéias: c. formais (lógica e matemática)/ Fatos: c. factuais (física, química, biologia).

Formais x Factuais:

Estuda idéias; fórmulas – raciocínio, enunciados demonstráveis, não recorrem a fatos para validação das fórmulas, verdade completa pelos axiomas, estuda os fatos, raciocínio insuficiente para explicar, enunciados não demonstráveis, conhecimento pela observação e experimentação, verdade incompleta.

Em qualquer disciplina das c. factuais existirão fórmulas e componentes teóricos que pertencem ao campo das c. formais.

Objetivos da Ciência

Cognitivo: Aumento do conhecimento puro e simples (intrínseco.)

C. factuais: caráter descritivo.

Proposição de leis e teorias relativas ao mundo dos fatos.

Ciência iniciante: descreve.

Ciência madura: elabora leis e teorias.

Utilitário:Aumentar o bem estar e o poder do homem (extrínseco).

A caracterização desses dois objetivos divide a ciência em:

Ciência pura: cognição.

Ciência aplicada (tecnologia): utilitária.

Brasil: apóia a ciência aplicada.

No entanto, não há desenvolvimento da ciência aplicada!

Não há criação de tecnologia nacional.

A pesquisa é dividida (básica e aplicada), a ciência não.

Universidades x Institutos Governamentais

A Metodologia da Ciência-Objetivo:

O método geral da ciência e as técnicas que o complementam

Proto-ciência: ciência que ainda está em fase de descrição e análise; ainda não elaborou teorias próprias (embrionária)

MÁTTAR Neto, João Augusto. Metodologia Científica na Era da Informática. São Paulo: Saraiva, 2002.


Capitulo 1

As Ciências

Definições de ciência segundo o autor:

Níveis de conhecimento;

Traçar um panorama histórico, onde a ciência é vista como um processo em desenvolvimento, um conhecimento nunca pronto mas em contínua elaboraçÃo, ampliação e revisão;

Abordar os métodos científicos, divisões e classificações das ciências.




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