Oficina da escrita



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OFE
OFICINA


DA
ESCRITA
ESCOLA ESTADUAL DR. ALBERTO CARDOSO DE MELO NETO

OFE


OFICINA DA ESCRITA

(Quebrando barreiras da escrita)


SÃO PAULO

2009

ESCOLA ESTADUAL DR. ALBERTO CARDOSO DE MELO NETO


OFE


OFICINA DA ESCRITA

(Quebrando barreiras da escrita)



OFE – Oficina da Escrita realizada durante o ano de 2009 na Escola Estadual Dr. Alberto Cardoso de Melo Neto.
Participantes: alunos do 2º Ensino Médio F e G
Profª. Helena Cândida Silva Vieira.

SÃO PAULO

2009


VIEIRA, Helena Cândida Silva (Org.). OFE - Oficina da Escrita: Gênero textual e Tipologia textual. Escola Estadual Dr. Alberto Cardoso de Mello Neto. Jardim Tremembé - São Paulo, 2009. – 101 fls. (A4)

Revisão de textos: Professora: Sylmara Soares Granado


1. Gênero textual. 2. Tipologia textual. 3. Produção dos alunos 2º. F e G do Ensino Médio.



A Escola não se responsabiliza pelas informações contidas neste documento. Essas informações são de responsabilidade exclusiva dos autores dos textos aqui registrados.

OFE – OFICINA DA ESCRITA

(Quebrando a barreira da escrita)

ESCOLA ESTADUAL DR. ALBERTO CARDOSO DE MELO NETO

DIRETORIA: CECILIA REGINA BIGATTÃO

VICE DIRETORIA (1): DEOLINDA VIEGAS CANATO CEREDA

VICE DIRETORIA (2): MONICA CORREIA

COORDENAÇÃO (1): THELMA MARIA MENDONÇA COSTA

COORDENAÇÃO (2): MARINA DE MATTOS PACHECO SAVOIA

COORDENAÇÃO (3): MARIA AP. FALOTICO VIANNA FERREIRA

PROFESSORA (1) HELENA CÂNDIDA SILVA VIEIRA

SÃO PAULO

2009

AGRADECIMENTOS

A Deus que nos acompanha a todos os instantes revigorando, fortalecendo e nos auxiliando a transpor obstáculos e a vencer as barreiras.

A direção e a coordenação desta escola pelo apoio e incentivo.

Ao quadro de professores pelo profissionalismo, cooperação e pelas leituras das escrituras dos alunos que estão participando da exposição de seus trabalhos no recanto das letras. Nosso muito obrigado de coração pelo ato de incentivo.


A professora e amiga Sylmara Soares Granado que exerce a função de bibliotecária na escola em que o projeto foi aplicado nosso trabalho. Não teria sentido algum sem a ajuda dessa profissional que com competência, amizade, carinho, paixão pela profissão caminhou conosco no esforço da realização desse projeto.


A todos que não tiveram acesso ao sistema de educação, e que não tiveram a oportunidade de construir a sua história.



EM ESPECIAL
Aos pais, nossos especiais agradecimentos, pois são esses os primeiros educadores e, são os que confiam em entregar sob nossas mãos a continuidade do processo por eles iniciados.

A coordenadora Thelma, por sua exemplar participação, nos atendendo sempre que necessário e não medindo esforços para nos amparar no caminho de mais essa conquista.


.
SUMÁRIO

Parte I


  1. APRESENTAÇÃO.......................................................................................01

  2. INTRODUÇÃO............................................................................................04




  1. REFERENCIAL TEÓRICO..........................................................................06

    1. Gênero Textual.................................................................................06

    2. Tipologia textual...............................................................................08

3.2.1 O texto narrativo............................................................................09

3.2.1. O texto descritivo...................... ...................................................09

3.2.2 O texto dissertativo........................................................................09
4.INTERTEXTUALIDADE TIPOLÓGICA.........................................................14

4.1 Intergênero............................................................................................14

4.2 Heterogeneidade tipológica...................................................................14

Parte II


5 TECENDO IDEIAS .......................................................................................15

5.1 O Gênero poesia.................................................................................16

Coração pulsa por correr o Mundo – Angélica Sanchez 2º. F ..................16

Desmatamento – Bruna Carolina da Silva Dourado2º. F ..........................17

O Primeiro Amor – Jéssica Carvalho de Morais – 2º. F.............................18

Dançar - Angélica Aparecida Sanchez Zacarias 2º. F................................19

Lua – Amanda de Freitas 2º. F...................................................................20

Quando a Lua chegar – Junio Araujo – 2º. G.............................................21

Alguém me persegue - Paloma K.D. Queiroz.............................................22

Lua – Dayane Maria R. do Carmo – 2º. G..................................................23

Medo – Rayanne Pinheiro de Araujo – 2ºG................................................24

Maturidade – Paloma K.D. Queiroz 2º.F.....................................................25

O Bicho Homem – Jéssica Lopes de Lima 2º. F.........................................27

O Homem transformado – Drielle Carolina Borges Silvestre 2º F...............29

Esperança – Maria Helena da Silva 2º. G...................................................30

Lixo Mental – Dayane Maria Rodrigues do Carmo 2º G.............................31

Despedida – Rayanne Pinheiros de Araujo 2º. G.......................................32


5.2 O Gênero Acróstico............................................................................33

Te amo – Monique Rocha Cassiano 2º.G...................................................33

Amigas para sempre – Stefani – Dayane – Tylara......................................34

Sozinho e Mistério.- Junio Araujo 2º.G........................................................35

Saudade – Silva – Karina Kely Silva Santos 2º.G.......................................36

Sociedade – Ramon Prestes Giglio 2 º. F...................................................36

Eu te adoro demais – Tylara Amanda Cordeiro da Cruz 2º. G ..................37
5.3 O Gênero Autobiografia.....................................................................38

Nivia Alves de Araujo 2º. F..........................................................................38

Amanda Luciano da Silva 2ºG....................................................................38

Michael Bazilio Kahowec 2º. F....................................................................39


5.4 O Gênero Conto...................................................................................41

Um milagre – Márcia Cistina Albino 2º. F....................................................41

O Bobo – Angélica Aparecida Sanchez Zacarias 2º. F...............................43

Um pensamento diferente – Junio Araujo 2º.F...........................................44



5.4 O Gênero Gótico..................................................................................47

Mistérios de uma Noite - Dayane Maria R. do Carmo 2º.G.........................47

Festa dos Mortos – Angélica Aparecida Sanchez Zacarias 2º. F...............48
5.5 O Gênero Argumentativo....................................................................50

O Amor e a careira profissional – Dayane Maria R. do Carmo...................50

A tríade: Progresso, Humanidade e Meio Ambiente – Paloma Queiros.....51

Medo é um defeito – Amanda Freitas Sergio 2º.F......................................52

Um animal em extinção – Jéssica Carvalho de Morais 2º.F.......................53

Amor impossível – Possível amor – Ana Claudia A. dos Santos 2º.F .......54

A juventude é um defeito que a velhice corrige – Rayane P. Araujo 2º.G..55

Responsabilidade e dever enquanto aluno – Michael B. Kahowec 2º.F.....56


5.6 O Gênero Comédia..............................................................................57

A Primeira vez de Adamastor – Michael B. Kahowec 2º.F..........................57


5.7 O Gênero Resumo...............................................................................62

Dom Casmurro de Machado de Assis – Dayane M. R. do Carmo 2º.G......62

O primo Basílio de Eça de Queiróz – Tylara A. C. da Cruz 2º.G ...............63

Garra de Campeão de Marcos Rey – Júnio Araujo 2º.G............................64


5.8 O Gênero Pensamento/Mensagem....................................................66

A vida – Ramon Prestes Giglio 2º.F............................................................66

Amigos verdadeiros e Criatividade Traz (...) Michael Kahowec..................67

6. RESULTADOS...................................................................................................68

6.1 O projeto OFE fez diferença no Jardim Tremembé-São Paulo.............69

6.2 Escrever: uma conquista (Depoimentos dos alunos participantes).......69

6.3 Edição de textos na internet no “RECANTO DAS LETRAS”.................82

7. BIBLIOGRAFIA..................................................................................................87


ANEXO 1 – A DINÂMICA DA CHUVA...................................................................83

ANEXO 2 – O PROJETO (OFE – OFICINA DA ESCRITA)...................................85

Leia a Parte II - Tecendo ideias

na edição

”Continuação da OFE”

1 APRESENTAÇÃO

LER DEVIA SER PROIBIDO

Guiomar de Grammon
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Transportam-nos a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Fazem-nos acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

2 INTRODUÇÃO

A proficiência em leitura, capacidade de compreender e interpretar o que se lê, apreciar e se posicionar criticamente sobre o que leu, é preocupação de todos os que direta e indiretamente estão ligados à educação, mas a carga maior da responsabilidade é transferida aos professores de Língua Portuguesa que sozinhos não dão conta de sanar todas as dificuldades apresentadas nesse saber. O fato é que os exames do ENEM, a prova Brasil e outras tem revelado que os alunos brasileiros não sabem ler e escrever.

Foi nesse contexto que em 1999 nasceu a ideia do projeto que inicialmente recebeu o nome de Rompendo barreiras da escrita e Pós práticas (a partir do ano de 2000) em sala de aula foi ampliando o objetivo e assim Rompendo Barreiras deu lugar a OFE – Oficina da Escrita que hoje oportuniza ao professor de Língua Portuguesa sistematizar os saberes “leitura” e “escrita” que além de contribuírem para a realização pessoal são pontes incontestáveis para que haja uma inclusão do indivíduo na sociedade.

O objetivo primeiro da OFE é trabalhar os gêneros textuais cumprindo as orientações apresentadas pelos PCNs em que diz que independentemente da área de formação o professor deve ter o texto como instrumento de trabalho e, deve ocupar lugar de destaque no cotidiano escolar.

Parte-se do princípio de que os gêneros textuais são formas relativamente estáveis de enunciados que se definem por aspectos relacionados ao conteúdo, à composição estrutural e aos traços lingüísticos, extremamente ligados aos contextos em que estão inseridos (Bakthin 1997).

A idéia de se trabalhar em sala de aula com gêneros textuais tem muito a contribuir para o desafio do professor de fazer com que seus alunos sejam leitores fluentes e escritores de bons textos. Mas para que funcione como parte de uma proposta didática, a noção de gênero textual não pode se despir do contexto comunicativo que a reveste. É preciso que o gênero traga sempre consigo as condições de produção e recepção dos textos. Ou seja, um gênero textual não é só a sua forma, mas é, sobretudo, sua função (MARCUSCHI, 2002).

O trabalho com textos em sala de aula ganhou um enfoque especial no momento em que os PCNs de Língua Portuguesa evidenciaram a sua importância. Concomitantemente com a proposta de leitura e produção de textos, surge a necessidade de se trabalhar os gêneros discursivos e textuais.

E, também que na produção, o aluno precisa aprender a construir um texto que provoque no interlocutor as reações que ele, autor, deseja e, para isso, precisa ter em mente o seu público-alvo, seu objetivo ou a finalidade do texto, sobre o que vai escrever e onde o texto vai circular.

A OFE foi realizada durante o ano de 2009 do mês de março a outubro e participaram os alunos do 2º Ensino Médio F e G da Escola Estadual Dr. Alberto Cardoso de Melo Neto sob responsabilidade da professora ministra Helena Cândida Silva Vieira e da Coordenadora Pedagógica Thelma Maria Mendonça Costa.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 Gênero textual

Gênero Textual é definido pelo autor Marcuschi como uma noção vaga para os textos materializados encontrados no dia-a-dia e que apresentam características sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Esse mesmo autor diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais ideais para o ensino de língua. Ele afirma que é possível a identificação de gêneros com dificuldades progressivas, do nível menos formal ao mais formal, do mais privado ao mais público e assim por diante

Exemplos de gêneros orais e escritos


NARRAR

RELATAR

ARGUMENTAR

EXPOR

DESCREVER

Contos

Conto de fadas

Fábulas

Lendas


Narrativa de aventura

Romance


Novela

Paródia


Narrativa de ficção

Conto gótico

Narrativa Mítica


Relatos de experiências vividas

Relatos de viagem

Diário íntimo

Testemunho

Anedota

Autobiografia



Noticia

Reportagem

Currículo

Crônicas


Biografia


Textos de opinião

Diálogo argumentativo

Carta ao leitor

Carta de reclamação

Carta de solicitação

Deliberação informal

Debate regrado

Editorial

Discurso de defesa

Requerimento

Ensaio

Resenha crítica



Textos expositivos

Conferencias

Artigo enciclopédico

Entrevista de especialistas

Textos explicativos

Tomada de notas

Resumos de textos expositivos e explicativos

Resenhas


Relatório científico

Relato de experiências científicas




Instruções de usos
Instruções de montagens
Receitas

Regulamento


Regras de jogo
Consignas

Diversas
Textos prescritivos



http://pl.atualeditora.com.br/portugues/site/teoria/generos.cfm

Gênero é facilmente usado para referir uma cate­goria distintiva de discurso de qualquer tipo, falado ou escrito, com ou sem aspirações literárias. O que foi muito bem esclarecido por Marchuschi (2005).

Os gêneros não são superestruturas canônicas e deterministas, mas também não são amorfos e simplesmente determinados por pressões externas. São formações interativas multimodalizadas e flexíveis de organização social e de produção de sentidos. Assim, um aspecto importante na análise do gênero é o fato de ele não ser estático nem puro. Quando ensinamos a operar com o gênero, ensinamos um modo de atuação sócio-discursiva numa cultura e não um simples modo de produção textual. (MARCHUSCHI, 2005, p. 19. In: KARWOSKY et al. (orgs.) 2005).

São tantos e tão ricos os gênero textuais (discursos) que se tornam inesgotáveis e segundo Bakhtin “cada esfera de utilização de língua elabora tipos relativamente estáveis de enunciados denominados gêneros do discurso”, por isso os gêneros são inesgotáveis, se pensarmos nas possibilidades da atividade humana. Diante de tal fato, nasce a heterogeneidade dos gêneros discursivos (orais e escritos).

 
 A  riqueza e a variedade de gêneros de discurso são infinitas, pois a variedade virtual da atividade humana é inesgotável, e cada esfera dessa atividade elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo que isso denomina gêneros do discurso.

(BAKHTIN, 1992, p. 279).

Segundo Fabri e Nogueira (s.a.) o estudo dos gêneros textuais não é novo. Começou com Platão, na Grécia, e esteve, inicialmente, ligado aos gêneros literários. Também, os filósofos, Aristóteles, Horácio e Quintiliano preocuparam-se com as questões que envolvem os gêneros textuais e essa preocupação perpetua até hoje. Entretanto, a noção de gêneros já não mais se vincula apenas à literatura, Marcuschi (2006, p.23) afirma que a noção de gênero ampliou-se para toda produção textual. O tratamento dos gêneros diz respeito ao tratamento da língua em seu dia-a-dia nas mais diversas formas. Eles são importantes como partes integrantes da estrutura comunicativa de nossa sociedade.

Os gêneros variam como a língua, adaptando-se, renovando-se e multiplicando-se. Hoje a tendência é observar os gêneros pelo seu lado dinâmico, social, processual, interativo.

Na escola, em geral, o que mais se estuda são os tipos descrição, narração, dissertação, aos quais se acrescentam outros gêneros, como o resumo, resenha e diálogo, havendo uma confusão em relação à terminologia, ora trabalha-se com tipo, ora trabalha-se com gênero ou pior, ainda, ora estabelece-se uma confusão com tipo e gênero, tratando-os dicotomicamente ou como sinônimos.

3.2 Tipologia textual

O termo Tipologia Textual é usado para designar uma espécie de seqüência teoricamente definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas) (MARCUSCHI).

Tipo textual

Narrativo Descritivo Dissertativo  


 

3.2.1 O texto narrativo

Quando eu era jovem, desprezava-se o elemento narrativo, chamando-o de “historinha” e esquecendo-se que a poesia começou como narrativa; nas raízes da poesia está a épica, e a épica é o gênero poético primordial – e narrativo. Na épica encontra-se o tempo; ela tem um antes, um durante e um depois.  

(Jorge Luis Borges) 

Narrar é falar sobre os fatos. É contar. Consiste na elaboração de um texto inserindo episódios, acontecimentos. Não é meramente relatar um acontecimento ou, em outras palavras, não é apenas encarar fatos, produzindo uma história.

3.2.2 O texto descritivo

Descrever é explicar com palavras o que se viu e se observou. A descrição é estática, sem movimento, desprovida de ação. Na descrição o ser, o objeto ou ambiente são importantes, ocupando lugar de destaque na frase o substantivo e o adjetivo.
3.2.3 O texto dissertativo

Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, juntamente com o texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em princípio, o texto dissertativo não está preocupado com a persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento, sendo, portanto, um texto informativo.


Partes essenciais do texto dissertativo

Introdução: início do texto que desperta no leitor vontade de continuar a lê-lo. Na introdução é que se define o que será dito, e é nessa parte que o escritor deve mostrar para o leitor que seu texto merece atenção. O assunto a ser tratado deve ser apresentado de maneira clara, existem assuntos que abrem espaço para definições, citações, perguntas, exposição de ponto de vista oposto, comparações, descrição. A introdução pode apresentar uma:


Afirmação geral sobre o assunto.

Consideração do tipo histórico-filosófico.

Citação

Comparação



Uma ou mais perguntas.
Desenvolvimento: É nesse momento que o escritor desenvolve o tema, seja através de argumentação por citação, comprovação ou raciocínio lógico, tomando sua posição a respeito do que está sendo discutido. O conteúdo do desenvolvimento pode ser organizado de diversas maneiras, dependerá das propostas do texto e das informações disponíveis.
Conclusão: é a parte final do texto, um resumo forte e breve de tudo o que já foi dito, cabe também a essa parte responder à questão proposta inicialmente, expondo uma avaliação final do assunto.
A linguagem neste tipo de texto é denotativa, isto é, preocupada com a informação. Deve ser uma linguagem impessoal e objetiva, com emprego da forma culta e formal da língua. Isto não significa que não se pode usar recursos poéticos, históricos e recursos linguísticos. Todo enriquecimento do texto é importante.

Como construir um texto dissertativo?

Procedimentos Básicos

1. Interpretação do tema: Devemos interpretar cuidadosamente o tema proposto, pois a fuga total a este implica zerar a prova de redação;


2. Levantamento de idéias: A melhor maneira de levantar ideias sobre o tema é a auto indagação;
3. Construção do rascunho: sem se preocupar com a forma. Priorize, nesta etapa, o conteúdo;
4. Pequeno intervalo: Suspenda a atividade redacional por alguns instantes e ocupe-se com outras provas, para que possa desviar um pouco a atenção do texto; evitando, assim, que determinados erros passem despercebidos;
5. Revisão e acabamento: Faça uma cuidadosa revisão do rascunho e as devidas correções;
6. Versão definitiva: passe a limpo para a versão definitiva, com calma e muito cuidado!
7. Elaboração do título: deve ser uma frase curta condizente com a essência do tema.
Orientação para elaborar uma dissertação

Seu texto pode ser expositivo ou argumentativo (ou ainda expositivo e argumentativo ao mesmo tempo). As ideias núcleo devem ser bem desenvolvidas, bem fundamentadas.

Evite que seu texto expositivo ou argumentativo seja uma sequência de afirmações vagas, sem justificativa, evidências ou exemplificação.

Atente para as expressões vagas ou significado amplo e sua adequada contextualização. Ex.: conceitos como “certo”, “errado”, “democracia”, “justiça”, “liberdade”, “felicidade” etc.

Evite expressões como “belo”, “bom”, “mau”, “incrível”, “péssimo”, “triste”, “pobre”, “rico” etc.; são juízos de valor sem carga informativa, imprecisos e subjetivos.

Fuja do lugar-comum, frases feitas e expressões cristalizadas: “a pureza das crianças”, “a sabedoria dos velhos”. A palavra “coisa”, gírias e vícios da linguagem oral devem ser evitados, bem como o uso de “etc.” e as abreviações.

Não se usam entre aspas palavras estrangeiras com correspondência na língua portuguesa: hippie, status, dark, punk, laser, chips etc.

Não construa frases embromatórias. Verifique se as palavras empregadas são fundamentais e informativas.

Observe se não há repetição de ideias, falta de clareza, construções sem nexo (conjunções mal empregadas), falta de concatenação de ideias nas frases e nos parágrafos entre si, divagação ou fuga ao tema proposto.

Caso você tenha feito uma pergunta na tese ou no corpo do texto, verifique se a argumentação responde à pergunta. Se você eventualmente encerrar o texto com uma interrogação, esta pode estar corretamente empregada desde que a argumentação responda à questão. Se o texto for vago, a interrogação será retórica e vazia.

Verifique se os argumentos são convincentes: fatos notórios ou históricos, conhecimentos geográficos, cifras aproximadas, pesquisas e informações adquiridas através de leituras e fontes culturais diversas.

Se considerarmos que a redação apresenta entre 20 e 30 linhas, cada parágrafo pode ser desenvolvido entre 3 e 6 linhas. Você deve ser flexível nesse número, em razão do tamanho da letra ou da continuidade de raciocínio elaborado. Observe no seu texto os parágrafos prolixos ou muito curtos, bem como os períodos muito fragmentados, que resultam numa construção primária.


Elementos de coesão em uma dissertação

Algumas palavras e expressões facilitam a ligação entre as idéias, estejam elas num mesmo parágrafo ou não. Não é obrigatório, entretanto, o emprego destas expressões para que um texto tenha qualidade. Seguem algumas sugestões e suas respectivas relações:



Assim, desse modo - tem valor exemplificativo e complementar. A sequência introduzida por eles serve normalmente para explicitar, confirmar e complementar o que se disse anteriormente.

Ainda - serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão; ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto de idéias qualquer.

Aliás, além do mais, além de tudo, além disso - introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo. Pode ser usado para dar um “golpe final” num argumento contrário.

Mas, porém, todavia, contudo, entretanto... (conj. adversativas) - marcam oposição entre dois enunciados.

Embora, ainda que, mesmo que - servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento, diminuir sua importância. Trata-se de um recurso dissertativo muito bom, pois sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto de vista contrário.

Este; esse e aquele - são chamados termos anafóricos e podem fazer referência a termos anteriormente expressos, inclusive para estabelecer semelhanças e/ou diferenças entre eles.

4 INTERTEXTUALIDADE TIPOLÓGICA

A questão da intertextualidade inter gêneros evidencia-se como uma mescla de funções e formas de gêneros diversos num dado gênero e deve ser distinguida da questão da heterogeneidade tipológica do gênero, que diz res­peito ao fato de um gênero realizar várias seqüências de tipos textuais
4. 1 Intergêneros (um gênero com a função de outro)

Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero, mas ter sido construído em outro, Marcuschi dá o nome de intertextualidade intergêneros. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu no texto a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza altamente híbrida, sendo que um gênero assume a função de outro.


4. 2 Heterogeneidade tipológica (um gênero com a presença de vários tipos)

Em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo, muitas das vezes, o mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais tipos. Marcuschi comenta que um texto pode apresentar as tipologias descrição, injunção, exposição, narração e argumentação. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um gênero de heterogeneidade tipológica.

OBS: BIBLIOGRAFIA NA EDIÇÃO CONTINUAÇÃO:

PARTE II TECENDO IDEIAS.






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