Oliver Lodge Porque Creio na Imortalidade da alma



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Prefácio


por João Teixeira de Paula
Sir Oliver Joseph Lodge nasceu em Penkhull (Sttafordshire), a 12 de junho de 1851. Universitário então, passou a lecionar, em 1875, Mecânica e Física, no Bedford College, e depois na University College, de Londres, de onde foi para as Universidades de Birmingham e Liverpool.

A sua autoridade em Física, segundo o psiquista Joseph Maxwell, que lhe traduziu e prefaciou uma das obras, “era considerável”. Já antes o sábio Marconi fizera, através de correntes de baixa freqüência, experiências curiosas de telegrafia sem fio. São mundialmente conhecidas as pesquisas lodgianas no “domínio da óptica, da eletricidade (tendentes às mesmas conclusões de Hertz), da física do éter (que anunciavam as teorias de Einstein), da telegrafia sem fio (em que imaginava a primeira regulação dos comprimentos de onda”).1

Foi cantor sempre jovem, não obstante a sua ancianidade terrena, da sobrevivência espiritual. O tempo madura as uvas e nos dá a reflexão. Dedicou-se, com devoção científica, aos então e ainda modernamente (e mais no passado do que na atualidade) chamados estudos transcendentais. Não era um místico nem tampouco um pesquisador de “boa fé”, a quem um corriqueiro fenômeno ou o mais complicado deles pudessem perturbar. Antes, era experimentador de cérebro árido e objetivo, com o qual tudo pesava e media, do que de coração, com o qual podia enganar-se nas conjeturas e ilações. Ernesto Bozzano chama-lhe o “grande naturalista positivista”. Não era criatura de instintos demolitórios, mas fugia a deliriosos religiosismos, que mais confundem que orientam.

Nas suas obras, que deletreamos com crescente aproveitamento, ressumbra a sua fé na imortalidade e a sua crença na pluralidade dos mundos, principalmente (como é natural) depois que a 14 de setembro de 1915 perdeu, na Grande Guerra, o filho Raymond. Acusam-no, aliás, de só se haver interessado pelos assuntos supranormais depois do falecimento do filho. Maldosa invencionice, pois que já em 1883 – conta-o ele mesmo – se entregava a experiências de telepatia com o Sr. Malcolm Guthrie, que tinha à sua disposição dois sensitivos, modestos empregados de uma firma inglesa. Quando a Sra. Leonora Piper esteve na Inglaterra, Lodge fez com ela, em Liverpool (1889-1890), interessantes investigações no campo metapsíquico, que o levaram a acérrimas discussões com outros cientistas da sua têmpera, da mesma ácie mental.

Como muito bem acentua La Revue Spirite,2 essas datas reduzem a nada a gratuita pecha dos adversários. Com Charles Richet, que lhe dedicava especial apreço, assistiu, em 1894, a algumas das célebres sessões de efeitos físicos de Eusápia Paladino. Talvez se possa dizer que, entre os valores de coturno da Inglaterra que se entregaram às questões supernaturais, como William Crookes, Fredrich Myers, Richard Hodgson e outros, é Lodge um dos poucos que encarou com simpatia a nascente parafísica. Aliás é mais ou menos desta opinião Gastone De Boni, ao escrever que Lodge “non solo accettó la casistica metapsichica, ma anche la intera teoria spiritica della sopravvivenza”.3 A concentricidade das suas conceituações espiríticas é honesta e coerente.

A bem da verdade histórica, convém frisarmos que Oliver Lodge, na sua mocidade, negava os fenômenos espiritistas. Não havia nenhuma congeneridade entre um e outros. É uma característica normalmente desconhecida da sua máscula personalidade de parafísico. Nos verdores dos anos, quando então quase sempre presumimos tudo saber, e mesmo a caminho da maturidade, que lhe apontaria novos rumos na larga trilha das pesquisas hipernormais, Lodge era negativista contumaz. Sendo homem de ciência, apegado tão somente à explicação da fenomenologia, anormal ou não, pelos princípios materialistas conhecidos e admitidos, negou os fenômenos de efeitos físicos produzidos pela médium Annie Abbott, que na época trabalhava com o Dr. H. Goudard, com quem o nosso autor manteve discussão, em termos cavalheirescos, pelas colunas dos famosos Annales des Sciences Psychiques (número de março-abril de 1895 e outros que se seguiram). O Dr. Goudard era pela explicação espirítica do fenômeno; porém Lodge apresentava uma explicação normal, simplesmente física, apelando até para a possibilidade de um truque. Um dos fenômenos era o de levitação: cinco ou seis pessoas se acomodavam num banco e a médium levantava o banco do chão e o sacudia no ar com a pesada carga. Lodge replicava que não, que tudo não passava de um jogo hábil de pernas e pés para o qual concorria a médium, que se colocava atrás do banco, movimentando-o para cá ou para lá!

Era o nosso consciencioso imortalista um representante legítimo da inconseqüência dos negadores! A inconseqüente circundação do nada!

Não menos digna de rememoração foi a querela que, alguns anos depois, e já inteiramente integrado nas pesquisas supernormais, manteve com Charles Richet, então no apogeu do seu materialismo científico. Aí Lodge não era o descrente dos anos passados, o único detentor da verdade das coisas; não era réu, não era a parte passiva a quem queriam impingir alhos e bugalhos; era a parte ativa, o acusador, interessado em demonstrar a realidade de um mundo extraterreno, tão real como o nosso e até com maiores possibilidades de vivência do que o nosso. Aliás, acerca dessa vivência supraterrena iria contar aos seus leitores em língua inglesa, como o está contando agora a outros leitores seus em língua portuguesa, a história que iremos encontrar nesta obra: a do peixe que, escapando do seu reduto áqüeo, viu, com boca e escâncaras, aves voando para cá, transvoando para lá, as quais, interrogadas por ele sobre a existência ou inexistência de um novo mundo, lhe confessaram que o delas era muito maior do que o dele, com imensas possibilidades de existência com que o vivente písceo jamais poderia sonhar! Elas voavam e transvoavam, iam aonde queriam num espaço para elas infinito e tinham uma visão das coisas quase que incomensurável! Não circunvolviam como ele...

Mas voltemos ao caso com Richet, seu “eminente e erudito amigo”. Richet não cria na sobrevivência da alma, de que descreu mais ou menos até o fim dos seus longevos anos carnais, não obstante a falação final, celeumática e demulcente com Ernesto Bozzano, da qual não resultou nenhum elemento preponderantemente conciliatório. Richet era um homem de ciência como também o era Lodge; mas os homens de ciência (reconhecia-o ingenuamente agora Lodge) não têm senão um “conhecimento parcial e imperfeito dos fatos”. Depois de muitas considerações a respeito da descrença do dedicado amigo e colega francês, o insigne criador da Metapsíquica, lamenta Lodge a descrença de Richet, que só falava em clarividência, lucidez, criptestesia, alteração da personalidade, o que tudo não passava, confessa Lodge com energia, senão de palavras e mais palavras! Mas dar um nome a um fenômeno não é explicá-lo – consente Lodge, o negador formal dos fatos hiperfísicos de outrora!

A discussão, ou melhor, a troca de idéias confraternal, sem nenhuma acerbia, entre os dois admiráveis homens, continuou por alguns números da Revue Métapsychique, a partir de abril-maio de 1922. enquanto talvez Richet se perturbasse com razões acrológicas, Lodge se limitava a consolidar uma estrutura da sistemática espiritualística. Desprezavam, como veros cientistas, as ameaças estéreis de um não menos estéril academicismo. Para ambos eles, embora noutro intento, valeria aqui a afirmativa de Ernest Renan, o crítico sagacíssimo e honesto do Cristianismo, de que a condição do milagre é a credulidade da testemunha.

Um fato curioso, que estimamos sobremaneira trazer ao conhecimento dos nossos leitores, que porventura o não conheçam ainda: a obtenção paranormal das impressões digitais de Sir Oliver Joseph Lodge. O caso vem relatado pelo órgão da American Society for Psychical Research, número de março de 1932. Não o tiramos daí, mas do número de maio daquele mesmo ano de La Ricerca Psichica, páginas 224/26. Trabalhava-se em Londres com Margery Crandon, médium de efeitos físicos. Na sessão de 3 de julho de 1931, obtiveram-se três impressões paranormais do polegar direito de uma mão humana. O guia dos trabalhos (ou o controle, ou espírito-controle, como lá dizem), Walter, afirmou que uma das impressões pertencia a Lodge. Enviou-se-lhe uma fotografia da impressão com a recomendação de a mandar examinar por peritos em datiloscopia. Lodge pediu ao seu amigo, o inspetor Bell, da famosa Scotland Yard, que o fizesse. O inspetor confirmou a identificação; nesse ínterim, o guia informava na sessão, em Boston, nos Estados Unidos, acerca dos resultados positivos da identificação.

*

Lodge era ou não espírita? Não o era, segundo o conceito que se tem da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec. Antes de tudo, ser espírita é aceitar os princípios doutrinários codificados pelo mestre lionês. Não sabemos se Lodge conhecia ou não as obras de Kardec, conquanto lhe aceitasse os princípios básicos; mas provavelmente as conheceria e as teria lido, estudioso insofreável. É certo que nem uma única vez, em toda a sua produção metanormal, citou o Codificador nem muito menos se valeu dele para nada. Isto porém lhe não desvaloriza as pesquisas mediúnicas, nem muito menos as próprias obras, sempre válidas e aceitosas nos postulados suprafísicos.

Lodge era um psiquista convicto e erudito; como tantos outros cultores do Psiquismo Transcendental, admitia a existência da alma, a sua preexistência ou sobrevivência, e a fenomenologia a que nós os seguidores de Allan Kardec damos o nome de fenomenologia espírita. Que o era indiscutível e insofismavelmente, temos a prova na sua bibliografia parapsíquica. Vamos passar, para comprovação ante o leitor possivelmente menos credente das nossas palavras, uma rápida vista de olhos a afirmações suas a propósito da sobrevivência da alma e da conseqüente fenomenologia sobrefísica.

Em Phantom Walls, que lemos através de uma tradução italiana,4 discreteia, tratando do interesse da humanidade por religiões:

“Se é exato, como propalam por aí, que as religiões vão perdendo a sua influência, não menos exato é que os indivíduos em geral demonstram vivo interesse relativamente aos problemas que dizem respeito à realidade de um mundo espiritual.”

É observador ponderado. Quem lhe não sente a veracidade da asserção? A angústia do ignoto, no consensus omnium populorum, numa citação do feiticeiro Eusèbe Salverte, sempre dominou o homem. Essa angústia é um dos mais concludentes motivos do aparecimento de tantas religiões, seitas e doutrinas. Theodor Reik, apesar do seu cru materialismo, que renegamos de vivalma, tinha razão ao dizer:

“A religião originou-se para satisfação de determinadas necessidades espirituais que outrora não existiam ou conseguiam sua satisfação adequada por outras formas ou por outras vias; talvez não esteja longe uma época que experimente outras tendências espirituais ou possa conseguir o objetivo das mesmas necessidades por outros meios (...). Em nome dela travaram-se guerras sangrentas e fizeram-se pazes, milhões foram assassinados, curados e tratados; a religião desgraçou os seres de inúmeras gerações humanas e lhes distribuiu consolo.” 5

“A Verdade – ensina Lodge – apresenta diversas faces: quando pensamos nos inumeráveis mundos e na sua diferente distribuição no Universo, somos obrigados a crer num impulso que leva a humanidade a cogitar de realidades mais importantes, a perceber que a transitória vida terrena não pode ser tudo senão um prelúdio que a levará a um grande fim.

“Se cremos num Poder Supremo, ao qual, no afirmar daqueles que trabalharam e sofreram por nós, estamos submetidos e ao qual, tanto eles como nós, adoramos; se esse Poder Supremo criou a humanidade e a leva para um objetivo longínquo, embora luminoso, os nossos esforços devem trazer-nos encorajamento para que, por meio das forças divinas, a vontade da Potência Superior se realize e dê frutos.

“Deus obra sempre de modo ameno. É fora de dúvida que o Poder Supremo opera indiretamente sem exercer coerção, a qual, se fosse exercida, o mundo hominal seria mais perfeito, como se pode dizer do mundo inorgânico ou mecânico, porém ele seria apenas uma máquina e não uma entidade espiritual. Mas nós não somos máquinas; possuímos uma vontade livre e a faculdade de escolher, privilégio esse a que podemos atribuir as nossas dificuldades e os nossos fracassos.

“Realmente, a vontade divina não é a de tornar nada perfeito mediante coação, mas assegurar-nos uma espontânea cooperação, criando uma raça de seres inteligentes, que, em parte, saberão do destino que os espera e farão o que lhes estiver ao alcance para o desenvolvimento e a realização de plano preestabelecido.”

Que firmeza de raciocínio!

Depois de se haver referido ao movimento de Hydesville, quando os Espíritos, de maneira simples, revelaram por intermédio inicialmente de duas meninas, as irmãs Fox, mártires do Espiritismo, uma faceta do mundo espiritual, pondera:

“As religiões naturalmente tudo fazem por manter uma atmosfera de fé. Elas podem reagir à invasão das experiências que se tentam nesse particular, as quais, não obstante, vão aumentando. O homem começa a compreender que se pode ter uma noção do assunto e está ansioso por aprofundá-lo mais.”

É o que estamos vendo no mundo inteiro; a ânsia de crentes de diversas religiões por conhecerem crença melhor e a ânsia de descrentes por terem uma crença que os oriente no caminho da Divindade e lhes amenize as agruras da descrença nas suavidades de coração de alguma crença.

Até tratando de assuntos estritamente científicos, nunca descuidava da parte espiritual. Assim o fez em Life and Matter, que conhecemos pela tradução francesa de J. Maxwell.6 Procurou demonstrar erros cometidos por Haeckel, o conhecido materialista. Haeckel, como um único exemplo para os leitores, escrevia ser verossímil que o processo biogenético da Terra fosse o mesmo que o de alguns dos planetas do nosso sistema (Marte e Vênus), bem como o de outros planetas de outros sistemas solares; que mais verossímil ainda é que, se aquele processo biogenético desenvolveu tipos de plantas e de animais superiores estranhos ao nosso meio, talvez também seres superiores, que, pela sua inteligência e pela força do seu pensamento, estariam muito acima da bitola dos homens terrenos, provenham de uma origem animal, a qual, pela sua capacidade plástica, seria superior aos vertebrados.

À assertiva haeckeliana, que, pela sua essência espiritual, nem parece ser a de um consumado materialista, responde assim o escritor inglês:

“Com efeito, isso é até muito provável e muito improvável é admitir-se o homem como o Ser mais superior de todos. Porém se o Prof. Haeckel está disposto a conceder-nos essa probabilidade ou mesmo essa possibilidade, por que exclui ele, tão energicamente, a idéia da revelação, queremos dizer, a idéia dos conhecimentos que provenham de seres superiores? Os selvagens podem certamente receber dos homens civilizados uma espécie de revelação. Por que seria inconcebível que criaturas humanas possam adquirir conhecimentos de seres que lhes estão em grau de superioridade no Universo? Isso pode vir ou não ao caso, mas não vemos nenhuma razão científica para se dogmatizar a propósito de determinada coisa e, por outro lado, afirmar que ela é inconcebível.”

Em Survival of Man (A Sobrevivência Humana), edição de 1909, o nosso eminente catedrático se dedica às perquirições dos fatos psíquicos, seguindo a orientação da sociedade de Pesquisa psíquica (Society for Psychical Research) e iniciando-as pela telepatia experimental. É obra valiosa, já com numerosas edições em inglês e traduções em muitas línguas. As suas quatro partes, com muitos subtítulos, abrangem uma introdução ao estudo das pesquisas psíquicas, como telepatia experimental, telepatia espontânea, clarividência, automatismo e lucidez. Na última parte relatava as sessões que teve com a Sra. Leonora Piper, a quem fizemos menção. A sua crença na imortalidade é indiscutível. Confessa-o:

“Que o homem sobrevive à morte do corpo é convicção certa minha, baseada, de mais a mais, numa longa série de fatos naturais. O presente livro permite ao leitor ter disso alguma idéia, que o autor considera pertencer às mais diretas e imediatas razões, graças às quais um dia a sobrevivência será cientificamente provada.”

Interessante é notarmos como Lodge fala dos fatos hiperfísicos, aos quais chama de “naturais”. Outros lhes dariam as mais extravagantes denominações e acabariam ainda talvez por negá-los. Ninguém quer saber de prosa fiada (agalhas, emboança, farfância...) com fantasmas ou pretensos fantasmas!...

Em Making of Man (A formação do Homem), que conhecemos em tradução da nossa língua, encontramos páginas de esperanças numa vida melhor no após túmulo. Eis cá um trecho:

“O nosso destino final não é reconhecível através da nossa atual condição imperfeita. Os santos e profetas nos têm falado, ou nos deram sugestões, mas não os ouvimos. Estamos demasiadamente ocupados com bagatelas, que absorvem a nossa atenção; porém, algum dia o véu será erguido, não só para alguns, mas para muitos. Os que nos precederam na morte agora vêem o que nos escapa. Na outra margem eles nos estendem suas mãos auxiliadoras e nos reservam um bom acolhimento.”

Em Raymond, que o nosso Monteiro Lobato traduziu para bom vernáculo, o sapiente físico declarou abertamente, por mais de uma vez, com diferentes termos:

“Jamais ocultei minha crença de que a personalidade não só persiste, como ainda continua mais entrosada ao nosso viver diário do que geralmente o supomos; de que não há nenhuma solução de continuidade entre os vivos e os mortos...”

Em Por que creio na imortalidade da Alma, que o leitor ora tem sob os olhos, há tantas passagens edificantes e tão belas, que procurar transcrevê-las seria quase que repetir a obra por inteiro. Melhor fará o leitor, e muito mais ganhará com a decisão, se começar logo a ler a obra. Queremos pôr um ponto-final na catação excertuária, insignificante embora, transcrevendo umas palavras de fé e convicção de Oliver Lodge, extraídas não obstante de outra obra sua, a Phantom Walls, palavras partidas de um catedrático, de um cientista, de um pensador, dignas de figurar no canhenho de muitos espiritistas que, se não duvidam do seu destino, não o compreendem às vezes devidamente:

“Tenhamos coragem, pois que estamos apenas começando a pôr os pés no invisível, no campo inexplorado; já estamos tomados de grande esperança e, com essa mesma esperança e numa crescente certeza, caminhamos para a meta final do nosso sublime destino.”

Uma palavrinha acerca da mudança do título: Por que creio na imortalidade da Alma e não Por que creio na imortalidade pessoal: ora, a mudança baseia-se unicamente não numa questão doutrinária, mas numa questão tão-só de clareza de etnia: o conceito anglo-germânico de alma por certo é o mesmo que o anglo-latino. Mas o povo em língua portuguesa, de formação religiosa com mais profundidade mística, que a inglesa, para exemplificarmos, estranhará a denominação de pessoal em vez de alma. Que a pessoalidade é a própria alma, nas obras do nosso autor, está em as inúmeras referências anímicas de Lodge. Alma encarnada ou desencarnada, alma com existência corporal ou extracorporal, livre dos liames carnais ou presa a eles – é sempre alma a caminho do seu objetivo espiritual.7

O tradutor, a quem apresentamos as nossas razões, não desconcordou de nós. Temos certeza que a gente luso-brasileira concordará também conosco, sentindo-se mais à vontade ao ouvir falar de imortalidade da alma em vez de imortalidade pessoal.

Queríamos acrescentar mais uma palavrinha, já agora relativa ao Dr. Francisco Klörs Werneck, que nos honra com a sua amizade há alguns decênios (nós e ele estamos agora descendo, no cômputo etário, o Cabo da boa Esperança...), é tradutor sobejamente conhecido nos arraiais espiritistas, não só pela sua reconhecida capacidade de tradutor de várias línguas, mas também pelo seu conhecimento da Doutrina espírita, que lhe assegura um lugar honroso entre os nossos melhores tradutores vernáculos.

Não é preciso mais.

*

Sir Oliver Joseph Lodge, casado com a Sra. Mary Fanny Alexander Lodge, faleceu aos 89 anos de idade, em agosto de 1940, em Amesbury (Wiltshire), na Inglaterra. A sua defunção foi pesarosamente sentida tanto nos meios científicos como em toda a comunidade espiritista.



*

Eis, tanto quanto pudemos apurar, a rica bibliografia de Sir Oliver Lodge:

1. Manual of Elementary Mecanics (1879)

2. The Modern Views of Electricity (1889)

3. Pioneers of Science (1893)

4. Life and Matter (1905)

5. Electrons or the Nature and Properties of negative Electricity (1907)

6. The Survival of Man – A Study in Unrecognized Human Faculty (1909)

7. The Ether of Space (1909)

8. School Teaching and School Reform

9. Easy Mathematics, Arithmetic etc.

10. Lightning Conductors and Lightning Guards

11. Signaling without Wires through Space

12. Modern Views on Matter

13. The Substance of Faith, allied with Science

14. Atoms and Rays

15. Reason and Belief (3ª edição, 1911)

16. Man and the Universe: a Study of the Influence of the Advance in Scientific Knowledge upon our Understanding of Christianity

17. Phantom Walls

18. The War and After (1915)

19. Raymond or Life and Death (1916)

20. Christopher: a Study in Human Personality (1918)

21. The Making of the Man (1924)

22. Ether and Reality (1925)

23. Relativity (1925)

24. Talk about Wireless (1925)

25. Science and Human Progress (1927)

26. Modern Scientific Ideas (1927)

27. Why I Believe in Personal Immortality (1929)

28. The Reality of a Spiritual World (1930)

29. Beyond Physics or the Idealization of Mechanism (1931)

30. Past Years (1931)

31. My Philosophy, containing final view on the Ether of Space (1933)



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