Oliver Lodge Porque Creio na Imortalidade da alma



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Capítulo IV
Explicação de alguns fenômenos psíquicos


“Bacon previu a vitória gradual da observação e da experiência, o triunfo da análise dos fatos reais, em todos os ramos dos estudos humanos, em todos os assuntos, salvo em um deles... Suponho hoje que não mais existe motivo para tal exceção.” (Fredrich Myers, em Human Personality, II, pág. 279).

A título de ilustração das faculdades a que fiz referência nos capítulos anteriores, poderia citar grande número de casos, muitos dos quais estão registrados em obras ou atas das Sociedades de Pesquisas Psíquicas, mas limitar-me-ei a alguns episódios inéditos que servirão para dar exemplos das faculdades mediúnicas.

Ainda que notáveis, tais episódios não serão concludentes por si mesmos, porém farão parte de um acervo de provas da mesma espécie, tendo, entretanto, o seu valor. As provas escolhidas são representativas de quatro categorias de fenômenos psíquicos simples. Por diversas razões não foram ainda publicados, salvo dois casos, não pessoais, com os quais começo e termino.

A primeira categoria consiste em fatos que mostram a possibilidade de informações a respeito de acontecimentos correntes e distantes, presentes ou futuros. Escolherei três desses casos: dois foram suscetíveis de verificação imediata e o terceiro não foi ainda verificado e, sem dúvida, é pouco provável que o seja alguma vez, todavia parece-me que deva ser registrado para o caso em que circunstâncias eventuais tornem possível sua confirmação ou ulterior refutação.8

A segunda categoria é uma ilustração da faculdade de predição de acontecimentos futuros improváveis. Não são acontecimentos de importância pública, todavia foram verificados mais tarde.

Na terceira categoria, cito um caso de psicometria de um objeto, faculdade esta bem conhecida dos investigadores.

Na quarta, trato de um episódio de gênero diferente: um exemplo de nossos colóquios com “Feda”, o guia espiritual da Sra. Leonard. É a narrativa das relações entre mortos e vivos e tal conversa permitiu ocasionalmente estabelecer uma espécie de prova de difícil resultado para comprovar a identidade de um dos comunicantes.

Classe 1
Clarividência. Exemplos de
percepção de acontecimentos da época


Episódio A – Antes do mais, menciono uma informação a respeito da comunicação do assassinato da rainha Draga e de seus irmãos, na antiga Sérvia. Essa informação foi recebida pelo meu amigo o professor Richet, que, na época dele (1903), me fez um relato completo. Ei-lo aqui, em resumo:

“Na noite do assassinato (que era absolutamente desconhecido e imprevisto), o professor Richet e alguns dos seus amigos assistiam em Paris a uma sessão de “mesa”, sendo as letras do alfabeto ditadas por pequenos golpes. Anotaram-se as letras para interpretá-las mais tarde. Eu não conhecia o grupo nem o médium e faço o relato de segunda mão. Após o recebimento de algumas mensagens comuns às sessões, o controle espiritual pareceu mudar e tornar-se mais preciso, sendo as seguintes letras ditadas por meio de golpes bem nítidos: Bancalamo. Richet observou: “Vão servir-se do latim”, com pena, mas a soletração continuou, sem significação aparente: rtgu. Sem dar ao caso a menor importância, ele continuou a anotar maquinalmente: ettefamille. A mensagem parecia destituída de sentido, talvez relacionada com certa família. Pouco depois perceberam que as letras podiam ser separadas em palavras, como segue: Banca la mort guette famille (Banca a morte espreita família). Essa mensagem foi recebida na quarta-feira, 10 de junho de 1903, às 22:30.

Decorridos dois dias, os jornais franceses publicaram numerosos detalhes sobre o selvagem assassinato do rei Alexandre e da rainha Draga, bem como de seus irmãos, em Belgrado. O nome do pai da rainha, falecido pouco antes, era dado como sendo Pança, cuja família toda estivera em perigo de desaparecer pelo assassínio (o “c”, com cedilha, podia ser a imitação mais aproximada, em língua francesa, de uma letra sérvia, que, segundo me informaram, se pronuncia entre os sons “s” ou “ts” e “z” ou “tz”, sem equivalente em francês). O que surpreendeu é que Richet, ao ler esse nome nos jornais da tarde, ficasse impressionado com a semelhança entre o nome Pança ainda desconhecido e por vezes citado como Panca, e o começo da palavra desconhecida e misteriosa, Banca, sendo o único erro a confusão entre o B e P. Ele podia, pois, ser a mensagem como uma espécie de comunicação telepática da parte de Pança ou Panca, prevenindo que, naquele momento, a morte espreitava a família: “A morte espreita a família”.

Depois de ter tomado informações e aprofundado o assunto, Richet soube que o crime fora cometido pouco depois de meia-noite, isto é, que, no momento da sessão, ainda não se havia realizado, mas a hora em que a mensagem chegara a Paris estava próxima da em que os assassinos deixavam o Hotel da Corça da Sérvia, em Belgrado, para perpetrar o seu trágico desígnio. Naquela época não existia hora de verão e 10:30 da noite em Paris correspondiam praticamente à meia-noite na Sérvia. Como faz notar Richet, a palavra “guette” (espreita) foi singularmente bem aplicada, traduzindo a atitude de um gato espreitando um ratinho. A palavra não viria tão a propósito algumas horas mais tarde, nem algumas horas antes.

O assassinato fora cometido quarta-feira pela meia-noite, ou melhor, “um pouco antes da madrugada”, na quinta-feira, 11 de junho de 1903, para citar o livro de Miatovitch (Tragédia Sérvia, 1906) “entre 10:30 da noite e 2 horas da madrugada de 11 de junho” para citar o Times de sexta-feira, 12 de junho de 1903. A notícia chegou a Paris na quinta-feira, às duas horas da tarde, quando a soube Richet, mas os detalhes ele só veio a conhecer na sexta-feira. Richet não procurou explicar por que se fez a comunicação para Paris, a pessoas desconhecidas e indiferentes ao fato de estar em perigo de morte a família Panca. Tudo o que sabemos é que o conjunto de letras foi recebido no decurso daquela ocasião especial e que, subseqüentemente, pôde ser interpretado de forma inteligível. Richet o considera apenas como um caso de “criptestesia”, abrangendo a distância de 2.000 quilômetros, mas absolutamente não posso compreender como se possa aplicar a esse exemplo um termo que sugere a hipersensibilidade de uma impressão fisiológica. De acordo com a hipótese espírita, que estou disposto a aceitar, se bem não a aceitou Richet, poder-se-ia admitir que “Myers” ou qualquer outro membro da Society for Psychical Research, lá “do outro lado”, se tenha deparado com uma oportunidade de fornecer uma prova de faculdade supranormal, intercalando subitamente, entre as mensagens fragmentárias que eram soletradas pelo seu amigo Charles Richet uma frase que, ainda que obscura e incoerente, mais tarde se tornaria inteligível e interessante.”

Esse é o relato do incidente e a viva recordação do que me dizia o professor Richet naquela ocasião. O fato o impressionara bastante, sobretudo em razão da coincidência do tempo. Verdade é que a morte poderia estar espreitando muitas famílias, mas se se tratasse de uma família obscura, tal mensagem teria sido inútil. A família indicada, à qual se referia a mensagem, era simplesmente indicada pelo nome de Banca, que não é exatamente o mesmo que Pança ou Panka. No seu relato impresso (reproduzido no seu Traité de Metapsychique, pág. 264, vertido para o inglês sob o título de Thirty years of Psychical Research, pág. 167), comentou ele a soma de erros contidos e, pela doutrina dos cálculos de probabilidades, concluiu que é impossível supor que a grande semelhança do nome dado na mensagem seja devido ao acaso. Quanto à ausência real de notícias normais, era ela então completa. Ninguém em Paris estava a par da conspiração secreta tramada contra o rei Alexandre e a sua esposa Draga e, entre as cinco pessoas presentes à reunião, nenhuma mantinha relações com o Estado balcânico e, provavelmente, jamais ouvira falar na rainha Draga. A mensagem, se se tratava de uma autêntica mensagem, certamente fora transmitida antes do acontecimento, ainda que se possa justamente classificá-la sob a rubrica “acontecimentos atuais” e não sob a de “previsões”. Toda a família Pança achava-se então sob a ameaça de terrível perigo: Draga e dois irmãos seus foram efetivamente assassinados e suas duas irmãs escaparam, por um triz, à mesma sorte.


Observação sobre o método de
recepção alfabética das mensagens


A mensagem acima foi recebida por meio de pancadas vibradas na madeira. No que concerne ao método por meio do qual conheci incidentes análogos, devo dizer que uma das duas senhoras, com as quais eu realizava as sessões, possuía a faculdade de formar frases por um processo mais elementar do que por meio de golpes, isto é, por meio de movimentos feitos por um pequeno tripé em cima do qual pousava a mão. Rapidamente, ela recitava o alfabeto, parando na letra desejada pelo comunicante e que era imediatamente anotada pela outra senhora e simultaneamente por mim, quando presente. A significação da seqüência dessas letras nem sempre é logo clara, se bem que isso aconteça algumas vezes, e surpreendente é que se possa conseguir uma coerência por meio desse método aparentemente laborioso. Contudo, é de fácil manejo e não muito lento. Freqüentemente há uma série curta de comunicações que se seguem uma à outra, e cada comunicante cede o seu lugar a outro quando já ditou o que desejava. Conhecemos algumas vezes o comunicante, quando ele dá o seu nome, os habituais são facilmente reconhecidos pelo seu estilo e a maneira de agir. Quando “Myers” opera, a médium sente-se imobilizada e rígida; ela goza da faculdade de acompanhar os outros. No caso desta médium amadora de muitos anos, bastas vezes parece que o controle se exerce diretamente pelo comunicante sobre o braço que aciona o pequeno tripé, de sorte que o espírito da médium nada compreende ou raramente procura compreender o que se diz. Escritas as letras, torna-se clara a significação de cada frase completa. Exatos são os relatórios das sessões, por vezes com ligeira omissão, para torná-los mais breves.

Episódio B – O caso seguinte é bem resumido e muito simples. Refere-se à eleição de Hindenburg à Presidência da República Alemã. Na manhã de domingo, 26 de abril de 1925, eu e a minha esposa realizávamos, em Paris, uma sessão particular com duas amigas inglesas. Familiarmente conversávamos com “Raymond” por intermédio de um pequeno tripé, sem pensar o que quer que fosse sobre negócios públicos e completamente desinteressados do que se passava na Alemanha, quando, de repente, às dez horas da noite, “Raymond” interrompe a conversa e soletra: “Hindenburg foi eleito. Vou ver a festa. Boa noite.”

Na manhã seguinte, segunda-feira, 27 de abril de 1925, uma notícia de última hora no Daily Mail, edição continental, dizia: “Uma mensagem da Agência Reuter, de 1:18 desta manhã, declara que Hindenburg foi eleito.”



Episódio C – O seguinte caso foi comunicado à Society for Psychical Research por um de seus membros do Canadá, cuja atenção fora atraída para o incidente em conseqüência de um relato publicado em um jornal, o qual fornecia indicações a um advogado residente no Estado da Carolina do Norte (onde se produziram os acontecimentos) para que ele fizesse investigações sobre os fatos em questão, por sua própria conta. Tais fatos já haviam sido mencionados como prova no decorrer de um processo, com exame de peritos profissionais para julgar o seu valor jurídico. A Society inglesa recebera, em tempo oportuno, certos documentos legalizados e o que se segue é um resumo desses documentos e extratos deles:

“James L. Chaffin, o testador, era um agricultor do Distrito de Davie, Carolina do Norte. Fora casado e pai de quatro filhos, em ordem decrescente: John A. Chaffin, James Pinkney Chaffin, Marshall A. Chaffin e Abner Columbus Chaffin. A 16 de novembro de 1910, o citado agricultor, James L. Chaffin, fez testamento, devidamente firmado com duas testemunhas, pelo qual ele deixava sua herdade ao seu terceiro filho, Marshall, nomeado único executor e testamenteiro. Absolutamente nada deixava à sua viúva e aos seus outros três filhos. Dezesseis anos depois, a 7 de setembro de 1921, morreu o testador em conseqüência de uma queda. Seu terceiro filho, Marshall, entrou na posse dos bens a 24 de setembro do mesmo ano. Por falta de amparo legal, a mãe e os três filhos restantes não contestaram o testamento, porém, mais tarde, em 1925, começaram a ocorrer certos fatos insólitos.



Extrato das declarações de James
Pinkney Chaffin, segundo filho do testador

“Durante toda a minha vida, jamais ouvi falar que meu pai houvesse feito um testamento posterior ao que redigira em 1910. Foi, creio eu, em junho de 1925, que comecei a ter sonhos que me impressionaram vivamente: meu pai aparecia à beira de minha cama, mas nenhuma comunicação verbal me fazia. Pouco mais tarde, penso que foi em fins de 1925, ainda uma vez ele se mostrou junto ao meu leito e, dessa vez, trazia um velho capote que fora seu. Então me falou o espírito de meu pai. Ele pegou no seu capote, atirou-o para trás e me disse o seguinte: “Encontrarás o meu testamento no bolso de meu sobretudo” e, em seguida, desapareceu. Levantei-me na manhã seguinte, bem convencido de ter recebido a visita de meu pai com o propósito de me explicar algum erro. Dirigi-me à casa de minha mãe com o fim de procurar o tal capote, porém este lá já não se achava mais.

Minha mãe me explicou que o havia dado a meu irmão John, residente no Distrito de Yadkin, distante 32 quilômetros a nordeste de minha casa. Creio ter ido à casa de meu irmão na segunda-feira, 6 de julho, após os acontecimentos narrados acima, onde encontrei o capote. Ao examiná-lo, verifiquei que o forro do bolso interno havia sido fechado com uma costura. Imediatamente a desfiz e achei um pequeno rolo de papel atado, contendo apenas as seguintes palavras: “Lede o capítulo 27 da Gênese, na velha Bíblia de meu pai.”

Nesse ponto, era tal a minha convicção de que o mistério seria explicado que eu não quis ir à residência de minha mãe, para examinar a velha Bíblia, sem a presença de uma testemunha e então convenci um vizinho, o sr. Thomas Blackwelder, a acompanhar-me, estando minha filha e a desse senhor também presentes. Quando nos achávamos em casa de minha mãe, difícil nos foi descobrir a velha Bíblia. Finalmente encontramo-la na gaveta superior de uma escrivaninha, em um quarto do andar de cima. De tal modo se achava o livro desconjuntado que caiu em três pedaços no momento em que foi retirado da gaveta. O sr. Blackwelder apanhou a parte que continha o Livro da Gênese, cujas páginas folheou até o vigésimo sétimo capítulo, onde estavam dobradas duas páginas, uma sobre a outra, a página esquerda dobrada para a direita, de modo a formar um bolso, e nesse bolso o sr. Blackwelder encontrou o testamento, isto é, ele achou um documento escrito sem as formalidades legais, em data de 16 de janeiro de 1919, assim concebido:

“Depois de ter lido o vigésimo sétimo capítulo da Gênese, eu, James L. Chaffin, escrevo minhas últimas vontades e testamento, como segue: Desejo que, depois de ter sido decentemente sepultado o meu corpo, minha pequena propriedade seja igualmente dividida entre os meus quatro filhos, se ainda estiverem vivos na ocasião de minha morte. Quero que a minha propriedade e demais bens sejam igualmente divididos e, se não estiverem vivos, que se entregue a parte a seus filhos. Se a minha mulher ainda estiver viva, todos os filhos deverão cuidar de sua mãe. Em fé do que aponho neste a minha assinatura.

16 de janeiro de 1919.

James L. Chaffin

Ainda que sem testemunhas, foi este último testamento considerado legítimo pela lei do Estado da Carolina do Norte, visto ter sido redigido, por inteiro, pelo próprio punho do testador, com a condição de apresentação de prova suficiente de autenticidade da escrita. Redigido o seu testamento, resolveu o testador encerrá-lo entre duas folhas da velha Bíblia, que outrora pertencera a seu pai, o reverendo Nathan S. Chaffin, dobradas as folhas à maneira de um bolso. As páginas, assim dobradas, eram as que continham o vigésimo sétimo capítulo da Gênese, onde se descreve como o segundo irmão, Jacó, conseguiu suplantar o irmão primogênito, Esaú, e assim conquistar o seu direito à progenitura, juntamente com a bênção paterna. Cumpre recordar que era o segundo filho o único beneficiário do primeiro testamento.

Ao que se pôde saber, o testador a ninguém revelara, antes de sua morte, a existência do segundo testamento, mas no bolso interno do capote que lhe pertencera, por meio de uma costura, ele ocultara um papel que continha estas palavras: “Lede o capítulo 27 da Gênese, na velha Bíblia de meu pai”.

Pouco depois de sua descoberta, foi o documento apresentado para ser legalizado, como verdadeiro, e apreciado na sessão de dezembro de 1925. Apresentado em juízo, realizou-se a audiência das partes, em seguida o tribunal adiou os trabalhos para depois do almoço. Reunido o tribunal, um advogado anunciou que, no seu intervalo, se havia conseguido um acordo amigável e que o novo testamento seria admitido à legalização, sem qualquer contestação.

As notas do Juiz Presidente do Tribunal estavam assim redigidas:

Julgamento, por consenso, do testamento
de James L. Chaffin, falecido.
Estado da Carolina do Norte, Distrito de Davie.
Tribunal Superior
Dezembro de 1925
Julgamento


Considerando que esta causa foi argüida e que as seguintes questões foram submetidas em juizado:

Constitui a escrita do papel datado de 16 de janeiro de 1919, por inteiro, o último testamento de James L. Chaffin?



Resposta: Sim.

Considerando que o juizado se pronunciou afirmativamente quanto à proposição dos srs. E. Morris, A. H. Price e J. C. Busby, advogados dos suplicantes, ordena-se, decreta-se e determina-se que o dito testamento seja inscrito no cartório do Tribunal Superior do distrito de Davie, Registro de Testamentos, e que o testamento datado de 16 de novembro de 1905, legalizado a 24 de setembro de 1921 (ver Registro de Testamentos, livro 2º, pág. 579), suposto ser o último testamento do falecido James L. Chaffin, fica, pelos presentes, anulado e revogado.

No início do processo já não existia Marshall, o herdeiro original, mas sua viúva e o filho estavam decididos a contestar o segundo testamento. No intervalo do julgamento, foi-lhes mostrado o testamento e comunicado estarem dez testemunhas prontas a jurar que efetivamente se tratava da caligrafia do testador, o que ela e o filho logo admitiram, após leitura, desistindo assim da ação.

A declaração de James Pinkney Chaffin termina da seguinte maneira:

“Durante o mês de dezembro de 1925, meu pai ainda me apareceu uma vez. Foi mais ou menos uma semana antes do processo Chaffin contra Chaffin. Ele me perguntou: “Onde está o meu antigo testamento?” Parecia estar de mau humor. A partir de tal dia, acreditei que a sentença seria a meu favor, o que se verificou. Na manhã seguinte desse mesmo dia, relatei essa aparição ao meu advogado.

Muitos amigos não acreditam na possibilidade da comunicação entre os vivos e os mortos, mas estou absolutamente convencido de que foi realmente meu pai que a mim se manifestou naquelas ocasiões e crê-lo-ei até o dia de minha morte.”

Seguem-se os testemunhos e as justificativas dos fatos. Citarei apenas a declaração do sr. Blackwelder.

“Chamo-me Thomas A. Blackwelder, tenho 38 anos de idade e sou filho de H. H. Blackwelder. Moro numa fazenda situada no distrito de Callihan, distante um quilômetro e meio da casa em que faleceu James L. Chaffin em 1921. Creio que foi no dia 6 de julho de 1925 que James Pinkney Chafin (filho de James L. Chaffin e um dos meus vizinhos) veio procurar-me. Pediu-me ele que o acompanhasse à residência de sua progenitora, afirmando, ao mesmo tempo, que seu falecido pai lhe aparecera e lhe explicara o modo de achar o seu último testamento. Chaffin me disse que seu pai havia falecido há quatro anos e lhe aparecera em sonho para informar-lhe que descobriria algo de importante no bolso interno de seu velho capote. Chaffin acrescentou que, tendo encontrado o referido capote, nele achou um pedaço de papel em que havia um escrito de seu progenitor e ele me pedia o acompanhasse à casa de sua mãe para examinar a velha Bíblia pertencente à família. Acompanhei-o, procuramos o livro, que encontramos algum tempo depois, na gaveta de uma escrivaninha existente no segundo pavimento da moradia. Retiramos a Bíblia, que era muito antiga, em três pedaços separados. Apanhei uma parte e Chaffin as outras duas. Por acaso, na que eu tinha em mãos, achava-se o livro da Gênese. Folheei as páginas deste e, no capítulo vigésimo sétimo, achei duas folhas dobradas interiormente com um papel escrito, também dobrado entre as duas folhas. Era o último testamento de James L. Chaffin.”




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