Oliver Lodge Porque Creio na Imortalidade da alma



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Classe II
Exemplo de predição – O episódio da casa


“Poucas pessoas hão refletido longamente sobre esses problemas do passado e do futuro sem se perguntarem se o passado e o futuro nada mais são do que palavras vazias e se não consideramos como um regato de sucessão aquilo que é um oceano de coexistência, recortando, em talhadas, ao gume de nossos séculos e de nossos anos subjetivos, coisas obsoletas que estão fora da época.” (Fredrich Myers, em Human Personality, II, pág. 273).

Preliminares – A 6 de maio de 1913, minha esposa tomava chá em companhia de sua amiga, srta. Clarissa Miles, no seu apartamento em Egerton-Gardens, Londres, e, como passatempo, essa moça convidara uma clarividente profissional chamada sra. Vera para realizar o que se poderia chamar de uma sessão de intuição, sem transe. Nada se produzira de importante ou mesmo algo de interesse especial, porém a minha esposa se habituara a tomar notas sempre que o podia fazer, sem o auxílio da estenografia, para o caso de um interesse eventual posterior. Suas notas eram aproximativas, mas revistas pelo nosso filho Raymond. O assunto o interessava tanto porque se tratava da Itália, onde havia estado em visita a amigos. Extraio as notas que se referem ao que dizia a sra. Vera no fim de sua mensagem. Suponho que não tenham sido tomadas palavras por palavras, pois o relato está interrompido e fragmentado. Creio, porém, que somente foram anotados os pontos principais. Eis o que foi escrito naquela data e copiado por Raymond, em 1913, antes da guerra em que ele faleceu:

“Uma casa de campo, alegre, um ribeiro correndo no fundo de um jardim. A casa aparece em todo o seu comprimento como um edifício assaz baixo e extenso; um prado desce para a água. Um lugar feliz, atmosfera também feliz. Sobre uma altura, um jardim se inclina para a água, sentimento de paz e tranqüilidade. À moda antiga, uma porta de igreja. Aposentos antiqüíssimos; não existem dois que se assemelhem, escadas baixas, muito curiosas; sobe-se por uma escada e desce-se por outra. Alguns aposentos são longos e estreitos, possuem todas as formas. Algo que se associará com a vossa vida. Pequeno vestíbulo, casa baixa, velho carvalho. É essa casa que ireis habitar. Grandes quadros suspensos, quadros antigos. A parede da frente parece ser de pedra. É em campo acidentado. Distante da estação. Um pavilhão que se estende transversalmente; há mesa e cadeiras no interior, fachada de vidro.”

A família interessou-se por essa descrição detalhada de uma casa imaginária e tentou compará-la a uma casa qualquer da redondeza, mas sem sucesso. A porta de igreja, tomada ao pé da letra, parecia uma particularidade impossível pelo fato da impossibilidade de aplicar qualquer dos detalhes a uma casa susceptível de ser por nós habitada. Desde a minha juventude sempre morei nas imediações das “cinco cidades” de Arnold Benett. Sempre residi em Londres, Liverpool ou Birmingham, isto é, nos lugares nos quais se acham as novas universidades em que eu podia ganhar a minha subsistência e fazer jus à minha instrução. Era, pois, absolutamente inconcebível que me fosse “enterrar” no interior, porque me parecia que se tratava de uma casa de campo.

Agora é preciso deixar passar alguns anos para dar os necessários detalhes biográficos para a compreensão dos episódios. Em 1914 fomos à Austrália, com a British Association for the Advancement of Science. Começou a guerra e meu filho Raymond foi morto no ano de 1915.

Muito tempo depois, em 1919, eu ia deixar o meu cargo de Reitor da Universidade de Birmingham e, conseqüentemente, estávamos procurando uma pequena casa ou cottage para onde nos retiraríamos depois de deixar a grande casa familiar de Mariemont (Edgbaston, Birmingham). Graças a certos médiuns, tais como a sra. Leonard, que, de tempos em tempos, dava sessões à mãe de “Raymond”, este, já então no mundo espiritual, exprimiu o seu interesse pelo que chamava “nossa caça de casa”. Ele falava de diversas casas que sua mãe já havia visto. Por exemplo, descreveu um armário embutido na parede para o serviço, entre a sala de jantar e a cozinha, existente numa casa perto de Crowborough, que ela visitara. Em maio de 1919, ele tratou de outro prédio de Datchet, mas pensava que poderíamos encontrar coisa melhor e nos sugeria não deixar a casa de Mariemont antes de um ano. Enfim, estávamos determinados a alugar uma pequena casa nos arrabaldes de Hampstead-Londres, e já havíamos iniciado as conversações preliminares sobre o aluguel. “Raymond” não se mostrava inteiramente satisfeito e nos observava que as paredes eram muito finas e não inspiravam segurança e tranqüilidade. E ainda que faltava lugar para os meus livros, o que, na verdade, era exato. Contudo, estávamos resolvidos a alugar a casa. No começo do outono, em 3 de julho de 1919, minha esposa partiu para Vichy, na França, onde deveria permanecer algumas semanas. Na sua ausência, recebemos a seguinte comunicação pelos meios habituais: “Dizei à mamãe para cessar com a sua caça à casa. Já descobri certa morada e espero obtê-la para vós. “Raymond”.

Ainda durante a ausência de minha esposa, fui fazer uma das minhas visitas periódicas, de alguns dias, aos meus amigos Lord e Lady Glenconner. Eles não se encontravam em Glen, que fica na fronteira da Escócia, onde freqüentemente os visitávamos, mas se achavam em uma das suas propriedades menores, Wilsford Manor, cerca de 14 quilômetros ao norte de Salisbury. Essa planície não é plana como poderíamos supor; é formada de um grupo de colinas calcáreas, de pequena altura, que se estendem pela parte meridional do condado de Wiltshire. É banhada por cinco rios que convergem de vales largos e abertos como os dedos de uma mão aberta e se reúnem no punho, próximo a Salisbury, ao Sul. Esses cinco rios se prolongam pelo Avon até o mar, em Christchurch, no condado de Hampshire. Nessas campinas, irrigadas por esse riozinho e sobre um calcário seco, acham-se Wilsford e algumas outras casas.

Certa tarde, Lord Glenconner convidou-me para um passeio, visitando, durante a jornada, uma velha herdade do vale do Avon. Lord Glenconner acabara de comprar a propriedade, situada ao Norte da sua, a um dos seus vizinhos. De passagem, observou ele que vinha de fazer algumas modificações nela e acabara de construir um pórtico. A aquisição se realizara durante a guerra e ele mobiliara a casa para servir de habitação a alguns oficiais em serviço na planície de Salisbury, que é campo de instrução militar. Lá se achavam diversos quadros antigos, retratos de família, quadros esportivos, etc. Mandara executar também alguns melhoramentos e, entre outros, fizera construir um pórtico como nova porta de acesso, a fim de protegê-la contra as intempéries da costa norte. Os operários já haviam terminado e a casa estava entregue a um guarda. Havia pastagem e hortas, mas bem pouca relva, somente o necessário para o gado. Ele fizera esses melhoramentos porque desejava alugar a propriedade, mas acrescentou que daria alguma importância ao caráter dos eventuais locatários, pois que seriam seus vizinhos próximos (menos de um quilômetro, com campos limítrofes). Ademais, a maior parte dos que desejavam alugar a propriedade, sem dúvida, desejariam ter direito à caça e à pesca nos trezentos hectares de terra cultivável anexa, mas a isso ele se opunha. Em seguida, visitamos a casa, cuja simplicidade logo me cativou e mais particularmente as campinas adjacentes e o belo vale do Avon, visto do alto da planície de Salisbury. Lembro-me de lhe ter dito durante o nosso percurso: “Por que não a alugam a nós? Eu não pretendo pescar nem caçar” e ele me respondeu: “Eu não poderia achar melhor inquilino, mas a propriedade não lhes convirá; está ela muito distante da estação e, sem dúvida, bem longe de Londres.” Eu era de seu parecer, visto não alimentar o desejo de enterrar-me no campo.

Entrementes, chegara uma das minhas filhas com o fim de visitar Wilsford Manor, antes de minha partida, e eu lhe mostrei a casa, bem como o campo adjacente. Sentiu-se tão satisfeita quanto eu e, certa de que agradaria à sua mãe, que sempre apreciou as paisagens do Sussex, perto de Bringhton, de sorte que, após algumas correspondências telegráficas com Vichy, na França, resolvi alugá-la no caso de podermos instalar uma biblioteca no alto, levantando o teto. Assim ficou resolvido e iniciou-se o trabalho. Enquanto esperava, desembaracei-me de minha bela moradia da Cidade Jardim, em Hampstead, coisa que me deu algum trabalho, e medi os quartos de Normanton House, com o fim de nos instalarmos ali, digamos, seis meses após a nossa mudança de Mariemont. Efetivamente, só nos instalamos durante o verão de 1920, após a longa série de conferências que realizei na América, no começo do mesmo ano.

Uma vez instalados, tratamos de rever os papéis de “Raymond”, guardados numa caixa, e deparamos com a cópia de um velho papel contendo as notas da sessão espírita de sua mãe com a sra. Vera, datando de sete anos atrás… Logo nos impressionou a descrição de uma casa feita no fim dela, a qual não se adaptava a nenhuma casa por nós visitada e evidentemente se referia quase exatamente à nossa moradia atual. Ela dista bastante da estação (cerca de 14 quilômetros) e, se bem que a estação de Amesbury, no ramal de Bulford, esteja apenas a 5 quilômetros, a única, de que nos servimos na linha-tronco, é Salisbury. O rio Avon está muito próximo e um dos seus braços passa ao fundo do pomar, sendo a sua saída regular por meio de comportas. Alguns caixilhos de carvalho estão na sala de jantar, que também é sala de entrada e cuja porta se abre diretamente com descida de escada de três degraus, de sorte que o nível da sala está abaixo do nível do solo exterior, obra pouco comum e provavelmente feita por pouco tempo para levantá-la a partir do momento em que cessasse de servir de depósito dos instrumentos agrícolas (como dizem os velhos habitantes da região) para tornar-se moradia. Ela é comprida, baixa e estreita (12,25 x 3,90 x 2,7 metros) e no teto encontram-se velhas vigas de carvalho quase completamente consumidas e que indubitavelmente ali estão há séculos. Os caixilhos das janelas são de carvalho e igualmente os respectivos postigos. Notável escada de carvalho conduz da sala de entrada a um andar superior, continuando até um aposento recentemente convertido em biblioteca, após a retirada de velhas vigas e levantamento do teto.

No começo de nossa locação, permaneceram alguns velhos quadros na casa, bem como móveis, até o momento de nossa instalação completa. Havia igualmente uma escada à saída do salão e também outras em um ponto inesperado de um corredor do andar superior, de sorte que alguém espontaneamente me observou: “Esta casa só parece feita de escadas a subir e a descer”, o que, bastante exagerado, se assemelhava à frase pronunciada pela vidente. Em face da porta de entrada, o jardim-pomar era parcialmente cercado de um muro de calcário, coberto de colmo à moda de Wiltshire, e esse muro de marga calcária parecia pedra.

Entre todos os pontos concordantes, o do pórtico é, entretanto, o mais notável. Recentemente construído para proteger a entrada, possui verdadeira porta de igreja, evidentemente muito antiga e de considerável espessura uniforme de cerca de 7 centímetros. Por todos os lados, era essa porta guarnecida de rebites ou de cavilhas de ferro, tinha gonzos bem compridos, dois ferrolhos assaz maciços e correspondentes encaixes. Informei-me junto ao meu senhorio a respeito dessa particularidade da casa e fiquei sabendo que, quando foi construído o nosso pórtico de pedra em torno da porta de entrada que dava para a avenida norte da casa, percebeu-se que tal pórtico estava um tanto fendido pela ação do tempo, em conseqüência do que Lady Glenconner, ao visitar a casa no momento da reforma, observara aos construtores que a entrada principal poderia ser melhorada, acrescentando-se-lhe uma segunda porta externa ao pórtico, dizendo saber onde encontrar uma porta apropriada. Esta se achava numa dependência do Wilsford Manor e provavelmente fora posta de lado no momento em que foi reparada pelo antigo proprietário de Wilsford. Essa bela e antiga porta foi, pois, transportada e fixada no pórtico da casa de Normanton. Em certos pontos ela ainda apresenta manchas provenientes, sem dúvida, do uso que dela fizeram os pintores de prédios durante seus anos de abandono, mas note-se bem que ela apenas serviu de porta após a guerra, isto é, considerável tempo depois da visão ou predição de 1913. Naquela mesma época não existia o pórtico e a família Glenconner ainda não estava de posse da residência, pois comprou a propriedade em setembro de 1915.

Talvez seja bom acrescentar que, por ocasião da reforma da casa de Normanton em 1919, os Glenconner nenhum conhecimento tinham de qualquer predição e essa predição só nos foi feita pelo espírito decorrido muito tempo. O pórtico e as transformações secundárias estavam completamente terminados antes que houvéssemos visto a casa ou apenas sabido de sua existência.

No começo de 1920, o teto fora retirado e construída uma sala de biblioteca na mansarda. É quase incrível que todos os outros detalhes mencionados pela predição tenham podido adaptar-se tão exatamente por efeito do acaso e mais inacreditável ainda é que houvesse sido prevista, com grande antecedência, a existência de uma porta de igreja no pórtico da entrada de determinada casa. Prefiro não fazer um esforço inútil para explicar o incidente.

Quanto aos outros detalhes secundários: um envidraçado do lado sul da casa, com mesas e cadeiras, fato certamente inesperado, atendendo a que eu mesmo o fizera construir nesse lugar com uma pequena estufa. Ao fazê-lo, não tinha eu a menor recordação de qualquer profecia a respeito. A predição dizia assim: “Não há duas peças que se assemelhem.” Os dois aposentos, cuja semelhança poderia ser notada, eram o pequeno salão da manhã e o salão principal, ambos no rés-do-chão, na face do sul. Eles são pouco mais ou menos da mesma dimensão, mas apresentam diferenças. Um tem o soalho levantado, com uma porta de acesso, de sorte que é mais quente do que o outro. A padieira da chaminé de um deles é bem maior do que o usual. A aparência longa e baixa da casa era mais evidente antes do alteamento e do acréscimo de um andar superior.

Existem, do outro lado do tabuleiro, dois belos celeiros que poderiam, de outro ponto de vista, ser considerados como partes da casa de que são característica notável. É verdade que a casa não está situada sobre uma elevação, mas está bem acima do nível dos prados próximos ao rio. O condado de Wiltshire é ligeiramente acidentado e ondulado no sentido único da ondulação de toda essa região. É fácil fazer uma caminhada de 800 metros em encosta ascendente até a uma altitude de cerca de 70 metros e ver abaixo de si a casa no vale do Avon, enquanto que Stonehenge está a 5 quilômetros e um quarto do outro lado, sobre uma parte mais chata da planície. São estes últimos os únicos pontos que um crítico rigoroso poderia considerar inexatos. Contudo, ainda recentemente, o que talvez convenha ser mencionado, uma senhora, poetisa americana, após curta visita, enviou-me suas saudações, endereçando-as para a “casa cinzenta abaixo das colinas de Wiltshire”.

A viscondessa, senhora de nossas relações, de que já falei aqui,9 com o nome de Lady Glenconner, permitiu-me citar seu nome neste relato, ao qual acrescentou coisas interessantes. Sabe-se que ela também perdeu seu primogênito durante a guerra, Edward Wyndham Tennant, cujas memórias escreveu. Nesse livro lhe foi dado o apelido familiar de “Bim” e, a este propósito, sabe-se que ela recebeu várias comunicações espíritas dele por médiuns de boa reputação. Autorizou-me a dizer que tanto mais a impressionou essa coincidência quando dela foi informada, no começo da locação, por ter tomado notas durante as suas sessões com a sra. Leonard, no mês precedente, notas que agora lhe pareciam alusivas ao assunto. Suas notas, tomadas naquela época, encerram passagens como esta: “Chegam novas pessoas. Ela está muito satisfeita, não se trata exatamente de uma construção, mas de transformações, transformações no teto... Estão muito contentes com os vizinhos.”

Naquela época estava vaga outra casa na propriedade de Lord Glenconner e então se achava em andamento a reforma completa dos tetos dos diversos celeiros. Supunha-se que as frases citadas se referiam a esses trabalhos, que estavam longe de ser convincentes. Mais tarde, diz Lady Grey, à luz de acontecimentos ulteriores, essas alusões e outras semelhantes tornaram-se absolutamente claras ao pai de “Bim” e mesmo à mãe. Em outra sessão posterior com a sra. Leonard, perto de Londres, “Raymond” exprimia a sua satisfação ao saber que íamos para a casa que ele tinha em vista e esperava que ela conviria à saúde de sua mãe e agradaria. Foi o que aconteceu.

Observações: O episódio completo, no que se refere a “Raymond”, não é senão um dos numerosos exemplos em que ele mostrou conhecer os acontecimentos atuais e tornou-se útil. Até este ponto tudo é simples e de fácil explicação, mas como explicar a previsão da sra. Vera, caso se trate de uma previsão, feita num momento em que nenhuma intenção tínhamos de deixar os arredores da moderna cidade universitária, nem a menor idéia de ir morar no campo e como explicar, em particular, a possibilidade de prever os detalhes de uma casa que, naquela época, se achava em outras mãos, casa então servida como sede de fazenda? Eis fatos que escapam à minha compreensão. Tampouco compreendo a existência prevista de velhos quadros numa habitação que para nós naturalmente só poderia ser uma casa desprovida de móveis, como efetivamente o seria se, no momento de alugá-la, Lord Glenconner não a tivesse, durante a guerra, ornado com alguns quadros para torná-la mais confortável aos oficiais aos quais a havia cedido.

Nem tampouco tenho a menor compreensão da previsão de uma porta de igreja que em 1913 praticamente não existia, em que ninguém pensava e que se achava numa dependência da cavalariça, quase a um quilômetro de distância. Somente de modo vago é que posso conjeturar uma espécie de “preparação” no além para produzir tais coisas. Porque, como já disse algures, a dedução do presente e o estabelecimento de projetos para o futuro são nossos dois métodos normais de predição nos negócios ordinários de nossa vida.



Nota suplementar – Penso ser oportuno desenvolver um ponto a que já me referi. É o de certas alusões, por antecipação provável a esse episódio, cujas anotações foram feitas por Lady Glenconner na ocasião de suas sessões com a sra. Leonard, em maio de 1919. Essas alusões eram tão anteriores ao assunto que permaneceram sem interpretação naquela época. Jamais víramos a casa, nem dela ouvíramos falar e a ninguém poderia ocorrer a idéia de relacionar-nos com o assunto da mensagem até o dia do passeio com meu amigo Lord Glenconner numa data que verifico ser, conforme minha agenda, 12 de julho de 1919. Lady Grey permitiu-me ver as notas de uma sessão com a sra. Leonard em 1º de maio de 1919, da qual ela escolheu e transcreveu o que se segue:

“Bim” diz: Sabes que em breve ele terá algo a fazer por seu pai? – Sim, é verdade. Dentro de algumas semanas. A “Feda” dá ele a impressão de ser para o meio do verão. É algo de importante a respeito de L. Alguém que se chama L. será interessado. É um apelido de família. Um homem. “Bim” diz que a coisa se relaciona intimamente com o pai dele e que é importante. Em que sentido? pergunta Lady Grey. De modo material e, contudo, não se trata de negócios, mas de alguma coisa feliz, algo de mais elevado. Ambos vós ficareis tão contentes e felizes, mas é preciso um pouco de paciência antes de sua realização.

“O prédio vai ser parcialmente demolido – diz ainda “Bim” –, mas somente em parte e a coisa vai causar muita satisfação; algo referente ao teto”, acrescenta ele, “que será a reconstrução. Esse acontecimento me causará muita alegria. Vizinhos. Eles estão contentes por se ter podido arranjar o negócio.”



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