Oliver Lodge Porque Creio na Imortalidade da alma



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Classe III
Psicometria


“Há fatos novos e obscuros a explicar e, antes de ligá-los às coisas psíquicas e transcendentais, preciso se torna pensar em tudo o que o corpo humano possa descobrir, imaginar ou conceber. Pode-se admitir que todas as nossas faculdades conhecidas apenas formam uma espécie de clarabóia, um lugar por onde as influências exteriores e interiores virão o mais freqüentemente tocar os nossos centros sensoriais, enquanto que, em torno dessa clarabóia, todas as espécies de sensações obscuras e não classificadas se acham provavelmente dispersas.” (Fredrich Myers em Human Personality, II, pág. 269).

O exemplo que escolho para a terceira classe de fatos, isto é, a psicometria ou diagnóstico de um objeto, é muito longo para ser contado detalhadamente, a não ser em relatórios de uma sociedade do gênero da Society for Psychical Research.

Devo restringir-me a um resumo. As experiências que deram origem a este caso foram feitas no decurso da primavera e do verão do ano de 1901, ano subseqüente à minha nomeação para Reitor da Universidade de Birmingham, que acabava de ser criada. Eu deixara, pois, a residência de Grove Park, Liverpool, e alugara outra casa em Edgbaston-Birmingham. Tudo fora dirigido pelo meu hábil e devotado assistente de Liverpool, sr. Benjamim Davies, que durante muitos anos me auxiliou eficazmente em muitas investigações científicas.10

A médium em questão era uma certa sra. Thompson, que morava numa pequena rua afastada de Liverpool e cuja clientela era principalmente constituída de gente pobre, a quem dava sessões e conselhos. Eu tinha razões para acreditar que as suas faculdades fossem reais e, conseqüentemente, o sr. Davies realizou algumas sessões com ela, a fim de pô-la à prova, comparecendo só e incógnito. Ele conseguiu acalmar as apreensões que ela teve quanto ao propósito de sua presença e em vista de conservar sempre o seu anonimato, mas, logo que se certificou de que não se tratava de um agente policial ou jornalista, lhe deu sessões notáveis no decurso das quais, entre outras, registrou cerca de doze pequenas antecipações do que lhe aconteceria em futuro próximo. Mais tarde ele reconheceu que sete foram exatas, não podendo, porém, verificar a inexatidão das restantes.

O caso, porém, não é este. Basta dizer que essas sessões preliminares lhe deram confiança nas faculdades da médium. Aconteceu que entre a comunidade irlandesa de Liverpool se achavam amigos ou conhecidos do sr. Davies, entre os quais uma família de que um dos membros era paralítico e a quem chamarei David Williams. A fraqueza desse homem obrigava-o a permanecer deitado em cima de um canapé, consistindo sua única obrigação em fazer passar um pano de uma a outra mão. Trabalhara como mineiro irlandês no Transvaal e, quando estalou a guerra ali, ele e outros mineiros fugiram de Johannesburg e embarcaram de volta à Inglaterra. Adoecendo durante a viagem, seu estado se agravara dia após dia; provavelmente sofrera um acidente ao subir do fundo da mina no elevador apinhado de homens. O médico considerava o seu estranho caso de paralisia como dificilmente compreensível.

Desejoso de auxiliar os seus amigos, o sr. Davies propôs confiar à médium um objeto pertencente ao enfermo. Um irmão deste, acompanhado pelo sr. Davies, levou dois objetos, sendo um deles o pedaço de pano continuamente manejado pelo doente. Esse irmão não foi apresentado à médium, a quem entregaram os objetos sem nada lhe adiantar. Imediatamente ela percebeu tratar-se de um caso grave e deu poucos esclarecimentos, entretanto encorajaram-na porque desejavam realmente saber de que se tratava. Perguntaram-lhe se houvera acidente, ao que lhes respondeu: “Sim, houve um acidente em um lugar profundo e escuro, sendo o crânio comprimido” e exatamente indicou a sede do mal tocando a região occipital do sr. Davies. Acrescentou que era necessário praticar uma operação e indicou a localização de um coágulo de sangue perto desse lugar do crânio. Nada disso fora percebido pelo médico, entretanto considerei boa tal ocasião para tentar uma prova. Escrevi, pois, a um eminente cirurgião, o dr. Robert Jones, ora conhecido sob o título de Sir Robert, que então clinicava em Liverpool, pedindo-lhe o favor de ir examinar o doente, cujo endereço lhe forneci, para determinar a natureza da moléstia, sem nada dizer (bem entendido) sobre o “diagnóstico” fornecido pela médium. Ainda que muito ocupado, teve ele a amabilidade de visitar o doente e verificou a existência de uma lesão no crânio, na região previamente localizada. Após a segunda visita, resolveu operá-lo. Um diagrama indicava a sede do ferimento, não visível, apontado pela médium, bem como o lugar próximo em que fora praticada a trepanação, assim como a posição anunciada do coágulo do sangue. Terminada a operação, o cirurgião não encontrou o coágulo, mas admitiu que nada havia de contrário à idéia de que pudesse ter existido um naquele lugar e que tivesse sido absorvido.

Parcialmente restabelecido, depois de certo tempo, pôde o enfermo indicar alguns detalhes relativos ao acidente, acreditando-se que ele houvesse se debruçado para fora do elevador na ocasião em que esse subia do poço da mina de Johannesburg e os mineiros tratavam de fugir ao estourar a guerra. Supõe-se que a sua cabeça se tenha chocado com algum ferro saliente.

Eis o relatório do cirurgião:

“30 de maio de 1902 – Operei David Williams, praticando um corte no lugar em que me parecia existir uma depressão no crânio. Verifiquei certo espessamento e uma aspereza no lugar do osso extraído e ainda alguma adesão da “dura mater” nesse lugar. Se houve um coágulo de sangue, ele deveria estar quase inteiramente absorvido e a aparência da “dura mater” se prestava perfeitamente à hipótese de um coágulo de sangue. Abrindo a “dura mater”, verifiquei que a “pia mater”, embaixo, parecia perfeitamente normal e que a pulsação do cérebro era bem marcada, excluindo, assim, toda teoria de pressão no interior do crânio. O enfermo achava-se em péssimas condições no momento da operação e essa aparentemente pouca diferença produziu. Não tornei a vê-lo durante uma quinzena, ou três semanas, mas, quando voltar da França, no dia 11 de junho, visitá-lo-ei e informar-me-ei de seu estado. Ass.: Robert Jones.

Em tempo: Esqueci-me de dizer que houve, de fato, uma lesão no crânio, do lado de dentro. Um pouco mais tarde talvez eu possa extrair maior parte do osso.”

Muitos casos semelhantes de diagnósticos mediúnicos encontram-se em um livro do dr. Eugène Osty, vertido para o inglês pelo sr. Stanley de Brath e intitulado As faculdades supranormais do homem.



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