Oliver Lodge Porque Creio na Imortalidade da alma



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Classe IV
Exemplos de colóquios recentes sobre a vida
póstuma e uma pequena prova de identidade


“Quando a morte atinge uma pessoa, poder-se-á supor que a sua parte mortal perece, enquanto que a sua parte imortal se retira à aproximação da morte, sã e salva... É indiscutível que a alma é imortal e imperecível e que as nossas almas viverão efetivamente em outro mundo. (Fédon, de Platão).

Introdução – O caso que vou recordar é de um aspecto diferente. É apenas o relato de uma das minhas palestras com “Raymond” a respeito do Além e das condições póstumas. Essa conversa se refere ao auxílio que os espíritos podem ocasionalmente dar-nos, auxílio mútuo que costuma ser assim estabelecido entre eles e os vivos. Certamente que tais colóquios se verificam com a colaboração daquele que, disto estou certo, é o meu velho amigo Fredrich Myers.

É dele que “Raymond” aprende tantas coisas e é com ele que trabalha como uma espécie de assistente. O mesmo “Myers” intervém, de tempos a tempos, para explicar ou desenvolver alguma frase. Antes de fazer o relato de uma parte da conversa que se segue, cumpre-me explicar uma coisa.

Eu sabia que “Myers”, quando vivo na Terra, se interessava pela idéia de ajuda mútua e da comunicação através do véu e que, por uma ou duas vezes, fizera alusão a um texto do capítulo XI da Epístola aos Hebreus, onde se lê: “Sem nós eles não se tornarão perfeitos.” Algumas vezes ele o citava de acordo com o texto em latim da Vulgata. No decurso de uma conversa, julguei azada a ocasião para citar este trecho a “Myers” com o fim de saber o que ele diria. “Feda” agia como “controle” e não era fácil fazer-lhe transmitir alguma coisa estranha. Ela transmitia os sons da linguagem o melhor que podia, mas me parecia provável poder “Myers” compreender melhor uma das minhas próprias palavras. Perguntei-lhe se escutava; depois, referindo-me à recente conversa nossa, eu lhe disse: “ Ut non sine nobis consumarentur” (Creio que eu deveria dizer ne em vez de non, segundo certa versão). Foi-me dito que “Myers” fazia um sinal com a cabeça para indicar que compreendia e que pronunciava algumas palavras que “Feda” misturava, de modo que, apesar de tudo, fui induzido a escrever algo como Rebus in ora (ver mais abaixo). “Myers” respondeu: “Não está direito, porém não modifique coisa alguma”, evidentemente com a idéia de que eu corrigiria mais adiante.

Passadas duas ou três semanas, ao ler as notas que estavam sendo datilografadas, veio-me a idéia de que talvez fizesse ele alusão ao texto da passagem da Epístola aos Hebreus. Não me lembrando do texto, fui procurá-lo. As palavras que o precedem são: “Deus preparou algo de melhor para nós.” A passagem continua: “A fim de que sem nós eles não possam tornar-se perfeitos.” Escrevi ao meu amigo dr. Rendall, antigo Provisor da Chaterhouse, para lhe perguntar se na Vulgata havia algo capaz de elucidar a grosseira tentativa de “Feda” de interpretar as palavras de “Myers”. Ele me sugeriu as palavras nobis meliora, que pensava, bem poderia ser a rápida recordação de “Myers” das principais palavras do texto, quer dizer “coisa melhor para nós”, porque, ainda que seja empregado o singular melius aliquid, na versão autêntica, igualmente correto é o emprego do plural. Em suma, estou disposto a admitir que a sua sugestão é boa. Não insisto e não me baseio nele, mas é um exemplo da maneira empregada algumas vezes por “Myers”. Assim, quis ele provavelmente indicar haver compreendido a frase latina, que, a despeito de sua grande simplicidade, era ininteligível para “Feda”, bem como para “Raymond”, do que estou certo, e igualmente ininteligível, naturalmente, para a sra. Leonard, em estado de transe.



Como seqüência a esse episódio comparativamente sem importância, citarei agora um trecho da conversa que a ele se refere e, por esse meio, aproveitarei a ocasião para mostrar que as nossas palestras com o Além não se limitam aos afazeres domésticos e a outras ninharias, mas que freqüentemente tratam de assuntos mais elevados e mais generosos. De espaço a espaço, acrescento um comentário entre aspas, mas de outro modo deixo o relato tal qual foi feito. “Feda” é o “controle” ou “guia” da sra… Leonard 11 e, ainda que seja menos infantil que outrora, ainda é algumas vezes divertida em sua graça e irresponsabilidade. Difícil é obter dela informações sérias e é esta a razão por que “Myers” geralmente prefere o sistema de “mesa falante”, mais lento, porém mais preciso, método empregado de tempos a tempos com a sra. Leonard. O nome que “ Feda” aplica a “Myers” é “Senhor Fred”. Às vezes “Raymond” afetuosamente o chama de “tio Fred”, porém com mais freqüência (especialmente no começo) de “senhor Myers”.

Compilação das notas da sessão com a sra. Leonard
em data de 16 de setembro de 1927


Fica entendido que “Feda” é a pessoa que fala, que transmite o que lhes dizem e que muitas vezes se exprime na primeira pessoa. Às vezes cede o lugar a outro “controle”, que diz algumas frases. Após algumas observações relativas a projetos, ela diz que, segundo “Myers”, um de meus livros, prestes a aparecer, conteria “algumas experiências psíquicas, não apenas experiências antigas, mas algumas novas”.

O. Lodge – Bem, desejo publicar algumas palestras que mantive com ele e “Raymond”.

Resposta – Sim, não só como provas, mas também do ponto de vista de seu interesse geral.

O. Lodge – É o que eu desejaria fazer.

Resposta – Tendes muitas provas que são satisfatórias. Já agora deseja-se saber o que fazemos, como vivemos e o que pensamos das coisas que vos interessam, e assim por diante. É nossa a idéia do livro. “Raymond” diz: “Pergunta-se muitas vezes se dizemos algo de interessante. Dizem que sempre nos limitamos a dizer: “Achareis uma fotografia que nunca vistes, na gaveta de uma escrivaninha”. (Aqui “Feda” interrompeu para dizer: “Como é que ele fala. Que mau é!”). Já estão fartos de cofres desconhecidos e de fotografias. Agora querem saber e conhecer as nossas idéias e as nossas vidas, e até que ponto podemos ajudar aos que vivem na Terra.

O. Lodge – Não nos dizeis grandes coisas.

Resposta – Falta tempo.

O. Lodge – É verdade, eu desejaria mais algumas sessões (com a sra. Leonard eu só havia feito duas ou três sessões, durante o ano).

Resposta – Eu desejaria fazer-vos cientes de uma coisa: até que ponto e como nos é permitido ajudar a gente aí da Terra. É-nos permitido auxiliar-vos por todos os meios que não afetem o vosso livre arbítrio. Se percebemos que tendes o desejo de cometer um erro, não nos será permitido atirar-vos pela escada abaixo para quebrar-vos a perna e impedir assim consumeis o erro. Isto seria afetar o vosso livre arbítrio. Não nos permitem hipnotizar-vos e fazer-vos assim mudar de intenção, mas podemos sugerir-vos algumas coisas e recordar-vos certas condições, esperando que mudeis de resolução. Não podemos, contudo, forçar-vos a isso. A evolução do espírito é toda razão de ser da vida. Isto é simples. Pergunta-se: Por que isto? Por que aquilo? A razão de ser da vida é o desenvolvimento do espírito. O livre arbítrio é o fator admirável que permite ao homem escolher entre o bom e o mau. Não podemos escolher em seu lugar. Eis por que não gostamos de constranger-vos e dizer aos assistentes de uma sessão o que deveriam ou não fazer.

O. Lodge – Sim, mas às vezes estais mais bem informados do que nós e podeis ver no futuro.

Resposta – Sim, sim, mas durante todo esse tempo nós vos levaremos ao bom caminho, sem vos forçar e, desde o momento em que vós, que estais na Terra, o escolhestes, permitido nos é ajudar-vos por todos os meios possíveis.

Também querem que lhes demos uma idéia clara e precisa de nosso meio. “Raymond” diz: “Não nos será preciso muito tempo para fazê-lo. Agora eu quero fazer breve alusão a alguma coisa.” (refere-se, sem dúvida, aqui a algo que eu sugerira inteiramente hipotético, no momento de uma sessão precedente, como um meio possível de explicar sua apreciação de árvores e outros objetos supostos existirem do “outro lado”).

Pensastes que o nosso mundo é provavelmente, igual ao vosso, observado deste outro lado: outra visão dele.

O. Lodge – Sim. É assim?

Raymond – Visto ser o nosso mundo tão diferente do vosso sob certos aspectos, um pouco difícil é considerá-lo debaixo deste ponto de vista, mas estou perfeitamente de acordo convosco acerca de um ponto que parece condizer com a vossa teoria, e ei-lo: Tudo o que é necessário ao homem, tudo o que o homem faz seu, por assim dizer, possui um duplo etérico. Nós vemos esse duplo etérico.

Exemplifiquemos com uma cadeira. Pode acontecer que a cadeira que vedes em vossa casa, a vossa cadeira, material, e a cadeira que vemos aqui, que é a cadeira etérica, sejam de fato a mesma cadeira, todavia a cadeira etérica parece estar conosco. Já sabeis do espanto dos espíritos comunicantes, principalmente os recém-desencarnados, quando tornam a encontrar a mesa, a cadeira ou o quadro que estimavam na Terra. Vós os suporíeis como sendo os mesmos vistos de um outro lado.



O. Lodge – Estais de acordo?

Raymond – Papai, é justamente nisto que está para a mim a dificuldade de dizer se estais errado ou tendes razão, porque o espaço e o tempo tão pequena significação têm para nós comparativamente com o que são para vós, porém muitas coisas sugerem que tendes razão. O que o “tio Fred” diz é que condições mentais e desenvolvimentos espirituais diferentes podem negar a ilusão de espaço e de tempo. “É Exato, diz ele, e importante em cada sentido; é verdade que isto cria uma distância. Pareceu-me sempre que comecei por viajar; quando os deixei, pareceu-me que eu deveria percorrer certa distância para os reencontrar. Eu tinha a impressão de que deveria deixa nosso lugar para o lugar em que vocês se achavam.”

Agora fala o “senhor Fred” (a “Raymond”) e diz:

“Sim, jovem, isto é perfeitamente exato, mas não percebeu você, que era sua maneira de ver que fazia toda diferença? A distância agora não lhe parece tão grande, agora não a percebe. Quando voltou, ficou impressionado com o começo de sua nova vida e lhe parecia que revivia em novas condições. O seu espírito estava persuadido de que se tratava de um novo estado de coisas, de um lugar distante daquele de onde você veio. Assim, quando pensava na casa de seu pai, ela lhe parecia essencialmente diferente. Foi preciso que vencesse o sentido da distância. A razão pela qual não percebe mais a distância é que, agora, já atravessou muitas vezes o abismo ilusório.”

Raymond – Sim, papai, deve ser assim, mas eu não posso ver as coisas inteiramente como o “tio Fred” e dizer que não haja nenhuma distância entre o vosso e o nosso mundo. Contudo, o “tio Fred” crê que ela não existe. Talvez mais tarde eu possa pensar e ver precisamente como o “tio Fred”. Notai bem que não tenho a pretensão de dizer que ele não esteja com a verdade, mas não vejo inteiramente do mesmo modo.

O. Lodge – Pois bem, “Raymond”, vou agora formular uma pergunta: Suponho que contemple a forma etérica de qualquer objeto material. Pego um machado e corto-o em pedaços. Que aconteceria à forma que você observa?

Raymond – Papai, isto muito dependerá (e é bem importante) de vossa atitude mental no momento em que destruís o objeto.

E esclareceu ainda dizendo que, se se tratar de um objeto de estimação, a forma etérica poderá ainda subsistir, mas, se o objeto for destruído em conseqüência de um mau humor ou aborrecimento provocado pelo objeto, “esse desapareceria no éter geral, informe, no éter que ainda não se moldou, que ainda não recebeu a vida. Pode-se modelar o corpo etérico de uma coisa – de um piano, de um relógio, de uma mesa – amando-a e gostando de sua companhia. Assim se lhes imprime uma espécie de vida etérica, se lhes dá o molde mental ou a forma etérica dele”.



O. Lodge – Uma espécie de materialização às avessas?

Raymond – Algo de semelhante.

O. Lodge – Quer dizer que não vê as coisas materiais a menos que nelas pensemos?

Raymond – Papai, nós não vemos as coisas materiais. Quando dizemos que fazeis tal ou qual coisa é porque os vossos pensamentos nos orientam. Podemos ir ao teatro convosco e gostar do espetáculo, mas suponhamos que ali estivésseis bem aborrecido, que não acompanhásseis a peça, e logo teríamos feito triste idéia dela, a menos que observássemos a força do pensamento de alguém perto de nós.

O. Lodge – Quer dizer que vocês vêem as nossas coisas por meio de nossos olhos?

Raymond – Sim, podemos fazê-lo, mas devo dar uma explicação. Podeis compreender que não só vemos as coisas por vosso intermédio, mas por causa de vós? (Provavelmente como na mediunidade – O. Lodge). É difícil explicar por meio de “Feda”. (Já sabeis que uma parte de vós pode ver sem que os seus olhos registrem o que vêem). Ver sem ver. Uma parte de vós deve registrar as coisas, mas a outra não. Algumas coisas roçam a mente consciente para passar ao subconsciente. Não deixam nela nenhuma impressão, porém nós podemos utilizar sua impressão subconsciente das coisas.

O. Lodge – Do mesmo modo, creio que vemos as coisas espirituais por vocês e por causa de vocês.

Raymond – Precisamente, papai, é justamente a mesma função. Quando viveis conscientemente em contato conosco e as nossas vidas, tornar-vos-eis capazes de colher, em certas fontes, conhecimentos que pertencem ao nosso plano. Queremos que procureis ver e ouvir as coisas do nosso lado, assim como fazemos com o vosso. Tanto melhor o poderdes fazer tanto mais subireis. O “senhor Fred” diz: “É verdadeiramente achar Deus por nosso intermédio”. Não quero dizer que não o achareis diretamente, porém o caminho mais direto para se chegar a Deus é talvez por meio de nós. Podeis ir diretamente a quem quer que seja? Há sempre uma série de etapas entre vós e a vossa meta. Se Deus é o vosso fim, podeis atingi-lo pos nosso intermédio. Em minha opinião, é um dos melhores caminhos.

Sinto que quanto mais vós, habitantes da Terra, fazeis uso da vista e do ouvido, tanto mais somos capazes de ver em vosso plano. Quanto mais o seu alcance for aumentando, tanto mais nos ajudareis estender o nosso.



O. Lodge – Vou então dizer, “Raymond”, algo que “Feda” não compreenderá e que você não o compreenderá também, mas o “senhor Fred” entenderá, se ele me ouvir. Ouve-me ele?

Raymond – Sim, ouve.

O. Lodge – Muito bem, pois, ut non sine nobis consummarentur.

Raymond – Ele está de acordo e pronuncia palavras estranhas, como rebus in, rebus in tore tory, in ora hora, inora, rebus in, alguma coisa ora. Sacode a cabeça e diz: “Não inteiramente exato.” Ele crê que é muito importante que as duas vidas, a psíquica e a física, sejam entrelaçadas muito conscientemente, o que, em certo sentido, aumentará a vida etérica no plano físico.

Diz para vós que é verdadeiramente desejável aumentar na Terra o que chamamos de vida etérica. Mais aprofundamos, mais estendemos a vida etérica na Terra, mais a apreciamos, mais a avaliamos, mesmo que seja de uma cadeira ou de uma mesa, menos nos mergulharemos no pântano da vida animal e física. Temo-nos ocupado de tal modo com o aspecto simplesmente animal e físico da vida que nos esquecemos da parte etérica. Quando compreendermos o valor etérico das coisas, não seremos mais obsidiados por aspectos materiais, como dinheiro. Sinto que poderemos legar uma herança de melhor saúde à futura geração quando compreendermos o éter.



O. Lodge – “Myers”, a vida física não é nenhum pântano.

Resposta – Não. Quando compreenderdes melhor o éter, sabereis apreciar melhor a ordem física e material, o vosso corpo, a vossa beleza, tudo o que é físico, mas não ficareis submersos nem vencidos por ele e então sabereis apreciá-lo em seu justo valor. O lado temporário da vida pode ser muito belo. Não quereis perder, no sentido material da vida, um dos vossos filhos, não é? Mas quando virdes o lado etérico do vosso filho ou de uma outra pessoa, já considerareis de outra forma a vida na Terra. Não se deve nunca desprezar a ordem material; compete-nos, sim, torná-la tão bela quão possível e apreciá-la tanto quanto pudermos.

A conversa tomou em seguida outra feição e breve terminou. Não preciso dizer que considero essas palestras como um debate entre amigos e em que ninguém é infalível, embora alguns estejam mais bem informados do que outros. Não se deve considerá-las como oráculos, porém bastas vezes são sugestivas. Toda tendência para muita fé em informação obtida de outro modo que não pelos nossos próprios esforços deve ser desaprovada. Isso pode ser demonstrado por exemplos da Antigüidade.




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