Oliver Lodge Raymond



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Capítulo XV
Sessões em Mariemont


Por várias vezes já vimos que Raymond manifestava desejos de reunir-se ao círculo familial, como também vimos que Honor – a H. das comunicações – estava em situação de ajudá-lo. Tentativas de aproximação desse gênero foram feitas por Raymond perante médiuns de Londres, chegando a dar instruções sobre o modo de proceder.

Por fim começaram a aparecer mensagens, e as comunicações em família, sem o concurso de médiuns, gradualmente se tornaram fáceis.

A anotação foi cuidadosamente feita, e se nem tudo aqui consigno é porque não tenho como evidencial toda a matéria recolhida. Afirmo, porém, que era impressionante a naturalidade de tudo e das brincadeiras surgidas, sempre que um novato vinha às sessões. Alguns incidentes, entretanto, mostravam caráter evidencial e a estes consignarei.

Às vezes a mesinha revelava-se turbulenta e tinha de ser acalmada. Vasos de flores e a própria mesa chegaram a ser quebrados. Disso deu Raymond explicação através dos médiuns de Londres, dizendo que nem sempre conseguia controlar a mesa e que havia muita travessura (não do nosso lado) que ele procurava evitar; mas que certas demonstrações mecânicas, de todo acima do poder normal dos assistentes, interessavam-no muito; e que desejava repeti-las para lição minha.

Fiz o propósito de não tratar nesta obra dos fenômenos puramente físicos, os quais requerem estudo mais profundo. Mas direi que os movimentos observados eram não só inteligentes, como impossíveis de produção normal por parte dos assistentes.

Uma sessão em família difere muito das realizadas com um profissional ou qualquer médium de fora. Informações sobre coisas caseiras surgem livremente; e o tom geral se torna o duma conversa íntima, porque na realidade não está ali ninguém que não seja da casa.

Em qualquer tipo de sessão a conversa é sobretudo unilateral, mas enquanto nas de médiuns o comunicante é o que fala quase todo o tempo, num círculo familial a coisa varia; o controle só ocasionalmente toma a palavra; a atividade maior concentra-se na afirmação e na negação – um espetáculo mudo.

Relutei em publicar um espécime destas conversas familiares mas acabei por achá-lo conveniente.

No dia de Natal de 1915 houve em Mariemont uma longa sessão muito jovial e amiga, entremeada de velhas canções que Raymond demonstrou receber com satisfação; mas só darei fragmentos.

Por essa época a mesinha usada era uma de xadrez, de três pés. Depois que num momento de excitação essa mesinha se quebrou, como também se quebrou a que a sucedeu, foi adotada uma de construção mais forte, de quatro pernas, usada exclusivamente para esse fim.


Sessão em Mariemont, a 17 de abril 1916,
anotada por Lady Lodge


Faziam música na sala de visitas. Alec e as meninas cantavam ao piano. Woodie, Honor e eu estávamos sentadas no extremo da sala; Lionel, na cadeira grande.

Era dia de reunião da Sociedade Shakespeariana, cujos membros àquela hora tomavam café na sala de jantar, com meu marido. Woodie teve intuição de que Raymond estava na sala e queria ouvi-las cantar, mas Honor foi de parecer que era muito tarde para recorrermos à mesinha, visto termos de ir logo para a sala de jantar.

Não obstante, puxei a mesa para perto do piano e fiz que Honor a ocupasse; assim que ela apoiou as mãos, a mesinha agitou-se. Também apus as minhas mãos.

Perguntamos se Raymond estava presente e se estivera esperando; a resposta foi:

Sim.

A mesinha parecia desejar música e marcava compasso. Depois de cantado uma canção da predileção de Raymond ela aplaudiu muito distinta e vigorosamente.



Lionel veio sentar-se conosco, penso que a pedido de Raymond. A mesa parecia determinada a encostar-se ao piano, embora achássemos melhor afastá-la, o que fizemos. Mas insistiu naquilo e em compasso com a música foi bater em Barbie, que estava ao piano. Alec tomou uma almofada de cetim preto e colocou-a como amortecedor. A mesa insistiu em bater e fez um pequeno furo na almofada.

Depois desviou-se, de modo a ficar fora do tapete; e lá, por um minuto ou dois bateu no assoalho. Parecia apalpar com um dos pés (tinha três).

Deslizando até um canto da sala, firmou um dos pés no ressalto do rodapé, umas 6 polegadas acima do assoalho; em seguida ergueu no ar à mesma altura os outros dois; repetiu isso muitas vezes, como que deleitada com a nova brincadeira.

Depois deitou-se no chão; perguntada se queria que a erguêssemos, a resposta foi um

Não.

batido no assoalho. Tentou várias vezes levantar-se por si mesma, mas sem encontrar forças para tanto. Chegou a erguer-se palmo e meio. Perguntada novamente se queria que a puséssemos de pé, respondeu outra vez:



Não.

Lionel falou:



Lionel – Bem, Pat, minha mão está num jeito muito incômodo; não acha melhor que levantemos a mesa?

Houve três pancadas, sinal de

Sim.

E erguemos a mesa. Eu disse então:



Lady Lodge – Raymond, quero propor uma questão teste: Qual a esfera em que você está vivendo?

(Perguntei-o porque através de Mrs. Leonard, outros haviam dito estarem vivendo na terceira esfera, chamada “Summerland”, e julguei que fosse coisa da cabeça da médium. Não gosto muito de mensagens que falam em “esferas”; não sei se significam alguma coisa; presumo que “esfera” quer dizer condição, ou estado de desenvolvimento).

Consultamos a mesa e a resposta veio imediatamente:

Summerrlodge

Depois do segundo R perguntamos se não tinha havido algum engano; e fizemos igual pergunta quando em vez do A esperado (da palavra Summerland) apareceu um O.

A resposta foi que estava certo.

A sessão continuou, embora eu deixasse de acompanhá-la por convencer-me de que havia erro.

Mas a minha surpresa foi grande quando o anotador leu o que havia escrito, isto é, Summer, R. Lodge, Raymond havia aposto a sua assinatura à palavra Summer, para mostrar, suponho, que a declaração era sua e não vinha de Feda, como imaginávamos.

(Lorna conta que a impressão que tiveram foi de que Raymond sabia que eles esperavam uma coisa, e divertiu-se em vir com outra. Todos regalaram-se com a brincadeira – e a mesinha sacudiu-se como tomada de riso).

Advertência


Acho conveniente dar aos que se julgam possuidores de forte poder próprio o conselho de moderarem-se em seu uso. Tudo que é poder está sujeito a abuso e até a simples faculdade da escrita automática pode, com as melhores intenções, ser mal aplicada. Autodomínio é coisa mais importante do que qualquer outra forma de controle, e quem quer que possua a faculdade de receber comunicações deve manter-se dono da situação. Afastar-se do discernimento próprio e ficar na dependência de ajuda adventícia constitui grave erro, suscetível de conseqüências desastrosas. Moderação e bom senso tornam-se imprescindíveis aos que procuram utilizar-se de forças que não sabem, nem ninguém sabe ao certo o que sejam. A absorção num trabalho do mundo constitui a melhor salvaguarda.



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