Oliver Lodge Raymond



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Capítulo XXVI
Visão do Universo


Qual pode ser então a palavra final? Ou: que efeito têm estas investigações sobre a minha concepção do Universo?

O caso é mais importante do que parece; porque se os fatos podem influenciar a outros, devem influenciar a mim também – e esta é a única influência da qual tenho conhecimento de primeira mão. Não se suponha que o meu ponto de vista haja mudado de modo apreciável em conseqüência da morte de Raymond e das experiências que neste livro menciono: minhas conclusões se cristalizaram por si mesmas no decurso de anos, sempre com base em experiências desta ordem. Mas o fato da morte de Raymond veio fortalecer e liberar o meu testemunho. Firma-se ele agora em experiências minhas, em vez de nas alheias. Enquanto estamos na dependência de provas ligadas à aflição de terceiros, temos que nos conservar reticentes e cautelosos – e em muitos casos, de guardar o silêncio. A exposição dos fatos depende de autorização dos seus donos – e nem sempre é conseguida. Minhas deduções de hoje são as mesmas de outrora, com a diferença apenas de que se apóiam em fatos de minha experiência pessoal.

Só uma pequena variação será notada entre o observador de outrora e o de hoje. Quando outrora me sentava à frente de um médium, eu não defrontava com fatos que me dissessem ao coração – fora os relacionados a perdas de amigos velhos. Agora, porém, se vamos, eu ou algum membro de minha família, a um médium, sem lhe darmos o menor sinal da nossa identidade, meu filho logo se apresenta e prossegue em sua clara e convincente série de demonstrações evidenciais; às vezes dando testemunhos de alto espírito crítico; às vezes contentando-se com palestras familiares ou reminiscências; mas sempre agindo de maneira coerente com a sua personalidade e os seus estados d’alma. Se num caso especial o médium mostra fraqueza, ou se advêm dificuldades de qualquer ordem, Raymond observa o fato e a ele se refere em qualquer outra oportunidade, através dum médium diferente. Em todos os casos mostra-se ansioso na produção de provas convincentes. E também revela o desejo de que não fique guardado comigo o que diz. Eis o motivo da publicação desta obra.

Estou convencido da sobrevivência da personalidade depois da morte como o estou da minha existência na terra. Poderão alegar que essa convicção não se baseia na experiência dos meus sentidos. Responderei que sim. Um cientista especializado em física não está sempre limitado pelas impressões sensoriais diretas; lida com uma multidão de coisas e conceitos para os quais seus sentidos são como inexistentes. A teoria dinâmica do calor, por exemplo, e a dos gases; as teorias da eletricidade, do magnetismo, das afinidades químicas, da coesão e até o conceito do éter levam-no a regiões onde a vista, o ouvido, o olfato e o tato são impotentes para qualquer testemunho direto. Em tais regiões tudo tem de ser interpretado em termos do insensível, do não-substancial e do imaginário. Não obstante, essas regiões do conhecimento tornam-se-lhe tão claras e vivas como as coisas materiais. Fenômenos comuníssimos requerem interpretação baseada nas idéias mais sutis – a própria solidez aparente da matéria pede explanação – e as entidades não-materiais com que os físicos jogam, gradualmente revelam tanta realidade como tudo quanto ele conhece sensorialmente. Como Lord Kelvin costumava dizer, nós de fato sabemos mais a respeito da eletricidade do que da matéria.

E como é assim, irei mais longe dizendo que estou convencido da existência de “graus do ser”, não somente mais baixos na escala do que o homem, como também mais altos – graus de toda ordem de magnitude, de zero ao infinito. E sei, por experiência, que entre os seres alguns existem empenhados em ajudar e guiar a humanidade, não desdenhando de entrar em detalhes mínimos, se desse modo podem assistir às almas que lutam por elevar-se. E creio ainda que entre esses seres elevados Um existe ao qual por instinto o cristianismo consagra reverência e devoção.

Os que julgam que a era do Messias está passada, confundem-se estranhamente; essa era mal começou. Para as almas individuais o cristianismo floresceu e deu frutos, mas para os males do mundo é ainda um remédio não experimentado. Será estranho que a horrível guerra de hoje fomente e melhore o conhecimento de Cristo e ajude a humanidade a compreender a inefável beleza de sua vida e de seus ensinamentos; entretanto, coisas ainda mais estranhas têm acontecido; e seja lá como as Igrejas se comportem, creio que a voz de Jesus ainda será ouvida por uma grande parte da humanidade, como nunca o foi até hoje.

Meu viver na terra aproxima-se do fim; pouco importa; espero não ir-me antes de dar o meu testemunho da graça e da verdade que emanam desse divino Ser, cujo amor pelos homens pode ser obscurecido pelos dogmas, mas nunca deixará de ser acessível aos meigos e humildes.

A intercomunhão entre os estados, ou graus da existência, não se limita a mensagens a amigos ou parentes, ou a conversas com personalidades do nosso nível – isto constitui uma pequena parte da verdade inteira; esse intercurso entre os estados da existência traz consigo – ocasionalmente às vezes, às vezes inconscientemente – comunhão com altíssimas almas que se foram antes de nós. A verdade dessa influência contínua coincide com as mais altas revelações feitas ao gênero humano. Esta verdade, quando assimilada pelo homem, significa a certeza da realidade da oração, bem como a certeza da simpatia ou graça d’Aquele que jamais desprezou os que sofrem, os pecadores, os humildes; e significa ainda mais: a possibilidade, algum dia, dum olhar ou duma palavra do Eterno Cristo.


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Amigo(a) Leitor(a),

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Irmão W.


Porque nós somos cooperadores de Deus.”

Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 3:9.)







1Tradução:

Há de lembrar-se, ainda hoje, alguém
de quem morreu na flor da idade
– por seu País, distante, além?
Lembrar-lhe a glória, alguém ainda há de.


Galgou sofrido o último lance
– à farda unindo o nobre ser.
Do seu heroísmo... – há alguém que alcance
o alto sentido compreender?


Inteligente, amável, forte
– em fria lousa, o nome seu.
Só chuva e vento sobre a morte.
Em terra estranha, adormeceu...


(Interpretação de Maria Elisa Corbett)

2 “7 de maio, 1915. Não creio que tenha tido muitas intuições conscientes; é sempre que sonho com vivacidade, esses sonhos nada significam, embora eu os anote – talvez por serem raros. Mas esta manhã tive uma intuição, quando ainda semi-adormecido, e foi que um ataque estava se realizando em que meu filho tomava parte, mas que “eles” o protegiam. Fiquei com isto muito claro na cabeça antes da leitura dos jornais da manhã; neles nada há que me possa sugerir a intuição porque as notícias trazidas são atrasadas. Poderão, todavia, sugerir que houve uma luta na Elevação 60 e eu sei que Raymond não está longe de Ypres.”

Em adendo a essas notas tomadas a 7 de maio, devo acrescentar que a coincidência de tempo entre o sonho e o fato é digna de nota, especialmente por ter sido o único sonho, ou “impressão” que me lembro ter tido durante a guerra. Usualmente não sonho.

Mas como esse incidente sugere a idéia dum possível pressentimento, devo declarar que nunca tive nenhum sério pressentimento a respeito de Raymond. Minha mulher confessa que sua ansiedade a respeito de Raymond, que é constante, não foi nesse dia especialmente aguda, graças à idéia de que ele seria protegido. Eis suas palavras a uma amiga, a 22 de março:

“Eu hei de tê-lo de volta em seguro. Sinto um buraco em meu coração que não se fechará enquanto não revê-lo aqui. Vi-o por uma hora apenas antes da partida, porque eu estava ausente – e ele passou aqui seis horas...”



3A 16 de julho Raymond apareceu-nos em casa de licença, obtendo grande recepção. No dia 20 voltou para o Front.

4Exemplo: um livro de nome The Gospel of the Hereafter, de Paterson Smyth, de Montreal, pode ser anunciado a todos que, embora atados aos dogmas ortodoxos, e incapazes de estudos novos, não desdenham de interpretar a fraseologia oriental e medieval à luz do espírito moderno.

5Isto relembra a frase de uma das suas cartas do Front: “Estou alegre e bem feliz como sempre. Não pensem que tenho passado mal; não tenho, não”. Datada de 11 de maio.

6Ele traz consigo uma rapariga – uma rapariga que se desenvolve no mundo do espírito. Pertence a Raymond: longos cabelos louros, belo porte, esguia, com um lírio na mão. Outra criatura que passou muito cedo: um rapaz; você não o reconheceria se o visse agora; parece da mesma idade de Raymond, mas muito espiritualizado; traz consigo um W; sabe muito pouco do plano terrestre; passou muito cedo. Estão ambos com Raymond agora. Os espíritos parecem jovens quando se passam cedo. Raymond está entre eles. [Esta revelação ajusta-se perfeitamente a dois filhos mortos, um rapaz mais velho que Raymond e uma menina mais moça].

Raymond está agora realmente feliz. E não diz isto para contentar ninguém. Está realmente feliz. Diz que isto é mais interessante do que lá na terra. Há aqui um enorme campo para o trabalho. Seu pai e ele estão fazendo muito. Ele diz: “Vou cooperar o mais que possa”. E para sua mãe: “Se for feliz, eu o serei mais ainda. Sua mãe costumava suspirar, o que exercia sobre ele mau efeito. Seu pai tem se mostrado admirável.



7Isso mostra um conhecimento positivo da sessão que de manhã eu tivera com Mrs. Cregg.

8Há aqui um jogo de palavras só compreensível em inglês: “Dormouse” é um animalzinho, o arganaz – e Feda o confunde com “dormitório”. Segue-se daí um interessante qui-pró-quó, que muito divertia Raymond e atrapalhava a pobre Feda.

9Feda tinha a mania de tratar assim Lady Lodge.

10Cristo.



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