Oliver Lodge Raymond



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Capítulo VII
Continuação da mensagem do “Fauno”


Há agora que ver como Myers cumpriu a promessa, e que passos deu para atenuar o golpe – que foi terrível. Para isto tenho de recorrer ao relato de sessões havidas aqui na Inglaterra com médiuns meus desconhecidos e assistentes que não lhes revelaram a identidade.

Poderão objetar que minha pessoa é conhecida ou pode ser suspeitada, mas a objeção não se ajusta aos membros de minha família que anonimamente assistiram às sessões arranjadas em Londres por Mrs. Kennedy, mulher do Dr. Kennedy, a qual, embora não tendo conosco nenhum parentesco, por mera simpatia promoveu esses passos.

Devo declarar que é praticamente impossível aos médiuns investigarem normalmente e porem-se a par da história das famílias dos seus numerosos clientes, e os que com eles lidam sabem que jamais procuram fazê-lo. Mas no tratar uma sessão não é fácil, salvo em casos especiais, fugir de dar nomes e endereços – o que aparentemente fornece ensanchas e fraudes.

Em nosso caso, e no dos amigos mais chegados, todas as precauções foram tomadas para o mais perfeito anonimato.


Extrato de algumas sessões anônimas


Foi a 17 de setembro que tivemos notícia da morte de Raymond; a 25 desse mês sua mãe, Lady Lodge, que estava em sessão com Mrs. Leonard, por esse tempo ainda não nossa conhecida, recebeu a seguinte comunicação por intermédio da mesinha, aparentemente vinda de Raymond:

– “Diga a papai que encontrei alguns amigos seus aqui.”



Mrs. Lodge – Pode dar algum nome?

O comunicante – Sim. Myers.

(Foi só o que a respeito ocorreu nessa sessão).

A 27 de setembro fui a Londres e tive, entre meio dia e uma hora, minha primeira sessão com Mrs. Leonard. Entrei em seu apartamento sozinho, como um estranho para o qual um encontro fora anonimamente marcado. Antes de começarmos, Mrs. Leonard informou-se que o seu “guia” era uma jovem de nome “Feda”.

Logo depois que a médium caiu em transe, um moço foi descrito em termos que claramente lembravam Raymond, e “Feda” transmitiu mensagens. O “Paul” nelas referido é o filho morto do casal Kennedy, a quem seus pais pediram que ajudasse a Raymond, caso pudesse. Paul já por diversas vezes comunicara-se com sua mãe por intermédio de Feda. Do relato dessa sessão cito o seguinte:



Feda – Há alguém aqui ainda em dificuldades; não plenamente refeito; aspecto juvenil; de forma como um lineamento; ainda não aprendeu como equilibrar-se. É um moço de altura um tanto acima da mediana; bem construído, nada espesso ou pesado; bem construído. Mantém-se bem. Não está aqui de muito tempo. Cabelo entre cores. Não me é fácil descrevê-lo, porque ainda não se construiu solidamente como outros o fazem. Tem olhos pardos; cabelos castanhos e curtos; cabeça bem modelada; sobrancelhas também castanhas, não muito arqueadas; nariz bem feito, reto, um pouco mais largo nas narinas; boca bem desenhada e grande, mas não parece grande porque ele traz os lábios apertados; mento não muito forte; rosto oval. Não está ainda completamente construído, mas é como se Feda o conhecesse. Deve estar aqui à vossa espera. Neste momento olha para Feda e sorri; dá uma larga risada como que brincando, e Paul ri também. Diz Paul que ele já esteve aqui, que ele, Paul, o trouxe. Mas Feda vê centenas de pessoas que me dizem que este veio muito recentemente. Sim, já o vi antes. Feda liga a ele uma letra. A letra R.

Ela já veio ver-vos antes, e diz que pensou que sabíeis que ele estava aqui. Feda o apreende por impressão; não é sempre o que ele diz, mas o que ela sente; mas Feda diz que “ele sabe”, porque ela apanhou isso dele.

Ele acha-o difícil (diz), mas encontrou muitos amigos que o ajudam. Quando despertou não supôs que fosse ser feliz, mas sente-se feliz agora e diz que o vai ser mais ainda. Sabe que logo que esteja pronto terá muito trabalho a realizar.

“Eu queria saber, diz ele, se serei capaz de executá-lo. Dizem-me que serei”.

“Tenho comigo instrutores e professores”.

Agora está procurando construir uma letra de alguém. Mostrou-me um M.

Parece conhecer os trabalhos a fazer. O primeiro será cooperar no Front; não acudindo aos feridos, mas ajudando aos que a guerra faz passar. Sabe que quando eles passam e despertam, ainda sentem um certo medo e... outra palavra que Feda perdeu. Feda ouve qualquer coisa como “medo”. Muitos continuam lutando, ou pelo menos querem continuar; não acreditam que tenham passado. De modo que vários são requeridos onde ele agora está, para explicar a situação aos “passados” e ampará-los. Não sabem onde estão, nem para que estão aqui.

“Pensam que digo que sou feliz apenas para fazê-los felizes, mas não é assim”.5

Tenho encontrado centenas de amigos. Não os conheço a todos. Tenho encontrado muitos que me dizem isto e mais tarde me explicarão por que estão me ajudando. Tenho dois pais agora, mas não é como se houvesse perdido um e ganho outro. Tenho-os a ambos. O meu velho pai e outro – um pai pro tem. (Mais tarde “Myers” declarou que o havia “adotado”).

Um peso saiu da sua cabeça há um ou dois dias; sente-se mais vivo, mais leve, mais feliz ultimamente. Houve confusão a princípio. Ele estava desorientado, não sabia onde se encontrava. “Mas não demorou muito, e penso que fui afortunado; não demorou muito para que me explicassem onde estou”.

Feda sente como que uma risca em redor da cabeça dele; sente-lhe uma forte sensação na cabeça e também uma espécie de sensação vazia, como se algo houvesse saído. Uma sensação de vazio ali; também uma sensação quente na cabeça. Mas ele não sabe que está dando essa impressão. Não faz de propósito; eles têm procurado fazê-lo esquecer, mas Feda percebe. Há também nele um barulho, um terrível barulho que corre.

Ele agora perdeu tudo isto, mas não sabe que Feda o sente. “Estou ótimo, diz, sinto-me ótimo! Mas sofri no começo, porque queria tornar claro aos que deixei que tudo ia bem e que eles não deviam sofrer por minha causa”.

Acaba de retirar-se, mas Feda vê alguma coisa simbólica; vê uma cruz caindo sobre vós; muito escura, caindo sobre vós; escura e feia; e à medida que cai retorce-se e aparece toda luz, a luz brilha sobre vós. É uma espécie de azul pálido, mas fica completamente branco quando vos toca. Sim, é o que Feda vê. A cruz parecia escura, mas subitamente se retorceu e ficou uma bela luz. A cruz é um meio de esconder a luz real. Vai ajudar muito... Vosso filho é a cruz de luz, e vai ser uma luz que vos ajudará; vai ajudar-vos a provar a Verdade ao mundo. Por isso é que eles constroem a cruz escura que vira luz. Vós sabeis, mas outros também querem saber. Feda está desaparecendo. Adeus.

Assim terminou a primeira sessão de Mrs. Leonard a 27 de setembro.

Nesse mesmo dia Lady Lodge teve a sua primeira sessão anônima com Mr. Vout Peters, em casa de Mrs. Kennedy, às 3:30.

Novamente Raymond foi descrito com muito acerto e várias mensagens identificadoras foram transmitidas. Moonstone, o “guia” de Peters, perguntou: “Não lidava ele com Química?” Na realidade meu laboratório é sobretudo químico. Eis aqui o relato da sessão, com anotações entre parêntesis:

Não lidava ele com química? Se não, algum associado lidava, porque vejo tudo num laboratório de química. Esta coisa de química afasta-me dele para aproximar-me dum homem vivo em carne (eu, provavelmente); vejo ligado a ele um homem, um escritor de versos, intimamente interessado em espiritualismo. Era de muito valor – e também deixou a Inglaterra (aqui Myers, que morreu em Roma, aparece claramente). Esse homem que escreve poesias já se comunicou várias vezes. Vejo a letra M, e ele está ajudando o vosso filho a comunicar-se (a presença e a ajuda de Myers também foi mencionada por Mrs. Leonard).

Está construído em condições químicas. Se vosso filho não conheceu esse homem, foi dele conhecido (sim, Raymond, dificilmente tê-lo-ia conhecido porque só tinha 12 anos quando Myers morreu).

Atrás do homem que tem o M e escreveu poesias está todo um grupo de pessoas (o grupo da S. P. R., certamente). Todos muito interessados. Não me surpreenderei se receberdes mensagens dessas pessoas, ainda que vossas desconhecidas.

(Aqui Moonstone parou e disse:) É tão importante o que vou agora dizer que quero ir devagar, para que sejam claramente escritas todas as palavras: Não só é a separação tão leve que podeis ouvir os operadores do outro lado, como um grande rombo foi nela aberto. Esta mensagem é para o homem do laboratório de química.

(Considerado o fato de que minha mulher era completamente desconhecida do médium, temos aqui uma mensagem identificadora de notável valor evidencial. Reporto-me ao meu livro A sobrevivência do homem, onde há esta passagem: “A fronteira entre os dois estados, o conhecido e o desconhecido, é uma parede grossa, mas que vai se afinando em certos pontos; e, do mesmo modo que escavadores de um túnel partidos dos dois extremos, estamos começando a ouvir, aqui e ali, os golpes das picaretas dos nossos camaradas do outro lado”).

A subseqüente referência a Myers veio a 29 de outubro, quando, de modo inesperado, tive uma sessão com Peters, num aposento de Londres – sessão anonimamente arranjada por Mr. J. A. Hill.

Peters caiu em transe e depois de algumas comunicações apanhou a mensagem dum moço, pelo guia identificado como Raymond; esse guia, Moonstone, falou assim:

M. – O sensato método de vossa família abordar o assunto tem sido o meio de ajudá-lo a voltar, como o tem feito. Se não viesse a saber o que lhe dissestes, ser-lhe-ia difícil voltar. Ele mostra-se muito firme no que diz. Conheceis F. W. M.?

Lodge – Sim, conheço.

M. – É que vejo estas três letras. Depois delas vejo S. T. e um ponto; e depois, P. Foram-me mostradas essas letras. Vejo-as em luz. Vosso rapaz mostra-me essas coisas.

Lodge – Sim, compreendo (significando que percebo a alusão ao poema Sr. Paul, de F. W. H. Myers).

M. – Ele me diz: F. W. M. ajudou-me muito, mais do que supondes.

Lodge – Abençoado seja!

M. – Não, o vosso rapaz ri-se e teve motivo para isso: não penseis que foi caridade; teve outro motivo e julga que fortalecendo a vossa personalidade podeis agora realizar o que desejais realizar: atacar os equívocos dos tontos, e fazer da Society a Society, diz ele – fazê-la de valor para o mundo... Compreendeis?

Lodge – Sim.

M. – Agora diz “Ajudou-me porque comigo e por vosso intermédio pode romper a barreira que essa gente ergueu. Mais tarde ireis falar com eles. Já está no programa e por minha causa ireis quebrar a oposição”. Em seguida diz: “Por amor de Deus, meu pai, fazei-o! Porque se soubésseis e pudésseis ver o que vejo: centenas de homens e mulheres de corações partidos. E se pudésseis ver neste lado os rapazes, vós vos lançaríeis com todo o ímpeto nesse trabalho. Podeis fazê-lo”. Ele está muito sério. Oh, ele quer... Não ! tenho de interrompê-lo, não quero que controle o médium. Não pense mal de mim, mas tenho de proteger o médium; ele não seria capaz de fazer o trabalho que tem a fazer; o médium não o suportaria, devo protegê-lo; a emoção seria muito grande, muito grande para ambos, de modo que tenho de evitar que ele controle o médium.

Ele compreende mas quer que vos diga que a sensação de “passar” foi de intenso desapontamento; ele não tinha idéia da morte. (pausa).



* * *

Este é um tempo em que homens e mulheres estão com a crosta rompida; a crosta de convenção, de... de indiferença, foi rompida, e todos pensam, embora alguns egoisticamente.

Agora, retornando a ele, que paciente que é! Não foi sempre assim paciente. Depois da aflição teve um brilho de esperança, porque compreendeu que ia voltar a vós; e porque sua mãe veio ter com ele. E vieram outros. Myers – “Myers”, parece que é assim; sabe quem é? – veio ter com ele e então ele viu que podia retornar. Ele sabe.

Agora quer que vos diga isto: Que de sua morte, que é uma em milhares, que o trabalho que ele quer fazer... (procuro traduzir sua idéia com palavras, não as apanho verbatum (sic) não, não é isto! O que ele diz é que o trabalho em que ele se alistou será levado avante pelo simples fato da sua morte. Agora apanhei a idéia: Ele quer dizer que com sua morte, milhares se beneficiarão. É isso.



* * *

Mais uma observação sobre a mensagem do Fauno. Espero que o leitor compreenda que os extratos de sessões foram reproduzidos acima, a fim de mostrar que Myers cumpriu a promessa da mensagem e atenuou o golpe com a ajuda que deu a meu filho no “outro lado”, assistindo-o e facilitando-lhe a comunicação com a família. Vou agora dar outros extratos de caráter mais evidencial, tendentes a estabelecer a sobrevivência da personalidade e da memória de meu filho. Ocorreram vários episódios evidenciais, mas escolherei um relativo a certa fotografia, da qual não tínhamos nenhum conhecimento antes do que soubemos por intervenção de dois médiuns.




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