Omar cardoso o fim dos tempos



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OMAR CARDOSO
O FIM DOS TEMPOS
1975
Não poderia deixar de estar com Nietzsche que disse: "... e eu não saberia viver se não fora um visionário das coisas que em breve hão de vir".

O filósofo alemão, conhecendo o Eclesiastes afirmou, também, que "todas as coisas têm seu tempo, e todas elas acontecem porque passam debaixo do céu, segundo a época que a cada uma foi prescrita."

Salomão, a quem se atribui o Eclesiastes, o livro sapiencial, diz ali: NIL NOVI SUB SOLE (Não há nada de novo debaixo do céu).

De minha parte, ao ser instado a explicar e comentar as profecias de Nostradamus e algumas outras sobre o próximo "O Fim dos Tempos", que se avizinha cada dia que vivemos, pois começará com a eclosão da III GUERRA MUNDIAL, quando forças do Oriente invadirão o Velho Mundo,- fi-lo por conhecer bastante bem a obra profética desse que foi O MAIS SÁBIO ASTRÓLOCO E O MAIS BEM DOTADO PRESCIENTE DE QUE SE TEM NOTÍCIA. Tais revelações, desde sua publicação em 1555 estarreceram os que delas tiveram conhecimento, devido os acontecimentos pressagiados terem se realizado com absoluta precisão matemática, daquela a esta data.

É importante notar ainda que no prefácio de sua primeira edição escreveu ele que "... OS HOMENS QUE VIEREM DEPOIS, CONHECENDO OS ACONTECIMENTOS QUE SE TERÃO REALIZADO INFALIVELMENTE, SABERÃO QUE OS QUE RESTAM, REALIZAR-SE-ÃO TOTALMENTE, TAMBÉM".

Na Centúria X, quadra LXXII, Nostradamus escreveu:


L'AN MIL NEUF CENTS NONANT NEUI SEPT MÓIS

DU CIEL VENDRA UN CRAND ROY DEFFRAYEUR

RESSUCITER LE CRAND ROY D'ANCOULMOIS

AVANT APREÉS MARS RECNER PAR BON HEUR.


No ano mil novecentos e noventa e nove, no sétimo mês,

Do céu virá um grande reino de terror,

Ressuscitar o grande reinado d'Angoulmois,

Depois de Marte ter reinado longo tempo.


A interpretação dessa quadra profética tem sido controvertida pelo sentido que lhe deram muitos autores, mas, parece bem clara quanto a dotação do tempo: 1999 indica realmente "O FIM DOS TEMPOS".

As outras profecias aqui comentadas, além das de Nostradamus, confirmam seus presságios.

Michel de Notre-Dame, conhecido pelo nome latinizado com que assinou suas célebres CENTÚRIAS, Nostradamus, nasceu em 14 de dezembro de 1503, ao meio-dia. O Sol se encontrava no terceiro decanato do signo de Sagitário. Sua mãe, chamava-se Renée de Saint-Remy e o lugarejo da Provença, no sul da França, tinha o nome familiar de sua mãe: Saint-Remy.

Era doutor em medicina, pela Universidade de Montpellier, onde defendeu tese também em filosofia. Fazia parte da Ordem Terceira de São Francisco, tendo escrito as CENTÚRIAS, quando, após ter enviuvado, fez um longo retiro espiritual no mosteiro belga de Orval.

Famoso e conceituado médico, passou grande parte de sua vida a minorar o sofrimento do próximo.

A primeira edição de suas profecias apareceu somente em 1555, em Lion. Outras depois se sucederam, correndo sua fama por toda a Europa.

Morreu em Salon, a 2 de julho de 1566, sendo sepultado na capela do Convento de Cordeliers. Em seu jazigo há este epitáfio gravado em latim:

Jaz aqui, Michel de Nostradamus, o único mortal cuja pena foi quase divina, digna de interpretar pelos astros os futuros acontecimentos que se darão no mundo inteiro. Viveu 62 anos, 6 meses e 7 dias. Que a posteridade não perturbe seu repouso.

Nas páginas deste livro, sobre "O FIM DOS TEMPOS", você saberá por que NOSTRADAMUS, em seu tempo, não pôde tornar facilmente compreensíveis suas impressionantes profecias. Escreveu na carta a seu filho César e na Centúria I, que aquelas, em ordem cronológica, estão esclarecidas perfeitamente num livro que só será encontrado 500 anos depois de sua morte, portanto, no ano 2.066.

Omar Cardoso


O FIM DOS TEMPOS
"O Fim dos Tempos" nos apresenta um panorama perfeito do mundo em seus momentos de maior agitação, assim como explica os grandes transes por que passou a humanidade; as guerras, as lutas políticas, as crises econômicas, as conturbações sociais e religiosas.

Toda a história do mundo, em suas constantes transições e em seus mais dramáticos instantes, vem a lume através das páginas de uma das mais notáveis obras de todas as épocas — AS PROFECIAS DE NOSTRADAMUS — que têm atraído às livrarias multidões sem conta, desde o seu lançamento há mais de 400 anos.

OMAR CARDOSO, incontestável conhecedor da ciência astrológica, apresenta-nos estudo sobre a obra daquele poderosíssimo autor que, nestes últimos séculos, agrupa em torno de seus enigmáticos escritos milhões de leitores ávidos, espalhados por todo o mundo.

NOSTRADAMUS, considerado o maior astrólogo e presciente dos tempos modernos, por demais conhecido, tem sua obra imorredoura complementada por sábias e conscienciosas explanações feitas por quem é talvez um dos seus maiores conhecedores.

Estamos certos que o leitor ou a leitora, saberá compreendê-los isoladamente, isto é, NOSTRADAMUS, como um gênio universal notabilizado por um poder quase sobrenatural de predizer, e, OMAR CARDOSO, como um estudioso da sua monumental obra, atendo-se a ingente tarefa de explicá-la, de forma compreensível, a todos.

Esclarece-nos, também, entre outras profecias santas e profanas, as de São Malaquias e de São João Evangelista.

O Editor
"Para profecias, há crédulos e incrédulos. Os crédulos são tolos que aceitam tudo e não discutem nada. Os incrédulos, querendo parecer aos outros superiores, discutem tudo e não aceitam nada."
ÍNDICE
CAPÍTULO I....................................... 13

CAPÍTULO II....................................... 22

CAPÍTULO III....................................... 36

CAPÍTULO IV....................................... 49

CAPÍTULO V....................................... 56

CAPÍTULO VI....................................... 75

CAPÍTULO VII....................................... 80

CAPÍTULO VIU....................................... 88

CAPÍTULO IX....................................... 95

CAPÍTULO X....................................... 107

CAPÍTULO XI..................................... 117

CAPÍTULO XII....................................... 130

CAPÍTULO XIII....................................... 156

CAPÍTULO XIV....................................... 187




CAPÍTULO I
Em "A PROFECIA E O FIM DOS TEMPOS", Leoni Kassef, diz: "Hoje a existência da humanidade, oferece um contraste maior que em qualquer outra época da história, entre a exterioridade brilhante de um mundo superficialmente feliz e a inquietação profunda que lavra nos espíritos e neles instala a ansiedade ou a revolta, a preocupação pelo destino de nossa geração ou a agressividade ante as crescentes restrições impostas, por causas controvertidas, à livre expansão da vida contemporânea.

Aparentemente os povos atravessam uma dessas crises, agudas, mas comuns, que de tempos a tempos, a história registra, SEM REGULARIDADE DEFINIDA e que poderá culminar como tantas outras, no encerramento de um e na abertura de outro ciclo convencional de civilização.

Na realidade, o gênero humano ingressou, sem o pressentir, no período das mais graves decisões, sem paralelo no passado, de que só pode dar idéia a sua própria prefiguração, desde milênios traçada no Livro dos Profetas.

Assim como nenhuma idade anterior poderia sugerir a intensidade dos acontecimentos, a rapidez e a amplitude das transformações, nos tempos modernos, identicamente, não possuímos termos objetivos de comparação entre os sucessos da primeira metade do nosso século e os do iminente porvir, entre a fase atual de progressivas e generalizadas conturbações e o seu momento culminante, que constituirá, por certo, a suprema prova da capacidade de resistência e de sobrevivência dos povos".

Com os elementos proporcionados pela história podemos compor, quase perfeitamente, uma cronologia dos fatos principais da humanidade desde muitos séculos antes de Cristo até os dias presentes.

Observando, como temos feito, suas íntimas relações através dos tempos passados podemos, com os momentos que estamos vivendo neste limiar do FIM DOS TEMPOS, pressupor o que o futuro nos reserva e a toda a humanidade. Só assim, poderíamos responder a pergunta do autor citado: "PARA ONDE VAI A HUMANIDADE E, PARA ONDE A IMPELE A IMPETUOSA ARREMETIDA DE INCONTROLÁVEIS EPISÓDIOS, QUE SOAM COMO ECOS DE PRÓXIMA E INEVITÁVEL TEMPESTADE? QUE SERÁ DOS HOMENS E DO MUNDO, QUE SUCEDERÁ A NOSSA CIVILIZAÇÃO, QUANDO ESSA TEMPESTADE OS ACOMETER COM TODA A VIOLÊNCIA DE APOCALÍPTICO FUROR?"

O termo apocalíptico, por si só é profético. APOCALIPSE, em grego, quer dizer ação de descobrir, de revelar. Designa o LIVRO DO APOCALIPSE, que contém a revelação dos destinos da humanidade, o FIM DO MUNDO atual e o início de uma era de justiça, segundo foi revelado a S. João, o Evangelista, na ilha de Patmos, no tempo do último dos doze césares, TITO FLÁVIO DOMICIANO, imperador romano do ano 81 ao ano 96 da nossa era.

Os protestantes dedicam-se mais que quaisquer outros, ao estudo das palavras proféticas da Bíblia. Dizem estarmos nos aproximando celeremente do grande dia, que as decisões da eternidade enfrentam-nos e que terá logo expirado o tempo da graça, quando não haverá mais misericórdia. A história das nações e a seqüência de impérios, em ordem consecutiva, foram biblicamente delineadas até o fim. Começando seiscentos anos antes de Cristo, eles estudam, passo a passo, de reino a reino, de acontecimento a acontecimento, até as cenas finais da história deste mundo. Atêm-se ao que Deus disse: "Temos mais segura a palavra dos profetas, às qual fazeis bem de atender, como a uma candeia que alumia num lugar escuro, até que o dia esclareça e a estrela d'alva surja nos vossos corações". (S. Pedro 1-19). As profecias foram-nos dadas para que, saibamos que ponto da história do mundo estamos vivendo.

A Bíblia apresenta um conjunto de profecias. Todas são importantes, principalmente a que se encontra no capítulo 7 do livro de Daniel, em que Jesus disse: "Quando, pois, virdes a abominação da desolação, predita pelo profeta Daniel, estabelecida no lugar santo". (S. Mateus 24-15). Nesse capítulo notam-se os marcos que se estendem através dos séculos, indicando o caminho futuro da humanidade, no cumprimento dessa profecia. No versículo 1-3, de Daniel está dito que, "no primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, teve o profeta um sonho que relatou: Vi que os quatro ventos do céu, combatiam no mar grande. Os quatro animais vistos pelo profeta são símbolos de quatro reinos que deveriam surgir, como diz o versículo 17, que assim reza: "Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da Terra". E para mostrar que eles não representam meramente reis, mas sim reinos, diz o anjo, no versículo 23: "O quarto animal será o quarto reino na Terra." Ventos denotam lutas, comoções políticas e guerra. (Jeremias 25-32 e 33). Mar ou águas simbolizam povos e nações. "O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; eu olhei até que lhe foram arrancadas as asas, e foi levantado da terra, e posto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem".

A Babilônia é apropriadamente representada por um leão, o rei dos animais, denotando a glória daquele reino. As asas de águia representam a rapidez de suas conquistas e o grande orgulho de seus monarcas. O arrancar das asas pode referir-se à humilhação do orgulhoso monarca da Babilônia, ou a covardia de Belsazar, que, em vez de atacar e repelir o inimigo como um leão, fechou-se na cidade, banqueteando-se e embebedando-se com os nobres de sua corte, até ser morto e dar seu reino aos Medas e Persas. (Daniel 5-1 a 31). "Continuei olhando a visão, e eis que o segundo animal semelhante a um urso, se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes. E foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne". O urso representa o reino Medo-Persa, que sucedeu à Babilônia, em 539 A.C. Foi um reino notável por sua crueldade e sede de sangue. As três costelas na boca desse urso simbolizam evidentemente as três grandes potências conquistadas pelo reino Medo-Persa: a Babilônia, Lídia e Egito. À Média-Pérsia submeteram-se populosos reinos. Assuero, ou Artaxerxes, reinou sobre cento e vinte e sete províncias. "Depois disto, eu continuei olhando, e eis que outro animal, semelhante a um leopardo, e que tinha quatro asas nas costas e quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio". O leopardo é o símbolo da Grécia, que submeteu a Média-Pérsia em 381 A.C. As quatro asas denotam a rapidez de suas conquistas, sob o domínio de Alexandre, o Grande. O império grego só manteve sua unidade durante a vida de Alexandre. Ao terminar esta sua brilhante carreira por morte repentina, foi o império dividido entre seus quatro principais generais, representados pelas cabeças do leopardo. Cassandro ficou com a Macedônia e a Grécia, ao ocidente; Lisímaco ficou com a Trácia e as regiões asiáticas no Hellesponto e Bósforo; a Ptolomeu coube o Egito, a Líbia, a Arábia, a Palestina, Cele-Síria, ao sul; e Seleuco obteve a Síria e o resto dos domínios alexandrinos no Oriente.

Depois disto, prossegue o relato, eu continuava olhando as visões da noite, e eis que o quarto animal, terrível, espantoso e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro, devorava, fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres". O quarto animal representa o império romano, que conquistou a Grécia em 168 A.C. O acréscimo de cabeças, asas ou chifres, a qualquer fera encontrada na natureza, não bastaria para torná-la um símbolo apropriado desse poder. Esse quarto animal era diferente de todos os outros, de aspecto indescritível, diverso de qualquer animal existente. "Estando eu considerando os chifres, eis que entre eles subiu outro pequeno, diante do qual, três outros foram arrancados; e eis que neste pequeno havia olhos, como olhos de homem, e uma boca que falava grandiosamente".

O profeta observou os dez chifres. Estes representam as dez partes nas quais foi dividido o Império Romano, entre os anos 351 e 476 depois de Cristo, vindo a pertencer aos seguintes povos: os Alemães (1), os Francos (2), os Burgundos (3), os Vândalos (4), os Suevos (5), os Visigodos (6), os Saxões (7), os Ostrogodos (8), os Lombardos (9) e os Hérulos (10). Viu Daniel uma pequena ponta de chifre abrindo caminho por entre as dez, e arrancar três deles. Esse chifre, pequeno a princípio, mas depois mais forte que seus companheiros representa o Vaticano, que se viu plenamente estabelecido em 538 depois de Cristo. Os reinos "arrancados" para lhe dar lugar foram os Hérulos, os Vândalos e os Ostrogodos.

Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos e um Ancião de Dias se assentou em um deles; sua roupa era branca como a neve e o cabelo como a lã limpa. Do seu trono saíam chamas ardentes; um rio de fogo saía diante dele; milhares e milhares e milhares o serviam, e milhões e milhões estavam diante dele: assentou-se o juízo e abriam-se os livros. Essas palavras referem-se em termos claros ao Juízo Final. O Ancião de Dias, Deus — Todo Poderoso — assume o trono do juízo. Os que se acham em sua presença, servindo-o, não são homens, mas anjos. (Daniel 7-10; Apocalipse 5-11).

Essas palavras proféticas vieram de Daniel, jovem cativo hebreu, na corte da Babilônia. O rei era o grande Nabucodonosor. O tempo foi aproximadamente, 603 antes de Cristo. Certa feita, Nabucodonosor teve um sonho sobre uma estátua muito grande e de excelso esplendor. A cabeça era de ouro fino, o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de cobre, as peritas de ferro, os pés parte de ferro e parte de barro. O rei estava vendo isto em seu sonho, quando uma pedra foi cortada por mão invisível, destruindo a estátua. Todavia, ao despertar pela manhã esquecera completamente o assunto rio sonho, embora houvesse ficado profundamente impressionado, certo de que sonhara alguma coisa de importância toda especial. Em vão fez tudo que pôde para lembrar-se do sonho. Grandemente irado, mandou chamar todos os sábios, da Babilônia para lhe revelarem o sonho esquecido, mas ninguém soube fazê-lo. Ainda mais enfurecido, Nabucodonosor ordenou a execução de todos eles.

Sabedor disso, Daniel, orou a Deus para que lhe revelasse o segredo e, em resposta a sua oração, o Senhor lhe mostrou a estátua, dando-lhe o significado da mesma. Então, confiante, pediu para ir à presença do rei. Este, ao ver revelado, afinal, o sonho que tanto o impressionara sentiu-se preso de verdadeira alegria. Era uma coisa maravilhosa. Um jovem desconhecido, cativo trazido de Jerusalém, realizar aquilo que os mais sábios da Babilônia não lograram fazer.

A honra não cabia, porém, ao jovem cativo, mas a Deus. Conforme ele próprio reconhecera, ao dirigir-se ao rei: "Há um Deus nos céus, que revela os segredos. Foi Ele quem fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser o fim dos tempos".

O segredo da estátua dizia respeito ao futuro, ao que "há de ser". Dava um esboço da história universal relativo aos séculos futuros, tratando das vicissitudes das nações e dos poderes políticos, até ao estabelecimento, afinal do governo mundial.

Tendo relatado o sonho, o jovem profeta passou a dar a interpretação. Daniel disse: "Tu, ó rei, és rei de reis: pois o Deus te tem dado o reino, o poder, a força e a majestade. Ele os entregou na tua mão e fez que dominasses sobre todos; tu és a cabeça de ouro!" O rei sentiu-se muito feliz, mas um vinco de ansiedade esboçou-se-lhe na fisionomia quando Daniel prosseguiu: "E depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro, de metal, o que terá domínio sobre toda a Terra. E o quarto reino é forte como ferro, pois, como o ferro que tudo quebra, ele esmiuçará e quebrantará!"

Desta sorte, Babilônia, pensou Nabucodonosor, não permaneceria para sempre. Teria que ceder o lugar a outro reino, e este a outro, até chegar ao quarto. Haveria uma queda, na ordem decrescente, quanto ao valor dos metais: do ouro para a prata, depois para o bronze e afinal para o ferro.

Mas por outro lado, haveria aumento, na ordem crescente, no tocante ao poderio. E quanto aos pés, com aquela estranha mistura de ferro e barro, que significava?

Daniel declarou: ''E, quanto ao que viste dos pés e dos dedos, parte de barro e parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado ao barro. E como os dedos dos pés eram parte de ferro e parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro.

E aquela pedra misteriosa, caindo sobre a estátua, de modo a reduzi-la a pó, que significa? Deve ter perguntado o rei.



"Da maneira como viste que da montanha uma pedra foi cortada sem mãos humanas, e ela esmiuçou o ferro, o cobre, o barro a prata e o ouro, Deus fez saber ao rei o que há de ser depois disto; e certo é o sonho, e fiel a sua interpretação".

Ante o assombro de Nabucodonosor, o profeta Daniel descreveu-lhe com a presciência que Deus o dotou, o vasto panorama futuro da história universal. O rei, entre crédulo e incrédulo, ouviu-o dizer dos três impérios que se sucederiam ao reino áureo de seus dias. Como conta Artur S. Maxwell, em A BOMBA ATÔMICA E O FIM DO MUNDO, embora Daniel e Nabucodonosor não soubessem os nomes desses impérios, mesmo assim observaram com interesse o aparecimento e a queda da Medo-Pérsia, Grécia e Roma. Viram, centenas de anos antes, a divisão do Império Romano em dez partes, formando as nações da Europa atual. Contemplaram, também, a luta entre esses povos, com poderosos conquistadores buscando, em desespero mesmo, mas em vão, uni-los de novo em um grande todo. Viram, embora não pudessem dar os nomes correspondentes, todas as guerras com as quais, depois de sucedidas, nos achamos, presentemente, familiarizados. De sua posição tão vantajosa, antes que a História as registrasse observaram as conquistas de Carlos Magno, de Carlos V, de Napoleão e de Hitler, assim como o desenlace fatal de todos os que desejaram dominar o mundo. E então, nos "dias destes reis", na época das lutas e divisões da Europa, viram alguma coisa que lhes alegrou os corações. Repentinamente, sobre a triste cena de confusão do mundo, surgiu uma luz cujo brilho era mais intenso que o do Sol, e, das cortes da glória, Deus desceu dos céus, nas nuvens, das alturas, para estabelecer Seu reino eterno. Contemplaram como, numa revelação de majestade e poder além de toda a imaginação humana, pondo termo às lutas e dificuldades deste mundo, acabou com o reinado dos homens maus, e varreu da face da Terra todos os destroços e ruínas de seis mil anos de fracassos da humanidade, Foi realmente uma maravilhosa revelação e, olhando para trás, mais de vinte e cinco séculos passados, podemos dizer que a interpretação do sonho, dada por Daniel a Nabucodonosor, foi, de fato, certa e segura... Tanto quanto se refere a acontecimentos já ocorridos, nos mínimos pormenores, a profecia tem-se provado exata. E tudo quanto está por cumprir-se é justamente a destruição das nações, e o estabelecimento de uma nova era. A profecia declarou que haveria quatro impérios mundiais, e isto se cumpriu. Predisse que o quarto império mundial seria dividido em dez partes, e no tempo determinado apareceram as dez divisões. As nações originadas do quarto império seriam sempre divididas e jamais se misturaram, como o ferro e o barro não se misturam. Os campos de batalhas da Europa, com suas lutas sangrentas, corroboram esta verdade. Esforços e mais esforços foram feitos, no sentido de "misturar" o ferro com o barro, mas nada conseguiu que ficassem ligados. E o sucessivo fracasso de todos os que desejavam obter o predomínio da Europa e de outros continentes, assim como tudo quanto têm procurado fazer para unir as nações do globo, sempre em lutas e desinteligências, servem de eloqüente testemunho da profecia inspirada. Essa grande profecia esclarece muitas questões que nos preocupam, resolvendo-as para sempre. Tomemos, por exemplo, o caso do próximo futuro do mundo. Muitas pessoas ficam apavoradas, só em pensar que a Rússia, com sua doutrina marxista, já exercendo grande influência sobre vários países desde a guerra passada, em momento oportuno venha a dominar, senão todo, pelo menos parte do mundo. Aos olhos humanos, isto não é coisa impossível. Mas à luz da profecia de Daniel, nunca se realizará tal coisa. A Europa, a África e a própria Rússia, têm agora um inimigo maior: o perigo amarelo, vindo do Oriente. Nos dias negros da guerra, em 1940, quando a França havia sido derrotada, e a Inglaterra lutava sozinha, quando a causa aliada parecia perdida, escrevi, em SIGNS OF THE TIMES, estas palavras: De uma coisa estamos bem certos, e esta é de que a profecia não falhará. Quando "a atual e aparentemente irresistível força do invasor se gastar, as antigas nações do império romano se restabelecerão de novo. Depois que a generalizada erupção de ferro cessar, os elementos de barro reaparecerão, partindo-se e quebrando a massa de metal em suas antigas partes. Os limites poderão ser alterados, num ou noutro lugar, mas as linhas das fronteiras serão restauradas... Os tiranos, os ditadores, os invasores, os conquistadores não serão bem sucedidos. Nem permanecerão por muito tempo, de forma alguma. E pouco importa que sejam alemães, italianos, franceses ou "espanhóis, seus planos de predomínio da Europa estão voltados ao fracasso e à ruína. Poderão obter triunfo temporário. Poderão ocupar a Holanda, a Bélgica, a França e todos os Estados balcânicos. Poderão derramar a morte e a destruição sobre a Inglaterra. Contudo, surgirão forças que os destruirão, afinal. Desafiando-os fortemente, as palavras da profecia antiga brilham, como que em letras de fogo, através das densas nuvens da tempestade destes tempos turbulentos: NÃO SE LIGARÃO UM AO OUTRO.

Hoje, com o poder do eixo completamente destruído e seus exércitos inteiramente derrotados, ainda nos voltamos para essa assombrosa profecia, agradecemos a Deus por sua maravilhosa proteção. Não esqueçamos, também, que mais do que a pertinácia da Inglaterra, ou do que o empreendimento e a produção dos Estados Unidos, ou mais do que as múltiplas contribuições de guerra das nações aliadas, foram as sete pequeninas palavras que derrotaram a Hitler, Mussolini e outros: "NÃO SE LIGARÃO UM AO OUTRO". Mais do que a eloqüência de Churchill, mais do que a habilidade política de Roosevelt, mais do que toda a sabedoria dos estadistas, generais, almirantes, cientistas e engenheiros, mais do que a bomba atômica, foi esta resumida declaração profética, feita há vinte e cinco séculos, que produziu o colapso do imenso plano de dominação mundial.

E, se for preciso, ainda acontecerá o mesmo outra vez. Pouco importa qual seja a potência que pretenda dominar, certo é que esse plano fracassará. Hoje, tem-se as Nações Unidas. Ontem, tinha-se a discussão da organização dos "Estados Unidos da Europa". Se bem que recomendáveis como são, não podem alcançar êxito, porém. Não haverá recursos humanos capazes de unir os países, porque a profecia diz: Não se ligarão um ao outro. Se a Europa não pode, como não poderá ficar unida, pela pretensão atual de De Gaulle, por exemplo, como poderá unir-se o mundo? Não é impossível, no entanto, haver uma organização temporária; mas isso mesmo não permanecerá por muito tempo, porque "não se ligarão um ao outro".

A maior das revelações desta profecia maravilhosa, no entanto, é que na época em que vivemos, nestes "últimos dias", uma nova e melhor ordem mundial está já inclusa no plano divino. Considerando a presente situação do mundo, com todo o caos existente, tanta ruína, tristeza e sofrimento, todos os desapontamentos e desilusões, com a possibilidade de amanhecermos qualquer dia destes envolvidos por uma arrasadora e apocalíptica guerra nuclear, em que a bomba atômica já é coisa do passado, a esperança de um mundo melhor que este assume importância extraordinária. Não podemos deixar de chegar a concluir que a profecia se refere ao nosso tempo e prende-se a nossa própria vida, a cada um de NÓS, e que não é algo que ocorrerá em futuro distante, mas muito em breve.

O saudoso Padre Júlio Maria, Missionário de N. Sra. do Ssmo. Sacramento, na edição de 1942 do seu livro "O Fim do Mundo Está Próximo?", diz: "Hoje correm mundo boatos alarmantes, a respeito do fim do mundo. Qual é a origem, qual o fundamento, qual o valor, qual a extensão de tais boatos? São perguntas que instintivamente todos fazem. Todos perguntam, indagam, mas quase ninguém responde a tais perguntas um tanto misteriosas e fora do alcance das pessoas pouco afeitas às leituras dos textos sagrados. E, como que para completar e turvar o horizonte já obscuro, eis que cartomantes, pitonisas, pajés, feiticeiros, mágicos, espíritas e outros clarividentes se põem todos a fazer predições sobre o destino dos povos no futuro. Acreditando-se em tantos profetas o povo ficaria tonto, fechar-se-ia em casa, e de portas trancadas, deixar-se-ia morrer de fome, para não assistir a tantas calamidades. São augúrios sinistros, prognosticando desastres, destruições, atrocidades, assassinatos, incêndios, guerras etc. Tudo isso não passa de adivinhação agourenta, de miserável exploração. A população amedrontada quer conhecer a verdade. Não sabendo onde encontrá-la, vai bater à porta da primeira macumbeira ou do primeiro VIDENTE, para pedir a revelação do futuro. Não vale a pena ocupar-se de tais predições tolas. Na Igreja Católica sempre houve homens inspirados por Deus que predisseram certos fatos futuros. Ora, descobrindo tais profecias, o que é fácil, as cartomantes e VIDENTES revestem-se de uma túnica egípcia, de um turbante e de palavras sibilinas, e eis que a sua reputação atravessa o mundo dos crédulos. Eis a origem dos boatos que hoje correm o mundo; e não são somente; são REALIDADES. Há um certo número de profecias, feitas por homens de virtudes, santos, canonizados, que predizem certos acontecimentos próximos de inigualável gravidade.

Essas profecias tiveram, na história do passado, até a guerra mundial, a realização mais impressionante de modo que o passado é, para nós um penhor quase certo e terrível do futuro...

Estes homens escreveram ou comunicaram tais profecias pela inspiração de Deus, o único que pode desvendar os mistérios do futuro, porque aos seus olhos tudo está presente...

Eles falaram para o bem da humanidade.

Chama-se PROFECIA a predição de acontecimentos futuros, dependentes da livre vontade dos homens. Sempre houve e sempre haverá profecias. Geralmente até de homens maus, para manifestar o futuro. Vemos, de fato, na Bíblia, que Deus se serviu de Balaão para profetizar a vitória e a glória de Israel contra os Moabitas e que se serviu de Caifaz para profetizar a morte de Jesus.

Há duas espécies de profecias: as PÚBLICAS e as PARTICULARES. As profecias públicas são as que estão incluídas no Antigo ou no Novo Testamento e dizem respeito às recompensas ou castigos do povo hebreu, a Jesus Cristo, à Igreja e ao fim do mundo. O ciclo das profecias PÚBLICAS encerrou-se com o Apocalipse, que indica os acontecimentos humanos até o "fim do mundo.

Quanto às profecias PARTICULARES, elas continuam e, através dos séculos, sempre houve homens que inspirados por Deus, predisseram o futuro, para consolação e edificação dos bons e terror dos maus.

Tais profecias não são de DIVINA, porque foram feitas fora do ciclo da inspiração pública; nem de FÉ ECLESIÁSTICA, porque a Igreja, mesmo admitindo-as não obriga ninguém a aceitá-las como verdades de fé.

Quem, entretanto, lhes negasse todo o valor, seria mais do que imprudente, pois é certo que algumas revelações são de inspiração divina, e, portanto, dignas de respeito e merecedoras de nossa adesão.

Não será supérfluo dar uma noção do modo de falar dos profetas. O historiador, que narra fatos passados, é semelhante a quem viaja por terra. Vê distintamente casebres e palácios, nota as diferenças, e até as pedras ou buracos do caminho... O PROFETA, pelo contrário, é semelhante a um aviador que voa a muitos mil metros de altitude. A seus olhos uma cidade não passa de pontos brancos; os morros confundem-se com as planícies. Distingue apenas montanhas e vales, rios enormes e mares. O profeta liga pouco à ORDEM dos fatos. Cuida mais das suas SEMELHANÇAS. Eis por que, Deus, por assim dizer fundiu, a profecia da destruição de Jerusalém, com a do fim do mundo, muito embora entre os dois acontecimentos medeie a distância de 2.000 anos.

Mas, por outro lado, que são uns 2 mil anos diante de Deus e da eternidade?

"MENOS QUE UM DIA NA NOSSA EXISTÊNCIA! Geralmente, Deus, faz passar diante da inteligência dos profetas UMA IMAGEM OU SÉRIE DE IMAGENS dos acontecimentos futuros, deixando que o profeta as expresse MAIS OU MENOS PERFEITAMENTE, segundo sua maior ou menor capacidade".



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