Os Animais tem Alma



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Seu filho Tom exprimiu-se assim a este respeito eu jogava uma partida de xadrez com meu irmão William e o cão dormia em cima dos joelhos de nossa mãe, quando, repentinamente, ele nos assustou ao pular para o chão e começou a pular de um lado para outro, furioso e agitado, arreganhando os dentes e mordendo o vácuo. Nossa mãe ficou espantada e exclamou: `Que aconteceu? O que ele está vendo? Ela estava convencida de que a raiva do animal era dirigida contra um inimigo invisível. Eu e o meu irmão nos esforçamos por acalmá-lo, embora estivéssemos, por nossa vez, bastante surpresos e perplexos com a atitude inexplicável de um cão geralmente tranqüilo e de um temperamento dócil.

Considerando a natureza inverificável do episódio em questão, seria inútil estender-se em comentários especiais, limitando-me então a observar que o fato de haver correspondência perfeita da hora em que se deu o assassinato com a mímica furiosamente agressiva do animal leva irresistivelmente a pensar gire ele teve realmente a visão subjetiva da cena dramática na qual o seu dono sucumbia e, em conseqüência, tentou defendê-lo, lançando-se contra o agressor.

Caso XXVI - Retiro-o de Les Annales des Sciences Psychiques (1916, p. 149) - Consta de uma carta particular que a senhora Esperanza Payker enviou a 7 de dezembro de 1916, de Zurique, Suíça, a uma das amigas, e se refere à morte, na guerra, de um irmão da remetente da carta. Eis a passagem essencial da narrativa:

Você me pede notícias de Richard. Ele faleceu, infelizmente, combatendo contra os russos. Ele, o cosmopolita, que queria ver todo homem um irmão! No momento de sua morte, aconteceu um fato que não pode deixar de lhe interessar. Você se lembra de Kacuy (o cão de Richard). Pois bem, às sete horas da noite, de treze de agosto último, ele estava como que adormecido aos meus pés. Repentinamente, levanta-se e corre para a porta, sacudindo a cauda, latindo e pulando como se fosse receber uma pessoa conhecida, mas, subitamente, retirou-se espantado, uivou lastimosamente, gemeu, tremeu, voltou a deitar-se aos meus pés, sem deixar de gemer a noite inteira. Na manhã do dia seguinte, abandonou a casa e nunca mais foi visto.

Ora, a estranha manifestação do cão coincidiu exatamente com a hora em que Richard tombava gravemente ferido e o desaparecimento dele se deu na hora da morte do seu dono.

Também neste exemplo a mímica expressiva do animal tende a demonstrar ao caráter verídico da telepatia e neste caso considerando que de inicio ele se comportou alegremente como se assistisse a volta de um familiar para mudar, em seguida, bruscamente, de atitude, dando mostras de espanto, como se tivesse notado a natureza fantasmagórica do que percebia.

TERCEIRA CATEGQRIA


Alucinação telepática percebida coletivamente pelo animal e pelo animal

Esta categoria e o complemento da precedente e serve para apoiar a suposição de que casos focalizados na série anterior são realmente telepáticos.


Caso XXVII – (auditivo-visual-coletivo com impressão de vento muito frio) Tiro-o da obra Camille Flammarion (O desconhecido e os problemas científicos)

Uma das minhas amigas de estudo fora à Índia como medica. Perdendo de vista, mais sempre gostando uma da outra.

Certa vez, na noite de vinte e oito para o dia vinte e nove de outubro (eu estava então em Lausanne, Suíça), fui despertada antes das seis horas por pequenas batidas na minha porta. Meu quarto de dormir dava para um corredor que terminava na escada do andar. Eu deixava a porta do meu quarto entreaberto para permitir que um grande gato branco que eu então tinha fosse caçar durante a noite (a casa formigava de ratos). As batidas se repetiram, mas a campainha da noite não havia tocado e eu não ouvi ninguém subir a escada.

Por acaso, meus olhos caíram sobre o gato que ocupava o seu lugar habitual ao pé de minha cama e ele estava sentado, com o pelo eriçado, tremendo e rosnando. A porta moveu-se como se agitada por um leve golpe de vento e eu vi aparecer uma forma envolvida numa espécie de tecido vaporoso branco como um véu sobre uma roupa escura, mais não pode distinguir bem o rosto. A forma aproximou-se e eu senti um sopro glacial passar por mim, ao passo que o gato rosnava furiosamente. Instintivamente fechei os olhos e, quando os reabri, tudo havia desaparecido. O gato tremia o corpo inteiro, que estava banhado de suor.

Confesso que não pensava na minha amiga na Índia, mas em outra pessoa. Cerca de quinze dias mais tarde, soube da morte de minha amiga na noite de vinte e nove para o dia trinta de outubro de 1890, em Shrinagar, na Cachemira. Soube depois que havia sucumbido a uma peritonite.

Neste caso, em que a percipiente não pôde ver a face do espírito, não se pode dizer que ele tenha sido identificado como a amiga da percipiente, falecida naquele dia, na mesma hora, todavia o simples fato desta coincidência já constitui uma boa presunção no sentido das conclusões da doutora Thyle.

De certo modo isto não diz respeito ao assunto de que nos ocupamos no momento, isto é, o da percepção coletiva de manifestações supranormais por parte de homens e animais. Ora, sob este ponto de vista, é preciso observar que, se o gato mostrou-se espantado a ponto de ficar tremendo e com abundante transpiração, tal fato mostra que teve, por sua vez, a visão de algo de bastante anormal para o aterrorizar. Que podia ser essa qualquer coisa senão a forma espectral percebida pela sua dona?

Caso XXVIII - (Auditivo-coletivo) - Encontram-se na obra de Hudson Tuttle intitulada The arcana of Spiritualism fatos de percepções supranormais da parte de animais, entre os quais figura este, de ordem coletiva, na página 234:

O grumete do navio à vela Avalanche, no naufrágio do qual pereceu toda a tripulação, possuía um cão que o amava muito e que atendia prontamente à chamada de um apito para cães que o seu dono trazia sempre consigo. Na noite do naufrágio, a mãe e a tia do grumete achavam-se no toalete e o animal na cozinha. Entre nove e dez horas, ambas foram surpreendidas por um assobio muito forte vindo do andar superior. O som era justamente o do apito de que se servia o jovem grumete. O cão o tinha reconhecido por sua vez e imediatamente correspondido por meio de latidos, como era de seu hábito, e corrido para o andar superior, onde, acreditava ele, supunha encontrar o seu dono.

Se o cão do coitado do grumete correu para o andar superior, latindo, e se, no mesmo instante, as duas percipiente tinham localizado o soar alucinatório do apito familiar, tudo leva a crer, logicamente, que o animal tinha ouvido a mesma coisa.


Caso XXIX – Encontrei-o no Journal of the Society for Psychical Research (vol. XIII, p. 28). O eminente mitólogo e sociólogo Andrew Lang comunicou o seguinte fato observado por uma sua sobrinha, que lhe escreveu a respeito:
Skelhill, Kawick, 8 de outubro de 1906

Cheguei a este país a quatro de agosto; segunda-feira, 6, estive no monte Pen, onde, pela primeira vez, vi um espírito. Achava-me acompanhado de meu velho cão Turk e subia a encosta muito lentamente, parando várias vezes, devido às pernas curtas do meu companheiro e à sua respiração difícil, isto tanto mais que o mato era rasteiro e duro. Havia marcado um último descanso no lugar em que o Pen erige bruscamente o seu cimo imponente. Estava sentado com as costas voltadas para o dique e com o rosto para a costa rochosa, enquanto Turk estava sentado, ofegante, a meus pés.

Repentinamente vi chegar em minha direção minha amiga, a doutora H., com a qual fiz a viagem de volta da América, em 1905. Vestia uma saia curta, azul, com um corpete de algodão branco. Estava sem chapéu e trazia uma bengala na mão. Quando se achou perto de mim, notei uma mecha de cabelos caída sobre a testa. Soube, quinze dias antes, que ela voltara da América para a Inglaterra, de onde devia partir novamente a doze de setembro e que se propunha ir até a Cornualha para rever os seus pais, porém eu ignorava quando ela voltaria. Fiquei de tal modo surpresa por reencontrá-la naquele lugar que, durante um instante, não me mexi e não pude articular uma só palavra, mas Turk fez-me voltar a mim, rosnando contra a recém-vinda. Então levantei-me com um salto, exclamando: “A sra. aqui, doutora H.?” A estas palavras, a doutora se voltara olhando-me, e, em seguida, continuou tranqüilamente a descer pelo atalho que eu acabara de subir. Surpresa com a sua atitude, pois estava certa de que ela me havia visto, segui-a com a intenção de detê-la. Esperando, Turk não parara de rosnar e de latir, mas sem se afastar de mim, embora de hábito ele avance, rosnando, contra as pessoas e os cães que lhe são desconhecidos. Observei que os pêlos do seu dorso estavam eriçados e que a sua cauda estava arqueada feito um grande gancho. Quando eu a alcancei e ia estender o braço para pôr a mão sobre o ombro dela, um grande inseto zumbidor se interpôs entre nós, voando através do seu corpo! Então vi a doutora desaparecer. Naturalmente que fiquei perplexa e consternada, pois então não havia tido a menor idéia de que não se tratava de minha amiga em carne e osso. Sem Turk, eu teria duvidado dos meus sentidos, mas, nestas condições, não era possível, já que o cão se mostrara incontestavelmente irritado e rosnando contra alguém. Juro-lhe que estou gozando de boa saúde, que nunca me senti tão bem e que há um ano só bebo água. Não posso precisar o minuto em que vi a aparição, mas, como quando me sentei, eram seis horas e cinco minutos do cair da tarde, deduzi daí que deviam ser seis horas e quinze, talvez um ou dois minutos mais, quando a vi desaparecer.

Apanhei rapidamente o lápis e tomei nota do estranho fato num envelope que tinha no bolso. Logo que voltei para a minha casa, ditei a narração detalhada do sucedido. Naturalmente que escrevi desde ontem á doutora, perguntando-lhe o que ela fazia em tal dia e tal hora em que me apareceu. Logo que tenha respondido, eu lhe informarei a respeito.


Em sucessiva carta da sobrinha do professor Lang ao seu tio havia o seguinte trecho:
Encontrei-me com a doutora H. e ela me disse que, no dia e na hora indicados, descia a colina do Tintagel, vestida exatamente como eu a descrevi, com mais um traje de banho no braço, que eu não vira no momento.
A irmã da doutora H. escreve por sua vez:
No dia 6 de agosto de 1906, pelas seis horas da tarde, a doutora H. descia a colina do Tintagel, depois de se ter banhado. Estava com uma saia azul, sem chapéu, e no braço, um traje de banho.
Como se pôde ver, no caso em questão, trata-se da aparição de uma pessoa viva, percebida juntamente por um cão e a sua dona. Se a autenticidade da aparição não pode ser posta em dúvida, por outro lado, as modalidades da manifestação se afastam da regra que rege as aparições desta espécie, pois que, geralmente, o agente se acha em condições excepcionais do ponto de vista emocional, enquanto que, no caso de que nos ocupamos, não parece que seja assim. De todo modo, é verossímil que a doutora H. tenha podido, naquele momento, volver o seu pensamento para a sua amiga ausente, com a qual deveria encontrar-se dias mais tarde.

Sob a ótica que nos interessa, observo que a aparição foi vista simultaneamente pelo animal e pela sua dona, pois a atitude do cão, que rosnava e latia contra a forma percebida mas não ousava afastar-se da saia protetora de sua dona, mostra que ele compreendia claramente que se achava na presença de uma manifestação fantasmagórica, ao passo que a sua dona acreditava absolutamente achar-se em face de sua amiga em carne e osso. Esta é mais uma razão para contradizer a hipótese de transmissão do pensamento do homem ao animal.

Caso XXX - (Visual com anterioridade do animal sobre o homem) - Este caso foi publicado na Light (1907, p. 225). O senhor J. W. Boulding, conhecido autor espiritualista, relata o seguinte fato que aconteceu com uma família amiga da sua:

Um dos meus amigos, residente cm Kensington, estava enfermo já há algum tempo e, em certa tarde de domingo do verão passado, um outro dos meus amigos e a sua esposa foram fazer-lhe, de carro, uma visita. Quando chegaram perto de um ponto da estrada de ferro, não longe da residência do doente, o cavalo começou a se rebelar, não quis seguir caminho, parecendo tomado de um súbito terror. Tremia, recuava, empinava, espantando muito as pessoas que se achavam no veículo. Em dado momento, a senhora se levantou para certificar-se do que se passava e o seu espanto foi grande ao ver que, diante do cavalo, de braços abertos, estava o amigo doente que eles iam visitar! Seu espanto foi tal que ela caiu desmaiada no assento da carruagem e o marido teve de dar ordem ao cocheiro para que voltasse para casa. Eram 6 horas da tarde. Mais tarde resolveram pôr-se novamente a caminho e, quando chegaram à casa do amigo, notaram que os postigos das janelas estavam fechados: não tardaram a serem informados de que o enfermo morrera exatamente na hora em que surgira diante do cavalo. Note-se que o primeiro a perceber a aparição foi o animal, circunstância que surge em apoio à afirmação de grande número de pessoas de que os animais compartilham com o homem as faculdades de clarividência.

Com efeito, nos casos em que o animal é o primeiro a perceber uma aparição telepática, não há hipótese racional a se opor à que considera os animais como dotados de faculdades supranormais subconscientes, à semelhança do homem, e esta consideração solve problemas psicológicos e filosóficos de primeira importância.

Caso XXXI - (Visual com anterioridade do animal sobre o homem) - O rev. Minot Savage, no seu livro (Pode a telepatia explicar?), pp. 46/48, narra o seguinte caso:

Uma jovem dama, pertencente à minha paróquia de Boston, estava, em certa tarde de domingo, sentada no banco do seu piano, tocando, e não pensando em nada. Nenhum dos membros da família se achava na casa, nem mesmo criados. Um cãozinho, muito querido pela referida senhora, estava deitado numa cadeira, a alguns passos. Estando sentada frente ao piano, dava as costas à porta que abria para o salão. De repente, sua atenção foi atraída pela atitude do animal que se tinha levantado, com o pêlo eriçado no dorso, e começara a rosnar surdamente, olhando para a porta. A moça virou-se logo e percebeu as silhuetas vagas de três formas humanas que se achavam no outro quarto, perto da porta dando para o salão. Antes que as formas desaparecessem, pareceu-lhe reconhecer uma delas. Nesse meio tempo, o terror do cão tinha aumentado a tal ponto que fora se ocultar debaixo do sofá, de onde não se decidiu a sair senão depois de insistentes chamados de sua dona.

A importância deste episódio está em que prova que se tratava de alguma coisa que fora percebido pelo animal antes que a sua dona, isto é, excluindo toda forma de sugestão relacionada com uma origem humana.

Da mesma maneira, relativamente a este fato, é fácil observar que, se o cãozinho se levantou de um pulo, rosnando surdamente e olhando para a porta, para correr em seguida a se refugiar debaixo de um móvel, tudo isto mostra claramente que ele teve a visão de algo fantasmagórico capaz de o espantar, tal como acontece muitas vezes nos casos desta espécie. O caso é tanto mais notável porque os cães têm o instinto de ficarem irritados e de rosnarem à vista de um intruso em carne e osso, mas não o de terem medo e se esconderem.

Caso XXXII - (Visual-coletivo, com anterioridade do animal sobre o homem). O seguinte caso é muito importante, pois que as pessoas que experimentaram a mesma forma de alucinação telepática, simultaneamente com um cão - foram sete. O caso foi comunicado a Society for Psychical Research por Alexandre Aksakof Eu o extraio do vol. X, p. 127, dos Proceedings (atas) da Sociedade:

São Petersburgo, 4 de maio de 1891. - Eis a narrativa do fenômeno de que toda a nossa família foi testemunha. Aconteceu em São Petersburgo, em 1880, quando morávamos na rua Pouchkarska. Numa tarde do mês de maio, pelas seis horas, minha mãe (hoje senhora Telechof) estava no salão com os seus cinco filhos, dos quais era eu o primogênito (tinha então 16 anos). Naquele momento, um antigo servidor da casa, que se tratava como amigo (mas que, na época, não servia mais conosco), viera visitar-nos e se empenhara em conversa com a minha mãe. De repente, as alegres distrações das crianças pararam e a atenção geral voltou-se para o nosso cachorro Moustache, que se precipitara, ladrando fortemente, para a lareira. Involuntariamente olhamos todos na mesma direção e vimos na cornija da grande lareira, como ornato de faiança, um meninote de seis anos mais ou menos, de camisola. Reconhecemos nele o filho de nosso leiteiro, André, que vinha muitas vezes, em companhia de sua mãe, brincar com as crianças, pois viviam bem perto de nós. A aparição se destacou da cornija, passou acima de todos nós e desapareceu pela janela aberta. Durante todo esse tempo, uns segundos apenas, o cão não deixava de latir com todas as suas forças e corria e rosnava ainda, seguindo o movimento da aparição.

No mesmo dia, um pouco mais tarde, nosso leiteiro veio à nossa casa e nos comunicou que o seu filho André, depois de uma enfermidade de alguns dias (nós sabíamos que ele estava doente) acabara de falecer, o que aconteceu provavelmente no momento em que o vimos aparecer.

Daniel Amossof, Maria Telechof, (mãe de M. Amossof, no segundo casamento) Kousema Pétrof (morando presentemente em Lebiajeyé, perto de Oranienbaum).

Neste último caso, a atitude do cão, em face da aparição, parece de tal forma característica e eloqüente que somos irresistivelmente levados a concluir que ele teve a mesma visão que o sete outros percipientes. É preciso observar, com efeito, que o cão (que fora, além disto, o primeiro a experimentar a sensação telepática) se atirara na direção da lareira, onde os outros percipientes localizaram a aparição, e que, durante todo o tempo em que a aparição ficou visível, não parara de ladrar para ela, seguindo-a no seu movimento aéreo.

Caso XXXIII - (Visual-auditivo-coletivo, com anterioridade do animal sobre o homem e impressão, pela percipiente, de um sopro de vento frio). O caso foi colhido e examinado pelo professor,James Hyslop, que o publicou no Journal of the American Society for Psychical. (1907, p. 432), sem dar os nomes dos protagonistas por pedido feito pela senhora que é autora da narrativa. Eis o que conta ela:

Há dois anos, meu primo William P., de 21 anos de idade, morria tuberculoso. Desde os primeiros anos da infância que a mais profunda afeição existia entre nós e a circunstância de sermos ambos apaixonados pela música nos ligava ainda mais, embora ele morasse em Tottenville (Nova Iorque) e eu, X., a uma distância de duzentas milhas. No mês de março de 1901, caiu doente e... Faleceu a vinte e nove de março de 1902. Naquela ocasião, estava no meu quarto e lia a Bíblia. Achava-me só com o meu filho de quatro anos, dormindo na sua caminha, e o meu cãozinho favorito. O quarto dava para um gabinete de trabalho cuja porta não era fechada senão por uma dupla cortina de cor azul. Lia atentamente e sem ser perturbada, durante algum tempo, mas, em um dado momento, ouvi passos pesados no dito gabinete, e no instante seguinte um sopro de vento glacial abria as cortinas, roçando-me o rosto. O animal levantou a cabeça, olhou naquela direção e correu, gemendo, para se meter debaixo de uma cadeira. Por minha vez olhei e percebi, entre as porteiras, o espírito de meu primo, alto e ereto, tal como ele era antes da doença, com os braços estendidos, um sorriso angélico nos lábios. Fiquei olhando-o como que petrificada, durante alguns minutos, e o vi desaparecer quando o relógio marcava nove horas. No mesmo instante, ouvi soar a campainha da porta e chegava um telegrama dizendo: William faleceu oito horas. Venha imediatamente.

Minha mãe me disse que o rosto de meu primo recém-falecido oferecia à vista uma expressão de grande sofrimento, mas que, depois de cerca de meia hora, tinha experimentado uma mudança estranha, transformando-se em um sorriso angélico, que conservava ainda quando o depositamos no esquife, sorriso cont o qual me apareceu entre as cortinas da porta do gabinete de trabalho.

Se esta narrativa for publicada, queira suprimir os nomes dos protagonistas, pois os meus familiares atribuem minha visão a uma superexcitação nervosa. (Assinado por inteiro: senhora H. L. B.).

O professor Hyslop escreveu ao marido da senhora H. L. B., que é médico, e ele confirmou os fatos assim:

Respondendo às perguntas que V. 5a. que me formulou em sua carta de 22 de maio, declaro que as duas notáveis experiências relatadas por minha esposa se desenrolaram tais como ela as narrou. O segundo fato, em relação ao falecimento de um dos nossos primos, não está menos presente à minha memória que o primeiro. Ele aconteceu antes da chegada do telegrama nos comunicando o seu falecimento. Minha esposa contou logo o fato à criada de quarto, que se acha atualmente em Filadélfia, e ao sr. J. H., residente aí. Não sei como explicar teoricamente os fatos em questão. (Assinado por inteiro: doutor M. L.).

Neste caso ainda, o primeiro percipiente foi um cão.

Há que se notar que o espírito do defunto se manifestou urna hora após a sua morte, com o rosto apresentando o mesmo sorriso angelical que havia aparecido no cadáver uma hora depois do decesso e que, além disto, sua manifestação foi precedida pelo fenômeno auditivo de passos pesados vindos do gabinete de trabalho bem como é percebido durante as sessões experimentais no momento da materialização mediúnica.

A circunstancia teoricamente mais importante é a demora de uma hora da manifestação telepática, embora isso possa ainda ser explicado pela hipótese da `telepatia retardada, entretanto esta hipótese não é mais válida quando se trata de fatos do mesmo gênero nos quais a demora foi de dias e de semanas, resultando daí a necessidade de recorrer a uma hipótese mais compreensível, capaz de explicar cumulativamente toda a série de manifestações retardadas coincidentes com casos de morte. Ora, isto não pode ser feito sem se acolherem essas manifestações na categoria das aparições de mortos e não na das aparições de vivos, como se tem feito até hoje. Isto não é adiantado, bem entendido, senão de maneira geral, admitindo a possibilidade de exceções à regra nos casos de breves demoras, de acordo com condições especiais.

Caso XXXIV - (Visual-coletivo, com anterioridade do animal sobre o homem) - O professor Andrew Lang comunicou a Society for Psychical Research (Journal, vol. XN, p. 70) o episódio que segue,constante de uma carta que lhe foi dirigida por uma senhora de sua amizade:

22 York Mansions, Battersea Park, S. W. 10 de fevereiro de 1909

Caro professor,

No decurso do seu artigo publicado no Morning Post, o senhor citou um caso de aparição percebida simultaneamente por uma dama e o seu cão. Penso que lhe pode interessar um caso semelhante que aconteceu comigo mesma e o meu cão, há seis anos. Eu lia, sentada ao lado da lareira, no meu salão, cuja porta estava fechada. Meu cão, Dan, dormia em cima do tapete. De repente, fui distraída, na minha leitura, pelo animal, que começara a rosnar surdamente. Debrucei-me para ele a fim de o acalmar, fazendo-lhe carinhos, porém ele ficou mais estranho. Então olhei na mesma direção que o animal (o que não pude fazer senão virando-me na minha cadeira) e, com grande espanto meu, distingui uma forma de mulher vestida de cinzento, de pé, junto à porta. Não podia distinguir os traços do seu rosto, que ficara oculto por uma planta colocada sobre a mesa. Julguei a princípio que fosse a minha irmã e não dirigi a palavra para lhe perguntar por que viera tão cedo e como pudera entrar no aposento sem fazer ruído, mas logo me lembrei de que, estando sozinha, havia colocado o ferrolho na porta da casa. Então me levantei de um salto, espantada, enquanto que Dan se lançara ladrando contra a intrusa, que desapareceu subitamente, embora a porta do salão continuasse fechada. O animal mostrava todos os sintomas de raiva e medo ao mesmo tempo, com os olhos luzindo, mas a cabeça baixa e o pelo eriçado ao longo da coluna vertebral. Parecia convencido de ter visto uma pessoa real, visto que, quando abri a porta, lançou-se, latindo furiosamente , e desceu a escada, para subi-la em seguida, procurando sempre a intrusa que, naturalmente, não chegamos a achar. Só na casa, experimentei um sentimento de alívio quando, pouco depois, a campainha da porta tocou e a minha irmã entrou.



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