Os Animais tem Alma



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Não tenho nenhuma teoria a propor para a explicação deste fato, sendo-me, aliás, impossível ligar a visão tida com acontecimentos que se produziram antes ou depois, mas estou absolutamente certa do que percebemos, eu e o meu cão, embora não tenha outra testemunha para confirmar a minha narrativa. Naturalmente, contei imediatamente o caso a minha irmã.

Senhora Emma-L. Darton

Podem-se encontrar detalhes adicionais do caso em questão no supracitado volume do Journal da Society for Psychical Research. O sr. Andrew Lang supõe que, nesta circunstância, trata-se provavelmente de um caso de telepatia procedendo uma chegada, isto é, que a irmã da senhora Darton, dispondo-se a sair, tinha pensado intensamente em algo relativo ao seu meio doméstico, determinando a projeção telepática do seu espírito no local. Essas manifestações telepáticas têm realmente acontecido e a Sociedade inglesa de pesquisas psíquicas já juntou um número bem grande delas, todavia creio pouco verossímil que assim seja no caso em exame, porque não me parece que o animal ficasse furioso na presença de uma pessoa da família.

Eliminando esta hipótese, não seria fácil descobrir a gênese da forma vista pela referida senhora e o seu cão, a menos que se considere como um simples fenômeno de assombração.

Em todo o caso, a solução do problema não parece interessar no momento. Basta-nos notar que, ainda neste exemplo, o animal foi o primeiro percipientes.


*
Omito treze outros casos análogos que constam das seguintes obras e publicações:

Caso XXXV -Proceedings of the S.P.R., vol. V, p. 307 (Auditivo coletivo-assombração).

Caso XXXVI -Proceedings of the S.P.R., vol. V, p. 308 (Auditivo-coletivo-assombração).

Caso XXXVII -Proceedings of the S.P.R., vol. V, p. 453 (Visual-auditivo).

Caso XXXVIII -Proceedings of the S.P.R., vol. X, p. 327 (Visual-coletivo).

Caso XXXIX - Camille Flammarion: L inconnu p. 104 Visual-coletivo).

Caso XL - Phantasms of the living, vol. II, p. 149 (Visual).

Caso XLI - Phantasms of the living, vol. II, p. 245 (Visual).

Caso XLII - Phantasms of the living, vol. II, p. 458 (Visual).

Caso XLIII - Phantasms of tlte living, vol. II, p. 510 (Visual).

Caso XLIV - Journal of the S.P.R., vol. N, p. 53 (Visual - Coletivo anterioridade do animal sobre o homem).

Caso XLV -American Proceedings of the S.P.R., p. 144 Visual coletivo).

Caso XLVI -American Proceedings of the S.P.R., p. 145 Visual coletivo, com anterioridade do animal sobre o homem).

Caso XLVII-American Proceedings of the S.P.R., p. 146 Visual auditivo, com anterioridade do animal sobre o homem).

QUARTA CATEGORIA
VISÕES DE ESPÍRITOS HUMANOS TIDAS FORA DE QUALQUER COINCIDÊNCIA TELEPÁTICA E PERCEBIDAS COLETIVAMENTE POR HOMENS E ANIMAIS

Os fatos pertencentes a esta categoria são relativamente freqüentes e têm uma importância teórica porque apresentam muitas vezes o valor de caso de identificação espirítica.

Relatarei primeiramente dois episódios de datas bem antigas, resumindo-os:

Caso XLVIII - Visual) - No seu livro sobre a vidente de 1revorst, o dr. Justinus Kerner fala de uma aparição que a vidente percebia, freqüentemente, junto dela, durante mais de um ano.

Ele observa a respeito que, cada vez que a vidente anunciava a presença da aparição, um galgo, pertencente à família, se comportava de modo a fazer supor que ele a via também e corria logo para perto de alguma das pessoas presentes, como se lhe quisesse pedir proteção, gemendo, às vezes, lastimosamente. Desde o primeiro dia em que ele viu a aparição, nunca mais quis ficar sozinho durante a noite.

Caso XLIX - Visual-auditivo) - Sob o título de Aparições reais de minha esposa antes de sua morte (Chemnitz, 1804), o dr. Wetzel publicou um livro que causou grande impressão na sua época.

Ele conta que, certas tarde, algumas semanas depois da morte de sua esposa, quando se achava no seu quarto, sentiu subitamente, em torno de si, um vento turbilhonante, ainda que as portas e as janelas estivessem fechadas. A luz se apagara enquanto um batente da alcova se abrira. Na fraca claridade que reinava no quarto, Wetzel havia percebido a forma de sua mulher, que lhe dissera com voz fraca: Carl, sou imortal, nós nos veremos novamente. A aparição tornou a se mostrar e, desta vez, o cão do doutor Wetzel tinha girado em torno do lugar onde se achava ela, sacudindo alegremente a cauda.

Neste último caso, semelhantemente, é preciso considerar a atitude do cão, que parecia ter efetivamente percebido uma forma se assemelhando à sua falecida dona.

Apesar disto, considerando-se que, nos dois fatos que acabo de citar, os primeiros a experimentar em a alucinação foram, respectivamente, a vidente e o doutor Wetzel, pode-se sustentar, razoavelmente, a hipótese de que os dois percipientes tenham, em seguida, servido de agentes, transmitindo aos animais uma forma alucinatória que germinou no cérebro deles. Em todo caso, esta hipótese não destruiria a importância dos fatos em questão, no nosso ponto de vista, pois que esta solução do problema provaria igualmente, de maneira categórica, que fenômenos de transmissão telepática entre o homem e o animal se produzem, com efeito, o que constitui o fim essencial desta classificação.

Ora, este fato uma vez reconhecido como formas alucinatórias do tipo em questão, não seria mais lógico recusar reconhecê-lo como formas da telepatia verídica ou como uma outra modalidade qualquer de percepções psíquicas no fundo das quais existe sempre uma forma mais ou menos disfarçada de transmissão telepática. Isto dita, importa salientar que a hipótese de que nos ocupamos não chega a explicar senão os simples casos nos quais a visão alucinatória foi percebida precedentemente pelo homem, e não os outros casos em que a anterioridade pertence certamente aos animais.

Observo enfim que a hipótese em questão, ainda que livremente explorada por numerosos pesquisadores no domínio dos estudos metapsíquicos, está longe de ter fundamento. Ao contrário, ela constitui um grosseiro erro, pois que, salvo raras exceções confirmando a regra, não se conhece ainda exemplo de alucinações coletivas entre criaturas humanas que extraiam as suas origens de um influxo contagioso de transmissão telepática do pensamento. Bem sei que, nos tratados de patologia mental, encontra-se um grande número de casos de alucinação coletiva, sobretudo nos loucos, por contágio místico, porém tudo isso se realiza exclusivamente por sugestão verbal, e jamais por `transmissão telepática do pensamento, o que equivale a declarar que um abismo existe entre as duas ordens, de fato.

Deve-se, por acréscimo, considerar que, mesmo nas experiências hipnóticas em que existe entre o hipnotizador e o sensitivo uma `relação psíquica firmemente estabelecida, é muito raro que o hipnotizador chegue a provocar, à distância, no sensitivo, formas alucinatórias com o auxílio da transmissão telepática do pensamento, quando ele as obtém, à vontade, por meio da `sugestão verbal.

A importância teórica destas observações não escapará a ninguém e eu almejo que os futuros pesquisadores, operando no domínio das ciências metapsíquicos, façam a consideração devidamente. Entre as investigações atuais, não há senão a do professor Charles Richet que reconhece a absurdidade de explicar, pela transmissão telepática do pensamento, os casos de visões ou percepções supranormais de ordem coletiva, o que deve ser assinalado em sua honra.

Caso L - (Visual) - O seguinte caso foi comunicado a Society for Psychical Research por Alexandre Aksakof. Eu o extraio dos Proceedings dela, vol. X, p. 328, assim:

(Nota tomada da narração da senhora T.) - Outubro de 1891 - Em 187... a senhora T. achava-se, certo dia, em casa dos seus vizinhos do campo, senhor e senhora B..., em P... A conversa versava sobre um acontecimento trágico que ocorreu na família dos T. e terminou pelo suicídio de um dos parentes da senhora T., que de repente o viu aparecer no quarto contíguo ao salão, onde eles se achavam e cuja porta estava fechada. Ao mesmo tempo, o cão da dona da casa, que se achava deitado aos seus pés, se levantou e começou a latir furiosamente na direção da porta. O senhor e senhora B... não viram nada, porque estavam com as costas voltadas para a porta, e a senhora T... não lhes disse nada do que havia visto.

(Confirmação desta narração por uma carta da testemunha, senhora B...) - 15 de outubro de 1891 - Foi em 187..., em nossa propriedade de Twer. Éramos três: senhora T..., nossa vizinha que tinha vindo visitar-nos, meu marido e eu. Achávamo-nos reunidos no pequeno salão de nossa casa de campo, não longe de uma porta aberta dando para o meu quarto de dormir, aclarada por uma grande janela. A senhora T. estava sentada num sofá, defronte dessa porta, eu perto dela num tamborete, também defronte da porta, porém o meu marido estava num canto, de modo que ele não via essa porta. Aos meus pés estava deitado o meu cão Beppo, com a cabeça voltada para a saída. Nós falávamos sobre o acontecimento que acabara de ocorrer com a família dos T., onde a mulher, arrastada por uma paixão, abandonara seu marido e seus filhos c, onde, desesperado, este estourara os miolos. Meu marido acusava a mulher; a senhora. acusava o marido, que ela sempre estimara muito, todavia, neste caso, ela não o desculpava. De repente ela se calou c o cachorro, levantando a cabeça, se pôs a uivar e quis precipitar-se para a porta aberta do quarto de dormir, com o pêlo todo eriçado. O animal escapou de minhas mãos como que para se lançar sobre alguém. Tive grande dificuldade em retê-lo. Meu marido quis bater nele, mas eu o impedi. Nem ele nem eu vimos nada, exceto a raiva do rio. A senhora T. se calara e, quando 0 animal se acalmou, ela propôs passarmos para a sala onde se achava seu marido. Logo o Senhor e a senhora T. partiram e não foi senão mais tarde, quando fui à casa de campo deles, que a senhora T. me contou que ela vira, diante da porta de meu quarto de dormir, o espírito daquele que ela acusava, vestido de branco, e com uma expressão de desespero em seus gestos como lhe censurando que ela também fosse contra ele. Seu cão Beppo viu a mesma coisa, disse-me ela. Ele ficou furioso e queria atirar-se contra a aparição. Bem que notei a raiva de Beppo, mas eu não percebi a aparição do espírito.

N.B.
Ainda neste episódio, a mímica agressiva do cão, doe late furiosamente e quer lançar-se contra alguém na direção da porta, onde a senhora T. percebe, ao mesmo tempo, a aparição do defunto que ela havia acusado, tende a fazer admitir que o animal pôde ver a aparição, agindo do modo que agiu, pois os cães não agem senão contra pessoas desconhecidas.

E neste caso, não menos que em outros, a visão, tendo sido simultânea, poder-se-ia admitir a possível hipótese de uma alucinação que teria nascido no cérebro da senhora T. e sido transmitido telepaticamente ao cão, mas parece que as explicações fornecidas anteriormente por mim são suficientes para excluir esta hipótese gratuita, o que equivale a reconhecer o aspecto verídico do caso da aparição de um morto censurado pela senhora T.


Caso LI - (Visual auditivo-coletivo) - Recolho a seguinte passagem numa outra narração, bem notável, de Alexandre Aksakof; publicada nos Proceedings of the S.P.R.

Acrescento, para plena compreensão do acontecimento, que o caso aqui relatado se refere à história de contínuas aparições tidas por uma moça de nome Palladia, falecida aos quinze anos de idade.

O narrador, senhor Manultitch, foi o principal percipientes dele e assim o descreve:

Em 1858, morava com meus pais na regido de Poltava. Uma senhora de nossas relações viera passar alguns dias conosco, trazendo as suas duas filhas. Algum tempo depois da chegada delas, quando acordei de manhã, vi Palladia (eu dormia numa ala separada onde ficava sozinha) diante de mim, a cinco passos mais ou menos, olhando-me com um sorriso alegre. Aproximando-se de mim, disse me duas palavras: Eu vi. E, ainda sorrindo, desapareceu. Não pude compreender o que significavam estas palavras. No meu quarto, perto de mim, dormia o meu cão que, desde que vi Palladia, eriçou o pêlo e, com um grunhido, pulou para a minha cama, premendo-se contra o meu corpo e olhando na direção onde vira Palladia. O animal não ladrava, habitualmente, mas não deixava entrar ninguém no quarto senti latir, ou rosnar. E todas as vezes que o meu cão via Palladia, ele se comprimia contra mim como que procurando um refugio.

Quando Palladia desapareceu, fui para o andar inferior e não disse nada a ninguém. Na tarde do mesmo dia, a filha mais velha da senhora que se achava em nossa casa me contou de uma coisa estranha lhe tinha acontecido pela manhã: Acordando cedo senti como se alguém se colocasse na cabeceira de minha cama e ouvi distintamente uma voz dizendo: Não tenha medo, sou boa e carinhosa. Virei a cabeça, mas não percebi nada. Minha mãe e minha irmã dormiam tranqüilamente é isto me espantou bastante, porque nada de semelhante nunca me aconteceu. Disse-lhe que emitas coisas inexplicáveis nos acontecem, porém não lhe falei sobre o que vira pela manhã. Só um ano mais tarde, quando já era seu noivo, Falei-lhe da aparição e das palavras de Palladia no mesmo dia. Não é que ela a viu também? Devo acrescentar que eu via essa moça pela primeira vez e que jamais pensara que ia casar-me com ela.

A senhora Mamtchitch confirma a supracitada narração da seguinte maneira:

5 de maio de 1891 - Recordo-me muito bem de que a dez de julho de 1885, quando estávamos na casa dos pais. Senhor I Wamtchitch, eu acordava cedo porque tínhamos combinado, minha irmã e eu, irmos fazer um passeio matinal. Levantando-me da cama, vi que mamãe e minha irmã dormiam e, nesse mesmo momento, senti como se alguém estivesse na cabeceira de minha cama. Virando-me de lado, porque temia muito olhar para lá, não vi pessoa alguma. Tendo-me deitado de novo, ouvi imediatamente detrás e acima de minha cabeça uma voz de mulher que me dizia, suave mas distintamente: Não tenha medo, sou boa e carinhosa e ainda uma frase de que me esqueci no mesmo instante. Logo depois me vestia adequadamente e ia passear. O estranho é que estas palavras não me espantaram absolutamente.

Nesta narrativa, a melhor demonstração de que o cão teve a mesma visão que o seu dono é fornecida pelo terror que ele experimentou diante da manifestação. O senhor Mamtchitch diz que o cão pulou para cima de sua cama, com o pêlo eriçado no dorso, tremendo e gemendo, e se comprimira contra o seu corpo, olhando com espanto na direção em que o seu dono via Palladia. Ele acrescenta que o animal tinha o hábito de rosnar e latir contra quem quer que fosse. Ora, o insólito terror experimentado pelo cão mostra, de forma incontestável, que não somente ele via Palladia como compreendia instintivamente que não se achava diante de uma pessoa viva, de carne e osso, pois se fosse de outra forma acolheria o intruso rosnando e ameaçando.

Sob um outro ponto de vista - que não é o de que nos ocupamos nesta obra - observo que a narração, de onde extraio o episódio que acabo de reproduzir, constitui um excelente exemplo de identificação espirítica no qual o espírito de Palladia (que se ligara, quando viva, ao juiz Mamtchitch, por laços de afeição) forneceu numerosas e admiráveis provas a respeito de sua presença espiritual.

Caso LII - (Visual, com anterioridade do animal sobre o homem) - Este episódio faz parte da interessante relação enviada pelo professor Alexander, da Universidade do Rio de Janeiro, ao senhor Frederic Myers, e trata de um fenômeno psíquico de que o próprio autor foi testemunha:

Depois, numa noite muito escura, quando estávamos sentados na varanda, o latido lento e monótono de um cachorro, acorrentado fora de casa, atraiu a nossa atenção. Nós o encontramos olhando no ar alguma coisa que nem o sr. Davis nem eu pudemos perceber. As moças, entretanto, declararam que elas viam uma forma espiritual bem conhecida que se mantinha em face do animal e o seu latido exprimia realmente um grande espanto.

Mais tarde, quando a família ocupava a parte inferior da casa, a mais jovem das moças, quase ainda um bebê naquela ocasião, chamou a atenção do seu pai para alguém perto da porta: Um homem, um homem!, exclamava ela, mas para outros olhos que não os seus, nenhum homem era visível. E, enfim, antes que ela conseguisse nos fazer ver o que, aos seus olhos, era tão evidente, sua expressão transformou-se num espanto intenso e ela articulou um `tudo partiu habitual que, na sua linguagem infantil, significava que alguma coisa havia desaparecido. (Proceedings of the S.P.R., vol. III, p. 188)

Neste caso, os latidos de terror emitidos pelo cão bem mostram que ele percebia algo de anormal. A circunstância, teoricamente importante, em que tal coisa aconteceu, antes que as duas moças tivessem percebido o espírito de um dos seus familiares na direção para a qual o animal rosnava, exclui definitivamente a hipótese pela qual se queriam explicar as manifestações de que se trata, isto é, um fenômeno de transmissão telepática, aos animais, de formas alucinatórias criadas pela mente de pessoas presentes.

Caso LIII - (Visual, com anterioridade do animal sobre o homem) - Eu o extraio dos Proceedings of the S.P. R., vol. X, p. 327). O sr. H. E. S., que não deseja que se publique o seu nome, escreve o que se segue:

8 de agosto de 1892 - No ano de 1874, quando tinha apenas dezoito anos de idade, achava-me na casa de meu pai e, em certa manhã de verão, levantei-me lá pelas cinco horas, a fim de acender o fogão e preparar um chá. Um gordo cão da raça bull-terrier, que tinha o costume de me acompanhar por todas as partes, achava-se ao meu lado, quando me ocupava com o fogo. Em um dado momento, ouvi emitir um surdo rosnar, e olhar na direção da porta. Voltei-me para aquele lado e, com grande espanto, percebi uma figura humana, alta e tenebrosa, cujos olhos brilhantes se dirigiam para mim. Soltei um grito de alarma e caí de costas no chão. Meu pai e meus irmãos acorreram logo pensando que ladrões haviam entrado na casa. Contei-lhes o que havia visto e eles julgaram que a visão só tinha sua origem na minha imaginação, perturbada por motivo de recente doença. Mas, por que o cachorro também havia visto algo? Ele via às vezes coisas que eram invisíveis para mim e se lançava contra elas, com gestos de morder no ar e, em seguida, me olhava de certa forma como se quisesse perguntar-me: Não viu nada????

Neste caso, como no que o precede, o narrador-percipiente que, naquele momento, estava ocupado em acender o fogo - operação pouco própria para favorecer alucinações - se voltara e percebera a forma espiritual, porque o seu cão se pusera a rosnar de modo ameaçador. É, pois, difícil duvidar de que houvesse uma aparição objetiva no lugar do aposento para a qual o animal rosnava. Há ainda duas circunstâncias a salientar que o animal foi o primeiro a assinalar a aparição e a acolhê-la do modo que os cães têm o hábito de acolher as pessoas intrusas, sendo fora de duvida que o cão a percebera um momento antes de o seu dono.

Caso LIV - (Visual -coletivo) - Tirados do Phantasms of living, vol. II, p. 197. O riso que vou relatar e o que lhe seguirá têm relação com localidades assombradas e pertenciam, por conseqüência, à categoria VI desta classificação, entretanto, considerando que, nas localidades em questão, não se produziam outros fenômenos psíquicos a não ser a aparição de uma figura humana, me pareceu oportuno incluí-los na presente categoria, Ei-lo:

2 de março de 1884 - Em 1875, minha irmã e eu (tínhamos então treze anos de idade) voltávamos para casa, de carruagem, pelas quatro horas da tarde, num dia de verão, doando, e repente, vimos flutuar, acima de uma cerca uma forma de mulher que deslizava, sem ruído, através da estrada. Essa forma era branca, estava em posição oblíqua e a uns dez pés do chão.

O cavalo subitamente parou e tremia de tal modo espantado que não conseguíamos dominá-lo.

Dirigindo-me à minha irmã, exclamei: Você vê isto ao que respondeu que sim e fez a mesma pergunta ao seu Filho Calfrey, que se achava também na carruagem.

Essa Forma franqueou a cerca, atravessou a estrada e passou por cima de um campo, depois a perdemos inteiramente de vista além de uma plantação. Creio que a observamos durante dois minutos. Ela não tocou nunca o solo mais flutuou sempre a uma pequena distancia da terra.

Chegando a casa, contamos à nossa mãe o que havíamos visto. Tínhamos a certeza de que não foi um engano, nem uma ilusão de nossos sentidos, nem um pássaro, nem nada desta natureza.

Nunca vimos nada semelhante, nem jamais tivemos qualquer outra visão antes ou depois. Todos nós três estávamos gozando de boa saúde, fazia um belo tempo e ninguém nos tinha sugerido a idéia de uma aparição, antes da que nós vimos.

Mais tarde soubemos que se dizia que esse caminho era assombrado e que vários moradores da região tinham ali visto uma aparição.

Violet Montgomery

Sidney Montgomery

Aqui a aparição foi vista por três pessoas ao mesmo tempo e por um cavalo que parou de repente, trêmulo e espantado, a ponto de não obedecer à ação do cocheiro. Não penso que seja preciso ainda insistir no fato de que, em circunstâncias análogas às que tenho sucessivamente exposto, seria absurdo chegar a novas dúvidas na suposição de que os animeis têm realmente as mesmas visões percebidas pelos homens. Não ignoro que, de um ponto de vista rigorosamente científico, não temos, em semelhantes circunstâncias, a `prova absoluta necessária para apoiar a hipótese em questão. Não o ignoro de forma alguma, mas quero observar que esta objeção não tem absolutamente um valor absoluto e que, ao contrário, ela se transforma em sofisma, em face do acúmulo imponente de `provas relativas.

Recordo que a forma espiritual percebida por elas três já tinha sido vista por várias pessoas na mesma localidade, ao passo que as três pessoas que se achavam na carruagem a ignoravam, o que serve para excluir inteiramente a hipótese da atenção expectante. Não resta, pois, mais que reconhecer a natureza, de uma certa forma objetiva, da aparição, que pertence à classe das assombrações.
Caso LV - (Visual, com anterioridade do homem sobre o animal) -Tirado da mesma fonte anterior e narrado por uma dama que não deseja que o seu nome seja mencionado, nome que é conhecido pelos membros da diretoria da S.P.R. Escreve a srta. K. o seguinte:
Foi numa tarde de inverno do ano de 1918... Achava-me no meu quarto, sentada perto da lareira, inteiramente absorvida em acariciar a minha gatinha favorita que estava agachada sobre os meus joelhos, numa atitude quase sonhadora, com os olhos semi fechados, parecendo adormecida.

Embora não houvesse luz no quarto, os reflexos do fogo aclaravam perfeitamente todos os objetos. O aposento em que nos achávamos tinha duas portas, uma das quais dava para uma peça inteiramente fechada. A outra, colocada defronte da primeira, abria para um corredor.

Minha mãe me deixara havia poucos minutos e a poltrona confortável e antiga, com um espaldar altíssimo que ela ocupava, ficou vazia no outro canto da chaminé. Minha gatinha, com a cabeça apoiada no meu braço esquerdo, parecia cada vez mais sonolenta e eu pensava em ir deitar-me. De repente, percebo que algo de inesperado havia perturbado a tranqüilidade de minha favorita. Cessara bruscamente o seu ressonar e dava sinais evidentes de uma inquietação crescente. Curvei-me sobre ela, esforçando-me por acalmá-la com os meus carinhos, quando, repentinamente, se levantou nas quatro patas e começou a rosnar fortemente, numa atitude de defesa e de medo.

Essa atitude fez-me levantar a cabeça, por minha vez, e percebi, com espanto, uma figura pequena, feia, enrugada, de velha megera, que ocupava agora o sofá de minha mãe. Tinha as mãos sobre os joelhos e inclinara o corpo de modo a colocar a sua cabeça perto da minha. Os olhos penetrantes, luzentes, maus, me fixavam, imóveis. Parecia-me que era o diabo que me olhava pelos olhos dela. Suas roupas e o conjunto do seu aspecto pareciam os de uma mulher da burguesia francesa, mas eu não me importava com isto, porque seus olhos, com pupilas estranhamente dilatadas e de uma expressão tão perversa, absorviam completamente minha atenção. Gostaria de gritar com toda a força de meus pulmões, ruas esses olhos maléficos me fascinavam e me continha a respiração. Não podia desviar o olhar dela, e ainda menos me levantar.



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