Os Animais tem Alma



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Era uma noite calma e serena dos últimos dias do mês de agosto. Não havia nenhuma via Férrea nos arredores e casas na vizinhança, nem ruas que podiam ser percorridas por transeuntes retardados. Em suma, o silêncio era completo e a família estava mergulhada em sono, quando, entre meia-noite e meia-noite e quinze, fomos todos acordados, menos nosso pai, por súbitos uivos, desesperados e terríveis, com uma tonalidade diferente de qualquer voz humana e semelhante à precedentemente ouvida por ocasião da morte de nossa mãe, porém infinitamente mais intensa. Provinham eles do corredor conducente ao quarto de nosso genitor. Minha irmã e eu pulamos da cama (ninguém poderia dormir com tal barulho), acendemos uma vela e fomos para o corredor sem pensar mesmo em nos vestir e lá encontramos meu irmão e os três empregados, todos aterrorizados como nós ambas. Embora a noite fosse muito calma, esses uivos desesperados eram acompanhados de golpes de vento que pareciam propagá-los ao longe e poder-se-ia dizer que saíam do teto. Persistiam durante mais de um minuto para sumir, em seguida, através de uma janela.

Uma estranha circunstância se liga a esse acontecimento: os nossos três cães, que dormiam no meu quarto e de minha irmã, correram logo para se agacharem nos cantos, com o pêlo eriçado no dorso. O buldogue se escondera debaixo da cama e, como eu não conseguisse fazê-lo sair de lá, chamando-o, tive que tirá-lo à força, verificar que estava tomado por um tremor convulsivo.

Corremos para o quarto de nosso pai, onde verificamos que ele dormia tranqüilamente. No dia seguinte, com as indispensáveis precauções, fizemos alusão, na sua presença, ao acontecimento da noite, o que nos permitiu verificar que ele nada havia ouvido nada. Ora, como era impossível dormir um sono comum quando ressoavam esses uivos atrozes, é preciso supor que só não ressoavam para ele. Cerca de quinze dias após, ou mais precisamente a 9 de setembro, nosso pai expirava.

E eis o terceiro caso: em 1885, eu me casava e ia morar em Firs (Bromyard), onde vivia com a minha irmã, a senhora Gardiner. Meu irmão morava a cinco milhas de distância e gozava então de perfeita saúde. Certa noite, em meados de maio, minha irmã e eu, a doméstica Emily Corbett e os outros criados (meu marido estava ausente), ouvimos novamente os conhecidos uivos desesperados, ainda que menos terríveis que da última vez. Descemos das nossas camas e vistoriamos a casa, sem nada encontrar. No dia 26 de maio de 1885, meu irmão falecia.

O quarto caso se deu no fim de agosto de 1885. Eu mesma, Emily Corbett e os outros criados tornamos a escutar os uivos, entre tanto, como a nossa morada não era isolada, assim como o presbitério de Weesford, e os uivos não eram tão fortes como naquela ocasião, tive a idéia de que eles poderiam provir de algum pedestre, embora não pudesse ocultar certa inquietação a respeito de minha irmã, a senhora Gardiner, que, no momento, passava mal. Ao contrário, nada sucedeu à senhora Gardiner, que vive até hoje, porém uma outra das minhas irmãs, a srta. Annie Cowpland, que estava de perfeita saúde no instante em que os uivos se fizeram ouvir, falecia uma semana depois de difteria.

SenhoraCowpland-Trelaor, senhoraCowpland-Gardiner, Emily Corbett

Analisemos brevemente este interessante-caso, estudado por Myers. Como disse, do ponto de vista da classificação, ele não tem nenhuma importância especial, sendo igual aos casos narrados na quarta categoria, fora à circunstância de que aqui não se trata mais de visão coletiva de espíritos, mas de percepção de sons de natureza supranormal. Recordo a este respeito que o fato em si, de prenúncio de morte, transmitido aqui sob a forma de uivos desesperados, se explica pelas idiossincrasias pessoais próprias aos sensitivos aos quais a mensagem é endereçada, isto é, que, ordinariamente, a forma de realização dos fenômenos premonitórios, assim como todo Fenômeno supranormal, não procura senão `a via de menor resistência percorrida pela mensagem para chegar, ou do além, ou dos refolhos da subconsciência, até a consciência dos sensitivos. Isto, naturalmente, se liga às manifestações de ordem subjetiva que constituem a grande maioria dos casos de realização inteligente, ao passo que, no caso da aparição de espíritos ou de percepções fônicas de natureza objetiva, o fato da realização deles não dependeria mais de idiossincrasias dos percipientes, porém da presença de um sensitivo fornecendo fluidos e da força da entidade que se manifesta.

Ora, faço notar que, no caso que acabo de expor, há a circunstância de animais que perceberam, ao mesmo tempo em que seres humanos, o barulho dos uivos premonitórios, circunstância que levaria a supor que se tratava, dessa vez, de sons objetivos. Neste caso, a circunstância do pai enfermo, que nada ouvira (porque ele não devia ouvir) teria que ser explicada supondo-se que ele se achava então mergulhado em sono sonambúlico.

SEGUNDO SUBGRUPO


Aparições,de animais sob forma simbólico premonitória

Assim, como tivemos ocasião de verificar, as formas de animais, que têm estritamente função de símbolo, não pertencem à categoria de manifestações de que nos ocupamos nesta obra, mas à de simbolismo nas manifestações metapsíquica em geral, assunto de que trarei numa outra monografia especial. Nessas ocasiões, a forma animal, segundo toda verossimilhança, não representa senão uma projeção alucinatória de uma idéia pensada e transmitida intencionalmente pelo agente telepatizante e isso de acordo com a circunstância de que, no meio familiar, existia uma tradição segundo a qual a aparição de uma forma animal especial equivale a prenúncio de morte iminente na família. Por conseqüência, esta forma de premonições dependeria também de uma espécie de idiossincrasia que se teria perpetuado de uma geração a outra, tios membros da mesma família.

Conhecem-se exemplos de mensagens simbólico-premonitórias que, há vários séculos, se renovam, de forma idêntica, no mesmo meio familiar, porém essas mensagens são constituídas de outros simbolismos de que não tratamos aqui. Acrescento que os casos nos quais o simbolismo toma a forma de um animal são antes raros e só compreendem um pequeno número de repetições da mesma aparição. Dever-se-ia então encará-los como que episódios rudimentares de simbolismo premonitório.

Eis dois breves exemplos que resolvi citar:

Caso LXIX - (Visual) - Este caso se acha nos Pooceedings of lhe S.P.R., vol. V, p. 156. Narra a senhora E. L. Kearney:

17 de janeiro de 1892 - Meu avô estava enfermo. Descia certa tarde por uma escada interna de nosso aposento, quando percebi, no corredor, um gato estranho que caminhava em minha direção. Logo que me avistou, correu para se ocultar detrás de uma porta que dividia, em duas partes, o corredor. Essa porta estava disposta de tal modo que ficava sempre aberta. Corri imediatamente para trás dela, a fim de caçar o estranho animal, mas fiquei muito surpresa por não ver nada ali, nem nada achar no resto do aposento. Contei logo o caso a minha mãe (ela me disse, já há alguns dias, que se lembrava perfeitamente do incidente). Meu avô morreu na manhã do dia seguinte.

Isto parece tanto mais interessante se for considerado em relação a uma outra circunstância. Minha mãe me contou que, na véspera do dia da morte de seu pai, tinha ela também percebido um gato que andava ao redor da cama do doente. Tinha, como eu, tentado apanhá-lo, mas logo não viu mais nada.

Caso LXX - (Visual) -Tirado dos Proceedings of the S.P.R., vol. V, p. 302. A narração é feita pela senhora Welman:

Existe no muro materno de minha família uma tradição segundo a qual, pouco tempo antes da morte de algum dos seus membros, um grande cão negro aparece a um ou outro dos seus parentes. Certo dia do inverno de 1877, pela hora do jantar, eu descia do andar superior, com a casa iluminada e, quando me dirigia para o corredor que conduz à escada, vi, de repente, um grande cão preto que caminhava diante de mim, sem fazer ruído. Nessa semi-obscuridade, pensei que se tratasse de um dos nossos cães pastores e chamei Laddie, mas ele não se voltou e pareceu não ter ouvido. Segui-o e experimentei vaga sensação de mal-estar, que se transformou em um profundo espanto, quando, chegando ao pé da escada, vi desaparecer, diante de mim, qualquer vestígio do animal, embora todas as portas estivessem fechadas. Não contei nada disso a ninguém, mas não podia deixar de pensar continuamente no que me tinha acontecido. Dois ou três dias após, recebemos da Irlanda a notícia da morte inesperada de uma tia, irmã de minha mãe, morte que ocorreu em conseqüência de um acidente.

TERCEIRO SUBGRUPO


Premonições de morte nas quais os animais são percipientes

Eis uma das faculdades mais curiosas e misteriosas da psique animal. Na introdução a esta categoria, já disse que ela consistia no fato de que os animais domésticos manifestam às vezes a faculdade de prever, a curto prazo, a morte de uma pessoa da família a que pertence, anunciando-a por meio de gemidos e uivos característicos. Acrescentei que esta faculdade de várias espécies de animais é muito conhecida entre as tradições dos povos, havendo também a que trata dos `uivos da morte dos cães. Tratar-se-ia então de uma verdadeira faculdade .`premonitória dos animais, embora seja mais limitada que a faculdade correspondente manifestada esporadicamente no homem.

Caso LXXI - O doutor Gustave Geley, que foi o primeiro diretor do Instituto Metapsíquicos Internacional de Paris e autor de obras metapsíquicos que se tornaram clássicas, resolveu fazer uma experiência pessoal destas faculdades supranormais dos animais e a descreve assim no seu livro De inconscient au conscient, p. 192:

Certa noite eu velava, na qualidade de médico de uma jovem que, atingida, em plena saúde, no mesmo dia, por um mal fulminante estava em agonia. A enferma estava em estertores. Era uma hora da madrugada (a morte aconteceu de dia).

Repentinamente, no jardim que circundava a casa, soaram os uivos da morte soltados pelo cachorro da casa. Era um som lúgubre e lastimoso de uma única nota, decrescendo até se extinguir docemente e muito lentamente.

Depois de um silêncio de alguns segundos, o lamento se repetiu, idêntico e monótono, infinitamente triste. A enferma teve um momento de consciência e nos olhamos ansiosos. Ela havia compreendido. O marido saiu às pressas para fazer calar o animal e sua aproximação, ele se ocultou e foi impossível, no meio da noite, achá-lo. Logo que o marido retornou, o lamento recomeçou e foi, assim, durante mais de uma hora, até que o cão pôde ser apanhado e levado para longe.

O que devemos pensar de tais manifestações? O narrador deste caso foi um cientista muito distinto, a autenticidade do fato é incontestável, os uivos do cão foram evidentemente característicos, a premonição de morte se verificou, de modo que não se pode então deixar de concluir que o animal teve realmente um pressentimento da morte iminente de pessoa da casa dele, a menos que se prefira explicar os fatos pela hipótese das coincidências fortuitas. Neste caso, faltaria explicar por que os cães emitem, em tais circunstâncias uivos absolutamente característicos que o narrador descreveu com tanta precisão. Aliás se a hipótese das coincidências fortuitas pode ser ainda sustentada em um caso isolado, ela não se manteria arais se as manifestações desta natureza se realizarem muitas vezes. Ora, é indubitável que elas se produzem, efetivamente, com freqüência, embora, por causa inclusive da natureza dos acontecimentos e porque esses se realizem em meios estranhos às pesquisas metapsíquica, só cheguem raramente às revistas especializadas.

Caso LXXII - Este caso está consignado na obra de Robert Dale intitulada (Região em debate), p. 282. O autor escreve que, há mais de trinta anos, é amigo íntimo da família na qual se deu o fato que ia expor, depois do que prossegue, dizendo:

A srta. Haas, que contava então vinte anos de idade, tinha um irmãozinho de dois anos, o qual possuía um pequeno cão, seu companheiro constante, de quem gostava muito e que lhe era paralelamente muito ligado. Dir-se-ia que olhava por ele como um pai. Certo dia, quando o menino andava de lá para cá, no salão, tropeçou com um pé no carpete e caiu. Sua irmã acorreu, levantando-o e lhe fez carinhos, conseguindo diminuir o seu choro, entretanto, na hora do jantar, os pais observaram que ele estendia a mão esquerda em vez da direita e verificaram que não podia mesmo mover esta última. Fizeram-lhe fricções de álcool alcanforado no braço enfermo, sem que a criança se lastimasse do que quer que fosse e a levaram de novo para a mesa. Subitamente o cãozinho se aproximou da cadeira da criança e se pôs a uivar de modo lastimoso e não habitual. Foi levado de lá, mas continuou a uivar na peça contígua. Então foi tocado da casa e levado para o jardim, quando se pôs diante da janela do quarto do menino e recomeçou os seus uivos, com curtos intervalos de repetição, continuando assim durante a noite inteira, apesar das tentativas feitas para afastá-lo de lá.

Na tarde do mesmo dia, a criança caiu gravemente enferma em conseqüência da queda e faleceu à uma hora da madrugada. Enquanto ela ainda estava viva, os uivos infinitamente tristes do animal se renovavam a curtos intervalos, porém, desde que ela expirou, o cãozinho parou com eles, para não mais recomeçá-los, nem então, nem depois.

No primeiro caso que citei, a premonição de morte diz respeito a um moribundo cujos familiares não fizeram nenhuma alusão ao começo da doença. No segundo caso, ao contrário, a premonição de morte se refere a uma criança que parecia sã e cujo aspecto não deixava entrever conseqüência fatal da queda tida algumas horas antes, de modo que a família não se preocupou com o fato. Segue-se daí que o pressentimento de morte manifestado pelo animal parece, nesta circunstância, ainda mais notável que o precedente. No primeiro caso, poder-se-ia talvez objetar que o cãozinho havia experimentado, telepaticamente, a influência do pensamento dos familiares do moribundo. Já no segundo, esta objeção é inteiramente excluída.

Casos LXXIII, LXXIV e LXXV -A senhora Cárita Borderieux, então diretora da revista Psychical publicou na Revue Scientifique et Morale du Spiritisme (1918, p. 136), um artigo sobre os pressentimentos entre os animais, do qual extraio três casos que ela mesma recolheu:

1 ° caso - Uma das minhas amigas morava em Neuilly-sur-Seine, onde morreu de tuberculose. Sua agonia foi perturbada pelos sinistros uivos de um cachorro da vizinhança. Os pais da moribunda, desesperados por não poderem fazer calar esse animal, habitualmente calmo, deram ordem para lhe levarem um naco de carne que se acabara de preparar. Trabalho inútil, pois o cachorro, desprezando a suculenta refeição, continuou uivando até a morte.

2° caso - O sr. Marcel Mangin, pintor e psiquistas, falecido em 1915, possuía um cão dotado da faculdade de pressentir a morte das pessoas da família. Antes mesmo de a doença vir a causar-lhe preocupações, o animal se punha a uivar de modo estranho, fazendo colo que se notasse essa previsão, que era de espantar.

O sr. Marcel Mangin morreu subitamente de uma embolia. Ora, no dia anterior, quando nada fazia prever um fim tão próximo para o artista, o cão se pôs a uivar de maneira significativa. - Que quer dizer este danado de animal? - perguntavam-se o sr. e sra. Mangin. No dia seguinte o pintor morria.

Perplexa e injusta também, é preciso dizer, a senhora Mangin mandou matar o cão fatal.

3° caso - Madame Camille, a célebre vidente de Nancy, contou-me que ela possuía uma cadelinha e que o seu marido estava enfermo há muito, mas, embora o seu estado de saúde não apresentasse nenhuma piora, o animalzinho se metera subitamente debaixo do sofá, em que ele repousava, e se pusera a uivar lamentosamente.

- Que tem este animal?, perguntou o doente. Até parece que anuncia a minha morte...

Acalmou-se o enfermo e afastou-se o animal, mas, no dia seguinte, o marido de madame Camille expirava.

Dos três casos citados pela senhora Borderieux, o que diz respeito ao falecimento do sr. Marcel Mangin, o conhecido psiquistas, é o mais notável, primeiro, porque contém a circunstância análoga à do caso anterior do cão que começou os uivos da morte quando o seu dono gozava de excelente saúde e nada fazia prever a iminência do seu fim - em segundo lugar, porque se ficou sabendo, pela narração, que o mesmo cão tinha, já em outras ocasiões e da mesma maneira, anunciado iminência de morte na família.

No primeiro dos três casos citados, só se pode achar característico o incidente do cão que recusa um naco de suculenta carne, preferindo uivar até a morte do agonizante. Dir-se-ia que, nestas circunstâncias, os animais se acham em condições de meio sonambulismo, no qual o automatismo subconsciente, dominando o campo de sua consciência, os torna insensíveis a algumas tentações dos sentidos, que seriam para eles irresistíveis, no estado normal.

Caso LXXVI - O sr. William Ford, residente em Reading, na Inglaterra, escreveu, nos seguintes termos, a Light (1921, p. 569):

Na minha mocidade, eu possuía um cão-pastor de raça cruzada e cauda curta, que fora destinado a reunir e guiar os carneiros e os bois. Havíamos passado juntos bons dias felizes na fazenda paterna, mas chegou o dia em que os negócios nos obrigaram a deixar a casa e o meu cão foi dado a um velho fazendeiro que residia perto de Maidstone. Logo, ele e o cão se tornaram amigos inseparáveis e, onde o homem fosse, o animal o seguia, amizade enternecedora que durou três anos.

Certa manhã, o velho fazendeiro não se levantou na hora habitual e seu filho foi ver o que podia significar essa infração aos costumes paternais. O velho, com a maior calma, anunciou que há sua hora era chegada e pediu que lhe trouxesse o cão, que ele queria ver uma vez ainda, antes de falecer.

O filho tentou persuadir seu pai dessa afirmação, que, para ele, era o produto de uma lúgubre fantasia, mas, como sua insistência contrariasse o velho, foi buscar o cão e o levou para o pai. Logo que o animal entrou no quarto, pulou para cima da cama e começou a agradar o velho dono, para, pouco depois, se retirar para um canto e começar a uivar lamentosamente. O animal foi levado para fora, acariciado, mas nada conseguia confortá-lo ou fazê-lo calar. Acabou por se retirar para o seu canil e entregar-se a um abatimento tão profundo e tão desesperado que morreu às oito e meia da noite. Seu velho dono o seguiu na morte, falecendo às dez horas.

Dez anos depois, achava-me sentado num centro experimental particular e, num dado momento, o médium teve um sobressalto. Indagado sobre o que havia visto, respondeu: Pareceu-me ver um urso, o que não era senão um cão. Surgiu, no centro, de um pulo, apoiou as patas sobre os joelhos do sr. Ford e ele o acariciou. Fez em seguida uma descrição minuciosa do cão que aparecera, a qual correspondia inteiramente à do meu cão-pastor. O médium conclui, dizendo: Tinha um focinho que parecia sorrir. Esse detalhe se adaptava bem ao animal e eu não duvido de modo algum de sua identidade.

Neste caso, a premonição de morte por parte do animal é menos interessante do que nos casos precedentes, pois que ela se produziu apenas meio dia antes do falecimento, quando o velho já sabia que estava para morrer. Essas circunstâncias não impedem, entretanto, que houvesse, integralmente, como nos outros casos, rima percepção de morte iminente pelo cão. Há, além disso, o episódio emocionante da morte do animal em conseqüência de sua profunda dor.

O último incidente da aparição do animal durante uma sessão mediúnica, dez anos depois de sua morte, transforma esta narração em um caso de transição entre a presente categoria e a seguinte, na qual tratamos dos casos de aparições identificadas de formas de animais.

No meu conjunto de fatos, não se encontram outros exemplos de premonição de morte por parte dos animais, o que não significa, de modo algum, que as manifestações desta espécie sejam raras, mas apenas que se negligenciou, até aqui, de as reunir. O que contribui para demonstrar isso é que, quando se faz alusão aos fatos desta natureza nos meios populares, provocam-se sempre narrações de casos semelhantes. Essas, infelizmente, são feitas de uma maneira tão vaga ou passaram por tantas bocas que não se pode acolhê-las numa classificação científica.

Resulta daí que, embora tudo contribua para provar a realidade das manifestações em questão, seria, no entanto, prematuro comentá-las, visto que o exame delas não será oportuno senão quando se chegar a acumular, em quantidade suficiente, os materiais brutos dos fatos, de maneira a poder analisá-los, compará-los e classificá-los de acordo com um método rigorosamente científico.


SEXTA CATEGORIA


ANIMAIS E FENÔMENOS DE ASSOMBRAÇÃO

Esta categoria é muito abundante em exemplos interessantes e instrutivos. Com efeito, depois de uma triagem rigorosa feita na minha coleção de fatos, achei ainda trinta e nove casos à minha disposição, casos dos quais me limitarei, naturalmente, a relatar somente uma parte, enviando o leitor, para os outros, às publicações que os contêm.

Para maior clareza, subdividi estes casos em dois subgrupos. No primeiro, examino os fatos nos quais os animais deram sinais certos de perceber, coletivamente com o homem, manifestações de assombração e, no segundo, trato de casos de aparições de formas de animais em lugares assombrados.

PRIMEIRO SUBGRUPO


Manifestações de assombração percebidas por animais

Resumo, primeiramente, alguns casos que, sendo constituídos de curtos incidentes episódicos espalhados em longas narrativas, não podem ainda ser relatados por inteiro. Começo por três casos históricos que extraio de um artigo de sir Alfred Russell Wallace, intitulado Étude sur les apparitions e estampado nos Annales des Sciences Psychiques, 1891.

Caso LXXVII - (Auditivo, com anterioridade do animal sobre o homem):

Em sua narrativa sobre os fenômenos que se deram no curato de Epworth, o eminente John wesley (fundador da seita dos metodistas), depois de ter descrito estranhos ruídos semelhantes aos que fariam objetos de ferro e de vidro atirados por terra, acrescenta: Pouco depois, o nosso grande buldogue Masheff correu para se refugiar entre o senhor e a senhora Wesley. Enquanto duraram os ruídos, ele latia e saltava, mordendo o ar de um lado e de outro, e isto antes que alguém no aposento ouvisse qualquer coisa, mas depois de dois ou três dias, ele já tremia e se ia rastejando antes que os ruídos recomeçassem. A família sabia, a este sinal, o que iria acontecer e isto não falhava nunca...

Caso LXXVIII - (Auditivo-coletivo):

Durante os fenômenos sucedidos no cemitério de Arensburg, na ilha de Oesel, onde caixões foram virados dentro de abóbadas fechadas, fatos devidamente verificados por uma comissão oficial, os cavalos das pessoas que iam ao cemitério Ficaram muitas vezes tão espantados e excitados que acabaram cobertos de suor e espuma. Algumas vezes eles se arrojavam por terra e pareciam agonizar e, apesar dos socorros que lhes levavam imediatamente, vários morreram ao cabo de um dia ou dois. Neste caso, como em tantos outros, embora a comissão fizesse uma investigação muito severa, não descobriu ali nenhuma causa natural (Robert Dale Owen em Footfalls om the boundaries of another world, p. 186).

Caso LXXIX - (Auditivo-coletivo):

No terrível caso de residência assombrada narrado ao sr. K. Dale Owen pela senhoras. C. Hall - ela própria testemunha dos fatos principais - vimos que o homem assombrado não pudera, guardar um cão por muito tempo: não foi possível fazê-lo permanecer no aposento nem de dia nem de noite. O que ele tinha, quando a senhoraS. C. Hall o conheceu, assim que os fenômenos começaram e, logo depois, fugiu e desapareceu. (Footfalls, p. 326).


A estes casos históricos, Wallace acrescenta três outros de datas recentes:

Caso LXXX - (Visual-coletivo):

No caso narrado pelo senhor Hudson em Arena, setembro de 1889, quando a dama de branco apareceu ao irmão do autor, lemos que, na terceira noite, ele viu o cão rastejar e permanecer com o olhar fixo e, em seguida, agir como se fosse perseguir por todo o aposento. Meu irmão não viu nada, porém ouviu uma espécie de silvo e o pobre do cão latia, depois procurou ocultar-se e não quis mais entrar naquele lugar.



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