Os exilados da capela



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Do ponto de vista espiritual ou religioso essas tribos eram ainda absolutamente ignorantes e já de alguma forma fetichistas, pois adoravam, por temor ou superstição instintiva, fenômenos que não compreendiam e imagens grotescas representativas tanto de suas próprias paixões e impulsos nativos, como de forças maléficas ou benéficas que ao seu redor se manifestavam perturbadoramente.

Da mesma comunicação de João Evangelista, a que já nos referimos, transcrevemos aqui mais os seguintes e evocativos períodos:

- "Depois do primeiro dia da humanidade, o corpo do homem aparece menos feio, menos repugnante à contemplação de minha alma.

Sua fronte começa a debuxar-se na parte superior do rosto, quando o vento açoita e levanta as ásperas melenas que a cobrem.

Os seus olhos são mais vivos e transparentes; o seu nariz é mais afilado e levantado e a sua boca é menos proeminente.

Seus braços são menos longos e esquálidos, suas carnes menos secas, suas mãos menos volumosas e com dedos mais prolongados; os ossos do esqueleto mais arredondados, mais bem dispostos aos movimentos das articulações; maior elasticidade existe nos músculos e mais transparência na pele que cobre todo o corpo.

No seu olhar se reflete o primeiro raio de luz intelectual, como um primeiro despertar do seu espírito adormecido.

No seu caminhar, já menos lerdo e vacilante, adivinha-se a ação inicial da vontade, o princípio das manifestações espontâneas.

Procura a mulher e não mais a abandona; assiste-lhe no nascimento dos filhos, com quem reparte o calor e o alimento.

O sentimento começa a despertar-lhe. "
VII
Como Era, Então, O Mundo
A humanidade, nessa ocasião, estava então num ponto em que uma ajuda exterior era necessária e urgente, não só para consolidar os poucos e laboriosos passos já palmilhados como, principalmente, para dar-lhe diretrizes mais seguras e mais amplas no sentido evolutivo.

Em nenhuma época da vida humana tem-lhe faltado o auxílio do Alto que, quase sempre, se realiza pela descida de Emissários autorizados. O problema da Terra, porém, naqueles tempos, exigia para sua solução, medidas mais amplas e mais completas que, aliás, não tardaram a ser tomadas pelas entidades espirituais responsáveis pelo progresso planetário, como veremos em seguida.

O panorama geográfico da Terra, nessa época, era o seguinte:

ORIENTE

a) O grande continente da Lemúria que se estendia das alturas da Ilha de Madagascar para o leste e para o sul, cobrindo toda a região ocupada hoje pelo Oceano indico, descendo até a Austrália e incluindo a Polmésia.

b) A região central da Ásia, limitada ao sul pelo Himalaia e que se estendia para leste, Pacífico adentro; para oeste terminava num grande mar, que subia de sul para norte, passando pelas regiões hoje ocupadas pelo Indostão, Beluchistão, Pérsia e Tartária e terminando na região sub-ártica6. Este foi o hábitat central da Terceira Raça.

OCIDENTE

c) O continente formado pela Grande Atlântida, que se desenvolvia de sul a norte sobre a região hoje ocupada pelo Oceano Atlântico, que lhe herdou o nome.

d) A parte superior da América do Norte, que formava então dois braços dirigidos um para Oriente, na direção da atual Groenlândia, e outro para Ocidente, prolongando-se pelo Oceano Pacífico, na direção da Ásia. Nestas duas regiões se estabeleceram, mais tarde, os povos da Quarta Raça.

e) Ao norte um continente ártico, denominado Hiperbóreo7, que cobria toda a região do Pólo Norte, mais ou menos até a altura do paralelo 80, sobre todo o território Europeu."

Esta foi a região habitada, mais tarde, pelos formadores da Quinta Raça, os Árias. Além destes cinco continentes, a tradição consigna a existência do chamado "Primeiro Continente", Terra Sagrada, "Terra dos Deuses": que "era o berço do primeiro Adão, a habitação do último mortal divino, escolhido como uma sede para a humanidade, devendo presidir à semente da futura humanidade".

Como se vê, trata-se da própria Capela que, após a descida dos Exilados, passou a ser considerada como uma região ligada à Terra, um prolongamento desta por ser a própria pátria, o paraíso momentaneamente perdido e para aonde deveriam voltar ao fim de seu exílio.

Esses continentes a que nos referimos eram então habitados pelos homens da Terceira Raça, que assim se distribuíam:

-Na Lemúria-os Rutas, homens de pele escura.

-Na Ásia- os Mongóis, de pele amarelada.

- Na Atlântida - os Atlantes, de pele avermelhada, (os primitivos), que serviram de semente à Quarta Raça.

Sem embargo dessas diferenças de cor as demais características biológicas já descritas prevaleciam, mais ou menos uniformemente, para todos os indivíduos dessa Terceira Raça, em todos os lugares.

VIII
A SENTENÇA DIVINA
Ia em meio o ciclo evolutivo da Terceira Raça8, cujo núcleo mais importante e numeroso se situava na Lemúria, quando, nas esferas espirituais, foi considerada a situação da Terra e resolvida a imigração para ela de populações de outros orbes mais adiantados, para que o homem planetário pudesse receber um poderoso estímulo e uma ajuda direta na sua árdua luta pela conquista da própria espiritualidade.

A escolha, como já dissemos, recaiu nos habitantes da Capela.

Eis como Emmanuel, o espírito de superior hierarquia, tão estreitamente vinculado, agora, ao movimento espiritual da Pátria do Evangelho, inicia a narrativa desse impressionante acontecimento:

"Há muitos milênios, um dos orbes do Cocheiro, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos...

Alguns milhões de espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e de virtudes..."9

E, após outras considerações, acrescenta:

- "As Grandes Comunidades Espirituais, diretoras do Cosmo, deliberaram, então, localizar aquelas entidades pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua."

Dá-nos, pois, assim, Emmanuel, com estas revelações de tão singular natureza, as premissas preciosas de conhecimentos espirituais transcendentes, relativos à vida planetária - conhecimentos estes já de alguma forma focalizados pelo Codificador10 - que abrem perspectivas novas e muito dilatadas à compreensão de acontecimentos históricos que, de outra forma - como, aliás, com muitos outros tem sucedido - permaneceriam na obscuridade ou, na melhor das hipóteses, não passariam de lendas.

Aliás, essa permuta de populações entre orbes afins de um mesmo sistema sideral, e mesmo de sistemas diferentes, ocorre periodicamente, sucedendo sempre a expurgos de caráter seletivo, como também é fenômeno que se enquadra nas leis gerais da justiça e da sabedoria divinas, porque vem permitir reajustamentos oportunos, retomadas de equilíbrio, harmonia e continuidade de avanços evolutivos para as comunidades de espíritos habitantes dos diferentes mundos.

Por outro lado, é a misericórdia divina que se manifesta, possibilitando a reciprocidade do auxílio, a permuta de ajuda e de conforto, o exercício, enfim, da fraternidade para todos os seres da criação.

Os escolhidos, neste caso, foram os habitantes da Capela que, como já foi dito, deviam dali ser expurgados por terem se tornado incompatíveis com os altos padrões de vida moral já atingidos pela evoluída humanidade daquele orbe.

Resolvida, pois, a transferência, os milhares de espíritos atingidos pela irrecorrível decisão foram notificados do seu novo destino e da necessidade de sua reencarnação em planeta inferior.

Reunidos no plano etéreo daquele orbe, foram postos na presença do Divino Mestre para receberem o estímulo da Esperança e a palavra da Promessa, que lhes serviriam de consolação e de amparo nas trevas dos sofrimentos físicos e morais, que lhes estavam reservados por séculos.

Grandioso e comovedor foi, então, o espetáculo daquelas turbas de condenados, que colhiam os frutos dolorosos de seus desvarios, segundo a lei imutável da eterna justiça.

Eis como Emmanuel, no seu estilo severo e eloqüente, descreve a cena:

- "Foi assim que Jesus recebeu, à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela turba de seres sofredores e infelizes. Com a sua palavra sábia e compassiva exortou aquelas almas desventuradas à edificação da consciência pelo cumprimento dos deveres de solidariedade e de amor, no esforço regenerador de si mesmas. Mostrou-lhes os campos de lutas que se desdobravam na Terra, envolvendo-as no halo bendito de sua misericórdia e de sua caridade sem limites. Abençoou-lhes as lágrimas santificadoras, fazendo-lhes sentir os sagrados triunfos do futuro e prometendo-lhes a sua colaboração cotidiana e a sua vinda no porvir. Aqueles seres desolados e aflitos, que deixavam atrás de si todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal, seriam degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura, reencarnar-se-iam no seio das raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes. Por muitos séculos não veriam a suave luz da Capela, mas trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia."

E assim a decisão irrevogável se cumpriu e os exilados, fechados seus olhos para os esplendores da vida feliz no seu mundo, foram arrojados na queda tormentosa, para de novo somente abri-los nas sombras escuras, de sofrimento e de morte, do novo "hábitat" planetário.

Foram as coortes de Lúcifer que, avassaladas pelo orgulho e pela maldade, se precipitaram dos céus à terra, que daí por diante passou a ser-lhes a morada purgatorial por tempo indefinido.

E após a queda, conduzidos por entidades amorosas, auxiliares do Divino Pastor, foram os degredados reunidos no etéreo terrestre e agasalhados em uma colônia espiritual, acima da crosta, onde, durante algum tempo, permaneceriam em trabalhos de preparação e de adaptação para a futura vida a iniciar-se no novo ambiente planetário.11

IX
AS ENCARNAÇÕES PUNITIVAS
A esse tempo, os Prepostos do Senhor haviam conseguido selecionar, em várias partes do globo, e no seio dos vários povos que o habitavam, núcleos distintos e apurados de homens primitivos em cujos corpos, já biologicamente aperfeiçoados, devia iniciar-se a reencarnação dos capelinos.

Esses núcleos estavam localizados no Oriente, no planalto do Pamir, no centro norte da Ásia e na Lemúria, e no Ocidente entre os primitivos atlantes, e, entre todos, os chineses (mongóis) eram os mais adiantados como confirma Emmanuel, quando diz:

- "Quando se verificou a chegada das almas proscritas da Capela, em épocas remotíssimas, já a existência chinesa contava com uma organização regular, oferecendo os tipos mais homogêneos e mais selecionados do planeta, em face dos remanescentes humanos primitivos. Suas tradições já andavam, de geração em geração, construindo as obras do porvir."12

E acrescenta:

- "Inegavelmente o mais prístino foco de todos os surtos evolutivos do globo é a China milenária."13

Os capelinos, pois, que já estavam reunidos, como vimos, no etéreo terrestre, aguardando o momento propício, começaram, então, a encarnar nos grupos selecionados a que já nos referimos, predominantemente nos do planalto do Pamir, que apresentavam as mais aperfeiçoadas condições biológicas e etnográficas, como sejam: pele mais clara, cabelos mais lisos, rostos de traços mais regulares, porte físico mais desempenado e elegante.

A respeito dessa miscigenação, a narrativa de Emmanuel, se bem que de um ponto de vista mais geral não deixa, contudo, de ser esclarecedora.

Diz ele:

-"Aquelas almas aflitas e atormentadas, encarnaram-se proporcionalmente nas regiões mais importantes, onde se haviam localizado as tribos e famílias primitivas, descendentes dos primatas. E com a sua reencarnação no mundo terreno estabeleciam-se fatores definitivos na história etnológica dos seres.

Dessa forma, pois, é que se formaram nessas regiões os primeiros núcleos raciais da nova civilização em perspectiva que, dali, foram se espalhando, em sucessivos cruzamentos, por todo o globo, máxime no Oriente, onde habitava a Terceira Raça, em seus mais condensados agrupamentos.

Ouçamos, agora, novamente, o Evangelista descrever esse acontecimento, numa visão retrospectiva de impressionadora e poética beleza:

- "Donde vieram esses homens, novos no meio dos homens?

A Terra não lhes deu nascimento, porque eles nasceram antes de ela ser fecunda.

No meio dos homens antigos da Terra descubro homens novos, meninos, mulheres e varões robustos; donde vieram esses homens que nasceram antes da fecundidade da Terra?

Em cima e ao redor da Terra, rodopiam os céus e os infernos, como sementes de geração e de luz.

O vento sopra para onde o impulsa a mão que criou a sua força, e o espírito vai para aonde o chama o cumprimento da lei.

Os homens novos que descubro entre os homens antigos da Terra, os quais nasceram antes desta ser fecunda, vêm a ela em cumprimento de uma lei e de uma sentença divina.

Eles vêm de cima, pois vêm envoltos em luz e a sua luz é um farol para os que moram nas trevas da Terra. Se, porém, seus olhos e suas frontes desprendem luz, nos semblantes eles trazem o estigma da maldição. São árvores de pomposa folhagem, mas privadas de frutos, arrancadas e lançadas fora do paraíso, onde a misericórdia as havia colocado e donde as desterrou por algum tempo.

A sua cabeça é de ouro, as suas mãos de ferro e os seus pés de barro. Conheceram o bem, praticaram a violência e viveram para a carne.

A geração proscrita traz na fronte o selo da sentença, mas também tem o da promessa no coração. Tinham pecado por sabedoria e orgulho e seu entendimento obscureceu-se. A obscuridade foi a sentença do entendimento ensoberbado, e a luz, a promessa da misericórdia que subsiste e subsistirá.

Bem-aventurados os que choram por causa das trevas e da condenação e cujos corações não edificam moradas nem levantam tendas.

Porque serão peregrinos no cárcere e renascerão para morar perpetuamente, de geração em geração, nos cimos onde não há trevas; porque recuperarão os dons da misericórdia na consumação. "

A descida dessa raça maior causou, como era natural, no que respeita à vida de seus habitantes primitivos, sensível modificação no ambiente terrestre que, ainda mal refeito das convulsões telúricas que assinalaram os primeiros tempos de sua formação geológica, continuava, entretanto, sujeito a profundas alterações e flutuações de ordem geral.

Como já dissemos, toda mudança de ciclo evolutivo acarreta profundas alterações, materiais e espirituais, nos orbes em que se dão; nos céus, na terra e nas águas há terríveis convulsões, deslocamentos, subversões de toda ordem com dolorosos sofrimentos para todos os seus habitantes.

Logo, após, os primeiros contatos que se deram com os seres primitivos e, reencarnados os capelinos nos tipos selecionados já referidos, verificou-se de pronto tamanha dessemelhança e contraste, material e intelectual, entre essas duas espécies de homens, que sentiram aqueles imediatamente a evidente e assombrosa superioridade dos ádvenas, que passaram logo a ser considerados super-homens, semideuses, Filhos de Deus, como diz a gênese mosaica, e, como é natural, a dominar e dirigir os terrícolas.

Formidável impulso, em conseqüência, foi então imprimido à incipiente civilização terrestre em todos os setores de suas atividades primitivas.

De trogloditas habitantes de cavernas e de tribos selvagens aglomeradas em palafitas, passaram, então, os homens, sob o impulso da nova direção, a construir cidades nos lugares altos, mais defensáveis e mais secos, em torno das quais as multidões aumentavam dia a dia.

Tribos nômades se reuniam aqui e ali, formando povos e nações, com territórios já agora mais ou menos delimitados e, com o correr do tempo, definiram-se as massas etnográficas com as diferenciações asseguradas pelas sucessivas e bem fundamentadas reproduções da espécie.

Adotaram-se costumes mais brandos e esboçaram-se os primeiros rudimentos das leis; os povos, que então saíam da Era da Pedra Polida, estabeleceram os fundamentos da indústria com a utilização, se bem que incipiente, dos metais; foi-se assegurando aos poucos a base de uma consciência coletiva e os homens, pelas experiências já sofridas e pelo crescente despertar da Razão, ainda que embrionária, iniciaram uma tentativa de organização social, em novo e mais promissor período de civilização.

Enfim, naquela paisagem primitiva e selvagem, que era realmente um cadinho combusto de forças em ebulição, definiram-se os primeiros fundamentos da vida espiritual planetária.

X
TRADIÇÕES ESPIRITUAIS DA DESCIDA
Nada existe, que saibamos, nos arquivos do conhecimento humano, que nos dê, desse fato remotíssimo e de tão visceral interesse, a saber: o da miscigenação de raças pertencentes a orbes siderais diferentes. Revelação tão clara e transcendente como essa que nos vem pelos emissários da Doutrina Espírita, tanto como consta, em seus primeiros anúncios, da Codificação Kardeciana e das comunicações subseqüentes de espíritos autorizados, como agora desta narrativa impressionante de Emmanuel, que estamos a cada passo citando.

Realmente, perlustrando os anais da História, das Ciências, das Religiões e das Filosofias, vêmo-las inçadas de relatos, enunciados e afirmativas emitidos por indivíduos inspirados que impulsionaram, impeliram o pensamento humano, desde os albores do tempo e em todas as partes do mundo; conceitos, concepções que representam um colossal acervo de conhecimentos de toda espécie e natureza.

Mas em nenhum desses textos a cortina foi jamais levantada tão alto para deixar ver como esta humanidade se formou, no nascedouro, segundo as linhas espirituais da questão; o espírito humano, por isso mesmo, e por força dessa ignorância primária, foi-se deixando desviar por alegorias, absorver e fascinar por dogmas inaceitáveis, teorias e idealizações de toda sorte, muitas realmente não passando de fantasias extravagantes ou elocubrações cerebrais alucinadas.

Todavia, neste particular que nos interessa agora, nem tudo se perdeu da realidade e, buscando-se no fundo da trama, muitas vezes inextricável e quase sempre alegórica dessas tradições milenárias, descobrem-se aqui e ali filões reveladores das mais puras gemas que demonstram, não só a autenticidade como, também, a exatidão dos detalhes desses empolgantes acontecimentos históricos, que estão sendo trazidos a lume pelos mensageiros do Senhor, nos dias que correm. Assim, compulsando-se a tradição religiosa dos hebreus, verifica-se que o Livro Apócrifo de Enoque diz, em certo trecho, Cap. 6:21:

- "Houve anjos, chamados Veladores, que se deixaram cair do céu para amar as Filhas da Terra."

"E quando os anjos -os Filhos do Céu- as viram, por elas se apaixonaram e disseram entre si: vamos escolher esposas da raça dos homens e procriemos filhos."

Então seu chefe Samyaza lhes disse:

"Talvez não tenhais coragem para efetivar esta resolução e eu ficarei sozinho responsável pela vossa queda."

Mas eles lhe responderam: "Juramos de não nos arrepender e de levar a efeito a nossa intenção."

E foram duzentos deles que desceram sobre a Montanha de Harmon. A partir de então, esta montanha foi denominada Harmon, que quer dizer "montanha do juramento".

Desses consórcios nasceram gigantes que oprimiram os homens.

Eis os nomes dos chefes desses anjos que desceram: Samya-za, que era o primeiro de todos, Urakbarameel, Azibeel, Tamiel, Ramuel, Danel, Amarazac, Azkeel, Saraknial, Azael, Armers, Batraal, Aname, Zaveleel, Samsaveel, Ertrael, Turel, Jomiael e Arasial.

"Eles tomaram esposas com as quais viveram, ensinando-lhes a magia, os encantamentos e a divisão das raízes e das árvores.

Ámarazac ensinou todos os segredos dos encantamentos, Batraal foi o mestre dos que observam os astros, Azkeel revelou os signos e Azael revelou os movimentos da Lua."

Este livro de Enoque, anterior aos de Moisés é também muito citado pelos exegetas da antigüidade e pelo apóstolo Judas Tadeu em sua epístola, vers.14, e dá, pois, testemunho deste acontecimento.

Enoque, no velho hebraico, significa iniciado. Falam dele Orígenes, Procópio, Tertuliano, Lactâncio, Justino, Irineu de Lião, Clemente de Alexandria e outros santos católicos.

Os maniqueus o citavam a miúdo e Euzébio diz em sua obra intitulada: Preparação do cristão no espírito do Evangelho que Moisés, no Egito, aprendeu com esse livro de Enoque.

No século XVIII o explorador escocês Jaime Bruce (1730-1794) descobriu um exemplar dele na Abissínia, mais tarde traduzido para o inglês pelo arcebispo Lawrence. Os etíopes-que são os medianitas da Bíblia-também dizem que Moisés abeberou-se nesse livro, que lhe fora ofertado por seu sogro, o sacerdote Jetro, e que dele se valeu para escrever a Gênese.14

"Os Jubileus", outro livro muito antigo dos hebreus, acrescenta que os "Veladores" vieram à Terra para ensinar aos homens a vida perfeita, mas acabaram seduzidos pelas mulheres encarnadas.

Este livro, também conhecido como "A Pequena Bíblia", é considerado ainda mais antigo que o próprio Velho Testamento.

Na mesma tradição dos hebreus vemos que Moisés – o filho de Termútis e sacerdote do templo de Mênfi s; que veio à Terra com a missão de fundar com esse povo escravo, após sua libertação, a religião monoteista e a nação de Israel, para que, no seu seio (único então considerado preferível ) descesse mais tarde ao planeta o Messias Redentor - também se referiu ao transcendente fato e o consignou na sua Gênese para que à posteridade fosse assegurado mais este testemunho de sua autenticidade.

Realmente, velado embora pela cortina da alegoria, lá está o acontecimento descrito, na primeira parte da narrativa, quando o profeta conta a criação do primeiro homem, sua queda e ulterior expulsão do paraíso do Éden; esse mesmo empolgante sucesso histórico, Emmanuel agora nos relata, quatro milênios após, de forma objetiva e quase minudente, conquanto cingindo-se unicamente ao aspecto espiritual do problema.

Pois ele mesmo adverte, referindo-se às finalidades de sua já citada obra:

- "Não deverá ser este um trabalho histórico. A história do mundo está compilada e feita.

Nossa contribuição será a tese religiosa elucidando a influência sagrada da fé e o ascendente espiritual no curso de todas as civilizações terrestres. "15


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