Os exilados da capela



Baixar 416.69 Kb.
Página6/9
Encontro29.11.2017
Tamanho416.69 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9

Não se pode confundir Lemúria com Atlântida; ambos os continentes soçobraram, mas o período decorrido entre as duas catástrofes foi de cerca de 700 mil anos.

Floresceu a Lemúria e terminou a sua carreira no espaço de tempo que antecedeu a madrugada da idade eoceno, pois a sua raça foi a terceira.

Contemplai as relíquias dessa nação, outrora tão grandiosa, em alguns dos aborígines de cabeça chata que habitam a vossa Austrália.

Lembrai-vos de que por baixo dos continentes explorados e escavados pelos cientistas, em cujas entranhas descobriram a idade eoceno, obrigando-a a entregar os seus segredos, podem jazer ocultos nos leitos oceânicos insondáveis outros continentes muito mais antigos. Assim por que não aceitar que os nossos continentes atuais, como também Lemúria e Atlântida, hajam sido submergidos já por diversas vezes, dando assento a novos grupos de humanidades e civilizações; que no primeiro grande solevamento geológico do próximo cataclismo (na série de cataclismos periódicos que ocorre desde o começo até o fim de cada circuito) os nossos atuais continentes submetidos já a autópsia hão de afundar-se, enquanto tornem a surgir outras Lemúrias e outras Atlântidas?"

Assim, como aconteceu antes com a Lemúria (Fig. 4), o afundamento da Atlântida trouxe, para a geografia do globo, novas e importantes modificações na distribuição das terras e das águas, a saber:

Com o afundamento da Grande Atlântida (Fig.5)

a) sobrelevou-se o território da futura América, que se rematou ao ocidente, no centro e no sul, com a cordilheira dos Andes;

b) completou-se o contorno desse continente na parte oriental;

c) permaneceram sobre as águas do oceano que então se formou, e conserva o mesmo nome do continente submergido - O Atlântico - algumas partes altas que hoje formam as ilhas de Cabo Verde, Açores, Canárias e outras;

d) na Europa levantou-se a cordilheira dos Alpes.

Com o afundamento da Pequena Atlântida (Fig. 6) a) produziu-se novo levantamento na África, completando-se esse continente com a secagem do lago Tritônio e conseqüente formação do deserto do Saara, até hoje existente;

b) foi rompido o istmo de Gibraltar, formando-se o atual estreito do mesmo nome e o Mar Mediterrâneo.

Essa narrativa do Troiano e as tradições dos Maias, por outro lado, concordam com as tradições egípcias, reveladas a Sólon pelos sacerdotes de Saís, seiscentos anos antes da nossa era, as quais afirmam que a Atlântida submergiu 9.500 anos antes da época em que eles viviam.

Também concordam com a narrativa feita por Platão, em seus livros Timeu e Crítias, escrita quatro séculos antes de Cristo, na qual esse renomado discípulo de Sócrates, filósofo e iniciado grego que gozou na antigüidade de alto e merecido prestígio, confirma todas estas tradições.

Para o trabalho que estamos fazendo, considerada sua feição mais que tudo espiritual, basta-nos a tradição.

Por último, quanto aos habitantes sobreviventes desses dois cataclismos, resta dizer que parte se refugiou na América sobrelevada, vindo a formar os povos astecas, maias, incas e peles-vermelhas em geral, ainda hoje existentes; parte alcançou as costas norte-africanas, vindo a trazer novo contingente de progresso aos povos ali existentes, principalmente aos egípcios; e uma última parte, finalmente, a de importância mais considerável para a evolução espiritual do planeta, ganhou as costas do continente Hiperbóreo, para leste, onde já existiam colônias da mesma raça, para ali emigradas anteriormente, como já dissemos, e cujo destino será em seguida relatado.

Assim, com estes acontecimentos terríveis e dolorosos, extinguiu-se a Quarta Raça e abriu-se campo às atividades daquela que a sucedeu, que, sobre todas as demais, foi a mais importante e decisiva para a incipiente civilização do mundo.

XVI
A QUINTA RAÇA
Com a chegada dos remanescentes da Atlântida, os povos Hiperbóreos ganharam forte impulso civilizador e, após várias transformações operadas no seu tipo fundamental biológico, por efeito do clima, dos costumes e dos cruzamentos com os tipos-base, já previamente selecionados pelos auxiliares do Cristo, conseguiram estabelecer os elementos etnográficos essenciais e definitivos do homem branco, de estatura elegante e magnífica, cabelos ruivos, olhos azuis, rosto de feições delicadas.

Nessa época, como tantas vezes sucedera no globo anteriormente, esse continente começou a sofrer um processo de intenso resfriamento que tornou toda a região inóspita, hostil à vida humana.

Por essa razão, os Hiperbóreos foram obrigados a emigrar em massa e quase repentinamente para o sul, invadindo o centro do planalto europeu, onde se procuraram estabelecer.

Eis como E. Schuré, o inspirado autor de tantas e tão belas obras de fundo espiritualista, descreve esse êxodo:

- "Se o sol da África incubou a raça negra, direi que os gelos do pólo ártico viram a eclosão da raça branca. Estes são os Hiperbóreos dos quais fala a mitologia grega.

Esses homens de cabelos vermelhos, olhos azuis, vieram do norte, através de florestas iluminadas por auroras boreais, acompanhados de cães e de renas, comandados por chefes temerários e impulsionados por mulheres videntes.

Raça que deveria inventar o culto do sol25 e do fogo sagrado e trazer para o mundo a nostalgia do céu. umas vezes se revoltando contra ele e tentando escalá-lo de assalto e outras se prosternando ante seus esplendores em uma adoração absoluta.'"

Como se vê, a Quinta Raça foi a última, no tempo, e a mais aperfeiçoada, que apareceu na Terra, como fruto natural de um longo processo evolutivo, superiormente orientado pelos Dirigentes Espirituais do planeta.

Ao se estabelecerem no centro da Europa os Hiperbóreos, logo a seguir e antes que pudessem definitivamente se fixar, foram defrontados pelos negros que subiam da África, sob a chefia de conquistadores violentos e aguerridos, que abrigavam suas hordas sob o estandarte do Touro, símbolo da força bruta e da violência.

Essas duas raças que assim se enfrentavam, representando civilizações diferentes e antagônicas, preparavam-se para uma guerra implacável, uma carnificina inglória e estúpida, quando os poderes espirituais do Alto, visando mais que tudo preservar aqueles valiosos espécimes brancos, portadores de uma civilização mais avançada e tão laboriosamente selecionados, polarizaram suas forças em Rama, jovem sacerdote do seu culto - o primeiro dos grandes enviados históricos do Divino Mestre - dando-lhe poderes para que debelasse uma terrível epidemia que lavrara no seu povo e adquirisse junto deste, enorme prestígio e respeito.

Assim, sobrepondo-se, mesmo, ás sacerdotisas que exerciam completo predomínio religioso, Rama assumiu a direção efetiva do povo, levantou o estandarte do Cordeiro - símbolo da paz e da renúncia - e, no momento julgado oportuno, conduziu-o para os lados do Oriente, atravessando a Pérsia e invadindo a índia, desalojando os Rutas primitivos e aí estabelecendo, sob o nome de Árias, os homens da gloriosa Quinta Raça.

Esses mesmos homens que, tempos mais tarde, se espalharam dominadoramente em várias direções, mas, notadamente para o Ocidente, conquistando novamente a Europa até as bordas do Mediterrâneo, nessas regiões plantaram os fundamentos de uma civilização mais avançada que todas as precedentes.

Agora, podemos apresentar um esboço das cinco raças que viveram no mundo, antes e depois da chegada dos capelinos.

São as seguintes:

1ª ) A raça formada por espíritos que viveram no astral terreno, que não possuíam corpos materiais, e, por isso, não encarnaram na Terra.

Característica fundamental: "astralidade".

2ª) A raça formada por espíritos já encarnados, que desenvolveram forma, corpo e vida própria, conquanto pouco consistentes.

Características: "semi-astralidade".

3ª) Raça Lemuriana- Estabilização de corpo, forma e vida, e acentuada eliminação dos restos da "astralidade inferior", Com esta raça começaram a descer os capelinos.

Não se conhecem as sub-raças.

4ª ) Raça Atlante - Predomínio da materialidade inferior. Poderio material.

Grupos étnicos: romahals, travlatis, semitas, acádios, mongóis, turamanos e toltecas.

5ª) Raça Ariana- Predomínio intelectual. Evoluiu até o atual quinto grupo étnico, na seguinte ordem: indo-ariana, acadiana, caldaica, egípcia, européia.

A substituição das raças não se faz por cortes súbitos e completos, mas, normalmente, por etapas, permanecendo sempre uma parcela, como remanescente histórico e etnográfico. Apesar de pertencermos à Quinta Raça ainda existem na crosta pianetária povos representantes das raças anteriores (terceira e quarta)26 em vias de desaparecimento, nos próximos cataclismos evolutivos.

Ao grande ciclo ariano (5ª raça) na evolução humana compete o desenvolvimento intelectual e às raças seguintes o da intuição e da sabedoria.

XVII
O DILÚVIO BÍBLICO
Relatados, assim, os dois cataclismos anteriores e os acontecimentos que se lhes seguiram até o estabelecimento dos Árias nas índias, resta-nos agora descrever o dilúvio asiático - que é aquele a que a Gênese se refere - que foi o último ato do grande expurgo saneador da Terra, naquelas épocas heróicas que estamos descrevendo.

Eis como Moisés relata o pavoroso evento:

"E esteve o dilúvio quarenta dias sobre a Terra; e todos os altos montes que haviam debaixo de todo o céu foram cobertos. E expirou toda a carne que se movia sobre a terra... Tudo que tinha fôlego de espírito de vida sobre a terra, tudo o que havia no seco, morreu...

E ficou somente Noé e os que estavam com ele na Arca." (Gn, 7:17-23)

E agora a narração sumério-babilônica feita por Zisuthrus, rei da Décima

Dinastia, considerado o Noé caldaico:

-"O Senhordo impenetrável abismo, anunciou a vontade dos deuses, dizendo: Homem de Sutripak, faz um grande navio e acaba-o logo; eu destruirei toda a semente da vida com um dilúvio."

E prossegue o narrador:

-"Quando Xamas veio, no tempo pré-fixado, então, uma voz celestial bradou: à noite farei chover copiosamente; entra no navio e fecha a porta...

Quando o sol desapareceu, fui preso do terror: entrei e fechei a porta...

Durante seis dias e seis noites o vento soprou e as águas do dilúvio submergiram a terra.

Cheio de dor contemplei então o mar; a humanidade em lodo se convertera e, como caniços, os cadáveres boiavam."

Diz a tradição egípcia:

- "Houve grandes destruições de homens, causadas pelas águas.

Os deuses, querendo expurgar a terra, submergiram-na."

E a tradição persa acrescenta:

- "A luz do Ised da chuva brilhou na água durante trinta dias e trinta noites; e ele mandou chuva sobre cada corpo por espaço de dez dias.

A terra foi coberta de água até a altura de um homem. Depois toda aquela água foi outra vez encerrada."

E os códigos esotéricos hindus narram o seguinte:

- "O dia de Brama não estava ainda terminado, quando se levantou a cólera do Varão Celeste, dizendo:

Por que, transformando minha substância criei o éter, transformando o éter criei o ar, transformando a luz criei a água, e transformando a água criei a matéria?

Por que projetei na matéria o germe universal do qual saíram todas as criaturas animadas?

E eis que os animais se devoram entre si; que o homem luta contra seu irmão, desconhece minha presença e outra coisa não faz que destruir minha obra; que por toda parte o mal triunfa do bem.

Sem atender à eclosão das idades estenderei a noite sobre o universo e reentrarei no meu repouso.

Farei reentrarem as criaturas na matéria, a matéria na água, a água na luz, a luz no ar, o ar no éter e este na minha própria substância.

A água, da qual saíram as criaturas animadas, destruirá as criaturas animadas."

Mas continua a narração:

-"Vishnu, ouvindo estas palavras, dirigiu-se a Brama e pediu-lhe que lhe permitisse a ele mesmo intervir pessoalmente para que os homens não fossem todos destruídos e pudessem se tornar melhores futuramente.

Obtida a concessão, Vishnu ordena ao santo varão Vaiswasvata que construa um grande navio, entre nele com sua família e outros espécimes de seres vivos, para que assim possa ser preservada na terra a semente da vida.

Assim que isso foi feito desabou a chuva, os mares transbordaram e aterra inteira desapareceu sob as águas."

E continuando, encontramos entre os tibetanos a mesma recordação histórica de um dilúvio havido em tempos remotos, o mesmo sucedendo com os tártaros, cujas tradições dizem que:

-"Uma voz tinha anunciado o dilúvio.

Rebentou a trovoada e as águas, caindo sempre dos céus, arrastaram imundícies para o oceano, purificando a morada dos homens."

E finalmente o acontecimento é contado pelos chineses da seguinte forma:

-"Quando a grande inundação se elevou até o céu, cercou as montanhas, cobriu todos os altos e os povos, perturbados, pereceram nas águas."

Por estes relatos diferentes se verifica que todos os povos do Oriente conheciam o fato e se referiam a um dilúvio ocorrido nessa vasta região que vai das bordas do Mediterrâneo, na Ásia Menor, ao centro norte do continente asiático.

Em alguns desses relatos as semelhanças são flagrantes e dão a entender que, ou o conhecimento veio, promanando de uma mesma fonte informativa, ou realmente ocorreu, atingindo toda essa região e deixando na consciência coletiva dos diferentes povos que a habitavam a recordação histórica, para logo ser transformada em tradição religiosa.

Por outro lado, há vários contestadores da veracidade do acontecimento, que se valem de diferentes argumentos, entre os quais este: de que chuvas, por mais copiosas e prolongadas que fossem, não bastariam para inundar a terra em tão extensa proporção, cobrindo "altos montes", como diz Moisés, ou "elevando-se até o céu", como diz a tradição chinesa. Atenta-se, porém, para o fato de que o estilo oriental de narrativas é sempre hiperbólico; como também note-se que os testemunhos de alguns outros povos, como, por exemplo, o persa, não vão tão longe em tais detalhes, e os egípcios, que estão situados tão próximos da Palestina, são ainda mais discretos afirmando unicamente que a terra foi submergida. Atentando para as narrativas hebraica, hindu, e sumério-babilônica, partes das quais acabamos de transcrever, verifica-se que em todas, entre outras semelhanças, existe a mesma notícia de uma família que se salva das águas, enquanto todos os demais seres perecem.

Julgamos quase desnecessário esclarecer que essas famílias representam a parte melhor da população que se salvou; o conjunto de indivíduos, moralmente mais evoluídos ou moralmente menos degenerados, que a Providência divina preservou do aniquilamento, para que os frutos do trabalho comum, o produto da civilização até aí atingida, não fossem destruídos e pudessem se transmitir às gerações vindouras.

Assim também sucedeu, como já vimos, nos cataclismos anteriores, da Lemúria e da Atlântida e assim sucede invariavelmente todas as vezes que ocorrem expurgos saneadores do ambiente espiritual planetário, a grande massa pecadora é retirada e somente um pequeno número selecionado sobrevive.

Justamente como disse o Divino Mestre na sua pregação: "São muitos os chamados, poucos os escolhidos." (Mt, 20:16)

No que se refere às controvérsias já citadas, nada mais temos a dizer senão que a circunstância de estar o acontecimento do dilúvio registrado nos arquivos históricos de todos os povos referidos

basta para provar sua autenticidade, como também para excluir a hipótese, adotada por alguns historiadores, de que essas narrativas se referem ao dilúvio universal, ou a algum dos períodos glaciários a que atrás nos referimos.

O dilúvio narrado na Bíblia representa a invasão da bacia do Mediterrâneo pelas águas do oceano Atlântico, quando se rompeu o istmo de Gibraltar com o afundamento da Pequena Atlântida e seu cortejo de distúrbios meteorológicos.

Com a descrição do dilúvio asiático e de acordo com a divisão que adotamos para a história do mundo, como consta do capítulo III, aqui fica encerrado o Primeiro Ciclo, o mais longo e difícil para a evolução planetária, que abrange um período de mais de meio bilhão de anos.

XVIII
OS QUATRO POVOS
Após essas impressionantes depurações, os remanescentes humanos agrupados, cruzados e selecionados aqui e ali, por vários processos, e em cujas veias já corria, dominadoramente, o sangue espiritual dos Exilados da Capela, passaram a formar quatro povos principais, a saber: os árias, na Europa; os hindus, na Ásia; os egípcios, na África e os israelitas, na Palestina.

Os árias, após a invasão da Índia, para aonde se deslocaram, como vimos, sob a chefia de Rama, aí se estabeleceram, expulsando os habitantes primitivos, descendentes dos Rutas da Terceira Raça, e organizando uma poderosa civilização espiritual que, em seguida, se espalhou por todo o mundo.

Deles descendem todos os povos de pele branca que, um pouco mais tarde, conquistaram e dominaram a Europa até o Mediterrâneo.

Os hindus se formaram de cruzamentos sucessivos entre os primitivos habitantes da região, que fecundamente proliferaram após as arremetidas dos árias para o Ocidente e para o sul, e dos quais herdaram conhecimentos espirituais avançados e outros elementos civilizadores.

Os egípcios - os da primeira civilização - detentores da mais dinâmica sabedoria, povo que, como diz Emmanuel: "Após deixar o testemunho de sua existência gravado nos monumentos imperecíveis das pirâmides, regressou ao paraíso da Capela."

E finalmente os israelitas, povo tenaz, orgulhoso, fanático e inamovível nas suas crenças; povo heróico no sofrimento e na fidelidade religiosa, do qual disse o Apóstolo dos Gentios:

- "Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; porém, vendo-as de longe, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos e hóspedes na Terra." (Pa,11:13)

Povo que até hoje padece, como nenhum outro dos exilados, por haver desprezado a luz, quando ela no seu seio privilegiado brilhou, segundo a Promessa, na pessoa do Divino Senhor -o Messias.

Como disse o apóstolo João:

- "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandeceu nas trevas, e as trevas não a receberam." (Jo, 1:4-5)

XIX
A MÍSTICA DA SALVAÇÃO
Feito, assim, a largos traços, o relato dos acontecimentos ocorridos nesses tempos remotíssimos da pré-história, sobre os quais a cortina de Cronos velou detalhes que teriam para nós, hoje em dia, imensurável valor, vamos resumir agora o que sucedeu com os quatro grandes povos citados, sobreviventes dos expurgos saneadores, povos esses cuja história constitui o substrato, o pano de fundo do panorama espiritual do mundo até o advento da história contemporânea.

É o relato do segundo ciclo da nossa divisão e vai centralizar a figura sublime e consoladora do Messias de Deus que, nascendo na semente de Abraão e no seio do povo de Israel, legou ao mundo um estatuto de vida moral maravilhoso, capaz de levantar os homens aos mais altos cumes da evolução planetária em todos os tempos.

A vida desses quatro povos é a vida da mesma humanidade, conforme a conhecemos, na trama aparentemente inextricável de suas relações sociais tumultuárias.

O tempo, valendo séculos, a partir daí, transcorreu, e as gerações se foram sucedendo umas às outras, acumulando-se e se beneficiando do esforço, dos sofrimentos e das experiências coletivas da raça.

O panorama terrestre sofreu modificações extraordinárias, com a aplicação da inteligência na conquista da terra e seu cultivo; no desenvolvimento progressivo da indústria, que passou, então, a se utilizar amplamente dos metais e demais elementos da natureza; na construção de cidades cada vez maiores e mais confortáveis; na formação de sociedades cada vez melhor constituídas e mais complexas; de nações mais poderosas; nas lutas da ciência, ainda incipiente, contra a natureza altiva e indomável, que avaramente sonegava seus mistérios e seus tesouros, só os liberando, com prudência e sabedoria, à medida que a Razão humana se consolidava; lutas essas que, por fim, cumularam na aquisição de conhecimentos obtidos à custa de esforços tremendos e sacrificios sem conta.

Experiências, enfim, árduas e complexas, mas todas indispensáveis, as quais caracterizam a evolução dos homens em todas as esferas e planos da divina criação.

E, como seria natural que sucedesse, em todas essas incessantes atividades os exilados foram, por seus líderes, os pioneiros, os guias e condutores do rebanho imenso.

Predominaram no mundo e absorveram por cruzamentos inúmeros a massa pouco evoluída e semipassiva dos habitantes primitivos.

É verdade que não foi, nem tem sido possível até hoje, obter-se a fusão de todas as raças numa só, de características uniformes e harmônicas - no que respeita principalmente à condição moral- o que dá margem a que no planeta subsistam, coexistindo, tipos humanos da mais extravagante disparidade: antropófagos ao lado de santos, silvícolas ao lado de supercivilizados; isto, todavia, se compreende e justifica ao considerar que a Terra é um orbe de expiação, onde forças diversas e todas de natureza inferior se entrechocam, rumo a uma homogeneidade que só futuramente poderá ser conseguida. Mas, por outro lado, também é certo que, se não fora a benéfica enxertia representada pela imigração dos capelinos, muito mais retardada ainda seria a situação da Terra no conjunto dos mundos que compõem o seu sistema sideral, mormente no campo intelectual.

Voltando, porém, àqueles recuados tempos de que estamos tratando, verificamos que, apesar das duras vicissitudes por que passaram e das alternativas de sucesso e fracasso na luta pela existência, a recordação do paraíso perdido permaneceu indelével no espírito dos infelizes degredados, robustecida, aliás, periodicamente, pelos estágios de maior lucidez espiritual que gozavam no Espaço, no intervalo das sucessivas reencarnações.

Sempre lhes fulgurou na alma sofredora a intuição da origem superior, dos erros do pretérito e, sobretudo, das promessas de regresso, algum dia, às regiões mais felizes do Cosmo.

Por onde quer que seus passos os levassem, no lamentoso peregrinar; onde quer que levantassem, naqueles tempos, suas tendas rústicas ou acendessem seus fogos familiares sempre, no íntimo dos corações, lhes falava a voz acariciadora da esperança, rememorando as palavras daquela Entidade Divina, senhora de todo poder que, nos páramos de luz onde outrora habitaram, os reuniu e os confortou, antes do exílio, prometendo-lhes auxílio e salvação.


Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal