Os exilados da capela



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Como narra Emmanuel27:

- "Tendo ouvido a palavra do Divino Mestre antes de se estabelecerem no mundo, as raças adâmicas, nos seus grupos isolados, guardaram as reminiscências das promessas do Cristo, que, por sua vez, as fortaleceu no seio das massas, enviando-lhes, periodicamente, seus missionários e mensageiros".

Sim: Rama, Fo-hi, Zoroastro, Hermes, Orfeu, Pitágoras, Sócrates, Confúcio e Platão (para só nos referirmos aos mais conhecidos na história do mundo ocidental) ou o próprio Cristo planetário em suas diferentes representações como Numu, Juno, Anfion, Antúlio, Krisna, Moisés, Buda e finalmente Jesus, esses emissários ou avatares crísticos, em vários pontos da Terra e em épocas diferentes, realmente vieram, numa seqüência harmoniosa e uniforme, trazer aos homens sofredores os ensinamentos necessários ao aprimoramento dos seus espíritos, ao alargamento da compreensão e ao apressamento dos seus resgates, todos falando a mesma linguagem de redenção, segundo a época em que viveram e a mentalidade dos povos em cujo seio habitaram.

Assim, pois, a lembrança do paraíso perdido e a mística da salvação pelo regresso, tornaram-se comuns a todos os povos e influíram poderosamente no estabelecimento dos cultos religiosos e das doutrinas filosóficas do mundo; e ainda mais se fortificaram e tomaram corpo, mormente no que se refere aos descendentes de Abraão, quando Moisés a isso se referiu, de forma tão clara e evidente, na sua Gênese, ao revelar a queda do primeiro homem e a maldição que ficou pesando sobre toda a sua descendência.

Ora, essa queda e essa maldição, que os fatos da própria vida em geral confirmavam e, de outro lado, o peso sempre crescente dos sofrimentos coletivos, deram motivo a que os degredados se convencessem de que o remédio para tal situação estava acima de suas forças, além de seu alcance, que somente por uma ajuda sobrenatural, apaziguadora da cólera celeste, poderiam libertar-se deste mundo amargurado e voltar à claridade dos mundos felizes.

Fracassando como homens e seguindo os impulsos da intuição imanente, voltaram-se desesperados para as promessas do Cristo, certos de que somente por esse meio alcançariam sua libertação; daí a crença e a esperança universais em um Messias salvador.

Mas, por outro lado, isso também deu margem a que a maioria desses povos se deixassem dominar por uma perniciosa egolatria, considerando-se no gozo de privilégios que não atingiam a seus irmãos inferiores – os Filhos da Terra.

Criaram, assim, cultos religiosos exclusivistas, inçados de processos expiatórios, ritos evocativos, e, quanto aos hebreus, adotaram mesmo de uma forma ainda mais radical e particularizada, o estigma da circuncisão, para se marcarem em separado como um povo eleito, predileto de Deus, destinado à bem-aventurança na terra e no céu.

Por isso - como ato de apaziguamento e de submissão - em quase todas as partes do mundo os sacrificios de sangue, de homens e de animais eram obrigatórios, variando as cerimônias, segundo o temperamento mais ou menos brutal ou fanático dos oficiantes.

Os próprios cânones mosaicos, como os conhecemos, estabeleceram esses sacrifícios sangrentos para o uso dos hebreus, e o Talmude, mais tarde, ratificou a tradição, dizendo: "que o pecado original não podia ser apagado senão com sangue".

E a tradição, se bem que de alguma forma transladada para uma concepção mais alta ou mais mística, prevalece até nossos dias, nas religiões chamadas cristãs, ao considerarem que os pecados dos homens foram resgatados por Jesus, no Calvário, pelo preço do seu sangue, afastando da frente dos homens a responsabilidade inelutável do esforço próprio para a redenção espiritual.

Por tudo isso, se vê quão indelével e profunda essa tradição tinha ficado gravada no espírito dos exilados e quanta amargura lhes causava a lembrança da sentença a que estavam condenados.

E a mística ainda evoluiu mais: propagou-se a crença de que a reabilitação não seria conseguida somente com esses sacrifícios sangrentos, mas exigia, além disso, a intervenção de um ser superior, estranho à vida terrestre, de um deus, enfim, a imolar-se pelos homens; a crença de que o esforço humano, por mais terrível que fosse, não bastaria para tão alto favor, se não fosse secundado pela ação de uma entidade gloriosa e divina, que se declarasse protetora da raça e fiadora de sua remissão.

Não compreendiam, no seu limitado entendimento, que essa desejada reabilitação dependia unicamente deles próprios, do próprio aperfeiçoamento espiritual, da conquista de virtudes enobrecedoras, dos sentimentos de renúncia e de humildade que demonstrassem nas provas pelas quais estavam passando.

Não sabiam-porque, infelizmente para eles, ainda não soara no mundo a palavra esclarecedora do Divino Mestre - que o que com eles se passava não constituía um acontecimento isolado, único em si mesmo, mas sim uma alternativa da lei de evolução e da justiça divina, segundo a qual cada um colhe os frutos das próprias obras.

Por isso, a crença em um salvador divino foi se propagando no tempo e no espaço, atravessando milênios, e a voz sugestiva e influente dos profetas de todas as partes, mas notadamente os de Israel, nada mais fazia que difundir essa crença tornando-a, por fim, universal.

- "É por essa razão" - diz Emmanuel - "que as epopéias do Evangelho foram previstas e cantadas alguns milênios antes da vinda do Sublime Emissário".

Como conseqüência disso, e por esperarem um deus, passaram, então, os homens a admitir que Ele, o Senhor, não poderia nascer como qualquer outro ser humano, pelo contato carnal impuro; como não conheciam outro processo de manifestação na carne, senão a reprodução, segundo as leis do sexo, por toda parte começou a formar-se também a convicção de que o Salvador nasceria de uma virgem que deveria conceber de forma sobrenatural.

Por isso, na índia lendária, os avatares divinos nascem de virgens, como de virgens nasceram Krisna e Buda; no zodíaco de Rama, a Virgem lá estava no seu quadrante, amamentando o filho; no Egito, a deusa ísis, mãe de Hórus, é virgem; na China, Sching-Mou, a Mãe Santa, é virgem; virgem foi a mãe de Zoroastro, o iluminado iniciador da Pérsia; todas as demais tradições, como as dos druidas e até mesmo das raças nativas da América, descendentes dos Atlantes, falavam dessa concepção misteriosa e não habitual.

XX
A TRADIÇÃO MESSIÂNICA
Essa era, pois, naqueles tempos, a esperança geral do mundo: o Messias.

- "Uma secreta intuição" - conta Emmanuel - "iluminava o espírito divinatório das massas populares. Todos os povos O esperavam em seu seio acolhedor; todos O queriam, localizando em seus caminhos sua expressão sublime e divinizada "28.

Os tibetanos O aguardavam na forma de um herói que regularizaria a vida do povo e o redimiria de seus erros. Kin-Tsé - o Santo - que não tinha pai humano, era concebido de uma virgem e existia antes mesmo que a Terra existisse.

Diziam d'Ele:

- "Será o deus-homem, andará entre os homens e os homens não O conhecerão.

Feri o Santo - dizia a tradição - rasgai-o com açoites, ponde o ladrão em liberdade."

Veja-se em tão curto trecho quanta realidade existia nesta profecia inspirada!

Pelo ano 500 a.C., muito antes do drama do Calvário e no tempo de Confúcio, que era então ministro distribuidor de justiça do Império do Meio, foi ele procurado por um dignitário real que o interrogou a respeito do Homem Santo: quem era, onde vivia, como prestar-lhe honras...

O sábio, com a discrição e o entendimento que lhe eram próprios, respondeu que não conhecia nenhum homem santo, nem ninguém que, no momento, fosse digno desse nome; mas que ouvira dizer (quem o disse não sabia) que no Ocidente (em que lugar não sabia) haveria num certo tempo (quando, não sabia) um homem que seria aquele que se esperava.

E suas palavras foram guardadas; transcorreu o tempo e quando, muito mais tarde e com enorme atraso, devido às distâncias e às dificuldades de comunicações, a notícia do nascimento de Jesus chegou àquele longínquo e isolado país, o imperador Ming-Ti enviou uma embaixada para conhecê-Lo e honrá-Lo; porém já se haviam passado sessenta anos desde quando se consumara o sacrifício do Calvário.

Na índia, toda a literatura sagrada dos templos estava cheia de profecias a respeito da vinda do Messias.

O Barta-Chastran, por exemplo, dizia em um de seus belos poemas que em breve nasceria um brama, na cidade de Sçambelan, na morada de um pastor, que libertaria o mundo dos daítias (demônios), purgaria a terra dos seus pecados, estabeleceria um reino de justiça e verdade e ofereceria um grande sacrifício.

Nesse poema, além de outras notáveis concordâncias com a futura realidade dos fatos, destaca-se esta: Sçambelan em sânscrito significa "pão de casa"; Belém, em hebraico, significa "casa de pão".

O Scanda-Pourana dizia que:

- "Quando três mil e cem anos da Kali-Iuga 29 se esgotarem o Rei da Glória aparecerá e libertará o mundo da miséria e do mal."

O Agni-Pourana assinalava:

- "Que um poderoso espírito de retidão e de justiça apareceria em dado tempo, nascendo de uma virgem."

E o Vrihat-Catha anunciava:

- "Que nasceria em breve tempo uma encarnação divina com o nome de Vicrama."

Ouçamos, agora, a palavra profética das nações, cujos sacerdotes tinham a primazia na comunhão misteriosa com os astros.

A duração dessas idades, segundo o astrônomo hindu Asuramaya, são respectivamente de 1.440.000, 1.080.000, 720.000 e 360.000 anos, com períodos intermediários entre elas que totalizam outros 720.000 anos. Ao todo, soma-se um total de 4.320.000 anos, chamada de "Idade Divina". "Um Dia de Brama" (ou Kalpa) - um dia de manifestação evolutiva do universo Criador - corresponde a mil "Idades Divinas", ou seja 4,32 bilhões de anos. "Uma Noite de Brama" tem igual duração.

Na Pérsia o primeiro Zoroastro30 , três milênios antes do divino nascimento, já o anunciava a seus discípulos dizendo: - "Oh! vós, meus filhos, que já estais avisados do Seu nascimento antes de qualquer outro povo; assim que virdes a estrela, tomai-a por guia e ela vos conduzirá ao lugar onde Ele - o Redentor - nasceu.

Adorai-O e ofertai-Lhe presentes, porque Ele é a Palavra - O Verbo – que formou os céus."

Na Caldéia, no tempo de Cambises, Zerdacht - o sacerdote magno - anunciou a vinda do Redentor e a estrela que brilharia por ocasião do Seu nascimento.

No Egito, o país das portentosas construções iníciáticas, Ele era também esperado, desde muito tempo, e em Sua honra os templos sacrificavam nos seus altares.

Na grande pirâmide de Gizé estava gravada a profecia do Seu nascimento, em caracteres hieroglíficos, para conhecimento da posteridade.

O tebano Pamylou, quando, certa vez, visitava o templo de Amon, conta que ouviu, vindo de suas profundezas, uma voz misteriosa e imperativa a bradar-lhe:

"Oh! tu que me ouvis, anuncia aos mortos o nascimento de Osíris- o grande rei - salvador do mundo."

E quanto à Grécia lá está Ele - o Messias - simbolizado no "Prometeu" de Ésquilo, uma das mais poderosas criações do intelecto humano.

E d'Ele disse Platão - o iluminado:

- "Virtuoso até a morte, Ele passará por injusto e perverso e, como tal, será flagelado, atormentado, e, por fim, posto na cruz."

E a essa corrente sublime de vozes inspiradas, que O anunciavam em todas as partes do mundo, vem, então, juntarse e de forma ainda mais objetiva e impressionante, a palavra profética do povo hebreu.

No IV Livro de Esdras o profeta dizia que o Messias viria da banda do mar.

Jó Sob o tormento de suas provas, realmente dignificadoras, dizia:

- "Eu sei que o meu Redentor virá e estarei de pé, no derradeiro dia, sobre o pó." (19:25)

Isaías

- "Eis que uma virgem conceberá e gerará um filho e chamará seu nome Emmanuel." (7:14)

- "E a terra que foi angustiada não será entenebrecida: envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zabulom e a terra de Neftali; mas, nos últimos se enobreceu, junto ao caminho do mar, de Além Jordão, na Galiléia dos gentios.

E o povo que andava nas trevas viu uma grande luz e sobre os que habitavam a terra de sombras e de morte resplandeceu uma luz." (9:1-2)

Jeremias

- "Eis que vêm dias - diz o Senhor - em que se levantará a Davi, um renovo justo; e, sendo rei, reinará e prosperará e praticará o juízo e a justiça na terra.

Nos seus dias, Judá será salvo e Israel habitará seguro; e este será o seu nome com que o nomearão: O Senhor Justiça Nossa." (23:5-6)

Miquéias

- "E tu, Belém, Efrata, ainda que pequena entre as milhares de Judá, de ti me sairá o que será senhor de Israel e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade31," (5:2)

Zacarias

-"Alegra-te muito, ó filha de Sião, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e salvador, pobre e montado sobre um jumento.

Ele falará às nações e o seu domínio se estenderá de um mar a outro mar e desde o rio até as extremidades da terra." (9:9-10)

Davi -o ancestral

-"O Senhor enviará o cetro de tua fortaleza desde Sião, dizendo: domina no meio dos teus inimigos.

O teu povo será muito voluntarioso no dia do teu poder, nos ornamentos da santidade, desde a madre da alva; tu tens o orvalho da tua mocidade; és o sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque; o Senhor, à tua direita, ferirá os reis no dia da tua ira; julgará entre as nações; tudo encherá de corpos mortos, ferirá os cabeças de grandes terras." (SI, 110:2-6) E, no Salmo 72:

- "Haverá um justo que domine sobre os homens. E será como a luz da manhã quando sai o sol, manhã sem nuvens, quando pelo seu resplendor e pela chuva, a erva brota da terra.

Ele descerá como a chuva sobre a erva ceifada. Aqueles que habitam no deserto se inclinarão ante Ele e todos os reis se prostrarão e todas as nações o servirão.

Porque Ele livrará ao necessitado quando clamar, como também ao aflito e ao que não tem quem ajude; e salvará as almas dos necessitados, libertará as suas almas do engano e da violência.

O seu nome permanecerá eternamente; se irá propagando de pais a filhos enquanto o sol durar e os homens serão abençoados por Ele e todas as nações o chamarão bem-aventurado."

Daniel

- "Disse o Anjo: setenta semanas estarão determinadas sobre o teu povo para consumir a transgressão, para acabar os pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna e para ungir o Santo dos Santos; desde a saída da palavra para fazer tornar até o Messias – o Príncipe". (9:24-25)

Malaquias

- "Eis que eu envio o meu anjo que aparelhará o caminho diante de mim.

E de repente virá ao seu tempo o Senhor que vós buscais, e o anjo do testamento a quem vós desejais.

Mas quem suportará o dia de sua vinda? E quem subsistirá quando Ele aparecer?

Porque Ele será como o fogo do ourives e como o sabão da lavadeira." (3:1-2)

E o coro inicial se amplia, e novamente volta a ronda profética a se repetir, acrescentando detalhes impressionantes pela sua exatidão:

Zacarias

-"Três dias antes que apareça o Messias, Elias virá colocar-se nas montanhas. Há de chorar e se lamentar dizendo: montanhas da terra de Israel quanto tempo quereis permanecer em sequidão, aridez e solidão? Ouvir-se-á a sua voz de uma extremidade da terra à outra. Depois ele dirá: a paz veio ao mundo."

Isaías - referindo-se aos fins da tragédia dolorosa:

- "Como pasmaram muitos à vista de ti, de que o teu parecer estava tão desfigurado, mais do que outro qualquer e a tua figura mais do que a dos outros filhos dos homens." (52:14)

- "Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido!

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, porque o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de todos nós.

Ele foi oprimido porém não abriu a sua boca, como um cordeiro foi levado ao matadouro e como a ovelha muda, perante seus tosquiadores, assim não abriu a sua boca.

Da ânsia e do juízo foi tirado e quem contará o tempo da sua vinda?

E puseram sua sepultura com os ímpios e com o rico estava na sua morte, porquanto nunca fez injustiça nem houve engano na sua boca." (53:4-9)

Davi -numa lamentação dolorosa:

- "Meu Deus! Meu Deus! Por que me desamparaste?" (SI, 22:1)

Não te alongues de mim, pois a angústia está perto e não há quem ajude. (SI, 22:11)

Rodearam-me cães, o ajuntamento dos malfeitores me cercou; transpassaram-me as mãos e os pés e repartiram entre si os meus vestidos e lançaram sortes sobre a minha túnica," (SI, 22:16-18)

Zacarias -mais uma vez, como o manto de perdão que cobre todos os pecados:

-" Porém, sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito de graça e de suplicações; e olharão para mim a quem transpassaram, e chorarão amargamente como se chora sobre o primogênito." (12:10-11)

E por fim:

Isaías - novamente, falando da grandeza moral do sacrificio:

- "Porque derramou sua alma na morte... levou sobre si o pecado de muitos e intercedeu pelos transgressores." (53:12)

Entre os cristãos primitivos havia o texto chamado "David cum sibyla" conhecido como "Dies irae", referindo-se ao juízo foral.

E nos templos pagãos dos gregos, romanos, egípcios, caldeus e persas, como nos santuários, tantas vezes tenebrosos, onde as sibilas pontificavam, fazendo ouvir as vozes misteriosas dos "manes" e das "pítias"32, todas elas, unissonamente, profetizaram sobre o Messias

esperado.

Ouçamo-las uma por uma:

A sibila Helespôntica33

Os povos não sofrerão mais, como no passado. Verão em abundância as colheitas de Ceres. Uma santa jovem, sendo mãe e virgem Conceberá um filho de poder imortal.

Ele será deus da paz, e o mundo, perdido, Será salvo por Ele.

Cassandra, a sibila Titurbina

Nos campos de Betlém, em lugar agreste

Eis que uma virgem se torna mãe de um deus! E o menino, nascido em carne mortal,

Suga o leite puro do seu seio casto. Oh! Três vezes feliz! Tu aleitarás

O filho do Eterno, protegendo-o com os teus braços.

A sibila Europa

Sob um pequeno alpendre, aberto, inabitado O Rei dos Reis nasce pobremente.

Ele que tem o poder de dispor de todos os bens! Vejam: sobre o feno, seu corpo descansa.

Os mortos, do Inferno, piedoso, tirará. Depois, triunfante, em glória, subirá aos céus.

A sibila Egípcia

O verbo se fez carne, sem poluição Duma virgem Ele toma seu corpo. Exprobará o vício; e a alma depravada Ante Ele cobrirá a face.

Aqueles que ante Ele se arrependerem Terão socorro e graça na hora do sofrimento.

Amaltéia, sibila Cumana

Deus, para nos resgatar, toma a humana vestidura. Mais do que a nossa salvação, nada lhe é mais caro. A paz, à sua vinda, descerá à Terra,

A tranqüilidade florirá; e o Universo, sem guerra,

Não será mais de perturbações agitado. A idade de ouro retomará seu brilho.

Ciméria, sibila de Cumes34

Num século surgirá o dia Em que o Rei dos Reis habitará conosco. Três Reis do Oriente, guiados pela luz Dum astro rutilante, que ilumina a jornada, Virão adorá-Lo e humildes, prosternados, Lhe oferecerão ouro, incenso e mirra.

Prisca, sibila Eritréia

Vejo o Filho de Deus, vindo do Olimpo Entre os braços de uma virgem hebréia. Que lhe oferece o seio puro.

Em sua vida viril, entre penas cruéis, Sofrerá por aqueles Que O fizerem nascer, mostrando Que, como um Pai, se afligiu por eles.

A sibila Líbica35

Um rei do povo hebreu será o Redentor Bom, justo e inocente. Pelo homem pecador Padecerá muito. Com olhar arrogante Os escribas O acusarão de se dar Como Filho de Deus. Ao povo Ele ensinará Anunciando-lhe a salvação.

Sambeta, sibila Pérsica36

Do Filho do Eterno uma virgem

Será mãe. Seu nascimento trará ao mundo A vida e a salvação. Com grande modéstia, Conquanto rei, montado sobre um asno, Ele fará sua entrada em Solymea37 , onde injuriado, E condenado pelos maus, sofrerá a morte.

Daphné, a sibila Délfica

Depois que alguns anos passarem O Deus, duma virgem nascido, aos homens aflitos Fará luzir a esperança da redenção.

Conquanto tudo possa (e quão alto está O seu trono) Ele sofrerá A morte para, da morte, resgatar seus povos.

Phito - sibila Samiense

Eis que os santos decretos se cumprem. Entre os dias mais claros, este é, Duma bela claridade que tudo ilumina.

As trevas se vão. Deus, seu Filho nos manda Para abrir nossos olhos. Eia! Vede o imortal Que de espinhos se cobre e por nós se entrega à morte.

Eis quais foram:

Lampúsia-a colofoniense, descendente de Calchas, que combateu com os gregos em Tróia.

Cassandra-filha de Príamo.

A sibila Epirótica- filha de Tresprótia.

Manto - filha de Tirésias, célebre vidente de Tebas e Beócia, cantada por Homero.

Carmenta-mãe de Evandro.

Elissa- a sibila lésbica, citada por Pausânias - que se dizia filha da ninfa Lâmia.

Ártemis - irmã de Apolo, que viveu em Delfos. Hierophila, finalmente, sibila cumana, que se avistou nos primeiros dias de Roma com Tarquínio Soberbo.

E como poderiam essas mulheres inspiradas fechar os olhos à luz radiante que descia dos céus?38

E, por fim, a sibila Aneyra, da Frígia "O Filho Excelso do Pai Poderoso, Tendo sofrido a morte abate-se, frio, inerte, Sobre o colo débil de sua mãe.

Vendo-lhe o corpo dessangrado

Ela sofre profundo golpe. Ei-lo! Está morto!

Sem Ele nós morreríamos em nossos próprios pecados."

De todas as sibilas celebradas pela tradição ou pela história, que viveram naqueles recuados tempos, como instrumentos das revelações do Plano Espiritual, da Pérsia ao Egito e à Grécia, poucas foram as que deixaram de referir-se ao advento do Messias esperado.


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