Os Justiceiros



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Copyright © Richard Bachman, 1996

Publicado mediante acordo com o autor através de Ralph M. Vicinanza, Ltd.


Título original:

The Regulators

Capa


Pós Imagem Design
Revisão

Sônia Oliveira Lima

Henrique Tarnapolsky

Umberto Figueiredo Pinto

Sandra Pássaro
Editoração Eletrônica Abreu’s System Ltda.

B124j


Bachman, Richard

Os justiceiros / Richard Bachman. - Rio de Janeiro : Objetiva, 2001

239p. ISBN 85-7302-722-3

Tradução de : The regulators



1. Literatura americana - Romance. I. Título

CDD 813


Lembrando fim Thompson e Sam Peckinpah:

sombras lendárias.


“Senhor, o negócio da gente é chumbo.”

— Steve McQueen

Sete Homens e um Destino


Cartão-postal de William Garin para sua irmã, Audrey Wyler:
24 de julho de 1994

Querida Aud,

Bem, estamos em Carson City (Nevada) esta noite, e devemos chegar a San Jose amanhã. Sei que você estava “em dúvida!” quanto à viagem de carro, mas foi a decisão certa. TIVEMOS UM AVANÇO ESPANTOSO COM SETH! Conto mais depois — lhe telefono de San Jose — Só posso dizer agora: Deus abençoe Nevada! Junie manda lembranças.

Bill

Sra. Audrey Wyler

Rua dos Álamos, 247

Wentworth, Ohio 43292

Capítulo Um



Rua dos Álamos/3:45 da tarde/15 de julho de 1996

Chegou o verão.

E não o verão apenas, não este ano, mas a apoteose do verão, o avatar do verão, o alto, perfeito e verde verão da região central de Ohio em pleno julho, o sol ardendo neste fabuloso céu desbotado de calça Levi’s, o barulho das crianças gritando por todo o bosque da Rua do Urso, no alto do morro, o estalo dos pequenos bastões de beisebol no outro lado do bosque, o som dos aparadores de grama elétricos, dos carros potentes na Rodovia 19, dos patins nas calçadas de cimento e no liso macadame da Rua dos Álamos, dos rádios — o beisebol dos Indians de Cleveland (o grande dia de jogo) competindo com Tina Turner a açoitar “Nutbush City Limits”, aquela música que diz: “Vinte e cinco é a velocidade limite, não se permitem motocicletas” —, e envolvendo tudo isso, como um babado de renda auditivo, o tranqüilizante e sedoso chiado dos regadores de grama.

O verão em Wentworth, Ohio, ah, cara, você já sacou. É o verão aqui na Rua dos Álamos, que cruza direto o fabuloso e desbotado sonho americano, com o cheiro de cachorro-quente no ar e uns restos de papel estourado das bombinhas do 4 de Julho ainda caídos aqui e ali nas sarjetas. É um julho quente, por Deus, um perfeito julho velho faixa azul, não tem dúvida, mas se quer saber a verdade, também é um verão seco, sem água, a não ser pelo esguicho, de vez em quando, de uma mangueira para levar aqueles últimos pedaços de papel queimado. Talvez isso mude hoje; ouve-se um ou outro ribombo de trovão a oeste, e os que vêem o Canal Meteorológico (tem muita TV a cabo na Rua dos Álamos, pode apostar) sabem que se esperam temporais para mais tarde. Talvez até mesmo um furacão, embora não seja provável.

Enquanto isso, porém, é só melancia, refrigerante e más jogadas na ponta do bastão; é todo aquele verão que a gente sempre quis e mais, aqui no centro dos Estados Unidos da América, a vida tão boa quanto sempre se sonhou que podia ser, com Chevrolets parados nas entradas de garagem e bifes nas gavetas de carne das geladeiras, esperando para ser tascados no churrasco do quintal ao cair da tarde (e tem torta de maçã depois? que é que você acha?). Esta é a terra dos gramados verdes e dos canteiros de flores bem cuidados; este é o Reino de Ohio, onde os garotos usam os bonés virados para trás, as camisetas decotadas caindo sobre as bermudas largas, e todos os grandes tênis incrementados parecem trazer o raio da Nike.

Na quadra da Álamos que fica entre a Rua do Urso, no alto da ladeira, e a dos Ja­cintos, no pé, há onze casas e uma loja. A loja, na esquina da dos Álamos com a Jacintos, é o sempre popular e bem americano mercadinho de conveniência, onde a gente pode comprar cigarros, Blatz ou Rolling Rock, a bala de um centavo (embora hoje custe vinte e cinco), os apetrechos do churrasco (pratos de papel garfos de plástico taco batata frita sorvete ketchup mostarda tira-gosto), pirulitos e uma ampla variedade de salgadinhos crocantes, feitos da melhor matéria-prima da terra. Se a gente quiser, arranja até um exemplar da Penthouse no E-Z Stop 24, mas tem de pedir à balconista; no Reino de Ohio, a maioria das revistas de mulher pelada fica escondida. E, ora, tudo bem. O importante é saber onde arranjar uma se a gente precisar.

A balconista hoje é nova, menos de uma semana no emprego, e no momento, às 3:45 da tarde, atende a um menino e uma menina. A menina parece ter seus onze anos, e já vai se tornando uma beldade. O menino, visivelmente o irmãozinho, tem talvez uns seis anos, e (pelo menos na opinião da nova balconista) já vai a caminho de se tornar um monstrinho de primeira.

— Quero dois chocolates! — grita o Irmão Monstrinho.

— O dinheiro só dá pra um, se a gente tomar um refrigerante cada — diz-lhe a Irmã Bonita, com o que a balconista julga ser uma paciência admirável.

Se fosse seu irmão, ela sentiria uma grande tentação de chutar-lhe o rabo tão para cima que ele poderia fazer o papel do Corcunda de Notre Dame na peça da escola.

— Mamãe deu cinco paus pra você de manhã, eu vi — diz o monstrinho. — Cadê o resto, Marrrrr-grit?

— Não me chame assim, que eu detesto — diz a menina.

Tem longos cabelos louros cor de mel, que a balconista acha absolutamente deslumbrantes. Os dela são curtos e assanhados, tingidos de laranja na direita e verde na esquerda. Sabe muito bem que não teria conseguido esse emprego sem lavar a tintura, se o gerente não estivesse com a corda no pescoço em busca de alguém para trabalhar das onze às sete — sorte dela, azar dele. Ele arrancou dela a promessa de que usaria um lenço ou um boné de beisebol para cobrir os cabelos tingidos, mas as promessas se fazem para ser quebradas. Agora vê que a Irmã Bonita olha com certa fascinação os seus cabelos.

— Margrit-Margrit-Margrit! — cacareja o irmãozinho, com a alegre e forte maldade que só os irmãozinhos sabem arregimentar.

— Na verdade eu me chamo Ellen — diz a menina, falando com o ar de alguém que faz uma grande confidência. — Margaret é meu segundo nome. Ele me chama assim porque sabe que eu detesto.

— Prazer em conhecer, Ellen — diz a balconista, e começa a somar as compras da menina.

— Prazer em conhecer, Marrrrr-grit! — arremeda o irmão monstrinho, contorcendo o rosto numa expressão tão forçadamente pavorosa que chega a ser cômica. — Prazer em conhecer, Margrit Minhoca!

Ignorando-o, Ellen diz:

— Adorei seu cabelo.

— Obrigada — diz sorrindo a nova balconista. — Não chega nem perto do seu, mas serve. É um dólar e quarenta e seis centavos.

A menina tira uma bolsinha de moedas de plástico do bolso do jeans. Daquelas que se apertam para abrir. Dentro há duas notas de um dólar amassadas e alguns centavos.

— Pergunta a Margrit Minhoca pra onde foram os outros três paus! — trombeteia em voz alta o monstrinho. É um verdadeiro sistema de alto-falantes. — Ela gastou comprando uma revista com Eeeeeeethan Hawwwwwke na capa!

Ellen continua a ignorá-lo, embora as faces comecem a ruborizar um pouco. Ao entregar os dois dólares, diz:

— A gente nunca se viu antes, viu?

— Na certa, não... Só comecei aqui quarta-feira. Precisavam de alguém pra traba­lhar das onze às sete, e ficar mais algumas horas, se o cara da noite se atrasasse.

— Bem, foi muito legal conhecer você. Eu sou Ellie Carver. E este é meu irmãozi­nho, Ralph.

Ralph Carver bota a língua para fora e emite um som semelhante ao de uma vespa presa num pote de maionese. Que animalzinho educado esse aí, pensa a jovem de cabelos de duas cores.

— Eu sou Cynthia Smith — diz, estendendo a mão por cima do balcão para a menina. — Sempre Cynthia, nunca Cindy. Dá pra lembrar isso?

A menina faz que sim com a cabeça, sorrindo.

— E eu sou sempre Ellie, nunca Margaret.

Margrit Minhoca! grita Ralph, no louco triunfo de seus seis anos. Ergue os braços no ar e bate nos quadris alternadamente, de pura alegria venenosa de viver. — Margrit Minhoca ama Eeeeeeethan Hawwwwwke!

Ellen lança a Cynthia um olhar muito mais velho que sua idade, um ar resignado de infinito cansaço, que diz: Está vendo o que eu tenho de agüentar? Cynthia, que também tem um irmãozinho e sabe exatamente o que a bela Ellie tem de agüentar, tem vontade de dar uma porrada, mas consegue manter o rosto impassível. E é bom. A menina é prisioneira de seu tempo e idade como qualquer outra, o que significa que tudo isso é muito sério para ela. Ellie estende ao irmão uma lata de Pepsi.

— A gente racha o chocolate lá fora — diz.

— Você vai me puxar no Buster — diz Ralph, quando se dirigem para a porta, andando sobre o luminoso retângulo de sol que entra como fogo pela janela. — Você vai me puxar no Buster daqui até em casa.

— O diabo que eu vou — diz Ellie, mas quando abre a porta, o Irmão Monstrinho se vira e lança a Cynthia um olhar presunçoso, que diz: Espere só pra ver quem ganha esta, Espere e veja.

E saem.

Verão, sim, mas não apenas verão; estamos falando do 15 de julho, o auge mesmo do verão numa cidadezinha de Ohio, onde a maioria das crianças vai para a Escola Bíblica de Férias e participa do Programa de Leitura de Verão da Biblioteca Pública, e onde um menino acabou de ganhar um furgãozinho vermelho que batizou (por motivos que só ele sabe) de Buster. Onze casas e uma loja de conveniência tremulando nessa forte claridade de julho no Meio-oeste, trinta e dois graus centígrados à sombra, trinta e seis ao sol, quente o bastante para o ar ondular acima do asfalto como sobre um incinerador.



A quadra se estende no sentido norte-sul, casas com numeração ímpar no lado de Los Angeles da rua e par no lado de Nova York. No alto, na esquina das ruas do Urso com a dos Álamos, fica o número 251 desta última. Parado diante da casa, Brad Josephson rega com uma mangueira os canteiros na entrada da garagem. Tem quarenta e seis anos, uma bela pele cor de chocolate, e uma pança enorme e caída. Ellie Carver acha que ele parece Bill Cosby... um pouco, pelo menos. Brad e Belinda Josephson são os únicos negros da quadra, que sente um orgulho danado por tê-los. Eles têm exatamente a aparência que as pessoas das áreas de classe média de Ohio gostam em seus negros, o que faz parecer simplesmente certo vê-los em volta. São pessoas simpáticas. Todos gostam dos Josephson.

Cary Ripton, que entrega o Shopper de Wentworth nas tardes de segunda-feira, dobra pedalando a esquina e joga um jornal dobrado para Brad, que o pega habilmente com a mão que não segura a mangueira. Nem sequer se move. Apenas ergue a mão e vum, lá está.

— Boa, Sr. Josephson! — grita Cary, e segue pedalando ladeira abaixo, com a mochila de lona batendo nos quadris. Veste uma camiseta de jérsei enorme, do Orlando Magic, com o número 32, de Shaq.

— É, ainda não perdi o jeito — diz Brad, e enfia o bico da mangueira debaixo do braço para poder abrir o semanário e ver o que tem na primeira página.

É a velha merda de sempre, claro — vendas de fundo de quintal e badalação da comunidade —, mas ele quer dar uma olhada mesmo assim. É a natureza humana, acha. Do outro lado da rua, no 250, Johnny Marinville toca violão e cantarola acompanhando, sentado nos degraus da entrada de sua casa. Uma das folk-songs mais idiotas do mundo, mas ele toca bem, e embora ninguém jamais vá confundi-lo com Marvin Gaye (ou Perry Como, aliás), consegue tocar uma música e manter a afinação. Brad sempre achou isso ligeiramente revoltante: acha que um cara que é bom numa coisa deve contentar-se com ela e deixar o resto pra lá.

Cary Ripton, quatorze anos, cabelo à escovinha, e que joga como zagueiro apoiador no time da Legião Americana de Wentworth (os Hawks, atualmente 14-4, faltando duas partidas), atira o Shopper seguinte na varanda do 249, casa dos Soderson. Os Josephson são o Casal Negro da Rua dos Álamos: os Soderson. Gary e Marielle, os boêmios. Na balança da opinião pública, os Soderson completam um ao outro. Gary, em geral, é o tipo do cara prestativo, e apreciado por todos os vizinhos, apesar de viver meio de porre quase o tempo todo. Marielle, porém... bem, como se sabe que disse Pie Carver: “Tem uma palavra pra definir mulheres como Marielle; rima com o que se faz com uma bola de futebol.”

O lance de Cary é um arremesso perfeito, fazendo o Shopper bater na porta da frente dos Soderson e cair no capacho de boas-vindas, mas ninguém sai para pegá-lo; Marielle está lá dentro tomando uma ducha (a segunda do dia; detesta quando o tempo fica assim pegajoso), e Gary, lá atrás, abastece de combustível, alheado, a churrasqueira no quintal, e acaba pondo tijolinhos inflamáveis suficientes para sapecar um búfalo aquático. Usa um avental com as palavras PODE BEIJAR O COZINHEIRO estampadas na frente. É cedo demais para começar a fazer os bifes, mas nunca é cedo demais para entrar em forma. Sobre uma mesa de piquenique com sombrinha, no meio do quintal dos Soderson, está o seu bar portátil: um frasco de azeitonas, uma garrafa de gim e uma de vermute. A de vermute não foi aberta. Tem um martíni duplo na frente. Gary termina de atochar a churrasqueira, vai até a mesa e vira o que resta no copo. Gosta muito de mar­tínis, e tende a já estar de porre por volta das quatro horas, na maioria dos dias em que não tem de ensinar. Hoje não é exceção.

— Tudo bem — diz —, o próximo caso.

Passa então a preparar outro Martíni Soderson. Faz isso (a) enchendo o copo de martíni até a marca de três quartos com gim Bombay; (b) jogando dentro uma azeitona Amati; (c) batendo de leve a borda do copo na garrafa fechada de vermute, para dar sorte.

Prova; fecha os olhos; torna a provar. Abre os olhos, já bastante vermelhos. Sorri.

— É, senhoras e senhores! — diz para seu escaldante quintal. — Está supimpa! Baixo, acima de todos os outros sons do verão — crianças, aparadores de grama, carros possantes, regadores, cigarras cantando na grama estancada do quintal —, Gary ouve o violão do escritor, um som gostoso e descontraído. Pega quase imediatamente a música e dança em torno do círculo de sombra lançado pela sombrinha, com o copo na mão, cantando sozinho:

Então me beije e sorria pra mim... Diga que vai esperar por mim... Me abrace como se nunca fosse me deixar partir...

Uma boa música, que ele lembra de antes de sequer se pensar nos gêmeos Reed, de duas casas adiante, quanto mais eles terem nascido. Por um breve instante fica impressionado com a realidade da passagem do tempo, como é crua e inapelável. Passa pelo ouvido com um som que parece de ferro. Gary toma outro grande gole do martíni e pergunta-se o que fazer, agora que a churrasqueira está pronta para a partida. Junto com os outros sons, ouve o chuveiro no andar de cima, e pensa em Marielle nua lá dentro — a megera do mundo ocidental, mas que mantém o corpo em boa forma. Imagina-a ensaboando os seios, talvez acariciando os mamilos em movimentos circulares com as pontas dos dedos, endurecendo-os. Claro que não está fazendo isso porra nenhuma, mas é uma dessas imagens que simplesmente não vão embora, a não ser que a gente faça alguma coisa para expulsá-las. Ele decide ser uma versão século vinte de São Jorge; vai foder o dragão, em vez de matá-lo. Põe o copo de martíni na mesa de piquenique e dirige-se para a casa.

Ah, Deus, é verão, verão, ve-ve-ve-verão, e na Rua dos Álamos, a vida é mansa.

Cary Ripton verifica o tráfego pelo espelho retrovisor, não vê nada, e vira a leste para a casa dos Carver do outro lado da rua. Deixou de lado o Sr. Marinville, porque, no início do verão, ele lhe deu cinco dólares para não entregar o Shopper.

— Por favor, Cary — disse, os olhos solenes e sérios. — Não agüento mais ler sobre a inauguração de mais um supermercado ou a promoção de um drugstore. Eu morro se ler.

Cary não compreende nem um pouco o Sr. Marinville, mas ele é um cara muito legal, e cinco paus são cinco paus.

A Sra. Carver abre a porta da frente da Álamos, 248, e acena, quando Cary lança certeiro o Shopper dela. A mulher tenta pegá-lo, erra feio e ri. Cary também ri. Ela não tem nem as mãos nem os reflexos de Brad Josephson, mas é bonita e uma esportista boa como o diabo. Ao lado da casa, de calção de banho e sandálias de dedo, o marido lava o carro. Vê Cary de relance pelo canto do olho, vira-se, aponta um dedo. Cary retribui o gesto, e eles fingem atirar um no outro. É a tentativa canhestra mas esforçada do Sr. Carver de ser legal, e Cary a respeita. David Carver trabalha nos Correios, e Cary imagina que deve estar de férias esta semana. O garoto faz um juramento para si mesmo: se tiver de aceitar um emprego regular de nove às cinco quando crescer (sabe que, como diabete e insuficiência renal, isso acontece a algumas pessoas), jamais passará suas férias em casa, lavando carro na entrada da garagem.

Não vou ter carro, de qualquer modo, pensa. Vou ter uma moto. E não japonesa. Uma grande e velha Harley-Davidson como a que o Sr. Marinville tem na garagem. Aço americano.

Verifica mais uma vez o retrovisor, avista uma coisa vermelho-clara adiante da casa dos Josephson — um furgão, parece, parado depois da esquina sudeste do cruzamento — e vira sua Schwinn de volta mais uma vez para o outro lado da rua, agora para o 247, a casa dos Wyler.

Das casas ocupadas na rua (a 242, que era dos Hobart, está vazia), a casa dos Wyler é a única que ao menos beira o mau estado — é uma casa pequena, estilo fazenda, que bem precisava de uma nova mão de pintura, e uma nova camada de asfalto na entrada da garagem. Um regador gira no gramado, mas a grama ainda mostra os efeitos do tempo quente, seco, de uma maneira que os outros gramados na rua (incluin­do, na verdade, a casa vazia de Hobart) não mostram. Tem manchas amarelas, agora pequenas, mas alastrando-se.

Ela não sabe que água não basta, pensa Cary, enfiando a mão na bolsa de lona para pegar outro Shopper dobrado. O marido talvez soubesse, mas...

Ele percebe de repente que a Sra. Wyler (acha que as viúvas continuam sendo chamadas de Sra.) está parada atrás da porta de tela, e alguma coisa na visão dela ali, pouco mais que uma silhueta, lhe dá um sério susto. Bambeia na bicicleta por um instante, e quando lança o jornal dobrado, sua pontaria, em geral certeira, erra. O Shopper aterrissa em cima de um dos arbustos ao lado dos degraus da frente. Ele detesta fazer isso, detesta isso, é como uma comédia estúpida em que o garoto do jornal está sempre atirando o Daily Bugie no telhado ou nas roseiras — ah-ah, jornaleiro de má pontaria, que barato — e num outro dia (ou numa outra casa) teria voltado para consertar o erro... talvez até entregar ele mesmo o jornal nas mãos da senhora, com um sorriso, um aceno e um bom-dia. Mas não hoje. Tem alguma coisa ali que não lhe agrada. Alguma coisa na maneira como ela está parada atrás da porta de tela, os ombros caídos e as mãos pendidas, como um brinquedo sem as pilhas. E talvez não seja só isso que está fora de ordem. Ele não pode vê-la bem o bastante para ter certeza, mas acha que talvez a Sra. Wyler esteja nua da cintura para cima, que esteja ali parada na sala da frente sem nada no corpo além de uma bermuda. Parada ali, olhando-o fixo.

Se está, não é erótico. É arrepiante.

O menino que mora com ela, o sobrinho, esse pequeno fuinha, também é ar­repiante. Seth Garland ou Garin ou coisa parecida. Nunca fala, nem quando a gente fala com ele — ei, como vai, você gosta daqui, acha que os Indians vão chegar à Série de novo —, só fica olhando para a gente com aqueles olhos cor de lama. Como Cary sente que a Sra. Wyler, em geral simpática, o olha agora. Como a aranha convidando a mosca a entrar em sua sala, uma coisa assim. O marido morreu no ano passado (bem na época em que os Hobart tiveram aquele problema e se mudaram, pensando bem), e as pessoas dizem que não foi acidente. Dizem que Herb Wyler, que colecionava selos e uma vez deu a Cary uma velha espingarda de ar comprimido, se suicidou.

Arrepios — de certa forma duplamente assustadores, num dia quente como este — percorrem-lhe as costas, e ele recua e torna a atravessar a rua, depois de outro olhar apressado ao espelho retrovisor. O furgão vermelho continua lá em cima, perto da esquina da Rua do Urso com a dos Álamos (uma máquina bacana, pensa o garoto), e desta vez um outro veículo vem descendo a rua também, um Acura azul, que Cary logo reconhece. É do Sr. Jackson, o outro professor da quadra. Não professor de segundo grau, em seu caso; o Sr. Jackson é na verdade o Professor Jackson, ou talvez apenas Professor Assistente Jackson. Ensina na universidade estadual de Ohio, nada menos. Os Jackson moram no 244, uma casa adiante da dos Hobart. É a mais bonita da quadra, espaçosa, em estilo Cape Cod, com uma alta sebe do lado de baixo da ladeira e uma alta cerca de estacas de cedro do lado de cima, entre eles e a casa do velho veterinário.

— E aí, Cary! — diz Peter Jackson, encostando ao lado dele. Usa jeans desbotados e uma camiseta com uma grande cara amarela sorridente estampada. TENHA UM BOM DIA!, diz Mr. Smiley-Smile. — Como vai indo, garotão?

— Sensacional, Sr. Jackson — diz Cary, sorrindo. Pensa em acrescentar Só que acho que a Sra. Wyler está parada na porta dela lá atrás sem blusa, mas não o faz. — Tudo superlegal.

— Já fez algum jogo?

— Só dois até agora, mas tudo bem. Consegui duas chances ontem de noite, e na certa vou conseguir mais duas hoje. Na verdade, era só o que eu esperava. Mas é o último ano de Frankie Albertini na Legião, você sabe.

Entrega-lhe um exemplar dobrado do Shopper.

— Tem razão — diz Peter, pegando-o. — E no ano que vem é a vez de Monsieur Cary Ripton uivar no banco de reservas.

O garoto ri, divertido, com a idéia de ficar lá no banco, com o uniforme da Legião, uivando como um lobisomem.

— Está ensinando de novo no curso de verão este ano?

— É. Duas turmas. Peças Históricas de Shakespeare, além de James Dickey e o Novo Gótico Sulista. Alguma lhe parece interessante?

— Acho que passo.

Peter balança a cabeça, sério.

— Passe e jamais terá de fazer curso de verão, garotão. — Bate na cara sorridente em sua camiseta. — Afrouxam um pouco o código de indumentária do professor em junho, mas os cursos de verão continuam um saco. Como sempre foram. — Larga o Shopper dobrado no banco do carro e encaixa a marcha em Drive. — Não vá ter um ataque do coração pedalando pelo bairro todo com esses jornais.

— Nããão. Acho que vai chover mais tarde, de qualquer modo. Estou ouvindo trovejar de vez em quando.

— É o que dizem no... cuidado!

Uma grande forma peluda passa como uma bala, atrás de um disco vermelho. Cary curva a bicicleta para o lado do carro do Sr. Jackson e é apenas roçado pelo rabo de Hannibal, o pastor alemão que corre atrás de um disco.

— É a ele que o senhor tem de prevenir contra ataque cardíaco — diz Cary.

— Talvez você tenha razão — diz Peter, e segue lentamente com o carro.

Cary vê Hannibal pegar o disco na calçada do outro lado da rua e trazê-lo de volta na boca. Tem um vistoso lenço colorido amarrado no pescoço, e parece exibir um grande sorriso de velho cachorrão.

— Traz aqui, Hannibal! — grita Jim Reed, e seu irmão gêmeo, Dave, junta-se a ele:

— Anda, Hannibal! Não seja um saco! Pega! Traz aqui!

Hannibal pára em frente ao 246, defronte da casa dos Wyler, com o disco na boca e sacudindo lentamente o rabo de um lado para outro. O sorriso parece alargar-se.

Os gêmeos Reed moram no 245, uma casa adiante da Sra. Wyler. Parados na borda de seu gramado (um moreno, outro louro, os dois altos e bonitos, com camisetas desfiadas e idênticos calções Eddie Bauer), olham para Hannibal do outro lado da rua. Atrás deles, duas meninas. Uma é Susi Geller, da casa vizinha. Bonita mas, sabe como é, sem tchan. A outra, uma ruiva com umas longas pernas de animadora de torcida, é outra história. Seu retrato podia ilustrar o verbete tchan no dicionário. Cary não a conhece, mas gostaria de conhecê-la, saber as esperanças e sonhos, os planos e fantasias dela. Sobretudo as fantasias. Não nesta vida, ele pensa. Isso aí é xoxota madura. Uns dezessete anos, no mínimo.

— Ah, saco! — diz Jim Reed, e vira-se para o irmão de cabelos escuros. — Você vai buscar esta vez.

— De jeito nenhum, está todo babado — diz David Reed. — Hannibal, seja um bom cachorro e traga isso de volta aqui!

Hannibal continua na calçada em frente à casa do Doutor, ainda sorrindo. Niâãão-Niããão, diz, sem ter de dizer nada; está tudo em sua cara matreira e no tranqüilo balançar do rabo. Niããão-Niããão, vocês têm as garotas e os calções Eddie Bauer, mas eu tenho o disco e estou lambuzando ele todo de baba canina, e em minha opinião isso me torna o Gostosão.

Cary mete a mão no bolso e tira um saco de sementes de girassol — se a gente tem de ficar no banco de reservas, descobriu, as sementes de girassol ajudam a passar o tempo. Tornou-se muito habilidoso em quebrá-las com os dentes e mastigar o miolo gostoso enquanto cospe a casca no cimento rachado com a rapidez de metralhadora de um grande jogador.

— Eu pego pra vocês — grita para os gêmeos, esperando que a gostosa ruivinha se impressione com sua proeza de domador, embora saiba que é um sonho tão tolo que só um garoto entre a primeira e a segunda séries do ginásio poderia alimentar, mas ela está tão linda naquele shortinho branco com bainha, ah, grande Deus todo-poderoso, e desde quando uma fantasiazinha fez mal a um garoto?

Baixa as sementes de girassol ao nível do cachorro e rasga o celofane. Hannibal vem logo, ainda com o disco vermelho no centro do sorriso. Cary despeja algumas sementes na palma da mão.

— Boa, Hannibal — diz. — Estas são boas. Sementes de girassol, adoradas por cachorros de todo o mundo. Prove. Vai gostar.

Hannibal examina as sementes por mais um instante, as narinas tremendo delica­damente, depois larga o disco na Rua dos Álamos e aspira-as da palma de Cary. Veloz como um raio, o garoto se curva, pega o disco (está meio babado na beira), e lança-o de volta para Jim Reed. É um lance perfeito, flutuante, que Jim pode pegar sem dar um único passo. E, ah, Deus, ah, Jesus, a ruiva está aplaudindo-o, dando pulinhos ao lado de Susi Geller, os peitinhos (pequenos mas deliciosos) sacudindo-se dentro do bustiê que ela usa. Ah, obrigado, Senhor, muito obrigado, agora a gente tem material bastante nos bancos de memória pra durar pelo menos uma semana.

Sorrindo, ignorando que vai morrer virgem e reserva de zagueiro, Cary joga um Shopper na varanda da casa de Tom Billingsley (ouve o cortador de grama cantando lá atrás) e cruza mais uma vez a rua para a casa dos Reed. Dave joga o disco para Susi Geller e pega o Shopper, quando Cary o atira para ele. — Obrigado por trazer o disco de volta — diz Dave.

— De nada. — Indica a ruiva com a cabeça. — Quem é? Dave ri, não sem simpatia.

— Esquece, carinha. Nem se dê ao trabalho de perguntar.

Cary pensa em insistir um pouco, depois decide que talvez seja melhor partir enquanto está por cima — afinal pegou o disco e ela o aplaudiu, e a visão dela pulando naquele bustiezinho endureceria até um macarrão empapado. Certamente já basta para uma tarde de verão tão quente.

Acima e atrás deles, no topo da ladeira, o furgão vermelho se põe em marcha, arrastando-se devagar na esquina.

— Vai ao jogo à noite? — pergunta Cary a Dave Reed. — Temos os Columbus Rebels. Deve ser bom.

— Você vai jogar?

— Devo entrar umas duas vezes.

— Então na certa eu não vou — diz Dave, e dá uma berrante gargalhada que faz Cary estremecer.

Ele acha que os gêmeos Reed parecem pequenos deuses, com suas camisetas decotadas, mas quando abrem a boca, mostram uma suspeita semelhança com os Gêmeos Hager da comédia Hee Haw.

Cary olha a casa da esquina da Álamos com Jacintos, defronte da loja de conve­niência. A última casa à esquerda, como no filme de terror do mesmo nome. Não há carro na entrada da garagem, mas isso não quer dizer nada; pode estar na garagem.

— Ele está em casa? — pergunta a Dave, indicando com o queixo o 240.

— Não sei — diz Jim, aproximando-se. — Mas a gente dificilmente sabe, não é? É isso que torna ele tão esquisito. Metade do tempo, deixa a porra do carro na garagem e atravessa o mato pra Jacintos. Talvez pegue o ônibus pra onde quer que vá.

— Você tem medo dele? — pergunta Dave a Cary. — Não chega a ser grosso, mas fica perto.

— Merda, não — diz Cary, calmo, olhando para a ruiva e imaginando como seria ter uma embalagem daquela nos braços, toda lisinha e acesa, quem sabe deslizando a lingüinha até tocar no pau duro. Não nesta vida, mermão, pensa mais uma vez.

Acena para a ruiva, mostra-se externamente indiferente e internamente alegríssimo quando ela corresponde, e segue rua abaixo, para a Álamos, 240. Vai jogar o Shopper na varanda com o arremesso inflexível de sempre e depois — se o ex-policial maluco não irromper pela porta da frente, espumando pela boca, e fuzilá-lo com os olhos injetados de psicopata, talvez brandindo o revólver regulamentar, um facão ou alguma outra coisa — atravessar para o E-Z Stop e tomar um refrigerante em comemoração a outro vitorioso percurso de sua rota: da Avenida Anderson a Columbus Broad, de Columbus Broad à Rua do Urso, e da Rua do Urso à Rua dos Álamos. Depois voltará para casa, vestirá o uniforme e partirá para as guerras do beisebol.

Primeiro, porém, tem de passar pelo número 240 da Álamos, a casa do ex-policial, que dizem ter perdido o emprego por espancar até a morte dois garotos inocentes do North Side, que segundo ele tinham estuprado uma menina. Cary não tem idéia se existe alguma verdade na história — jamais leu nada a respeito nos jornais, certamente — mas viu os olhos do ex-policial, e há neles alguma coisa que jamais viu em outros, um vazio que faz a gente olhar para outro lado tão logo possa sem parecer nervoso.

No alto da ladeira, o furgão vermelho — se é isso mesmo, pois é tão berrante e incrementado que não se pode saber — vira para a Álamos. Começa a pegar velocidade.

O som do motor é um sussurro cadenciado e sedoso. E o que é, pelo amor de Deus, aquela coisa cromada em cima?

Johnny Marinville pára de tocar o violão para ver passar o furgão. Não vê o interior, porque as janelas são polarizadas, mas a coisa no topo parece uma antena parabólica cromada, diabos se não parece. Terá a CIA baixado na Álamos? Do outro lado, Johnny vê Brad Josephson parado em seu gramado, ainda com a mangueira numa das mãos e o Shopper na outra. Brad também acompanha com o olhar o furgão (mas é mesmo um furgão? é?), com uma expressão que é um misto de admiração e perplexida­de.

Raios de sol refletem-se na pintura vermelho-vivo e no cromo abaixo das janelas escuras, raios tão intensos que fazem Johnny piscar.

Na casa vizinha à de Johnny, David Carver continua lavando o carro. Está entu­siasmado, tem-se de admitir; cobriu o Chevrolet de espuma de sabão até os limpadores do pára-brisa.

O furgão vermelho passa por ele, zumbindo e cintilando.

Do outro lado da rua, os gêmeos Reed e suas coleguinhas interrompem o jogo de disco no gramado da frente para olhar o furgão que passa devagar. Os garotos formam um retângulo; no centro está Hannibal, arquejando alegre, à espera da próxima chance de abocanhar o disco.

Tudo acontece rápido agora, embora por enquanto ninguém na Rua dos Álamos compreenda.

Ao longe, ribomba o trovão.

Cary Ripton mal percebe o veículo pelo espelho retrovisor, nem o furgão Ryder amarelo-vivo, que vira à esquerda da Jacintos para a Álamos, parando no macadame do E-Z Stop, onde os filhos dos Carver, parados perto do Buster, o carrinho de criança vermelho, discutem se Ralph será puxado ladeira acima ou não pela irmã. Ralph concor­dou em ir a pé e não falar da revista com Ethan Hawke na capa, mas só se a querida irmã Margrit Minhoca lhe der toda a barra de chocolate, e não só a metade.

As crianças interrompem a discussão ao verem a fumaça branca, que sai como o bafio de um dragão da grade do furgão amarelo, mas Cary Ripton pouco está ligando para os problemas do Ryder. Concentra-se numa e única coisa: entregar o Shopper do ex-policial maluco e depois se mandar ileso. O ex-policial chama-se Collie Entragian, e é a única pessoa na quadra que tem uma placa de NÃO INVADIR! no gramado. Pequena, discreta, mas ali está.

Se matou dois garotos, por que não está na prisão?, pergunta-se Cary, não pela primeira vez. Conclui que isso não tem importância. A liberdade do ex-policial não é da sua conta nesta tarde sufocante; sobreviver é que é da sua conta.

Com tudo isso em mente, não admira que Cary não perceba o furgão Ryder soltando vapor pela grade, nem que as duas crianças interromperam por um instante suas negociações sobre a revista, a barra de chocolate 3 Musketeers e o carrinho vermelho, nem o furgão vermelho que desce a ladeira. Está concentrado em não se tornar a próxima vítima do policial psicopata, o que é irônico, pois o destino na verdade se aproxima por detrás.

Uma das janelas laterais do furgão começa a baixar. Surge o cano de uma escopeta. Tem uma cor esquisita, não exatamente prata nem cinza, Os canos iguais parecem o símbolo do infinito pintado de negro.

Em algum lugar, além do céu incandescente, o trovão vespertino torna a ribombar.



Do Dispatch de Columbus, 31 de julho de 1994.

MEMBROS DA FAMÍLIA DE TOLEDO ASSASSINADOS EM SAN Jose

Quatro Mortos a Tiros Disparados de Carro em Movimento; Suspeita-se de Erro em Briga de Gangue; Criança de Seis Anos Sobrevive

SAN JOSE, Calif., 30 de julho (AP) — As férias de uma família de Toledo no norte da Califórnia terminaram em tragédia ontem, quando quatro de seus membros foram assassinados por uma saraivada de balas, vítimas do que a polícia de San Jose especula tenha sido violência de gangue por engano. Entre os mortos na fuzilaria, disparada de um carro em movimento, estavam William Garin, 42, June Garin, 40, e dois de seus três filhos: John Garin, 12, e Mary Lou Garin, 10. Os Garin visitavam Joseph e Roxanne Calabrese, amigos da faculdade. Os Calabrese estavam no quintal no momento da fuzilaria e não foram atingidos. Também ileso saiu Seth Garin, de seis anos, que brincava na caixa de areia do quintal no fundo da casa. Segundo Joseph Calabrese, os Garin e os filhos mais velhos jogavam croqué no gramado da frente quando foram atingidos.

Não posso acreditar que na sociedade em que vivemos aconteçam coisas assim — disse o abalado Calabrese. — Este é um bairro bom. Jamais aconteceu coisa semelhante aqui antes.



Testemunhas disseram ter visto um furgão vermelho nas vizinhanças pouco antes da fuzi­laria. Um homem afirmou que o furgão podia estar equipado com aparelhos de monitoração de alta tecnologia.

Tinha o que parecia uma antena parabólica em cima — disse. — Se os vagabundos não se livraram dela, deve ser fácil de achar.



A polícia ainda não encontrou o misterioso furgão, e nenhuma prisão foi feita. Quando perguntado sobre as armas usadas no ataque, o Tenente Robert Alvarez disse apenas que a balística ainda não tivera condições de determinar com precisão, e que a questão está sob inves­tigação.

(Tradução do recorte reproduzido na próxima página)

Capítulo Dois




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