Os O’Hurley 3 Chantel Nora Roberts



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Os O’Hurley 3 - Chantel

Nora Roberts

Linda e talentosa, Chantel O’Hurley era uma grande estrela das telas de cinema sempre presente nas fantasias masculinas. Atrair e ser adorada eram parte de seu trabalho. Mas ser perseguida por um fã obsessivo já era algo bem diferente… Por isso, ela precisa de um guarda-costas. E rápido.

Quinn Doran não era um homem especialmente bonito, mas tinha um charme irresistível. E, embora arrogante, era a melhor proteção que o dinheiro podia pagar. Apesar de se desafiarem a todo momento para decidirem quem estava no comando, era inegável que a atração pulsava entre Quinn e Chantel. E cada vez com mais intensidade. Diante da ameaça, Chantel não tinha alternativa senão ser acompanhada por Quinn durante a produção de seu novo filme. Para eles, sustentar um aparente relacionamento apaixonado não seria difícil. Na verdade, era perfeito e provocante. A dificuldade estaria em resistir à tentação de cruzar a fronteira entre a realidade e a ficção.

Título Original: Skin deep
Traduzido e corrigido por: Projeto_romances

Revisado por: Claudia Daemon de Arruda
Este Livro faz parte do Projeto_Romances, sem fins lucrativos e de fãs para fãs. A comercialização deste produto é estritamente proibida

Prólogo
-Não sei o que vamos fazer com essa garota.

-Vamos, Molly -com um olho posto no espelho, Frank O'Hurley acrescentou um pouco de maquiagem em seu queixo para certificar-se de que o rosto não brilhasse no cenário-. Não se preocupe tanto.

-Me preocupar? -enquanto se retorcia para subir o zíper das costas do vestido, Molly permaneceu na porta do camarim para poder observar o corredor-. Frank, temos quatro filhos e amo a todos. Mas Chantal pode ser um problema.

-É muito dura com a pobre.

-Porque você não é suficientemente duro com ela.

Frank riu entre dentes, logo se voltou para tomar nos braços sua mulher. Mais de vinte anos de matrimônio não tinham reduzido nem um pouco os sentimentos que lhe inspirava. Continuava sendo sua Molly, bonita e luminosa, mesmo que fosse a mãe de seu filho de vinte anos e de suas três filhas adolescentes.

-Molly, meu amor, Chantal é uma moça bonita.

-E ela sabe -Molly espiou por cima do ombro de Frank, desejando que à porta que dava aos camarins se abrisse. Onde andava aquela garota? Faltavam quinze minutos para irem para o cenário, e Chantal ainda não tinha chegado.

Ao dar a luz a suas três filhas, que chegaram ao mundo com um intervalo de poucos minutos, não tinha imaginado que a primeira lhe daria mais preocupações que as outras duas juntas.

-É sua aparência o que vai colocá-la em problemas -murmurou Molly-. Quando uma garota é como Chantal, isso faz com que os meninos a persigam.

-Pode manobrar os meninos.

-Possivelmente isso também me preocupa. Manobra-os muito bem. -como podia esperar que um homem tão simples e amável como Frank compreendesse as complexidades das mulheres? Recorreu a um tópico-. Só tem dezesseis anos, Frank.

-E quantos anos tinha quando você e eu...?

-Era diferente -afirmou, embora se visse obrigada a rir pelo sorriso que Frank lhe dedicou -. Bom, era -endireitou-lhe a gravata-. Pode ser que não tenha a sorte de conhecer um homem como você.

-Que classe de homem é esse?

Com as mãos nos ombros dele, observou seu rosto. Era magro e já com rugas, mas os olhos continuavam sendo aqueles sedutores pelo qual tinha perdido a cabeça. Embora jamais lhe dera a lua a qual tinha prometido, eram casados em todos os sentidos da palavra. Para bem ou para mau... Tinha passado mais da metade da vida com ele e ainda podia lhe fazer perder a cabeça.

-Um muito amado -respondeu, e lhe deu um beijo nos lábios. Ao ouvir que a porta dos camarins se fechava, afastou-se.

-Não vá brigar, Molly -começou Frank ao tomar o braço de sua mulher-. Sabe que isso só a deixará nervosa, e já está aqui.

Molly se separou com um grunhido enquanto Chantal avançava pelo corredor. Usava um pulôver vermelho e calças negras que ressaltavam sua florescente forma juvenil. O ar outonal tinha avivado um pouco as cores de suas bochechas, potencializando uma estrutura óssea já elegante. Tinha os olhos de um azul profundo e exibia uma expressão satisfeita.

-Chantal.

Com sua tendência natural ao drama e à sincronização, Chantal se deteve na porta do camarim que compartilhava com suas irmãs.

-Mamãe -elevou os cantos da boca e o sorriso se ampliou mais ao ver que seu pai lhe piscava um olho por cima do ombro do Molly. Sabia que sempre podia contar com ele-. Sei que cheguei um pouco tarde, mas estarei preparada. Me diverti como nunca – a excitação acrescentou faísca à beleza-. Michael me deixou dirigir seu carro.

-Aquele pequeno conversível vermelho...? -começou Frank. Logo tossiu quando Molly o repreendeu com o olhar.

-Chantal, tem carteira há apenas algumas semanas -«como odeio ter que dar sermão» pensou Molly enquanto se preparava para isso. Sabia o que era ter dezesseis anos, e devido a isso sabia que não havia forma de evitar o que tinha que fazer-. Seu pai e eu não achamos que já esteja pronta para dirigir a menos que vá acompanhada de um de nós. De qualquer modo -continuou antes que Chantal pudesse emitir seu primeiro protesto-, não é apropriado ficar ao volante do carro de outra pessoa.

-Fomos por caminhos secundários -Chantal se aproximou e beijou a sua mãe na face-. Não se preocupe tanto. Tenho que me divertir um pouco ou murcharei como uma passa.

Molly reconheceu a estratagema e se manteve firme.

-É muito jovem para entrar no carro de um menino.

-Michael não é um menino. Tem vinte e um anos.

-O que é pior.

-É um idiota -anunciou Rick com calma ao aparecer no corredor. Só arqueou uma sobrancelha quando Chantal se voltou para olhá-lo com olhos cintilantes-. E como sabe que esta doido por você, perdeu a cabeça.

-Não é assunto seu-informou sua irmã. Uma coisa era que sua mãe desse um sermão, e outra receber o de seu irmão-. Tenho dezesseis anos, não seis, e já estou farta de que me controlem.

-Que pena -tomou o queixo e o sustentou com firmeza quando ela tentou se soltar.

Rick tinha uma versão mais áspera e masculina da beleza de Chantal. Ao olhá-los, Frank sentiu tanto orgulho em seu interior que pensou que explodiria. Pareciam mais com a sua Molly do que com ele. Amava-os com todo seu coração.

-Vamos, vamos -adiantou-se pacificador-. Falaremos disso depois. Agora Chantal tem que se trocar. Dez minutos, princesa -murmurou-. Não se atrase. Vamos, Molly, saiamos a preparar ao público.

Molly olhou a Chantal com uma expressão que a advertia de que o tema não estava esquecido, logo se suavizou e tocou a face de sua filha.

-Temos o direito de nos preocupar por você, sabe?

-É possível -Chantal ainda mantinha o queixo erguido-. Mas não é necessário. Sei cuidar de mim mesma.

-Temo que sim -com um suspiro, dirigiu-se com seu marido para o pequeno cenário onde ganhariam o sustento o resto da semana.

Longe de estar calma, Chantal apoiou a mão na maçaneta da porta antes de encarar com seu irmão.

-Eu decido quem me toca, Rick. Não esqueça.

-Se assegure de que seu amigo, o do carro bonito se comporte. A menos que queira que termine com os dois braços quebrados.

-Oh, vá para o inferno.

-Provavelmente o faça –concordou afável. Logo ajeitou seu cabelo-. Limparei o caminho para você, irmãzinha.

Como queria rir, Chantal abriu a porta e depois a fechou na cara dele.

Maddy olhou por cima do ombro enquanto abotoava as costas do traje do Abby.

-Ora, decidiu aparecer.

-Não comece -com rapidez tirou um vestido que combinava com o de suas irmãs de uma arara que corria por todo o quarto.

-Nem me passaria pela cabeça. Embora parecesse interessante a discussão do corredor.

-Quem me dera deixassem de se preocuparem tanto –tirou o pulôver. Sua pele era pálida e suave, as curvas já acentuadas e femininas.

-Veja desta maneira -disse Maddy ao terminar com os botões do Abby-. Estão tão ocupados com você que raramente se metem comigo ou com Abby.

-Estão em dívida comigo -tirou as calças com movimentos enérgicos e ficou de sutiã e calcinhas.

-Mamãe estava preocupada de verdade -interveio Abby. Como já tinha terminado com sua maquiagem e seu cabelo, arrumou os tubos e potes que preparariam o rosto de Chantal para o cenário.

Com certo sentimento de culpa, Chantal deixou-se cair diante do espelho que as três compartilhavam.

-Não era necessário. Estava bem. Foi divertido.

-É verdade que deixou que dirigisse seu carro? -interessada Maddy pegou uma escova para arrumar o cabelo do Chantal.

-Sim. Senti-me... Não sei, senti-me importante -olhou em torno do quarto lotado e sem janelas e com o chão de cimento-. Nem sempre vou estar em um antro como este.

-Agora sim se parece com papai -com um sorriso, Abby lhe estendeu uma esponja de maquiagem.

-Pois não -com anos de experiência já nas costas, Chantal acrescentou cor a sua face com toques velozes-. Um dia vou ter um camarim três vezes maior que este. Tudo branco, com um carpete tão grosso que afundará até os tornozelos.

-Eu prefiro um pouco de cor -disse Maddy com voz sonhadora-. Muita cor.

-Branco -repetiu Chantal com firmeza. Logo levantou para colocar o vestido-. E vai ter uma estrela na porta. Irei de limusine e terei um carro esportivo que fará que o de Michael pareça um brinquedo -colocou o vestido que tinha sido remendado muitas vezes para se lembrar-. E uma casa com um jardim enorme e uma piscina gigantesca.

Como os sonhos formavam parte de seu legado, Abby se estendeu enquanto abotoava os botões do vestido do Chantal.

-Quando entrar em um restaurante, o maître a reconhecerá e lhe dará a melhor mesa e uma garrafa de champanha por conta da casa.

-Será amável com os fotógrafos -continuou Maddy, lhe passando os brincos-. E jamais se negará a dar um autógrafo:

-É obvio -encantada, colocou as pedras de cristal, pensando que eram diamantes-. Haverá duas suítes enormes em minha casa para cada uma de minhas irmãs. De noite conversaremos e comeremos caviar.

-Que seja pizza -instruiu Maddy, apoiando um cotovelo em seu ombro.

-Pizza e caviar -indicou Abby, colocando-se do outro lado.

Rindo, Chantal passou os braços ao redor das cinturas de suas irmãs. Nesse momento eram uma unidade, tal como o tinham sido no útero.

-Viajaremos, iremos a todos os lugares, vamos ser importantes.

-Já somos -Abby inclinou a cabeça para observá-la-. As Trigêmeas O'Hurley.

Chantal observou o reflexo que lhe devolveu o espelho.

-E nunca vão nos esquecer.

Capítulo 1
A casa era grande, fresca e branca. Nas primeiras horas da manhã uma brisa entrava pelas portas do terraço que Chantal tinha deixado abertas. Mais à frente do jardim, oculto da casa principal pelas árvores, havia um mirante pintado de branco, com glicínias que subiam por suas grades.

No lado leste da grama havia uma elaborada fonte de mármore. Nesse momento não funcionava. Raramente pedia que a ativassem quando se encontrava sozinha. Perto estava a piscina octogonal de pedra, circundada por um pátio amplo e flanqueada por outra casa branca menor. Do outro lado de um arvoredo havia uma pista de tênis, embora ha semanas que não tinha tempo nem vontade de empunhar uma raquete.

A propriedade era rodeada por uma cerca de pedra, o dobro da altura de um homem, que dependendo das circunstâncias lhe davam a sensação de segurança ou de estar presa. Não obstante, dentro da casa, com seus tetos altos e frescas paredes brancas, freqüentemente esquecia a existência da cerca, do sistema de segurança e da cancela eletrônica; era o preço que pagava pela fama que sempre quis.

Os alojamentos dos criados estavam na ala oeste, no andar de baixo. Nesse momento ali nada se mexia. Acabava de amanhecer e estava sozinha. Havia ocasiões em que Chantal preferia dessa maneira.

Enquanto ajeitava o cabelo sob um chapéu, não se incomodou em observar o resultado no enorme espelho de seu closet. Tinha escolhido a saia comprida e os sapatos baixos por comodidade, não elegância. O rosto que tinha destruído corações de homens e despertado a inveja de mulheres não estava maquiado. Protegeu-se abaixando a aba do chapéu e colocando uns óculos de sol enormes. Enquanto recolhia a bolsa que acreditava, continha tudo o que ia necessitar para o dia, soou o interfone que havia junto à porta.

Olhou a hora. Cinco e meia. Logo apertou o botão.

-Pontual.

-Bom dia, senhorita O’Hurley.

-Bom dia, Robert. Desço em seguida.

Depois de ativar o interruptor que abria a porta principal, desceu pela ampla escadaria que levava ao andar de baixo. O corrimão de mogno parecia cetim sob seus dedos. Do alto pendia um lustre. O chão de mármore brilhava como cristal. A casa era uma vitrine adequada da estrela em que se esforçara em ser. Era um sonho que foi acrescentando a outros sonhos, e requeria tempo, esforço e destreza mantê-los. Mas trabalhara toda sua vida e se sentia com direito aos benefícios que tinha começado a conseguir.

Ao dirigir-se para a porta, o telefone começou a tocar.

Como não havia nenhum criado de pé, cruzou até a biblioteca e respondeu.

-Olá -automaticamente pegou uma caneta e se preparou para anotar o recado.

-Quem me dera pudesse vê-la agora mesmo -o sussurro familiar umedeceu as palmas das mãos de Chantal e a fez soltar a caneta sobre o papel-. Por que trocou de número? Não esta com medo, não é? Não deve me temer, Chantal. Não lhe farei mal. Só quero tocá-la. Nada mais que tocar. Está se vestindo? Que...?

Soltou o telefone com um grito de desespero. O som de sua respiração na casa grande e vazia soou como um eco duro. Começava outra vez.

Minutos mais tarde, seu chofer notou que não lhe oferecia o sorriso fácil e sedutor com o qual geralmente o saudava antes de subir à limusine. Uma vez lá dentro, Chantal jogou a cabeça para trás, fechou os olhos e se obrigou a acalmar-se. Em poucas horas tinha que estar diante da câmara. Esse era seu trabalho. Sua vida. Não podia permitir que nada interferisse nisso, nem sequer o medo de uma voz ao telefone ou a uma carta anônima.

Quando a limusine atravessou as portas do estúdio, voltava a ter o controle de si mesma. Dizia-se que ali estaria a salvo. Ali se entregaria ao trabalho que ainda a fascinava. Dentro das dúzias de edifícios de tetos abobadados, tinha lugar à magia, e ela fazia parte de tudo. Até a frieza era apenas ficção. O assassinato, a destruição e a paixão podiam ser simulados. Maddy, sua irmã, tinha-o chamado Terra da Fantasia, e estava certa. «Entretanto, terá que deixá-la a flor da pele para fazer com que a fantasia seja real», pensou com um sorriso.

As seis e meia estava sentada na sala de maquiagem e as sete ajeitava seu cabelo. Achavam-se na primeira semana de filmagem e tudo parecia novo. Leu seu diálogo enquanto a cabeleireira arrumava seu cabelo loiro prateado em uma cascata que a protagonista usaria naquele dia.

-É incrível a quantidade de cabelo que tem -murmurou a estilista enquanto mirava com o secador de mão-. Conheço mulheres que venderiam suas jóias mais caras para ter um cabelo como este. E a cor! Inclinou-se para olhar o resultado de seu trabalho-. Custo a acreditar que é natural.

-Culpa da minha avó paterna -girou a cabeça um pouco para comprovar seu perfil esquerdo-. Margot, supõe-se que nesta cena tenho vinte anos. Conseguirei que acreditem?

Rindo, a vivaz ruiva recuou.

-Essa é a menor de suas preocupações. É uma pena que tenham que jogar chuva sobre tudo isto –escovou pela última vez o cabelo.

-Não me diga -levantou-se quando a outra retirou o avental-. Obrigado, Margot -antes de ter dado dois passos, seu secretário estava ao lado. Tinha-o contratado porque era jovem, solícito e não ambicionava ser ator-. Vai usar o chicote, Larry?

Larry Washington ruborizou e gaguejou, como acontecia sempre durante os primeiros cinco minutos ao lado de Chantal. Era baixo e de boa compleição, recém saído da universidade, com uma mente que absorvia os detalhes. Sua maior ambição nesse momento era comprar um Mercedes.

-OH, já sabe que eu nunca faria isso, senhorita O'Hurley.

Chantal lhe deu um tapinha no ombro, fazendo com que sua tensão arterial subisse.

-Alguém deve fazê-lo. Larry agradeceria se procurasse o ajudante do diretor para lhe comunicar que estou em meu camarim. Vou me isolar ali até que estejam preparados para o ensaio -o protagonista masculino apareceu com um cigarro na mão e o que ela avaliou, com uma horrível ressaca.

-Quer que lhe traga um café, senhorita O'Hurley? –perguntou, já se distanciando. Qualquer com um pouco de cérebro sabia que o melhor era evitar a Seam Carter na manhã seguinte a uma bebedeira.

-Sim, obrigado -saudou com a cabeça à equipe que completava o trabalho no cenário de uma estação de trens, com vias, vagões e sala de espera. Ali se despediria de seu amado. Só esperava que então este tivesse controlado a dor de cabeça que o acometia.

Larry ficou a seu lado enquanto ela cruzava o set sob os focos e se esquivava das mesas.

-Queria lembra-la da entrevista que tem ao meio dia. O jornalista do Star Gazet chegará às doze e meia. Dean, da publicidade, disse que se você quisesse ele poderia acompanhá-la.

-Não, está bem. Posso manobrar um jornalista. Veja se conseguem fruta fresca, sanduíches e café.Não, chá com gelo. Farei a entrevista em meu camarim.

-Muito bem, senhorita O'Hurley -começou a anotar em sua agenda-. Quer algo mais?

-Quanto tempo faz que trabalha para mim, Larry? -deteve-se frente à porta de seu camarim.

-Ah, pouco mais de três meses, senhorita O'Hurley.

-Acredito que já poderia começar a me chamar de Chantal -sorriu, e logo fechou a porta diante de seu atônito secretário.

O camarim acabava de ser redecorado a seu gosto e comodidade. Com o roteiro ainda na mão, Chantal cruzou o salão e entrou no pequeno espaço que fazia de armário. Como sabia que seu tempo era limitado, não o perdeu. Depois de tirar a roupa, vestiu os jeans e o pulôver que usaria para a primeira cena.

Seu personagem tinha vinte anos e era uma estudante de arte que sofria sua primeira decepção amorosa. Voltou a olhar o roteiro. Era bom e sólido. Sua parte iria lhe proporcionar a oportunidade de expressar um amplo leque de emoções que aproveitariam ao máximo seu talento criativo. Representava um desafio, e o único que tinha que fazer era aproveitá-lo. E o faria. Prometeu.

Quando leu Desconhecidos se colocou na pele do Halley, a jovem artista traída por um homem e obcecada por outro; uma mulher que em última instância encontra o êxito e perdia o amor. Chantal entendia Halley e também sabia o que era a traição. Voltou a contemplar o pequeno e elegante camarim e pensou que também entendia o sucesso e o preço que tinha que pagar por ele.

Embora soubesse suas linhas de cor, não largou o roteiro enquanto retornava ao salão. Com um pouco de sorte, disporia de tempo para tomar uma rápida xícara de café antes de repassar a cena. Quando trabalhava em um filme, acabava sendo fácil viver de café, um almoço ligeiro e mais café. O papel a alimentava. Raramente tinha tempo para ir às compras, nadar ou receber uma massagem no clube até acabar o filme.

Foi sentar-se, mas um vaso com rosas vermelhas chamou sua atenção. Ao ir recolher o cartão, pensou que seriam de um dos chefes do estúdio. Quando a abriu, o roteiro caiu no chão. «Estou observando sempre. Sempre».

Quando bateram na porta se sobressaltou e caiu contra uma mesa. Com uma mão no pescoço, observou a porta com o primeiro temor real que jamais tinha experimentado.

-Senhorita O'Hurley... Chantal sou eu, Larry. Trouxe seu café.

Com um soluço entrecortado, atravessou o quarto e abriu de repente.

-Larry...

-Puro, como gosta... O que houve?

-Eu... Eu... -calou. «Controle», pensou com desespero. «Perde tudo se perder o controle»-. Larry sabe algo sobre estas flores? –apontou sem olhar.

-As rosas. Uma das garotas as encontrou enquanto preparava a mesa para o café da manhã. Como tinham seu nome escrito, as trouxe aqui. Sei o quanto gosta de rosas.

-Desfaça-se delas.

-Mas...


-Por favor -saiu do camarim. Queria ter muita gente em volta-. Simplesmente desfaça-se delas, Larry.

-Claro -olhou suas costas enquanto ela se dirigia ao set-. Agora mesmo.

Quatro aspirinas e três xícaras de café haviam devolvido a vida a Seam Carter. Era hora de trabalhar e não podia permitir que nada interferisse com isso... Nenhuma ressaca nem umas palavras aterradoras escritas em um cartão. Chantal tinha se esforçado em projetar uma imagem de glamour e estilo. E esforçou-se com igual afinco em não ganhar fama de ser uma atriz temperamental. Estava pronta quando a chamavam e sempre sabia suas falas. Se uma cena requeria dez horas de gravação, ali estava ela. Lembrou tudo isso enquanto se aproximava de Seam e da diretora.

-Como é que sempre dá a impressão de acabar de sair de uma revista de moda? -rosnou Seam.

Ela observou que era a maquiagem que lhe ocultava as olheiras. Tinha a pele bronzeada e estava bem barbeado. Seu cabelo denso e da cor do mogno parecia penteado com descaso, caindo um pouco sobre a frente. Parecia jovem, são e atrativo, o amante sonhado de uma garota idealista.

Chantal elevou uma mão e a apoiou na face dele.

-Porque é assim, querido.

-Que mulher -com a aspirina já podia se sentir humano, jogou Chantal para trás com um gesto dramático-. Deixe lhe perguntar uma coisa, Rothschild -disse, chamando à diretora enquanto os lábios flutuavam a uns centímetros dos dela-. Como um homem em seu juízo perfeito pode deixar uma mulher assim?

-Não ficou estabelecido que você... Ou Brad -corrigiu Mary Rothschild, referindo-se ao personagem-, esteja em seu juízo perfeito.

-Ele é tão descarado -recordou Chantal a Seam.

Feliz de que o lembrassem, ergueu-a.

-Não interpreto um descarado faz uns cinco anos. Acho que ainda não agradeci ao roteirista.

-Pode fazê-lo agora -disse-lhe Rothschild-. Está ali.

Chantal olhou na direção do homem alto e magro que se achava de pé em um extremo do set fumando sem parar. Tinha-o visto algumas vezes em reuniões e durante a fase de pré-produção. Quase tudo o que tinha dito era a respeito de seu livro ou dos personagens. Enviou-lhe um sorriso vagamente amistoso antes de voltar a centrar-se na diretora.

Enquanto Rothschild montava a cena, esvaziou sua mente de tudo. A única coisa que ficaria em seu interior seria um coração partido. Mecanicamente, com as mentes centrada nos ângulos e na continuidade, Seam e ela realizaram a breve, mas intensa cena de amor.

-Acredito que deveria tocar seu rosto assim -Chantal levantou a mão para apoiar a palma em sua face e olhá-lo com expressão de súplica.

-Então eu a puxarei pela mão -fechou os dedos em torno da mão de Chantal e puxou a palma para os lábios.

-Esperarei e tudo isso -saltou as falas quando alguém da equipe fechou uma porta com estrépito. Suspirou e pegou a face de Seam-. Então começarei a subir os braços.

-Vamos ver isto -Seam a puxou pelos ombros e a sustentou um instante enquanto se olhavam, logo beijou os dois lados de sua boca.

-OH, Brad, por favor, não vá... Depois o beijo até que seu joelhos vacilem.

-Estou esperando -Seam sorriu.

-Repassemos -Rothschild levantou uma mão. As diretoras ainda eram uma exceção à regra. Não podia permitir o luxo de ceder um centímetro, nem a si mesma nem aos outros-. Quero muita paixão quando chegar ao beijo- disse a ambos-. Não deixe de chorar, Chantal. Lembre-se, no mais fundo de seu coração sabe que ele não vai voltar.

-Sou realmente um descarado -comentou Seam com tom brincalhão.

-A seus lugares -os figurantes se dirigiram a suas marcas. Alguns poucos membros da equipe de direção deixaram de fazer preparativos para uma partida de pôquer-. Silêncio -Rothschild se moveu até ter o melhor ângulo para a entrada de Chantal-. Ação.

Chantal saiu correndo na direção da plataforma e olhou ao redor com gestos frenéticos enquanto as pessoas iam e vinham. Em seu rosto se via o desespero, os últimos vestígios de esperança, o sonho que não estava disposto a morrer. Graças à equipe de efeitos especiais, formava-se uma tormenta. Com relâmpagos e raios. Então viu Brad. Chamou-o, abrindo passagem entre a multidão até que pôde chegar a seu lado.

Ensaiaram a cena três vezes antes que Rothschild ficasse satisfeita para começar a rodar. Retocaram a maquiagem e o cabelo de Chantal. Quando a claquet soou, estava preparada.

Aperfeiçoaram a primeira parte da cena durante toda a manhã, a busca de seu personagem, a impaciência da multidão, seu encontro com Brad. Tomada atrás de tomada repetiu os mesmos movimentos, as mesmas palavras, em ocasiões com a câmara a trinta centímetros dela.

À sexta tomada, Rothschild por fim deu sinal para que se formasse a chuva. Os irrigadores lançaram uma cortina de água que a banhou ao plantar-se diante de Brad. Seus olhos se encheram de lágrimas e sua voz tremeu quando suplicou que não a deixasse. Molhada e gelada, continuaram repassando o que na tela seriam cinco minutos de filme até o descanso da refeição.

No camarim, Chantal tirou a roupa de Halley e a entregou à encarregada de vestuário para que pudesse secá-la. Antes que acabasse o dia voltariam a penteá-la e a ensopá-la.

As rosas já não estavam lá, mas parecia que ainda podia sentir seu cheiro. Quando Larry se apresentou diante da porta para dizer que tinha chegado o jornalista, pediu que lhe desse cinco minutos e que o fizesse entrar.

«Adiei muito», disse a si mesma enquanto levantava o telefone. Não ia parar, e tinha chegado a um ponto em que já não podia agüentar.

-Agencia Burns.

-Preciso falar com Matt.

-Sinto muito, o senhor Burns se encontra em uma reunião. Posso...?

-Sou Chantal O'Hurley. Tenho que falar com Matt agora.

-É obvio, senhorita O'Hurley.

Chantal não pôde evitar uma leve careta ante a rapidez com que a telefonista tinha trocado de tom. Procurou na gaveta o pacote de cigarros que guardava para as emergências e esperou até que Matt atendesse.

-Chantal, o que houve?

-Preciso vê-lo. Esta noite.

-Hei, querida, temo que esteja ocupado. Por que não deixamos para amanhã?

-Esta noite -algo do pânico que a dominava se refletiu em sua voz. Acendeu o cigarro e deu uma tragada profunda. É importante. Preciso de ajuda -soltou a fumaça devagar-. De verdade que preciso de sua ajuda, Matt.

Como nunca antes tinha percebido medo nela, não duvidou.

-Irei...Que tal as oito?

-Sim, sim, perfeito. Agradeço.

-Pode me contar do que se trata?

-Não posso. Não por telefone, nem agora -voltava a acalmar-se; saber que ia agir parecia ajudar.

-Como você quiser. Estarei lá.

-Obrigado -desligou no momento em que bateram na porta. Apagou o cigarro, jogou o cabelo ainda úmido para trás e fez entrar o jornalista com um sorriso gentil.

-Por que diabos não me contou isso antes? -Matt Burns ia de um lado a outro do amplo salão do Chantal dominado por uma desconhecida sensação de impotência. Em doze anos tinha passado de seprador de cartas no correio a importante agente artístico. Não tinha chegado até ali por não saber o que fazer em uma situação determinada. Nesse momento tinha um ninho de vespas na mão e não sabia para que lugar atirá-lo-. Maldita seja, Chantal, há quanto tempo que esta acontecendo?

-A primeira chamada aconteceu faz umas seis semanas -Chantal se sentou no sofá com um copo de água mineral na mão. Como Matt, não gostava da sensação de impotência. Desagradava-lhe ainda mais ter que pedir a outra pessoa que solucionasse um problema-. Olhe, Matt, as primeiras chamadas, as primeiras cartas, pareciam inofensivas. Se apareço em revistas e no cinema, é evidente que atrairei atenção. E nem toda será saudável. Supus que se não fizesse caso acabaria.

-Mas não foi assim.

-Não -contemplou o copo e recordou as palavras impressas no cartão. «Estou olhando sempre. Sempre»-. Não, piorou –encolheu os ombros e tentou fingir que não era tão mau como soava-. Fiz com que trocassem o meu número de telefone, e durante um tempo funcionou.

-Deveria ter me contado isso.

-É meu agente, não minha mãe.

-Sou seu amigo -recordou-lhe.

-Sei -estendeu uma mão. As amizades verdadeiras eram raras no mundo que tinha escolhido-. Por isso o chamei antes de ficar louca. Não sou uma mulher histérica.

-Ao menos isso -riu e logo lhe soltou a mão para servir-se outro copo.

-Quando essas rosas... Bom, soube que tinha que fazer algo, mas não sabia o que.

-O que, é chamar à polícia.

-De forma alguma -levantou um dedo quando ele quis responder-. Matt suponho que pode imaginar o cenário tão bem como eu. Chamamos à polícia e então a imprensa se inteira. Manchete: Chantal O'Hurley perseguida por um Admirador louco. Sussurros ao Telefone. Desesperadas Cartas de Amor -alisou o cabelo-. Poderíamos rir um pouco da situação, inclusive aproveitá-la até certo ponto, mas não demoraria muito até que outras personalidades desequilibradas decidissem me escrever mais cartas. Ou acampar diante da minha casa. Não acredito que seja capaz de agüentar mais de um de cada vez.

-E se for violento?

-Não acha que já pensei? -tirou um cigarro do pacote de Matt e esperou que acendesse.

-Precisa de proteção.

-É possível -deu uma tragada-. É possível que esteja disposta a reconhecer isso, mas estou no meio de um filme. Coloquem policiais no estúdio e o pessoal não parará de falar.

-Desde quando se preocupa com os rumores?

-Nunca o fiz -conseguiu esboçar um sorriso relaxado-. Salvo quando são por um motivo realmente pessoal. Minhas... Ah, extraordinárias aventuras amorosas e estilo de vida hedonista são uma coisa; mas minha vida, tal como é de verdade, é outra bem diferente. Nada de polícia, Matt, ao menos ainda não. Preciso de outra opção.

Ele pegou o cigarro e deu uma tragada pensativo. Matt tinha negociado o primeiro trabalho de Chantal na tela. Tinha levado sua carreira desde anúncios de xampu até protagonista de filmes, e era estranho, muito estranho, que pedisse ajuda em algo pessoal.

-Acredita que tenho algo? Confia em mim?

-Não o fiz sempre?

-Vou fazer uma ligação.

Chantal se recostou e fechou os olhos quando Matt saiu da sala. Possivelmente sua reação fora excessiva. Provavelmente estava sendo muito suscetível a um fã que tinha levado um pouco longe sua admiração.

«Estou olhando... Olhando... »

Não. Incapaz de permanecer sentada começou a caminhar pelo salão. Gostava que a olhassem... Na tela. Aceitava que a fotografassem, sempre que entrava ou saía de um clube, quando assistia a uma festa ou a uma estréia. Mas isso era... Assustador. Como se houvesse alguém do outro lado das janelas, olhando para dentro. O pensamento a fez olhar nervosa por cima do ombro. Ali não havia ninguém. Tinha a cancela eletrônica, os muros, a segurança. Mas não podia ficar presa em casa as vinte e quatro horas.

Atuava desde que aprendera a caminhar, viajando sem cessar pelo país com sua família, para trabalhar em clubes e teatros regionais. Tinha pago seu direito de entrada muito antes de chegar a Hollywood com dezenove anos, não com estrelas nos olhos, mas com uma determinação férrea. Nos anos transcorridos desde então, tinha ganho e perdido papéis, tinha anunciado xampu e vendido perfumes em publicidades abertamente sexy e freqüentemente estúpida. Quando teve sua primeira oportunidade, estava mais que preparada para interpretar à desalmada devoradora de homens que aparecia em cena menos de vinte minutos. Tinha roubado o filme de um par de estrelas veteranas e dado o salto para rodar outro como protagonista. Nunca mais tinha olhado para trás.

A primeira oportunidade havia lhe dado o estrelato que sempre tinha desejado. E de forma indireta quase destruído sua vida.

«Mas sobrevivi», lembrou enquanto se olhava no espelho antigo que havia em cima do suporte de mármore. Não tinha permitido que o acontecido tantos anos atrás a derrubasse. E tampouco ia permitir que o que lhe acontecia nesse momento fizesse isso.

-Vira agora mesmo.

Afastou-se do espelho quando Matt retornou ao salão.

-O que?

-Disse que vira agora mesmo. Deixe-me preparar um drink de verdade.



-Não. Tenho que levantar às seis e meia. Quem vira?

-Quinn Duram. Pode ser a resposta que anda procurando, e como nos conhecemos há muito tempo pude... Persuadi-lo que pensasse no seu caso.

-Quem é Quinn Duram? -colocou as mãos nos bolsos das calças de cetim branco.

-É uma espécie de detetive particular.

-Uma espécie?

-Dirige um negócio pequeno de segurança. Em uma ocasião trabalhou em uma operação secreta. Possivelmente para nosso governo, embora não possa jurar.

-Soa fascinante, mas não acredito que queira um espião, Matt. Um lutador de cento e cinqüenta quilos seria mais atraente.

-E óbvio -recordou-lhe-. Poderia contratar a um par deles como guarda-costas, querida, mas o que precisa é de alguém com cérebro... E discrição. Esse é Quinn -terminou a dose e pensou em servir-se de outro-. Ele já não se ocupa tanto do trabalho ativo. Para isso dispõe de um montão de operários ou como quer que se chamem. Ele se dedica à mediação. Mas neste caso quero que tenha o melhor.

-E esse é Quinn -imitou ela, deixando-se cair no encosto do sofá-. O que se supõe que vá fazer?
-Não tenho nem idéia. Por isso o chamei. É um canalha áspero -comentou com tom remanescente-. Não muito... Gentil, mas lhe confiaria minha vida.

-Ou, neste caso, a minha.

A expressão do Matt mudou imediatamente.

-Chantal, se realmente esta tão preocupada...

-Não, não -com um movimento da mão descartou a inquietação dele-. Dá a impressão de que este Quinn Duram escutará o que tenho a lhe dizer, revirará os olhos e me fará um discurso sobre como manobrar chamadas telefônicas. Já não gosto dele.

-Só está nervosa -Matt bateu em seu joelho enquanto se dirigia ao bar-. E tem direito a estar, Chantal.

-Não estou -sorriu, decidida a melhorar o seu humor-. O nervosismo não se encaixam com minha imagem. E você me ajudou a moldar uma imagem.

-Não precisou de nenhuma ajuda para isso -sorriu, voltou-se e estudou a cascata de cetim branco que tão bem vestia-. Nasceu com o talento. Eu simplesmente ajudei a aumentá-lo.

-E como foi? -inclinou a cabeça e sorriu com meiguice.

-Digamos que ninguém que a veja hoje imaginária que no passado teria remendado suas meias.

Ela riu e se recostou sobre o sofá.

-É m,aravilhoso comigo, Matt.

-Levo anos lhe dizendo o mesmo. Soou a campainha. Eu atendo.

Se Matt considerava Quinn Duram uma resposta, Chantal aceitaria sua palavra. Mas a irritava ter que contar seus problemas pessoais a um desconhecido.

Nesse momento entrou o desconhecido.

Se sobrasse para ela ter que procurar um intérprete para um papel de espião, detetive particular ou alguém que soubesse defender-se nos becos escuros, sua escolha teria sido Quinn Duram. Enchia a porta que dava no salão, bem mais alto e largo de ombros que Matt, mas com uma agilidade ansiosa que lhe indicou que era capaz de mover-se depressa e bem. Chantal aceitou a imediata aprovação feminina como algo natural, inclusive antes de olhá-lo no rosto. Logo o achou não natural.

Não mostrava aquela atração de protagonista, a não ser pelo aspecto duro e despreocupado que faria com que os batimentos do coração de qualquer mulher fossem irregulares. Cabelos escuros e densos, ondulados sobre as orelhas e que chegava até o pescoço de uma camisa. Tinha a pele bronzeada e tensa sobre uns ossos faciais fortes e o tom de seus olhos era de uma polidez extrema. Os cílios eram muito compridos e cheios para um homem, embora não femininos. Tudo nele irradiava uma absoluta masculinidade. Ao caminhar o fazia com o andar suave e medido de um homem que sabia o que era seguir uma presa. Sorriu levemente ao dirigir-se a ela, mas Chantal não viu humor em seus olhos. Reconheceu e se enrijeceu ao desdém.

-Então este é o palácio de gelo -comentou ele com uma voz surpreendentemente bela-. E esta a rainha.




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