Os O’Hurley 3 Chantel Nora Roberts



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Capítulo 12
O dia começou as seis e em nenhum momento foi tranqüilo. Começaram as filmagens em uma cabana na parte de trás do set. O interior era pouco mais que um barraco, uma pequena estrutura que se usou em vários filmes. Para o filme tinha recebido uma remodelação, uma falsa fachada que lhe dava o aspecto de uma cabana rústica dos bosques de Nova a Inglaterra. No clímax da cena, o pessoal de efeitos especiais a queimaria, fazendo com que o fogo se iniciasse em circunstâncias misteriosas, com Halley e Brad dentro.

As cenas de interior se fariam logo, em um cenário preparado com o aparelho de som, mas a manhã se passou em externas. Chantal conduziu a Ferrari de Halley até a cabana deserta. Estava mais madura, mas ainda se achava presa entre o homem com quem se casou e o homem que a tinha traído. A cena requeria, estando à beira de um ataque de nervos, que procurasse a distração de uma cabana remota para recuperar as raízes de sua arte, que tinha perdido na selva do sucesso.

Durante várias horas não houve diálogo. Gravaram-na descarregando seus utensílios de pintura, pondo o cavalete no alpendre estreito, entrando e saindo da cabana, com mudanças de vestuário. Sem dizer uma palavra, podia usar seu rosto para mostrar a agitação que sentia seu personagem.

Pintou no alpendre, riscou esboços nos degraus, plantou flores. Pouco a pouco mostrou a cura interior que se ia produzindo em seu personagem.

De um canto, Quinn a observava e notava que o orgulho que sentia por ela crescia. Desconhecia a história, mas entendia à mulher em que se convertia para a câmara.

Para a hora do almoço tinham terminado várias cenas, incluindo uma discussão breve e feroz entre Halley e Brad na varanda. Durante o descanso de uma hora, Chantal dormiu um pouco, logo recuperou as energias com fruta, queijo e uma bebida protéica antes de ir rodar as internas.

O cenário era tão rústico como prometia o exterior da cabana, mas na parede havia algumas pinturas de Halley. A tensão anterior tinha retornado ao rosto de Chantal enquanto escutava a melodia de uma caixa de música que seu marido lhe tinha dado.

Insatisfeita com o modo com que a cena progredia, Chantal e a diretora ficaram a analisar a atmosfera e o movimento.

-Que lhe parece nossa história?

James Brewster apareceu junto a Quinn. Os dois observaram Larry Washington levar um copo de suco a Chantal.

-É estranho vê-la quando se grava cenas tão fragmentadas -não afastou o olhar do Larry enquanto o jovem permanecia perto de Chantal, disposto a atender sua mínima vontade-. Mas espero que funcione. Tem tudo... Sexo, violência, melodrama.

-Não se escreve um bestseller deixando esses elementos de fora -comentou Brewster com amabilidade-. Certamente, Halley é a chave. O que ela faz, o que sente, afeta a todos os personagens. Quando comecei o livro, acreditava estar contando uma história de traição e nascimento. Mas se transformou na história de como uma mulher, e o que acontece a ela, determina o destino de todos os que toca ou não -. Soa pretensioso, e possivelmente o seria sem Chantal. Ela é Halley.

-Faz com que alguém acredite em tudo -murmurou Quinn.

-Exato -alegre, Brewster assentiu-. Como escritor, não existe maior recompensa que observar a um de seus personagens cobrar vida, em especial um que seja importante. Sabe. Estive a ponto de matá-la no fogo.

-O que quer dizer? -Quinn ficou rígido.

Brewster voltou a rir e pegou um cigarro.

-É um homem muito literal, senhor Duram. Quero dizer que estive a ponto de acabar o livro aí, nesta cabana, com Halley perdendo tudo, incluindo sua vida, em um incêndio provocado pelo único homem que realmente a amou. Mas foi impossível. Ela tinha que continuar e sobreviver -observaram como preparavam o set para a cena seguinte -. É uma mulher extraordinária -murmurou Brewster-. Todos os homens aqui estão um pouco apaixonados por ela.

-E você?

-Eu sou um escritor, senhor Duram -esboçou um sorriso irônico-. Ocupo-me de fantasias. Chantal é muito carne e osso.

Ao sinal do assistente de direção, o set ficou em silêncio e se reiniciou a filmagem.

Quinn analisou Brewster com atenção. O escritor parecia menos nervoso que nos dias anteriores de filmagem. Provavelmente estava satisfeito com o progresso. Nesse momento quem parecia nervoso era Larry Washington. O secretário de Chantal não parava de mover-se de um lado a outro. Perguntou-se se a tensão que percebia no set procedia dele. Entretanto, ali onde olhava todos se dedicavam a sua tarefa com a eficácia que queria a diretora.

Possivelmente a tensão se achava nele. Não lhe faltavam motivos. Chantal seguia fora de seu alcance, ainda não estava preparada para comprometer-se. Quando um homem que tinha dedicado toda sua vida a evitar os compromissos encontrava ao final um que queria, era lógico que o dominasse a impaciência.

-Cortem. Estupendo. Maravilhosa -Mary Rothschild se ergueu em sua posição atrás do operador de câmara-. Esteve realmente maravilhosa, Chantal.

-Obrigado -respirou fundo e tratou de desterrar as emoções que a tinham dominado durante a cena-. Alegra-me não ter que repeti-lo.

-vamos passar à confrontação com o Brad -enquanto falava, Mary começou a massagear os ombros do Chantal-. Sabe o que sente. Ainda o ama. Depois de tudo o que te tem feito, de tudo o que sabe, não consegue te isolar da jovem mulher que se apaixonou por ele. Quer amar a seu marido, tentou, mas a única coisa que conseguiu é feri-lo. Aqui te encontra em sua vida. Sabe que se for com o Brad jamais sobreviverá. Entretanto, sente-se atraída.

-Luto mais comigo mesma que contra ele.

-Exato. Ponhamos mãos à obra.

Trabalharam até as seis. Antes de terminar, Efeitos Especiais tinha introduzido fumaça no set. Halley, aturdida pela fumaça, aterrada pelo fogo que tinha começado a bramar na cabana, arrastou-se pelo chão de madeira em um intento desesperado de chegar à porta. Quão único levava na mão era a caixa de música.

-Um dia duro -comentou Quinn quando se achavam no camarim do Chantal.

-Diga-me isso -extenuada, limpou-se as marcas de fuligem com que a tinham maquiado-. Nem sequer desejo comer, só dormir.

-Agasalharei-a.

Sorriu e depois de secar o rosto passou a bolsa pelo ombro.

-Me agasalhar? Prefiro ter a alguém contra quem me aconchegar.

-Também o terá, dentro de umas horas -saíram do camarim e atravessaram o set, onde a diretora e o operador de câmara mantinham uma reunião improvisada.

-Vai a algum lugar?

-Tenho que arrumar algumas coisas -pensou em Matt, que era seu amigo, e em Chantal, a mulher que amava-. Contarei quando voltar.

-Preferia que o fizesse agora -ao sair, Chantal foi direto para a limusine que a esperava-. Quinn, não quero que me proteja desta maneira. Não mais.

Ela tinha razão e ele sabia que cedo ou tarde teria que contar. Quando se acomodou no assento, rodeou-a com um braço, disposto a consolá-la.

-Não quis contar em Nova Iorque. Era o casamento de sua irmã e tínhamos que resolver nossos problemas. Ontem... -titubeou, sem saber muito bem ainda como explicar o que para ele tinham significado as últimas vinte e quatro horas-. Ontem quis que fosse somente nós dois.

-Entendo -tomou a mão-. Do que se trata, Quinn?

-Consegui uma pista sobre o homem que pediu as flores -sentiu que ela se esticava, mas não tentou apaziguá-la-. Pagou em dinheiro, assim não ficou nada registrado por escrito. O florista não pôde me oferecer uma grande descrição. O suejeito usava óculos escuros e um chapéu. Entretanto, notou outras coisas -vacilou, odiando ser quem destruiria uma confiança e uma amizade. Mas ela era mais importante do que ambas as coisas. Era mais importante que tudo-. Fumava cigarros importados e tinha um porta cartões gravado.

Durante um momento a mente dela ficou em branco. Devagar compreendeu o significado.

-Muitos homens preferem tabaco importado e usam porta cartões.

-Não aqueles que trabalham com você. Este disse que sim.

-Poderia estar mentindo.

-Poderia. Mas nos dois sabemos que não. Sempre tivemos claro que esse homem a conhecia, e que você o conhecia. Chantal, você deu de presente um porta cartões de prata a alguém que trabalha com você.

-Não é Matt.

-Anjo, é hora de separar o que quer do que é, ou ao menos do que poderia ser.

-Não importa o que você diga, não acreditarei.

-Liguei para Matt enquanto estávamos em Nova Iorque –levantou uma mão para pegar seu rosto-. Achava-se fora da cidade, Chantal.

-Bem, estava fora da cidade. Um montão de gente sai da cidade nos fins de semana.

-Foi a Nova Iorque tratar de assuntos pessoais.

Ela ficou pálida, mas com rapidez moveu a cabeça.

-Quinn...

-Tenho que ir falar com ele.

-Não quero que o acuse... -o olhar dele a cortou-. Certo -murmurou, movendo a cabeça para olhar pela janela-. Supõe-se que não devo dizer como realizar seu trabalho.

-Isso, anjo. Olha - tomou pelo ombro e a voltou para ele-. Olhe-me. Não quero que isto a magoe

-Está-me dizendo que meu melhor amigo é seu principal suspeito. Não posso evitar de me magoar.

-Vá para casa -inclinou-se e lhe deu um beijo rápido nos lábios-. Vá para cama. Não pense esta noite. Faça por mim -acrescentou-. Eu te amo, Chantal.

-Fique em casa e me demonstre isso

-Não -emoldurou-lhe o rosto entre as mãos-. Não demorarei muito. E isto vai terminar. Prometo-lhe isso.

Entraram pelo portão e subiram pelo longo e silencioso caminho.

-Confio em você -disse-lhe, e se obrigou a relaxar-. Vou esperar.

-Me espere na cama -murmurou, esperando por seu bem que adormecesse em seguida.

Desceram da limusine.

-Tomará cuidado?

-Sempre tenho.

Ela subiu os degraus, logo se deteve e retornou ao lado de Quinn.

-Eu odeio isso, mas não posso reclamar, porque trouxe você para minha vida. Volta logo -entrou na casa sem olhar atrás.

Não queria pensar. O dia de trabalho tinha cansado seu corpo, e ia se concentrar nisso. Quando Quinn retornasse, pediria que trouxessem o jantar. De momento, relaxaria nadando e com uma hidromassagem.

Se fosse Matt, tudo poderia acabar essa noite. Acabar. Por um instante sua esperança focalizou isso.

-Fico contente por tê-lo encontrado.

-Até os super agentes não vão a festas todas as noites -Matt usava calças e pulôver informais, tênis náutico e tenso como uma mola-. De fato, esta noite ia jantar tranqüilamente em casa. Não esperava vê-lo. Quer um drink?

-Não. Obrigado.

-Como está Chantal? -perguntou, soltando a garrafa.

-Bem. É interessante, mas pensava que você mesmo fosse verificar pessoalmente.

-Tinha certeza que com você estaria em boas mãos -oscilou sobre os pés, sem sentar-se nem oferecer a Quinn um assento-. E assuntos pessoais me mantiveram um pouco ocupado.

-Esses assuntos o levaram a Nova Iorque no fim de semana?

-Nova Iorque? -franziu o cenho-. O que te faz pensar isso?

-O florista pôde vê-lo bem -pegou um cigarro e observou Matt enquanto o acendia.

-Sim? -com uma risada pela metade, ao final se sentou-. De que diabos está falando, Quinn?

-As rosas que enviou para Chantal. Desta vez cometeu um erro. O envelope do cartão tinha um nome impresso.

-Rosas? -Matt alisou o cabelo enquanto movia a cabeça-. Não sei aonde quer chegar. Eu... -então guardou silêncio e a compreensão se refletiu em seus olhos-. Santo Deus, acha que sou eu quem esteve fazendo isto? Acha que sou eu? Maldição, Quinn -levantou-se de um salto-. Acreditava que nos conhecíamos.

-Eu também. Onde passou o fim de semana, Matt?

-Não é assunto seu.

Quinn expeliu fumaça sem levantar-se.

-Pode me contar ou posso investigar. De qualquer modo, vou me encarregar de que saia da vida de Chantal.

Furioso, Matt fechou os punhos. Quinn os observou e quase desejou que os usasse. Preferia uma saída física a esse combate psicológico.

-Sou seu agente, seu amigo. Quando chegou ao fundo do poço, eu estive a seu lado. Se alimentasse essa classe de sentimentos que diz, poderia ter me aproveitado então.

-Onde esteve o fim de semana? -insistiu, decidido a chegar até o amargo final.

-Fora da cidade -respondeu-. Assuntos pessoais.

-Ultimamente teve muitos assuntos pessoais. Não apareceu em nenhum momento das filmagens. É muito amigo de Chantal, mas só a viu duas vezes desde que soube o que acontecia.

A culpa cintilou por um instante nos olhos de Matt, mas o mau humor acabou com ela.

-Se Chantal me quisesse a seu lado, teria me chamado.

-Pergunto-me se não teria sido você quem a esteve chamando.

-Está louco -mas as mãos tremeram um pouco quando foi servir se de uma taça.

-Você usa um porta cartões, Matt. Um de prata -continuou Quinn-. Um que Chantal deu de presente. O florista recordou detalhes desse tipo.

-Quer ver meu porta cartões? -furioso, colocou a mão no bolso e extraiu um maço de cartões unidos por um pequeno clipe metálico. Caiu na mesa com um ruído surdo.

Quinn o recolheu com o cenho franzido. Era de ouro, não de prata, e tinha as iniciais gravadas de Matt.

-Já que tanto te interessa, estou usando-o há dois meses. Desde que Marion me deu de presente –pegou o copo e bebeu um gole-. Se não fosse por Chantal, me arriscaria a te jogar daqui.

-Tem o direito de tentar -soltou o porta cartões -. Talvez fosse mais inteligente se explicasse. Onde esteve o fim de semana, Matt?

-Em Nova Iorque -amaldiçoando, foi até a janela e voltou-. No Brooklyn. Desde sexta-feira de noite até domingo à tarde... Fui conhecer os pais de Marion. Marion Lawrence, uma professora de vinte e quatro anos. Vinte e quatro -repetiu com um sussurro, passando uma mão pelo rosto-. Conheci-a faz uns três meses. É vinte anos mais jovem do que eu, brilhante, inocente, confiante. Devia me afastar dela. Mas me apaixonei -depois de olhar para Quinn com fúria, procurou um cigarro.

- Passei os últimos três meses pensando na relação que tenho com casas com cercas brancas. Essa moça é bonita e vai se casar comigo, e eu passei o fim de semana tentando convencer seus conservadores e muito preocupados pais de que não sou um playboy de Hollywood querendo me aproveitar de sua filha. Teria preferido enfrentar um pelotão de fuzilamento.

-Escute, Quinn, se não me viu tanto como Chantal merecia, foi porque perdi a cabeça por uma professora de primário. Olha -tirou uma fotografia da carteira-. Dá a impressão de que ela mesma poderia estar na escola. Estou a semanas dominado pela ansiedade.

Quinn acreditou. Com uma mescla de alívio e frustração, fechou a carteira. Poderia ter sido uma mentira, mas um homem apaixonado não demora a reconhecer outro.

-Que diabos vê em você?

Matt riu com som entrecortado.

-Acredita que sou maravilhoso. Sabe que fui um jogador, sabe tudo de mim, e acredita que sou maravilhoso. Quero me casar com ela antes que descubra que esta enganada.

-Boa sorte.

-Sim -Matt guardou a carteira. O mau humor tinha desaparecido, igual à vergonha e osnervoso. Mas seguia sentindo-se culpado-. Se tivermos esclarecido isto, eu gostaria de saber o que acontece com Chantal. Esse sujeito lhe enviou flores em Nova Iorque?

-Exato.

-Parecia-se comigo?



-Não sei que aspecto tinha.

-Mas disse...

-Menti.

-Sempre foi um canalha –afirmou Matt com frieza-. Como está ela?



-Lutando. Vai se sentir melhor quando souber que está limpo.

-Eu vou com você -esfregou-se a nuca-. Eu teria contado sobre Marion antes, mas me deu... Suponho que me sentia como um idiota. Aqui jaz Matt Burns, agente de estrelas, deixou-o inconsciente uma mulher que ajuda meninos a amarrar sapatos o dia todo.

Com o cabelo úmido e solto, Chantal entrou na sala da jacuzzi depois de nadar algumas voltas. A água e o exercício tinham ajudado a limpar a cabeça. Nesse momento a única coisa que desejava era relaxar o corpo. Ligou a hidromassagem e com um suspiro de gratidão colocou o corpo na água quente e borbulhante.

Quinn não demoraria em voltar, e de um modo ou de outro resolveriam as coisas. Devia concentrar-se nisso e não nas circunstâncias que os tinham unido. Tampouco nas circunstâncias dessa noite em que saiu.

Os raios do sol que ficava atravessaram as janelas. As clarabóias mostravam o céu no azul escuro que precede a noite. Chantal deixou que os jatos de água eliminassem o cansaço de seus músculos.

Estava a ponto de conseguir tudo o que queria. Só devia dizer que sim a Quinn. Amava-a. Fechou os olhos. Amava-a pelo que ela era, não pelo que parecia ser na superfície. Ninguém salvo sua família a tinha aceitado em sua totalidade, com seus defeitos, suas inseguranças, seus enganos. Quinn sim. Uma mulher podia viver uma vida inteira sem encontrar um homem que amasse o que ela era, por dentro.

O que a impedia de aceitar o que precisava era o medo de não poder lhe dar tudo... Não lhe dar uma família própria.

Queria ter filhos. Os filhos dele. E se em última instância o decepcionava nisso? E se também ele acabasse por pagar pelos seus erros? Se não o amasse tanto, seria fácil dizer sim.

Fechou os olhos e afundou um pouco mais na água. Quando ele voltasse, teria a resposta certa, e fosse o que fosse, sabia que seria a certa para os dois.

Ouviu um som suave na parte de trás da sala. Ergueu-se e afastou o cabelo molhado do rosto.

-Quinn? Não diga nada agora -voltou a fechar os olhos-. Só venha aqui.

Então ouviu a música e sentiu um nó na garganta.

O céu estava quase escuro enquanto a melodia da sonata fluía por cima da água que borbulhava.

-Quinn -mas pronunciou seu nome sabendo que não estava ali. Tremeu-lhe a mão quando desligou os jatos da hidromassagem. No silêncio, a caixa de música continuou soando. Com as mãos nas costas, impulsionou-se para fora da banheira.

-Esperei tanto tempo por isto...

Parou ao ouvir o sussurro, ficou sem ar. Disse-se que tinha que respirar. Se queria chegar até a porta, tinha que respirar. As luzes diminuíram o medo correu por sua pele.

-É tão linda. Tão incrivelmente bela. Nada que eu fosse capaz de imaginar ou criar poderia ser tão perfeito. Esta noite, em fim estaremos juntos.

O outro se achava nas sombras perto da porta de trás. Chantal se forçou a olhar, mas nem mesmo então pôde ver de quem se tratava.

-Há guardas lá fora -fechou as mãos e forçou sua voz a não tremer-. Poderia gritar.

-Só está o guarda do portão, e se encontra muito longe. Tivbe que ferir os outros. Às vezes temos que fazer o mal quando se ama.

Chantal calculou a distância que havia até a porta.

-Como entrou?

-Saltando o muro próximo à pista de tênis. Faz tempo que não usa a pista de tênis. Estive te vigiando.

-O alarme...

-Ocupei-me do alarme. Possuo alguns conhecimentos. A fama que tenho de investigador minucioso é merecida - Brewster saiu das sombras com a caixa de música nas mãos.

-James -a atmosfera na sala de hidromassagem era quente, mas começou a tremer-. Por que faz isto?

-Amo-te -tinha os olhos frágeis, e quando se aproximou, Chantal não viu emoção nenhuma neles-. Quando se formou pela primeira vez em minha mente, soube que devia te-la. Logo apareceu, em carne e osso. Real. Mandei que lhe fizessem isso -estendeu a caixa de música e ela recuou-. Não tenha medo, Halley.

-James, sou Chantal. Chantal.

-Sim, sim, certamente -sorriu-lhe, logo deixou a caixa em uma mesa junto à banheira. Seguiu tocando, romântica e doce. Chantal O’Hurley, com o rosto perfeito. Sonhei durante meses contigo. Não posso escrever. Minha mulher acredita que estou bloqueado com meu livro. Mas não há nenhum livro. Jamais haverá outro livro. Chantal, não quis aceitar minhas flores.

-Sinto muito -«Quinn vai voltar», disse-se. «Acabara com o pesadelo». Sentia-se vulnerável com o traje de banho, de modo que estendeu a mão para o roupão. Saber atuar lhe permitiu manter os movimentos casuais, mesmo que o coração martelasse na cabeça-. Foi à forma com que as enviou, James. Assustou-me.

-Nunca foi essa minha intenção. Halley

-Chantal - corrigiu com um toque de pânico na voz-. Sou Chantal. James acredito que deveríamos entrar em casa para falar disto.

-Chantal? -pareceu momentaneamente desconcertado-. Não, não, quero estar a sós com você. Esperei muito tempo esta noite. É a noite perfeita, quando a lua está cheia. A canção -olhou a caixa de música-. Era para você.

-Por que não me falou?

-Teria me rejeitado. Rejeitado -repetiu com voz mais alta-. Acha que sou tolo? A vi com esses homens jovens, musculosos e sedutores. Mas nenhum te amará como eu. Fiquei louco com a espera. Estava obcecada com Brad. Sempre Brad.

-Não há nenhum Brad! -gritou--. É um personagem. Não há nenhuma Halley. Você os inventou. Não são reais.

-Você é real. Eu a vi com ele. Observei como o olha, como deixa que te toque, quando deveria ser eu. Mas fui paciente. Esta noite -avançou para ela-. Esperei até esta noite.

Chantal correu em direção à porta dianteira; sabia que se conseguisse estar longe dele, teria uma oportunidade. Segurou a maçaneta e a puxou, mas não se moveu.

-Fechei por fora -informou Brewster-. Sabia que tentaria fugir. Sabia que jogaria meu amor na minha cara.

Ela deu a volta e colou as costas na porta.

-Você não me ama. Está confuso. Eu sou uma atriz. Não sou Halley.

Fez uma careta como dominado pela dor e apertou os dedos contra as pálpebras.

-Dor de cabeça -murmurou-. Não -advertiu ao ver que ela se movia para a porta de trás. Bloqueou-lhe o passo, logo recuou para as sombras para pegar algo-. Sei o que tenho que fazer, e já não há escapatória para nenhum dos dois, Halley.

-Eu não sou...

-É muito tarde -cortou com ferocidade-. Muito tarde. Suponho que sempre soube. Odeio o que me tem feito -apertou os dedos sobre as têmporas enquanto as lágrimas brotavam de seus olhos-. Mas com Deus por testemunha, não posso deixar que nenhum outro homem a tenha. É minha. Foi minha desde o primeiro momento. Se tão só pudesse entendê-lo.

-James -temia tocá-lo, mas se aproximou um passo-. Por favor, entre em casa comigo. Tenho... Tenho frio -apressou-se a dizer-. Estou molhada e preciso me trocar. Logo poderemos nos sentar e falar.

Olhou-a, mas só viu o que queria ver.

-Não pode mentir para mim. Eu te criei vai tentar partir. Quer ver como me prendem. Meu médico quer me prender, mas sei o que tenho que fazer. Com os dois. Aqui termina, Halley.

Ele levantou a lata e Chantal cheirou a gasolina.

-Oh, Deus, não.

-Tinha que ter morrido no fogo faz tempo, mas não fui capaz de fazê-lo então. Agora já não tenho outra opção.

A lata escapou de sua mão quando ela se jogou em sua direção. Bateu no chão com força e a gasolina começou a impregnar a madeira. Chantal lutou por passar. Ouviu-o soluçar enquanto a derrubava e golpeava a cabeça na mesa. De repente viu estrelas diante de seus olhos.

-Chantal vai querer abrir uma garrafa de champanha.

-Acredito que todos gostaríamos -comentou Matt ao entrar na casa-. Quinn agradeceria que deixasse que eu contasse.

-Tem o direito -olhou ao redor do corredor fresco e silencioso-. Tinha o direito de me dar um murro em sua casa.

-É maior que eu -indicou o agente.

-Excedi-me em minha reação, Matt. Não estou acostumado a isso -pensou em Chantal esperando-o acima, e o que teria feito e o que faria para mantê-la a salvo-. A questão é que me lancei sobre você porque era a primeira pista sólida que tinha encontrado em toda esta confusão.

-Por tudo que me disse, tudo o que contou o florista encaixava

-O que encaixa em você, encaixa em outro. E não estou vendo -murmurou Quinn-. Escapa-me porque estou muito envolvido no assunto.

-Já é um pouco tarde para isso.

-Muito tarde. Ela acreditou em você -acrescentou-. Acredito que deva saber. Inclusive depois de eu ter exposto tudo, ela continuou acreditando em você.

Comovido, Matt jogou com a gola de sua jaqueta.

-É uma mulher muito especial.

-É a mulher mais bonita que conheci, por fora e por dentro. Está cheia de integridade. E isso não se vê ao olhá-la, como tampouco se vêem as garras que tem, ou sua lealdade. Precisei de tempo para ir além da superfície e ver tudo o que há nela -moveu os ombros, inquieto, insatisfeito-. Talvez se tivesse sua fé nas pessoas que lhe importa, não teria avançado por um beco sem saída.

-Olhe, antes me zanguei bastante, mas acredito que está tão louco por Chantal como eu por Marion. Provavelmente eu teria feito o mesmo.

-Talvez -Quinn olhou para as escadas. Não queria champanha. Só queria estar a sós com Chantal, mas ela precisava ver Matt, falar com ele. Sentir-se ia aliviada. Perguntou-se se também experimentaria a frustração que o dominava. Tinham avançado muito, mas sem chegar a nenhuma parte-. Odeio pelo que tem passado.

-E eu -Matt apoiou uma mão em seu ombro-. Os últimos meses me ensinaram que o amor pode enlouquecer a qualquer um. Suponho que é como disse Brewster naquela entrevista.

-Que entrevista?

-Saiu hoje no jornal. Escreveram um artigo sobre Estranhos, focalizando em Halley. O modo como a descrevia... Diabos, teria pensado que era real. Mas ele disse algo certo... A respeito de que quando um homem ama de verdade a uma mulher, vê-a como ninguém mais a vê, e que sem importar quais sejam seus erros ou acertos, ela permanece no centro de sua vida, governa-a com sua mera existência. Suponho que me sentia sentimental quando a li -acrescentou com certo embaraço-. Mas pensei que sabia a que se referia. Inclusive em um momento confundiu os nomes de Chantal e Halley.

-O que?


-Isso o jornalista adorou. Mencionou que a atuação de Chantal devia ser brilhante se conseguia que o escritor confundisse à atriz com o personagem.

-Maldição -lançou-se para a escada-. Virtualmente confessou esta tarde. Só me faltou cuspir isso no colo.

-O que vai...? -mas Quinn tinha desaparecido.

-Chame os bombeiros -gritou Quinn, descendo os degraus de três em três-. A sala de hidromassagem está em chamas.

-Em chamas?

-Ela está lá -chegou à porta antes que Matt pegasse o telefone -. A tem ali.

Chantal moveu a cabeça para tentar desanuviá-la. A sala girou e conseguiu levantar apoiando-se nas mãos e nos joelhos. Primeiro sentiu a fumaça, espessa e acre, igual a aquela tarde durante a filmagem. Mas esse não era falso. Ouviu o crepitar do fogo e se voltou para ver que o chão queimava.

Brewster seguia bloqueando a porta de trás, de pé como se estivesse hipnotizado pelo fogo, que se espalhava com rapidez. Não tentava partir. Ia morrer ali, queria morrer ali. E a levaria com ele.

Chantal ficou de pé e engasgou com a fumaça enquanto olhava em volta. Estava enjoada e a cabeça latejava, mas não podia se permitir o luxo de desistir. Só sobrava uma saída. Devia passar perto dele antes que o fogo a matasse.

Tossiu, mas ele não a ouviu. As chamas capturavam sua atenção enquanto devoravam a parede mais afastada. O calor aumentava, visível em ondas que brilhavam entre a porta e ela. Com rapidez, pegou uma toalha e a molhou na banheira. Depois de colocar em volta do rosto, procurou uma arma.

Sobre a mesa estava a caixa de música, repetindo a melodia, apagada pelo som das chamas. Pegou-a e, com pernas que ameaçavam ceder, aproximou-se pelas costas a Brewster.

Ele chorava. Ouviu-o quando elevou a pesada caixa de madeira em cima da cabeça. As lágrimas também caíam pelo rosto de Chantal, embaçando sua visão. Era tão semelhante à cena que tinha estudado, ensaiado e tratado de compreender...

«Halley», pensou enquanto a fumaça lhe embotava o cérebro. Era a cabana, seu refúgio de Nova a Inglaterra. Ela era Halley e tinha provocado a tragédia sobre si mesma, sobre aqueles que a tinham amado. Enganos, amores, visões passadas. Se tão só não tivesse dado seu amor e sua inocência a Brad... A Dustin?

A visão ficou nublada e lutou para limpá-la. Não havia nenhum Brad. Só Quinn. Quinn era real e ela era Chantal. Uma O’Hurley. Os O’Hurley eram sobreviventes.

Chorando, abateu a caixa sobre a cabeça de Brewster.

Quando ele desmoronou a seus pés, Chantal unicamente pôde ficar de joelhos, ofegante, trabalhando em excesso para encontrar ar em uma habitação consumida pela fumaça e o fogo.

Perguntou-se se o teria matado. Olhou para a porta, emoldurada nesse momento pelas chamas. Sua única saída. A sobrevivência. Deu um passo à frente, deteve-se e logo se inclinou sobre Brewster.

Tinha-a amado. Louco ou não, fosse o que for que tinha feito, estava preso a ela. De algum modo, pensaria no caso, mas não podia salvar-se sem tratar de salvá-lo.

Tirou a toalha e lhe tampou a cara com ela. O teto emitiu um rangido detestável, mas não se atreveu a olhar. Não pensou. Tudo se tratava de viver. Colocou as mãos sob as axilas dele e começou a levá-lo para a porta, mais perto das chamas.

Estava perdendo. Ficou sem ar nos pulmões enquanto arrastava o peso morto do corpo sem sentido de Brewster. O fogo ganhava, aproximava-se. Sentiu a descarga de calor sobre a pele e desejou com desespero ter tomado mais tempo para molhar outras toalhas.

A centímetros da porta, tropeçou e caiu, enjoada pela falta de oxigênio. «um pouco mais», exigiu-se, arrastando-se pelo chão sem soltar ao Brewster. «OH, Deus, só um pouco mais».

Observou, muito confusa para estar assustada, como uma viga caía em chamas na banheira quente.

-Chantal!

Ouviu fracamente o grito no momento em que sua consciência começava a vacilar. De algum modo pôde ganhar outros cinco centímetros.

Quinn abriu de um chute a porta dianteira e não viu mais que uma parede de fogo. Voltou a gritar seu nome e não recebeu mais resposta que o crepitar das chamas. O teto cedia. Correu para a outra porta, mas o calor o repeliu. Foi nesse momento que a viu caída junto à parede mais afastada, separada dele pelo incêndio.

Tossindo a fumaça que tinha inalado, correndo rodeou o edifício o tempo todo rezando pela primeira vez em sua vida adulta.

Chantal quase tinha conseguido. Esse foi seu primeiro pensamento ao vê-la deitada junto a Brewster perto da porta. Ao lançar-se sobre ela para protegê-la, uma madeira ardendo lhe queimou a mão antes de poder arrastá-la até a grama.

-Em nome de Deus... -começou Matt ao correr para eles.

-Brewster está lá dentro -conseguiu dizer Quinn-. Cuide dela.

Voltou a lutar contra o calor e, arrastando-se de barriga para baixo, avançou até que pôde segurar a mão do outro. Se havia pulsações, não as notou, mas o tirou dali. Quando o teto desabou, deixou Brewster sobre a grama e girou até ficar de costas para respirar.

-Chantal -sem deixar de tossir, arrastou-se para ela, que tinha o rosto cheio de fuligem. Ouviu as sirenes quando Chantal abria os olhos para vê-lo.

-Quinn. O...

-Tirei-o. Não tente falar -ela ficou tremendo, apesar de que o calor ainda era intenso. Quinn tirou a camisa e a cobriu-. Está em choque -disse-. Precisa ir para o hospital.

-Pedi que enviassem uma ambulância -Matt tirou o pulôver e o acrescentou à camisa do Quinn-. Vai ficar bem. É dura.

-Sim -embalou-lhe a cabeça no colo-. Sim.

-Acreditava que era Halley -ela disse enquanto buscava sua mão enquanto oscilava entre a consciência e a escuridão.

-Sei. Sss -apertou-lhe a mão. A dor das queimaduras era real. Ela era real. E estavam vivos.

-Eu... Durante alguns instantes ali dentro, eu também acreditei. Quinn me diga quem sou.

-Chantal O’Hurley. A única mulher que amei.

-Obrigado -sussurrou e desmaiou.

Quando lhe permitiram vê-la, Quinn estava a vinte e quatro horas sem dormir. Negou-se a deixar o hospital para ir se trocar. Durante a noite tinha caminhado de um lado a outro, deixando loucas às enfermeiras.

Tinham-na tratado do choque e da inalação de fumaça. Os médicos lhe asseguraram que a única coisa de que precisava era repouso. Antes de ir qualquer lugar, pretendia vê-la e falar com ela. E quando se fosse, acompanharia-a.

Ao amanhecer do dia seguinte ao incêndio, Chantal despertou de um sonho induzido pelas drogas. Quando o médico saiu de seu quarto, movia a cabeça. Olhou para Quinn, notando a mão enfaixada e a roupa negra de fuligem.

-Já pode vê-la. .Vou acertar sua alta, embora se tiver alguma influência sobre ela, deveria convencê-la a ficar um dia mais em observação.

-Eu posso cuidar dela em casa.

-É possível -o médico olhou com expressão cética em direção à porta-. Senhor Duram?

-Sim? -Quinn se deteve com a mão na maçaneta.

-É uma mulher de uma vontade férrea.

-Sei -pela primeira vez em horas, sorriu. Abriu a porta para ver Chantal sentada na cama, carrancuda enquanto se observava em um espelho.

-Estou horrível.

-A beleza só é superficial -comentou enquanto ela abaixava o espelho para vê-lo.

-Menos mal, porque esta pior do que eu. Oh, Quinn... -estendeu os braços-. Está realmente aqui -sussurrou ao usar todas as suas forças para abraçá-lo-. Já está tudo bem, verdade? Tudo vai estar bem.

-Acabou-se. Devia ter cuidado melhor de você.

-Diminuirei o pagamento.

-Droga, Chantal, não é uma brincadeira.

-Salvou-me a vida -disse-lhe ao afastar-se.

-Quando penso no que poderia ter acontecido.

-Não –fechou-lhe os lábios com os dedos-. Não quero pensar mais em hipóteses, Quinn. Estou a salvo e você também. É a única coisa que importa. E...

-Viverá -respondendo a pergunta não formulada. Levantou-se e começou a caminhar pelo quarto-. Vão prendê-lo, Chantal. Eu vou lutar para que seja assim.

-Quinn, era tão patético, estava tão confuso. Criou algo que o dominou.

-Ia te matar.

-Teria matado a Halley -corrigiu-. Só me inspira pena.

-Esqueça-o -pediu, sabendo que ele também teria que fazê-lo se não queria que a amargura o devorasse vivo-. Sua família esta chegando.

-Todos?


-Suas irmãs e seus pais. Ninguém sabe como entrar em contato com Rick.

-Quinn, não quero prejudicar a lua de mel do Maddy. E outros...

-Querem ter certeza de que esta bem. Para isso servem as famílias, não?

-Sim -juntou as mãos-. É assim. Quinn, você merece uma família, uma família própria.

Deu a volta e a olhou, disposto a lutar pelo que precisava.

-Sei o que quero, Chantal.

-Sim, acredito que sabe -tinha tomado sua própria decisão ao abrir os olhos na grama e ver seu rosto-. Quinn, antes que ontem à noite começasse tudo, estava-te esperando. Quando voltou para me buscar e me abraçou soube que tinha tomado a decisão certa, para os dois -olhou ao redor do quarto e ao espelho. Com uma careta o deixou sobre a mesinha-. Não é assim que eu esperava que saíssem as coisas, mas ajudaria muito se viesse aqui e me abraçasse.

Ele se sentou na cama e a abraçou.

-Escuta, tenho que dizer isto. Quando ontem à noite cheguei em sua casa e vi que a sala da jacuzzi queimava, soube que estava dentro porque meu coração parou. Se te perdesse, nunca mais teria voltado a bater.

-Quinn -levantou a cabeça em busca de seus lábios. Ao tocá-los, encontrou todas as respostas que precisava-. Eu gostaria de um noivado curto -disse, sorrindo-. Muito, muito curto.


Fim




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