Os segredos de um homem poderoso secrets of a powerful man



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CAPÍTULO 3

— E minha culpa que tenha se atrasado esta noite, e me senti mal por você ainda ter que chegar e preparar o jantar tão tarde. — Salvatore evitou a discussão que ela estava prestes a começar. — E meu chef é francês e muito temperamental.

Darcey mordeu o lábio inferior, desconcertada pela revelação de que Salvatore tinha senso de humor. Estava dividida entre ir, que era a opção mais sensata, e uma resposta emocional a Rosa, que despertou sua simpatia.

Enquanto ela hesitava, Salvatore abria a porta da sala de jantar.

— Venha — convidou.

O tom hostil dele suavizou e o calor sensual em sua voz derreteu a resistência de Darcey. Acabou seguindo-o.

Quando se sentaram, o mordomo apareceu para servir o primeiro prato, um consome clássico francês. O aroma picante que saía da tigela provocou seu paladar, e seu estômago roncou.

O mordomo ofereceu vinho, mas, sabendo que teria que dirigir, recusou. Para sua surpresa, Salvatore fez o mesmo. Ele não era um anfitrião muito falante, pensou, enquanto pensava em algo para quebrar o gelo.

— Por que escolheu ser um vinicultor?

Ele deu de ombros.

— Quando era criança, ficava atraído pelos vinhedos. Ficava fascinado em ver as uvas crescendo nas vinhas e queria entender o processo de transformá-las em vinho. Tive um ótimo professor.

— Seu pai?

— Não.

Salvatore viu que Darcey estava surpresa pela resposta seca, mas as perguntas dela expuseram a dor que vinha tentando evitar nas últimas horas.



Não teve tempo ainda de lamentar por Pietro. Prestaria sua homenagem quando voltasse para Sicília. Mas, como poucas vezes em sua vida, suas emoções ameaçavam transbordar e o pesar pesava em seu coração. Os analgésicos ainda não fizeram efeito e sua cabeça pulsava. Queria estar sozinho, mas era importante conseguir o acordo para que Darcey Rivers aceite o emprego de terapia da fala de Rosa.

Ela nunca conhecera alguém como Salvatore, Darcey pensou, desistindo de manter uma conversa. Percebeu que seria difícil persuadi-lo a interagir com sua filha.

Foi um alívio quando o mordomo chegou para servir o prato principal de salmão com crosta de ervas e batatas. Ao pegar os talheres, percebeu que eram de prata e combinavam com o candelabro no centro da mesa. Olhando ao redor da suntuosa sala de jantar, viu o quadro que lhe chamou a atenção quando desceu com Rosa.

— Esse seria um Monet original? — murmurou ela.

Lera recentemente no jornal que um Monet original fora vendido por milhões de libras.

Salvatore olhou para o quadro.

— É.

Darcey olhou-o com curiosidade.



— Interessa-se por arte?

Isso demonstraria o lado humano sob o granito.

— Meu interesse em arte é pelo investimento financeiro.

Ela fez uma careta.

— Não foi o que quis dizer. Você só se interessa por coisas pelo seu valor financeiro?

— O dinheiro faz o mundo girar — disse cinicamente. — E, falando em dinheiro — deslizou um pedaço de papel sobre a mesa na direção dela —, essa é quantia que estou preparado para pagar se concordar em ir para a Sicília.

O coração dela saltou ao olhar o valor no cheque.

— Espero que esteja adequado para abrir mão de suas férias. Acho que vai ser útil para quando montar seu consultório.

— Certamente seria — concordou vagamente.

Se aceitasse o dinheiro, não precisaria pedir um empréstimo para começar seu negócio. Não precisaria trabalhar por um ano.

— Você deve ter muita fé de que possa ajudar Rosa.

Salvatore deu de ombros.

— Confio no julgamento de James Forbes de que você é uma excelente fonoaudióloga e verifiquei suas qualificações antes de decidir.

Darcey olhou para o rosto sem emoção de Salvatore. Seria desprezível dizer que Rosa não era seu problema. A garotinha precisava dela, como a irmã precisou de seu apoio. Mas a arrogância de Salvatore de que ela ficaria impressionada com sua riqueza e deixou furiosa. Ele descobriria que não conseguiria comprá-la.

— Você não faz ideia, né? — disse ela rasgando o cheque.

Os olhos de Salvatore se estreitaram. Por que achava que Darcey seria diferente das inúmeras mulheres que conhecera, que eram seduzidas por sua riqueza? perguntou-se. Certamente, tendo reconhecido o Monet original, ia exigir mais.

— Não é o bastante? — perguntou rudemente.

— É uma quantia obscena.

Ele franziu a testa.

— Não entendo.

— Eu sei, e essa é a parte mais triste. Você acha que o dinheiro pode comprar tudo. Mas não vai ajudar sua filha a aprender a falar. Rosa precisa de tempo, paciência e apoio, mas não de uma fonoaudióloga — disse Darcey. — Ela precisa dessas coisas vindas de você.

Darcey fitou a expressão fechada de Salvatore e desesperou-se para fazê-lo entender como era importante sua participação na terapia da filha. Com um suspiro resignado, ela deu adeus às férias na França. Sua consciência não permitiria abandonar Rosa.

— Decidi ir para a Sicília com vocês.

Ela viu um lampejo de surpresa nas feições duras dele quando olhou para o cheque rasgado. Ela continuou decidida.

— Meus honorários serão os mesmos do salário mensal que recebia do departamento de saúde. Não quero mais do que isso. Estou preparada para ficar em seu castelo e dar a Rosa uma terapia intensiva por três meses, durante os quais vou ajudar você a encontrar outro terapeuta que possa dar a ela um apoio a longo prazo. Preciso estar em Londres no fim de setembro. Isso não é negociável — acrescentou.

— Por que precisa voltar?

— Razões pessoais.

Darcey considerou explicar o motivo, mas ficou relutante em revelar que era uma Hart. Já teve experiências anteriores de pessoas tentando ser amiga dela devido à família, sem falar no ex-marido.

A imagem no marido na cama com uma mulher nua povoou sua mente. Ele não teve nem a decência de parecer arrependido. Mas a pior humilhação foi quando admitiu ter casado com ela por ser filha de Joshua Hart e não por amor.

Nos 18 meses desde o divórcio, a dor da traição de Marcus se dissipara, mas sentia-se envergonhada por ter sido tola. Um erro que não cometeria de novo.

Não precisava dar a Salvatore detalhes de sua vida particular Concordou em ir para a Sicília como profissional, e a única coisa que precisava saber era que ela ia fazer seu trabalho bem feito.

— Devido ao fogo no vinhedo, decidi voltar amanhã — disse ele. — Você consegue aprontar-se para partir no meio da manhã? Viajaremos no meu jato particular. Passe seu endereço e envio um carro para apanhar você.

O homem era um rolo compressor, pensou Darcey. Balançou a cabeça.

— Tenho algumas coisas para fazer. Não vou poder ir com vocês. Irei no fim de semana em um voo comercial.

Salvatore estava acostumado com sua equipe seguindo suas ordens e ficou irritado que Darcey parecia ter argumento para tudo.

— Seria melhor se fosse amanhã.

Ocorreu-lhe que se ela tivesse aceito o cheque, teria mais poder sobre ela. Pela primeira vez na vida, o dinheiro não era a solução para seus problemas.

— Prefiro ir no fim de semana — disse Darcey com frieza. — Vou almoçar com meus pais amanhã.

— Certo. Vou adiar o horário do voo em algumas horas e partimos à tarde. Você iria para França na sexta — lembrou Salvatore. — Que diferença faz partir dois dias antes? Rosa vai ficar feliz se você for conosco.

Darcey suspirou. Suspeitava que Salvatore percebia que ela tinha criado um laço emocional com a filha surda.

— Estarei pronta para partir às 15h —disse com resignação. E levantou-se. — Agora com licença, mas preciso ir para casa fazer as malas.

— Levo você até o carro.

Ele cruzou a sala e abriu a porta. Darcey sentiu um nó no estômago quando seus corpos roçaram. Ela sentiu o aroma sensual de almíscar de sua colônia e ficou se perguntando por que usava loção pós-barba se a barba estava por fazer. Ele a lembrava um pirata e ela sentiu que era tão perigoso quanto um.

No hall, ela vestiu o casaco, grata por esconder o corpo traiçoeiro. Sentia os seios pesados e ficaria mortificada se percebesse os mamilos endurecidos.

Seguiu-o para fora da casa. O ar noturno refrescou seu rosto, mas a consciência da presença dele não diminuiu enquanto seguiam para o estacionamento. Ela devia estar doida para ter concordado em ir para a Sicília. Não é tarde para desistir. Ainda não tinha assinado o contrato. Abriu o carro e entrou. Seus dedos se atrapalharam para inserir a chave na ignição.

— Rosa ficará feliz quando contar a ela que você vai ficar no castelo conosco.

Salvatore segurava a porta do carro aberta e inclinou-se para ficar com o rosto no mesmo nível do dela.

Que inferno! Seu olhar desviou-se para a boca dele antes de chegar aos olhos. Algo se iluminou na expressão sombria dele e ela achou que fosse beijá-la. O tempo parou e o coração dela bateu mais rápido. O hálito morno que saiu da boca dele fez com que ela umedecesse os lábios em um convite inconsciente.

— Boa noite, Darcey.

Deu um passo para trás abruptamente e fechou a porta do carro.

Darcey tentou suprimir a frustração. É claro que ela não queria ser beijada por ele, assegurou a si mesma. Iria para a Sicília pelo bem de Rosa, mas queria que a relação dela com Salvatore se mantivesse profissional.

— Oi, querida! O que faz por aqui?

Joshua Hart cumprimentou Darcey com um sorriso vago quando ela chegou à casa dos pais em Notting Hill, Londres, no dia seguinte. O pai segurou a porta para ela entrar.

— Achei que estivesse de férias.

— Eu falei da última vez que iria no início de julho.

Darcey se conteve para não perguntar por que o pai estava de pijamas e robe ao meio-dia.

— Vim almoçar com você e mamãe.

— Ah, sua mãe não avisou. Ninguém me conta nada — resmungou Joshua.

Ele abriu a porta do escritório.

— Você se importa se não me juntar a vocês? Estou concentrado em Otelo. A nova produção estreia no National Theatre essa semana e nunca estou pronto — disse fazendo drama.

Parou na porta e voltou os olhos azuis para Darcey.

— Está estudando o script que enviei? Lembre-se, os ensaios para a peça começam no fim de setembro.

— Não esqueci — disse secamente.

Saiu pelo hall e encontrou a mãe na cozinha.

— Desculpe pelo seu pai — murmurou Claudia, lamentando. — Lembrei três vezes a ele que viria para o almoço, mas você sabe como é esquecido quando está envolvido com o trabalho. Ele se tranca no escritório por dias enquanto estuda o papel.

Darcey entendia que o temperamento artístico de Joshua e seu perfeccionismo o deixavam egoísta, mas não podia deixar de ficar chateada por não almoçar com ela. A sensação de rejeição que sentira quando criança, voltou para assombrá-la e deu uma ideia extra de como Rosa se sentia quando Salvatore a ignorava. A garotinha ficava desesperada pela atenção do pai.

— Imagino que esteja ansiosa pela viagem à França? — disse Claudia.

— Na verdade, houve uma mudança de planos. Vou para a Sicília para um tratamento fonoaudiólogo em uma criança surda que fez o implante coclear recentemente.

Darcey entregou à mãe a samambaia que trouxe consigo.

— Pode cuidar da minha planta enquanto estou fora? Ela precisa de muito amor.

A mãe suspirou.

— Ah, querida, você precisa de uma folga. Tem trabalhado muito ultimamente e teve muita coisa com que lidar, com Marcus e o divórcio. E sei que está preocupada com minha doença. Meu médico me deu alta, a propósito. Então, pode parar de se preocupar. Acho que deveria reconsiderar o emprego. Não tem outra pessoa que possa trabalhar com essa criança?

— Rosa é uma garotinha doce, surda desde bebê, e não fala — explicou Darcey. — Estou otimista que a terapia vai fazer uma diferença enorme na vida dela.

— Sei que fará o melhor por ela — disse Claudia suavemente. — Mas espero que também relaxe um pouco. Como são os pais de Rosa?

— A mãe morreu quando ela era um bebê — hesitou Darcey. — O pai é —procurou uma palavra para descrever Salvatore — formidável.

Sua mãe deu um olhar examinador.

— Ele parece intrigante. Bonito?

— O que isso tem a ver? — Encontrou o olhar de Claudia e deu de ombros. — Acho que é, de uma maneira perigosa.

— Está começando a me preocupar, querida. O homem é formidável, perigoso e você está atraída — acrescentou Claudia.

Darcey sabia que não adiantava negar. Às vezes achava que a mão tinha poderes psíquicos.

— Salvatore Castellano é lindo, tenho que admitir, mas é arrogante, egoísta e gosta tudo do jeito dele.

Claudia riu.

— Bem, é um traço que os dois compartilham Parece que a coisa vai esquentar na Sicília.

Darcey balançou a cabeça.

— Não precisa se preocupar. Não pretendo que nada aconteça entre nós.

— Que pena. Um romance com um siciliano sexy faria muito bem.

— Mãe!

— Já está na hora de deixar seu casamento para trás — disse Claudia impertinente. — Você nunca explicou o que realmente aconteceu entre você e Marcus ou por que romperam, embora tenha minhas suspeitas de que tenha magoado muito você. Mas é passado. Você precisa seguir em frente e deixar que o romance volte à sua vida.



Darcey desviou o olhar. Nunca contou o que Marcus fez, como tinha se casado com ela por interesse. Era tão humilhante que jurou nunca contar a verdade a ninguém.

Quanto a ter um caso com Salvatore, a ideia era hilária.

— Um romance com Salvatore Castellano não está nos planos, definitivamente.

Na noite anterior não conseguira dormir pensando nele e na ideia dele parecer quase a beijar. Ele não estava atraído por ela e melhor parar com essa fascinação o quanto antes.

— Vou para Sicília somente a trabalho — disse à mãe. — Concordei em ficar por três meses, então, pode dizer ao papai que estarei em Londres para os ensaios, como prometi.

— Seu pai ficou tão feliz por você contracenar com ele na nova peça. — Claudia sorriu para a filha compreensivamente. — Sei que fez pressão para aceitar, mas acha que você é perfeita para o papel. Joshua sempre acreditou que você faria uma grande carreira como atriz.

Darcey suspirou, sentindo a velha culpa de ter desapontado o pai, por ser a única a não seguir a carreira artística. Ela adorava a carreira que escolheu e não se arrependia de não ter estudado na escola de teatro como os irmãos, mas ainda tinha a necessidade da aprovação do pai.

Joshua tinha escrito a última peça esperando que a esposa ficasse com o papel principal, mas Claudia decidiu dar um tempo enquanto se recuperava do tratamento contra o câncer de pele.

— Você é a única pessoa além de sua mãe que consigo ver no papel de Edith —disse Joshua a Darcey quando ela argumentou que tanto Mina quando Victoria, a irmã mais velha, ficariam melhor no papel. — Você provou seu talento quando atuava com o grupo. Se não fizer Edith, vou abandonar o projeto até que Claudia esteja pronta para retornar aos palcos.

Foi uma chantagem emocional e tanto. Mas ela concordou em fazer o papel. Em parte porque esperava estreitar sua relação com Joshua e para descobrir se tinha a mesma habilidade de atuação dos outros membros da família. Era mais tímida que os irmãos, sempre se comparava aos familiares seguros de si. Agora tinha a chance de provar a si mesma e ao pai que era uma verdadeira Hart.

Era cedo da noite quando o avião de Salvatore pousou no Aeroporto Catania e passaram para o carro que os esperava. O assento para criança de Rosa ocupava mais de um espaço, assim, Darcey teve que ficar bem perto de Salvatore. Podia sentir os músculos rijos através da camisa leve.

Virou a cabeça e olhou pela janela para os campos maravilhosos da Sicília. O sol estava baixo no céu e deixava uma luz suave sobre o xadrez verde e dourado dos campos cobertos de flores vermelhas. O Monte Etna erguia-se sobre a terra, suas encostas cobertas de neve, mesmo no verão. Darcey sabia que o Etna era o maior vulcão ativo da Europa. Um vapor branco saía de seu cume, mas para seu alívio, o gigante de fogo não estava expelindo lava escaldante hoje.

Infelizmente, admirar a beleza ao redor não diminuía a proximidade do homem ao seu lado. Sua decisão de ignorar a atração por Salvatore fora para o espaço quando ele chegou em sua casa precisamente às 15h. Ela abriu a porta esperando encontrar o motorista, mas encontrou Salvatore, vestido com um terno sob medida cinza claro que o fazia parecer um magnata.

Ficou relutante em convidá-lo para entrar, mas precisava de ajuda com as malas. Doze pares de sapatos era provavelmente um excesso, admitia.

Ele parecia um gigante em sua pequena casa, mas não era sua altura e seu porte atlético que o tornaram irresistível. Salvatore possuía um magnetismo poderoso que era acentuado por seu visual taciturno. Quando percorriam o aeroporto, ela percebeu os olhares das outras mulheres, embora não ligasse para a excitação que gerava.

Devia estar louca em ir com ele para a Sicília, quando a perturbava tanto.

Ela levou a mão ao pingente no pescoço, como fazia quando estava preocupada.

— Seu colar é interessante. As pedras são do mesmo tom de verde dos seus olhos.

Ela voltou-se para Salvatore.

— É um trevo de quatro folhas que, no folclore irlandês, é símbolo de boa sorte. Meu pai me deu no dia do meu casamento.

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Mas não funcionou? O pingente não trouxe sorte para seu casamento, já que você se divorciou.

— Precisaria mais do que sorte para meu casamento com Marcus funcionar.

Salvatore ouviu o tremor em sua voz e ficou curioso, apesar de sua decisão de manter o relacionamento com ela estritamente profissional. Não sabia o que acontecera na noite anterior quando quase a beijara. E, agora, não conseguia tirar da cabeça a imagem do pingente entre seus seios.

Sentiu o desejo em sua virilha e lutou para manter o controle. Tinha terminado um caso meses atrás e sem dúvida estava sofrendo com a frustração sexual. Passou o voo todo para Sicília trabalhando, mas suas tentativas de ignorar Darcey não funcionaram.

Não tinha conseguido dormir na noite anterior. Seus pensamentos concentravam-se em Pietro, mas Darcey também se mantinha neles. Seu humor não estava melhor pelo fato dela estar linda em uma saia rosa claro e uma blusa branca com margaridas rosadas. Seu cabelo chanel castanho dançava ao redor de seu rosto e sentia o perfume de seu xampu.

Por um momento, questionou se tinha sido uma boa ideia levá-la para Sicília. Mas agora era tarde. Impressionara-se com a gentileza dela com Rosa e sabia que era a escolha certa. A filha era tudo o que importava. E decidiu ignorar a atração por Darcey.

Estava quente no carro e ele abriu o vidro na esperança de que o ar fresco ajudasse a aliviar a dor de cabeça. Fechou os olhos, e as memórias povoaram sua mente.

Estava viajando em um carro esporte, conversível, em alta velocidade, e sentia o vento em seu rosto.

As árvores passavam por ele como um borrão. Podia ver o ponteiro do velocímetro subir cada vez mais, mas não reduzia. Viu a curva à frente, mas não conseguiu virar o volante.

Santa Madre! Salvatore abriu os olhos. Sentia o suor nas sobrancelhas. O que fora aquilo? Pela primeira vez em quatro anos se lembrava de algo sobre o acidente, mas sua mente pregava peças. Sabia que ele dirigia o carro. Então por que a lembrança de estar sentado no lado do carona? Não fazia sentido. Talvez o passado ficasse para sempre escondido dele. Era sua punição por causar a morte da mulher.

Virou a cabeça e encontrou Darcey olhando para ele com estranheza.

— Tudo bem? Você fechou os olhos e gemeu como se estivesse com dor.

— Estou bem — disse rudemente. — Tenho enxaquecas às vezes — resmungou quando ela continuou a encará-lo.

Não queria a preocupação dela. A brisa da janela aberta trazia o aroma floral delicado do perfume dela até ele, fazendo-o desejar pousar os lábios em seu pescoço.

Ficou aliviado quando o carro parou diante dos portões de metal da entrada do Castellano Estate.



CAPÍTULO 4

Dois seguranças estavam de serviço e abriram os portões. O carro percorreu a estrada quer se dividia em três. Uma levava para uma grande casa branca que Salvatore disse a Darcey ser onde seu pai morava. Seu irmão morava com a mulher e o filho em uma villa em outra parte da propriedade.

Acima dos pinheiros, Darcey via torres altas de pedra e, alguns minutos depois, prendeu a respiração quando um castelo surgiu depois da curva.

O trabalho de pedra era antigo e estava caindo em algumas partes. As pedras desbotaram através dos séculos e tinham agora um tom de areia que ficava dourado com o sol do entardecer. As janelas em arco eram ladeadas por persianas de madeira e a imensa porta da frente parecia ter sido talhada de um imenso carvalho e já ter impedido a entrada de invasores.

— Uau! — murmurou saindo do carro.

Salvatore sorriu com a reação dela. Era a primeira vez que Darcey o via sorrir e seu coração saltou quando suas feições suavizaram. Ela não sabia o que aconteceu no carro que o deixou tão tenso, mas quando olhou para o castelo, ficou visivelmente relaxado.

— Bem-vinda à Torre d’Aquila. Um castelo foi construído no século XIII e recebeu esse nome devido às águias que faziam seus ninhos na torre mais alta. Partes do prédio original ainda existem e as águias ainda fazem os ninhos na torre. Olhe!

Ele apontou para o céu e Darcey olhou para cima e viu uma ave de rapina com um bico em forma de gancho característico e uma imensa asa circulando a torre.

— É uma águia-de-bonelli, às vezes chamada de águia branca devido às penas brancas na lateral.

— Nunca vi uma águia assim antes.

Darcey sentiu admiração quando observou a ave planar graciosamente no céu. A águia majestosa parecia muito adequada ao castelo antigo. Ela olhou para o homem ao lado dela. Com suas feições duras que pareciam ter sido esculpidas em pedra e seu longo cabelo negro, Salvatore parecia pertencer a essa fortaleza austera. Quando o viu pela primeira vez, achara-o um cavaleiro guerreiro: orgulhoso, nobre e perigoso.

Era uma séria ameaça à sua paz de espírito, reconheceu Darcey. Era mais seguro concentrar-se em Rosa e sorriu para a garotinha enquanto Salvatore a tirava do carro.



Podemos nadar, papai?, perguntou Rosa na linguagem dos sinais.

Salvatore balançou a cabeça. Não agora. Talvez amanhã.

— É importante que verbalize ao mesmo tempo em que gesticula para Rosa — disse Darcey. — Agora que ouve com os implantes, ela logo vai começar a compreender a falar.

Ela percebeu a frustração no rosto da garotinha e lembrou que Rosa havia dito que nadar era sua atividade favorita.

— Não pode levar Rosa para nadar? — Interpelou pela garota. — Seria bom depois de passar horas sentada.

Salvatore balançou a cabeça. Ele sempre visitava Pietro quando chegava ao castelo, mas hoje, ao invés de sua casa, iria à sua lápide.

— Tem algo importante que preciso fazer — disse a Darcey bruscamente.

A ver com o trabalho, suponho? — A voz dela era de acusação.

O maxilar de Salvatore endureceu. Já se sentia mal pela frustração de Rosa e as palavras de Darcey aumentaram sua culpa. Mas sabia que não seria uma boa companhia agora, quando tudo em que pensava era no homem gentil que tinha sido um pai adotivo para ele.

— Seu trabalho é fazer o tratamento com Rosa, não me ensinar a ser pai — lembrou-a com frieza.

Darcey olhou para o rosto arrogante dele e ficou pensando se não tinha imaginado o sorriso no rosto dele mais cedo. Desviou o olhar para o castelo e resmungou algo em italiano quando a porta se abriu e uma mulher surgiu.

— Não estava esperando Lydia aqui — murmurou.

Por um momento, Darcey ficou imaginando se a loira platinada e de maquiagem pesada era sua amante, ou, talvez, ex-amante, quando Salvatore não pareceu muito feliz em vê-la. Fez um olhar questionador.

— Lydia é minha sogra. Ela visita Rosa com frequência. Curiosamente, suas visitas coincidem com sua necessidade financeira — acrescentou secamente.

Rosa deu a mão para Darcey enquanto subiam os degraus de pedra que levavam à entrada do castelo, onde a avó a esperava. A mulher mais velha olhou com curiosidade para Darcey antes de virar-se para a neta.

— Olá, querida. — Lydia não falava com a linguagem dos sinais, mas verbalizava.

Franziu a testa quando a garotinha não respondeu e olhou para Salvatore.

— Achei que tivesse dito que ela faria uma cirurgia para falar.

— Ela fez um procedimento para colocar implantes cocleares, permitindo que ela ouça sons — explicou ele. — Vai levar algum tempo até que aprenda a falar. A Srta. Rivers é a fonoaudióloga que vai ajudar Rosa.

Ele fez as apresentações formais. Lydia parecia bastante amigável, mas Darcey tinha consciência dos olhos azuis claros da mulher movendo-se entre Darcey e Salvatore.

Passando pela porta da frente, Darcey parou e olhou maravilhada.

— Que lugar lindo!

O hall de entrada era imenso, o espaço aéreo preenchido pela luz que atravessava as janelas indo para o chão de lajota. Darcey imaginava que o castelo fosse um lugar escuro, mas os painéis nas paredes eram de cerejeira e as salas, que ela podia ver do hall, eram pintadas de branco e convidativas, As paredes eram cobertas de tapeçarias e a mobília antiga era muito brilhante, e um perfume de cera de abelha pairava no ar.

Seu olhar foi guiado para o quadro na parede de frente para a porta. Era uma fotografia em tamanho real de uma morena imensamente atraente que parecia brotar de dentro de um vestido vermelho. Impossível não a perceber.

Seguindo o olhar de Darcey, Lydia disse.

— Essa é minha filha, Adriana. Era modelo e trabalhava com estilistas famosos. Pouco antes de sua morte, recebeu um convite para um filme. Foi uma tragédia ela ter sido levada tão jovem, antes de ter a chance de mostrar todo seu potencial, não foi Salvatore?

Ele não respondeu e suas feições eram impenetráveis, mas, por um segundo, Darcey viu uma expressão assombrada em seus olhos que a chocou.

Ela percebeu certa tensão entre os dois e a atmosfera no hall fez Darcey se arrepiar como se o fantasma de Adriana tivesse passado ali.

— Você tem uma bela casa — disse a Salvatore numa tentativa desesperada de romper o silêncio. — Imagino que sua mulher adorasse viver em um castelo.

Por que temos que viver nessa pilha de tijolos desmoronando? Quero me mudar para a cidade. Vou morrer de tédio aqui...

Salvatore franziu a testa quando a voz em sua cabeça desapareceu. Foi uma voz de seu passado e sabia que era sua esposa.

— Não — disse lentamente —, Adriana odiava isso aqui.

Lydia deu uma gargalhada que soou forçada para Darcey.

— É claro que ela não odiava o castelo. Vocês dois foram tão felizes aqui, Salvatore.

— Você fica me lembrando — disse ele.

Olhou para Darcey.

— Um dos empregados vai mostrar a você seu quarto e levar sua bagagem. Esse é Armond.

Indicou o homem vestido com uniforme de mordomo que acabara de se juntar a eles.

— Ele vai acompanhar você. Pode fazer a gentileza de ficar com Rosa? Ainda preciso encontrar outra babá e, nesse momento, preciso cuidar de outras coisas. Com licença.

Ele saiu do castelo, mas enquanto caminhava, Darcey percebeu que estava mancando, como se estivesse com dor. Ela suspirou. Era um homem enigmático. Sentiu que o mistério estava ligado com a morte da esposa.

Assustou-se quando Lydia falou.

— Perdoe meu genro, se parecer duro — murmurou a mulher mais velha. — Era muito apaixonado pela minha filha e nunca superou sua morte.

Olhou para Darcey, examinando-a.

— Às vezes tem casos com mulheres, mas não significam nada para ele. Acho que nenhuma mulher conseguirá substituir Adriana no coração de Salvatore.

Darcey estava lendo para Rosa antes de dormir quando Salvatore entrou no quarto. A garotinha trocou a natação para mostrar seu quarto a Darcey, que era ao lado do berçário e, quando viu o pai, seu rosto se iluminou. Para surpresa de Darcey, sentou-se na cama. Seu cabelo estava em desalinho e cheirava a fumaça. Rosa olhou-o confusa.



Por que seu rosto está preto, papai?, perguntou gesticulando.

Roçou a mão no rosto dela e parecia triste quando viu manchas de fuligem em seus dedos. Houve um incêndio na vinícola. Fui ver os danos, respondeu gesticulando. Deu um beijo na testa de Rosa. Boa noite, anjo.

Salvatore levantou-se, mas, quando foi desligar a luz, Darcey parou-o.

— Deixe acesa. Rosa não gosta do escuro.

— Como você sabe? — perguntou seguindo-a para fora do quarto.

— Ela me contou.

— Armond disse que não jantou com Rosa.

— Não estava com fome. — Notou a tensão em seu rosto. — Sinto muito pelo fogo — disse calmamente. — Foram muitos danos?

Salvatore se lembrou do corpo sem vida de Pietro e a dor endureceu sua voz.

— A vinícola pode ser reconstruída, mas os homens que se queimaram levarão tempo para se recuperar.

— Você parece cansado — disse suavemente. — Já comeu?

A preocupação gentil dela era algo que Salvatore nunca experimentou antes, e não podia lidar com isso quando suas emoções estavam afloradas.

— Parece uma esposa — zombou ele. — Posso cuidar de mim.

Darcey corou.

— Que bom, porque qualquer mulher tola o bastante para casar com você precisaria da paciência de uma santa. Afastou-se dele, sentindo-se culpada por ter sido ríspida, afinal, a mulher dele estava morta.

— Darcey... — Ele segurou seu braço e virou-a para ele. — Desculpe. Fui grosseiro. — Respirou fundo. — Ver a vinícola queimada foi perturbador.

Era a primeira vez que Salvatore revelava seus sentimentos para outra pessoa e seu choque estava espelhado nos olhos de Darcey. O que essa mulher tinha que o fazia agir assim? Odiava perceber que estava vulnerável, mas a morte de Pietro e as lembranças remetendo ao seu passado estavam deixando-o em carne viva.

Olhou com tristeza para suas roupas pretas de fuligem.

— Preciso de um banho rápido e jantaremos no terraço. Lydia não vai comer conosco essa noite e podemos nos conhecer melhor.

Darcey achou a perspectiva assustadora, especialmente quando suas feições duras se transformaram em um sorriso sexy.

— É mesmo necessário? — disse com calma. — Sou uma simples empregada e tenho certeza de que você não tem interesse pessoal nos outros membros de sua equipe.

— Na verdade, todos os empregados do castelo trabalham aqui há anos e conheço todos muito bem. Você vai viver aqui na Torre d’Aquila pelos próximos três meses, Darcey — lembrou-a. — Gostaria que ficasse confortável na minha casa e comigo.

Ela não descreveria como confortável a maneira com que saíra pela porta francesa 15 minutos antes, pensou Darcey. No terraço, Salvatore caminhou em sua direção e ela sentiu um frio no estômago com sua aparência. Vestia calça preta sob medida e uma camisa branca larga desabotoada no pescoço. Tinha um ar de sensualidade que acelerava seu pulso.

Resistira à tentação de trocar a saia e a blusa por um traje sedutor e apenas escovara o cabelo e passara um pouco de gloss rosa nos lábios. Não que não quisesse que a achasse atraente. Mas seu coração bateu forte quando parou na sua frente e aqueles olhos escuros pousaram em seu rosto. Prendeu a respiração quando ergueu a mão e colocou o cabelo atrás da orelha dela.

— Você é adorável, Darcey - murmurou ele, meio que para si mesmo.

O olhar dele pousou em sua boca e a atmosfera no terraço mudou subitamente, tornou-se pesada com uma consciência sexual muito forte.

— Podemos entrar se estiver com frio.

E afastou-se dela.

Darcey ficou pensando se sabia que não era a temperatura que a fizera tremer.

— Estou bem, apenas cansada da viagem — mentiu.

Ofereceu uma cadeira à mesa.

— Então, vamos comer.

Armond serviu uma refeição simples de risoto de frutos do mar, acompanhado de vinho branco fresco da vinícola Castellano. Darcey relaxou no primeiro gole, embora a presença de Salvatore tenha se intensificado.

— Conte sobre Darcey Rivers — convidou ele, os olhos encontrando os dele sobre a mesa.

— O que quer saber?

Ela fez mentalmente uma lista de assuntos proibidos. Sua família famosa, casamento e comportamento do ex-marido não estavam abertos à discussão.

— Por que escolheu a fonoaudiologia como profissão?

O trabalho era um tópico seguro.

— Acho que contei que minha irmã é surda. Crescer com Mina me fez compreender como a comunicação é importante. Ela aprendeu a falar antes de perder a audição, mas para Rosa, a fala é um novo conceito. Requer tempo e paciência para aprender as habilidades da língua. — Ela hesitou. — Posso dar a Rosa sessões diárias de terapia, mas elas não farão mágica. A terapia precisa ser contínua e parte de sua vida, assim como de Rosa. Vou precisar trabalhar com os dois da mesma forma e ensinar a você como a ajudar. É importante que tenha tempo para sua filha. Não dez minutos antes de dormir. Estou falando de compromisso sério de passar horas com ela, todos os dias, com atenção exclusiva. Isso significa sair do escritório e desligar o celular para brincar e ler histórias. Isso não é pedir muito. — disse com voz rouca, quando ele não respondeu.

Ele desviou o olhar, mas não antes dele perceber a dor em seus olhos.

— Rosa sempre preferiu fazer esse tipo de coisas com a babá, Luisa — disse Salvatore. — E, embora não tenha formado um laço com Sharon, parecia mais feliz na companhia dela do que na minha.

Darcey segurou-se para dizer que, se ele não fosse tão distante, a filha provavelmente se sentiria mais confiante.

— Tenho certeza de que Rosa adora brincar com você. — Sabia que precisava ser diplomática. — Acho que ela responderia melhor se você relaxasse mais quando estivesse com ela. É sua filha, afinal de contas. Talvez ajudasse se você se lembrasse de quando era criança e do que gostava de brincar com seus pais.

— Minha mãe foi embora quando eu tinha 5 anos, e com 7, meu pai me mandou para um internato. Não me lembro de passar algum tempo com meus pais, e eles certamente não brincavam comigo.

Mexida pela de seu tom, Darcey não sabia o que dizer. Não era de se surpreender que Salvatore achar difícil se conectar com sua filha, sua própria infância não teve amor. Deve ter ficado traumatizado por ter sido abandonado pela mãe quando era tão jovem Ela pensou na própria família, unida, e sentiu certa simpatia pelo homem sentado à sua frente.

— Por que seu pai mandou você estudar longe?

— Ele disse que achava que seria melhor crescer com companhias da minha idade. — Salvatore deu de ombros.

— Mas acredito que a realidade era que não se interessava por mim. Ele ficou devastado quando minha mãe foi embora e focou no trabalho e em promover o sucesso do Grupo Castellano.

— E a história está se repetindo — disse Darcey calmamente. — Rosa não tem mãe, e o pai passa tempo demais trabalhando em vez de dar a atenção precisa.

A crítica de Darcey não era infundada, reconheceu Salvatore. Ele não sabia como ser um pai para sua filha. A verdade de seu coração era que tinha medo de se aproximar. E se não conseguisse ser um bom pai? E se fracassasse com Rosa como seus pais com ele? Desde que ela era um bebê, achava mais fácil deixá-la sob os cuidados de uma criança profissional.

— Não preciso de sua opinião sobre como criar minha filha — disse rudemente. — Estou interessado em sua experiência profissional.

A quem tentava enganar?, pensou Salvatore ironicamente. Ele não podia ignorar a atração por Darcey quando olhava para ela e sentia uma urgência de tê-la nos braços e beijá-la. Com seu cabelo chanel brilhoso e sua blusa abotoada até o pescoço, ela parecia Mary Poppins, mas sua boca mantinha uma promessa sensual a que precisava resistir.



Dio, não tinha o direito de querer fazer amor com ela, quando nem mesmo se lembrava da mulher com quem se casara. Sua sogra dizia que ele amara Adriana e, devido à sua amnésia, não tinha alternativa, a não ser acreditar. Mas quando olhava para as fotos, não sentia nada.

Ergueu o olhar quando o mordomo entrou apressado no terraço.

— Senhor, uma das empregadas ouviu a Srta. Rosa chorando. Quando ela foi verificar, encontrou a menina perturbada.

Salvatore levantou-se na hora.

— Obrigado, Armond. Vou vê-la. — Olhou para Darcey. — Seria bom se você também fosse. Rosa tem pesadelos às vezes e pode querer que você a conforte.

Os soluços da criança estavam audíveis quando Darcey seguia Salvatore pela escada e, ao entraram no berçário, as lágrimas no rosto de Rosa despedaçaram seu coração. Com o implante coclear desligado, Rosa não podia ouvir e estava obviamente muito aborrecida para se comunicar na linguagem dos sinais. A expressão de terror no seu rosto indicava que não estava totalmente desperta do pesadelo.

Salvatore foi correndo até a cama, mas ao invés de pegar a garotinha no colo, acariciou seu cabelo e olhou para Darcey.

— Está quente. Você acha que ela está doente?

O choro de Rosa virou uma lamúria que partia seu coração. Ele queria segurá-la em seus braços e confortá-la, mas a expressão de medo em seus olhos o fez parar. O que sonhou que a deixou tão perturbada? Os pesadelos do Rosa estavam ficando mais freqüentes e Salvatore ficou pensando se o trauma de perder a mão quando bebê podia ser a causa. Cheio de culpa, afastou-se para Darcey confortá-la.

Darcey sentiu a testa da menina.

— Não está febril. Provavelmente ficou com calor debaixo das cobertas, o que desencadeou o pesadelo.

Sentou-se na cama e gesticulou para Rosa.

— Está tudo bem. Está segura. Foi só um sonho ruim Quer que fique com você?

Rosa acenou com a cabeça e passou os braços no pescoço de Darcey, como se nunca mais fosse soltar. Darcey acariciou seu cabelo, e a menina foi se acalmando.

Salvatore observou-os, enciumado com rápida afinidade delas. Seu telefone tocou. Ele praguejou baixinho e ia desligar, quando viu que a ligação era de Sergio.

— É meu irmão — disse a Darcey. — Ele falou que me atualizaria sobre os homens que se feriram no incêndio. Pode ficar com Rosa por um instante?

Ela assentiu com a cabeça.

— Ficarei até ela adormecer. Ao menos meu quarto é ao lado, se ela precisar.



Prometa que ficará comigo se os monstros voltarem, gesticulou Rosa.

Prometo, gesticulou em resposta.

Estava tocada pela solidão da menina e sua ansiedade para fazer amigos. Darcey viu que Rosa adormecera, mas decidiu ficar mais um pouco. Estava quente no quarto e ela abriu alguns botões da blusa antes de deitar sobre a colcha. Rosa se aproximou e Darcey abraçou a menina adormecida.

Quando Salvatore voltou, foi recebido pela respiração suave da mulher e da criança adormecidas.

Quando cruzou o quarto, Darcey mexeu-se, ficando de costas, e ele viu que sua blusa estava parcialmente aberta, revelando o contorno dos seios. Seu corpo respondeu instantaneamente, e sua ereção fez pressão sob sua calça.

Mais uma vez se perguntou por que a trouxera para a Sicília e considerava seriamente a enviar de volta à Inglaterra. Não precisava de complicações.

Aproximou-se da cama e viu que Rosa ainda segurava sua mão. Não podia fazer a filha passar por mais um trauma de separação. Precisava de uma figura materna. Não esperava que Darcey assumisse o papel, mas Rosa precisava de uma ajuda especializada.

Estava quente no quarto e o rosto de Rosa estava corado. Preocupado que o calor causasse mais um pesadelo, tocou o ombro de Darcey para acordá-la. Hesitou, lembrando que estava cansada da viagem. O quarto era conjugado com o berçário e parecia mais sensato carregá-la.

Nenhuma das duas se mexeu quando pegou Darcey nos braços. O cabelo emoldurava seu rosto e os longos cílios formavam meias-luas douradas. Não pesava nada. Seria muito fácil de carregá-la e colocá-la na cama, não fosse seu delicado perfume que ocupava seus sentidos.

Enquanto a colocava na cama, ela murmurou um protesto e passou o braço em seu pescoço, puxando-o para perto.

Madonna, aquela não era sua intenção. Sua consciência insistia que a acordasse, mas seu corpo o lembrava de como queria beijá-la. Estava obcecado pelos lábios cor de rosa e o desejo percorria suas veias como fogo.

Ele devia lutar contra essa atração. Seus instintos alertavam que não era como as mulheres com que saía. Era curiosamente inocente e ficava imaginando se tivera algum amante depois do divórcio.

Seus olhos foram até os montes cor de creme e a pele escura de seus mamilos que apareciam sob o sutiã transparente. Isso era loucura! Os lábios dela estavam entreabertos como se quisesse ser beijada.

Cuidadosamente, tentou se afastar, mas Darcey o segurou mais forte.

— Por favor — sussurrou ela acabando com o autocontrole de Salvatore.

CAPÍTULO 5

O sonho de Darcey estava ficando cada vez mais erótico. Começou com a figura de um homem forte a segurando nos braços musculosos. Sentiu-se segura, embora não o conhecesse. O rosto estava escondido, mas parecia ser conhecido e seu perfume masculino almiscarado era intoxicante, fazendo-a sentir um desejo que há muito não sentia.

O peito dele era sólido e estava quente sob seus dedos. Tinha consciência das mãos dele em seu corpo e sentiu a respiração de seus lábios. Por que não a beijava? Ela queria, assim como queria as mãos dele sobre seus seios e entre suas coxas. Ergueu os quadris em um apelo silencioso para que fosse tocada.

— Por favor — sussurrou ela.

Queria ver seu rosto, mas não importava, porque sua boca estava sobre a dele, provocando seus lábios.

Nenhum homem a beijara tão lindamente.

A mente de Darcey começou a clarear e percebeu que estava na cama. Franziu a testa confusa. Só tinha estado na cama com um homem, então, o homem dos sonhos devia ser...

— Marcus?

— Quem é Marcus? — perguntou uma voz áspera.

Os olhos de Darcey se abriram e se chocaram ao ver o belo rosto de Salvatore. Era o homem do sonho?

— O que está fazendo?

Seu rosto ficou corado quando viu que a blusa estava um pouco aberta. Ela se lembrava de sentir calor e desabotoar alguns botões na cama de Rosa. Agora, estava em seu quarto, deitada e Salvatore sobre ela.

Ele devia tê-la trazido para cá, mas por quê? Seus olhos se arregalaram lembrando-se dos lábios sobre os dela. Ela não estava sonhando. Salvatore a beijara e ela correspondera.

— Como ousa se aproveitar de mim?

Ele franziu a testa. Eu não me aproveitei de você. Apesar de negar, a consciência de Salvatore pulsava desconfortável. Sabia que deveria tê-la acordado ou deixado dormindo e saído do quarto, mas, quando disse “por favor” daquele jeito sexy, achou que ela estava acordada.

— Você sabia o que estava fazendo e era comigo que você estava — resmungou ele.

— Eu estava dormindo e sonhando.

— Então estava sonhando comigo. Implorou que a beijasse.

Graças a Deus que não verbalizou outras coisas, pensou Darcey, sentindo-se mal de vergonha, lembrando que queria que a tocasse entre as pernas. Estava dormindo, mas tinha que admitir que reconhecer o homem do sonho.

Pensava em Salvatore enquanto esperava Rosa adormecer. Também sabia que tinha pedido que a beijasse. Tremeu mortificada com a lembrança. Mas deve ter percebido que não estava totalmente ciente das próprias ações.

— Não tem como escapar que se comportou de forma desonrosa.

O orgulho sangue quente de Salvatore se acendeu. Atacar sua honra era demais.

— Pode tentar se enganar, mas seus olhos revelam seus segredos, cara.

Ele se inclinou, colocando as mãos do lado da cabeça dela para olhar dentro dos olhos dela.

— Eles me dizem que está interessada em mim.

— Claro que não — negou ela, rápido demais.

Seu sorriso era sarcástico.

— Mentirosa. Você se sentiu como eu, no instante em que entrei no seu consultório.

Darcey estava presa naquele olhar hipnotizador.

— Sentiu o quê? — sussurrou ela.

— Atração sexual, química, chame do que quiser. O ponto é que nos primeiros 20 segundos de nosso encontro nós dois nos imaginamos fazendo amor em sua mesa.

Ela ofegou.

— Não eu.

Ela estava ultrajada pela ousadia dele e mortificada por ter visto o que desesperadamente tentava esconder. A verdade é que nunca tinha sentido tamanho desejo. Nem mesmo Marcus e sua aparência de modelo a fizeram sentir-se assim.

— Diga que não quer que a beije e vou embora antes de piscar — provocou ele.

Obviamente ia dizer ao arrogante que se mandasse, pensou Darcey furiosamente. Mas as palavras pareciam presas em sua garganta. O olhar estava preso ao brilho predador dos olhos de Salvatore. Ela prendeu o lábio inferior entre os dentes e os olhos dele se estreitaram

A tensão sexual entre eles era insuportável. Não podia continuar. Seu coração saltou quando aproximou o rosto do dela.

— Você quer isso tanto quanto eu — resmungou Salvatore.

Ela estava na dele desde quando entrou em seu consultório e jogou todos seus pré-conceitos sobre a expectativa de encontrar uma fonoaudióloga com mais idade. Ele teria descartado sua reação a ela por inconveniência. Mas a morte de Pietro mexeu com ele. Gostava demais do amigo. O vinicultor mais velho tinha sido um pai para ele.

Queria bloquear os pensamentos no amigo e perder-se na promessa sensual da boca macia de Darcey. E não negaria isso a ele. As pupilas dela estavam dilatadas e seus seios moviam-se com a respiração, chamando a atenção para os mamilos salientes sob o sutiã.

Darcey ergueu a mão para afastá-lo. Mas ao tocar seu ombro, sua razão desapareceu e o instinto feminino assumiu o controle, acariciando o corpo dele sobre a camisa. Ela não podia dizer que não queria ser beijada, porque estaria mentindo. E tomara seu silêncio como consentimento, porque sua cabeça desceu e ele gemeu quando cobriu a boca dela com a sua.

Não foi gentil como antes. Dessa vez, a boca movia-se sobre a dela com certeza, exigindo uma resposta forçando sua língua entre seus lábios. Era uma paixão primitiva. Darcey sentiu-se tomada por sua masculinidade potente. Ele despertou nela uma necessidade que não sabia ser capaz de sentir e que não podia controlar.

Ela prendeu a respiração quando Salvatore deslizou a mão para dentro da blusa, envolvendo seu seio. O calor da pele dele queimava através da renda do sutiã, quando roçou o polegar em seu mamilo. Ela não conseguiu reprimir um gemido. Um calor úmido acumulou-se entre suas pernas, fazendo-a apertar as coxas numa tentativa de suavizar a pulsação de sua excitação.

Nada a tinha preparado para a intensidade dessa fome sexual que a consumia. Só teve outro amante. Marcus a provocava pelo fato de ser virgem até o conhecer, mas queria esperar pela alma gêmea. Achava que tinha encontrado. Fazer amor com seu marido era agradável, embora não fosse sensacional. Nunca sentiu essa urgência selvagem e libertina que Salvatore a fazia sentir.

Tudo desapareceu e sua atenção estava voltada à boca de Salvatore sobre a dela, em um beijo cada vez mais profundo e erótico. Darcey respondia a ele sem controle sobre si. Percorreu suas mãos sobre seu peito e sentiu o pulsar de seu coração antes de traçar os músculos de sua barriga. Levada pelo instinto tirou a camisa de dentro da calça e deslizou os dedos pelo torso nu.

Salvatore gemeu alto quando os dedos de Darcey chegaram ao seu abdômen. Seu toque era suave e, só de imaginá-la acariciando seu membro, já o deixava ereto. Estava desesperado para penetrá-la e perder-se naquele calor sensual. Por que não aproveitar alguns momentos de prazer carnal antes de encarar a dor da morte do amigo?

Beijou-a mais uma vez, explorando sua doçura com a língua. Não se lembrava de já ter perdido o controle assim Sua fome por ela o consumia, fez com que se esquecesse de tudo, enquanto se concentrava na sensação de sua pele sedosa. A visão de seus mamilos rosados era uma tentação irresistível, mas quando baixou sua cabeça sobre um mamilo, um som amortecido penetrou a consciência de Salvatore.

Era pouco mais do que um murmúrio suave do quarto adjacente, mas o trouxe de volta à realidade.

Rosa!

Tirou suas mãos do corpo de Darcey. Dio! O que estava fazendo? E se sua filha tivesse entrado? Sentou-se e passou a mão pelo cabelo, respirando fundo, tentando se recompor.

Era errado fazer amor com Darcey quando não conseguia se lembrar de sua ex-mulher. Não devia seguir com sua vida até recuperar sua memória e descobrir o que aconteceu no acidente que resultou na morte da mãe.

Salvatore olhou para Darcey e seu maxilar endureceu, quando viu os lábios vermelhos e inchados da paixão faminta dele. Suas entranhas doíam de desejo não consumado. Levantou-se da cama antes de trair-se e puxá-la em seus braços.

— Isso não podia ter acontecido.

Ele percebeu a expressão atônita nos olhos dela e sentiu um lampejo de culpa quando Darcey mordeu forte a carne macia do lábio inferior. A mão dela tremia enquanto ajeitava o sutiã e Salvatore desviou o olhar.

— Não deveria ter beijado você — disse ele. — Sinto muito.

Darcey viu Salvatore sair pela porta e sentiu-se humilhada. Não entendeu por que ele interrompeu o beijo bruscamente, mas o olhar de autoaversão acabou com seu desejo como um balde de água fria. Ele a beijou desacordada e a fizera tremer de desejo, e agora foi embora e sentindo-se miserável. Sua mente dava voltas. Por que parou? Descobriu de repente que não a achava atraente?

Lembrou-se de como Marcus reclamava para que fosse mais aventureira. Ela acreditava que satisfazia o marido com sua vida amorosa, mas, segundo ele, era sem graça na cama. Talvez Salvatore tivesse se desapontado com ela.

Ele parou na porta e virou-se. Ela viu o olhar dele em sua blusa aberta. Corando intensamente, levou a mão para esconder seu corpo.

— Espero que concorde que não podemos deixar o que aconteceu afetar sua estadia aqui para a terapia da minha filha. Pelo bem dela, o melhor que podemos fazer é esquecer esse incidente — disse bruscamente. — Dou a minha palavra que não acontecerá de novo.

Salvatore passou pela porta de conexão do quarto de Rosa, deixando Darcey rangendo os dentes. Claro que não aconteceria de novo, pensou secamente. Não ia se arriscar fazer papel de tola pela segunda vez ou dar a ele a oportunidade de rejeitá-la de novo. Salvatore podia esquecer o que aconteceu, mas não tinha como esquecer, e por isso a única opção era voltar para Londres.

Através da porta aberta, viu-o parar ao lado da cama, inclinando-se para pegar um ursinho de pelúcia no chão. Colocou o ursinho no travesseiro ao lado de Rosa e, para a surpresa de Darcey, inclinou-se e beijou-a gentilmente na testa antes de arrumar as cobertas e sair do quarto.

Quando ele se foi, Darcey saltou da cama com a intenção de arrumar a mala que mal tinha acabado de desfazer. Mas a lembrança da expressão terna que testemunhou no rosto de Salvatore quando beijou a filha adormecida ficou em sua mente. Darcey teve certeza de que amava Rosa, mas, por alguma razão, não conseguia se conectar com ela. Talvez devido à sua própria infância.

Parecia que não tinha um relacionamento próximo com nenhum dos pais.

Foi até o outro quarto e olhou o rostinho inocente de Rosa. Será que ajudaria na relação da garotinha com o pai se ela pudesse falar? Darcey mordeu o lábio, dividida entre nunca mais ver Salvatore e sua consciência que não a deixava abandonar a menina. Se conseguisse incentivar Salvatore a envolver-se com o tratamento de Rosa, talvez o aproximasse da filha e mostrasse a ela o amor que queria.

Darcey suspirou. Ela sempre teve coração mole. Quando criança, costuma resgatar cães abandonados e animais feridos, como um ouriço que, para o horror de sua mãe, estava cheio de pulgas. A mãe costumava provocá-la que não conseguiria salvar o mundo. Mas nesse caso, tinha especialização para ajudar uma garotinha surda.

Mordeu o lábio lembrando-se da expressão austera de Salvatore. Seu bom senso dizia para ir embora antes que se envolvesse demais, mas seu coração dizia outra coisa.

Uma névoa de calor refletia das lajotas brancas ao redor da piscina e Darcey insistiu em aplicar protetor solar em Rosa quando saiu da água. A lembrança do melanoma da mão enfatizava o cuidado com o sol.

Rosa havia tirado o dispositivo auditivo para entrar na piscina, mas quando o colocou de novo, Darcey falou com ela, gesticulando ao mesmo tempo.

— Você nada muito bem. Como um peixe.

Rosa riu. Era adorável ouvi-la rir, Darcey pensou, sentindo afeição pela garotinha. Só queria que Salvatore passasse mais tempo com a filha. O mordomo, Armond, informou no café da manhã que Salvatore ficaria fora o dia todo. Darcey sentiu-se aliviada por ter que o encarar, mas Rosa estava visivelmente frustrada pela ausência do pai.

Armond falava bem inglês e explicou que a piscina era nova no castelo, que Salvatore encomendou no ano anterior. Darcey adorou a piscina ser no formato de coração. Lembrando-se da afirmação de Lydia de que Salvatore não tinha superado a morte da esposa, ficou imaginando se escolhera o formato como uma declaração de seu amor por Adriana.

— Terminou de nadar? — perguntou Darcey.

A garotinha balançou a cabeça e apontou para a outra extremidade da piscina, onde um garotinho vinha na direção deles, seguido por um homem alto, cujas feições lembravam Salvatore, e uma mulher com gravidez adiantada de cabelo longo e dourado.

— Nico, cuidado! — alertou a mulher quando o garotinho correu para a beira da piscina.

Ela deu um olhar lamentável para Darcey.

— Meu filho é um diabinho. Espero que o novo irmãozinho não dê tanto trabalho. Sou Kristen, a propósito, e esse é meu marido Sergio.

Ela sorriu para o belo homem ao seu lado, o rosto radiante e lindo. Darcey prendeu a respiração ao observar o olhar amoroso que trocavam. Sergio Castellano adorava a mulher, e Darcey sentiu um desejo de ser amada por inteiro e incondicionalmente.

Sergio estendeu a mão.

— Você deve ser Darcey. Meu irmão falou que veio para a Sicília para o tratamento fonoaudiólogo de Rosa. — Deu um sorriso afável. — Se conseguir tirá-la da piscina! Minha sobrinha é uma garotinha aquática.

Darcey observou Rosa mergulhando.

— Ela nada muito bem para uma criança.

— Salvatore a ensinou. Nadar é uma boa fisioterapia para sua perna, e sempre levava Rosa para a água com ele desde que ela era bebê. Mandou construir a piscina para a filha. — Interrompeu a fala. — Nico, não vá ao fundo até eu estar com você. — Sergio riu e tirou a camiseta. — Melhor eu entrar e ficar de olho nos dois.

Darcey olhou para a piscina em formato de coração.

— Então Salvatore ama Rosa — murmurou.

— Ama sim. Mas, como você, eu não sabia como se sentia com relação à filha quando o conheci — disse Kristen calmamente. — Os Castellanos não conseguem demonstrar suas emoções. -

Uma leve tristeza cruzou seu rosto. — Por muito tempo, não sabia se Sergio me amava, mas felizmente, conseguimos superar nossos problemas de relacionamento. Os dois irmãos tiveram infâncias difíceis e foram muito afetados quando a mãe e o pai se separaram.

— Suponho que ser mandado para um internato não tenha ajudado — comentou Darcey.

— Sergio não foi à escola com Salvatore. — Kristen hesitou. — Foram separados quanto tinham 5 anos.

Ela não deu mais detalhes e sentou-se em uma cadeira com um suspiro.

— Duas semanas para o bebê nascer!

Eu me sinto um elefante, mas Sergio insiste que fico bem grávida.

— Você está linda — assegurou Darcey.

— Obrigada. — Kristen sorriu. — Sei que vai valer a pena no final. Sergio está muito empolgado com o bebê e vai ser bom para Nico. — Ela suspirou. — É uma pena que Salvatore não tenha conhecido mais ninguém Acho que Rosa adoraria ter uma mãe e talvez um irmão ou irmã. Mas, desde a morte de Adriana, Salvatore se fechou nesse castelo. Raramente sai da propriedade e se concentra nos vinhedos e na produção de vinho. Ele foi à capela da villa para organizar o funeral do vinicultor responsável. É uma tragédia Pietro morrer tentando salvar algum vinho. O velho homem era um ótimo amigo de Salvatore.

— Eu sabia que alguns empregados ficaram feridos, mas não sabia que alguém tinha morrido.

Darcey sentiu-se culpada ao lembrar como acusara Salvatore de colocar o trabalho à frente da filha. Que terrível ter perdido um amigo.

— Salvatore está chegando.

Kristen cobriu os olhos do sol com a mão e olhou para um cavalo e seu cavaleiro galopando na direção deles. Ela suspirou.

— Aposto que a perna vai estar dolorida depois da cavalgada. Sou fisioterapeuta — explicou. — Alertei Salvatore de que a cavalgada estica demais os músculos danificados em sua coxa, mas não se importa. Está determinado a não permitir que seu ferimento mude sua vida. — Ela deu um sorriso triste para Darcey. — Cuidado: os Castellanos podem ser muito teimosos.

Darcey observou o cavalo e o cavaleiro disparando na direção deles. Os flancos do cavalo brilhavam com o suor e sua crina cor de mogno balançava como uma bandeira. O cavaleiro não era menos impressionante. Vestido de preto, com uma bandana amarrada ao redor de sua cabeça para prender o cabelo escuro que descia até os ombros, Salvatore parecia um pirata, implacável, perigoso e tão devastadoramente sexy, que o coração de vestido saltou.

Ele desmontou e cruzou o portão da área da piscina, movendo-se com uma graça inata, apesar da rigidez de sua perna. Darcey sentiu-se corar e percebeu que Kristen olhava curiosa para ela. Com medo de demonstrar o efeito de Salvatore sobre ela, saltou da cadeira.

— Vou ajudar Sergio com as crianças.

Enquanto entrava na piscina, os olhos pairavam em Salvatore que cumprimentava a cunhada com um de seus raros sorrisos. Felizmente, a água refrescou a pele ardente de Darcey, e ela se concentrou na brincadeira com Rosa e Nico, mas estava consciente do olhar penetrante de Salvatore cada vez que virava para ele.

Por fim, Sergio pôs um fim na sessão de piscina, e ele e Kristen levaram as crianças para os vestiários. Percebendo que teria que esperar, Darcey não teve escolha a não ser voltar para a espreguiçadeira em que deixara a toalha.

— Rosa parecia estar se divertindo.

Sua voz grave causava sensações estranhas. Corou ao lembrar-se dos detalhes da paixão entre eles e contra sua vontade, seus olhos voltaram-se para ele. Estava incrivelmente sexy. A camisa estava meio aberta e a visão do peito bronzeado coberto de pelos negros causava uma onda de calor entre suas coxas. Sentiu-se embaraçada por estar de biquíni, principalmente com os mamilos endurecidos com a virilidade devastadora de Salvatore.

— Espero que não se importe por ter trazido Rosa para a piscina. Achei que estivesse ocupado hoje.

Lembrou-se de Kristen dizendo que um dos trabalhadores da vinícola tinha morrido no incêndio.

— Sinto muito pela morte do vinicultor-chefe.

— O funeral será amanhã. — O maxilar de Salvatore endureceu.

A gentil de Darcey acabou com seu controle de ferro sobre as emoções e ele sentiu uma necessidade inexplicável de tomá-la em seus braços e deixar que a natureza doce dela aliviasse sua dor.

— Pietro era um excelente vinicultor, que me ensinou tudo o que sei sobre produção de vinhos e era um grande amigo — disse rispidamente. — Obrigado por cuidar de Rosa. Vi vocês brincando na piscina. Ela gosta de estar com você.

Darcey mordeu o lábio.

— Percebi que pode ficar mais apegada a mim e eu a ela. Estava pensando que deveria ir embora e você marcar com outra fonoaudióloga.

As sobrancelhas escuras dele baixaram.

— Por que quer ir embora?

Ela corou.

— Bem, depois do que aconteceu ontem à noite, receio que vai ser estranho eu ficar.

Sua cautela era compreensível depois de seu comportamento na noite anterior, pensou Salvatore. Não deveria ter se aproximado dela daquela maneira. Mas a paixão que explodiu entre os dois era mútua, lembrou a si mesmo. Darcey o desejava da mesma maneira que a desejava. Era imperativo, pelo bem de Rosa, que conseguisse persuadir Darcey a ficar, mas não só pelo tratamento da filha.

— Não vejo por que ficaria estranho. Você está aqui a trabalho. O fato de haver uma centelha entre nós é irrelevante. Acontece entre homens e mulheres todo o tempo. Tenho certeza de que somos maduros o bastante para conseguirmos ignorar uma atração inconveniente. Os olhos dele se estreitaram nela. Mas talvez haja outro motivo para querer voltar.

— Desde seu divórcio deve ter tido outros homens em sua vida. Tem alguém na Inglaterra de quem esteja sentindo falta?

— Não — disse Darcey furiosa. — Eu não teria beijado você se tivesse um... um namorado.

Ela corou intensamente, pensando em como tinha soado ingênua. Mas acreditava em fidelidade. Era uma pena que Marcus não partilhava dos mesmos valores.

Ela desviou o olhar.

— Por que seu casamento terminou? -perguntou abruptamente.

Ela deu de ombros.

— Descobrimos que não somos compatíveis. Mas o fim de nosso relacionamento foi quando descobri Marcus na cama com outra mulher.

No momento em que falou essas palavras, se arrependeu de ter revelado algo tão pessoal e ainda doloroso. Superara Marcus, mas a deixara com muitas inseguranças que Salvatore abrira de novo quando a rejeitou. Desviou o olhar esperando que encerrasse a conversa.

Salvatore viu Darcey morder o lábio inferior e sentiu uma raiva irracional de Marcus Rivers. Desde o momento em que apresentou Darcey à filha, ficou impressionado com sua gentileza. Seu coração suave não merecia ser partido.

— O cara era um imbecil — disse calmamente.

Darcey inclinou a cabeça e seu cabelo escondeu parte do rosto. Sua respiração estava na garganta, quando Salvatore ergueu a mão e colocou algumas mechas atrás da orelha. Sua voz suave foi inesperada e aflorou as emoções que estava tentando esconder.

— Suponho que não seja culpa de Marcus eu não ser... — Ela corou. — Eu não conseguir excitá-lo.

— O que quer dizer?

Ai, céus, por que tinha seguido por esse caminho? Darcey suspirou.

— Não sou sedutora. Marcus gosta de mulheres voluptuosas e não sou muito bem favorecida nesse departamento, como você mesmo percebeu na noite passada.

Por alguns segundos, Salvatore não entendeu o que queria dizer, mas, ao fitá-la nos olhos e reconhecer a insegurança, a compreensão veio.

— O que observei na noite passada, e desde que a conheci, é que você é muito bonita. Como não sabe que é tão adorável? — perguntou ele, quando parecia descrente. — Você é uma pessoa linda. — A imagem de seus seios rosados, pequenos e firmes, veio à sua mente. — Nunca me senti tão excitado como ontem à noite — admitiu com a voz rouca.

Darcey olhou-a surpresa.

— Então, por que parou?

— Ouvi Rosa fazer um barulho e fiquei preocupado que pudesse acordar.

Era parcialmente verdade. Ouvir a filha o libertou do feitiço sensual de Darcey e o forçou a voltar para a realidade. Ele não estava livre para fazer amor com ela enquanto sua amnésia escondesse seu passado. Dio, era responsável pela morte de Adriana e por Rosa ter crescido sem mãe. Sua culpa era um veneno e ele não queria contaminar Darcey com a escuridão de seu coração.

Seus olhos percorreram a figura esbelta de biquíni amarelo que era sexy porque não revelava completamente e o desejo deu um nó em seu estômago. Ela era tão adorável, mas não podia ser dela, e precisa colocar certa distância entre eles.

Levantou-se e começou a se afastar dela.

— Concordamos em ignorar nossas atração, e será melhor para Rosa se nos atermos ao nosso compromisso — disse secamente. — Tenho que ir aos vinhedos e talvez não volte cedo. Armond servirá o jantar às 20h.



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