Os segredos de um homem poderoso secrets of a powerful man



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CAPÍTULO 6

Faltando cinco minutos para as 20h, Darcey entrou na sala de jantar e sentiu seu coração dar cambalhotas quando viu Salvatore parado junto à janela, seu corpo poderoso estava contornado pelo entardecer dourado. Ela não o esperava para o jantar.

Trocara a bandana, os jeans e as botas por calça preta de alfaiataria e uma camisa branca sem colarinho feito de uma seda tão fina que transparecia seus pelos escuros do peito. Tinha plena consciência da reação instantânea de seu corpo a ele, a maneira como seus mamilos formigavam e saltavam, e estava grata pelo xale de chiffon que combinava com o vestido e escondia a evidência de seu efeito sobre ela.

— Boa noite, Darcey.

O rosto duro de Salvatore não apresentava nenhuma expressão, mas seus olhos se estreitaram quando deslizou seu olhar sobre ela, absorvendo a figura elegante dela em um vestido de seda verde jade. Ele se perguntou por que estava usando o xale como se fosse uma proteção.

— Lydia vai se juntar a nós para o jantar, mas geralmente se atrasa — disse secamente. — Quer uma bebida?

Dispensando a tentação de beber algo forte e alcoólico, Darcey pediu um suco de fruta. Não teve como evitar, a não ser aproximar-se dele, mas quando entregou um copo de suco de romã, foi para a janela para ver os últimos raios do sol no céu vermelho sangue. Acima da torre mais alta do castelo, uma águia circulava. Mesmo a distância, Darcey podia ver que carregava algo em seu bico. Provavelmente um rato ou um coelho que acabara de matar, pensou, e um tremor percorreu seu corpo. Havia uma crueldade implacável na paisagem austera que combinava com o humor do mestre da Torre d’Aquila.

Salvatore lembrou-se de que merecia a frieza de Darcey. Mas sentia falta de seu sorriso. Depois de tê-la deixado na piscina, foi ao necrotério para um último instante com Pietro e sentiu um ardor desconhecido das lágrimas chegando aos olhos. Não chorava desde que era um garotinho, quando o pai disse que a mãe tinha ido embora.

Sua dor de cabeça começou assim que saiu do necrotério e agora pulsava em suas têmporas. Seu médico explicou que em alguns casos de amnésia a memória voltava de repente. Sua percepção de que Adriana não gostava de morar no castelo deu esperança de que o passado se revelaria para ele. Mas, para sua frustração, uma cortina negra ainda obscurecia sua memória.

Seu humor não melhorava nada na companhia de sua sogra. Lydia chegou com 20 minutos de atraso para o jantar e passou a refeição inteira falando sobre Adriana.

— O nascimento da filha solidificou a relação de Adriana com Salvatore — contou Lydia a Darcey. — Foi uma pena que Rosa ficou imperfeita.

Darcey franziu a testa.

— O que quer dizer com imperfeita?

— Bem, o fato de ser surda e muda. — Lydia fungou. — A audição defeituosa não veio de nosso lado da família. Adriana tinha audição perfeita.

— A surdez de Rosa não tem nada a ver com genética. — Darcey não gostou de Lydia desde que a viu, e agora sentia certa repugnância pela mulher. Esperava que a avó desse apoio à garotinha durante o tratamento, mas quando falou com Lydia antes do jantar e mencionou que poderia participar das sessões, ela se recusou dizendo que seria chato. — Rosa é uma criança muito inteligente, e eu não tenho dúvidas de que vai aprender a falar bem rápido — disse com firmeza. — Mas é crucial que receba incentivo da família.

Olhou para Salvatore.

— Já expliquei que o tratamento deve ser contínuo para que tenha sucesso e vou incorporá-lo ao cotidiano de Rosa. Mas acho que uma terapia intensiva de uma hora e meia todos os dias, em que quero que você participe, será benéfica. Será melhor à tarde e acho que depois da sessão você poderia levá-la para nadar. É algo de que gosta muito. Ela manteve o olhar, desafiando-o a recusar seu pedido.

— Sei que vai precisar ficar fora do trabalho, mas Rosa precisa de seu apoio.

— E vai ter — assegurou Salvatore.

Ele ficou impressionado com a defesa

de Darcey a respeito de Rosa e a maneira com que ela colocara Lydia em seu devido lugar.

— Sua ideia de levar Rosa para a piscina depois da terapia é ótima. Espero que venha conosco. Sei que deveria estar de férias e quero que possa relaxar um pouco.

As chances de se sentir relaxada com Salvatore por perto eram nulas. Só a ideia dele usando uma sunga a deixava ardente e incomodada. Ele declarou que era melhor ignorarem a química entre eles, mas os olhos dele buscavam os seus e ela se sentiu mergulhando naquele olhar.

Mexida com a tensão sexual entre eles, inconscientemente levou a mão ao pendente em seu pescoço e traçou seu formato com os dedos. Sua família e seu lar pareciam distantes demais.

— Oh!

Olhou para o pendente em sua mão e percebeu que o elo havia quebrado.



— Esse é o problema com joias baratas. — A voz de Lydia rompeu o silêncio e libertou Darcey e Salvatore do encantamento. — É um trevo bonito, mas peridotos não são muito valiosos.

Darcey colocou o colar sobre a toalha de mesa.

— Tem valor sentimental.

Lydia deu de ombros.

O anel de noivado que Salvatore deu para Adriana é um solitário de 10 quilates. Depois de sua morte, mantive em memória de minha querida. — Ela olhou para Salvatore. — Adriana me disse que você a pediu em casamento em um hotel cinco estrelas em Roma. Deve ter sido romântico. O maxilar de Salvatore endureceu quando ergueu o olhar para a parede em que havia outra fotografia da mulher, graças à sua sogra. Não se lembrava do pedido. Olhou para a imagem, querendo que a cortina que bloqueava sua mente se abrisse. Como podia não se recordar da mulher que, de acordo com Lydia, tinha adorado? O amor dele era tão volúvel que se esqueceu assim tão facilmente? Ou era emocionalmente deficiente e incapaz de amar e ser amado? A frustração tomou conta dele e ele levantou-se, consciente dos olhares surpresos de Darcey e Lydia.

— Com licença — resmungou ele.

Enquanto saía da sala de jantar, ocorreu-lhe que quando estava de mau humor visitava Pietro. Seu velho amigo sempre sabia como o acalmar. Mas

Pietro estava morto. Pensou em visitar o pai. Houve uma reaproximação recentemente entre ele e Tito, auxiliada por Sergio, que, desde que casara com Kristen, se reconciliou do pai. Mas Tito estava com a saúde debilitada e ia cedo para cama. Ele não queria perturbar o irmão. Sergio tinha bastante com o que se preocupar com o nascimento do segundo filho.

Quando já tinha precisado de alguém antes? Salvatore perguntou-se. Toda sua vida sentira-se sozinho e não entendia por que essa noite ansiava pela companhia da garota de olhos verdes e sorriso doce.

Darcey entrou no quarto e fechou a porta com um suspiro de alívio. Depois da saída de Salvatore, sua sogra passou o resto da noite falando sobre a filha. Adriana fora um modelo de beleza e sofisticação.

— Meu falecido marido, pai de Adriana, era um conde italiano — explicou ela. — Era bem mais velho que eu e morreu quando Adriana era criança. Mas é evidente nas fotografias que tinha sangue nobre.

Considerando a quantidade de fotos de Adriana pelo castelo, Darcey tinha que admitir que Lydia estava certa. Salvatore ainda lamentava a morte da esposa. Franziu a testa lembrando de que Lydia dissera que Salvatore se sentia culpado pela morte de Adriana. Mas por quê? — perguntou-se. Na verdade, não sabia como a esposa dele havia morrido. Era outro mistério mantido dentro das grossas paredes do castelo.

Alguém havia tirado a colcha da cama e os lençóis brancos estavam convidativos. Bocejando, Darcey tirou o xale, mas quando foi tirar a corrente, lembrou-se de que o cordão ainda estava na mesa de jantar.

Os pisos de pedra ecoavam sob seus pés enquanto descia com pressa as escadas, mas quando entrou na sala de jantar, viu que a mesa estava limpa. O mordomo estava polindo um candelabro junto a um armário. Olhou para ela quando ouviu seus passos.

— Armond, deixei uma corrente na mesa.

Si. — Ele acenou com a cabeça. — Signore Castellano encontrou-o e levou com ele.

— Obrigada.

Por que Salvatore saíra durante o jantar? Darcey foi refletindo enquanto subia a escada. As menções constantes de Lydia sobre Adriana eram dolorosas demais? Sabia que seu quarto era no corredor, antes do dela, e quando passou, viu a luz por baixo da porta. Ansiosa por pegar o pingente, hesitou alguns segundos e bateu.

Em seguida, a porta abriu-se e a figura de Salvatore preencheu a abertura. A camisa estava levemente bagunçada e os olhos de Darcey se dirigiram para a pele bronzeada.

— Darcey?

Sua voz sensual e profunda a fizeram tremer. Ela engoliu em seco.

— Armond disse que você está com meu colar?

— Estava tentando consertar. — Ele abriu mais a porta. — Entre enquanto termino.

A sala de estar da suíte principal tinha decoração simples e austera, com as paredes cobertas de tapeçaria, que Darcey achava eram da idade do castelo. Os sofás antigos tinham braços curvos, e o estofado era de brocado azul. Através da porta semiaberta, podia ver que o quarto era dominado por uma imensa cama de mastros com drapeado de brocado e uma lareira de tijolos que era tão alta que podia praticamente entrar nela. Ficou imaginando se o castelo tinha sistema de aquecimento moderno ou se no inverno o fogo ardia na lareira. Hoje, um vaso de girassóis enfeitava a grade.

Desviou o olhar para a mesa, em que estava seu colar.

— Uso essas ferramentas para arrumar os relógios no castelo — explicou Salvatore. — Temos mais de cem. Todos eles muito antigos e nenhum marca a hora certa — disse ironicamente.

— Por que você os mantém então?

Ele deu de ombros.

— Pertencem a esse lugar.

Assim como Salvatore pertencia à Torre d’Aquila, pensou. Ele lembrava ainda mais um cavaleiro do século passado essa noite: um guerreiro corajoso com uma psique impressionante que a fazia seus joelhos fraquejarem, quando se imaginava nos braços dele.

Soltou um suspiro, desejando nunca ter entrado ali, mas, quando foi pegar o colar, ele apanhou-o.

— Ajustei o fecho e ele deve ficar firme agora. Vire-se e erga o cabelo.

O coração de Darcey saltou, enquanto se virava e segurava o cabelo, expondo sua nuca. Salvatore passou o colar pelo pescoço dela, de modo que o pingente pousasse sobre o vale entre seus seios. Ela prendeu a respiração, enquanto ele fechava. Sua respiração quente mexia o cabelo em sua nuca e seu coração bateu mais forte. Por que demorava tanto?

— Sua pele é tão pálida e tão macia -murmurou, enquanto passava a mão em seu ombro. — Você disse que o colar tem valor sentimental? É porque lembra seu casamento?

Darcey lembrava que contou que o pai dera a ela no dia do seu casamento.

— Por que iria querer lembrar-se do idiota que a magoou? — disse Salvatore com voz rouca. — Ainda está apaixonada por ele?

— É claro que não.

Darcey engoliu em seco, certa de que sentira os lábios de Salvatore roçar seu pescoço. Seu bom senso dizia para ir embora, mas seus pés estavam presos ao chão.

— Meus sentimentos pelo colar não têm nada a ver com Marcus. Gosto dele porque foi um presente do meu pai. Pertenceu à mãe dele, de quem era muito próximo, e fiquei tocada por escolher dar a mim.

Sentiu outra carícia em seu ombro e um nó no estômago.

— Você teve uma infância feliz?

— Muito. — Apesar da imprevisibilidade do pai, Darcey sabia que se importava com seus filhos. — Minha família é meu mundo.

— Você é uma felizarda. — Salvatore deixou suas mãos caírem e se afastou dela. — As lembranças de minha infância não são alegres.

— Kristen disse que você foi separado de seu irmão gêmeo quando eram jovens. Por que seus pais decidiram fazer isso?

— Quando minha mãe deixou meu pai, levou Sergio para a América e me deixou para trás. Não sei por quê. Cresci acreditando que amava meu irmão, mas não a mim Recentemente, Sergio revelou que nossa mãe batia nele quando era garoto. Ela tinha problemas com álcool e ele tolerou a crise de seu humor violento.

Deu uma risada triste quando viu a expressão de choque dela.

— Acho que tive sorte de ter me abandonado. Nunca passei por abuso físico. Na verdade, raramente via meu pai. Eu ficava na Inglaterra por longos períodos, mas meu internato não era um lugar agradável e aprendi a cuidar de mim desde cedo.

O amor foi um fator ausente na criação de Salvatore e Darcey tinha certeza de que era o motivo da dificuldade de se conectar com a filha. Mas deve ter tido uma relação de amor com a esposa. De acordo com Lydia, o casamento deles foi feliz, apesar de Lydia falar vagamente que Salvatore era responsável pela morte de Adriana.

Incomodada com a conversa com Lydia, Darcey sentiu frio ao olhar para Salvatore. Ele estava sentado em um banco de pedra junto à janela que fora talhado com as paredes do castelo. As cortinas estavam abertas, revelando o céu escuro da noite e a lua tinha um brilho frio e sombreava o rosto dele.

Revelar o passado de Salvatore poderia ajudá-la a entendê-lo melhor e, talvez, dar a ela uma ideia de como poderia ajudá-lo a conectar-se com Rosa.

Respirando fundo.

— Como Adriana morreu? — perguntou.

Ao que parecia uma eternidade, ele não respondeu e quando finalmente se virou para ela, sua expressão estava impenetrável.

— Eu a matei.

— Como... como assim?

Ela tinha certeza de que não ouvira direito. Instintivamente, cruzou os braços enquanto um arrepio percorria sua espinha.

Algo brilhou nos olhos escuros dele, um lampejo de emoção que desapareceu antes que pudesse definir.

— Adriana morreu quando o carro em que estávamos desceu pela encosta. — O maxilar de Salvatore endureceu. — Eu estava dirigindo. Era conversível, fomos projetados para fora. Adriana foi dada como morta no local do acidente. Eu recobrei a consciência alguns dias depois, com a notícia de que tinha perdido minha esposa e que poderia perder minha perna. Obviamente que meus ferimentos não se comparavam com o fato de Adriana ter morrido — falou sombrio. — É total responsabilidade minha que uma mulher jovem tenha sua vida cruelmente encurtada e que minha filha está crescendo sem a mãe.

A tormenta em seus olhos doeu no coração de Darcey e, sem pensar, cruzou o quarto e parou na frente dele.

— Foi um acidente, uma tragédia, mas ainda assim, um acidente — disse com seriedade. — Às vezes, acontecem coisas que não compreendemos o motivo.

Ela pousou a mão em seu braço, tentando oferecer conforto.

— Sabe por que perdeu o controle do carro? Estava chovendo e derrapou, talvez.

— Que coração mole você tem, Darcey — zombou ele.

Olhou para a mão pálida dela contra seu braço bronzeado e levou a própria mão ao queixo dela.

— Por que você está tão determinada a encontrar desculpas para mim? Nada pode me absolver e nunca poderei me perdoar. — Deu de ombros. — Talvez haja circunstâncias atenuantes que influenciaram na batida. Não sei por que não me lembro.

— Quer dizer que perdeu a memória devido à batida?

— Não tenho lembrança do acidente ou de grande parte da minha vida antes dele. Não me lembro de Adriana. — Ele olhou nos olhos chocados de Darcey. — Estou com amnésia desde então. Não recordo de nada do meu casamento, ou de ter amado minha esposa.

A cabeça de Darcey dava voltas com as revelações.

— Você deve tê-la amado — disse trêmula.

Apertou o braço de Salvatore instintivamente. Não estava mais sem expressão. Parecia assustado. O homem por trás da máscara finalmente estava exposto e o fardo por não se lembrar do acidente estava refletido em seus olhos torturados.

— Tem fotos de Adriana por toda parte — disse Darcey. — Na noite passada, quando você olhou para a foto, deduzi que estava pensando no quanto sentia falta dela.

— Lydia colocou as fotos. Olho para elas, mas nenhuma lembrança surge. É como se minha mente estivesse bloqueada por uma parede impenetrável que esconde meu passado recente de mim. Posso me lembrar de minha infância, mas não de como conheci Adriana, nosso casamento ou, pior de tudo, o nascimento de Rosa. Às vezes, olho para minha filha e sinto como se fosse uma estranha — admitiu Salvatore com sinceridade.

— Isso é horrível! — Darcey mordeu o lábio.

As palavras de Salvatore explicavam por que evitava uma aproximação com relacionamento e a tragédia real que ambos estavam sofrendo com essa perda de memória.

— Não tem algo que possa fazer resgatar sua memória? Alguma psicoterapia?

— Acha que não tentei? — disse lentamente. — Visitei inúmeros analistas e todos dizem a mesma coisa, que tenho que ter paciência e esperar que com o tempo minha memória volte. Mas ninguém pode garantir que a recuperarei. — Franziu a testa.

— Quando chegamos ao castelo, tive um flashback. Você me perguntou se Adriana gostava de morar aqui e lembrei que não gostava. Achava muito distante e calmo. Mas não sei como nem por que sei isso. — Sua voz estava tomada de frustração. — Esperava lembrar mais dela, sentir algum tipo de conexão, mas minha mente está em branco.

Ele segurou mais forte o queixo de Darcey, erguendo sua cabeça para que seus olhos se encontrassem.

— Deduzo que tenha amado e desejado minha esposa. Mas a verdade é que não creio que sentia por ela o desejo que sinto por você, mia belleza. Desde que entrei em seu consultório, estou ardendo por você, consumido pela necessidade de beijar você — sua voz era quase um sussurro, enviando um calor pelas veias de Darcey —, fazer amor com você.

— N...não devia falar assim. — Tentou desesperadamente ignorar a excitação que a assolou. Salvatore moveu-se e ela ficou presa entre suas pernas, e, como ele estava sentado no banco junto à janela, seus rostos ficaram no mesmo nível. Ela engoliu em seco, quando viu o brilho nos olhos dele.

— Concordamos que vim aqui para o bem de Rosa — sussurrou ela.

— E se eu contar que a desejo pelo meu bem? — disse quase inaudível. — E se disser que não consigo dormir à noite, pensando em você? Seu coração amoleceria por mim, doce Darcey?

Estava hipnotizada pela necessidade bruta na voz dele, chocada pela fome que não escondia. O desejo dele por ela agia como uma panaceia à mágoa e humilhação que sentiu quando descobriu a infidelidade de Marcus. Mesmo assim, ficou em pânico quando o braço dele enroscou em sua cintura, puxando-a para perto dele. Ele nunca fez sexo casual antes. Talvez estivesse na hora de começar, sussurrou uma vozinha em sua cabeça.

Um tremor percorreu-a quando viu a cabeça de Salvatore baixar, mas o desejo de fugir dali foi superado por outro mais primitivo. O tempo parou. Ela podia ouvir a própria pulsação e, da noite escura, veio o guincho de uma coruja em sua caçada noturna.

No último segundo, seu bom senso fez com que o afastasse dela, mas era tarde demais.

— Salvatore... não...

O resto de suas palavras foram obliteradas pela boca de Salvatore sobre a sua. A pressão dos lábios dele a escravizou, e Darcey estremeceu quando ele deslizou a mão do queixo para a nuca e ajeitou a cabeça dela para poder se apoderar de sua boca impiedosamente.

Não esperava que fosse gentil, mas a força de sua paixão a chocava e excitava.

— Abra a boca — exigiu com uma lamúria. Darcey cedeu.

O gemido de resposta de Salvatore tirou suas últimas defesas, e ela segurou o rosto dele entre as mãos e beijou-o com urgência.

Ele disse que estava consumido de desejo, e Darcey entendia isso agora, quando o calor percorria por suas veias e a pontada em sua pélvis se transformou em um pulsar insistente. O certo e o errado de fazer amor com um quase desconhecido não existiam mais.

Ela sentia como se estivesse esperando por ele por toda sua vida.

Salvatore percorreu com a boca seu pescoço, seguindo a linha do ombro. Darcey prendeu a respiração quando baixou a alça do vestido, e seu coração bateu descompassado quando foi deslizando o vestido, até deixar seus seios nus. Seu mamilo reagiu instantaneamente ao roçar de seus dedos. Seu hálito quente provocava seus sentidos e não conseguiu segurar um gemido alto quando tocou o bico exposto com sua língua.

Santa Madonna! Você é tão linda — disse Salvatore, sincero. — Olhei para você naquele terno e fiquei imaginando isso.

Ele demonstrou o que imaginou fazer, pegando o mamilo com a boca e sugando gentilmente, fazendo com que um raio de prazer seguisse dos seios de Darcey para sua pélvis. Ela estremeceu quando ele tomou o outro seio com seus dedos e sentiu-se impaciente para que tirasse o resto de seu vestido para acariciá-la por inteiro.

— Sabe onde isso vai parar, cara?

A voz dele estava rouca de excitação e o brilho em seus olhos a alertavam se sua intenção de fazer amor com ela. Era o que queria, reconheceu Darcey.

Morreria se não a levasse para cama agora. Mas as inseguranças de seu casamento com Marcus não a deixavam dizer a Salvatore que o queria com a mesma intensidade. Então, deslizou as mãos por trás de seu pescoço e beijou-o.

Sua ânsia tocou fundo Salvatore. Sua consciência dizia que era errado desejá-la quando ainda estava acorrentado ao passado. Mas não podia negar sua necessidade por ela. Levantou-se com a intenção de pegá-la nos braços, mas uma dor repentina desceu por sua perna. Agarrou-se na escrivaninha para não cair e o vaso de porcelana espatifou no chão.

Darcey deu um grito. Olhou para Salvatore, cujos olhos não eram mais ardentes e sim duros e frios. Seu rosto se transformara em granito, mas não tinha ideia do que causou essa transformação.

— O que foi? — sussurrou ela.

Gotas de suor se formaram na testa de Salvatore enquanto a dor agonizante percorria sua coxa. Sabia que não havia nada a fazer, a não ser esperar que os espasmos passassem. Até lá, caminhar era impossível.

A preocupação gentil de Darcey contaminou sua alma. Seu orgulho siciliano não podia deixar que testemunhasse sua fraqueza. Seu maxilar endureceu. Ela era tão linda. Mesmo com o vestido arrumado, a imagem dos seios pequenos e firmes dela o excitava. Mas não tinha como fazer amor agora. A cãibra em sua perna era um lembrete do acidente pelo qual era responsável. Não suportaria ver a expressão de Darcey quando tirasse a calça e revelasse a cicatriz de sua perna. Ela poderia se revoltar, ou pior, sentir pena dele.

Darcey colocou a mão no braço de Salvatore, desesperada para entender o tormento em seus olhos.

— Deixe-me ajudar.

Sua doçura provocou a bile de Salvatore. Lutou contra a tentação de aceitar esse conforto. Sentia-se menos homem e canalizou sua dor para a raiva.

— Não tem como me ajudar — disse furioso.

A dor nos olhos dela quase o fez parar, mas a verdade era que não fazia bem para ela. Seus instintos diziam que não tinha experiência sexual, e não seria uma amante casual que entendesse que não podia assumir um relacionamento. Sabia que Darcey estava fascinada por ele. Mas não era o tipo de homem que queria ou merecia.

Agarrou-lhe o queixo e aproximou o rosto dela do seu.

— Não sou o homem certo para você, doce Darcey. Você é curiosamente inocente, mas há uma escuridão em minha alma que pode destruí-la.

Beijou-lhe a boca e sentiu um nó no estômago quando ela correspondeu. Fechou os olhos e a afastou.

— Saia daqui. Fuja de mim, Darcey. Porque se não fizer, vou possuir seu corpo e esmagar seu coração. — Os olhos de Salvatore brilharam quando ela não se moveu. Parecia que sua perna estava sendo cravada com facas quentes, mas ele comprimiu a boca, determinado a não mostrar sua fraqueza. — Ouviu o que eu disse? — vociferou ele. — Se sabe o que é bom para você, saia daqui.

Lentamente, Darcey foi para a porta. Não podia acreditar na transformação de Salvatore. Alguns momentos atrás, queria fazer amor com ela, e agora se ressentia de sua presença. Ele a rejeitava como o pai fazia às vezes quando estava mais interessado no trabalho e como seu ex-marido quando descobrir que se casar com ela não ajudava na carreira. Os dois homens que amava ficaram desapontados com ela, e agora Salvatore a mandava embora. Mas não sabia o motivo dessa mudança.

O mistério o cercava. Ela sentia que era assombrado pelo fato de não se lembrar do acidente em que a esposa morrera. Talvez seu subconsciente o impedisse de fazer amor com ela, porque ainda amava Adriana. Darcey estremeceu. Já era terrível pensar que Salvatore não a desejava, mas ainda pior, era a ideia de que a beijara pensando no fantasma da mulher morta.

Para sua vergonha, seu corpo ainda doía do desejo não atendido. Chorando baixinho, saiu do quarto.



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