Os segredos de um homem poderoso secrets of a powerful man



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CAPÍTULO 7

Taormina localizava-se no alto dos montes e oferecia paisagens espetaculares do mar e das praias de Mazzaro e Isola Bella. A cidade tinha um misto de prédios medievais restaurados e lojas, bares e restaurantes modernos, que atraíam muitos turistas. Darcey admirava a arquitetura variada deixada pelos gregos, romanos e bizantinos, entre outros, mas para ser honesta, também estava impressionada com as numerosas butiques e lojas de sapatos.

Pressionando o nariz na vitrine, não conseguia se decidir entre as sandálias de couro bege de tiras com salto cunha ou os sapatos vermelhos de saltos agulha.

Rosa deu a mão para chamar a atenção. De quais você gosta?, gesticulou.

Darcey seu um sorriso pesaroso e gesticulou em respostaTodos eles! Mas não preciso de mais sapatos. Olhou para a rua e seu coração teve uma reação já conhecida quando viu Salvatore vindo na direção delas. Olhe, ali está o papai, gesticulou.

Enquanto se aproximava, virou para continuar estudando os sapatos na vitrine. Duas semanas se passaram desde a noite em que foi embora do quarto dele e, desde então, se tratavam com certa educação fria. Às vezes, ela o olhava de relance e via um lampejo de desejo sexual em seus olhos. Mas o orgulho a fazia resistir e não demonstrava nenhum carinho. Lembrou-se de que viera à Sicília para tratar de Rosa e passou a concentrar-se na menina.

Mas, embora fizesse de tudo para evitá-lo no castelo, não conseguia parar de pensar na situação dele e, principalmente, na dificuldade de se relacionar com Rosa. Chegou à conclusão de que até se recuperar da amnésia, não conseguiria seguir com sua vida, nem criar laços com a filha. Se ao menos se lembrasse da causa do acidente, talvez se perdoasse pela morte de Adriana. Mas sua memória não dava sinais de retorno e Darcey percebia sua frustração.

Ela enrijeceu ao perceber sua aproximação. O aroma de sândalo provocava seus sentidos e ela odiava a reação do próprio corpo. Os problemas de Salvatore não eram da sua conta. Estava determinada a manter distância física e emocional dele, mas nos últimos dias, parecia determinado a descongelar a relação entre eles. No jantar, passou a ser comunicativo e perguntava sobre o trabalho e a vida dela em Londres. E hoje, para sua surpresa, unira-se a ela e Rosa para o café da manhã e sugeriu que passassem o dia em Taormina.

— Tem certeza de que não precisa de mais sapatos? — murmurou, e a provocação gentil em sua voz atingiu o coração de Darcey. — Já vi você usar ao menos uns dez modelos diferentes desde que chegou à Sicília.

Respirando fundo, colocou um sorriso no rosto antes de se virar.

— Uma mulher nunca tem sapatos o suficiente. Mas não vou comprar nenhum desses, são muito caros.

— Posso comprá-los para você? Salvatore olhou para Rosa e gesticulou. De qual sapato gostou mais?

A garotinha respondeu, Os vermelhos. A brincadeira tinha ido longe demais. Darcey olhou para ele enquanto pegava a carteira.

— Claro que não vou permitir. Se está tão determinado a gastar, Rosa viu umas tiaras lindas em uma loja. Por que não mostra a você enquanto vou à farmácia?

O que gostaria de fazer, pensou Salvatore, deslizando os olhos sobre a figura esguia de Darcey, era tomá-la nos braços e beijar aquela boca teimosa. Estava cansado da imitação da Rainha de Gelo das histórias de Rosa. Ele também não demonstrava seus sentimentos.

— Boa ideia — disse firme e segurou a mão de Rosa. — Encontramos você no café do outro lado da piazza.

Enquanto caminhava pela rua, Darcey se recusava a especular a mudança na atitude de Salvatore. Era mais fácil de lidar com ele quando a tratava com indiferença. Ao menos, conseguia fingir que não estava interessada nele.

Seus pensamentos foram distraídos pelo som de uma voz distinta e, olhando para um beco estreito, viu Lydia falando com um homem Darcey não queria encontrar a sogra de Salvatore e estava prestes a seguir em frente. Mas parou quando percebeu que Lydia e seu acompanhante estavam discutindo. Falavam em italiano, e Darcey não conseguiu entender, mas os ânimos estavam alterados. Ouviu Lydia chamá-lo de Ettore diversas vezes. Continuaram a discussão mais alguns minutos e, para surpresa de Darcey, Lydia começou a chorar e foi embora.

O que era isso? pensou ela. Ainda mais misterioso era o fato de Lydia estar na cidade, quando tinha dito a Darcey pela manhã que planejava passar o dia no castelo.

Ainda estava cismada com a cena que testemunhou quando cruzou o pavimento preto e branco da Piazza XI Aprile no centro de Taormina. Rosa correu ao encontro dela mostrando seus novos acessórios.

— Comprou tudo o que precisava? — perguntou Salvatore enquanto seguiam para o café.

— Sim! — Darcey hesitou. — Conhece alguém chamado Ettore? Vi Lydia falando com um homem, bem, eles estavam discutindo. Ela o chamava de Ettore.

— Pode ser Ettore Varsi. — Salvatore franziu a testa. — Ettore foi a primeira pessoa a chegar à cena do acidente quatro anos atrás. Estava um pouco atrás de mim na estrada e viu quando perdi o controle do carro. Depois da batida, conseguiu descer pela encosta e tirou nós dois do carro antes de pegar fogo. Não sei por que Lydia poderia estar discutindo com ele.

Salvatore continuou.

— Talvez você tenha interpretado mal. Lydia sempre foi grata a ele por tentar salvar a filha.

Uma expressão sombria cruzou o rosto dele.

— Discutiu com Ettore o que aconteceu naquela noite? Talvez falar com ele possa despertar sua memória...

A voz de Darcey vacilou quando viu a raiva nos olhos de Salvatore.

— Ettore Varsi deu uma declaração completa dos fatos à polícia na investigação sobre Adriana — disse secamente. — Estava na festa em que estávamos e nos viu sair. Sua evidência declara que entrei no assento do motorista e Adriana no assento do passageiro. Ele nos seguiu e acha que estava dirigindo rápido demais em uma curva. De acordo com Ettore, o carro girou e bateu contra a mureta de proteção. Ele parou e ligou para a emergência antes de descer e nos resgatar.

— Ainda acho que deveria falar com ele — insistiu Darcey. — Ele deve saber mais.

— Chega! — disse Salvatore asperamente. — Não há nada mais. Ettore explicou o que viu. Nada pode me exonerar do fato de ser responsável pela morte da minha esposa.

Darcey olhou para ele com frustração.

— Você é tão teimoso.

— Eu? Olhe para você, cara. Aceite meu conselho e pare de enfiar o nariz onde não é chamada.

De tão furiosa, Darcey virou-se e entrou no café onde Rosa havia encontrado uma mesa. Ela só queria ajudar, pensou, mas Salvatore deixou claro que não queria nada dela. A lembrança de como a mandara embora do quarto ainda era embaraçosa demais, e ela prometeu a si mesma que não falaria mais com ele nada que não fosse sobre o progresso do tratamento de Rosa.

Pediu suco de fruta para Rosa, um cappuccino para si e um expresso para Salvatore, embora não achasse que fosse se juntar a elas. Mas para sua surpresa, estava sorrindo quando entrou no café, minutos depois.

— Recebi uma ligação de Sergio — disse a ela. — Kristen entrou em trabalho de parto essa manhã e deu à luz a um menino saudável meia hora atrás.

— Isso é maravilhoso!

Darcey esperou Salvatore gesticular as novidades para Rosa de que tinha um novo primo.

— Seu irmão deve estar aliviado — disse ela, lembrando de como Sergio estava tenso com o nascimento se aproximando.

— Está muito feliz.

Salvatore olhou para o café na frente dele.

— Acho que vou celebrar o nascimento de Leo Castellano com champanhe.

— Rosa não pode beber champanhe — salientou Darcey.

Sorvete?, ela gesticulou para a garotinha, que respondeu com um sorriso e um acenar com a cabeça.

Salvatore recusou a guloseima, mas quando viu Darcey e a filha se deleitando nos sorvetes, foi tomado novamente pela amizade que elas tinham formado. A bondade de Darcey era evidente em tudo o que fazia e tornava as sessões de terapia muito divertidas.

Sabia que não compreendia por que não conseguia se conectar à filha. Como poderia compreender a culpa que sentia por Rosa crescer sem a mãe? Sua amnésia criou uma barreira entre ele e Rosa. Dio! Ele nem mesmo se lembrava do seu nascimento, ou de segurá-la nos braços.

O branco em sua mente trazia a escuridão para sua alma. Estava certo em dispensar Darcey ao invés de fazer amor com ela. Sabia que a magoara, mas era melhor do que a arrastar para seu mundo de escuridão. Não tinha direito de macular seu sorriso brilhante e natureza alegre com o próprio desespero. Ela conheceria um homem que a amaria como merecia e o amaria com toda a generosidade de seu coração.

Salvatore bebeu seu café em silêncio e notou com ironia que seu gosto amargo combinava com a amargura de seus pensamentos.

— Certo, chega por hoje.

Darcey verbalizou e gesticulou para Rosa ao mesmo tempo. Ela juntou os cartões fonéticos que estavam usando e sorriu para a garotinha.

— Muito bom! Falou todos os sons que estamos praticando com perfeição. Estou bem satisfeita com você, e seu pai também está.

Olhou para Salvatore, desejando que elogiasse a filha.

Ele cumpriu o combinado e participava das sessões de terapia todas as tardes, mas, embora parecesse relaxado e incentivador, Darcey ainda sentia nele um ar de reserva com relação à filha. Para seu alívio, deu um de seus raros sorrisos.

— Foi muito bem — disse a Rosa. — Vá se arrumar para nadar.

Darcey decidiu fazer as sessões no quiosque junto à piscina, assim, Rosa poderia ter sua recompensa de nadar com o pai logo em seguida. Salvatore a observou correr para o vestiário.

— Ela parece estar fazendo um bom progresso.

— Está, sim — assegurou Darcey. — É uma criança brilhante e estou confiante de que vai desenvolver rapidamente suas habilidades de fala.

— Graças a você e sua competência e dedicação. — Salvatore pousou seu olhar taciturno sobre o rosto corado dela. — Vai se juntar a nós na piscina hoje?

Ele franziu a testa quando Darcey balançou a cabeça.

— Preciso usar o tempo que você nada com Rosa para trabalhar. Tenho muito que organizar para meu consultório particular de fonoaudiologia.

A desculpa era verdadeira, pois estava pesquisando possíveis locais para montar seu negócio. Mas também usava o tempo livre para estudar o papel que interpretaria na peça do pai. Ao ler o roteiro de Joshua, Darcey ficou impressionada com seu talento como dramaturgo. Estava muito orgulhosa do pai e satisfeita por tê-la escolhido para o papel principal, mas insegura, e por isso, decidiu não contar a ninguém de fora sobre sua participação.

— Por que não diz a verdade?

A voz de Salvatore tirou Darcey de seus pensamentos.

— Sei que está revoltada pela visão das minhas cicatrizes, mas você está me vendo nadar com Rosa desde que chegou aqui, certamente já se acostumou.

— Não estou revoltada com suas cicatrizes!

Estava chocada pela conclusão dele sobre sua recusa em juntar-se a ele na piscina.

— Acho que é importante que você e Rosa passem algum tempo juntos —insistiu.

Salvatore manteve o olhar por um momento, antes de sair para se trocar.

Darcey abriu o roteiro do pai no laptop e tentou se concentrar. A peça se passava na Segunda Guerra e se baseava em uma história real sobre a mãe de Joshua, Edith, que se casou com um francês e trabalhou na Resistência Francesa até ser capturada e torturada pelos nazistas. Surpreendentemente, Edith conseguiu escapar e voltou para a Irlanda, onde o marido se juntou a ela mais tarde e tiveram cinco filhos.

É uma história inspiradora e a peça de Joshua Hart era um tributo à coragem da mãe. Mas Darcey não conseguia se concentrar quando os olhos eram guiados para a piscina. A visão de Salvatore bronzeado, o corpo atlético, era uma grande distração.

Era verdade que as cicatrizes em sua coxa eram visíveis, mas não diminuíam o impacto de sua virilidade. Era o homem mais sexy que já conhecera, e Darcey suspirou forçando os olhos de volta à tela do laptop.

O som dos passos no tablado do quiosque a fizeram erguer o olhar e ficou surpresa em ver Rosa parada na frente dela. A garotinha respirou fundo.

— Darcey! — disse com clareza.

— Oh, Rosa, você é uma garota inteligente.

Os olhos de Darcey se encheram de lágrimas de emoção por Rosa ter falado a primeira palavra. Era o momento de deslanchar e ela abraçou forte a menina.

— Ela estava praticando dizer seu nome comigo — Salvatore explicou quando se juntou a elas no quiosque. — Rosa quer que venha nadar conosco.

Darcey deu um olhar suspeito para ele, que devolveu com um olhar implacável. Ele sabia que não recusaria. Ela sorriu para Rosa e verbalizou e gesticulou, Vou colocar meu biquíni.

Ao sair do vestiário minutos depois, Darcey disse a si mesma que era ridículo sentir vergonha. Seu biquíni amarelo era perfeitamente respeitável. Mas tinha consciência do olhar de Salvatore enquanto descia os degraus da piscina e rapidamente se encobriu de água e nadou para longe dele. Ela se concentrou em Rosa, mas embora tentasse ignorar Salvatore, descobriu os próprios olhos sobre ele e seu coração deu um salto quando viu que a observava. O desejo ardia entre eles, estimulado por cada olhar furtivo e o contato acidental de seus corpos, enquanto brincavam com Rosa.

Darcey ficou aliviada quando Nico chegou, acompanhado pela babá inglesa que Sergio e Kristen contrataram. Margaret sabia usar a linguagem dos sinais, e Salvatore conseguiu que cuidasse de Nico e Rosa.

— Nico já estava nadando na Casa Camelia — explicou Margaret. — Vou levar as crianças para brincarem na areia.

Sozinha com Salvatore, depois de Rosa ter saído com o primo, Darcey colocou a toalha sobre os ombros, com a intenção de trocar de roupa. Mas a voz profunda dele a parou.

— Você poderia fazer uma pausa no trabalho e aproveitar o sol, não? — Os olhos negros dele brilharam com um calor inesperado. — Já me sinto mal por você perder suas férias na França. — Viu que Darcey hesitava. — Enquanto Margaret cuida das crianças, gostaria de que me desse uma atualização do progresso de Rosa — acrescentou.

Não podia recusar, mas Darcey ignorou a espreguiçadeira que preparou para ela e sentou-se sob o guarda-sol.

— Vou torrar se sentar no sol — disse a ele. — Minha mãe levou um susto recentemente com um melanoma maligno, portanto, por mais que goste de um bronzeado, prefiro ficar na sombra.

— Muito inteligente com sua pele clara, mas você pode ser afetada pelos raios UV mesmo na sombra, e seria bom usar protetor. — Salvatore pegou um frasco de loção, mas ao invés de entregar a Darcey, colocou creme na palma da mão e foi para trás dela.

Ela engoliu em seco com a sensação da loção fria na pele quente, mas o que fez seu coração disparar foi a sensação das mãos de Salvatore massageando seus ombros. Seu corpo reagiu instantaneamente e queria morrer quando olhou para baixo e viu seus mamilos salientes sob o biquíni.

— Isso não é apropriado — falou com voz abafada.

Ele inclinou a cabeça e sua risada suave fez cócegas no ouvido dela.

— Talvez não, se for agradável, para nós dois. Relaxe, cara, está muito tensa.

O que ele queria? Seu toque era sensual e ela sentiu umedecer entre as coxas.

— Você queria conversar sobre Rosa — lembrou-o em desespero. — Sua confiança está crescendo a cada dia e é vital que você continue a participar das sessões para incentivá-la.

Darcey hesitou, imaginando como poderia ajudar Salvatore a se conectar emocionalmente com sua filha.

— Você é a pessoa mais importante na vida de Rosa — disse suavemente. — Ela adora você.

Ele tirou as mãos dos ombros dela repentinamente.

— Imagino se continuará adorando quando descobrir que é culpa minha não ter uma mãe.

Sabendo que ele odiava relevar suas emoções, Darcey esperou que fosse embora, mas puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela.

— Tem ideia do que é saber que roubei minha filha da mãe? — disse duramente. — Às vezes, cheguei a pensar — interrompeu-se e engoliu com dificuldade.

— Chegou a pensar em quê? — disse gentilmente, chocada pela dor nos olhos dele.

— Se é minha culpa ser surda. Sei que a razão médica foi uma infecção no ouvido, mas talvez o trauma de ser repentinamente separada da mãe contribuiu para a surdez de Rosa.

O coração de Darcey se solidarizava, e ela colocou sua mão sobre o braço dele.

— Li as anotações médicas sobre a Rosa. A razão mais provável pela surdez dela é que, durante o nascimento, a cóclea ficou cheia de fluído que danificou as células internas. É chamado de perda auditiva neurossensorial. É possível que Rosa tenha tido danos cocleares moderados no nascimento e, depois, uma infecção grave quando tinha um ano causado por mais danos que a deixou profundamente surda, mas posso assegurar que a morte da mão, embora traumática, não causou a surdez de Rosa.

Você não tem culpa, Salvatore — disse ela. — Não sei por que nem como o acidente aconteceu, mas estou convencida de que você não colocaria a vida de Adriana em risco.

Ele balançou a cabeça.

— O que me intriga ainda mais é que fomos jogados para fora do carro, o que significa que não estávamos usando o cinto de segurança, e sempre uso. Fico me perguntando por que não usava e por que não insisti para Adriana que colocasse o seu, principalmente, com a capota arriada.

Salvatore fechou os olhos quando a dor atingiu sua cabeça. Fragmentos de memória começaram a surgir de repente.



Ele via a curva acentuada à sua frente. Sentia o vento em seu cabelo. O carro estava rápido demais. O medo revolveu seu estômago. Ele precisava virar a direção e afastar o carro da beira da estrada. Mas suas mãos não estavam na direção. Ele não estava no controle, e agora era tarde demais.

— Salvatore? — a voz de Darcey trouxe-o de volta para o presente. — O que foi? Está com enxaqueca?

— Não. Passou a mão pelo cabelo. Não há nada errado.

Ficou tentado a contar sobre as imagens em sua cabeça, mas o que vira não fazia sentido. Por que não estava no controle do carro antes de bater?

Olhou para os olhos verdes de Darcey e sentiu seu coração suavizar.

— Obrigado por dar um alento sobre a surdez de Rosa. Sempre me senti culpado — admitiu. — Um pai deveria proteger sua filha, mas achava que tinha lhe feito mal.

A respiração de Darcey estava alterada. O desejo sexual aflorou entre eles, quando roçou seus lábios sobre os dela. Foi um beijo breve, mas sua doçura penetrou-lhe o coração e sua promessa de êxtase sensual a fizeram tremer.

— Rosa está chegando — alertou suavemente.

Darcey viu a aflição nos olhos dele pelo beijo interrompido. Ela colocou os óculos escuros para disfarçar o efeito dele em seu equilíbrio.

Rosa lançou-se para o pai, mas acabou hesitante, como se estivesse insegura de sua recepção. Sua cautela dilacerou Salvatore. Percebeu que estava tão imerso em seus sentimentos de culpa, que afastou Rosa de si. Darcey mostrou a ele que essa garotinha precisava dele e o amava. Cabia a ele mostrar a Rosa que ela era o mundo dele.

Sorrindo, abriu os braços para ela. Por um segundo, pareceu surpresa, mas em seguida o abraçou forte.

Quer vir nos estábulos comigo?, gesticulou ele. Sua garganta queimava com as lágrimas que engoliu quando Rosa aceitou ansiosa. Salvatore olhou para Darcey e sabia pela suavidade dos olhos dela que percebeu que suas emoções estavam sufocantes.

— Vou ficar um pouco com Rosa e encontro você no castelo mais tarde.

Lembre-se de que darei um jantar de negócios hoje à noite. Você participará comigo, é claro — disse ele.

Sem dar chance de responder, colocou a filha nos ombros e saiu.

O caminho entre a piscina e o castelo percorria a beira de um penhasco e oferecia paisagens belíssimas da baía de Castellano Estate. A cor do mar refletia o azul do céu, e as flores do campo acresciam na beira do caminho, fazendo um lindo contraste.

Estava se apaixonando pela Sicília. Tentou ignorar a voz que dizia que não era pela Sicília que tinha se apaixonado.

Com a mente em Salvatore, mal percebeu o homem que estava no mesmo caminho que ela. Achava que vinha da praia. Estava acostumada a ver os empregados da propriedade Castellano por todo lugar e não teria desconfiado se o homem não tivesse olhado por sobre o ombro. Ficou visivelmente surpreso quando a viu e tomou o caminho para a praia. Ela reconheceu-o como o homem que vira discutindo com Lydia em Taormina. Mas se Ettore Varsi trabalhava na Castellano, Salvatore teria dito.

Ainda estava pensando no homem quando chegou ao castelo. Quando entrou no frescor do hall, seus pensamentos se voltaram para o jantar à noite. Salvatore disse que era um jantar de negócios com importadores de vinho do leste europeu a quem esperava persuadir a vender o vinho Castellano. Parecia uma ocasião formal e Darcey ficou imaginando o que vestir. Certamente, o vestido branco de verão que estava vestindo não daria.

Pediria o conselho de Armond. Fizera amizade com o mordomo que aprecia pertencer à Torre d’Aquila o mesmo tempo que Salvatore.

Armond geralmente estava na sala de jantar, mas quando entrou ficou surpresa de ver Lydia, parada junto ao armário em que estava a prataria.

— Oh, pensei que todos estivessem fora — disse Lydia rapidamente.

Ela parecia agitada. Principalmente quando Darcey olhou para a caixa de rapé de prata aparecendo em uma sacola no chão.

— Estava pegando algumas pratarias para levar para polir — explicou. — Minha filha gostava de que tudo fosse bem cuidado no castelo, e agora que ela não está mais aqui, combinei com Salvatore de ficar responsável pela manutenção das antiguidades do castelo. Adriana adorava o castelo assim como Salvatore.

Mesmo assim, a única memória que ele tinha da mulher era que ela não gostava de morar ali. Darcey não disse isso para Lydia.

— Estava procurando por Armond — murmurou.

— É a tarde de folga dele. — Lydia empurrou a caixa na sacola e fechou o zíper. — Só voltará para o jantar.

Pouco antes das 20h, Darcey entrou no salão onde sabia que seriam servidos os coquetéis. Nenhum dos convidados havia chegado e esperava que se Salvatore não achasse seu vestido adequado, que tivesse tempo para se trocar.

Ele estava parado no bar de smoking preto e sexy demais. Ela percebeu que fizera a barba. Sem seu costumeiro sombreado, seu maxilar parecia mesmo de pirata e mais de um magnata bilionário.

Ele a observou entrar e seu silêncio dizia tudo.

— Meu vestido está demais, não está? — disse lamurienta. — Não tinha certeza da formalidade do jantar, mas não resisti em usar esse vestido de festa que comprei para levar para França. — Rumou para a porta. — Vou trocar.

— Não ouse! — rosnou Salvatore.

Cruzou a sala com uma velocidade surpreendente, considerando sua perna machucada e bloqueou a saída dela.

— Você está linda!

Ele a estudou em um vestido longo de seda lilás que flutuava por suas suaves curvas. Era sem alças, deixando à mostra seus ombros e o declive de seus seios. Sua pele cremosa estava suave com uma fina porcelana.

Ele balançou a cabeça lentamente.

— Você está sempre linda! Mas, essa noite, está de tirar o fôlego, mia bella. Seu vestido é perfeito. Ele prendeu o olhar dela e o coração de Darcey batia freneticamente. Você está perfeita, doce vestido, e vou passar o jantar todo fantasiando sobre o corpo maravilhoso sob seu vestido.

Ela corou e desejou ter uma resposta audaciosa.

— Queria que não me provocasse — murmurou.

— Santa Madre! Acha que estou provocando? — Sua voz ficou profunda.

— Nunca falei tão sério em minha vida, nem desejei uma mulher como desejo você. — O maxilar de Salvatore endureceu quando vislumbrou a incerteza nos olhos dela. — Gostaria de conhecer seu ex-marido e dizer a ele o que penso de ter magoado você dessa maneira.

Darcey mordeu o lábio.

— Fui tola em confiar em Marcus. Talvez seja tola em confiar em você, também — disse com voz rouca. — Lydia falou que você nunca vai amar outra mulher depois de Adriana e que seus romances não significam nada. Eu... eu não acho que conseguiria dormir com você sabendo que aos seus olhos não sou nada.

Suas palavras estraçalharam com a consciência de Salvatore. Era verdade que alguns romances eram só conduzidos no quarto. Sexo sem ligação era bom quando as duas partes concordavam, e ele sempre assegurava que sua amante não tivesse ilusão de que teriam um relacionamento, mas Darcey era diferente de seus romances casuais.

— Não é verdade que não significa nada para mim — disse áspero. — Eu a respeito e admiro.

Os sentimentos soaram vazios até mesmo para seus ouvidos. A frustração tomou conta dela, enquanto lutava com a vontade de tomar Darcey nos braços e mostrar como sexo casual podia ser bom.

Armond surgiu para informar que os convidados haviam chegado.

Salvatore odiava festas e hoje queria mandar os convidados embora. Mas seu pai, Tito tinha lhe ensinado sobre o dever e a ética no trabalho. Sufocado pela irritação, instruiu o mordomo a fazê-los entrar.

— Continuaremos a conversa mais tarde.

Sua boca rosada de gloss era uma tentação irresistível e ele pousou seus lábios rapidamente sobre os dela em um beijo que pedia mais.



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