Os segredos de um homem poderoso secrets of a powerful man



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CAPÍTULO 10

Salvatore sentiu um lampejo de prazer ao cruzar o gramado e ver Darcey sentada sob o guarda-sol. Vestia um vestido soltinho branco que mostrava seu bronzeado dourado. Seu cabelo chanel acobreado emoldurava seu rosto e ela parecia elegante, inocente e incrivelmente sexy, tudo ao mesmo tempo.

Sua sensação de bem estar aumentou quando se inclinou para beijá-la.

— Você parece permanentemente amarrada ao seu laptop.

Seu tom leve não disfarçou sua curiosidade sobre o motivo dela passar grande parte de seu tempo livre no computador.

Darcey considerou explicar, nas últimas semanas, que estava estudando o papel que teria na peça do pai, mas falar a respeito tornaria isso real e, pelo bem de seus nervos, preferia não pensar na noite de estreia. Além de estudar a peça, ela tinha escrito uma proposta comercial que esperava pudesse convencer o banco a dar um empréstimo para abrir o consultório particular.

Salvatore olhou sobre o ombro dela para as colunas de números na tela.

— Preciso que o banco se impressione com meu plano de negócios para que concorde com um empréstimo para cobrir as despesas iniciais para abrir uma clínica particular de fonoaudiologia — disse a ele. — Nunca tive negócio próprio antes e isso tudo é bem intimidador.

— Posso dar uma olhada em sua proposta se quiser. Estou ocupado no momento com a colheita da uva, mas não tem pressa, tem? Achei que fosse começar a planejar seu negócio no ano que vem.

A expressão de Salvatore ficou fechada, para que Darcey não tivesse ideia do que estaria pensando. Ficou se perguntando por que se oferecera para olhar quando não estava interessado. Seu tom era frio, lembrando-a de quando o conheceu.

— Preciso ter tudo pronto. O tempo passa rápido. Já é setembro e preciso ir para casa no fim do mês. — Sentiu um aperto no coração com esse pensamento.

— Estava pensando em quem poderia empregar para me substituir no tratamento de Rosa — disse rapidamente num esforço para disfarçar. Uma colega com quem trabalhava se aposentou no ano passado, mas ela ainda atua por conta.

Pamela não tem família e tenho certeza de que concordaria em vir à Sicília e trabalhar com Rosa.

— Discutiremos esse assunto outra hora — disse Salvatore com uma voz evasiva. — Rosa disse que vai ficar na Casa Camelia por alguns dias, enquanto vou a Roma para uma reunião de negócios?

— Sim, está bem empolgada para ficar com o primo. — Darcey olhou com tristeza para ele. — Se tivesse me pedido, teria ficado com ela com prazer. Não sabia até ela me contar no café da manhã.

Ela não conseguia esconder a mágoa em sua voz por Salvatore não ter falado anda. O desejo dele não mostrava sinais de desaparecer e faziam amor todas as noites com ternura e paixão.

Ele tirou uns fios de cabelo do rosto dela e sua expressão suavizou.

— É porque Rosa jurou segredo. Eu combinei de ela ficar com Sergio e Kristen porque você vai para Roma comigo.

O calor nos olhos dele fez a pulsação de Darcey acelerar.

— Por que me levaria em uma reunião de negócios?

— Vou deixá-la enquanto encontro com meu gerente de exportação, mas a reunião não durará mais de duas, três horas, tempo suficiente para você ver as vitrines de sapatos na Via Condotti. Almoçaremos em um restaurante e passaremos a tarde explorando a cidade. Ouvi você falando para Armond que adoraria ver o Coliseu.

— Mas e a colheita? Você não tem tempo de me levar para fazer turismo.

— Sempre tenho tempo para você, carissima.

Salvatore não resistiu à tentação de beijá-la novamente.

— Vai ser bom passarmos um tempo juntos. Tem uma coisa que quero falar com você.

Independentemente do que fosse, parecia sério, pensou nervosa.

— Rosa já foi para Casa Camelia. Temos tempo para conversar agora.

— Não, não temos. Sairemos de helicóptero em 15 minutos.

— Mas preciso fazer as malas.

Ela ficou em pé e estava prestes a sair correndo, mas Salvatore a segurou pela cintura.

— Já está tudo pronto. Pedi à empregada que arrumasse suas coisas. Tudo o que precisa é relaxar e aproveitar. Você trabalhou tanto com Rosa e a fala dela está melhorando muito rápido. Essa viagem é um modo de mostrar o quanto aprecio tudo o que você fez por minha filha e por mim — disse Salvatore, a voz rouca pela emoção. — Nos próximos dias e noites, pretendo devotar-me a você, mia bella. Especialmente as noites — acrescentou.

Foi a primeira visita de Darcey a Roma e ela descobriu um cidade cosmopolita e frenética com uma herança histórica fascinante.

Saindo do quarto do hotel, ele a pegou nos braços e a beijos, como se estivesse relutante em deixá-la.

— Vou cancelar minha reunião.

— Não vai, seu negócio é importante.

— Ela o afastou e pensou que sentiria falta dele, mesmo que por pouco tempo.

— Ficarei esperando por você — disse ela, com um sorriso doce.

Na hora do almoço, ela encontrou o restaurante perto dos Degraus Espanhóis, onde combinaram de se encontrar, e foi avisada que Salvatore ainda não chegara, mas que a mesa estava pronta. Enquanto seguia o garçom até um pátio lindo cheio de rosas e flores de laranjeira, ela ficou pensando que a reunião tinha atrasado, mas ficou feliz em sentar-se e beber uma limonada enquanto estudava a clientela do restaurante.

Era um lugar popular onde os romanos comiam. As mulheres eram sofisticadas e a maioria dos homens usavam ternos e pareciam empresários de sucesso. Por exemplo, o homem que entrou no pátio. Ele estava impecavelmente vestido com um terno cinza pálido e uma camisa de seda azul escura e era tão lindo que não tinha como não o notar. Seu cabelo preto era brilhoso e curto, salientando as maçãs de seu rosto e seu maxilar quadrado.

O coração de Darcey parou quando o homem foi em sua direção e ela percebeu que lhe era familiar.

Desculpe, estou atrasado, carissima.

Ela não tirava os olhos dele.

— Você está... — Darcey queria dizer “diferente” — lindo — completou com voz rouca. — Por que cortou o cabelo?

O sorriso dele a enlouquecia.

— Decidi que estava na hora de mudar. Finalmente deixei o passado para trás. Estava na hora de recomeçar e olhar para o futuro.

— Estou feliz por você.

Era verdade, mas Darcey sentia como se uma flecha tivesse atingido seu coração quando pensou no futuro. Em algumas semanas voltaria para Londres e talvez nunca mais visse Salvatore. Ele não tinha sugerido que queria continuar com o romance e, de qualquer maneira, um relacionamento a distância seria difícil.

Disse a si mesma para aproveitar o momento que tinha com ele, mas seu apetite desapareceu. Depois do almoço, quando passearam por Roma, visitando os pontos turísticos populares, ela percebeu os olhares interessados das outras mulheres e sentiu ciúmes. Se as esperanças de Salvatore para o futuro incluíam casar-se de novo, teria bastantes candidatas.

Voltaram ao hotel no início da noite.

— Reservei uma mesa para jantarmos aqui no restaurante do hotel às 20h — disse Salvatore enquanto seguia Darcey no quarto da suíte luxuosa.

Ele a observou chutar os sapatos e franzir a testa quando percebeu que o rosto dela estava pálido.

— Por que não deita um pouco? Estava quente na rua e você deve estar cansada.

Salvatore fora um guia maravilhoso. Darcey não queria que pensasse que não tinha apreciado. E não era culpa dele ela ter se apaixonado tão forte que o pensamento de deixá-lo estava acabando com ela. Ela forçou um sorriso.

— Não estou cansada.

O coração dela bateu forte quando ela a abraçou.

— Nesse caso, você precisa realmente se deitar, cara — murmurou ele. — Temos algumas horas antes do jantar e tenho uma ótima ideia de como podemos usar nosso tempo.

Salvatore beijou-a rapidamente, mudando de gentil para apaixonado quando Darcey correspondeu. Ela não conseguia resistir, nem quando sabia que em breve não faria mais amor com ele. Voltaria a Londres e ficaria no castelo, livre do passado.

Talvez você devesse contar a Salvatore como se sente a respeito dele, soou uma voz em sua cabeça. A ideia deu um nó no estômago de Darcey.

Salvatore sempre soubera que ela ia para casa no final de setembro e nunca pediu para ficar. Não estava mais preocupada com a ex-mulher. Ele admitia que nunca estivera apaixonado por Adriana. Isso a preocupava. Salvatore revelou que não conseguia ficar próximo a alguém devido à sua infância. Se sentisse algo por ela, estava bem escondido.

Ele levou as mãos às costas dela e abriu o fecho de seu vestido, que deslizou para o chão.

Dio, tem ideia do que faz comigo? — falou com voz rouca. — passei o dia querendo abraçá-la assim, despi-la e sentir sua pele nua.

Salvatore devia ser o mestre em esconder as emoções, mas seu desejo não disfarçado era um bálsamo para o coração quebrantado de Darcey. Ela o ajudou com suas roupas com uma ânsia desavergonhada e caíram na cama em um entrelace de membros, respiração ofegante, enquanto se tocavam e acariciavam, até que a puxasse para baixo dele.

Fizeram amor com ardor e rápido, chegando juntos ao clímax. Um pouco depois, ficou de costas e a conduziu para ele. Dessa vez o amor foi mais lento e mais intenso, e quando Salvatore gemeu e enterrou seu rosto no pescoço de Darcey, ficou pensando no que estava acontecendo com ele.

— Não quero que sua amiga aposentada a substitua.

Darcey estava meio adormecida, o corpo relaxado. Salvatore fez amor com ela com tanta ternura que seus olhos ficaram marejados de lágrimas e seu coração cheio de amor.

Ela abriu os olhos e o viu apoiado no cotovelo, inclinado sobre ela. Ela não se cansava de admirá-lo de cabelo curto e barba feita. Mas a grande mudança estava na ternura de seus olhos. Ele era tão frio quando se conheceram Mas agora parecia relaxado e incrivelmente sexy.

Ela tentou se concentrar no que dizia.

— Pamela Dickens tem anos de experiência em fonoaudiologia e é muito amável. Acho que Rosa vai gostar dela — disse, achando que estava preocupado com a reação de Rosa à nova terapeuta.

— Você não entende.

Ele baixou o olhar e algo na expressão dele fez o coração de Darcey parar.

— Não quero que volte para Londres. Quero que fique em Torre d’Aquila com Rosa e comigo.

— Salvatore... Ela foi interrompida quando colocou seu dedo sobre seus lábios.

— Eu ia falar isso no jantar, mas como sempre você virou meus planos de pernas para o ar — disse ironicamente. — Sei que quer seu consultório particular, mas talvez pudesse esperar mais um pouco. Entendo que sua carreira seja importante para você. Sua voz ficou profunda. — Mas você é importante para mim, Darcey.

Salvatore sentia o próprio coração bater descompassado. Ele não se lembrava de se sentir assim nervoso antes e não era uma experiência confortável. Mas percebia que não podia deixar Darcey ir embora de sua vida.

— Tem algo de especial entre nós. Eu acho — disse ele. — Esperava que também sentisse, carissima.

A respiração de Darcey ficou presa nos pulmões e a voz era um sussurro.

— O que está querendo dizer?

— Estou perguntando se quer viver no castelo comigo em vez de voltar à Inglaterra e vamos ver como nossa relação se desenvolve.

A mão dele tremia quando tirou o cabelo do rosto dela. As emoções que causava nele eram diferentes de tudo o que já sentiu por qualquer outra mulher.

— Não quero saber o que nos espera — disse com honestidade. — Tudo o que sei é que antes de conhecer você, eu não pensava no futuro, mas não quero um sem você.

Não era uma declaração de amor, mas a confissão de Salvatore de que ela era especial era mais do que ela esperava. Era o bastante para mudar seus planos e deixar tudo para se mudar para Sicília? Poderia ser a grande aposta de sua vida, reconheceu. Mas se ela fosse embora sem dar uma chance ao relacionamento deles, ela se arrependeria o resto da vida.

Ela passou os braços ao redor de seu pescoço e beijou-o.

— Eu fico com uma condição.

Os ombros dele ficaram tensos.

— E qual é?

— Que prometa fazer amor comigo da maneira linda como fez minutos atrás ao menos uma vez por noite.

Salvatore sentiu uma suave batida em seu coração enquanto olhava para os olhos verdes de Darcey.

— Dou minha palavra, cara. — Ele abriu um sorriso, sentindo-se mais livre do que já sentira. — E tem uma grande possibilidade de nas manhãs e nas tardes.

A ternura entre eles era nova para ele.

Sua criação ensinara-o a não analisar as emoções, mas se tivesse que descrever como se sentia, feliz resumiria perfeitamente.

— Ainda tenho que ir para casa por alguns meses — disse Darcey lamuriosa.

— Não posso desapontar meu pai. Mas volto depois para a Torre d’Aquila.

Ela hesitou.

— Depois do que?

Salvatore roçou seus lábios no pescoço dela. Ele não queria falar, queria fazer amor com ela, mas algo no tom dela fez com que erguesse a cabeça e olhasse para ela.

— Por que precisa voltar a Londres?

— Bem.


Darcey respirou fundo. Salvatore seria a única pessoa fora da família que saberia que teria um papel na peça do pai e isso seria uma medida do quando confiava nele e se sentia confortável com ele.

— Vou ser a protagonista em uma peça que meu pai escreveu. Você deve ter ouvido falar no ator e dramaturgo Joshua Hart?

Salvatore franziu a testa.

— Ele é um ator shakespeariano famoso. Eu o vi no papel de Hamlet no Globe Theatre no ano passado, quando estava em Londres. — Olhou-o confusa.

— A família Hart é bem conhecida no mundo do teatro. Mas o que isso tem a ver com você?

— Joshua é meu pai. Hart é meu nome de solteira.

Ele ficou olhando para ela. Seu cérebro parecia ter congelado. Não conseguia raciocinar.

— Você está me dizendo que sua família é de atores. E que vai atuar em uma peça?

Não fazia o menor sentido. Ela era fonoaudiologia, pelo amor de Deus!

Sentou-se e passou a mão pelo cabelo.

— Deixe-me ver se entendi. Você vai me deixar porque quer seguir a carreira de atriz. — Ele deu uma risada amarga. — Bem, não há nada de novo aqui. Primeiro, minha mãe me deixou porque sonhava em tornar-se uma estrela de cinema, depois, minha mulher e agora você.

— Não, não é nada disso — disse Darcey.

Já tinha passado pela cabeça dela que Salvatore ligaria sua decisão com a determinação da mãe e de Adriana de serem atrizes. Mas agora ela se sentia culpada por não ter contado sobre sua ligação com o teatro.

— Não quero ser atriz de cinema. Nem mesmo sou atriz, embora já tenha atuado quando mais jovem. Decidi que queria uma carreira diferente do resto da família. — A voz falhou quando ela o viu levantar-se da cama e colocar a calça. Seu maxilar estava duro, e ela não entendia por que estava tão furioso. A felicidade que sentira há alguns minutos estava se esvaindo como um relógio de areia. — Concordei com esse papel em particular porque a peça tem a ver com minha avó e é muito pessoal para meu pai — explicou apressada. — Serão apenas dois meses de apresentação.

— O que acontecerá se a peça for um sucesso e continuar?

— Suponho que outra atriz vai assumir o papel principal.

— E seu pai não vai persuadir você a continuar? Tem uma peça em West End que está sendo encenada há 20 anos.

— Acho que é improvável que a peça de papai seja um sucesso como The Mousetrap. — Darcey suspirou. — Olhe, sei que isso foi inesperado.

— No mínimo — disse Salvatore com sarcasmo. — Por que não disse nada antes? Você manteve em segredo deliberadamente. Mentiu, inclusive, quando perguntei o que seus pais faziam para viver. Disse que eles tinham o próprio negócio.

Ela corou.

— Não menti. Meus pais administram uma companhia de teatro chamada Speak Out, que faz apresentações à comunidade de surdos. Quando era jovem, costumava atuar com a companhia. Meu pai ficou desapontado quando decidi largar. Concordei com essa peça porque, bem, para ser honesta, queria agradar a ele — admitiu Darcey. — Papai e eu temos uma relação meio instável desde que decidi estudar fonoaudiologia ao invés de ir para a escola de teatro. Esperava que trabalhando juntos nos aproximasse.

Os olhos de Salvatore estavam sombrios.

— Todo esse tempo você escondeu quem realmente era.

— Não contei porque já tive experiências ruins em que as pessoas tentavam ser minhas amigas porque meu sobrenome é Hart. Isso aconteceu com meu ex-marido.

Respirou fundo. Nunca disse a ninguém essa verdade humilhante, mas queria ser honesta com Salvatore.

— Marcus é ator que vislumbra o estrelato. Ele me disse estava apaixonado, mas descobri depois do casamento que achou que ter Joshua Hart de sogro alavancaria sua carreira.

— Então você não confiava em mim?

As palavras de Salvatore caíram no quarto como uma chuva de granizo.

— Eu...

Darcey engoliu em seco, incapaz de negar a acusação.



Dio! — explodiu ele. — Eu me virei do avesso e despi minha alma, e você não pode nem mesmo me contar seu maldito nome?

— Desculpe — murmurou ela. — Depois do que Marcus fez, não consegui mais confiar nas pessoas. Mas confio em você e quero muito voltar para a Sicília quando a peça tiver terminado e... viver com você e Rosa.

— Você diz agora que vai voltar, mas minhas experiência passadas sugerem que a luxúria da fama é difícil de resistir — disse com amargura. — Talvez ache chato viver num castelo depois de estar no palco.

Seu maxilar endureceu.

— Minha mãe me abandonou quando eu tinha 5 anos porque queria ser uma estrela de cinema famosa, e pela mesma razão, minha mulher planejava abandonar nossa filha. Rosa já está bem próxima a você. Como pode simplesmente ir embora e deixá-la achar que não se importa? Talvez você não ligue a mínima para ela.

Talvez Darcey estivesse encenando esse tempo todo, pensou Salvatore. Talvez seu sorriso macio e a maneira com que sussurrava seu nome quando fazia amor com ela não eram sinais de que se importava. A percepção do quanto se importava o atingiu em cheio, deixando-se sem fôlego.

— É claro que me importo com Rosa — disse Darcey com veemência. — Então por que vai abandoná-la?

Por que vai me abandonar?

A pergunta não verbalizada martelava em sua mente e lembranças de infância voltavam rapidamente. Lembrou-se de quando tinha 5 anos. Do pai contando que a mãe tinha ido embora e levado o irmão gêmeo junto.

Salvatore não tinha acreditado. A mãe já tinha ido embora antes, para atuar em filmes, mas sempre voltava. Subiu as escadas correndo até o quarto dela e abriu os armários. Vazios. As roupas de Patti não estavam mais ali, tudo o que restava era o perfume no ar. Até hoje, a fragrância de lírios deixa um nó em sua garganta.

Ele foi atrás de Sergio, para dizer que mãe os abandonara. O pai devia estar pregando uma peça, quando disse que o irmã fora junto. Mas Sergio não estava no berçário nem no jardim Salvatore procurou por toda a propriedade e se sentiu sozinho, abandonado, como que quebrando.

Mas não quebrou. Corações não quebram, é apenas uma expressão.

— Você não está sendo justa com Rosa. Mesmo que volte depois da peça, vai embora de novo se surgir outra. Ela já teve bastante instabilidade na vida. Não posso arriscar magoá-la.

— Juro que isso não vai acontecer.

— Então diga ao seu pai que não vai fazer o papel.

— Não posso fazer isso. Prometi a ele e não vou desapontá-lo.

— Mas não se importa de me desapontar? — disse Salvatore asperamente. — Alguns minutos atrás, você concordou em focar e dar uma chance ao nosso relacionamento, mas está determinada a colocar os desejos de seu pai acima dos meus.

— Não é pelo meu pai — admitiu Darcey. — Quero fazer a peça por mim. Sempre fui insegura, diferente do resto da minha família. Depois do divórcio, fiquei ainda pior porque o Marcus me fez de idiota. A peça é uma oportunidade de provar a mim mesma que posso ser forte e corajosa e encarar meus medos. Mas nada se compara à coragem de minha avó durante a guerra e me sinto honrada por meu pai ter me escolhido para contar a história dela.

Ela encontrou um olhar amargo em Salvatore e seu coração sucumbiu.

— Prometo que vou voltar para você.

Ela sentia que colocava barreiras e a deixava de fora.

— A confiança é uma via de mão dupla — disse ela calmamente. — Você precisa confiar que vou manter minha palavra, e se não puder, pois bem.

— Pois bem o quê, Darcey? — desafiou-a.

A pergunta ficou no ar. Darcey lembrou-se do alerta de Kristen de que os homens Castellano eram teimosos.

Parecia que Salvatore queria um relacionamento com ela, mas dentro dos próprios termos e não estava preparado para se comprometer.

— Se não pode confiar em mim, não há futuro para nós.

A boca dela ficou seca com o medo de estar matando seu relacionamento. Se ela concordasse em largar a peça, tudo ficaria bem, mas o que aconteceria quando divergissem sobre algo? Ela teria que ceder a ela para manter a paz?

Salvatore tinha personalidade forte e, às vezes, ela se sentia oprimida. Ele poderia facilmente a dominar e ela estava com medo por amá-lo desesperadamente. Percebeu que queria agradar a ele, assim como sempre quis agradar ao pai. A verdade era que precisava se afastar por um tempo enquanto analisava os sentimentos por ele. Mas, embora soubesse que era a coisa certa a fazer, sofria com a ideia de deixar a ele e Rosa, mesmo que por algumas semanas.

— Já expliquei por que fazer a peça é importante para mim — disse ela com voz rouca. — Mas se você não pode nem mesmo esperar por mim por dois meses, fico pensando se sou realmente tão especial quanto você disse ou se é apenas uma fala que usa com suas amantes.

Salvatore enrijeceu. Então ela ia mesmo embora? Não deveria ficar surpreso, disse a si mesmo. Ela nunca se importou com ele. Que sorte que não tinha dito a ela que ele... Dio!Que idiota que foi por pensar que ela poderia amá-lo.

Ele deu de ombros.

— Parece que nenhum de nós foi completamente honesto, não é, cara?

Ele usou a palavra de carinho como um insulto. Era impossível acreditar que seus olhos já tinham brilhado de paixão.

Ela sentia-se entorpecida olhando-o sair pela porta.

— Aonde vai?

— Preciso de ar.

Ele olhou para ela e suas feições duras não se alteraram quando viu o lábio dela tremer.

— Você precisa fazer uma escolha, Darcey. Fique comigo ou vá embora para sempre.



CAPÍTULO 11

Ele caminhava sem rumo. As multidões nas ruas estavam diminuindo com a noite. os restaurantes e bares estava cheios. Na Fontana di Trevi, viu um casal abraçado, esquecidos do mundo. Aproveitem enquanto durar, pensou com cinismo. E sua dor só aumentava.

Quando chegou ao rio, o sol já estava se pondo e as luzes da orla projetavam uma luz dourada à água escura. Havia paz aqui. Solidão para um homem que estava sempre sozinho. Talvez fosse seu destino, mas parecia uma maldição.

Reduziu o passo enquanto se lembrava das últimas semanas, quando não se sentiu sozinho. Darcey tinha iluminado o castelo e sua vida com seu belo sorriso e alegria de viver. Nunca rira tanto desde que ela chegara à Torre d’Aquila. Nunca tinha rido tanto até a conhecer. Não sabia o que significava fazer amor até a fitar nos olhos quando seus corpos se tornavam um. Sentia-se completo pela primeira vez na vida.

Continuou caminhando, mas sem a mesma urgência, sem raiva. Por que estava tão furioso por ela voltar para Inglaterra por algumas semanas? perguntou-se. Ela disse que atuar na peça do pai era importante para ela e, ao invés de se mostrar compreensivo, tentou manipulá-la.

A verdade era que tinha medo de que ela não voltasse. Tinha medo de se machucar. E, para disfarçar, disse coisas horríveis e disse a ela que escolhesse entre o que ela queria e o que queria. Ao invés de abrir seu coração, tinha dado um maldito ultimato.



Madonna, o que tinha feito? Virou-se e começou a caminhar de volta ao hotel.

— Se não confia em mim..

As palavras dela ecoavam em sua cabeça. É claro que confiava. Ela tinha provado muitas vezes que mantinha sua palavra. Ele tinha trabalhado diligentemente para ajudar sua filha a falar e sua paciência e cuidados já transformaram Rosa em uma criança alegre e confiante. O coração dele se apertou. Darcey não abandonaria Rosa e também não o abandonaria, mas temia que ela tivesse ido embora.

Começou a correr, ignorando a dor na perna. Correr todo o caminho de volta ao hotel. Quando entrou na suíte e viu que o armário em que ela pendurara as roupas estava vazio, a dor em seu coração quebrantado se transformou na pior agonia que já tinha experimentado e o cheio de jasmim e rosas antigas trouxeram um nó à sua garganta.

O pai de Darcey dissera certa vez que se sentar sozinho no camarim minutos antes de subir ao palco eram os momentos mais longos e mais solitários na vida de um ator. Agora ela sabia como essas palavras eram verdadeiras, enquanto observava os ponteiros do relógio moverem-se dolorosamente lentamente.

Os nervos dela estavam à flor da pele e ela só queria superar a primeira noite. Devia estar louca quando concordou com isso. Devia estar louca por se afastar de Salvatore. Ela o amava, então por que não ficou?

Porque não a ama, disse a voz em sua cabeça. Ele provou isso quando pediu que escolhesse.

— Fique comigo ou vá embora para sempre.

As semanas voaram desde que chegou em Londres. Estava grata pelos ensaios tomarem tanto do seu tempo, assim não pensava em Salvatore. Mas a coisa ficava diferente quando ia para casa todas as noites. Ela passou os primeiros dias com esperança de que ligasse. Essa esperança passou logo e sua raiva com a intransigência dele também sumiu. Agora ela se sentia culpada por não ter falado antes sobre a peça e seu coração pesava no peito.

O pai tinha comentado sobre sua perda de peso, que a deixara esquelética, enquanto suas noites em claro ficavam evidentes em suas olheiras.

— Sei que sua avó geralmente ficava sem comida quando trabalhava para a Resistência Francesa e louvo sua dedicação de retratar Edith com realismo, mas realmente quero que você coma adequadamente — disse Joshua preocupado.

Salvatore poderia retirar sua acusação de que ela ansiava pela fama e glamour se a visse no casaco sem graça que ela usava a maior parte de sua atuação, pensou Darcey com tristeza. A peça não era uma produção de West End e estava sendo encenada em um teatro de periferia em Islington. Mas uma peça de Joshua Hart era certa que atrairia o interesse da mídia e Darcey sabia que vários críticos estavam na plateia.

Uma batida na porta provocou uma câimbra seu estômago devido aos nervos. Respirando fundo, conseguiu sorrir para a assistente de palco.

— Isso foi entregue para você — disse ele, entregando-a uma caixa de papelão.

Sua família já havia enviado flores para desejar boa sorte. Darcey abriu a caixa e viu uma única rosa vermelha.

— Sabe quem enviou? — perguntou ela trêmula. — Não tem cartão.

Ele balançou a cabeça

— Só sei que alguém deixou na mesa da entrada alguns minutos atrás. A peça já vai começar. — Ele sorriu para ela. — Está pronta, Srta. Hart?

Ela ergueu a rosa e cheirou seu perfume delicioso.

Estranhamente, ela não se sentia mais nervosa. Ela conseguiria. Pelo pai, mas, principalmente, por si mesma.

— Sim — disse com firmeza. — Estou pronta.

— Sabia que os críticos da maioria dos jornais estiveram aqui essa noite e todos fizeram comentários fantásticos sobre sua atuação? — Joshua Hart disse a Darcey conduzindo-a pela sala cheia onde acontecia a festa após o espetáculo. — Sempre soube que você é uma atriz talentosa. Está no sangue. E essa noite provou que é uma verdadeira Hart. — Seu tom ficou sério. — Você teria uma carreira maravilhosa. Mas não é o que quer, não é? — disse intuitivamente.

Darcey balançou a cabeça.

— Estou feliz com a carreira que escolhi. Desculpe, papai.

Ele olhou-a surpreso.

— Não tem que se desculpar. Estou orgulhoso de você e do trabalho que faz. — Ele olhou-a com atenção. — Está tudo bem? Sua mãe achava que tinha um cara na Sicília.

— Estou bem — disse apressada.

Não era verdade, é claro. Ao subir no palco e procurou na primeira fila, ela estava longe de estar bem Suas esperanças de ser Salvatore quem enviou a rosa vermelha e veio assistir à peça foram destruídas. Fora estúpida em achar que usaria o ingresso que lhe enviara.

O bilhete que enviou junto, para o castelo, foi sua única comunicação com ele desde sua explosão em Roma. Furiosa com sua atitude inflexível, desceu direto para a recepção do hotel e conseguiu pegar o próximo voo para Londres.

Se tivesse ficado, conseguiria discutir racionalmente depois que as coisas esfriassem? Nunca saberia.

A festa terminou e a perspectiva de ir para casa vazia, nessa noite úmida de novembro, era tão deprimente que resolveu ficar até a última pessoa ir embora do teatro.

Caminhou pelo palco e olhou para a plateia vazia. Não havia ninguém para ver suas lágrimas. Tinha muito que aguardar ansiosamente. O banco concordou com o empréstimo e no ano novo procuraria um local para sua clínica.

Ouviu passos no teatro vazio. Alfred, o zelador, provavelmente queria fechar.

— Achei que iria celebrar seu sucesso. A voz conhecida rasgou seu coração.

Os olhos se abriram e ela piscou para ver melhor.

— O que está fazendo aqui?

Salvatore saiu das sombras e Darcey sentiu uma pontada aguda de consciência física enquanto estudava suas feições esculpidas. Seu cabelo estava curto, como da última vez, e o sobretudo de lã cinza sobre a camisa de seda preta salientava seu porte atlético. Ele parecia menos um pirata e mais um bilionário.

— Onde mais estaria? — murmurou. — Não perderia sua estréia.

— Não foi a impressão que deu em Roma.

Ela secou as lágrimas, sem saber que Salvatore sentiu um nó no estômago quando viu a mão dela trêmula.

— Fui um idiota em Roma.

Ele caminhou pelo corredor central da plateia e Darcey percebeu que mancava bastante.

— Sua perna?

— Ele deu de ombros. — O tempo úmido faz o diabo com os pinos de metal no meu osso, mas vou sobreviver — disse secamente. — A noite de estreia de sua peça coincidiu com uma viagem que planejei fazer a Londres. Estou vendendo a casa em Pari Lane.

— Suponho que não tenha motivos para mantê-la agora que Rosa não precisa mais ver um fonoaudiólogo no hospital.

Eu pretendo comprar outra casa, de preferência nos arredores de Londres. Estou procurando por uma casa de família. — Olhou-o zombeteiro. — Com menos mármore e um jardim para Rosa brincar. Ela sente sua falta — disse calmamente.

Darcey mordeu o lábio.

— Eu também sinto.

— Na verdade, tenho uma lista de propriedades para ver — continuou Salvatore. — Estava esperando que as visitasse comigo.

Ficar tão perto dele era uma tortura. Darcey fechou os olhos e sentiu as lágrimas sob seus cílios.

— Tenho certeza de que um corretor o aconselhará melhor do que eu. — Sua voz falhou. — Olhe, não sei por que quer comprar uma casa em Londres quando sua casa e seu coração estão na Sicília.

Ela não conseguia parar de chorar e se sentia uma idiota. Furiosa, consigo mesma, ela foi para os bastidores. Mas Salvatore pulou para o palco e a segurou, virando-a para si. Seu olhar ardente a fez perder o fôlego.

— Meu coração está onde você estiver — disse com intensidade. — Vou comprar uma casa na Inglaterra para você, carissima, para nós, se me quiser.

— Não entendo. — A voz dela estava sufocada pelas lágrimas. — Você estava furioso. Entendo por que se sentiu traído. Eu deveria ter contado sobre minha família. Deveria ter confiado que você não era parecido com Marcus. Mas no passado, as pessoas se aproximavam justamente devido à minha família e gostava do fato de você me querer por quem sou.

Salvatore respirou fundo.

— Quando você disse que estava voltando para Londres para ser atriz, senti como se a história estivesse se repetindo. Tudo o que conseguia pensar era que você ia me deixar, como minha mãe deixou e como Adriana planejava fazer, porque a vida que oferecia na Sicília não era excitante como uma carreira de estrela de cinema.

Doeu saber que você tinha segredos para mim — admitiu ele. — Fico envergonhado em dizer que minha raiva me fez magoar você. Depois que saí do hotel, me arrependi da maneira como me comportei, principalmente pelo ultimato. Fui um imbecil arrogante e percebi que precisava pensar muito sobre nós e como me sentia com relação a você.

Ele secou suas lágrimas gentilmente. O coração de Darcey deu um salto quando viu a expressão suave dele. Como se sentia em relação a ela? Recusou-se a permitir que tivesse esperança só porque fora vê-la. Desejava que fosse honesto, mesmo que isso significasse dizer que não haveria futuro para eles. Assim, poderia ir embora e deixá-la sozinha para lidar com seu coração partido.

— Quando voltei ao hotel e descobri que tinha ido embora, ficou claro que você tinha feito sua escolha. Eu sabia que o único culpado era eu. — A voz de Salvatore falhou ao recordar-se do sentimento dilacerante quando descobriu que ela o tinha deixado. — Desde então, estou arquitetando tudo. Coloquei um gerente para administrar a vinícola e estou ajudando o pessoal do castelo a encontrar novos empregos. Somente Armond vai ficar para cuidar da Torre d’Aquila.

Darcey olhou-a surpresa.

— Mas... por que não vai morar lá? Você adora o castelo e os vinhedos.

Você me contou que pertence àquela terra e que nunca viveria em outro lugar a não ser no castelo.

— A Torre d’Aquila está triste desde que você se foi. É apenas uma pilha de tijolos, sem alma, sem vida, sem você lá.

Salvatore pegou o queixo de Darcey e inclinou seu rosto para que pudesse olhar em seus olhos brilhantes de lágrimas.

— Quando a vi atuando hoje, percebi que talento incrível você tem. Sua compaixão e sensibilidade a tornaram uma atriz talentosa. É por isso que quero me mudar para Londres, Los Angeles ou aonde quer que você precise ir para desenvolver sua carreira.

O coração de Darcey bateu forte com suas palavras.

— Você está dizendo que deixaria a Sicília por mim?

— Eu a seguiria até o fim do mundo. — A respiração de Salvatore estava irregular. — Ainda não entendeu, doce Darcey? Amo você. Nada importa mais para mim do que sua felicidade. Não importa onde viveremos, desde que seu belo sorriso seja a primeira coisa que eu veja todas as manhãs e que possa tê-la em meus braços todas as noites e fazer amor com você.

A boca dele contorceu quando viu a expressão espantada dela.

— Nunca pensei que pudesse me sentir assim. Não acredito que me apaixonei. Mas em cinco minutos em seu consultório estava determinado a levá-la para a Sicília e, mesmo naquela época, sabia que não queria deixá-la partir.

O silêncio dela deixou Salvatore desesperado.

— Aprecio sua oferta em deixar Torre d’Aquila — começou ela.

Ele não suportaria ouvir o resto da frase.

— Mas você não se sente da mesma forma que eu. É isso que vai dizer, não é? — A garganta dele ardia e precisou fazer um esforço para falar. — Eu deveria ter esperado. Não sou um homem fácil de amar.

— Ah, não sei — disse suavemente. — Eu me apaixonei 20 segundos após você entrar em meu consultório e imediatamente organizar minha vida.

— Darcey? — Salvatore ficou com os olhos marejados de lágrimas. — Tesoro... você me ama de verdade?

Ela ouviu o garoto solitário que teve seu coração dilacerado.

— Você é tudo, meu mundo, o amor da minha vida. Sem saber o que dizer, o que realmente significava para ela, ele a beijou.

Foi um beijo diferente de todos os outros.

— Fui embora porque fiquei assustada com o quanto amo você — admitiu sofregamente. — Achei que se nos separássemos por um tempo, conseguiria controlar meus sentimentos por você. — Sua voz tremeu. — Mas senti tanto sua falta.

Carissima, fiquei desesperado sem você, mas queria que se concentrasse na peça e disse a mim mesmo que deveria ter paciência e esperar por você. Mas não aguentava mais. Casa comigo? — disse com urgência na voz. — Precisamos discutir onde morar e se quiser participar de filmes, precisará viajar até as locações, mas sei que podemos fazer dar certo. Amo você e quero que seja feliz.

Darcey ficou na ponta do pé e passou os braços ao redor do pescoço dele.

— Leve-me para nossa casa no castelo. Estou feliz por ter feito essa peça, mas não tenho intenção de seguir a carreira. Você pertence à Torre d’Aquila e eu pertenço com você — disse ela suavemente. — O que mais quero é ser sua mulher e a mãe de Rosa. Ela vai precisar de fonoaudiologia por mais um tempo, e eu a amo como se fosse minha filha.

O sorriso dela deixou Salvatore sem fôlego.

— Minha resposta à sua pergunta é sim, adoraria me casar com você. Espero encher o castelo de crianças que nunca duvidarão do nosso amor por elas.

Salvatore abraçou forte Darcey, imaginando se ela conseguia sentir a batida de seu coração.

Ti amo — disse ele com a voz sufocada de emoção.

A peça terminou sua temporada dois dias antes do natal. Salvatore e Rosa se mudaram para a casa minúscula de Darcey em Londres, e os três viveram como uma família. Na véspera de natal, acordaram e encontraram uma grossa camada de neve no chão. Era a primeira vez que Rosa via a neve e arregalou os olhos, toda empolgada, enquanto o carro que levaria ela e Darcey à igreja percorria as ruas brancas.

Ser uma dama de honra era uma grande responsabilidade, e a garotinha segurava a cesta de botões de rosas brancas bem firme enquanto seguia Darcey pela nave onde seu pai esperava. Seu pai disse que hoje Darcey se tornaria sua esposa e mãe de Rosa. Rosa ficou tão feliz que deu um pulo e acenou para seu primo Nico, que assistia a tudo com seus pais e o irmãozinho.

No altar, Salvatore não resistiu de virar a cabeça e ver as duas pessoas que amava mais do que tudo seguir em sua direção. Rosa estava linda com a capa de veludo vermelho, mas seus olhos foram atraídos pela mulher que roubou seu coração. Darcey estava de tirar o fôlego em seu vestido de noiva de seda branco com pérolas no decote e nas bainhas das mangas longas. Nas mãos, carregava um buquê de rosas vermelhas e sua única joia era o pingente de diamantes em formato de coração que ele dera a ela, que brilhava com o sol de inverno.

A cerimônia foi simples, mas emocionante e a voz profunda do noivo estava trêmula quando fez seus votos e prometeu amar a noiva por toda a eternidade. Logo estariam voltando ao castelo na Sicília, mas o coração de Salvatore não pertencia mais à Torre d’Aquila. Agora pertencia a Darcey, que era o amor de sua vida.

— Eu a amarei para sempre. Meu coração e minha alma são seus e nunca haverá segredos entre nós.

Darcey pousou a mão na barriga e sorriu ao pensar no segredo que contaria mais tarde, quando estivessem sozinhos.

Ela sabia que ele amaria o filho deles incondicionalmente, assim como amavam Rosa. Mas seu coração pertencia a Salvatore.

— Eu também te amo — murmurou ela ficando na ponta dos pés e beijando-o.

ESPOSA DE UM PLAYBOY

CAROL MARINELLI

— Estelle, eu prometo, você não precisará fazer nada além de segurar a mão de Gordon e dançar...

— E? — pressionou Estelle, fechando o livro que lia, mal conseguindo acreditar que estava tendo aquele tipo de conversa, muito menos que pensava em concordar com o plano de Ginny.

— Talvez um beijinho no rosto ou nos lábios. — Quando Estelle meneou a cabeça, Ginny continuou: — Você só tem de fingir que está loucamente apaixonada.

— Por um homem de 64 anos?

— Sim — Ginny suspirou, mas antes que Estelle pudesse argumentar, ela disse: — Todos irão pensar que você é interesseira, que só está com Gordon por causa do dinheiro dele. O que será verdade. — Ginny parou de falar, então, interrompida por um terrível acesso de tosse.

Elas não eram exatamente melhores amigas, no entanto compartilhavam uma casa. Duas estudantes tentando fazer faculdade. Aos 25 anos, Estelle era alguns anos mais velha que Ginny, e sempre se perguntara como sua colega conseguira comprar um carro e se vestir tão bem, mas agora descobrira. Ginny trabalhava para uma agência muito exclusiva de acompanhantes, e tinha um cliente há um longo tempo. Gordon Edwards, um político com um segredo. Motivo pelo qual Ginny a assegurara que nada aconteceria, ou seria esperado de Estelle, se ela assumisse o lugar de Ginny como acompanhante dele no grande casamento que aconteceria naquela noite.

— Eu teria de dividir um quarto com ele.

Estelle nunca compartilhara um quarto com um homem na vida. Não era tímida ou recatada, no entanto certamente não possuía a confiança ou a habilidade social de Ginny. Esta achava que fins de semana eram designados para festas, boates e pubs, enquanto a ideia de Estelle de um fim de semana perfeito era visitar igrejas antigas ou ruínas, e depois se aconchegar no sofá com um livro.

Nunca brincar de acompanhante!

— Gordon sempre dorme no sofá quando nós compartilhamos um quarto.

— Não. — Estelle ergueu os olhos sobre o nariz e voltou para seu livro. Tentou continuar a leitura sobre o mausoléu do primeiro imperador Qin, mas era muito difícil fazer isso quando estava tão preocupada com seu irmão, e ele ainda não lhe telefonara para informá-la se tinha conseguido o emprego.

Não havia dúvida que o dinheiro ajudaria.

Era fim da manhã de sábado, em Londres, e o casamento seria naquela noite, num castelo na Escócia. Se Estelle decidisse ir, teria de começar a se arrumar agora, porque eles voariam para Edimburgo, e depois pegariam um helicóptero para o castelo, e o tempo estava correndo.

— Por favor — insistiu Ginny. — A agência está desesperada porque não consegue achar alguém adequada para o trabalho tão em cima da hora. Ele virá me buscar em uma hora.

— O que as pessoas irão pensar? — perguntou Estelle. — Se todos estão acostumados a vê-lo com você.

— Gordon irá cuidar disso. Ele dirá que nós tivemos uma discussão, que eu o estava pressionando por um anel de noivado, ou algo assim Nós íamos acabar tudo em breve, de qualquer maneira, agora que eu estou quase terminando a faculdade.

Honestamente, Estelle, Gordon é um homem adorável. Existe tanta pressão para que ele pareça correto, ele simplesmente não pode ir a este casamento sem uma companheira. Pense no dinheiro!

Estelle não podia parar de pensar no dinheiro.

Ir ao casamento significaria que ela poderia pagar o aluguel de seu irmão por um mês inteiro, e algumas contas dele.

Certo, isso não resolveria o problema, no entanto daria um pouco mais de tempo a Andrew e sua nova família, e, considerando tudo pelo o que passaram no último ano, e tudo que ainda estava por vir, a trégua certamente seria bem-vinda.






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