Palestras sobre lavoura cafeeira – sistema adensado



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PALESTRAS SOBRE LAVOURA CAFEEIRA – SISTEMA ADENSADO


“MODELO TECNOLÓGICO DE PRODUÇÃO DE CAFÉ NO PARANÁ”


Treinamento elaborado pelos pesquisadores – Realizado na Cocamar – Maringá-PR

Foram três dias de treinamento em tempo integral
1 – Palestra – Cafeicultura com Sustentabilidade - pesquisador Armando Androcioli Filho – Iapar – Londrina-PR
Já em 1990 o IAPAR lançou um modelo para o café em bases tecnológicas atualizadas. Na época os objetivos eram: aumento de rentabilidade da lavoura e estabilidade econômica aos produtores de café. Nesse tempo o foco era produtividade e custo adequado. A partir de 1998 começou a ser cobrada a qualidade do café.

O preço médio do café, em dólar, no período de 1970 a 2003 foi de 80 dólares por saca de café beneficiado.

Alguns produtores têm adotado práticas diferenciadas e conseguido produto diferenciado, fugindo do preço da commodity café, conseguindo um melhor preço. Cafés especiais, café orgânico, etc.

O cafeicultor tradicional sobreviveu no passado baseado na fertilidade natural do solo da região, de mão de obra abundante e baixo investimento. Hoje o cenário é bem diferente.

O modelo da Renovação da cafeicultura do PR (1990) já previa alto uso de insumos, mecanização, crédito abundante e barato. Havia uma meta de conseguir 200 sacas de café beneficiado ao menos, por produtor, por ano. Antes, o produtor, com baixa produtividade, precisava de 10 ha. x 20 sc para ter as 200 sacas por ano. Na proposta de Renovação de 1990, a meta era de reduzir a área para 5 ha.de café novo, adensado, com produtividade de 40 sc.por ha. e obter em menor área, os mesmos 200 sacos de café beneficiado, sobrando área para outras áreas, diversificando a propriedade e defendendo assim o produtor dos riscos de ficar dependendo sempre só da renda do café.

Nessa proposta, a lavoura adensada era colocada no lugar mais adequado da propriedade para ficar menos exposta às geadas e em solo mais fértil local.

Quando o preço do café está bom, ganha o eficiente e mesmo o ineficiente, mas quando o preço está baixo, o ineficiente fica inviável. Em 1992 foi iniciada a renovação da cafeicultura do PR dentro desse enfoque de adensamento, redução de área, diversificação da propriedade e da renda desta.

Antes de 1990, o PR tinha 280.000 ha.de café produzindo ao redor de 1.700.000 sc.de café beneficiado. Em 2006, o PR tinha 106.000 ha.de café produzindo 2.200.000 sc.

Café adensado no PR – ao redor de 65% da área total, distribuído em aprox.200 municípios, dos 399 existentes. Há ainda no PR 40.000 ha.de cafezais no sistema tradicional, espaçamento largo. O café adensado no PR está perto de 60.000 ha e a meta agora é chegar aos 100.000 ha. adensados.

O colega da Emater, Edson Diogo destacou que nas regiões de solo de basalto, argiloso e fértil, o café aquentou mais. Nas regiões de arenito, solo menos fértil e mais atacado por nematóides, o café regrediu mais.


2 – Caracterização da Cafeicultura Familiar no Paraná - Moacir Doretto

Distribuído no local um CD com dados da cafeicultura do Paraná.

Censo fala em número de estabelecimentos rurais com lavoura cafeeira. O IBGE abrange número de proprietários, arrendatários, parceiros, etc.

Na safra 95/96 o Censo constatou que no PR 90% das propriedades rurais eram de agricultura familiar. Em termos de área, 66% destas eram agricultura familiar.


3 - Zoneamento do Café - Dr.Caramori (Climatologista) IAPAR
O que foi constatado no Paraná: safra 95/96 (pelo Censo)

13.295 estabelecimentos rurais com café na zona Apta para a cultura;

735 estabelecimentos com café na Zona de Transição;

129 estabelecimentos na Zona Inapta para a cultura.


Área de agricultura familiar – café - área média de 3,1 ha.de café

Área de agricultura familiar com empregado - 4,2 ha.de café em média

Área média de café em propriedade não familiar - 13,20 ha. Todas ref.ao PR
O Plano atual tem como um dos seus objetivos a diversificação integrada da propriedade rural. Elevar a produtividade. Atual ao redor de 7 sacas de café beneficiado por ha., elevar para 22 sacas de café beneficiado por hectare.

Vão aproveitar dados das chamadas Redes de Referência, que envolveram o Iapar e a Emater. Segundo ele, há nos sites da Emater e do Iapar, os dados das Redes de Referência.

Alguns parâmetros que o Plano leva em conta:


  • Vocação do produtor;

  • Sucessão familiar;

  • Idade do cafeicultor;

  • Espírito empresarial;

  • Conhecimento e capacidade gerencial do produtor.

A visão da área a ser destinada à lavoura de café dentro do Plano atual: Que a área não seja tão pequena para não ser notada, nem tão grande para não ser muito arriscada.

O Banco Mundial está colocando o foco no chamado conceito de território. É um conceito sociológico abrangente sobre o ser humano e sua relação com as pessoas, o meio ambiente, etc. Nos lugares em que as comunidades estão estruturadas no conceito de Território, há possibilidade até do Banco Mundial arranjar verba a fundo perdido para determinados projetos bem elaborados. Há que se estudar esse conceito e as oportunidades que se abrem para a comunidade.

ORNA Ocupação Rural Não Agrícola. Também é objeto de estudo.

Site do Iapar com abordagem das Redes de Referência www.iapar.br - buscar Redes de Referência. Ou na Emater www.pr.gov.br/emater



4 – Cenário da Cafeicultura no Paraná - Economista Paulo Franzin – Deral-SEAB
O Paulo (meu velho conhecido de Apucarana) é atualmente Secretário Executivo do Plano da Cafeicultura do Paraná. Segue o comentário dele:

Nos anos 90, não deu o resultado esperado o esforço oficial de “Revitalização” da cafeicultura no PR. No passado o Paraná já chegou a ter 1,8 milhões de ha.de café e produção anual de 20 milhões de sacas de café beneficiado.

O DERAL (Depto.de Econ.Rural da SEAB) tem detectado a partir de 2000, queda na área de café no PR. Resultado de geadas, preço baixo, concorrência com outras culturas, etc. Nos tempos atuais o PR criou uma Câmara Setorial para acudir o café e apoiar a cultura. Plano que inclui a Sustentabilidade.

Produção média atual no PR de 2,5 milhões de sacas de café beneficiado. Consumo de café no PR é de 3,6 milhões de sacas por ano. De 2000 a 2006 perdemos 60.000 ha.de café. O consumo de café no estado vem crescendo 2% ao ano.



Meta para 4 anos: plantar 40.000 ha.de café, sendo 10.000 ha.por ano. (PR)

Quem passou a fiscalizar viveiros de muda de café atualmente é o MAPA Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para atender a demanda das metas citadas, há necessidade de 20.000 kg.de semente de café com qualidade e nas cultivares adequadas/recomendadas.

Área máxima que o Programa pretende apoiar por cafeicultor: de plantio 6 ha.adensados. Eles recomendam que no total de 6 ha., sejam escalonados em mais de um ano. O Plano apoiará o plantio de café nas áreas consideradas aptas e no máximo nas de transição.

Recursos financeiros que estariam disponibilizados - R$.182.000.000,00 para a renovação e novos plantios, 114 milhões para custeio e 48 milhões para maquinários e equipamentos, infraestrutura (tulhas, etc.).

Previsto projeto de investimento para formação de lavoura de café com prazo de até oito anos, incluindo 3 anos de carência.



5 – Tecnologia de Produção de Mudas de café - Pesquisador Androcioli – IAPAR
O produtor até pode fazer eventualmente suas mudas de café, desde que faça com alta qualidade/sanidade, em consenso com o técnico que lhe presta assistência. Lembrou que no arenito, onde há problema com nematóide, a coisa pode se tornar mais complexa, inclusive com casos em que as mudas têm que ser enxertadas.

Viveiros – local alto e plano, solo bem drenado, livre de nematóides, dispor de água de boa qualidade. Reduzir o trânsito de pessoas. Sementes de produtores registrados no RENASEM Registro Nacional de Sementes e Mudas. (dá para pesquisar na Internet). Sempre identificar os canteiros, desde o “berço”.

Mudas em tubetes suspensos em tela são a melhor opção.

Na semeadura, canteiros bem nivelados para evitar que num local se coloque camada maior de solo sobre a semente que em outros.

Na norma do Paraná, as mudas tem que ter menos que 10% de ocorrência de pião torto. Mais que isso, condena o lote de mudas. A experiência mostra que em viveiro onde há rotação de mão de obra, em geral há menor zelo na produção de mudas e cai a qualidade das mesmas.

Em caso de muda em saquinho plástico, nunca esquecer que cortar uma pequena fatia transversal do fundo do saquinho no momento do plantio no campo, para evitar o pião torto. No saquinho, quando a muda está com 3 pares de folhas, o pião (raiz pivotante) já chegou ao fundo do mesmo. Se a muda passar de 3 pares de folhas, haverá pião torto e essa muda dará uma planta com problema ao longo do tempo.

Em tubete, em geral se usa enchê-lo com material inerte próprio (substrato) e os fertilizantes recomendados, que devem ser muito bem misturados ao substrato.

Alerta dele: Em muda de tubete, é comum o plantador apertar a muda contra o solo e com isso entorta o pião, prejudicando a planta para sempre.

No caso de viveiro para produção de muda própria, sugere que a pessoa programe a produção de mudas equivalente a 120% das plantas que pretende ter comercialmente. Assim terá mudas de reserva para replantio e para selecionar as melhores.

Há fertilizantes especiais para mudas que tem os nutrientes “protegidos” para liberação gradual.

Alerta importante – Quando a pessoa opta por semear direto no tubete, vai fica uns 60 dias a mais irrigando esse material, com possível perda de nutrientes com o fluxo de água no tempo em que ainda não se tem mudas com raízes para aproveitar os nutrientes.

Quem faz muda própria não poderá legalmente vender excedente para terceiros e muito menos esse terceiro poderá tentar financiar lavoura plantada com muda sem procedência legal.




6 - Zoneamento do Risco Climático da Cultura do Café no Paraná

Pesquisador Paulo Henrique Caramori – Iapar caramori@iapar.br


Origem do café – Etiópia e Sul do Sudão (África)

Planta de sub bosque, ambiente de meia sombra. Altitude original de 1.600 a 2.000 metros acima do nível do mar. Latitudes de 6 graus a 10 graus Norte. Temperatura do mês mais frio entre 17 e 19 graus Celsius. Mês mais quente, média de 22 a 26 graus. No ambiente de meia sombra, o metabolismo da planta é mais tranquilo. Na região de origem citada, o déficit hídrico ocorre nos meses de janeiro/fevereiro de novembro/dezembro. Excesso hídrico de março a outubro.

Na região de Maringá, não há normalmente deficit hídrico pelo método de Tortweit.

Aptidão para o café deficit hídrico

-----------------------------------------------------------------------------------------

Aptidão plena temperatura 19-22 graus < que 100 mm

Aptidão marginal 18 a 19 ou 22 a 23

Inapto < 18 ou > 23 graus > que 250 mm

Em termos de altitude, o Paraná tem desde o extremo de mais de 1.200 metros até ao redor de 200 metros na região Oeste. A cada 100 metros que aumenta na altitude no Paraná, uma média de 0,6 graus diminui na média de temperatura do lugar. Exemplo de lugar baixo e quente é São Miguel do Iguaçu-PR, com altitude ao redor de 260 metros e temperatura média anual de 21,3 graus. Já no outro extremo Guarapuava com 1.200 metros de altitude, média de temperatura ao redor de 17 graus.

O Noroeste do Paraná tem uma pequena faixa com temperatura média anual acima de 23 graus, mas não é considerada inapta porque não apresenta déficit hídrico importante. Nos anos mais secos, a lavoura de café tende a acelerar o ciclo dos frutos e pode perder um pouco a qualidade do café.

O Paraná é localizado entre os paralelos 22 e 27 de latitude Sul. Na região cafeeira do Paraná as chuvas ficam entre 1.400 a 1.600 mm por ano.

Quando a temperatura passa de 34 graus na florada do café, ocorre abortamento de parte da florada. Em geral na região a florada ocorre entre setembro e novembro. (na prática eu considero de 07-09 e 15-11, da Independência à República).

Flor afetada ficha fechada e forma a chamada “estrelinha”. O Risco maior de alta temperatura na florada do café, no Paraná, ocorre na região de Jacarezinho-PR. Já em outubro (ainda florada), o risco existe no Norte Pioneiro, no Norte do PR e no Noroeste do estado. No mês de novembro, o risco há nessas regiões, mas se as floradas anteriores foram boas, estas garantem uma boa produção.

No PR, na chamada área apta, estatisticamente há risco de uma geada a cada quatro anos, com diferente grau de severidade. Usar os espigões da propriedade ajuda a contornar o problema de geadas.



7 – Geadas – Métodos de Proteção - Dra.Heverly Morais heverly@iapar.br

Área de Agrometeorologia do Iapar


Geada – congelamento da água provocado pelo orvalho nas folhas das plantas com temperatura abaixo de zero grau.

Do ponto de vista agronômico, usa-se considerar geada, aquela que causa dano nas plantas de interesse econômico.

Alguns métodos para contornar o risco de dano por geada:

Plantar café em lugar com declive = ou > de 5% para haver escoamento da massa fria.

Evitar plantar café em terreno com exposição na face Sul porque este toma menos sol e sofre mais com geada. Face Norte é mais exposta ao sol e é melhor para café.

Café novo – guandu plantado entre outubro e novembro forma uma massa de proteção da lavoura pequena. O guandu forma um verdadeiro “túnel” no inverno, protegendo o café novo de geada. A pesquisa já mediu e em baixo do citado túnel a temperatura fica entre 2 e 4 graus acima do restante do ambiente local.

No ano de 2000, dia 12-07 e seguintes, houve 4 geadas meio seguidas.

Cobrir as mudas no campo para proteger de geadas - Muda de até 6 meses de plantio no campo, cobertas com terra, ficam bem protegidas de geadas. Já deixaram as mudas por até 15 dias cobertas sem problema. No processo, a gente entorta a mudinha e chega terra com a enxada, com cuidado, até cobri-la toda. Na pesquisa já usaram para cobrir as mudas, palha de feijão disponível, bem seca e funcionou bem. Idem com palha de arroz.

No caso de plantas com mais de 6 meses de campo, já não dá para deitá-la para chegar terra, porque danificaria o caule. Então se chega terra junto ao tronco da planta, o que é mais efetivo é para planta de café com até dois anos de campo. Chega-se terra até a altura dos primeiros galhos. Chega-se terra em maio e retira-se no fim de agosto ou meado de setembro.

Em caso de previsão de geada, em viveiro, cobri-lo com lona ajuda na proteção.

Se for usar pó de serra para fazer fumaça, misturar com óleo diesel ou óleo queimado na proporção de 3:1 e colocar um fumegador a cada 2 metros.

Em 1994 houve uma das geadas. Em 1995 o SIMEPAR Sistema Meteorológico do Paraná implantou o Alerta de Geada que pode ser acessado inclusive pela internet.



8 – Fisiologia do Cafeeiro - Pesquisador Fabio Suano de Souza

Ele é da área de Ecofisiologia do Iapar fssouza@iapar.br


Uma frase curiosa sobre o leiaute da lavoura: O sistema é complicado mas é organizado.

O café abrange ao redor de 70 a 100 espécies botânicas. Destas, duas são exploradas economicamente no Brasil. Café arábica (mais sabor, usual no PR, MG, etc.) e café Robusta ou Conilon ou Africano (mais para café solúvel, plantado mais no ES e Rondônia).

O café arábica precisa de um período de clima um pouco mais seco para a maturação normal dos grãos e se preparar para a próxima fase de floradas.

Café e estresse hídrico - Planta adulta no verão tem ao redor de 32 m2.de área foliar. Se houver uma poda, a planta poderá estar no inverno com ao redor de 12 m2.de área foliar por planta e assim se expõe menos ao frio e à perda de água.

Como já foi citado, a planta do café é de meia sombra em seu local de origem e por aqui, em pleno sol, acelera-se o metabolismo da planta e esta produz mais, porém sofre algum estresse por isso. Pode perder muitas folhas se não for bem cuidado e assim irá produzir menos na safra seguinte. Disso decorre o costume de dizer que o café é bi-anual, ou seja, produz bem um ano sim e outro, não.

Café bem enfolhado estará bem preparado para produzir e por isso, cuidar para que pragas ou doenças não afetem as folhas da cultura é cuidar da boa produtividade.

O fruto do café vai surgir na parte dos ramos que cresceram na primavera em curso.

9 – Lei das Sementes e Mudas – Viveiros - Eng.Agr.André Dib Parra – MAPA – Ministério da Agricultura e Pecuária adbparra@agricultura.gov.br

Lembrar que o MAPA, por lei, passou recentemente a cuidar dessa parte (viveiros e mudas) no Paraná. Isto era feito pelo DEFIS da SEAB paranaense, por delegação federal. Agora é o próprio MAPA que vai cuidar do setor e o que soubemos é que eles estão se inteirando da coisa e tem uma diminuta equipe para atender o setor.

Ele diz que a lei anterior do ramo era de 1977 e estaria defasada. Que a globalização e os novos acordos internacionais exigiam mudanças na lei. Também a vigência da Lei de Proteção das Cultivares influiu nesse sentido.

Disse que antes as penalidades para quem agia fora da lei eram leves e agora são pesadas.

Lei em vigor 10.711 de 2003, regulamentada pelo Decreto 5.153 de 2004. Há várias Instruções Normativas IN sobre o setor. Versam sobre taxas, sementes, mudas, exportação do setor, etc

(SEGUNDO DIA DO EVENTO)...



10 – Espaçamento para Plantio de Café
Base de sustentação do adensado:

- Se usar 3.924 plantas por ha. produtividade prevista 880 kg benefic/ha.

- Se usar 8.772 plantas por ha. prevista 1.600 kg por ha.

Até certo ponto, aumentar o número de plantas por ha (adensar a lavoura) aumenta a produtividade por área.

Café adensado, caso por uma eventualidade a pessoa precise ficar uma safra sem adubar, a pesquisa já constatou que, mesmo assim a lavoura produz mais por hectare do que uma cultura no espaçamento convencional com uma safra sem adubar.

Lavoura adensada, tem mais sombra no solo e as folhas se decompõem menos e o teor de matéria orgânica fica maior do que se fosse café no espaçamento tradicional.

Para exemplificar a importância da matéria orgânica em solo arenoso - Em São João do Caiuá- PR (solo de arenito) em lavoura de café no sistema tradicional em solo degradado, só com a adição de mulch (palhada) de napier, em dois anos a lavoura de café se recuperou. O mulch complexa alumínio e melhora o solo – eleva a disponibilidade de nutrientes. Lavoura adensada, quando pega geada de capote danifica menos as lavouras adensadas e estas se recuperam mais rápido. Isto porque no adensado o solo é mais sombreado em uma menor quantidade de ondas curtas diretas do sol chegam ao solo.

Ajuste do espaçamento

E = espaçamento

D = diâmetro da copa do café adulto

L = espaço livre na rua para trabalho

Uma largura L de 0,20 m.já é razoável em café adensado. Se for usar trator cafeeiro, sugere L = 1,20 m. Micro trator L = 0,80 já dá para trabalhar.

Medir lavoura de seis anos para definir o D. Ver se a planta que está sendo medida é de uma planta por cova.

O café estabiliza o diâmetro de copa aos 8 anos de idade.

Uma mesma cultivar, por exemplo, de Catuai, pode ter diferença no diâmetro da copa em solo mais argiloso do que em arenoso. Pode ser respectivamente 2,20 m e 1,80 metro. Citou um caso de Loanda-PR (solo arenoso), café Catuaí de 9 anos, com D (diâmetro da copa) de 1,90 m. No caso, E = D+L E = 1,90 + 0,20 = 2,10 m. entre linhas.

Lavoura super adensada é quando o espaçamento é estreito ao ponto das plantas se entrelaçarem entre as ruas e exige-se no caso um manejo próprio, com podas, etc.

Mostrou um caso de café monitorado por 8 colheitas:


covas/ha. adubação zero adubação normal

-----------------------------------------------------------------------------------------------------

3.500 1.500 kg café beneficiado 1.800 kg.café beneficiado

1.960 880 kg. 1.320 kg.

----------------------------------------------------------------------------------------------------

Com os dados observados acima, constatou que no caso, o efeito da maior densidade de plantas por ha.foi mais importante que a adubação.

Espaçamento retangular versus espaçamento quadrado. O IAC concluiu num ensaio que o espaçamento quadrado aumenta a produtividade.

I = Índice de Retangularidade. I = EL/L

Com índice zero – perda de zero por cento de produtividade.

Com índice 2 – perda de aprox. 4% na produtiv.em relação ao quadrado

Com índice 4 – perda de aprox. 15%

Com índice 6 – perda de aprox. 30%.

Se eu abrir o espaçamento mantendo a densidade de plantas por hectare, vou aumentando o índice e terei redução na produtividade.



Ele tem dados de plantios de 6.000 plantas por hectare produzirem igual a lavoura de 10.000 plantas por hectare.

Ele não recomenda menos de 6.000 plantas por hectare para café adensado e recomenda ao redor de 7.000 plantas por hectare.


Estudo comparando uma planta por cova com duas plantas por cova.

Plantaram 1 planta por cova, 10.000 plantas e compararam a produtividade com 2 plantas por cova, 5.000 covas, totalizando 10.000 plantas. Notaram que num hectare, as duas modalidades, quando o total de plantas vai de 4.000 a 10.000 não houve diferença significativa na produtividade.



Café Super Adensado - A produção ano a ano vai ocorrendo “por andar” por até 5 colheitas e depois a cultura exige manejo com recepa parcial.

Em caso de geada, proceder à poda, esqueletamento, etc.de acordo com a necessidade e a recomendação técnica.



11 – Mecanização em cafeicultura - Pesquisador Siqueira - Iapar

siqueira@iapar.br
Máquinas e equipamentos representam tecnologia quando dimensionamos corretamente.

Café adensado - uso mais intensivo de mão de obra. Maior dificuldade de mecanização.

Quando mecanizo, pode haver compactação do solo e haverá menos ar e água disponíveis no solo compactado.

Até 1940 o trator agrícola pesava menos de 3 toneladas. Citou o caso atual da laranja onde se usa mecanização intensiva, podendo chegar a 300 passadas de máquina pela mesma rua da cultura. (deve ser ao longo do ciclo de vida desta).

A pressão que o pneu do trator exerce sobre o solo é aproximadamente igual à pressão interna do pneu.

Demonstrou o efeito da compactação do solo em cultura de feijão. Onde o solo não está compactado, raiz mais profunda e mais abundante e mais produtividade.

Em ensaio com mudas de café, a calagem contornou de forma razoável o dano causado pela compactação do solo.

Ele defende “o método do jornal”. Leva um jornal para o campo, cava uma trincheira, senta no jornal ao lado da trincheira e vai cavando com ferramenta pontiaguda para aferir o grau de compactação do solo.

Lembrou que há certas plantas que podem agir como descompactadoras de solo.

Escarificar não é o mesmo que subsolar. Subsolagem requer aprofundamento das hastes ao menos a 30 cm e de forma que o equipamento atinja ao menos 5 a 10 cm.abaixo da camada compactada do solo. Isto requer alta fonte de potência.

Ele defende que tarefas como esta (subsolagem) devem ser terceirizadas, pois são eventuais e não compensa ter maquinário pesado para tal.

Manter 7,5 t/ha.de palha sobre o solo na região reduz a temperatura deste ao redor de 8,5 graus Celsius.

Ele lembrou que o rolo faca não é para cortar a planta, mas para estrangular o xilema e o floema desta. Para formar palha.



12 – Arborização e Quebra Vento - Eng.Florestal Alex Iapar
Ele foi crítico, dizendo que até pouco tempo atrás, a ciência agronômica via as árvores como empecilho em agricultura e não como possível aliada.

Disse que na China há casos de aumento de produtividade de grãos de até 30% no sistema agroflorestal. O vento seca muito rapidamente o solo e as árvores como quebra ventos ajudam a proteger o solo contra a perda de umidade.

Há casos em que o vento quebra a cultura, acama, fere as folhas e assim abre caminho para entrada de doenças. O cancro cítrico é um exemplo. Lavouras de laranja protegidas devidamente com quebra vento tem maior proteção contra a citada doença.

Características dos ventos - Em Londrina-PR o vendo predominante vem de Leste, com 28% de ocorrência. Lá, em geral é soprando de SW que vem o vento com geada.

Em Paranavai-PR, predomina o vento (36%) de Nordeste. Vento frio, de SW. No site do Iapar www.iapar.br há cartas climáticas e tem citação dos ventos predominantes para regiões do estado.

Alerta: Se no renque (fileira) de árvores do quebra vento estas forem plantadas muito próximas entre si, podem provocar o turbilhonamento do vento e haverá perda de eficiência como quebra vento.

Tem gente que reclama que junto às árvores do quebra vento a lavoura de grãos sente um pouco. Ele diz que realmente na localização junto ao quebra vento há alguma perda, mas que uma longa faixa da cultura de grãos será beneficiada e o saldo é altamente positivo. A faixa beneficiada pelo quebra vento pode chegar a 14 vezes a altura da barreira de árvores quebra ventos.

Assim, além de conhecer a direção do vento predominante, ao determinar a distância entre os renques de árvores de quebra ventos, devo considerar que os mesmos podem estar distantes 15 vezes a altura presumida das árvores adultas que estão sendo utilizadas. O pico do efeito positivo do quebra vento sobre a lavoura de grãos é esperado à distância igual a 4 vezes a altura do quebra vento.

Conhecer a direção do vento para posicionar o quebra vento perpendicular ao rumo do vento predominante. Assim o quebra vento não terá nada a ver com as curvas de nível do terreno.

Segundo o pesquisador, antigamente o IBC recomendava colocar o quebra vento orientado para agir em vento SE no Paraná e esta receita servia para SP e era inadequada ao PR. Como já foi citado, há casos de vento SW no Paraná “cafeeiro”. Conferir nas cartas climáticas.

Cuidado para não ter renque de árvores logo abaixo da lavoura de café, de forma a represar ar frio em caso de geada branca.

Recomenda que o quebra vento tenha a saia podada de forma a só ter copa acima da altura dos pés de café quando adulta.

Outra dica importante: Que o renque de árvores não tenha falhas, porque se houver, nesse vão, o vento passa e se acelera em até 20%.

Ele disse que nos USA há casos em que eles fazem barreiras com até 4 ou 5 renques de árvores em cada faixa de proteção, com diferentes espécies de árvores.



Informou que no mundo, só o Brasil e o Quênia não usam sombreamento em lavoura de café.

Experimento em Terra Boa – PR. Em lavoura cafeeira, com 70 árvores de quebra ventos por hectare, a lavoura de café produziu de igual ou até mais 9% em relação à lavoura sem quebra ventos. Fonte: Baggio.

Com menos de 70 árvores por hectare, a proteção contra geada no café era pequena.

Disse que na Costa Rica eles sombreiam a lavoura para que esta fique protegida contra geada no inverno. Passado o risco, podam as árvores para o café tomar sol.

O café da Costa Rica é o mais produtivo do mundo com a média de 25 sacas de 60 kg.de café beneficiado por hectare (solos vulcânicos, bem férteis). Chove até 3.000 mm por ano por lá.

Sobre uso de leucena por aqui, ele diz que ainda não tem resultado da pesquisa. Ele disse que a leucena dá muita semente com dormência e é uma planta invasora. Diz que a bracatinga tem várias vantagens, só que é uma planta de clima ameno.

Alerta: Onde há árvores no cafezal, tomar mais cuidado com a broca do café. Por outro lado, a arborização reduz um pouco as ervas daninhas na lavoura de café.

Em resumo: entre 50 e 100 árvores por hectare não reduzem a produtividade do café. Ex. 18m x 12 m 50 árvores por hectare; 20m x 12 m. 40 árvores/ha.

Algumas sugestões dele: grevilea, bracatinga, leucena, seringueira, etc.

No caso da seringueira, esta dá uma renda durante dez meses por ano. Quando em plantio solteiro, cabem ao redor de 500 seringueiras por hectare.

Ele fez experimento com seringueira em quebra vento de café, com filas duplas de seringueira com vãos de 12 a 16 metros.


  1. Adubo Verde em Café

Ele mostrou uma lavoura de café com amendoim cavalo intercalar com ótima cobertura de solo. Eu, da minha experiência, uma vez vi em Mandaguari um caso similar, porém ácaros do amendoim estavam atacando um pouco o café (ácaro e talvez, tripes).

Amostra de solo para plantio de café. Recomenda amostragem com 10 a 12 pontos por gleba e sugere ainda análise de solo em três profundidades: 0-10 cm, 10-20 e 20-30. Análise a cada três anos para monitoramento.

Época de amostragem: se for antes do plantio, pelo menos 120 dias antes. Área com café, pelo menos 90 dias antes da próxima adubação.

Interpretação química da análise de solo e interpretação agronômica. A química:

pH 4,4 a 4,9 acidez elevada; 5,0 a 5,9 acidez média; 6,0 a 6,9 acidez fraca; 7 neutra.

Se for arar o solo, que ele esteja um pouco úmido. Se for subsolar, solo seco.

Solo argiloso, V% de 60% está de bom tamanho para café.

Fonte de enxofre (S) para a cultura – o adubo super simples é adequado.

Nitrogênio (N) em grama de produto puro por cova de café. No primeiro ano da cultura de café, usar 8 a 12 g de N por cova (planta); no segundo ano, 20 a 30 g/cova. Sendo possível, parcelar em 2 a 3 vezes entre setembro e março.

Teor de nutriente adequado nas folhas do café:


N nitrogênio

30 gramas por kg de folha

P

2 “

K

25

Ca

15

Mg

4,5

S

2

Teor de micronutrientes nas folhas de café:




B boro

60 mg por kg de folhas

Cu cobre

15 “

Fe ferro

130 “

Mn manganes

100 “

Zn zinco

20 “


Não aplicar junto o zinco e o boro no café.

Velocidade de absorção foliar de nutriente em café: (tempo para absorção de 50% do nutriente)

Nitrogênio 0,5 h a 36 horas

P 16 h a 15 dias

K 10 h a 4 dias

Ca 2 a 4 horas

Mg 10 a 24 h

S 16 h a 4 dias

F 10 a 20 dias

Mn 1 a 2 dias

Zn 1 a 2 dias

Temperatura do solo com adubo verde e sem adubo verde. (crotalaria, no caso)




temperatura

10 horas

12 horas

14 horas

17 horas
















Com adubo Verde

21 graus

27

28

27

Sem adubo verde

30 graus

38

44

44

O adubo verde aumenta o IEA Índice de Agregados do Solo. O adubo químico geralmente acidifica o solo superficial.

O potencial da leucena gerar matéria orgânica (além de incorporar N ao solo): grande potencial porque permite até 4 cortes por ano e pode chegar a produzir 15.000 kg de MS (matéria seca) por hectare por ano.

Tem ramo de café que morre por falta de N. Em teste, havia ao redor de 20% de ramos secos na lavoura e com uso de adubo verde com leucena, os ramos secos caíram para 5%. Com a leucena intercalar ao café cai a demanda por capinas em até 57%. Só que a leucena não se ajusta a café adensado porque ficam tocos no solo e atrapalham na mecanização e no processo de colheita.

Teor de N em grama por kg: Mucuna anã 3,2% de N; crotalária spectabilis 2,4%; amendoim cavalo 2,6%; lab lab 2,6%; caupi 2,5%. O caupi e o lab lab não devem ser usados em solo com nematóides.

As leguminosas de ciclo curto vão bem de outubro a fevereiro. As de ciclo longo como mucuna preta, amendoim cavalo, vegetam de outubro a abril. As leguminosas não conseguem atender toda a demanda de N no período das águas ao café, mas são importantes para melhorar o solo.

Para o agricultor familiar que precisa de lavouras intercalares no café, ele recomenda plantas baixas como arroz, feijão, amendoim, soja, etc. Não indica milho, algodão, aveia, trigo, mamona. A restrição do trigo e aveia é o fato de serem de inverno e quanto mais vegetado o solo em caso de geada, será pior para o café. Usar até 50% do espaço livre com a lavoura intercalar.

Terceiro Dia de Treinamento



14 - Controle Ervas Daninhas em Café - Benedito Noedi Rodrigues
O mato mais comum na região cafeeira é o capim marmelada. Frequentes: capim colchão, grama seda, trapoeraba. Esta última gosta de sombra e água fresca (e é uma folha larga mas é monocotiledônea) e produz semente na parte aérea e até na raiz, com flor e tudo. Quando ela é agredida na parte aérea é que ela produz mais sementes subterrâneas.

Picão preto – há uma nova espécie de picão preto se alastrando.

Amendoim bravo – suas sementes germinam mesmo que abaixo de 12 cm de camada de solo. Ocorre com frequência que o herbicida mata o que germinou de uma profundidade e depois nascem as plantas cujas sementes estavam mais fundas. Com a guanxuma é comum ocorrer este fato.

A unha de gato, que é cipó trepador causa muito problema na lavoura cafeeira.

Um dos métodos preventivos das ervas é evitar que as mesmas sejam introduzidas na área através de maquinário, etc. Manter os carreadores bem cuidados para que as ervas não fiquem sementeando nos mesmos.

Cuidado ao trazer matéria orgânica para a lavoura. Evitar que com esta venham ervas daninhas de fora.

Ele até sugere que, no caso de trazermos bovinos de outras áreas para a propriedade, deixá-los em quarentena ao menos 1 semana para eles expelirem com as fezes toda semente de ervas do local de origem para a nova propriedade.

Amendoim e leucenas são bons como adubo verde mas devemos ter cuidado para evitar trazer junto nematóides e sementes de ervas daninhas.

Na nossa região se capinar a lavoura de café a cada 30 dias ou menos, poderá haver problema de erosão do solo e se deixar passar de 45 dias, pode o mato concorrer com a cultura. Devemos tomar cuidado nos cultivos, para não afetar as raízes do café.

O Iapar vem pesquisando até sistema de choque elétrico para controle de ervas de forma a não deixar resíduos na lavoura.

No caso da trapoeraba, estão pesquisando uma cercospora para atacar a invasora. Os chamados bioherbicidas estão com as pesquisas mais avançadas no Canadá, USA e Austrália.
Controle Químico de mato

Conhecer primeiro as ervas predominantes. Ver a qualidade da água a ser usada no pulverizador. Água limpa com pH entre 6 e 6,5 é problema, mas não é comum ocorrer em nosso meio.

Os surfactantes espalham o herbicida na folha.

O óleo mineral é um exemplo de aditivo, que age sobre a planta. Há casos em que um tipo de herbicida é recomendado para determinada cultura, mas se misturarmos com óleo mineral, pode alterar a química dos produtos e o herbicida pode prejudicar a lavoura.



Só usar produtos químicos autorizados no Paraná. Ver no site www.pr.gov.br/agrotoxico

Se a lavoura tem outra intercalar, o herbicida tem que ser autorizado para ambas.

Condições adequadas para aplicação de herbicidas:


  • solo úmido;

  • temperatura entre 20 e 30 graus

  • ventos de 3 a 5 km. por hora

  • UR Umidade Relativa do Ar > ou = 60%

Citados alguns herbicidas e suas características - Boral 500 SC, Laço, Goal BR, Aurora, Gramoxone 200, Reglone, Gramocil, Fusilade 125, Glifosato (requer ao menos 6 horas sem chuva depois da aplicação). Glifosato – em jato dirigido para café.

15 – Variedades de Café - Eng.Agr.Tumoru Sera - tsera@uol.com.br
Na globalização o termo variedade está entrando em desuso. O termo é Cultivar.

Tipos mais frequentes de cultivares:



  • cultivar de linhagem

  • cultivar de população

  • cultivar de clone

  • cultivar híbrido

Nome de registro no RNC: Catuaí Vermelho IAC 99; IPR 98, etc.

Cultivar Apoatã IAC 2258

A cultivar Icatu tem problemas de porte, deficiência de derriça, etc.

Citou o Obatã IAC 1669-20, o Tupi, etc.

As cultivares de café recomendadas no PR tem cinco genes de resistência à ferrugem e por isso estão há 30 anos no mercado sem quebra de resistência. O mundo tem atualmente 45 raças da ferrugem do café. Destas, 12 ocorrem no Brasil.

Iapar 59 lançado em 1994 no PR para plantio adensado. A cultivar é muito boa mas foi “queimada” no estado pelo manejo inadequado. O Iapar 59 é 20% menor que o Catuaí.

Tem grãos graúdos, é imune a algumas raças do nematóide Meloidógine exígua. Nos anos iniciais da cultura, produz ao redor de 20% a mais que o Catuaí. Tem bebida melhor que a do Mundo Novo.

IPR 98


O Sarchimor tem seu nome derivado de Villa de Sarche cruzado com café do Timor.

Café mais adensado, mais fechado, corre menor ar, há mais umidade interna e ocorre mais doença. Entra menos sol, menor florada.

IPR 99 (amarelo) Frutos graúdos. PM 17 peneira média 17. Ramificação grossa. Menor problema de necrose de ramos e de frutos. Porte pequeno da planta.

Citou um caso da soma das duas primeiras safras do IPR 99 – 46 sacas de café beneficiado por ha.

IPR 103 – Rusticidade, produtividade e qualidade. Altitude abaixo de 500 m é imbatível. Considerado o zebu do café. Tolerante à ferrugem, frutos vermelhos, bom tamanho de grãos, ramificação abundante, alta rusticidade, maturação tardia. Quanto à ferrugem, pode demandar aplicação de fungicida, porém de forma moderada. O diâmetro da saia desta cultivar é maior que a do Catuai. Vão de 2,50 metros. Pelo tanto que esse café é rústico e produtivo, compensa o manejo da ferrugem que ele pede.

Citou caso acompanhado de Itaguajé-PR 8.000 plantas por ha.




cultivar de café

produtiv. em sacas benef. por hectare

IPR 103

59 “

Catuaí V 99

37 “

IAPAR 59

43 “

Só no Brasil temos cultivar de café resistente à ferrugem que pegou no mercado.


Cultivar IPR 59 quando em baixa população, perda de produtividade.

IPR 103 Com espaçamento de 3 x 1 metro, foi muito bem nos ensaios em solo arenoso e local de alta temperatura.

Espaçamentos testados (4 anos) produtividade alcançada kg beneficiado/ha

3 x 0,5 metro 38 sc/ha

3 x 1 metro 71 sc/ha

3 x 1,5 metro 42 sc/ha

Vigor nutricional. Se largar o café “com fome” no início das águas, ele vai vegetar antes de florescer. Um cafezal mais bem nutrido estará mais resistente a pragas e doenças.

Ele alertou para o problema de compactação de solo em café. Disse que é para, de vez em quando, fazer trincheira no meio da rua de café e examinar. Pergunta: O que adianta colocar fungicida sistêmico de solo se este está compactado, com pouca raiz do café?

Quanto à ferrugem, seu dano é equivalente ao de uma geada severa anual.

Se o cafezal está fechado e o ano está com baixo potencial de colheita, pode ser o momento de podar, etc.



Nas regiões mais quentes do Paraná, ele não recomenda cultivares precoces de café.

Na propriedade, nas partes mais altas e mais expostas aos ventos, café de porte mais baixo.

Região fria, ele tolera o plantio de café só após 30 metros na vertical em relação à altitude do local do córrego.

Plantas “mapeadoras” de nematóides: quiabo e tomate. Disse que em 100% das propriedades do Arenito do Paraná tem nematóides nocivos ao café. Ver na propriedade onde tem e onde não tem. Disse que é mais comum o nematóide entrar na lavoura de café via horta, pomar, etc. Com a chuva, a praga se espalha no cafezal.
Isto foi o que consegui entender, da forma que pude, nos três dias do evento. Há inclusive um CD com uma série de dados, mas acho que ambos se complementam. Espero que o material que requereu muitas horas de dedicação seja útil a quem vai lidar com café na região.
Anotações feitas pelo Eng.Agr.Orlando Lisboa de Almeida CREA 57.589-D SP

orlando_lisboa@terra.com.br cel. 44-9982.9818

Maringá – PR

Diretor da AMEA Assoc.Maringaense de Eng.Agrônomos

Diretor do SENGE Sindicato de Engenheiros do Estado do Paraná











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