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ANTIGO TESTAMENTO I

Através deste módulo você poderá fazer um estudo de alguns assuntos relacionados ao estudo do Antigo Testamento.



Introdução Geral ao Antigo Testamento

O leitor entende a importância do estudo do Antigo Testamento e conhece quais são as línguas originais e as divisões do Antigo Testamento. Para provar que alcançou tal entendimento, o leitor deverá ser capaz de: Discorrer sobre a importância do estudo do Antigo Testamento e citar as línguas originais e as divisões do mesmo.





A FORMAÇÃO DO CÂNON DO AT

Os livros do Antigo Testamento que compõe o cânon foram escritos entre 1400 e 400 antes de Cristo. Esses livros foram inspirados por Deus e cremos que o mesmo Deus iluminou o seu povo para reconhecimento dos livros inspirados entre outros livros religiosos antigos(João 7.17; 1 Coríntios 2.12-13). Portanto, "se reconhece o papel da providência de Deus quanto à origem, seleção e coleção destes escritos. É por esta razão que os livros do Antigo Testamento existem em número de 39, como temos, nem mais nem menos. Esta tem sido a convicção dos crentes protestantes de modo geral, embora tivesse havido dúvidas levantadas a respeito de alguns livros, como, por exemplo, Cantares de Salomão e Eclesiastes. A providência de Deus operante na vida da igreja, entretanto, tem feito com que todos os 39 fossem aceitos"(1).

A seguir cito Harbin integralmente sobre os aspectos históricos da formação do Cânon:

a. O texto hebraico, ou seja, a Bíblia Hebraica, ou seja, o Texto Massorético não contém os chamados livros apócrifos. É basicamente o mesmo cânon reconhecido pelos rabinos em Jamnia, em 90 d.C.

b. O mais antigo manuscrito completo da Septuaginta(LXX) é de proveniência cristã no quarto século depois de Cristo e contém "os apócrifos" da Bíblia Católica Romana.

c. Todavia, as listas cristãs do cânon, que são mais anteriores, seguem principalmente o cânon hebraico da palestina, por exemplo, a lista de Melito de Sardo, cerca de 160 d.C.(A LXX originou fora da Palestina em Alexandria no Egito em cerca de 275-100 antes de Cristo. Entretanto, os cristãos geralmente usavam a LXX desde a época primitiva, embora não haja evidências de que nem os cristãos primitivos, nem os judeus da Palestina sequer consideravam seriamente a inclusão no cânon de quaisquer dos livros que hoje chamamos de "os apócrifos" e os "pseudo-epígrafos"(outra coleção de livros judaicos relacionados ao Antigo Testamento, assim denominados porque os seus autores empregaram disfarçadamente os nomes de notáveis homens do Antigo Testamento como sendo os autores, dependendo do livro em questão, a fim de ganhar aceitação dos livros).

d. Embora a LXX contenha os apócrifos, não se pode provar que a mesma autoridade fosse atribuída a todos os livros. O fato da sua inclusão, entretanto, parece mostrar uma tal tendência da parte de alguns judeus, embora possa refletir somente o desejo de traduzir, preservar e circular todos os livros incluídos sem pensar em valorizar todos do mesmo modo.

e. A lista da LXX conseguiu aprovação da maioria nos Sínodos de 393 d.C. e seguintes embora contra o voto de certos líderes notáveis como Jerônimo. Agostinho estava a favor, mas os seus escritos posteriores mostram uma ambigüidade a respeito.

f. Os reformadores do século dezesseis depois de Cristo voltaram para o cânon hebraico. Calvino, por exemplo, apontando o fato de não existir tradição unânime a respeito do "apócrifos" como livros que devem ser considerados como inspirados.

g. O Concílio de Trento, em 1546 d.C., aceitou pela primeira vez como canônicos os seguintes 13 "apócrifos": Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, I e II Macabeus e as adições dos livros de Ester, Baruque(a carta de Jeremias) e Daniel(o cântico dos três mancebos, a História de Susana, Bel e o Dragão, e a Oração de Azarias); a Vulgata, edição publicada em 1592 d.C., mas autorizada pelo Concílio de Trento em 1546 d.C., incluiu também I e II Esdras e A Oração de Manassés, porém, depois o Novo Testamento na sua seqüência bíblica.



Na Septuaginta o Cânon do Antigo Testamento tem o seguinte arranjo:

a. Livros da Lei(o nome "Pentateuco" é de origem grega e sabemos do seu uso desde o primeiro século de nossa era) = Os livros de Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

b. Livros de História = Josué, Juízes, Rute I e II Samuel, I e II Reis(considerados Samuel e Reis como I, II, III e IV reinados), I e II Crônicas, I e II Esdras(o primeiro sendo apócrifo e o segundo o canônico), Neemias, Tobias, Judite e Ester(com as adições).

c. Livros de Poesia e Sabedoria = Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico(ou Sabedoria de Siraque).

d. Livros Proféticos = Os Profetas Menores(em termos de tamanho e não de importância): Oséias, Amós, Miquéias, Joel, Obadias, Jonas, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. Os Profetas Maiores: Isaías, Jeremias, Baruque, Lamentações, A Carta de Jeremias, Ezequiel, e Daniel(incluindo Susana, Bel e o Dragão, e O Cântico dos Três Varões).

e. Livros Suplementares de História = I e II Macabeus.

f. A tradução do Pentateuco foi completa em cerca de 250 antes de Cristo, a dos Profetas em cerca de 200 antes de Cristo e a dos Escritos em cerca de 100 antes de Cristo.

O arranjo da Bíblia Hebraica(Cânon Hebraico, Judaico ou TM) é composto assim:

a. A Torá( A Lei) = Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.

b. Os Profetas = Os Anteriores: Josué, Juízes, Samuel(I e II considerados em conjunto), Reis(I e II em conjunto). Os Posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel, e o Rolo dos Doze(Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias).

c. Os Escritos = Poesia e Sabedoria: Salmos, Provérbios, Jó. Os Rolos(Megilot) cada um usado na ocasião de uma festa específica: Cantares na Páscoa; Rute no Pentecostes; Lamentações no dia 9 do mês Abibe; Eclesiastes na Festa dos Tabernáculos; Ester na Festa de Purim. História: Daniel, Esdras, Neemias, Crônicas(I e II em conjunto).

Observações: são 24 livros, sendo tomados como um só livro os seguintes conjuntos: Samuel, Crônicas, Reis, Os Doze, Esdras e Neemias. Josefo, por achar mais dois conjuntos Juízes e Rute, Jeremias e Lamentações, falou em 22 livros. O Novo Testamento menciona uma divisão tripla do Antigo Testamento: "A Lei, os Profetas e os Salmos"(Lucas 24:44). O livro de Eclesiástico(apócrifo), escrito em cerca de 130 antes de Cristo fala de "a lei, os profetas e os outros escritos". Confira Mateus 23:35 e Lucas 11:51 que refletem o arranjo da Bíblia Hebraica.

O arranjo da Vulgata(versão latina oficial da Igreja católica romana, completa em 450 antes de Cristo, mas aceita plenamente em cerca de 650 antes de Cristo). Em geral, segue a LXX, só que I e II Esdras são iguais a Esdras e Neemias, e as partes apócrifas(III e IV Esdras), tanto como a Oração de Manassés, são colocados no fim do Novo Testamento. Os Profetas Maiores são colocados antes dos Profetas Menores. "Desta lista percebe-se que a Bíblia protestante segue a mesma ordem tópica do arranjo da Vulgata, só que omite todas as partes apócrifas... Na ordem, a Bíblia protestante segue a Vulgata, no conteúdo, segue a Hebraica"(2). Uma avaliação do livros apócrifos indica que eles têm certos valores históricos e religiosos. Confira Judas 14,15 cita I Enoque 1.9 e Atos 17.28; I Coríntios 15.33 citam uma linha do drama grego Taís de Alexandre. De um modo geral os apócrifos não têm: a qualidade histórica, ética, teológica e espiritual dos canônicos.



PRINCÍPIOS PARA INTERPRETAÇÃO DO VELHO TESTAMENTO

Por Lonnie Byron Harbin

1. Distinguir, o quanto possível, a natureza da literatura do trecho. Por exemplo:



  1. Jó 38.7 = É poesia ou prosa?

  2. Êxodo 20.8 = É lei ou evangelho; Mc. 1.1; Mt. 4.23; Ef. 2.8-10? ou provérbio(axioma), Pv. 13.20? ou canção de amor, Ct. 1.2? ou drama poético, Jó 2.16? ou hino, Sl.42.1?

  3. Gênesis 1.27 = É narrativa religiosa ou tratado científico moderno? ou predição, Is.2.2? ou ensaio biográfico, Ec.1.12? ou cântico profético, Is.45.12, 18; 43.6-7? Ou poesia dramática, Jó 10.8-9?

  4. II Timóteo 3.16 nos mostra a finalidade principalmente religiosa e moral do Antigo Testamento.

2. Estabelecer, o mais exato possível, a posição histórica do autor ou do trecho.

  1. Salmo 137.8-9 comparado com Mateus 5.43-48.

  2. Jó 7.9-10 e 10.21-22 comparado com Jó 19.25-26.

  3. Salmo 6.5 e Eclesiastes 9.5 comparados com Lucas 23.43 e II Timóteo 1.10.

3. Levar em conta o contexto do trecho.

  1. Isaías 14.12 à luz dos versículos 4 e 16.

  2. Gênesis 1.3 e 5 à luz de 1.14 e 19.

  3. Gênesis 1.26-27 e 31 à luz de 2.4b-7.

4. Notar as relações existentes entre o trecho profético e o seu futuro cumprimento ou cumprimentos.

  1. Gênesis 13.15 comparado com Jeremias 29.10; 32.36-41; Esdras 1.1-5; Hebreus 11.8-10; 12.22-24; Apocalipse 21.2,10.

  2. Jeremias 31.31-34 comparado com Hebreus 8.6-7,13; 9.11-15.

  3. Isaías 53.7-8 comparado com Atos 8.32-33.

  4. Malaquias 4.5-6 comparado com Mateus 11.14.

  5. Amós 9.11-21 comparado com Atos 15.16-18.

5. Procurar luz junto com a linguagem original em que o autor escreveu.

  1. Êxodo 6.3 - "O Senhor" quer dizer Jeová, ou Javé, ou Iaweh, o nome de Deus revelado em relação à aliança feita com Israel, Ex. 19.3,5; 34.5-7; Mt. 1.21-22; Lc. 1.31-33. É o Deus que, se identificando em relação à aliança, posteriormente se encarnou em Jesus, "Salvação de Jah" ou "Javé", a fim de cumprir o seu propósito maior em fazer a aliança com Israel.

  2. "Criar"(bara) em Gênesis 1.1, 21,27 e 2:4 não é a mesma palavra traduzida como "fez" em Gênesis.1.7,16 e 25.

  3. Salmo 6.5 - "no sepulcro" quer dizer mais do que o simples túmulo, a palavra original sheol indica a região dos mortos.



ESQUEMA HISTÓRICO

Criação....................................................................de 8 a 25 bilhões de anos antes de Cristo.

Os patriarcas..................................................................cerca de 2000 a 1600 antes de Cristo.

Moisés e o Êxodo(3).......................................................... cerca do século 13 antes de Cristo.

Samuel(último juiz e primeiro profeta)......................... cerca de 1075 a 1035 antes de Cristo.

Saul ...............................................................teria reinado de 1050/45 a 1010 antes de Cristo.

Davi ......................................................................teria reinado de 1010 a 970 antes de Cristo.

Salomão................................................................. teria reinado de 970 a 931 antes de Cristo.

A divisão do reino nos dias de Roboão .......................................cerca de 931 antes de Cristo.

A destruição do reino do norte(Israel, Efraim).....................................722/721 antes de Cristo.

A destruição do reino do sul(Judá)......................................................587/586 antes de Cristo.

A primeira volta dos judeus da Babilônia sob Zorobabel .......................... 537 antes de Cristo.

A obra de Esdras ........................................................................cerca de 458 antes de Cristo.

A obra de Neemias .................................................................... cerca de 432 antes de Cristo.





OS GÊNEROS LITERÁRIOS DO ANTIGO TESTAMENTO

1. Os escritores do AT foram inspirados por Deus, 2 Timóteo 3.16.

2. Ao inspirar, Deus falava por homens escolhidos, 2 Pedro 1.20-21. No seu escrever e editar o conteúdo do nosso AT esses homens eram inspirados(sob a influência especial do Espírito de Deus) para registrarem a revelação que lhes fora dada de várias maneiras. Assim, os seus escritos são inspirados. Pelo mesmo Espírito esses escritos tornam-se iluminados a nós que temos fé e assim também nos inspiram. Atualmente se usa "inspirar" mais no sentido emotivo esquecendo de falar devidamente em iluminação(sentido instrutivo) proveniente do Espírito da Bíblia.

3. O AT como palavra(mensagem) de Deus escrita, é um compêndio de literatura proveniente do antigo Oriente Médio. É assim que devemos iniciar a nossa caracterização do aspecto humano da Bíblia, sempre levando em consideração também o seu aspecto divino(inspiração).

4. O AT consta de 39 livros diversos, e assim é uma coleção literária(aspecto humano).

a) Foi escrito em duas línguas semitas antigas(Gênesis 10.21 e 26) o hebraico e o aramaico. Somente Daniel 2.4-7.28, Esdras 4.8-6.18 e Jeremias 10.11 foram escritos em aramaico(sírio antigo, cf. Dt.26.5; Gênesis. 25.20), o resto em hebraico, língua irmã, a língua de Canaã, Is. 19.18.

b) Portanto, é uma coleção de literatura proveniente do Antigo Oriente Próximo( de cerca de 1400 a 200 antes de Cristo).

c) Se não fosse assim, seria necessário a Deus repetir toda esta obra para cada nova geração e língua.

d) Significa tudo isto que ao descobrirmos o sentido do relato para o antigo povo de Israel, em face da sua língua e ambiente cultural e histórico, é que sentiremos de maneira mais tocante, sob a iluminação do Espírito, a sua mensagem vital e autêntica para nós.

e) Deve-se salientar ainda que as porções mais antigas do conteúdo do AT, antes de serem colocadas na sua forma final, eram transmitidas oralmente e depois fixadas em escrito. As narrativas de Gênesis parecem-nos um caso em questão. Um exemplo claro implica-se em Jeremias 36.2. Todas as mensagens do profeta da época de 627 a 605 antes de Cristo são referidas. Ele teria gravado na memória suas mensagens, muitas encontrando-se em forma poética.

f) Os dez mandamentos foram esculpidos em tábuas de pedra, Êxodo 31.18. Moisés teria preservado "O Livro da Aliança" em alguma forma de "livro", Êxodo 24.4,7. Também a conservação do "Livro da Lei" encontrado no templo em 621 antes de Cristo, II Reis 22-23, é exemplo adicional da tendência de formar "livros", possivelmente rolos de pergaminhos como no caso de Jeremias 36. A arqueologia nos mostra que blocos de barro foram usados mais comumente naquela antigüidade mais remota.

g) Assim a tradição oral e aquela escrita teriam coexistido lado a lado por séculos, sendo que no período do exílio babilônico(após 586 a.C.), e especialmente no período de Esdras(c.458 a.C.) em relação à Lei, teriam sido as duas empregadas para produzir a forma original final dos livros. A evidência, contudo, leva a crer que as porções centrais do conteúdo fossem conservadas o quanto possível em forma escrita através dos séculos desde a época de Moisés em diante, cf. Ex 17.14; 24.7; Nm 33.2; Dt 27.3; 31.9, 24-26; Js 1.8; 23.6; 24.26; I Rs 2.3; II Rs 22.8; 23.25; Ed 3.2; Ne 8.1-3; 11.13.

5. A pré-história oral e escrita teria relação principalmente aos livros do AT que tratam do período pré-exílico - o Pentateuco, os livros históricos, os profetas pré-exílicos, e porções de livros como, por exemplo, Salmos e Provérbios.

a) A pré-história escrita. Moisés, segundo Ex 24.4,7, escreveu o "Livro da Aliança", o qual teria existido em separado até tornar-se uma das formas empregadas pelo autor do Livro de Êxodo. Josué 10.13 refere-se a outro antigo livro-fonte, "O livro dos justos", em que o autor teria se baseado em parte. I Reis 11.41 menciona uma das fontes escritas do seu autor, "O Livro da História de Salomão". II Reis 1.18 refere-se ao "Livro da História dos Reis de Israel". A crítica literária referida em baixo era a primeira das disciplinas do alto criticismo a surgir nos tempos modernos(séc.18 d.C.) e se preocupa principalmente com a investigação das fontes literárias refletidas no atual texto.

b) A pré-história oral. É interessante notar que Ex 15 relata "O Cântico de Moisés", o qual ele e o povo entoaram ao Senhor. O assunto celebrado é o livramento de Israel do exército de Faraó. Ex 14 contém um relato prosaico do mesmo acontecimento. É lógico, na base das dicas do texto, que o cântico fosse preservado tanto em forma oral como escrita, e também que fosse preservado por grupos de sacerdotes ligados, através dos séculos, a um ou mais dos santuários em Israel.

c) A pré-história do texto dos livros mais antigos do AT, portanto, tem ocupado o interesse dos estudiosos no século 20. Assim se desenvolvia o estudo das formas típicas de fala que jazem atrás do texto e servem de dicas para entender algo da origem e do uso na comunidade de Israel do bloco do conteúdo. Na vida de uma comunidade existiam determinadas situações típicas que se repetiam com regularidade, sendo muitas vezes ligadas a certo lugar e determinada época. Tais situações(Sitz im Lebem, ou "contexto vital") teriam incluído o julgamento, o culto divino, festas religiosas, etc. em certos lugares como Siquém e Jerusalém. A forma de expressão era determinada pelo correspondente Sitz im Lebem e ela se realizava mediante fórmulas e gêneros literários fixos. Esta disciplina, não muito prática é chamada de a crítica das formas e desenvolveu-se depois da crítica literária. Ela tem dado seus melhores resultados no estudo dos Salmos. Dois nomes importam quanto à sua origem: Hermann Gunkel e Sigmund Mowinckel.

1) A crítica literária do AT tem suas raízes no humanismo da Renascença e da Reforma Protestante, embora surgisse historicamente no racionalismo europeu do século 19. A preocupação principal da disciplina é situar o autor na sua época à luz da marcha da história.

2) Esta disciplina tem servido para desafiar a tese tradicional de Moisés como autor do pentateuco em si, por exemplo, achando o pentateuco composto no período do exílio babilônico na base de quatro extratos(documentos) surgidos em diferentes grupos em Israel e em épocas diferentes.

3) A crítica literária também tem procurado elucidar os documentos ou extratos usados pelos autores dos outros livros do AT, como por exemplo, no caso dos livros de Samuel, os Salmos, Eclesiastes, Cânticos, Jonas, Isaías, Daniel e Zacarias.

6. Perante o fato do surgimento arqueológico de textos variados provenientes tanto em Israel como dos povos vizinhos dele, os estudiosos têm se preocupado em comparar a literatura do AT com aquela das descobertas. O resultado tem sido promissor, embora haja sempre radicais tanto liberais como conservadores quanto à interpretação de tais comparações.

6.1. Os gêneros literários dos textos arqueológicos se dividem, semelhante ao AT, em duas categorias principais: prosa e poesia.

a) As subcategorias da prosa( a forma natural de falar, por oposição ao verso) são geralmente entendidas como incluindo: 1) narrativa. 2) parábola. 3) fábula. 4) alegoria. 5) sermão. 6) história curta. 7) discurso. 8) oráculo e 9) ensaio.

b) O debate entre os estudiosos relaciona-se principalmente à subcategoria de narrativa. As descobertas arqueológicas mostram historiografia, mito, conto-folclórico, lenda, saga e material jurídico. Será que no AT contamos com mito, conto, lenda e saga? Os mais liberais têm dito que sim, mas ultimamente a maioria dos eruditos têm chegado à seguinte conclusão típica exemplificada por Bentzen: "No Antigo Testamento... só encontram-se restos e adaptações de material mitológico", porque o mito não teve condições favoráveis em Israel devido à sua ligação com o politeísmo(cf. Is 27.1, 51.9; Ez 29.3; Jr 51.34; Sl 74.13,14; 104.26; Is 14.12-15; Ez 28.12-15; Gênesis 1-2).

6.2. As subcategorias da poesia(a arte de se expressar em verso que muitas vezes emprega a linguagem figurada e bem expressiva para descrever a beleza ou o sentido da coisa).

1) Pelo menos uma terça parte do AT é de poesia.

2) Foi somente em 1753 d.C. que essa poesia foi pela primeira vez nos tempos modernos examinada e descrita.

6.3. As principais categorias da poesia do AT são:

6.3.1. Canções.

1. Nupciais - Cantares de Salomão.

2. Fúnebres - lamentações.

3. Hinos - Os Salmos 42-46, 92, 124, 147.

4. Populares - I Samuel 18.7(resumo da canção popular).

5. Bênçãos e Maldições("palavras patriarcais’) - Gênesis 12.1-3; 14.19-20; 22.16-18 48.15-16; 49.2-27 cf. Gênesis 3.14-19; 4.23-24; 9.25-27.

6. A sentença - uma só linha poética, Gênesis 10.9; I Samuel 10.12.

7. O Enigma - Jz 14.14.

8. O Provérbio - O livro de Provérbios, cf. Jr 18.18.

9. Poemas diversos - Os Salmos, a maior parte de Jó é poesia dramática.

10. Segundo Robert Lowth(o estudo de 1753 d.C.) e os estudiosos posteriores, a poesia hebraica tem duas características básicas que se mostram numa grande variedade por todo o AT:

a) paralelismo, ou "rima", de pensamento.

b) várias seqüências de sílabas tônicas e átonas(ritmo).

7. Tem se desenvolvido outras disciplinas além da crítica literária e das formas.

a) A crítica da história das tradições ocupa-se dessas duas a fim de traçar a história pré-canônica dos vários blocos homogêneos de material(tradições) para entender melhor a história religiosa e teológica que teriam produzido a tradição. É disciplina difícil e não é muito prática.

b) A crítica canônica, uma das mais novas a surgir, visa entender os livros do AT à luz da história da sua canonização e lugar no cânon como sendo Escritura Sagrada para o judaísmo e a Igreja. Quais os valores que os antigos judeus, por exemplo, teriam achado no livro de Jonas para incluí-lo no cânon entre os profetas? Salienta-se a necessidade de olhar para a totalidade de um livro bíblico ao invés de somente analisar as tradições separadas refletidas nele. O livro todo, na forma em que se encontra e na divisão canônica da qual faz parte, importa como palavra de Deus para a Igreja. Esta disciplina é mais promissora do que algumas outras da alta crítica e foi motivada por uma reação contra a esterilidade espiritual e prática de muita coisa na alta crítica.



O PENTATEUCO(4)

Chama-se "Lei de Moisés" ou Pentateuco(em hebraico Humash, Hamishá, Humashé Torah ou simplesmente Torah), ao conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia, que são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio(em hebraico: Bereshit, Shemót, Vayikrah, Bamidbar e Devarim). Os nomes que derivam do grego estão relacionados com o conteúdo, enquanto que as denominações hebraicas são constituídas pela primeira ou principal palavra do início de qualquer livro.

A autoria do Pentateuco é atribuída a Moisés, que o escreveu sob inspiração divina. A crença afirma que a Torah que possuímos hoje é a mesma que nos transmitiu Moisés. Esta afirmação faz parte dos Treze Artigos de Fé Judaica de Maimônides(Shelosh-esré ikarim le "Harambam"). Existem três diferentes redações do Pentateuco: a judaica, a samaritana e a grega da "Versão do Setenta" e a versão latina desta, denominada "Vulgata". A mais próxima da judaica é a grega. A redação judaica foi vocalizada pelos rabinos massoraitas, aproximadamente no século VII depois da era comum. A redação samaritana, a mais recente das três, difere bastante da judaica e da versão grega.

O Pentateuco contém a história do Homem, a origem do povo hebreu e toda sua legislação civil e religiosa, finalizando com a morte de Moisés. No que concerne à autoria dos oito versículos finais da Torah, que tratam da morte de Moisés(Dt 34.5), o "Talmud"(B.B. 14b) a atribui a Josué, seu sucessor, o qual acompanhou o seu mestre até os últimos momentos. A Torah contém cinco mil oitocentos e quarenta e cinco versículos.




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