Pintura automotiva



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PINTURA AUTOMOTIVA
Nos carros atuais, já vem bem protegida de fábrica contra ferrugem e outros agentes nocivos ao metal. Também não é difícil conservar a lataria do veículo contra poeira ou barro. Contra acidentes ou vandalismo isso já é bem mais complicado.

Riscos, batidas de porta em estacionamentos ou ainda pequenos amassados que aparecem por alguém ter encostado no carro acontecem com freqüência. O mais importante é não deixar o conserto para mais tarde. Isso pode significar prejuízos maiores que os da batida.

Pequenos retoques, “martelinho de ouro” e outros recursos são facilmente encontrados em serviços de reparos rápidos para resolver esses problemas. Procure fazer sempre, no mínimo, dois orçamentos antes de ordenar o serviço.

A pintura lisa ou sólida é a mais comum (e mais barata) e usa apenas pigmentos de cores. Utiliza-se laca ou esmalte para essa camada. Na pintura metálica, a tinta recebe a chamada carga de efeito, ou seja, laca acrílica e pigmentos de alumínio que deixam a superfície brilhante. A pintura perolizada leva pó de pérola e pigmento de mica (de origem mineral), que tornam as cores mais intensas. Embora a formulação das tintas tenha evoluído consideravelmente nos últimos tempos, tornando a superfície pintada mais resistente ao ataque de produtos químicos, certos cuidados devem ser tomados para mantê-la em ordem. Lave sempre que pegar poeira ou barro, após transitar em estradas de terra ou sob chuva. Não utilize querosene nem solvente. O ideal é usar um detergente bem suave, lavando e enxaguando rapidamente toda a superfície. Não deixe secar ao sol. Encerar e polir com regularidade, no mínimo a cada 90 dias, é importante para conservar a pintura e a boa aparência.
TIPOS DE PINTURA
Imersão

Vantagens:
- Cobertura de tinta em locais de difícil acesso (Cantoneiras , Curvas etc..)
- Melhor acabamento nestas áreas

Desvantagens:
- Escorrimento
- Desperdícios
- Volatilização (do solvente e da tinta)

 

Pincel



Vantagens:
- Custo ( Não Necessita Equipamentos Especiais )
Compressor / Pistola / Filtro de Ar.

Desvantagens:
- Riscos das Cerdas ( Imperfeições na Pintura )
- Desperdício de Tinta
- Acabamento não Uniforme

 

ROLO



Vantagens:
- Custo ( Não Necessita Equipamentos Especiais )
Compressor / Pistola / Filtro de Ar.
- Pinturas em Parede com Latex ( Mais Adequada )

Desvantagens:
- Desperdício de Tinta
- Espirros de tinta na aplicação
- Não cobertura de cantos

 

Pistola ( Pulverização Convencional )



Vantagens:
- Alinhamento na Aplicação (Ordenação das Partículas de Tinta)
- Uniformidade na Aplicação
- Menor Desperdício de Tinta
- Tempo Reduzido na Aplicação

Desvantagens:
- Custo ( Necessidade de Compressor de Ar,( Filtro, Pistola, Local Adequado, Etc...)
- Névoa na Aplicação (Poluição)
- Manutenção dos Equipamentos

 

Eletrostática



Vantagens:
- Uniformidade na Aplicação
- Melhor Aproveitamento da Tinta (Reutilização)
- Melhor Acabamento das Peças
- Maior resistência da Pintura
- Pintor ( Sem Necessidade de Qualificação)

Desvantagem:
- Custo : Necessidade de Compressor de Ar, Filtro de Ar, Cabina de Pintura (para retenção do pó) e Estufa (para a cura da tinta)
- Manutenção ( Pessoa qualificada , Assistência Técnica Autorizada)

 

COMO PREPARAR A CARROCERIA PARA PINTURA

 

O resultado final do processo do trabalho da repintura automotiva depende, em primeiro lugar, de uma perfeita preparação de superfície.

 

Por que é importante preparar a superfície.


Muitos dos produtos que são utilizados durante a preparação de superfície são promotores de aderência e possuem propriedades anticorrosivas. Para que os produtos que serão utilizados depois da preparação, como as tintas e os vernizes, tenham boa aderência e não apresentem problemas, é fundamental que o trabalho de preparação da superfície seja bem feito. A aplicação de produtos como o Wash Primer é fundamental para que a chapa receba a proteção contra a corrosão, um problema que deriva originalmente da preparação inadequada ou até mesmo da não-preparação.

 

Produtos e equipamentos específicos para a preparação da superfície.


Para realizar a preparação de superfície é necessário: Flanelas, Lixas (números 180,320,400,600), Taco de borracha, Pistola de pintura. Produtos: Desengraxante, Thinner, Wash Primer, Primer.

 

Etapa anterior a preparação


Caso haja necessidade, existe a remoção da tinta através do lixamento ou da aplicação do Removedor Pastoso.

 

A preparação é feita seguindo alguns procedimentos:


1) O primeiro passo inicia-se assim que o carro chega a oficina, que é a retirada da tinta que possui algum problema, como trincamento, em virtude de ter amassado a lataria, ferrugem, etc.. Essa retirada é feita utilizando-se Removedor Pastoso. Deve ser aplicada uma camada alta do produto com um pincel. Durante a aplicação é necessária a utilização dos Equipamentos de Proteção Individuais (EPI) : mascara, 6culos e luvas. Não é recomendada a aplicação sobre peças quentes ou sob o sol. Em seguida, espera-se que o produto faça com que a tinta fique com o aspecto enrrugado (5 a 10 minutos). Quando se detecta que o produto esta agindo, iniciar a raspagem da tinta. Nota-se o aparecimento das camadas dos produtos que foram utilizados na primeira preparação de superfície. Terminada a raspagem, limpar a peça com Thinner para a retirada de resíduos do produto. (No caso de pequenos retoques a superfície não precisa da utilização do Removedor Pastoso, basta lixar com o auxilio do taco de borracha e lixa d’água 240).

2) Lavar com água e sabão neutro para que a superfície esteja livre de impurezas solúveis em água, tais como: poeira, lama, etc. Este procedimento deve ser feito rapidamente pois a chapa pode oxidar-se; deve se enxaguar em seguida. Secar utilizando-se de ar comprimido, ou soprador térmico.

3) Limpar a superfície com desengraxante para remover toda a oleosidade, graxa, etc.. Secar com uma flanela limpa. 0 desengraxante é um produto muito importante em todas as etapas da repintura de um carro pois ele é responsável pela limpeza da superfície. Caso haja alguma impureza durante a aplicação de algum dos produtos corre-se o risco de ter, no futuro problemas na pintura como oxidação, crateras, etc.

4) Lixar com o auxilio de um taco de borracha e lixa d’água 180 no primeiro desbaste e em seguida lixar com lixa d’água 320 em movimentos circulares.

5) Não deixar as superfícies expostas as intempéries (sol, vento, chuva, etc.), aplicar imediatamente uma demão esfumaçada de Wash Primer, previamente catalisado, com a pistola regulada em 40 a 50 lbs/pol. 0 Wash Primer é um fundo fosfatizante que possui propriedades anticorrosivas e promove a adesão dos demais produtos nos diferentes tipos de substratos. Pode ser utilizado em chapas de aço, galvanizados, alumínio ligas de cobre e correlatos podendo ser aplicado sobre ele qualquer tipo de acabamento.

 6) Aplicar Primer Nitro, que após a secagem deve iniciar lixando com lixa d’água 400 e terminar com lixa 600; 0 tempo de secagem é de: Ar: 30 a 40 minutos a 25 C Estufa: 10 minutos a 60 C

 7) Se for necessário, aplicar a Massa Rápida, para a correção de pequenas imperfeições que deve ser lixada, após a secagem com lixa d’água 240 ou 280.

 8) Aplicação do Controle de Lixamento.

 9) Aplicação, se necessária, nos locais onde necessitam a proteção contra batida de pedras, do Autoforce.

 

Preparação e Durabilidade da Pintura


Como já foi citado anteriormente durabilidade da pintura esta relacionada com preparação de superfície. A preparação correta, utilizando produtos de qualidade, é fundamental para que a pintura tenha uma boa durabilidade. Recomendamos também, além de preparação, a utilização de um sistema de pintura. Utilizar produtos e complementos sempre de um mesmo fabricante. Desde o Wash Primer até o verniz de acabamento é importante que todos os produtos sejam do mesmo fabricante pois eles já foram previamente testados e aprovados em diversas condições (intempéries). É importante também utilizar sempre os catalisadores e thinners para a diluição indicados para os produtos.

 
 

DICAS PARA PINTURA AUTOMOTIVA


 

Pinturas em Plásticos


  • Lavar cuidadosamente com água e sabão neutro.

  • Desengraxar utilizando Solução Desengraxante.

  • Lixar com lixa #600.

  • Desengraxar novamente, utilizando Solução Desengraxante.

OBS.: Devido a problema de aderência em pinturas em plásticos, é aconselhado que se utilize Primer para Plásticos antes de iniciar a pintura.

Pinturas em Chapas Metálicas


  • Lavar com água e sabão, secar com ar e lixar.

  • Limpar com Solução Desengraxante e secar com ar comprimido.

  • Aplicar Fundo Fosfatizante

  • Caso haja imperfeições, corrigir com Massa Poliéster.

  • Limpar novamente com Solução Desengraxante. Aguardar a secagem e aplicar o Primer.

  • Aplicar o Controle de Lixamento e lixá-lo até removê-lo por completo. Limpar novamente com Solução Desengraxante, secar com ar comprimido e iniciar aplicação da tinta de acabamento.

OBS.: O procedimento acima descrito refere-se para pintura em chapa metálica NUA. Para chapa metálica PINTADA, utilizar inicialmente o Removedor Pastoso e seguir o procedimento acima descrito.
Evite realizar pinturas em ambientes com poeira.

 

SOLUCIONANDO PROBLEMAS


 

Diferença de Tonalidade


 

Identificação: A repintura apresenta uma tonalidade diferente de pintura original.

Causas: A pintura original de fábrica apresenta algumas variações e ainda sofre alteração na sua coloração, por ação da natureza e/ou por maus tratos. Isto significa que é natural ter que "acertar" a tonalidade da cor na hora da repintura. Mas é importante saber que o modo de como se aplica a tinta também influencia ( e muito) a tonalidade da cor.
Os problemas mais freqüentes ocorrem pelos seguinte motivos:


  • Uso de tintas com baixa viscosidade (tinta muito fina) ou com alta viscosidade (tinta muito grossa).

  • Falta de ajuste da pressão do ar, vazão da tinta, velocidade de aplicação e distância entre a pistola de pulverização e a superfície a ser pintada.

  • Número inadequado de demãos aplicadas: mais demãos (tonalidade mais escura), menos demãos (tonalidade mais clara).

Correção: Utilizar a tinta de maneira correta, seguindo rigorosamente as instruções contidas na embalagem. Caso a cor ainda precise de ajuste, o acerto da tonalidade pode ser feito com o acréscimo de pigmentos na tinta.

OBS.: Mexer bem a tinta antes de usá-la é o primeiro passo para evitar problemas de tonalidade. Em seguida, pinte um pedaço da chapa e compare com a cor do carro, antes de aplicar a tinta no veículo.

 

Rachadura (Trincamento)

 

Identificação: A pintura apresenta riscos ou cortes profundos.



Causas:

  • Repintura feita sobre um base velha, já trincada.

  • Aplicação da Laca Acrílica sobre superfície pintada em Esmalte Sintético.

  • Aplicação da tinta sobre Primer inadequado.

  • Excesso da camada de Primer ou Massa.

Correção: Decapar (raspar) as partes afetadas, preparar a superfície e repintar corretamente, conforme instruções descritas na embalagem do produto.

 

Marcas de Lixa


 

Identificação: Risco visíveis sobre uma superfície pintada.

Causas: Lixamento feito com lixa de grana muito grossa

Correção: Aguardar a secagem completa, lixar com lixa de grana mais fina e repintar corretamente conforme instruções descritas na embalagem do produto.

 

Escorrimento


 

Identificação: A tinta forma acúmulos em forma de um cordão.

Causas:


  • Aplicação com pistola de pulverização muito próxima da superfície a ser pintada e com movimentos muito lentos.

  • Excesso de tintas com alta viscosidade (muito grossa).

  • Uso de Thinner/Solventes inadequados.

Correção: Aguardar a secagem completa, lixar as partes afetadas, preparar a superfície e repintar corretamente, conforme instruções descritas na embalagem do produto.

 

Pintura Queimada (Calcinação)


 

Identificação: A pintura fica fosca, sem brilho e com aparência ressecada.

Causas: Basicamente há três fatores que causam a calcinação. Os dois primeiros são agressões externas, como:


  • Exposição do veículo ao sol durante muito tempo.

  • Lavagem do veículo com shampoo ou sabão muito forte

  • Já o terceiro fator pode ser considerado como uma agressão interna, que é o uso de Thinner/Solventes inadequados.

Correção: Polir com Massa de Polir, até eliminar o defeito.

 

Fervura


 

Identificação: A pintura fica com aparência áspera, rústica e porosa.

Causas:


  • Exposição do veículo pintado ao calor (estufa ou painel de secagem), antes de acontecer a evaporação dos solventes.

  • Aplicação de tintas sobre a peça quente.

Correção: Decapar (raspar) as partes afetadas, preparar a superfície e repintar corretamente, conforme as instruções descritas na embalagem do produto.

 

Bolhas


 

Identificação: Algumas partes da pintura se enchem de ar formando bolhas.

Causas:


  • Exposição do veículo pintado, ao calor (estufa ou painel de secagem), antes de acontecer a evaporação dos solventes. Isto ocorre principalmente quando da aplicação excessiva Primer ou Massa (camada muito grossa).

  • Existência de umidade na superfície a ser pintada.

  • Presença de água na mangueira ou no compressor.

Correção: Decapar (raspar) as partes afetadas, limpar a superfície e repintar corretamente, conforme as instruções descritas na embalagem do produto.

 

Manchamento na Cores Metálicas


 

Identificação: O manchamento da pintura é identificado visualmente, em função de concentração de alumínio em pequenas áreas.

Causas:


  • Falta de ajuste da pressão do ar, vazão da tinta (aplicação muito carregada), velocidade e/ou distância inadequadas entre a pistola de pulverização e a superfície a ser pintada.

  • Quantidade muito grande de retardador adicionado à tinta (no caso de Laca Acrílica).

  • Presença de água na mangueira ou no compressor.

Correção: Decapar (raspar) as partes afetadas, limpar a superfície e repintar corretamente, conforme as instruções descritas na embalagem do produto.

 

Falta de Aderência


 

Identificação: A tintas se destaca da superfície pintada, em forma de placas.

Causas:


  • Limpeza inadequada da superfície a ser pintada.

  • Falta de lixamento da pintura original.

  • Uso de Thinner/Solventes inadequados.

Correção: Remover as camadas soltas e repintar conforme instruções descritas na embalagem do produto.

 

Cratera (Olho de Peixe)


 

Identificação: A ausência de tintas em pontos onde existem impurezas provoca o surgimento de crateras com aparência de olho de peixe.

Causas:


  • Limpeza inadequada da superfície a ser pintada (é necessário lavar o carro com detergente).

  • Uso de ceras polidoras que contenham silicone ou substâncias graxas.

  • Contaminação das roupas por silicone ou substância graxas.

  • Óleo no compressor.

  • Cristalização.

Correção: Decapar (raspar) as partes afetadas, preparar a superfície e repintar corretamente, conforme instruções descritas na embalagem do produto.

 

Casca de Laranja


 

Identificação: A pintura fica com aparência granulada, semelhante à casca de laranja.

Causas: Este problema é causado por descuido na hora da aplicação. Os fatores que influenciam são:


  • Pintura realizada em ambientes muito quente.

  • Alta viscosidade da tintas (muito grossa).

  • Uso de Thinner/Solventes inadequados.

  • Falta de ajuste de pressão do ar, vazão da tinta, velocidade de aplicação e distância entre a pistola de pulverização e a superfície a ser pintada.

Correção:

  • Casos Simples: Após a secagem da tinta, polir com Massa de Polir.

  • Casos Graves: Após a secagem da tinta, lixar a pintura até obter uma superfície lisa e repintar corretamente conforme instruções descritas na embalagem do produto.

Branqueamento


 

Identificação: A pintura fica com aparência leitosa e sem brilho, logo após a aplicação

Causas: Este é um problema que pode ocorrer com a Laca Nitrocelulose ou Laca Acrílica. Estas tintas utilizam Thinner/Solventes de evaporação muito rápida, que em ambientes muito úmido pode ocasionar o branqueamento. É por isso que este problema ocorre com mais freqüência em dias frios e chuvosos.

Correção:



  • Casos Simples: Após a secagem da tinta, polir com Massa de Polir.

  • Casos Graves: Após a secagem da tinta, lixar a pintura e aplicar 2 demãos cruzadas do acabamento. Adicionando na tinta, já diluída, 5 a 10% de retardador correspondente ao sistema de pintura utilizado.



Defeitos que podem ocorrer no momento da Repintura

Algumas medidas especiais devem ser tomadas quando se faz a repintura de um veiculo. Um serviço mal executado pode ocasionar uma série de defeitos, muitos só são percebidos depois de terminado o trabalho, e um grande prejuízo para o profissional. Lembre-se que, no caso da repintura, qualquer defeito que surja só é eliminado repetindo-se todo o trabalho, desde o começo. Um detalhe importante que deve ser alvo de constante preocupação é o referente a tonalidade da repintura. Os fabricantes de tintas sempre procuram conscientizar o pintor automotivo da importância da técnica do alongamento. Segundo os técnicos do setor, o profissional que ano executar essa técnica certamente estará fora do mercado, em breve. Embora os proprietários de oficina e os próprios profissionais de repintura achem que o alongamento serve apenas para se gastar mais tinta, é preciso saber que isso ano é verdade. Hoje, existem algumas adequações de pigmentos que, sem o alongamento, fica quase impossível pintar uma peca com o mesmo angulo de incidência da tinta – a nova e a original. alongamento consiste em preparar e pintar, alem da peça que está sendo recuperada, também as peças que ficam ao seu lado. No caso cie uma porta, por exemplo, é necessário que se prepare a lateral e pára-lama, fazendo o lixamento com uma lixa fina e que, no processo de pintura, o pintor alongue a pulverização da tinta para esses componentes também. Depois, a aplicação do verniz deve ser feita por completo (porta, lateral e pára-lama).

O que observar

Quando um veículo chega na oficina para ser repintado, o profissional deveria observar os seguintes aspectos:

    - Em primeiro lugar, ele deve fazer uma limpeza geral da lataria do veiculo para eliminar os resíduos dos processos de cristalização (espécie de polimento, feito em postos e lava-rápidos). Essa limpeza deve ser feita com soluções desengraxantes, especialmente as hidrossolúveis que, embora mais lentas para secar, propiciam melhor retirada do silicone usado na cristalização. Se isto ano for feito, podem ocorrer problemas na hora da aplicação da tinta com o surgimento de crateras (conhecidas como olhos de peixe) e, posteriormente, com o desplacamento das camadas de tinta.

    -Em seguida, faz-se o lixamento, o desbaste e a aplicação de massa de poliéster, observando sempre o processo de secagem especificado pelo fabricante para cada produto utilizado.

   - Todos os fabricantes de tintas aconselham que nos reparos se utilize sempre a mesma marca de tinta original.

     - O profissional da repintura deve comprar sempre os seus produtos de fornecedores confiáveis, porque os fabricantes estão repassando cada vez mais responsabilidade para o seu distribuidor, inclusive no que diz respeito ao atendimento técnico.

    - É preciso ter um cuidado muito especial também na escolha das granas da lixa utilizada. Os técnicos dos fabricantes de tintas garantem que, na hora de se fazer a aplicação do primer de poliuretano, a granatura da lixa pode ser determinante na qualidade do trabalho final. Se for utilizada uma lixa com granatura excessiva, a aparência final da repintura ficará comprometida com o aparecimento de riscos.

    - Preparada a superfície, com massa e primer de poliuretano, deve-se utilizar um produto de controle de lixamento sobre o primer. Esse produto é uma solução de celulose que serve de guia visual, evidenciando os locais onde o lixamento não foi feito adequadamente. Antigamente, esse controle era feito só com o tato das mãos do repintor. Com os produtos mais lisos e aprimorados, isso já não é mais possível.

    -Deve-se prestar atenção também na questão da tonalidade das tintas originais. Hoje, os veículos saem de fábrica com nuances de tintas (tipo branco 1, branco 2 etc.) que devem ser seguidas na hora da repintura, para evitar diferenças visualmente desagradáveis de tonal idades.

    - Para evitar problemas, o pintor deve sempre fazer um teste com a tinta, numa pequena chapa, antes de iniciar a pintura do veículo propriamente dito. Isso pode evitar grandes gastos desnecessários, porque depois de cometido o erro na escolha da tonalidade da tinta a única solução é fazer todo o trabalho novamente.

    - Depois do veículo pintado, vem a aplicação do verniz. existe dois tipos de vernizes: o de poliuretano normal e o de altos sólidos. Para as oficinas que possuem alguns recursos como, por exemplo, um painel de irradiação, ou uma estufa, aconselha o uso do verniz de altos sólidos. Os que não tem, pelo menos um desses recursos, devem aplicar apenas o verniz normal.

    - O tipo de pistola usado também influi decisivamente na qualidade da repintura. Os tipos tradicionais podem ocasionar até 70% de perda do spray, que vai para o ar da oficina, empoeirando todo o ambiente de trabalho e até prejudicando a saúde do profissional. Estas pistolas precisam, em geral, de 45 a 60 libras de pressão de trabalho. As pistolas mais modernas trabalham com baixa pressão e alto volume de tinta, apresentando uma perda de apenas 30% do produto aplicado.
A VERDADE SOBRE A CRISTALIZAÇÃO

(Engº André Avny)

Assim como o ramo de medicamentos, o ramo de serviços automotivos tem o seu "B.O.".

Um nome pomposo que o público adotou rapidamente e que na realidade foi inventado para enganar o consumidor.

O verbo "CRISTALIZAR" significa mudar a estrutura molecular de um produto de amorfa (sem direção e regra definidas) para cristalina (com direção e regra definidas) 

No caso de um polimento e da aplicação de qualquer tipo de cera protetora, a estrutura amorfa da tinta jamais poderá ser mudada para cristalina.

Infelizmente não somente o verbo "CRISTALIZAR" está sendo usado erradamente no caso dos polimentos, mas também as promessas feitas aos consumidores são exageradas devido a falta de produtos e tecnologia de aplicação.

Promessas de enceramento "CRISTALIZADO" com duração de 6 (seis) meses a 1 um ano na maioria dos casos não são cumpridas.

Para conseguir uma camada cerosa e duradoura encima da pintura, deverá ser feito primeiramente um polimento com polidores a base de água e que contem um mínimo de cera e nenhum silicone. A finalidade deste polimento é de limpar totalmente a superfície da tinta, retirando todos os contaminantes sólidos incrustados. Este polimento não é necessariamente abrasivo, não causando assim a redução da espessura da tinta ou do verniz de acabamento.

É necessário criar uma superfície pintada totalmente limpa para conseguir aderência da camada cerosa protetora a ser aplicada em seguida.

O uso de massa de polir convencional (N.º 1, N.º 2 ou N.º 3 de qualquer procedência) deixará a superfície pintada com vestígios de cera e gordura. A gordura provem do querosene usado como solvente neste tipo de polidores. Ambos impedem a aderência de camadas protetoras posteriores.

Na maioria dos casos, para encobrir os defeitos de um polimento mal feito, com massa de polir, é aplicado pós polimento com massa de polir uma camada de cera limpadora qualquer. Somente após a aplicação desta cera limpadora é aplicado o assim chamado "CRISTALIZADOR" .

Mesmo no caso de usarem uma boa proteção cerosa, a aderência da camada será minimizada pelos contaminantes deixados pelas massas de polir e pela cera limpadora.

Para agravar ainda mais a situação, a cada polimento feito com massa de polir N.º 1 ou N.º 2 de qualquer procedência, a espessura da tinta ou do verniz diminui sensivelmente. 

Durante a vida útil de um automóvel não é recomendado mais de 2 ou 3 polimentos deste tipo.

Um segundo erro é encontrado nos produtos usados para criar a camada cerosa protetora.

Para criar está camada protetora de longa duração deverá ser usada uma classe de produtos que apresenta as seguintes características:



  1. Alto peso molecular: esta característica é necessária para a formação de mega-moléculas com polaridade acentuada e formação de camada através de forças eletrostáticas. Quanto maior for a molécula, maior a polaridade da mesma, maior a força eletrostática que cria a camada protetora e maior a adesão da camada sobre a tinta.

  2. Resistência a lavagem: o produto deverá formar camada resistente por longos períodos de tempo aos ciclos de lavagem por água, ciclos proporcionados pelas chuvas ou pelo próprio sistema periódico de lavagem do veiculo.

  3. Resistência: detergência - o produto deverá formar camada resistente por longos períodos de tempo a ação de detergentes dos sabões empregados normalmente na lavagem dos veículos.

  4. Repelência à raios ultravioletas : o produto deverá conter aditivos em quantidades suficientes para proporcionar uma proteção eficiente contra raios solares, maiores causadores da instabilidade química das tintas

Os assim chamados "CRISTALIZADORES" são na maioria ceras comuns que não possuem todas ou a maioria das características acima expostas. O uso de cera aditivada com TEFLON não melhora em absoluto o desempenho da camada protetora, sendo este um elemento totalmente inerte na temperatura a qual é aplicado.

CONCLUSÃO: O consumidor que pretende aplicar uma proteção de pintura duradoura na tinta do seu veiculo deverá escolher cuidadosamente tanto o produto a ser aplicado para tal finalidade como o próprio profissional para aplicá-lo, evitando assim aborrecimentos futuros.

REMOVENDO ARRANHÕES DAS PINTURAS AUTOMOTIVAS



(Engº André Avny)

Os polidores profissionais estão enfrentando diariamente uma pergunta banal feita pelos donos de carro obcecados pelo aspecto da pintura automotiva:

" - Será que se consegue tirar esse arranhão do meu carro?"

Cumprir com palavra dada ao cliente é tarefa árdua para o polidor levando em conta que a maioria não conhece o tipo de tinta que está a sua frente e conseqüentemente não sabe até onde pode prometer de tirar riscos da mesma.

Existe uma gama enorme de tintas automotivas encontradas nos carros modernos. Esta variedade determina a seriedade do risco encontrado e o processo adequado para removê-lo.

O primeiro passo é dado pelo polidor ao identificar se a pintura é original de fábrica ou repintura:



Caso A) Pintura Original de Fábrica

Devido à abertura de mercado dos últimos anos, existem no Brasil carros de inúmeras procedências: carros americanos, europeus, japoneses, coreanos e os assim chamados nacionais.

Mesmo sendo todos eles, basicamente, pintados com lacas poliuretânicas, existe uma grande variação de carro à carro, de modelo à modelo, dependendo da origem e da conveniência do fabricante em dado momento.

Para exemplificar, na linha de montagem da BMW série 5, na Alemanha, existem duas linhas paralelas: uma usa tinta convencional poliuretânica, à base de solvente, enquanto a outra usa tinta poliuretânica em pó.

Um veículo pintado na primeira linha, reagirá diferente ao polimento do que o que passou pelo processo de pintura da segunda linha devido ao processo de cura diferente das camadas de tinta em cada caso.

Normalmente os tipos de pintura de fábrica variam em função das leis ambientais do país no qual o veículo é fabricado. Mesmo tendo o mesmo fornecedor de tintas em diferentes países, os fabricantes modificam os sistemas de pintura, de acordo com as necessidades locais.

A cura das superfícies pintadas requer a exposição das mesmas ao ar. A cura aeróbica é parte do processo de catalização da tinta.

Os veículos protegidos por filmes plásticos, imediatamente após a fabricação para fins de estocagem ou transporte marítimo, continuarão o processo de catalização da tinta somente após a remoção dos plásticos. Esses plásticos não permitem a circulação do ar nas superfícies pintadas e os solventes não se evaporam na medida requerida para uma total secagem da tinta.

Ford, GM e Honda estão usando nas áreas críticas primers resistentes à impacto, evitando assim que a tinta descasque por abrasão.

A Mercedes Benz usa esse tipo de primer no carro inteiro, nos modelos Classe M.

Esse tipo de primer gera um comportamento diferente da pintura quando polida e as marcas são difíceis de evitar.

As lacas poliuretânicas usadas na pintura automotiva comportam-se como um material plástico. Calor excessivo gerado por boina de polimento amolece o polímero causando expansão do mesmo. O resultado é penetração profunda de arranhões e marcas na tinta.

Testes mostraram que em pintura de duas camadas de tinta poliuretânica, o fenômeno ocorre quando o polimento gera temperaturas acima de 46ºC.

Quando polimos um carro com pintura moderna atuamos basicamente sobre a camada transparente de verniz de espessura bem reduzida. Não é aconselhado remover no polimento acima de 0.3 mils (3/1.000 de polegada = 0.00762 cm), por dois motivos:



1º) Removendo mais, reduziremos sensivelmente a espessura do verniz e futuros polimentos poderiam comprometer o brilho e a resistência da pintura.

2º) O verniz é denso e sólido somente nos 0.5 mils da camada superior. Embaixo desta "capa" resistente, o verniz apresenta-se poroso e com baixa resistência mecânica, sendo facilmente marcado por arranhões.

A quantidade de sólidos que contém a tinta usada na pintura original de fábrica, também influi sobre o comportamento da mesma quando submetida ao polimento. Constatou-se que tintas de média ou baixa densidade de sólidos apresentam baixíssima resistência à arranhões e marcas.

Devido a grande diversidade de fatores que influem sobre o comportamento das tintas automotivas não pode criar um única receita de polimento para todos os veículos. Cada caso deverá ser examinado em separado, cabendo ao polidor profissional tomar as decisões certas para cada caso. Treinamento adequado da mão-de-obra envolvida com polimentos, é fator importante.

Caso B) Repintura

Quando precisa polir um carro repintado os cuidados do polidor deverão ser redobrados. Apesar de existir uma certa padronização à nível de fabricantes de tinta para esta finalidade, a qualidade da repintura está muito longe da qualidade da tinta original de fábrica. O fator "custo" determina na maioria dos casos, mudanças no processo de aplicação, de diluição e de secagem das tintas. O pintor poderá optar por catalizador em excesso, por diluente mais ou menos volátil, por aumento da temperatura na estufa, etc.

Estas mudanças incontroláveis alteram significativamente o comportamento da tinta exposta ao polimento e possibilidades de criar riscos profundos e marcas de boina aumentam sensivelmente

PROCEDIMENTOS

Entendendo porque certas tintas arranham e marcam com mais facilidade que outras, vamos aprender a retirar a maioria desses defeitos. Para fazer um serviço profissional precisamos usar equipamentos e produtos adequados que nos permitam enfrentar inúmeros casos diferentes. 



1. Equipamentos Recomendados

1.1 Politriz com velocidade variável
Velocidade normal de trabalho - 1.750 RPM
Velocidades reduzidas até 1.000 RPM

1.2 Suporte para boina de polir
Deverá ser escolhido suporte de material plástico injetado flexível com bordas arredondadas para diminuir a possibilidade de acidentes nas superfícies pintadas.

1.3 Enceradeira orbital
A aplicação da cera não deverá ser feita manualmente para criar película contínua e uniforme.

1.4 Boinas de polimento
As boinas poderão ser de pele natural de carneiro ou boinas tecidas, com lã ou material sintético. Boinas muito agressivas não são recomendadas para as tintas modernas. Quanto mais agressiva é a boina usada menor deverá ser a velocidade da politriz, para evitar marcas na pintura. 

1.5 Boinas de espuma
É recomendável o uso de espumas apenas para acabamento e não para o polimento em si, devido à altas temperaturas desenvolvidas por estes materiais. 

Considerações Gerais: 

Limpar periodicamente as boinas de pele natural de carneiro, sem usar produtos que removem o óleo natural existente e que dá a suavidade necessária a este tipo de boina. 


As boinas tecidas deverão ser limpas mecanicamente sem o uso de produtos químicos, após cada painel polido. O acúmulo de contaminantes ou polidor nas boinas é a causa maior para a formação de arranhões do tipo "teia de aranha".
Não apertar a politriz em demasiado sobre a superfície a ser polida, para não causar o stress térmico da tinta. 
Evitar usar boina de espuma seca para acabamento pelo mesmo motivo.

2. Produtos Químicos Recomendados

2.1 Compostos abrasivos pastosos
Usar somente para repintura caso o estado da superfície repintada requeira desbaste.

2.2 Polidores líquidos levemente abrasivos (1.200 à 1.500 grit)
Polidores usados na maioria dos casos pela velocidade de trabalho proporcionada, pelo acabamento superior e pelo fato de proporcionar um mínimo de desbaste da camada de tinta. 

2.3 Polidores Líquidos de Acabamento (2.000 grit)
Esses polidores serão usados para limpar e dar acabamento após o uso dos abrasivos. Normalmente são aplicados em baixa rotação com boina de pele de carneiro, boina sintética ou boina de espuma umedecida.

2.4 Removedor de Arranhões Leves
Líquido polidor de última geração com granulação do abrasivo quebrando na medida do uso. Começa com abrasão na faixa de 1.200 grit e acaba dando acabamento sozinho na faixa de 2.000 grit. 
Após o uso de tal polidor é necessário somente o uso de boina de espuma com água para um resultado final satisfatório. 
Para obter bons resultados com essa classe de polidores a politriz deverá ser usada em rotações reduzidas, abaixo da velocidade normal de 1.750 RPM.
O uso de produtos chamados "abrilhantadores", ou em inglês "glazes", para polimento não vai proporcionar resultados satisfatórios. Os arranhões não serão removidos, mas sim disfarçados.

Após uma ou duas chuvas ou lavagens, os mesmos reaparecerão. 



Espero que após a leitura desse artigo, os profissionais da área escolham com maior cuidado os produtos e equipamentos a serem usados, e que as respostas dadas ao consumidor que busca a perfeição, serão mais convincentes, mais profissionais e mais perto da realidade. 

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