Pontifícia universidade católica do paraná



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2.4Formulação do Problema


Dentro do contexto e da temática apresentada nos itens acima, o problema da pesquisa, ou a pergunta de pesquisa, podem ser representados pela seguinte indagação:

As expectativas, caso existam, de participantes do subprojeto CELEPAR na Comunidade, em relação às ações de aumento do exercício da cidadania que podem ser implementadas com o uso da Tecnologia da Informação, são confirmadas pelos produtos e ações, de mesma natureza, implantados no programa de Governo Eletrônico do Estado do Paraná, o e-Paraná?


2.5Hipóteses


Também no contexto e na temática apresentada, as hipóteses básicas formuladas são:

  • O público a ser pesquisado, potencialmente excluído da condição de uso da Tecnologia da Informação na sua relação direta com o Estado, é detentor de expectativas quanto à possibilidade de uso da Tecnologia da Informação pelo Estado nesta relação;

  • Existem expectativas comuns no que diz respeito ao entendimento e pressupostos do programa de alfabetização digital, enquanto que as demais expectativas em relação ao uso da Tecnologia da Informação apresentam divergências em relação às práticas implantadas.

Hipóteses Secundárias

Num desdobramento das hipóteses básicas, cabe registrar como hipóteses secundárias:



  • Os participantes do programa de alfabetização digital têm expectativas que a Tecnologia da Informação poderia ser melhor utilizada, não na sua relação direta com o Estado, mas na gestão que o Estado faz dos serviços públicos;

  • No âmbito dos serviços prestados pelo estado, a percepção do segmento a ser pesquisado é de que melhorias podem e devem ser feitas, independente do uso da Tecnologia da Informação, ou seja, não é a Tecnologia da Informação que trará, num primeiro momento, a melhoria na relação do cidadão com o Estado, não sendo ela, por decorrência, ainda um fator diferencial para o aumento do exercício da cidadania.

3Revisão da Literatura

3.1Síntese da Base Teórica


A realização do presente trabalho contou com uma abrangente pesquisa bibliográfica acerca dos assuntos relacionados ao tema e ao seu contexto neste projeto. Estes assuntos foram tomando uma forma e definindo um eixo no curso do próprio trabalho. Assim, de uma gama de assuntos pesquisados e estudados, um recorte foi feito visando oferecer a essência das questões que, finalmente acabaram influenciando a formulação dos questionamentos, as pesquisas propriamente ditas e o embasamento das suas análises. O eixo teórico do presente trabalho tem, em essência, a seguinte construção:

Em primeiro lugar, a análise da evolução da Tecnologia da Informação - TI na sociedade, sua ação transformadora e, como alguns preferem, até revolucionária. O objetivo desta análise é apresentar o impacto da TI na sociedade e a transformação do seu espaço de ação. A TI deixou de ser um agente de busca de automação e eficiência, passando a ser um recurso estratégico nas organizações e na criação de novos produtos, novos mercados e novas relações entre as organizações e entre elas e as pessoas.

Uma segunda análise estabelece um diálogo entre a evolução da TI na sociedade em geral, em especial no setor privado, e a evolução da mesma no âmbito governamental. Para isto, uma primeira análise é feita a respeito das motivações para o uso da TI nestes dois segmentos, seguida de uma análise das iniciativas governamentais no sentido de definição de políticas institucionais, principalmente rumo à dita Sociedade da Informação e, finalmente, uma análise sobre diversos estágios de evolução do uso da TI, ao longo das últimas décadas, pelos governos.

A evolução do uso da TI no governo acabou gerando e já consolidando um novo conceito, o de Governo Eletrônico, representado pelas siglas e-Gov ou e-Governo. Embora tenha surgido no rastro de evoluções do setor privado, em especial do e-Business5, no âmbito do governo este novo conceito acabou tendo uma formatação diferenciada. Este fenômeno mereceu um capítulo à parte no presente trabalho.

Construído o cenário de uso da TI pelo governo, foram identificadas algumas preocupações presentes na agenda dos que têm se dedicado a esta questão. A primeira diz respeito à Divisão Digital, abordando visões dos impactos da mesma neste quadro. Torna-se crítico abordar o assunto Governo Eletrônico, quando há países com taxas de acesso à Internet inferiores a 0,1% da população (Norris, 2001, p.15), ou mesmo países como o Brasil, cuja taxa de acesso situa-se abaixo do patamar de 10% da população. Este quadro influencia de forma direta e decisiva a possibilidade de participação dos cidadãos numa nova sociedade, que passa a ser fortemente sustentada pela TI. Esta possibilidade de participação ou de exclusão é também analisada sob a ótica da cidadania. Alguns conceitos são resgatados, buscando evidenciar a importância da possibilidade de participação do cidadão nas questões sustentadas por fatores estruturais de uma sociedade. De certa forma, o conceito de cidadania tem mantido uma estreita relação com esta participação. E o Estado também tem uma contribuição a ser dada neste cenário, objeto de alguns registros feitos neste trabalho.

Finalmente são trazidos à tona alguns conceitos sobre accountability, e eleito um, o que diz respeito à responsabilidade dos gestores pelo atendimento às expectativas dos tomadores de um serviço ou de uma ação desencadeada por eles, em especial no setor público. Faz parte da responsabilidade do gestor conhecer as expectativas, atuar e prestar contas de forma que os possuidores das mesmas possam interagir.

É a intersecção destes dois agrupamentos de evidências que sugere e fundamenta a presente pesquisa. Por um lado, um novo modelo está orientando o tratamento da Tecnologia da Informação pelo governo, enquanto, por outro lado, uma série de fatores se apresenta como limitante para este mesmo modelo.

3.2A Evolução e os Impactos da Tecnologia da Informação


A sociedade vive algumas décadas de profundas transformações. Pouco mais de 30 anos foram contabilizados desde o surgimento da Internet, ainda como um ousado esquema de proteção e segurança, no final da década de 60, no âmbito da Agência de Projetos de Pesquisas Avançadas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a ARPA, até a sua difusão como ícone de uma nova era. A possibilidade de conexão de pessoas ao longo de todo o planeta, numa rede de dimensões sem precedentes, possibilitou e desenvolveu uma nova realidade social, cultural, comercial e até mesmo tecnológica.
Castells (1999) contextualiza o surgimento e evolução do uso dos computadores como uma criação da “mãe de todas as tecnologias, a segunda guerra mundial....” Castells (1999, p. 60), citando a primeira experiência ocorrida a partir de um projeto da Universidade da Pensilvânia, com o patrocínio do exército norte-americano, onde Mauchly e Eckert desenvolveram, em 1946, o primeiro computador de uso geral, o ENIAC – computador e integrador numérico eletrônico. Uma gigantesca máquina de 30 toneladas, que ocupava a área de um ginásio esportivo e que fez as luzes da Filadélfia piscarem quando foi ligado, tamanho o seu consumo de energia elétrica.

Registrando apenas os grandes marcos desta evolução, destaca-se o processamento do Censo norte-americano de 1950, pelo UNIVAC-1, primeira versão comercial de um equipamento desta natureza, desenvolvido em 1951. Duas décadas depois, uma “revolução dentro da revolução”, com o advento do microprocessador em 1971. Sendo este o propulsor de novas alternativas para o uso desta ainda recente invenção, o computador, com o surgimento da Apple Computers em 1976 e, finalmente, com o desenvolvimento do computador pessoal, o PC, pela IBM nos anos 80, criando um padrão industrial para o produto.

Numa trajetória paralela e complementar à do desenvolvimento tecnológico dos computadores, do hardware, verifica-se também uma significativa evolução nas tecnologias de comunicação, possibilitando a conexão destes equipamentos e a criação de uma rede sem precedentes, ampliando-o inclusive para “Tecnologia da Informação e Comunicação”, o que antes era normalmente tratado só pelo viés da tecnologia.

Este breve resgate histórico objetiva apenas localizar, em poucas décadas, uma significativa evolução tecnológica. A partir desta evolução, cabe situar uma grande e revolucionária transformação em curso na nossa sociedade.

Drucker (2000, p.48) apresenta uma análise histórica, abordando as grandes revoluções dos últimos 500 anos, em especial a Revolução Industrial. Este contexto é apresentado visando servir de pano de fundo para a análise da Revolução da Informação. Segundo o autor, esta revolução está acontecendo e evoluirá da mesma forma que as demais, com as mesmas características estruturais.

Nesta análise, o autor sugere que a Revolução da Informação está atualmente no ponto em que a Revolução Industrial estava no início da década de 1820, cerca de 40 anos depois da primeira aplicação da máquina a vapor numa operação industrial. A comparação apresentada é que o computador está para a Revolução da Informação assim como o máquina a vapor esteve para a Revolução Industrial. Ambos são os gatilhos e símbolos destas revoluções, mas não são, na essência, os verdadeiros e principais agentes destes processos revolucionários.

Um aspecto marcante da comparação apresentada acima, aponta que, nos primeiros 50 anos da Revolução Industrial, não foram identificadas as verdadeiras mudanças na economia e na sociedade. Estas primeiras décadas foram marcadas pela mecanização da produção de mercadorias, que já existiam há muito tempo. Foram décadas de aumento de produtividade, de ganhos de qualidade, mas de uma certa manutenção da situação geral. Por exemplo, nos 50 anos seguintes à Revolução Industrial, o preço dos tecidos de algodão caiu 90 % e, no mesmo período, a produção aumentou, no mínimo, 150 vezes na Inglaterra.

Assim é também situada a Revolução da Informação. Estamos ainda vivendo o término dos primeiros anos desta revolução, caracterizados pela utilização da tecnologia na produção de serviços que já existiam, só que feitos com mais qualidade, rapidez e com maior produtividade. O componente principal e símbolo deste período, o computador, tem seu preço caindo em torno de 50 % a cada 18 meses6. Os principais processos suportados pela Tecnologia da Informação ainda permanecem muito parecidos com as suas formas anteriores de execução. O autor chega a citar o uso da TI numa aplicação na bolsa de valores, muito semelhante à forma que era feita no início do século, só que com mais informações e com maior agilidade, mas na sua essência não são identificadas mudanças fundamentais.

Abordagens associadas ao desenho de uma nova sociedade suportada pelo desenvolvimento da Tecnologia da Informação, são também encontradas em vários outros autores:

“Este fim de século acena com uma mutação revolucionária para toda a humanidade, só comparável à invenção da ferramenta e da escrita e que ultrapassa largamente a da Revolução Industrial..... A Revolução Informacional está em seus primórdios e é primeiramente uma revolução tecnológica que se segue à Revolução Industrial. .... A transferência para as máquinas de um novo tipo de funções cerebrais abstratas encontra-se no cerne da Revolução Informacional” (Lojkine, 1995, p.13).

“Em termos ideais, a Revolução da Informação repetirá os êxitos da Revolução Industrial. Só que, desta vez, parte do trabalho de cérebro, e não dos músculos, será transferida para as máquinas” (Dertouzos, 1997, p.46).

“O que mudou não é o tipo de atividade na qual a humanidade está engajada, mas sim a habilidade em usar uma força produtiva a qual distingue nossa espécie biológica das demais: nossa capacidade de processar símbolos” (Castells, 1999, p.92).

“Na nova geografia mental criada pela ferrovia, a humanidade dominou a distância. Na geografia mental do Comércio Eletrônico, simplesmente eliminou-se a distância. Existem somente uma economia e um mercado.” (Drucker, 2000, p.53)

Ainda segundo Lastres e Ferraz (1999), um conjunto de transformações sociais, econômicas e culturais está em curso, caracterizando a entrada num novo paradigma, o paradigma da Tecnologia da Informação. Os autores sugerem um primeiro paradigma situado entre 1770/80 e 1830/40, caracterizado pela mecanização, tendo como fator-chave o algodão e o ferro fundido. Um segundo paradigma, situado entre 1830/40 e 1880/90, caracterizado pelo uso da força a vapor e da ferrovia, tendo como fator-chave o carvão e o transporte. Entre 1880/90 e 1920/30 um terceiro paradigma se estabeleceu tendo como referência a energia elétrica e a engenharia pesada e como fator-chave o aço. Este foi seguido por um quarto momento, situado entre 1920/30 e 1970/80, onde a referência foi a produção em massa, o “fordismo”, tendo como fator-chave o petróleo e seus derivados. Finalmente os autores situam o momento atual como a entrada no quinto paradigma, iniciado em 1970/80, onde a referência passa a ser a Tecnologia da Informação e o fator-chave passa a ser a microeletrônica e a tecnologia digital.

Castells (1999) reforça esta visão revolucionária citando que esta nova revolução tem, de forma muito forte, um aspecto em comum com a Revolução Industrial iniciada no século XVIII: introduz um padrão de descontinuidade nas bases materiais da economia, da sociedade e da cultura. Porém, com alguns fatores de diferenciação, cabendo destacar:


  1. As outras revoluções, incluindo os dois grandes momentos da Revolução Industrial, também contaram com o componente informação. A informação e o processo de desenvolvimento científico foram fundamentais. A diferença agora é que existe um ciclo de realimentação, o avanço da TI tem gerado um suporte para a própria divulgação e retroalimentação da tecnologia. Assim, o produto inicial desta revolução tem sido também o seu principal agente de crescimento, exponencializando a sua evolução;

  2. Esta revolução vem se desenvolvendo como uma forma de expansão da mente humana. Diferente da Revolução Industrial, onde a nova base da economia estava na expansão da capacidade (física) de trabalho do homem. Assim poderemos, em breve, entender a humanidade como um grande e complexo sistema de conhecimento interligado;

  3. Uma terceira característica diferenciada é a questão do alcance e propagação desta revolução. Outras revoluções, como a industrial, por exemplo, tiveram o seu alcance limitado e a sua difusão lenta. E isto gerou um fator de diferenciação entre algumas comunidades, criando uma relação de dependência, subordinação e até de destruição (por falta de acesso às bases da revolução em curso). A atual revolução da TI apresenta uma grande expansão, em menos de duas décadas praticamente toda a humanidade teve acesso aos fatores fundamentais desta revolução.

Desta análise, ainda segundo Castells (1999, p.57), um paralelo importante pode ser estabelecido entre a Revolução Industrial e a revolução provocada pela Tecnologia da Informação:

“Fontes móveis de energia barata e acessível expandiram e aumentaram a força do corpo humano, criando a base material para a continuação histórica de um movimento semelhante rumo à expansão da mente humana”

Este movimento de expansão da mente humana, associado e sustentado pela Tecnologia da Informação, causou transformações significativas nas organizações, nos seus produtos, nos seus processos e nas suas relações com todos os demais agentes sociais. A própria característica do uso da Tecnologia da Informação tem passado por mudanças ao longo do tempo. Talvez uma que mais mereça destaque, seja o novo posicionamento da TI como fator estratégico nas organizações e não mais como ferramenta de automação de processos e melhoria de eficiência.

Bahiense (2002) aborda esta transformação no uso da Tecnologia da Informação. Cita que os primeiros ensaios sobre a utilização da TI para a obtenção de vantagens competitivas estavam presentes há duas décadas nos trabalhos de Porter e Millar, enquanto muitos autores ainda abordavam a tecnologia apenas como ferramenta para o aumento da eficiência e do controle.

Laudon & Laudon (1988) abordaram a utilização estratégica da Tecnologia da Informação focando que, atualmente, a informação tornou-se um recurso estratégico para que uma organização seja competitiva e, para isso, a Tecnologia da Informação proporciona conhecimento estratégico derivado de sistemas de informações, os quais são extremamente necessários para o sucesso e sobrevivência dessas organizações. Esses sistemas de informação estratégica podem atingir qualquer nível da organização e podem a qualquer momento mudar seus objetivos, seus processos, seus produtos, serviços ou ambiente, para que ela possa atingir uma vantagem competitiva no mercado.

As organizações utilizam a Tecnologia da Informação em três níveis estratégicos: o nível de negócio, o nível da empresa e o nível da indústria, onde para cada um desses níveis existem diferenciados usos estratégicos de sistemas, assim como para cada nível de estratégia de negócios existe um modelo apropriado de análise.

Para o nível estratégico de negócios e para o modelo de cadeia de valor, as estratégias mais comuns iniciam através do baixo custo, diferenciação do produto/serviço e participação em um mercado mais competitivo, através de novos mercados globalizados ou foco em determinado nicho de mercado, criando assim a economia de escala.

A análise da cadeia de valor é a ferramenta mais comum no âmbito dos negócios. É através dela que se pode salientar as atividades principais ou de suporte do negócio, onde as estratégias competitivas podem ser aplicadas, e onde os sistemas de informação podem ter maior impacto estratégico, para que a organização possa alcançar sua posição competitiva. Estas atividades principais estão diretamente relacionadas à produção e distribuição dos produtos e serviços que criam valor para os clientes, assim como as atividades de suporte são atividades de apoio da organização, como infra-estrutura, recursos humanos, tecnologia, possibilitando a realização das atividades principais.

As organizações possuem vantagem competitiva quando proporcionam mais valor aos seus clientes ou quando proporcionam o mesmo valor ao cliente, porém por um custo mais baixo. O papel da Tecnologia da Informação, no âmbito do negócio, visa auxiliar a empresa a reduzir seus custos, diferenciar seus produtos e possibilitar a entrada em novos mercados. A estratégia de diferenciação de produtos é utilizada para que a organização crie, através de sistemas de informação, produtos e serviços que podem ser facilmente distinguidos dos existentes na concorrência, tornando assim a organização líder também em custo do produto.

Outro tipo de estratégia competitiva direciona-se para a diferenciação focada no desenvolvimento de novos nichos de mercado para produtos e serviços especializados, onde o negócio pode competir com um alvo melhor do que seus competidores.

Sistemas de informação permitem que as organizações possam analisar seus consumidores através de moldes, gostos e preferências, para então lançarem campanhas eficientes de comunicação e marketing para mercados-alvo cada vez mais específicos.

Sofisticados softwares de Datamining encontram moldes em uma larga escala de dados e interferem a partir delas, que podem ser usadas para tomadas de decisões e previsões, podendo assim prever e alinhar um comportamento futuro.

O estoque hoje é um dos grandes problemas de uma empresa, pois a mesma paga os custos financeiros da mercadoria, porém não os recebe de volta. Muitas empresas utilizam então a Tecnologia da Informação para eliminar ou reduzir seus estoques, através de sistemas de reposição contínua, que enviam ordens de compra de uma nova mercadoria diretamente aos fornecedores assim que o consumidor paga pela mercadoria, mantendo assim um estoque com o armazenamento de itens que vêm de encontro com a demanda do consumidor.

Ainda segundo os autores, o gerenciamento da cadeia de suprimento (supply chain management) integra a logística de fornecedores, distribuidores e consumidores em um coeso processo. A cadeia de suprimento é um conjunto de entidades físicas unidas por processos para fornecer mercadorias ou serviços para o consumo. Para gerenciar tal cadeia, a empresa procura eliminar atrasos e corta uma quantidade de recursos retardatários pelo caminho. Um sistema de informação torna eficiente o gerenciamento da cadeia de suprimento através da integração da demanda de planejamento, previsão, requisição de material, ordem de compra, inventário, serviços de transporte, recebimento, faturamento e pagamento. O mesmo também é utilizado para criar um sistema eficiente de controle das demandas do consumidor.

Outro conceito de estratégias empresariais envolve a noção de competência central estabelecido por Hamel & Prahalad, (1995), onde a performance de todo o negócio aumenta com o desenvolvimento das unidades de negócio ou criando uma central de competências. Qualquer sistema que estimule o compartilhamento de conhecimento entre as unidades de negócio desenvolve competências.

Sistemas de informação podem ser utilizados estrategicamente, também, na formação de parcerias, que cruzam seus sistemas para criar sinergias únicas. Em uma parceria de informações, ambas as companhias podem juntar as forças para compartilhar informações, auxiliando as empresas a atingir novos consumidores, criar novas oportunidades para vendas e produtos-alvo, podendo também compartilhar os investimentos em hardware e software.

Além deste viés de aplicação estratégica nos negócios das organizações, a Tecnologia da Informação tem possibilitado e impulsionado outras mudanças no âmbito das organizações e dos seus relacionamentos. Lastres & Albagli (1999) apresentam uma série de temas acerca do papel central da informação e do conhecimento, impulsionados e sustentados pela TI, no emergente padrão sócio-técnico-econômico deste início de século.

Lastres & Ferraz (1999) falam do surgimento de novos mercados, novos produtos e novos processos, totalmente baseados na Tecnologia da Informação, bem como novas formas de organização, a partir de conceitos como just-in-time, empresas organizadas em rede, comércio eletrônico, etc. Estas mudanças refletem a introdução de novos procedimentos e o afastamento daqueles até então dominantes.

Passos (1999) aborda o surgimento de novos modelos de gestão na dita Sociedade da Informação, alinhados com os novos paradigmas produtivos, sociais e econômicos, que substituem paradigmas e modelos clássicos como o taylorista. A essência destes modelos está no aumento da capacidade de absorver inovações, tanto resultante dos esforços internos de pesquisa, como as vindas de fora da organização. O sucesso destes modelos dependem de políticas que priorizem a cooperação e a agregação individual de cada um dos componentes da cadeia produtiva. As pessoas não são mais vistas como máquina, como era no modelo clássico, mas como agentes que produzem e também precisam participar do processo de inovação da organização.

Tigre (1999) apresenta um estudo da significativa ampliação de escopo e de presença do comércio eletrônico. A prática do comércio eletrônico já era verificada há cerca de 20 anos, de uma forma mais rudimentar, utilizando uma tecnologia denominada electronic data interchange – EDI, voltada basicamente para grandes corporações industriais e algumas instâncias de serviços bancários. A Internet trouxe como grande diferencial a inclusão de um público muito maior e a possibilidade de intercâmbio de informações e transações entre organizações privadas e pessoas físicas, independente do tamanho da empresa ou do produto ofertado, sendo, inclusive, responsável pela criação de novos segmentos de mercado e novos perfis de usuários. O impacto do comércio eletrônico foi muito grande nas organizações, pois não afetou apenas a sua forma final de comercialização, mas todos os seus processos produtivos, do marketing à entrega do produto.

Lemos (1999) aborda os impactos dos novos conceitos e práticas trazidos pela Tecnologia da Informação, associados à nova era da informação, nos processos de inovações. A sua abordagem defende que no atual processo de inovação, o conhecimento é a base fundamental e o aprendizado interativo é a melhor forma para indivíduos, empresas, regiões e países estarem aptos a enfrentar as mudanças em curso. Conhecimento e aprendizado interativo são, segundo a autora, dependentes e conseqüências das mudanças do perfil do uso dos recursos de TI.

A participação das pequenas e médias empresas na economia do conhecimento é abordada por Rovere (1999), destacando a implicação da utilização da TI no aumento de importância das pequenas e médias empresas nos cenários econômicos e sociais da atualidade. Segundo o autor, esta importância teve elevação significativa a partir de meados dos anos 70. Algumas questões tecnológicas, como a possibilidade de criação de redes de empresas, o comércio eletrônico, possibilidades de novas e ágeis cadeias produtivas interligadas, entre outras, estão entre as bases da evolução deste perfil de empresas.

Também nos processos industriais já estabelecidos e consolidados há algumas décadas, a TI deixou sua marca. Um novo modelo de competitividade industrial instalou-se a partir das últimas décadas, apoiado pela evolução tecnológica. Cassiolato (1999), analisa a competitividade industrial, considerando tanto o surgimento de novas indústrias associadas a produtos derivados da microeletrônica, como à utilização desta tecnologia em indústrias já estabelecidas, na consolidação de um novo paradigma tecno-econômico.

Outros vieses e impactos da TI na sociedade ainda são abordados por Lastres & Albagli (1999) e também por Castells (1999), como as novas relações no trabalho, o novo papel do trabalhador do conhecimento, novos conceitos de qualidade de vida no trabalho, novos modelos de participação, remuneração,carreira e de outras práticas associadas à gestão dos recursos humanos.

Cunha (2000), registra a existência de três classificações que pretendem organizar a história da utilização e do gerenciamento dos recursos de tecnologia, alguns ainda associados à então chamada era do computador, sendo os modelos de Nolan, de Kraemer e o de Venkatraman.

Nolan, (1979) desenvolveu um modelo que acabou-se tornando referência para muitos estudos e para outros autores. O modelo também tornou-se referência como modelo de gestão dos recursos de informática. O modelo propõe que a gestão da informática, em uma organização, passa por seis estágios, a saber: 1) iniciação; 2) disseminação ou contágio; 3) controle; 4) integração; 5) administração de dados e 6) maturidade. Cada estágio é caracterizado pela forma como os recursos tecnológicos são geridos e utilizados nas organizações. O autor ainda separa os estágios em eras, que ele determina era do processamento de dados, até o quarto estágio, e era da informação, a partir deste quarto estágio. Segundo o autor, é no estágio de maturidade que a organização está plenamente preparada para o uso da informação como recurso, suportada pela tecnologia.

Kraemer7, segundo Cunha(2000) adotou o viés de classificação dos estágios a partir da perspectiva política da administração dos recursos de informática, a saber: 1) competência; 2) serviço e 3) controle. Competência no sentido da existência de grupos técnicos de informática que buscam atualização tecnológica e uso eficiente dos recursos. Serviços no sentido da existência de usuários na busca de eficácia dos serviços a longo prazo. Controle na perspectiva da existência de uma administração superior, que precisa harmonizar as demandas por recursos e assegurar o desempenho do órgão no contexto organizacional e político.

Venkatraman8, ainda segundo Cunha (2000), enfatiza o impacto dos sistemas sobre a configuração das organizações: 1) exploração localizada em uma mesma função ou atividade; 2) integração das atividades dentro de uma mesma organização ou processo; 3) redesenho do processo em função de uma mesma organização ou processo; 4) redesenho da rede de comunicação externa da organização; 5) redefinição dos objetivos da organização em função de novas possibilidades tecnológicas.

Estes estágios, sob diversas perspectivas, foram usados pelas organizações durante muito tempo, mas acima deste uso eles evidenciam um claro esforço de sempre caracterizar a mudança e evolução do perfil da utilização da tecnologia pelas organizações.

Os registros acima estão longe de esgotar os relatos possíveis acerca das transformações ocorridas na sociedade em função da evolução da TI e de novas formas encontradas para o seu uso. O objetivo deste relato é apenas de caracterizar a profunda transformação em curso, através da abordagem da evolução tecnológica e dos seus impactos nas organizações, nos indivíduos e nas suas relações.

O foco apresentado tratou destas transformações no contexto das organizações privadas e dos indivíduos, sem entrar no mérito específico das transformações ocorridas no setor público, nas diversas esferas de governo. O próximo capítulo será dedicado a este tema. Como motivação podemos adiantar algumas conclusões de Bahiense (2002, p. 58), mesmo não sendo elas expressões de total concordância na literatura pesquisada:

“De qualquer modo, quando se trata de e-business, não restam dúvidas do considerável atraso que o aparelho do estado padece se comparado ao ambiente empresarial”

“A lógica da competição, inerente ao ambiente empresarial, que passa pela escolha da clientela e a busca de sua fidelização, não é, nem pode ser, a mesma que orienta as ações dos órgãos públicos no atendimento ao cidadão e às pessoas jurídicas”



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