Pontifícia universidade católica do paraná



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4Metodologia


A pesquisa, de natureza exploratória e qualitativa, foi desenvolvida através de um estudo de caso, nos ambientes e contextos já apresentados.

Yin (1989) usa a seguinte definição de estudo de caso:

Um estudo de caso é um questionamento empírico que:


  • Investiga um fenômeno contemporâneo nos seus contextos da vida real (real-life context); quando

  • As fronteiras entre fenômeno e contexto não estão claramente evidentes; e quando

  • Múltiplas fontes de evidência são usadas.

Yin descreve ainda um estudo de caso como uma maneira de “investigar um tópico empírico seguindo um conjunto de procedimentos préestabelecidos”. Creswell (1994) a partir da definição de Yin (1989) e de Merriam (1988) apresentou a seguinte definição:

Estudo de casos são aqueles nos quais o pesquisador explora uma única entidade ou fenômeno (“o caso”) limitado por tempo e atividade (um programa, evento, processo, instituição, ou grupo social) e coleta informações detalhadas usando uma variedade de procedimentos de coleta de dados durante um período de tempo (Merriam, 1988; Yin 1989).

Dias (2000) citando Glazier registra que talvez a melhor forma de entender pesquisa qualitativa é explicar o que ela NÃO é. Ela não é um conjunto de procedimentos que depende fortemente de análise estatística para suas inferências ou de métodos quantitativos para a coleta de dados, sendo as principais características dos métodos qualitativos a imersão do pesquisador no contexto e perspectiva interpretativa de condução da pesquisa, citando ainda Kaplan & Duchon.

Citando Patton e Glazier, Dias (2000) conceitua dados qualitativos:



  • Descrições detalhadas de fenômenos e comportamentos;

  • Citações diretas de pessoas sobre suas experiências;

  • Trechos de documentos, registros, correspondências;

  • Gravações ou transcrições de entrevistas e discursos;

  • Dados com maior riqueza de detalhes e profundidade;

  • Interações entre indivíduos, grupos e organizações.

Ainda sobre o método qualitativo, são apropriados quando o fenômeno em estudo é complexo, de natureza social e não tende à quantificação. Normalmente, são usados quando o entendimento do contexto social e cultural é um elemento importante para a pesquisa. Para aprender métodos qualitativos é preciso aprender a observar, registrar e analisar interações reais entre pessoas, e entre pessoas e sistemas, contextualiza Dias (2000), citando Liebsher.

Sobre as diversas técnicas possíveis, Dias (2000) cita Becker & Geer, ao abordar a observação participante como um método de coleta de dados:

“Método em que o observador participa da vida diária das pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados, observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um período de tempo.”

A partir de referências metodológicas alinhadas como as acima apresentadas, a presente pesquisa trilhou os seguintes procedimentos:



Para o estudo do programa de governo eletrônico do Estado do Paraná, o e-Paraná:

  • Busca e análise de dados disponíveis na CELEPAR – Cia de Informática do Paraná, empresa responsável pela coordenação e implementação do programa. Foram buscados artigos escritos sobre o tema, atas de reuniões, documentos internos, dados técnicos de volumes e características dos serviços prestados;

  • Foi também considerado o conhecimento do pesquisador acerca do tema, visto o mesmo ser funcionário da citada empresa e ter participado, em diversos momentos, de discussões e implementações do programa.

  • Análise do site do Estado, o www.pr.gov.br, a partir do qual encontra-se acesso a todos os serviços que integram o projeto de Governo Eletrônico do Estado.

  • Entrevista com a Coordenadora do Programa de Governo Eletrônico do Estado, o e-Paraná, no âmbito da Cia de Informática do Paraná – CELEPAR.

  • Busca e análise de dados, disponíveis na CELEPAR, específicos sobre o subprojeto de alfabetização digital.




  • Análise dos resultados de trabalhos acadêmicos que levantaram alguns aspectos relacionados diretamente ao programa de Governo Eletrônico do Estado do Paraná.

  • Estes levantamentos se deram no período de julho de 2001, quando o projeto de pesquisa começou a ser elaborado, até janeiro de 2003, data da conclusão desta pesquisa.

Para a identificação da existência de expectativa e, caso positivo, a explicitação das mesmas, por parte de um grupo de “excluídos digitais”, participantes do programa de alfabetização digital, com relação à utilização da Tecnologia da Informação para a melhoria da relação deles com o Estado:

  • Participação, como instrutor, do programa de alfabetização digital desenvolvido no contexto do projeto e-Paraná, buscando uma condição de observador e participante, visando se ambientar com a linguagem e observar a forma de participação e interação das pessoas, caracterizando uma observação participante, disfarçada, direta e estruturada.

  • A partir desta participação e observação inicial, foram desenvolvidos instrumentos para a pesquisa da existência das expectativas e, caso positivo, a identificação das mesmas. Os instrumentos desenvolvidos foram: a) questionário semi-estruturado e b) roteiro de observação durante a realização dos treinamentos.

  • Aplicados estes instrumentos em três turmas experimentais, as experiências e observações geraram um conjunto de instrumentos aperfeiçoados, assim compostos: a) um novo roteiro para entrevistas individuais; b) um roteiro para entrevistas em pequenos grupos; e c) um roteiro para observação e interação durante a realização dos treinamentos do programa.

Este segundo processo de refinamento e as pesquisas propriamente ditas foram feitas no período de 18 a 22 de novembro de 2002 nos municípios de Sarandi, Mandaguari e Mandaguaçu, na região de Maringá – PR, com os passos abaixo descritos.

O primeiro, um contato informal e contínuo com os participantes do programa: desde a abertura do treinamento, questões relacionadas à percepção das pessoas em relação ao uso da TI eram investigadas. Durante todo o treinamento, contatos individuais e informais eram mantidos visando a confirmação das percepções iniciais. Nestes casos, o pesquisador compunha a equipe de instrução, de forma a possibilitar um melhor contato e uma relação com o público. Os principais aspectos pesquisados eram:



  • Já existia contato anterior com a TI (a pessoa já tinha tido outras oportunidades).

  • Os participantes tinham alguma expectativa com relação ao uso, no âmbito pessoal, da Tecnologia da Informação.

  • Finalmente, os participantes tinham alguma expectativa com relação ao uso da TI pelo governo, como forma de melhorar os aspectos que considera mais críticos na sua relação com o governo.

O segundo, entrevistas individuais, feitas pelo pesquisador ou por um segundo instrutor devidamente capacitado, visando identificar a existência de expectativa em relação ao potencial de uso da TI na sua situação pessoal, a existência de expectativa do potencial de uso da TI pelo governo nas questões que considera relevantes, finalmente, a percepção de prioridade entre as três frentes que hoje são citadas como alicerce de um programa de Governo Eletrônico, quais sejam: e-democracia, serviços ao cidadão e governança. Durante as entrevistas, estes pilares eram apresentados aos entrevistados numa linguagem que os possibilitasse entender.

Durante a realização destas entrevistas, eram feitas validações com os entrevistados. Assim, quando um optava por um determinado alicerce como prioridade, era pedido que ele desse um exemplo de como ele entendia que isto poderia ser usado. Da mesma forma, quando ele apresentava uma prioridade de atuação do governo com o uso da TI era solicitado que ele exemplificasse a ação esperada. Só foram registradas as respostas que ofereceram coerência nesta verificação. Este segundo mecanismo foi empregado em 12 turmas, envolvendo 30 participantes.

O terceiro foi a realização de entrevistas em grupos maiores. Um grupo maior era reunido, às vezes a turma toda, e um formulário distribuído focando exatamente os mesmos itens da entrevista individual. As questões eram apresentadas pelo pesquisador ou por outros instrutores (dois instrutores foram preparados para esta pesquisa). As questões eram exemplificadas, havia um diálogo no sentido de verificar o entendimento das questões. Eram também solicitados exemplos, mas com o cuidado de que estes não influenciassem nas respostas dos que ainda não haviam chegado a uma conclusão.

Este terceiro mecanismo envolveu 65 pessoas de 7 turmas.

Desenvolvidos os levantamentos, foram feitas análises e tabulações simples, cujos resultados são apresentados no próximo capítulo, buscando as respostas para a pergunta de pesquisa e a validação das hipóteses apresentadas, quais sejam:

Pergunta de pesquisa:

As expectativas, caso existam, de participantes do subprojeto CELEPAR na comunidade, em relação às ações de aumento do exercício da cidadania que podem ser implementadas com o uso da Tecnologia da Informação, são confirmadas pelos produtos e ações, de mesma natureza, implantados no programa de Governo Eletrônico do Estado do Paraná, o e-Paraná?

Hipóteses:

O público a ser pesquisado, potencialmente excluído da condição de uso da Tecnologia da Informação na sua relação direta com o Estado, é detentor de expectativas quanto à possibilidade de uso da Tecnologia da Informação pelo Estado nesta relação;

Existem expectativas comuns no que diz respeito ao entendimento e pressupostos do programa de alfabetização digital, enquanto que as demais expectativas em relação ao uso da Tecnologia da Informação apresentam divergências em relação às práticas implantadas.

Hipóteses Secundárias

Os participantes do programa de alfabetização digital têm expectativas que a Tecnologia da Informação poderia se melhor utilizada, não na sua relação direta com o estado, mas na gestão que o Estado faz dos serviços públicos;

No âmbito dos serviços prestados pelo Estado, a percepção do segmento a ser pesquisado é de que significativas melhorias podem e devem ser feitas, independente do uso da Tecnologia da Informação, ou seja, não é a Tecnologia da Informação que trará, num primeiro momento, a significativa melhoria na relação do cidadão com o Estado, não sendo ela, por decorrência, ainda um fator diferencial para o aumento do exercício da cidadania.



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