Pontifícia universidade católica do rio grande do sul faculdade de letras



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4.3 Da leitura à escritura: livros que se contam


Há lembranças da meninice que jamais se apagam do cérebro adulto, mesmo quando esse receptador de impressões não consegue, por fraqueza senil, reter as da véspera.414


As evocações de leituras, apresentadas pelos depoimentos registrados, delineiam um quadro amplo da prática de leitura dos livros infantis de Monteiro Lobato, possibilitando-nos observar a abrangência e a permanência das leituras realizadas na infância.

Paralelamente àqueles depoimentos, de natureza concreta e real, encontram-se textos ficcionais que podem ser lidos como testemunho de leitura, já que tematizam a intricada relação texto e leitor. Acreditamos, também, que a opção de seus autores pela construção de um registro ficcional não invalida o intento de representação de uma leitura elaborada nos meandros da infância.

Os textos aqui selecionados, pelo seu caráter múltiplo, situam-se na linha limítrofe do real e do imaginário, da memória e da ficção. São eles: o conto Felicidade clandestina (1975), de Clarice Lispector, e o romance O menino no espelho (1982), de Fernando Sabino, bem como os livros infanto-juvenis: Memórias da ilha (1991), de Luciana Sandroni, e Amigos secretos (1996), de Ana Maria Machado. Quatro narrativas de um tempo provisório, eternizado pela memória: a infância.

A leitura do conto Felicidade clandestina415 só tem sentido ao nosso propósito, à medida que for compreendido como “testemunho” da história de vida leitora da escritora. Ademais, mesmo sem apresentar explicitamente um registro autobiográfico, a narrativa traz à tona a infância pobre da menina Clarice na cidade do Recife.416

Nádia Gotlib, em sua biografia sobre Clarice Lispector, destaca a amizade da escritora na infância com Reveca, colega do Ginásio Pernambucano. Segundo depoimento da irmã de Reveca, Suzana Rorovitz, a irmã emprestava vários livros à Clarice, já que o pai era dono de uma livraria e em casa possuíam uma grande biblioteca. O empréstimo de um determinado título é protelado por Reveca e relatado com minúcias por Suzana, que descreve a interferência da sua mãe no caso: “Depois desse caso dos livros, ela nunca mais veio em casa. Ela devorava os livros com os olhos. Acho que nunca tinha visto tanto livro dentro de uma casa”.417

Mais do que um relato, o conto é uma declaração de amor à leitura, em especial ao objeto de desejo da menina-personagem: o livro de Monteiro Lobato, Reinações de Narizinho. Clarice Lispector, numa crônica do Jornal do Brasil, da década de 60, confessa essa fidelidade ao escritor taubateano: “Quanto a mim, continuo a ler Monteiro Lobato. Ele deu iluminação de alegria a muita infância infeliz. Nos momentos difíceis de agora, sinto um desamparo infantil, e Monteiro Lobato me traz luz”.418

No conto, o livro é descrito simultaneamente por suas características físicas e afetivas, despertando na personagem leitora o desejo irresistível das coisas inatingíveis: “Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o e completamente acima de minhas posses”.419

A voracidade leitora da personagem, de poucos recursos econômicos, faz com que se humilhe diante de uma colega da escola cujo pai é proprietário de livraria, o que lhe proporciona o livre acesso ao livro. Mesmo não sendo leitora costumaz, exerce, por sua posição privilegiada, o poder de monopolizar o acesso à leitura, em especial, a leitura do livro de Lobato.


A relação de poder estabelecida entre as duas meninas adquire natureza conflitual entre o desejado e o proibido. O livro torna-se objeto de desejo e de sadismo, já que a personagem leitora e a colega entram num jogo de esconde-esconde. A primeira, despojada de seu orgulho, reitera sistemática e diariamente o seu pedido leitor; enquanto cabe à segunda o exercício sádico da protelação. A leitura do livro torna-se prioridade para a personagem que registra em seu relato as sutilezas oriundas das tentativas incessantes em efetivá-la. O livro sempre é negado através de subterfúgios e desculpas nada sutis: ora foi emprestado, ora, tendo retornado, foi novamente emprestado para uma colega mais rápida.

A despeito das artimanhas engendradas pela colega para dificultar e inviabilizar o contato com o livro, a personagem prossegue no seu intento, tornando-se, aos poucos, cúmplice consciente dos desmandos da outra. A convicção pertubadora na possibilidade de efetivar a leitura a impulsiona e reaviva a persistência na busca diária do livro.

Porém, a duplicidade do desejo, do objeto e da conquista da leitura conduz a personagem à obediência, à humilhação e até mesmo à debilidade física, acentuadas pelas olheiras que aumentam dia após dia. Desenha-se na narrativa a degeneração da imagem moral e física da personagem.

A personagem não é vitimada pela (o)pressão do mundo adulto, prática tão comum nas relações mediadoras da leitura; quem desrespeita a individualidade infantil é outra criança. Dessa forma, a narrativa traz à tona o mundo egocêntrico e individualista que, muitas vezes, habita o universo infantil, ilustrando uma face psicológica pouco abordada desse período da vida. Cabe ao adulto, nessa narrativa, o bom senso de reabilitar a dignidade e libertar a personagem da peregrinação cotidiana.

O livro, que nunca havia sido emprestado, muito menos lido, não precisaria mais ser mendigado. A mãe, horrorizada com a descoberta do ato cruel e a perversidade da filha, empresta o livro por tempo indefinido. A leitura tão desejada, ansiada, agora é protelada pela própria menina, que vive a alegria e a felicidade, mesmo que clandestina, do encontro com o objeto tão esperado.

Dissipados os dissabores e assegurada a tranqüilidade da leitura, a personagem trava com o livro nova relação, mistura de adoração contemplativa e gestos apaixonados, numa conduta amorosa propiciada pelo prazer solitário da leitura e da posse do livro:


Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com o livro: era uma mulher com o seu amante.420


O livro de Fernando Sabino provoca uma estranha sensação pela ambigüidade de sua apresentação. Ao abrir as páginas do livro O menino no espelho,421 o leitor depara-se com a fotografia do autor menino “à época dos acontecimentos narrados”, criando uma expectativa sobre a veracidade dos fatos que serão expostos. No entanto, a problematização gerada pela categórica afirmação, em destaque com o título, que classifica o gênero adotado pelo escritor como romance, destitui o caráter memoralístico da narrativa.

Com esse artifício de esfacelar a expectativa inicial, o autor rompe com a pretensão do leitor de encontrar na leitura fatos verídicos da infância narrada. Resta ainda a dúvida: romance, uma coletânea de contos ou um livro de memórias? O próprio autor responde sobre a arquitetura do livro:


Adotei nele um critério inverso ao usual: em geral se escreve um romance com elementos da realidade como se fosse ficção. Fiz o contrário: usei a ficção como se fosse realidade; utilizei todas as minhas fantasias infantis, como se tivesse vivido tudo aquilo realmente.422
A narrativa possui enquadramento autobiográfico: a infância de Fernando Sabino na cidade de Belo Horizonte, o seu reinado absoluto no quintal de casa, os nomes verdadeiros dos membros da família, entre outros registros não menos factuais. Porém, como o próprio autor explicitou, o passado é recuperado não somente pela verossimilhança, mas pela capacidade de auto-elaboração da memória, criando um universo paralelo. Assim, a narrativa ultrapassa o mero reproduzir da realidade vivida na infância e adentra no campo do imaginário. Imaginário que habita e faz parte da realidade infantil.

O segundo capítulo do romance, “O canivetinho vermelho”, interessa-nos particularmente, pois ali encontram-se reminiscências das leituras do escritor quando menino, em especial das revistas em quadrinhos e das narrativas do Sítio do Picapau Amarelo.

O menino Fernando fica impressionado ao assistir uma fita cinematográfica, em que a protagonista adquire inesperadamente poderes milagrosos. Ao chegar em casa ele descobre que inesperadamente também havia adquirido o poder de realizar desejos. Descoberto o poder de fazer milagres, o menino começa a tecer uma série de eventos mágicos e inesperados. Enche o quintal com galinhas semelhantes à sua, constrói uma piscina com um esconderijo e torna-se invisível. Cada milagre a seu tempo e sempre sob os olhos assustados da cozinheira Alzira, que acredita estar vendo assombrações.

O menino resolve contemplar desejos até então impensados: aproximar-se de seus heróis, de suas personagens favoritas. Dessa forma, as marcas da leitura tornam-se visíveis nos três próximos milagres: conhecer Tarzã, o “filho das selvas”, e o mágico Mandrake – certamente reminiscências das leituras das revistas em quadrinhos. Do último recebe de presente um canivete vermelho, objeto que lhe dará a certeza de ter vivenciado os fatos. O terceiro e último desejo contempla o universo ficcional de Monteiro Lobato. Com o poder de realizar seus desejos, o menino Fernando pede o grande milagre daquele dia: “ – Eu quero visitar o Sítio do Pica-pau Amarelo!”423 Dessa maneira, o menino passa a tarde com as personagens do Sítio, trocando o espaço do quintal real pelo ficcional.

A aventura só tem fim quando cessa o poder milagreiro. Isso ocorre devido ao pedido de Pedrinho, que buscava um meio de comprovar para Tia Nastácia que a terra era redonda “e que os japoneses estão de cabeça para baixo, só não caem por causa da atração da Terra”.424 De supetão o menino Fernando, com ar de superioridade, observa: “– É a lei da gravidade. É só acabar com ela, para ver o que acontece”. O que era um simples pensamento torna-se uma ordem e o menino se vê obrigado a desejar que tudo volte como era antes do primeiro milagre.

Em Memórias da Ilha,425 Luciana Sandroni explica de antemão o caráter memoralístico do livro, situando a sua narrativa nas lembranças da infância. A narradora, então com 27 anos de idade (1991), retoma os fatos acontecidos quando tinha oito anos e passava as férias na ilha de Itacuruçá, litoral sul do Rio de Janeiro, junto com seus três irmãos e avós. Sem televisão e energia elétrica, a ilha torna-se local ideal para as mil peripécias daquelas crianças de classe média.

A narrativa está sedimentada em fatos reais vividos pela autora, sendo que o único capítulo que foge dessa marcação é o que faz referência à leitura dos livros infantis de Monteiro Lobato. O mundo encantado do universo lobatiano penetra pela voz da mãe das crianças que, durante o mês que permanece na ilha, lê para o grupo os livros do escritor.

No entanto, a autora confidencia que aquela prática leitora era uma atividade singular e situada no espaço onírico da ilha; o retorno à vida cosmopolita e urbana do Rio de Janeiro fraturava de imediato a intimidade da leitura materna: “pena que esse hábito era uma tradição ilhesca e no Rio o Lobato só aparecia quando a luz faltava e as velas eram requisitadas”.426

A narrativa lobatiana mais presente nas lembranças desse momento de intimidade familiar com o livro, segundo a autora, é Viagem ao céu. O registro desse momento de leitura compartilhada introduz na narrativa o maravilhoso que habita no imaginário infantil. Momento único de escapadela para o inverossímil, a narrativa focaliza o imprevisível e surpreendente encontro de Luciana com as personagens de Lobato.

Certa noite, após a leitura da mãe, a menina se permite ficar com o livro até mais tarde, “só para ficar dando uma olhada nas ilustrações”, quando o livro escorrega, caindo no chão. Emília surpreendentemente repreende a menina e entabula conversação. Dessa forma inusitada a personagem depara-se, a convite da boneca, vivendo aventuras no céu.

Como na narrativa de O menino no espelho, a interferência da menina Luciana no desenrolar das aventuras no céu e, por conseqüência, na narrativa lobatiana, faz com que o tênue fio entre o real e o maravilhoso se desfaça.

A narrativa de Amigos secretos427 não tem o tom memoralístico dos demais livros. Todavia, como destaca Ana Maria Machado, a tessitura do livro foi elaborada com os fios e a trama de um desejo da infância: participar de uma aventura no Sítio do Picapau Amarelo: “Acho que talvez, de todos os meus livros, este seja o mais antigo em minha idéia. Quando eu era criança, e leitora do Picapau Amarelo, sempre sonhava em ir até lá e cismava que ia descobrir um jeito”.428

Narrado em primeira pessoa por Pereba, escolhido como porta-voz do grupo, o livro retrata a aventura vivida por um grupo de crianças e adolescentes, que passam as costumeiras férias na localidade de Cedrinho. O objetivo da narrativa é compartilhar com os leitores o segredo da aventura e, ao mesmo tempo, um pedido de socorro, buscar uma maneira de (re)encontrar os amigos secretos.

Proprietários de um “clubinho”, construído pelos pais, as crianças passam as férias, principalmente os dias de chuva, no espaço reservado para esse fim com uma “televisão meio quebrada e vídeo pifado” e outros “entulhos”. Nesse ambiente o grupo se depara com um imprevisto e pertubador acontecimento: o ingresso no mundo maravilhoso.

A inexperiência de um dos meninos em introduzir a fita no vídeo faz com que o livro de Monteiro Lobato Reinações de Narizinho sirva para empurrar a fita, ao mesmo tempo em que um beija-flor (mais tarde fica-se sabendo que era a fada Sininho) conecta a transmissão ao universo ficcional do Sítio do Picapau Amarelo.

O grupo de crianças penetra no plano fantástico do Sítio levando consigo o menino Durval, que estava sendo perseguido por um bando de malfeitores. As crianças conhecedoras das histórias lobatianas, através da leitura e/ou do seriado de televisão, conseguem compreender e apreender a dimensão daquele espaço como algo reconhecível e real. Já o menino Durval fica estupefato:


- Mas você veio conosco. A gente sempre pode trazer um amigo para esse mundo e aí ele fica conhecendo – prosseguiu Lu. _ Mas o que eu estou querendo dizer é que, quando a gente lê muito, as coisas que existem nos livros passam a existir de verdade. Mas só para nós, que lemos. Então os bandidos, que não lêem, não vão ver.429
Num jogo intertextual, a autora introduz na narrativa outras personagens do universo da literatura infanto-juvenil: Peter Pan, a pirataria do Capitão Gancho e o inseparável inimigo número um do pirata, o crocodilo “Tic-Tac”; e ainda Tom Sawyer e Huckleberry Finn, personagens do escritor americano Mark Twain. Do universo ficcional da literatura clássica, são incorporados o Cavaleiro da Triste Figura, Dom Quixote, e o escudeiro Sancho Pança.

Segundo a autora, a seleção dessas personagens não se deu aleatoriamente, tendo sido escolhidos por sua afinidade com a leitura “os que eram loucos por livros”.430 Peter Pan, que abandona sistematicamente a Terra do Nunca para ouvir as histórias da Senhora Darling; Tom Sawyer, que vive muitas de suas aventuras influenciado pela leituras que faz; a turma do Sítio, sempre atenta às histórias de Dona Benta e às indicações de leituras. E Dom Quixote, que vive tão profundamente suas leituras dos romances de cavalaria, a ponto de não conseguir mais distinguir a realidade da fantasia.

O trânsito entre o imaginário e o real se torna difuso quando as personagens do mundo ficcional se unem ao grupo de crianças e auxiliam no salvamento do menino Durval, cuja vida está marcada por conflitos familiares. Reatados os laços familiares do menino, desfeitos os laços com o maravilhoso. Dom Quixote, confundindo o chamado de Tia Nastácia com o do seu inimigo Freston, corta o fio elétrico do aparelho televisor e desfaz o laço com o mundo imaginário:
Sumiu tudo da tela, enquanto uma ventania giratória, um rodamoinho, rodava pela sala, se afunilava e se metia lá dentro da tela, como se fosse um ralo de banheira chupando tudo para o fundo. Narizinho, Emília, Dom Quixote, Sancho, Tom Sawyer foram todos carregados. Girando, girando, o rodamoinho saiu pela janela, trouxe Pedrinho, Huck e Peter Pan voando lá de fora, engoliu os três também. Até o crocodilo passou rabeando pelos ares.431
Nas férias seguintes, Durval começa a fazer parte do grupo; só que agora ele havia descoberto o mundo dos livros, era um leitor com um vasto repertório de leituras, entre eles toda a obra infantil de Lobato; os livros de Mark Twain; de Alexandre Dumas e de vários autores brasileiros: “Se bobear, acaba virando escritor. Ou pega a loucura de Dom Quixote e de Tom Sawyer – a tal de achar que o mundo dos livros existe de verdade”.432

Se procedermos de forma inversa, contextualizando essas narrativas, não no seu momento de escrita, mas no tempo resgatado pela memória (no caso dos três primeiros textos), encontraremos alguns indícios reveladores da prática leitora de seus escritores e, por que não, de suas concepções de leitura, refletidas nas narrativas.

Clarice Lispector, nascida em 1920, focaliza as dificuldades econômicas de acesso ao livro. Apresenta um quadro sombrio da relação de poder estabelecida entre aquele que detém e aquele que almeja o objeto. Porém, a leitura é uma conquista prazerosa, metaforicamente erotizada na figura de um amante.

Fernando Sabino, também nascido na década de 20, põe em foco a introdução e a influência das revistas em quadrinhos na vida leitora das crianças daquele período. Ao colocar no mesmo plano os heróis das revistas em quadrinhos e os heróis dos livros infantis, registra o seu convívio harmonioso com esses dois tipos de leitura na infância.

Luciana Sandroni (1962), por sua vez, problematiza o esgotamento da prática de leitura coletiva. O espaço urbano, com seu arsenal diversificado de atrativos, inviabiliza as relações de convivência com o livro. Já Ana Maria Machado (1942) aponta para a possibilidade de inserção da leitura no espaço contemporâneo: computadores, videogames, videocassete e a televisão, como na narrativa, tornam-se suportes para a relação com o maravilhoso.

As quatro narrativas, cada qual a seu modo e a seu tempo, refletem as vivências de seus autores e a crença na leitura e no papel que essa pode desempenhar na formação do leitor. Os livros de Lobato assumem, nessas narrativas, a força reveladora e imantada da leitura. Na marcha alegre da menina Clarice pelas ruas do Recife, em companhia do livro conquistado a duras penas; na proeza milagrosa de Fernando, que troca o quintal de Belo Horizonte por uma tarde com o pessoalzinho do Sítio do Picapau Amarelo; na leitura materna das lembranças da Luciana, no isolamento de Itacuruçá; ou no universo fictício de Cedrinho onde Ana Maria, de certo modo, reconstituiu seu desejo infantil.

O testemunho desses escritores soma-se e aglutina-se a tantos outros leitores que, não tendo o ofício da escrita, tornam-se anônimos, mas nem por isso desprovidos de suas lembranças leitoras. Livros que se contam, (re)contam a construção de sensibilidades leitoras.

4.4 Livros que contam Lobato

A vida e a obra de Monteiro Lobato constantemente são revisitadas, resultando em vários estudos biográficos. Ora, é evidente que aquele que se debruça sobre a tarefa de redigir uma vida, em particular a de um escritor, deve conhecer seu itinerário de escrita e, por isso, ser leitor atento, não só da vida, como da literatura daquele a quem quer focalizar.

Dentro do conjunto de biografias lobatianas, gostaríamos de fazer alusão, mesmo que brevemente, a um pequeno grupo que, por sua construção sui generis, merece destaque. São elas: Um personagem chamado Pedrinho: a vida de Monteiro Lobato (1970), de Sidônio Muralha; Presença de Lobato (1973), de Paulo Dantas; “Era uma vez” (1981), de Ruth Rocha; Minhas memórias de Monteiro Lobato (1997), de Luciana Sandroni, e A boneca e o Saci (1998), de Lino Albegaria.



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